Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), abordagem a Doenças Mentais (diversas delas), Lemon (sexo explícito entre os personagens) e, neste capítulo, Dub-con (ou "dúbio consentimento", isto é, talvez a relação sexual entre os personagens não tenha sido tão consensual assim, mas todos acabaram desfrutando no final), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.
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Ao encarar aqueles olhos vermelhos pela primeira vez em meses, Harry não viu o monstro que assombrava seus pesadelos, nem o cruel assassino que havia roubado sua virgindade na cama de um hospital psiquiátrico e lhe enviado partes decepadas do corpo de Cedric. Ele viu apenas os sedutores olhos que pareciam despi-lo lentamente, que refletiam uma inteligência aguçada e um humor sarcástico fascinante. Ele viu apenas os irresistíveis olhos que haviam roubado seu coração. Mas, de repente, a imagem do corpo sem vida de Cedric emergiu do fundo de sua mente; todo o sangue, o odor fétido, e a lembrança grotesca do corpo despedaçado de um pobre rapaz inocente estavam gravados a ferro e fogo em suas lembranças.
Harry apertou os punhos com força.
Ele precisava dar um fim nisso tudo agora.
No entanto, antes que o jovem médico pudesse alcançar a arma que trouxera consigo, antes mesmo que pudesse pensar em acabar com a vida de Tom e com todos os seus pesadelos de uma vez por todas, mãos fortes agarraram sua cintura e chegaram à arma antes dele. Neste momento, Harry fechou os olhos e sentiu o peso da derrota sobre seus ombros.
Agora, tudo estava perdido.
O barulho do disparo da arma ecoou por todo o local. E quando Harry abriu os olhos, a primeira coisa que viu foram os destroços de seu celular no chão frio da rua. O GPS em seu celular era a última esperança que ainda possuía de Sirius encontrá-lo.
- Você não vai mais precisar disso – o sorriso malicioso nos lábios de Tom fez Harry dar um passo para trás. O medo nos belos olhos esmeraldas, porém, parecia apenas divertir o maior.
Com movimentos fluídos e tranquilos, Tom guardou a arma nas costas, no cós da calça jeans escura, e se aproximou de Harry. Este, apesar do evidente medo dançando em seus olhos, não pôde deixar de notar o quão diferente Tom se parecia com a calça jeans escura bem ajustada ao seu belo corpo, a camisa vermelha que acentuava o perigoso brilho de seus olhos e o blazer preto combinando com sapatos da mesma cor e dando o arremate final. Ao sentir uma carícia em sua bochecha, Harry finalmente voltou a si e se afastou novamente, grunhindo para Tom:
- Não toque em mim!
Mas antes que Harry pudesse começar a xingá-lo de nomes que fariam até mesmo Sirius corar, Tom ignorou seus protestos e o puxou para os seus braços, iniciando um longo e violento beijo, possessivo, cheio de desejo e urgência. Para Tom, tocar aqueles lábios macios novamente, explorar aquela pequena boca cálida era como cruzar novamente as portas do paraíso. Harry, porém, não parecia pensar da mesma maneira:
Quando Tom finalmente o soltou, o jovem médico não pensou duas vezes e desferiu um furioso tapa contra o rosto satisfeito do maior.
- Não toque em mim! Não se atreva a tocar em mim, seu maldito bastardo! Seu assassino...!
Um brilho perigoso surgiu nos olhos de Tom e, neste momento, Harry viu as palavras morrerem em seus lábios avermelhados. Ele deu mais um passo para trás e desviou o olhar, pois aquelas perigosas joias escarlates refletiam agora o monstro sanguinário que havia desmembrado lentamente Cedric.
- Entre no galpão, Harry, nós vamos conversar lá dentro.
- Não... – mas antes mesmo que o menor pudesse começar a protestar, Tom agarrou seu braço com força e sussurrou perigosamente em seu ouvido:
- Você vai entrar nesse galpão por bem ou por mal, se resolver entrar pelas próprias pernas, você poderá mantê-las. Caso contrário, eu ficarei feliz em cortar seus braços e suas pernas e mantê-lo como um bichinho de estimação obediente e totalmente dependente de mim. Assim, eu poderei carregá-lo para onde eu quiser ir...
Uma lágrima solitária acariciou o rosto de Harry, que não hesitou em cruzar as pesadas portas de ferro do galpão abandonado. O interior do galpão era ainda pior que seu exterior: lúgubre, frio e com rastros de sangue por todos os lados. O sangue de Cedric e de sabe-se lá quantas outras vítimas de Tom. Olhando para os ganchos de pendurar carne que pendiam do teto ao lado de correntes enferrujadas, Harry não podia deixar de pensar no sofrimento pelo qual seu amigo certamente havia passado.
