CAPÍTULO VII - Freya, desaparecida?

Estávamos no apartamento aonde, Freya estaria esperando por mim e seus irmãos, se não fosse raptada.

- Kamus, você tem suspeita de quem raptou Freya? - Mime perguntou.

- Pelo que eu entendi é algo pessoal, e tenho meus suspeitos. Mas prefiro deixá-los em segredo por profissionalismo. Não gosto de apontar ninguém para não cometer equívocos. Agora é questão de esperar algum aviso ou algum momento deles me atacarem.

- E você vai se trocar por Freya?

- É um risco que eu tenho que correr, para ela voltar para vocês sã e salva.

- Não tem medo de morrer, investigador? - Agora é Siegfried quem pergunta.

- Pra mim isso não importa. Sou um homem sozinho e não farei falta a ninguém no dia em que morrer, isso é bom porque assim não me preocupo em deixar as pessoas que me prezariam.

- Realmente é um homem corajoso, investigador. Gostaria de ter à metade da sua ousadia.

- Acho melhor irmos embora, ficar aqui não irá ajudar em nada. Freya não voltará à este local.

Saímos de lá e Siegfried me levou até o meu escritório, aonde passei a noite pensando no que fazer. O circo está pegando fogo. E eu, com os nervos à flor da pele. Freya, raptada por meus inimigos que querem a minha cabeça. Se Miro estivesse aqui, talvez me ajudasse em algo. Mas o que devo fazer? Eu não consigo pensar.


Amanheceu e acabei adormecido, até que fui acordado por batidas desesperadas na porta do escritório.

- Kamus! Kamus! - Era Thor! Será que...? Abri a porta.

- Thor! O que houve? Aonde está Freya? - O gigante estava maltrapilho e muito machucado.

- Está... tudo bem com a senhorita Freya. Acabaram me soltando por não ter utilidade para eles.

- Me conte agora o que aconteceu, logo trataremos de seus ferimentos.


Flashback...

Estava levando a senhorita para o apartamento, até que perdi os sentidos por causa de uma pancada na nuca. Acordei com um balde de água fria, e um capuz em minha cabeça.

- Acordou, bela adormecida? - Disse um dos homens.

- Aonde está a senhorita?

- Ela está bem, no quarto ao lado. É uma bela moça. - Exaltou um outro.

- O que fizeram à ela, seus miseráveis!?

- Se acalma senão você morre. - Disse o que debochou de mim.

- Espera! Temos de levá-lo ao chefe. - E me levaram até um outro local.


- Aonde eu estou?

- Em um cativeiro. Você e a senhorita foram raptados.

- Que grande novidade. - Falei ironicamente. Levando um soco de um deles. - E o que vocês querem?

- Queremos torturar e matar Kamus Liverault.

- E o que eu e a senhorita temos a ver com isso?

- A senhorita, é um caso do senhor Liverault. Então a usaremos como refém.

- Como ela está?

- Está bem. Ainda.

- Quero uma garantia.

- E você acha que daremos uma garantia à um refém? - Respondeu o outro que falara da beleza da senhorita Freya.

- Está bem, tragam a moça e amarrem o gigante. - Me amarraram em uma cadeira até que o chefe novamente falou.

- Senhorita, fale alguma coisa. Seu amigo quer ouvir sua voz.

- Thor! - Falou ela assustada.

- Senhorita, está tudo bem?

- Não se preocupe eles não me fizeram nada. Apenas me trancaram em algum comodo. - Dizia ela aos prantos.

- Está aí a sua garantia. Agora levem-na!

- SENHORITA!!! - Gritei e levei um soco no estômago.

- Você não tem utilidade para nós. Rapazes! Amassar, triturar e despejar. - E me carregaram novamente para um outro local. Os bandidos então tiraram o capuz de minha cabeça, mas agora eles estavam de máscara e não pude reconhecê-los. Fui amarrado e torturado à socos e pontapés. Até que perdi os sentidos e fui jogado perto daqui. Acordei, reconheci o local e estou aqui.

Fim do Flashback...


- Você não ouviu nomes em nenhum momento?

- Não, se tratavam por senhores, você, chefe... Mas nenhum nome foi citado, com exceção do seu.

- Chamarei uma ambulância, e os médicos tratarão dos seus ferimentos.


A ambulância demorou uns 30 minutos até chegar aqui, e levaram Thor. Foi aí que me veio uma idéia brilhante. Liguei então para meu instrutor, Dohko Amarilla.

