Desculpaaaa a demora! Final de ano né?

Mas finalmente aqui está o capitulo! ;)


07.

"Nervosa?" – Kurt pergunta enquanto eu me encarava pela enésima vez no espelho.

"Um pouco..." – ele era a única pessoa que entendia o que estava se passando dentro do meu coração naquele instante.

"Eu realmente não sabia de nada..." – acho que ele se sentia de certa forma em divida comigo, não parava de repetir que não tinha ideia que seu meio irmão estava saindo com uma nova garota – "mas pelo que eu sei é nada serio... os dois não tem planos de namorarem..."

Não digo nada. Somente o encaro por um breve instante. Como ele podia ter certeza de uma coisa dessas? O problema é que desde aquele nosso momento no carro, do ensaio do casamento que eu não consigo parar de pensar nele. Talvez sejam as lembranças espalhadas por todos os lados no meu quarto, talvez seja porque estou em Lima... ou talvez seja porque eu ainda não consegui supera-lo. Eu pensei que havia esquecido o que sentia por ele, mas só foi reencontra-lo que tudo voltou com ainda mais força.

Mas quando tivemos que entrar na igreja juntos eu desejei por um instante poder voltar no tempo.

~.

Havia ignorado três ligações da Amanda. Não estava com humor para falar com ela hoje. Era incrível como uma baixinha, morena, nariguda de um talento inigualável sempre que decidia entrar na minha vida virava o meu mundo de pernas pro ar. E a combinação baixinha, carro, casamento tinha de alguma maneira afetado o meu raciocínio.

"Nem vem..." escutei batidas na porta e jurei que era o Kurt.

"Sou eu..." – minha mãe entra no meu quarto e eu ainda estava dando o nó na gravata. Ou pelo menos tentando.

"Deixa eu ajudar..." – me aproximo dela que logo resolve aquilo com sem a menor dificuldade – "então, como você está?"

"Bem?" – eu sabia aonde ela queria chegar mas eu preferia não tocar no assunto.

"Ótimo... eu ia deixar só pra amanhã, mas hoje chegou uma correspondência pra você..."

"Alguma resposta?" – de repente senti minhas pernas tremerem. Encosto-me na cama e sento.

"Acredito que sim..." – ela vai até o corredor e coloca o envelope entre minhas mãos. Encaro-o por um longo tempo e torno a olhar para minha mãe.

"Eu acho que vou abrir só quando voltar..." – eu realmente não queria que aquilo estragasse a minha noite.

"Você tem certeza disso?"

"Sim... quando eu voltar eu leio..."

~.

No exato momento que entramos na igreja de braços entrelaçados, por um segundo eu desejei que aquele fosse o meu casamento. Eu tinha certeza mais do que absoluta que ele também estava abalado com a situação. Tento sorrir pra ele, mas até o meu sorriso naquele momento tinha um "quê" de tristeza.

"Heyy..." – Santana se aproxima de mim no altar e tenta me animar – "não vem me dizer que você está assim ainda por aquele crápula!"

"Quem?" – eu realmente havia esquecido a sua existência – "ah... ele.. já esqueci..."

"Entendo..." – noto o seu olhar triste em direção a Brittany.

A cerimônia foi realmente linda. Os olhos deles brilhavam de tal maneira que você podia sentir a intensidade do amor deles. As pessoas costumavam dizer isso para mim, para nós. Por certos momentos nossos olhos se encontram, mas logo desvio o meu olhar do seu. Era melhor assim.

~.

"Eu aceito..."

Prendi meu olhar no seu. Ela não parava de me encarar por um só instante. Talvez fosse impressão minha, talvez não. Alias eu tinha certeza absoluta que ela me encarava de proposito. Meus olhos não conseguiam fugir dos seus. Eu aceito. Duas palavras e a eternidade nas mãos. Suspiro frustrado. Olho ao redor na igreja e logo avisto-a, penso em acenar, penso em sorrir mas permaneço na minha. De novo meus olhos encontram os seus. Estávamos naquele jogo durante toda a cerimonia. Eu já não via a hora de ir para a recepção.