- Sinta-se em casa, pequeno.
- Acho difícil – replicou friamente, caminhando para o único local que parecia livre de rastros de sangue, onde se encontrava um colchão velho, uma geladeira pequena caindo aos pedaços e uma mesa bamba com duas cadeiras que pareciam um viveiro de cupins.
- Tem razão. Não posso dizer que este lugar é bem o Hotel Ritz, mas não se preocupe, ficaremos aqui apenas esta noite.
- Por quê? – Harry perguntou cautelosamente.
- Porque amanhã terei tudo o que preciso para deixarmos tranquilamente o país.
Um arrepio de medo, inevitavelmente, percorreu o corpo de Harry:
- E nós iremos para onde?
- Isso, meu lindo anjo, é uma surpresa – com um sorriso sedutor, Tom se aproximou do menor até encurralá-lo contra parede.
- O que você quer de mim? – perguntou Harry, com um suspiro angustiado, evitando a todo custo encarar aqueles belos olhos escarlates.
- Tudo.
- O que...?
- Eu quero tudo, Harry. Quero ter você só para mim.
- Você não pode fazer isso – o desespero estava evidente em sua voz – Você não pode! Isso tudo... Isso é sequestro, a Scotland Yard vai... Eles vão...
- Eles nunca irão nos achar – num gesto quase indulgente, Tom acariciou sua bochecha, o sorriso sedutor ainda presente em seus lábios – Eu posso fazer o que quiser Harry, você é meu. Sempre foi.
- Por favor, não faça isso...
- Shhh... Não chore, meu pequeno anjo.
- Por favor, não destrua minha vida.
- Destruí-la? Eu lhe darei a vida com a qual você sempre sonhou.
Com os lábios a poucos centímetros da pequena boca trêmula de Harry, Tom bebia avidamente daquela encantadora imagem: encurralado contra a parede, com as belas esmeraldas cheias de lágrimas, os cabelos sempre bagunçados e o rosto angelical avermelhado refletindo toda a sua fragilidade, Harry era uma verdadeira obra de arte.
Quando Tom acariciou sua bochecha outra vez, Harry o afastou com um movimento brusco, mas imediatamente se arrependeu de ter feito isso:
O sorriso sedutor havia desaparecido para dar lugar a um par de perigosos olhos vermelhos que o encaravam friamente. Harry tentou se afastar, tentou correr, mas um aperto firme em seu pulso o deteve e no instante seguinte, o jovem médico se viu sendo violentamente arrastado ao precário colchão esquecido no canto do galpão.
- Não, por favor! Pare...!
- Eu acho que você ainda não entendeu muito bem, Harry – o maior riu sem humor – Tudo o que eu fiz; todos que eu matei e torturei depois de sair daquele hospital imundo, tudo isso foi para ter você novamente em meus braços. Você é meu e ninguém poderá tirá-lo de mim agora.
- Tom...
- Então preste atenção, meu lindo anjo, a partir de agora bons comportamentos serão recompensados e maus comportamentos serão punidos.
Ao sentir o baque do colchão duro sob suas costas, Harry viu todo o ar se esvair de seus pulmões; a ansiedade, o medo, as náuseas, a palpitação descontrolada do coração que parecia a ponto de sair pela boca se misturavam num conjunto de sintomas sufocantes de hiperventilação. Ele se desesperou. E fez o que qualquer um em seu lugar faria: começou a se debater, distribuindo socos e chutes a esmo, lutando com unhas, dentes e o que fosse preciso para sair dali. Mas Tom era mais forte. Com seus músculos generosamente esculpidos, força quase desumana e anos de prática em assassinato a sangue frio, Tom sempre seria mais forte.
- Pare, por favor...! Não faça isso! Não!
Prendendo as mãos do menor sobre o adorável rosto assustado, Tom não pode deixar de sorrir satisfeito, pois seu belo anjo finalmente havia voltado para os seus braços. Com um movimento brusco e apenas uma das mãos, o homem mais velho puxou a calça jeans que Harry usava até seus joelhos e apreciou a vista que se seguiu:
- Lindo.
Sufocando o grito de desespero de Harry, Tom rapidamente arrancou a camiseta preta que aderia tão lindamente ao pequeno corpo e o deixou vulnerável aos seus olhos cheios de luxúria. A seguir, sem se deter muito tempo para apreciar as belas esmeraldas repletas de lágrimas, Tom virou o pequeno corpo de bruços e apertou seu rosto contra o colchão puído.