- Dohko?

- Sim, quem é?

- Kamus, seu aluno.

- Kamus! Quanto tempo!? Como está?

- Atolado em um único caso.

- Já vi que está precisando descontrair. Escuta faz tempo que você não vem aqui em casa, que tal vir aqui hoje para um churrasquinho?

- Não quero incomodar, Dohko.

- Incômodo nenhum, venha. Estarão Ikki e Shun aqui. É bom você bater um papo conosco, assim você descontrai um pouco e poderemos falar sobre o seu assunto. - Ele já deduziu, sabia que quando eu ligava pra ele para conversar era para pedir algum conselho.

- Está bem, á que horas?

- Daqui à duas horas.

- Agora são... 9 horas, tudo bem. Estarei aí.

- Você ainda sabe aonde fica?

- Sei que fica em Ipanema, não é?

- Isso mesmo. Ah, acho melhor pedir para o Shion ir lhe apanhar, assim você não gasta com transporte.

- Shion?

- Sim, como você sabe eu e Shion somos melhores amigos desde os tempos de treinamento. E ele virá.

- Ótimo, assim tenho a opinião de dois grandes peritos. Tudo bem então, até mais.

- Até.


Então decidi esperar por Shion na frente do condomínio, teria de voltar até lá. Mas daqui até lá duram uns 10 minutos. Mas quando cheguei Shion já estava lá me esperando. Se ele não reclamou da minha demora, é porque também chegara á poucos minutos. Chegamos na casa de Dohko em Ipanema, ficava num condomínio muito bonito de casas de rico. Com cara de domingo, com direito à pagode, lá vinha o animado Dohko.


Nome: Dohko Amarilla

Idade: 58 anos

Nacionalidade: Brasileira

Profissão: Ex-investigador da Polícia Civil e ex-treinador de novos policiais.

História: Dohko nasceu em Porto Alegre. Entrou na polícia quando tinha 20 anos, sempre foi muito sábio e com isso acabou se tornando um polícial de renome, reconhecido por desvendar diversos casos ao longo da carreira, junto com seu parceiro Shion Aires. Dono de um humor peculiar, Dohko é pai de Ikki e Shun, ambos trabalham em seu antigo departamento. Dohko também foi treinador dos novos policiais, entre eles estão Kamus, Seiya e Ikki, juntamente com Shion; e Shiryu, este último sendo seu principal orgulho, o qual treinou sozinho.


Nome: Shion Aires

Idade: 60 anos

Nacionalidade: Brasileira

Profissão: Ex-investigador da Polícia Civil. ex-treinador de novos policiais e ex-delegado.

História: Shion nasceu em Camaquã, Rio Grande do Sul. Entrou na polícia com 18 anos, após quatro anos de distrito, conheceu aquele que seria seu parceiro e melhor amigo, Dohko Amarilla que formou com ele uma parceria imbatível contra os criminosos. Shion treinou alguns policiais junto com Dohko, entre eles Seiya e Kamus, os quais se tornariam rivais, mais tarde. Tem um filho, Mu Aires, que é deputado estadual.


- Olá Shion.

- Olá Dohko.

- Kamus, então você veio! Finalmente saiu da toca!

- Olá Dohko. - Recebi um sorriso do meu instrutor e uns tapinhas no ombro.

- Rapazes! Olhem quem está aqui? - Gritou Dohko.

- Kamus! - Ikki e Shun falaram ao mesmo tempo.

- Olá Ikki, Shun... - Cumprimentei meu ex-parceiro e seu irmão.

- Ah que ótimo, assim matamos a saudade dos tempos em que éramos parceiros. - Ikki falou.

- June! Olha quem está aqui? - Shun gritou. Logo apareceu sua esposa dois meninos ao seu redor.

- Kamus! Quanto tempo!? - Veio a esposa de Shun.

- Olá June, como está?

- Tudo bem. Ah Albion! Pare de implicar com o Orfeu! - Dizia June ao menino mais velho.

- Está bem mamãe. Ah, tio Kamus!

- Se lembrou de mim, pequeno Albion? Pequeno não, pequeno era quando eu freqüentava a casa de seu pai. Agora virou um homenzinho. - O menino riu. - E esse é o Orfeu? Como cresceu, esse quando o vi pela ultima vez, era ainda um pequeno bebê. - o outro me olhava, e parecia tímido, este puxou ao Shun, até na cor do cabelo, sendo que o de Orfeu é mais claro.