De repente reconheço a musica que toca ao fundo. Se por algum momento eu estava abalado porque não conseguíamos deixar de trocar olhares isso fez com que o meu coração quisesse saltar pela boca de uma vez por todas.

~.

Essa foi a musica que eu cantei quando eu disse sim. Sim pra nossa vida, pro nosso futuro juntos e pro nosso amor. Abaixo o meu olhar e deixo uma lagrima escapar. Podia usar muito bem a desculpa de que estava emocionada com o casamento. Mas a quem eu estava querendo enganar?

Seguimos para a recepção. Seria algo simples, não muito sofisticado e com apenas alguns amigos. Consegui escapar um pouco da sua presença aquela noite. Eu realmente precisava ficar um tempo sozinha. Um tempo na minha.

Assim que cheguei o vi conversando com ela. Kurt não estava por perto, tampouco Quinn ou Santana. Com passos largos faço meu caminho até o quintal. Nem sabia se eu poderia estar ali sozinha. Encontro um banco e ali mesmo me sento. A noite trazia uma brisa fria. Meu corpo treme levemente e suspiro olhando para o céu que essa noite estava particularmente estrelado.

~.

Eu notei quando ela caminhou sozinha e desapareceu no jardim. Considerei mil vezes não ir atrás, mas eu simplesmente não conseguia enganar o meu coração.

"Com licença..." – me desculpo com meus amigos, invento que vou ao banheiro. Olho primeiro para os lados vendo se alguém via para aonde eu estava indo. Acho que as pessoas estavam mais preocupadas em se divertir ou com seus próprios dilemas. Lentamente vou andando em sua direção. Vejo-a sentada em um banco. Seu cabelo balançava com o vento. Eu podia afirmar que ela estava com frio. Tiro o meu paletó e me aproximo colocando-o sobre suas costas. Ela só vira o rosto e sorri. O sorriso mais bonito e melancólico que eu já havia visto na minha vida.

"Obrigada..." – o som escapa dos seus lábios. Faço um sinal com a cabeça e sem perguntar me sento ao seu lado.

"Você está bem?" – pergunto sem ter certeza de que queria ouvir a resposta.

"Sim..." – e ai veio a certeza de que definitivamente ela não estava bem. Eu a conhecia melhor do que ela poderia imaginar. Mas preferi deixar o assunto morrer ali mesmo. – "foi uma bonita cerimônia..." – ela continuou a falar e eu vi um sorriso escapar – "estou realmente muito feliz por eles terem conseguido superar todos os obstáculos"

Agora fui eu que somente sinalizei com a cabeça. O que dizer?

~.

Queria falar e não podia. Ou não devia. As palavras estavam presas ali mesmo na ponta da minha língua. O silencio estava melhor, estávamos mais confortáveis assim. Olho para suas mãos nervosas, seus dedos largos e por um segundo desejei entrelaçá-los com os meus. Torno a sorrir pra ele, ele me devolve o sorriso. Permanecemos assim por pelo menos uma meia hora. Uma chuva fina começa a cair do céu, mas mesmo assim não nos movemos.

"Vai chover forte..." – ele arrisca olhar pro céu e de repente se levanta.

"Acho que sim..." – permaneço sentada.

Ele olha para os lados. Ninguém parecia ter notado a nossa ausência, ou se notaram preferiram nos deixar sozinhos. Hesitantemente ele estende uma mão. Encaro-a por um breve instante, mas logo deixo nossas mãos se encontrarem.

"Vamos sair daqui..." – eu mesma sugiro e ele sorri. Seus braços me protegem das gotas de chuva que agora caiam mais forte. Saímos mesmo pelo jardim. Enquanto andávamos a chuva engrossava. Alcançamos rapidamente o seu carro e em um minuto já estávamos longe dali.

~.

Dirijo meio que sem rumo. Ela estava toda encolhida no banco do carro tentando se aquecer. Meu paletó permanecia sobre os seus ombros e ela parecia estar confortável assim.

"Então... te deixo em casa?"

"Droga..." – ela diz olhando para os lados – "acho que esqueci minha bolsa na mesa... e meus pais não estão em casa..."

"Quer voltar?"

"Pra falar a verdade? Não..." – ela pisca forte duas vezes e morde de leve o seu lábio inferior.