- Não me obrigue a te machucar, pequeno – sussurrou perigosamente, ao mesmo tempo em que puxava o zíper da própria calça e saboreava aquela visão tão deliciosa de Harry. Neste momento, o jovem médico deixou um soluço repleto de tristeza escapar de seus lábios.
- Você já está me machucando – conseguiu murmurar, a voz quebrada refletindo as lágrimas que banhavam seus olhos. Então, quando sentiu o membro de Tom provocar sua entrada, Harry já não tentou se conter. Ele esqueceu todo o orgulho e passou a chorar livremente, soluçando como uma criança pequena – Você diz que eu sou especial para você... V-Você diz que eu sou importante... q-que fez tudo isso por mim, mas me trata como... c-como uma prostituta qualquer no final.
Tom parou de repente.
Ele não tirou as mãos do pequeno corpo tremendo sob o seu, mas não seguiu adiante com seus movimentos. Ele apenas ficou em silêncio.
- Você é importante, meu pequeno anjo – finalmente respondeu. Em seguida, num movimento rápido que assustou o menor, Tom o virou para que voltassem a ficar frente a frente – Não há nada mais importante que você.
Harry engoliu os soluços e permaneceu em silêncio.
Ele não se debatia, nem lutava mais, apenas observava o que seu instável algoz estava prestes a fazer.
- Mas você precisa se comportar, pequeno – Tom suspirou, acariciando a bela face manchada de lágrimas – Ou você irá se machucar.
Ao notar a quietude do jovem médico, Tom passou a remover o que restava das roupas de Harry com calma, apreciando cada detalhe daquele pequeno corpo pueril. Harry, por sua vez, permanecia em silencio e aterrorizado, mas ele sabia que se lutasse, as consequências seriam muito piores. Talvez agora Tom fosse um pouco mais gentil... Finalmente, Harry se viu completamente exposto aos olhos famintos de Tom.
Fechando os olhos, ele apenas esperava que tudo acabasse depressa.
Ele não iria gostar.
Não dessa vez.
- Olhe para mim – Tom ordenou e, resignado, Harry fez o que lhe foi dito apenas para corar furiosamente sob o divertido sorriso do homem que agora removia lentamente suas próprias roupas.
Quando Tom exibiu seu corpo perfeito completamente nu, Harry sentiu um amargo gosto de autoaversão na boca, pois mesmo com o ódio corroendo seu peito, ele não podia deixar de admirar aquela bela imagem.
- Eu irei tratá-lo bem, se você se comportar – advertiu o maior – caso contrário, ao invés de apreciar o nosso reencontro, você estará com o rosto enterrado no colchão oferecendo o seu lindo corpo apenas para o meu prazer, como você mesmo disse, igual a uma prostituta qualquer.
Harry estremeceu e desviou o olhar.
- Então, comporte-se e não teste minha paciência – sussurrou perigosamente, enquanto saboreava o pescoço alvo que em breve estaria coberto de hematomas.
No instante seguinte, Harry sentiu um dedo longo coberto de saliva invadi-lo.
- É bom ver que ninguém tocou em você na minha ausência.
- Ahh... – um pequeno gemido escapou de seus lábios quando este dedo começou a se mover em seu estreito interior. Era desconfortável, mas infinitamente mais tolerável do que receber o membro de Tom numa única estocada a seco.
Nos momentos que se seguiram, Harry odiou a si mesmo por se perder no prazer que as habilidosas mãos e os lábios de Tom lhe proporcionavam. E quando os dedos hábeis finalmente deram lugar à masculinidade imponente de Tom, um grunhido de prazer acabou escapando de ambos os lábios.
- Você é delicioso, pequeno.
- Tom...
- Eu sabia que você sentia minha falta.
Não.
Era mentira.
Ele não sentia falta daquele monstro.
Ou daqueles toques hábeis; nem dos beijos longos que o deixavam sem fôlego; muito menos das estocadas precisas que acertavam sua próstata e o faziam delirar sob suas pálpebras trêmulas.
Harry não sabe ao certo quantas horas haviam se passado, ainda sob o corpo de Tom recebendo suas poderosas estocadas, quando olhou para aqueles olhos escarlates e viu apenas desejo e adoração refletidos lá. Era algo insano. Doentio. Uma inexplicável obsessão lapidada pelo desejo, um desejo tão latente que Harry não pôde conter o longo gemido que se seguiu ao derramar-se sob as mãos hábeis de Tom, ao mesmo tempo em que este inundou seu interior pela terceira ou quarta vez e o marcou como sua propriedade.