- Orfeu, diga oi ao tio Kamus. - Disse June.

- Oi, tio Kamus. - Disse ele.

- Escuta, vamos até a cozinha, Esmeralda deve estar lá. - Disse Ikki. - Querida! Vem ver quem irá almoçar conosco.

- Kamus! Oi, desculpa não te cumprimentar formalmente, mas é que estou preparando a salada.

- Tudo bem, sem problemas.

- Ah, Dohko, Ikki... Vocês estão aí. - Disse um senhor de pele bronzeada e cabelo cinzento. - Vocês me deixaram falando sozinho!

- Ah, desculpe... Kamus, este é Guilty, pai de Esmeralda. - Ikki apresentou-me ao senhor.

- Prazer. - Falei.

- Prazer. Você é gremista ou colorado? - Perguntou Guilty, pelo jeito é fanático por futebol.

- Como o senhor pode ver, sou francês.

- Sim, mas você não gosta de futebol?

- Gosto, mas meu time do coração é o Lyon.

- Escuta, vocês vão ver o Inter vai ser campeão esse ano. - Dizia Guilty.

- Vai nada! O Grêmio tá com um time muito bom. - Ikki discordara do sogro.

Deixei os dois discutindo futebol ali e fui observar Shun jogando vídeo game com seus filhos. Vi o quanto eles se divertiam e riam juntos, pensei se eu e Freya ficássemos juntos, e tivessemos filhos. Até que o Albion veio pra perto de mim.

- Tio Kamus, o senhor não é casado?

- Não, tio Kamus ainda não casou.

- Por que?

- É que o tio Kamus ainda tem que fazer certas coisas para depois casar.

- O senhor tem namorada?

- Tenho.

- E cadê ela?

- Ela... teve um outro compromisso e não pode vir.

- Albion! Pare de chatear o Kamus. Andem, o churrasco está pronto. - Veio Ikki falar a mim e ao pequeno Albion. - Shun, Orfeu, vocês também. - Fazendo com que Shun desligasse o video game para se juntar a mesa.


Após o almoço...

- Shion, Kamus, vamos até a sala de descanso, por favor. - Pediu Dohko.

- Papai, por que está nos deixando de fora? – reclamou Ikki.

- Filho, certas coisas a gente só comenta com quem está de fora da polícia. Chamei o Kamus aqui porque desejo falar com ele.

- E por que Shion participa e eu e Shun que somos seus filhos, ficamos de fora?

- Tudo bem, Ikki. Eu não me importo. - Falou Shun.

- Mas eu sim! Kamus e eu fomos parceiros por anos, somos amigos também. Assim como papai e Shion. - Ikki falara com tom de discórdia.

- Ikki... São assuntos antigos, dos momentos em que você ainda não trabalhava na delegacia.

- Você só diz isso pra me excluir não é?

- Ikki pára. Respeite a decisão do papai.

- Shun meu irmão, se você não quer tudo bem, mas não tente me fazer mudar de idéia.

- Ikki, acalme-se. Por favor. Não seja rude junto ao seu sogro, ao seu ex-parceiro e ao Shion? Que exemplo você dará aos seus sobrinhos? - Dohko pediu.

- Ikki, você sabe que eu não posso ficar nervosa. - Disse Esmeralda.

- Tem razão. - Ikki suspirou e sentou na mesa novamente.

- Não pode ficar nervosa? E o que isso quer dizer? - Guilty perguntou.

- Estou grávida.

- O quê!? - Disse Guilty. Dohko aproveitou o momento em que o pai de Esmeralda chamava a atenção para ele e convidou discretamente a mim e a Shion para nos dirigirmos para a sala.


- Kamus, pra você me ligar, deve ter algum problema. Em que eu e Shion podemos lhe ajudar?

- Na verdade estou com um problema grande. No caso em que estou trabalhando, raptaram uma garota que havia fugido de casa. O caso estava solucionado, até eu receber um bilhete no local aonde ela se escondia. - Entreguei o papel aos meus dois instrutores.

- Hum... Quem está na sua cola, Kamus? - Shion perguntou.

- Estou com três problemões. Primeiro, Miro tentou agarrar a esposa de Máscara da Morte e ficamos marcados pelo próprio. O segundo é Julian Solo que parece ter um negócio sujo.