"Está tudo bem mesmo?" – não hesito em perguntar.

"Está?" – ela rebate minha pergunta. Não respondo.

"Porque você não quer voltar?" – ela move os ombros e me deixa sem resposta. Será que ela tinha visto o beijo que eu havia trocado rapidamente com a Amanda? Alias, o que isso tinha haver com isso tudo?

"Me deixa em casa eu fico lá esperando alguém aparecer..."

"Jamais..." – vou em direção a minha casa – "você pode ficar um pouco lá em casa, depois eu te deixo..."

~.

"Eu pego um táxi..." – ele não contesta. Vamos a sua casa. Eu sabia bem que seus pais estavam na festa junto com o Kurt. E por mais uma vez em menos de três dias milhões de memórias invadem meu inconsciente. Ainda chovia quando chegamos lá. Corremos e rapidamente ele abriu a porta. Foi acendendo as luzes da sala e ligando o aquecedor. Sento-me no sofá olhando tudo ao redor. Nada havia mudado, tudo permanecia o mesmo.

"Quer algo quente para beber?"

"Pode ser..." – me lembro das noites frias que nos sentamos nesse mesmo sofá assistindo televisão e bebendo chocolate quente. Ele desaparece por um instante e eu finalmente relaxo por ao menos um segundo.

~.

Retorno à sala com duas canecas na mão. Algo que eu sabia fazer bem era chocolate quente. Ela já estava sem meu paletó, pra falar a verdade ela encarava um envelope que estava em cima da mesa. Nossos olhares se encontram, entrego a sua xícara e sento ao seu lado colocando o envelope dentro do bolso do paletó. Havia esquecido completamente que aquilo ainda estava comigo, não consegui deixá-lo na gaveta. Eu simplesmente estava esperando o momento exato para encarar a realidade.

"Você já..."

"Não..." – dou um pequeno gole e coloco a xícara em cima da mesinha da sala.

"Porque?"

"Não preciso de outra confirmação de que não sirvo pra nada nessa vida..." – ela vira os seus olhos e coloca a sua xícara ao lado da minha.

"Até quando você vai agir assim Finn?" – agora sou eu que dou de ombros. – "até quando você vai continuar se subestimando dessa maneira?" – ela pega o envelope e eu não a impeço. Primeiro ela me encara, logo eu já sabia o que ela iria fazer.

"Você só vai ter a confirmação do que eu disse.. você não deveria se dar o trabalho de ler isso..." – pego minha xícara e me levanto do sofá. Não queria que mais uma vez ela lesse a palavra 'perdedor' e eu não estava com paciência para discursos e discursos de que eu era melhor do que eu imaginava. Eu já sabia dos meus limites. Na verdade eu já estava meio que conformado com o que a via havia reservado pra mim.

Vou até o meu quarto e me sento na cama. Tiro o meu sapato, afrouxo a gravata e logo escuto seus passos no corredor.

"Finn..." – ela abre a porta e logo vai andando em minha direção. Levanto o meu olhar e ela praticamente se joga em cima de mim me abraçando – "eu... e..estou tão orgulhosa de você... eu sabia.. eu tenho certeza que você é muito mais do que eu posso imaginar..."

~.

Enterro o meu rosto na curva de seu pescoço. Na verdade eu não me importava de agir daquela maneira. Depois de meses eu finalmente senti que nada havia mudado. Seus braços me envolvem em um abraço apertado. Por um momento tudo parecia estar certo, tudo parecia realmente estar no seu devido lugar. Afasto o meu rosto e eu não podia deixar de sorrir. Ele permanecia sério, na verdade a sua expressão estava indecifrável. Atrevo-me a deslizar meus dedos pelo seu rosto. Eu precisava que ele finalmente sentisse orgulho do que ele havia conseguido. Torno a sorrir, parece que a ficha estava pouco a pouco caindo. Suas covinhas timidamente aparecem, coloco meus dedos nelas e aproximo o meu rosto do seu. Finalmente depois de meses o meu coração sabia como era estar em casa. Fecho os olhos e opto por não pensar. Enlaço o seu pescoço com os meus braços e em uma fração de segundos meus lábios encontram os seus.