- Descanse, meu pequeno – um beijo carinhoso tocou seus lábios – Eu vou cuidar de você.
Harry queria protestar.
Ele queria gritar até ficar sem voz.
Ele queria correr e se esconder dos olhos de Tom para sempre.
Ele queria chorar e implorar para ter de volta sua vida pacata e normal.
Mas a única coisa que Harry conseguiu fazer antes de fechar os olhos e deixar seu exausto corpo ser consumido pelo cansaço, foi murmurar:
- Tom...
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Quando Sirius voltou para casa no comecinho da noite, depois de um exaustivo dia na Scotland Yard, ele logo percebeu que havia algo errado no Largo Grimmauld, nº 12. Talvez fosse a ausência do delicioso cheiro de um jantar recém preparado, ou o silêncio repentino pairando sobre a casa, nenhuma luz acesa, nem sinal de qualquer TV ligada, ou talvez foi a soma de todos esses fatores desconcertantes que fez o sangue do capitão de operações da Scotland Yard gelar.
Harry não estava em casa.
- Acalme-se, Black – suspirou, dizendo a si mesmo – Ele pode ter ido ao supermercado ou à farmácia.
Imediatamente, Sirius ligou no celular de seu afilhado.
Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens...
Ligou uma vez.
Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens...
Duas vezes.
Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens...
Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens...
Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens...
Até perder a conta e começar a entrar em pânico.
- Hale, traga sua bunda aqui imediatamente! – Sirius gritou pelo celular com o policial que provavelmente estava cochilando no carro estacionado do outro lado da rua. Em menos de cinco minutos, porém, o ofegante policial estava batendo em sua porta.
- Capitão...
- Onde está o meu afilhado?
- O que?
- Harry! Ele não está aqui! – rugiu, fazendo o pobre homem se encolher sob aquele olhar assassino – Onde ele está?
- Eu não o vi, senhor.
- Você não o viu?
- Não, senhor.
- E você esteve atento em seu posto o dia inteiro?
- Er... Sim, senhor.
- Se você estiver mentindo, eu vou descobrir Hale – avisou friamente – E quando eu descobrir, você irá desejar nunca ter nascido...
- Er... B-Bem, senhor... E-Eu precisei ir ao banheiro e... e... sua vizinha, a adorável senhorita Chang deixou que...
- Saia da minha frente.
- Senhor...?
- AGORA!
Vendo-se novamente sozinho, Sirius não pensou duas vezes e ligou para o seu escritório:
- Scotland Yard – atendeu uma entediada voz.
- Sargento Goldstein, aqui é o Capitão Black.
- S-Senhor! Algo errado?
- Prepare o meu pessoal, sairemos imediatamente para fazer uma varredura em Londres.
- Mas senhor...
- Essa noite nós iremos descobrir onde Riddle está – prometeu, cerrando os punhos de ódio – E quando descobrirmos, não iremos capturá-lo.
- Senhor?
- Nós iremos matá-lo.
- S-Sim! Imediatamente, senhor! Sua equipe estará pronta em quarenta minutos.
- Estarei aí em vinte minutos e quero todos a postos.
- Sim, senhor.
Sirius nunca havia desejado tanto a morte de alguém quanto agora, nem mesmo de Snape, ou do idiota embriagado que havia batido no carro de seu melhor amigo deixando seu afilhado órfão. Mas o simples pensamento do que Tom Riddle poderia estar fazendo com Harry naquele momento o deixava fora de si.
Ele havia perdido James e Lily.
Ele não perderia Harry também.
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A primeira coisa que Harry notou ao acordar na manhã seguinte não foi a dor que se estendia por todo o seu corpo, nem os braços fortes que rodeavam possessivamente sua cintura, ou a respiração quente e tranquila em sua nuca, na verdade, foi o pequeno rastro de lágrimas que haviam secado em suas bochechas. À sua frente, ele podia ver claramente o gancho de pendurar carne e as correntes enferrujadas que pendiam do teto e, com o coração apertado, não podia deixar de pensar em todo sofrimento pelo qual Cedric havia passado.
E por quê?
Por que o pobre rapaz, que tinha um futuro brilhante pela frente, acabou vivendo dias de terror e terminou como um número a mais nas estatísticas de crimes brutais da Scotland Yard? Por quê?