- Solo!? Negócio sujo... - Dohko acompanhava o raciocínio.

- Sim, parece estar envolvido com os irmãos Giannakos.

- E o terceiro? Não me diga! Os próprios Giannakos. - Disse Shion. - Eles estão de volta?

- Sim, Miro foi espancado por Radamanthys e está no hospital.

- E por qual motivo? - Dohko preocupou-se.

- Assediou uma das moças da boate Athenas, que segundo Radamanthys é sua namorada.

- Esse Miro... sempre arranjado confusão. - Disse Shion. - Além de preguiçoso, é mulherengo. Kamus, não entendo até hoje porque você deu chance à esse rapaz.

- Miro é um bom rapaz, tem seus defeitos, mas acredito que ainda que ele possa mudar.

- Esse só com uma supervisão. - Disse Shion.

- Exatamente. - Dohko concordou.

- E então, como podem me ajudar?

- Você está metido em uma armadilha e tanto, hein Kamus? - Disse Shion.

- Kamus, me diga você teve um caso com essa moça à qual foi raptada? - Dohko questionou.

- Tive.

- É, então você acaba de fazer, aquilo que sempre temeu. - Dohko falou.

- Ah, falando nisso, está na hora de ir buscar minha esposa na rodoviária, ela foi visitar uns parentes no interior. - Disse Shion. - Estou indo embora, até mais Dohko. Bom te ver Kamus.

- Obrigado Shion. - E saiu. No mesmo momento, o meu telefone tocou.

- Kamus Liverault falando. O quê? Miro já está de alta!? Está bem, irei até aí. - Desliguei o celular. - Dohko, tenho que ir.

- Espere! Vou com você. Trataremos desse assunto no caminho. Eu te levo.

- Ótimo. Obrigado. - Quando nos demos conta do pequeno espião atrás da porta. Pego em flagrante, Albion saiu correndo. - Você acha que ele nos ouviu?

- Ele não deve ter entendido nada do que tratamos. Vamos, Miro deve estar te esperando.


E fomos ao hospital buscar Miro, atravessamos à cidade, enquanto isso, ficamos conversando sobre os velhos tempos.

- Albion, pegou alguma coisa pro titio? - Ikki perguntou.

- Eu ouvi que o tio Kamus tem problemões. - Disse o garoto.

- Muito bem, vai ganhar do tio Ikki 25 reais. Coloque no cofrinho, e não deixe que seu pai veja.

- Tá. Obrigado tio Ikki. - Agradeceu sorrindo e saiu correndo.

- Que feio Ikki, se papai soubesse... - Disse Shun.

- Você viu tudo, não é?

- Aham. Mas fique tranqüilo, não falarei ao papai.

- Shun, você é demais irmão.

- Você também, Ikki.

- Se papai sonha, vai dizer que você é um subornado.

- Espero que nem mesmo o Albion fale à ele.

- Deixa que eu digo isso ao meu filho.

- Tá certo.

- Agora vamos fazer o nosso joguinho de cartas.

- Casal contra casal, feito? - E os dois irmãos saíram abraçados.


Chegamos no Hospital e Miro estava impaciente.

- Ah, finalmente! - Suspirou Miro.

- Desculpe a demora. É que o Dohko se ofereceu para vir te pegar.

- Olá chefe Amarilla. - Falou Miro.

- Olá Miro. Como estão os ferimentos?

- Ah isso não é nada.

- Ah não? - Dei um soquinho de leve na parte que estava a costela quebrada de Miro.

- Ai! Pára!

- Kamus, agora vamos. Eu sei aonde você pode achar suas respostas.

- Aonde? - Falei.

- Apenas me acompanhem.

- Não vamos pra casa ainda?

- Relaxa Miro. Isso vai me ajudar num problemão, espero.


Dohko então nos levou de volta para a Zona Sul, Belém Novo para ser mais exato em um sítio. Tambores e atabaques faziam o barulho do ambiente. O fogo iluminava o campo aonde estávamos, pessoas vestidas em trajes de duas cores, ou uma só. Até que veio um homem até nós.

- Senhor Dohko, é bom revê-lo.

- Olá Babel, Pai Shaka está?

- Sim, deseja falar com ele?

- Exatamente, não está em transe não é?

- Não, não. Estamos em Xangô, geralmente Pai Shaka baixa nas rezas de Oxalá.