Apenas porque Cedric cruzara seu caminho.
Harry havia utilizado o pobre rapaz para esquecer Tom e por causa disso, devido ao seu egoísmo, Cedric tivera seu triste destino.
- Pensando em mim, pequeno? – uma voz rouca perguntou a suas costas, ao mesmo tempo em que um beijo suave pousou em sua bochecha e os braços fortes apertaram ainda mais sua fina cintura. Harry, no entanto, permaneceu em silêncio.
Ao notar o silêncio e o corpo tenso do menor, Tom revirou os olhos e se levantou do colchão:
- Eu sempre imaginei que você não fosse uma pessoa das manhãs – comentou divertido, abotoando a calça jeans escura – mas, infelizmente, vamos precisar sair em algumas horas então trate de se levantar e ficar pronto.
Com um suspiro resignado e uma pequena careta de dor, Harry se levantou e seguiu para o minúsculo banheiro que se escondia no fundo do galpão. Sem muito ânimo para tomar uma ducha fria, o jovem médico conseguiu se assear minimamente, lavou o rastro de lágrimas do rosto e se sentiu incrivelmente sortudo ao constatar que suas roupas haviam sobrevivido à fúria de Tom e permaneciam inteiras. Já vestido e ao menos um pouco limpo, Harry voltou a se juntar a Tom, que havia colocado sobre a pequena mesa uma caixinha de suco de laranja e um pacote de biscoitos amanteigados.
- Desculpe pela escassez, pequeno – suspirou, bebendo o que parecia ser uma xícara daqueles cafés instantâneos horríveis – mas será apenas por hoje.
- Sim, tenho certeza de que amanhã estaremos almoçando no Le Chateaubriand – respondeu Harry, ironicamente.
- Bem, talvez possamos fazer nossa primeira parada na França, se você quiser...
- Ou você pode me deixar em casa e, então, sumir pelo mundo. Que tal?
- Humm... Não, isso não vai acontecer – sorriu divertido – nós vamos sumir pelo mundo juntos.
- Que sorte a minha.
Eles passaram as próximas duas horas trocando pequenas provocações, mas Harry sempre se calava quando percebia aquele inconfundível brilho perigoso dançar nos olhos de Tom. No momento, porém, Harry se encontrava com o olhar perdido nas correntes enferrujadas que pendiam do teto e, por esse motivo, levou um grande susto quando as portas do galpão se abriram de repente.
- Finalmente – suspirou Tom – achei que você fosse me fazer esperar o dia todo.
- Bem, sinto muito, mas a vida de um traficante estelionatário é um pouco atribulada – burlou-se o homem de cabelos escuros e expressão entediada que acabara de cruzar as pesadas portas de ferro.
- Harry, este é Ethan Rosier – apresentou Tom – Ethan, este é Harry.
- Então esse é seu bichinho de estimação, Riddle? – comentou divertido, mas o sorriso logo morreu em seus lábios ao notar o olhar assassino de Tom. Ethan definitivamente odiava aquele arrepiante olhar escarlate – Quero dizer... Er... Sinto muito.
- Vamos logo aos negócios – o assassino replicou friamente. Na mesma hora, Ethan abriu o envelope pardo que carregava consigo e colocou dois passaportes falsos, uma pilha de papéis que Harry não conseguia identificar ao certo, mas que julgava se tratar de mais documentos de identificação falsificados e a chave de um carro em cima da mesa.
- A lancha está ancorada no porto e pronta para sair em meia hora – explicou Rosier, apontando para um dos papéis nas mãos de Tom.
- Excelente – Tom parecia ainda mais satisfeito ao ver Harry arregalar os olhos – Eu avisei que o período de escassez seria apenas por hora, pequeno.
- Você precisa de mais alguma coisa, Riddle?
- Não.
Sob o incrédulo olhar de Harry, o assassino abriu a pequena geladeira e retirou três envelopes pardos, que jogou nas mãos de Ethan Rosier.
- Trezentas mil libras, conforme combinamos.
- É sempre um prazer fazer negócios com você, Riddle.
- Eu não teria tanta certeza disso... – Harry parecia tão confuso quanto Rosier e acabou não conseguindo conter o grito assustado que se seguiu ao disparo da arma de Tom. No instante que se seguiu, Ethan Rosier era apenas um corpo ensanguentado no chão do galpão.
- Por que você fez isso? – o jovem médico conseguiu murmurar.
- Você não é meu bichinho de estimação – respondeu simplesmente, guardando numa maleta os envelopes manchados de sangue e os documentos trazidos por Rosier – Vamos?