- Estamos num TERREIRO DE MACUMBA!!?? - Miro se apavorou.

- Shh! Mais respeito! Isso é nação meu rapaz! - Disse Babel.

- Miro, respeite a crença dos outros. - Falei.

- Se me derem licensa, falarei com Pai Shaka. Esperem aqui, por favor. - Disse Babel, voltando logo em seguida. - Por favor me acompanhem, Pai Shaka irá lhes atender.

Fomos então até uma espécie de trono branco, aonde estava sentado um homem loiro de cabelo comprido e de olhos quase fechados.

- Pai Shaka, Dohko está aqui e trouxe esses dois amigos junto.

- Está bem, deixe-nos. Se precisar eu lhe chamo, Babel.

- Com sua licensa meu Pai.

- HUAHUAHUAHUHAUHAUHA. - Miro caía na risada.

- Qual o motivo da graça!? - Shaka cerrou os olhos.

- É engraçado, eu não imaginava um pai de santo loiro e de cabelo cumprido. Hahuhauhauhauhauha.

- Quieto Miro. - Dei uma cotovelada nele. Bem na costela, sem intenção, juro.

- Ai!

- Que isso sirva de lição rapaz! - Disse Shaka.

- Pai Shaka, sua benção. - Dohko beija as mãos de Shaka.

- Axé pra você caro Dohko. Afinal, o que os trazem ao meu terreiro?

- Pai, queremos consultar os búzios para este filho aqui.

- Hum, você. Qual o seu problema?

- Na verdade é um caso policial que tenho para resolver.

- Caso... continue.

- De uma moça que...

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!- Pai Shaka, do nada começou a gargalhar e colocou suas mãos sobre as cadeiras em gestos bem femininos.

- O que está acontecendo!? - Perguntei.

- É a Pomba-Gira do Pai Shaka. - Falou Babel, que veio apressado.

- HUUUUMMMM!!!!! HAHAHAHAHA!! NÊGO! TRAZ O MARAFA! - Ordenou a Gira de Shaka.

- É pra já minha mãe.

- Huahuahuahuahuahuahua, bem que eu desconfiava! Huahuahuhauhauhaa...- Ria Miro.

- Hummmmm!!!! Que esse nego formoso tá rindo? Tá zombando de ieu!? - Disse a Gira.

- Não, não minha senhora. - Respondeu Dohko.

- Se esse nego formoso tá rindo vô fazê ele rir mais, quando ieu tiver por cima dele.

- Ih! Sai pra lá, que eu gosto de mulher!

- Ih, nego mais eu sô muié, só meu cavalinho que é homi. HUMMM!!!

- Mãe, aqui está sua marafa. - Trouxe Babel, uma garrafa de cachaça para a entidade. A Gira pegou a garrafa encheu a boca e jogou todo o conteúdo em mim.

- Ei! Olha meu terno! - Falei.

- Não se preocupe Kamus, ela sabe o que faz. - Disse Dohko.

- Zi nêgo gringo vem cá.

- Kamus, vá até ela. - Fui.

- Zi nego têm dois pobrema pra resolvê. Um é do seu pobrema atual, o otro é um pobrema passado. E Gira tem o resolvido pra eles, mas nego gringo tem que faze os dois trabaiado pra dá certo. Cê intende?

- Mais ou menos.

- HUUUM!!! O primeiro trabaio é trazê moça de cabelo cor de mato pra cá. Cê cunhece alguma nego?

- Cor de mato? Verde?

- Esse!

- Não.

- Cunhece! Nego vai lembrá.

- Como eu vou trazê-la pra cá?

- Dum jeito ou dotro ela vem pra perto do nego. E o otro trabaio, nego vai tê que limpá o sujera que tá no volta. Tem nego que deu rasteira em tu e isso vai te levá pro que ce tá tentando resolvê.

- Entendo, é algo que eu suspeitei desde o começo.

- Esse. O nego é bom pra raciocínio.

- E pra que devo trazer essa moça de cabelo verde?

- Esse meu cavalinho aqui num sabe o que é muié, é virge! Tá na hora desse nego que eu to vestida, casá e tê os neguinho.

- Está certo. - Ri.

- Agora cê me dê o licensa, vou fazer o meu subido. Nêgo, num fala pro cavalinho que eu cheguei. Certo? Chama aquele otro que trouxe o marafo pra mim. - Chamei Babel e a Gira começou a andar rapidamente em círculo. Até que Shaka, que estava tonto precisou sentar.