Harry obviamente não se atreveu a replicar e seguiu com Tom para fora do galpão, onde entraram no Audi A4 preto estacionado na calçada.
- Não posso negar que Rosier tinha bom gosto para carros – comentou Tom, acelerando algumas vezes para testar o potente motor.
Tinha...
Ele tinha bom gosto...
E agora estava morto porque fizera um comentário infeliz a respeito de Harry.
Com o coração apertado, o jovem médico tentava não imaginar como seria passar o resto de sua vida ao lado de Tom Riddle.
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Dizer que Harry estava boquiaberto seria dizer pouco. Ele estava em choque pela visão da morte de um homem, horrorizado com a possibilidade iminente de ser sequestrado por Tom e ser levado para fora do país, para longe de Sirius e de seus amigos, mas agora este estava simplesmente boquiaberto diante da magnífica lancha de luxo ao lado da qual Tom estacionara o carro. Era algo de outro mundo. O modelo parecia saído de algum filme do James Bond ou algo assim, com 30 metros de comprimento e três andares. Segundo o alegre homem latino que conversava com Tom enquanto eles passeavam pelo espaçoso e elegante deck, a lancha possuía quatro quartos com suítes e uma cozinha gourmet. No segundo andar estava localizada uma sala de estar integrada com o deck. E no último nível, um generoso terraço com banheira de hidromassagem e uma segunda sala de estar com capacidade de receber até 25 pessoas de uma só vez.
- O senhor fez um excelente negócio, senhor Gaunt.
- Tenho certeza disso – sorriu, entregando ao homem os papéis trazidos por Rosier.
- Mas o senhor tem certeza de que não precisa de alguém para pilotá-la? Ou de uma equipe de camareiros? Ou de alguns cozinheiros talvez? Eu conheço algumas pessoas...
- Ora, não me subestime senhor Rodriguez – riu – Já disse que sou um excelente piloto e enquanto a dispensa estiver cheia, eu e Harry saberemos nos virar.
- Bem, se o senhor insiste – com um último aperto de mãos e um aceno de cabeça para Harry, o homem desceu da lancha e fez um sinal positivo, indicando que Tom já podia dar a partida.
Naquele momento, sentado no confortável estofado azul, Harry olhava para as pequenas ondas se formando ao lado da lancha enquanto esta se movia.
Ele estava deixando tudo para trás.
Seu padrinho...
Seus amigos...
Seu futuro...
Tudo...
...Para se tornar prisioneiro de um assassino.
Uma lágrima solitária deslizou de seus olhos.
Quando as sirenes da polícia britânica ressoaram pelo porto de Londres, Harry já estava muito longe para ouvi-las.
Continua...
Próximo Capítulo: Paris, Milão, Barcelona... Harry já havia perdido a conta.
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N/A: Olá, meus queridos leitores! Como vocês estão? Curtindo a Copa do Mundo? Pois é, eu também... Acho que esse foi um dos motivos que me fizeram atrasar um pouquinho, mas é cada jogo mais emocionante que o outro! Como não assistir ao clássico Bósnia x Irã? Hehehe... Brincadeira... Peço perdão por esse atraso imensurável de meses! Fazer estágio e faculdade é ainda pior que fazer duas faculdades juntas, mas estou tentando conciliar todas as atribuições sem deixá-los de lado, meus amados leitores. Por isso, por favor, me perdoem pelos eventuais atrasos que virão...
Quando ao capítulo de hoje, espero que vocês tenham gostado! Pobre Harry, mal sabe no que foi se meter... – sorrisinho malvado – De qualquer forma, espero que vocês continuem apreciando a história. Está na reta final. Apenas mais três capítulos...
Gostaria de aproveitar também para agradecer às belíssimas REVIEWS de:
Inu... ZoruaRiddle... yggdrasil001... Mertriqs... Nena... Mello Evans... Dogsitter... Jasper1997... dels76... SarahPrinceSnape... Lanyath... Bruna Uzumaki... Flavia FV... Sandra Longbottom... Dyeniffer Mariane... VictoriaLombardi... Niccolly... PandoraMaria... lunynha... E vrriacho!
Muito obrigada mesmo pelas maravilhosas Reviews de vocês, que me inspiram e alegram muitíssimo!
Um grande Beijo.
E até a próxima atualização, isto é, o capítulo doze de Destinos Entrelaçados.
(Sim, talvez possa demorar um pouquinho, mas uma hora essa atualização sai. Hehehe...).