- Ah! O que aconteceu? - Shaka perguntou.

- Nada, não Pai Shaka, só foi o seu preto-velho chegando. - Disse Babel.

- Ufa... Ôpa! Tô me sentindo estranho! Não foi a Gira que chegou aqui, Babel?

- Não senhor.

- É que estou me sentindo diferente isso acontece quando se baixa uma entidade feminina. Meu antigo pai se sentia assim.

- Talvez você esteja só sentindo a energia dela. - Babel contornou.

- Está bem, então por qual motivo vieram? - Shaka perguntou. E contei mais uma vez a história...

- Faça o seguinte, vá ao Mercado Público e...

- Pai Shaka, seu preto-velho já disse o que tinha que ser feito pra ajudar esse homem.

- Certo. Ah! Teremos uma festa de religião aqui na semana que vem. Vocês são meus convidados.

- Obrigado. - Agradeci.

- Dohko! E Ikki, continua ranzinza demais?

- É do arquétipo dele Pai. Não se preocupe.

- Então até mais.

- Até. - Disse Dohko.

Saímos do terreiro de Shaka, e Dohko nos levou para casa. Decidi dar um calmante para o Miro e decidi ir caminhar para esfriar a cabeça, acabei indo até a Escola de Educação Física que ficava no Jardim Botânico, como já estava no pique fiz uma corrida na pista de atletismo e decidi voltar para casa.


Quando estava na saída dessa escola fui cercado por três homens.

- Liverault, é melhor seguir a gente direitinho, e não tente dar uma de engraçadinho. - Senti uma faca em minhas costas. E vi que era um dos capangas de Máscara da Morte. Depois de passar pela rua Barão do Amazonas, uma viatura passava.

- Droga! Policiais! - Dante falou. - Sabia que ia dar nisso!

- Cale a boca! - Shura que estava com a faca apontada em minhas costas resmungou.

- Sujou! - Aldebaran falou com os olhos arregalados.

- Mantenham-se calmos! Vocês são mafiosos ou ratos? - Shura reclama novamente.

E a viatura passou como se nada estivesse ocorrendo. Andamos mais um pouco numa esquina bem deserta aonde haviam nas redondezas apenas estabelecimentos comerciais, fechados pela hora.

- Muito bem, agache-se. - Disse o atrevido. Senti que poderia morrer. Shura estava com uma faca, e Dante e Aldebaran com revolveres todas as armas apontadas para mim. - Leve o nome do senhor Maschera consigo para o Inferno, morra! - Cerrei os olhos e ouvi som de disparos. - É O QUE!? - Shura se espantou ao ver Aldebaran e Dante caídos mortos ao chão com cada um

com um tiro na cabeça.

- Ikki! Hyoga!

- Olá Kamus? Precisando de ajuda?

- DESGRAÇADOS! - Shura esbravejou com eles quando me aproveitei e lhe dei uma rasteira. A faca que segurava rolava ao chão, Shura tentou ir atrás, mas Ikki pôs seu pé em cima do objeto.

- Por que não briga na porrada com ele?

- Droga!

- Ikki por que...

- Kamus detesta que interfiram em seus combates. - Respondeu Ikki. - Não se preocupe, ele sabe se virar, qualquer coisa eu deixo você interferir.

- Está bem. - Enquanto isso eu e Shura rolávamos pelo chão caindo na porrada. Deixei-o praticamente nocauteado no chão coberto de sangue de seus parceiros de crime. E me dirigi aos meus velhos colegas de polícia.

- Mestre! - Hyoga esbugalhou os olhos ao ver Shura se erguer com uma outra faca. No mesmo instante peguei o revolver que Ikki me lançara naquele momento e atirei no peito de Shura.

- Eu...te... vejo... no... Inferno,... Liverault... - Disse suas ultimas palavras, agonizando.

- Eu acho que não, Cabrini. - Respondi. - Sua Phoenix é horrível, prefiro a minha Aurora 300 que está em casa. Da próxima vez, saio com ela. - E devolvi a arma para Ikki.

- Mestre, estou feliz em vê-lo. - Falou Hyoga, me estendendo a mão.

- É bom ver você novamente Hyoga. - E apertei sua mão. - Mas como sabiam que eu estava em perigo?

- Estávamos de passagem. - Disse Ikki.


Mas na verdade...

Flashback...

Depois de largar Kamus em casa, Dohko estava em seu carro, quando de repente tocou o celular.

- Dohko Amarilla, falando.

- Dohko!? Sou eu, Pai Shaka.

- Pai Shaka!? O que aconteceu?

- Peço que fique vigiando aquele homem que você trouxe aqui.

- Por que?

- Joguei os búzios para ver como está a vida desse homem, e vi que há muita gente querendo a cabeça dele. É um homem justo e que sabe se cuidar, mas desta vez se ficar sozinho, não dará conta de todos e pode morrer em uma emboscada.

- Está bem. Pode deixar.

- Obrigado, Dohko e desculpe preocupá-lo.

- Sem problemas. - Desligou o celular, quando o celular toca mais uma vez. - Droga! Quem será! Alô, Dohko falando.

- Pai, é o Ikki.

- O que quer filho?

- Pai, estou preocupado com Kamus, por favor me deixe por dentro da situação do meu parceiro.

- Aonde você está?

- Na delegacia.

- Eu vou até aí.

- Estou esperando. - Dohko desligou mais uma vez o telefone, suas andanças de carro se estenderam mais do que pensava e então foi até a delegacia que ficava perto da rótula da Protásio com a Carlos Gomes.


- Ikki, estou aqui.

- Ótimo, Saga, Kanon e Seiya saíram agora, vamos até a sala da direção. - Ambos adentraram a sala.

- Faz tempo que não entro aqui.

- Muito bem pai, aproveite e me diga, o que há com Kamus? Por que esses segredinhos? Soube que ele está com problemas.

- Que feio Ikki, mandando seu sobrinho xeretar.

- Agora não é hora de me dar sermão. Explique-me.

- Kamus está com problemas quanto à mafia italiana, e com os gregos.

- Os Giannakos voltaram!? - Ikki bateu na mesa.

- Shhh!!! Parece que sim. Kamus suspeita de que Julian Solo é o responsável pela volta de Aiória e Aioros.

- Que estranho, o filantropo Solo envolvido com a máfia.

- Concordo.

- E aonde levou Kamus naquela hora?

- Ao Pai Shaka.

- E?

- Pai Shaka disse para ficar de olho em Kamus.

- Kamus! Eu ouvi o nome do meu mestre!? - Adentrou Hyoga na sala.

- Hyoga, você...

- Sim, ouvi tudo, eu vim aqui entregar uns relatórios que o Kanon pediu. Mas agora de alguma forma quero ajudar meu mestre.

- Vocês dois, parecem que foram enviados pelos orixás.

- Como assim? - Ikki e Hyoga olharam surpresos para Dohko.

- Orixás? Eu não creio nessas entidades. - Disse Hyoga.

- Acredite ao menos dessa vez.

- Por que?

- Kamus está em perigo e precisamos dar um jeito de ajudá-lo. Vocês dois serão agora as sombras dele, mas peço que não deixem saber que vocês estão vigiando ele. Eu começarei a passar um tempo aqui para contornar a situação com Saga e no momento certo, Kamus estará limpo com a sociedade e com o departamento.

- Certo! - Disseram os dois.

Fim do flashback...


- Muito bem, senhor problema, Hyoga vai te levar pra casa, antes que a batata asse pra você.

- Mas, Ikki... - Tentei responder, quando Ikki pegou o rádio.

- Departamento, por favor ativem o DML o mais rápido possível, temos três cadáveres interessantíssimos aqui. Certo... - Esperou um pouco. - Saga, não sei o que você vai achar, mas pra mim são mais que boas notícias, matamos três capangas do Máscara da Morte. Sim eles reagiram. Está a caminho? Ótimo. Até mais. - Desligou o rádio. - Agora Kamus é a sua deixa.

- Espere e se Saga perguntar a vocês o que dirão?

- Diremos que eles estavam cometendo tentativa de estupro contra uma moça.

- Saga pedirá para descreverem a moça, isso é se ele acreditar que mafiosos italianos, podendo ter qualquer garota de programa da cidade, iriam tentar estrupar alguma moça, façam-me o favor!

- E o que pretende Kamus? - Perguntou Ikki.

- Esperarei por Saga. E diremos a verdade.

- Está louco!? Quer ser preso? - Disse Ikki.

- Uma hora ele há de saber. - Na hora recebi uma coronhada na cabeça, certamente foi de Hyoga.