-Eu ainda não acho essa uma boa ideia Sara! –eu estava aflita, sim completamente aflita, e toda vez que eu pensava no que eu iria fazer minhas mãos tremiam freneticamente.
-Nós já conversamos sobre isso senhorita Lyana, e você já protelou isso por tempo demais, todos já desconfiam, não dá para esconder mais. –ela me olhou com pena. –Você precisa da ajuda dele, quando todos aqui descobrirem, ou melhor confirmarem você será deportada sem dó nem piedade, você sabe disso melhor do que ninguém.
-Eu sei Sara, mas... –respirei fundo para não chorar como um bebê, pois era o que sempre acontecia sempre que tínhamos essa conversa. –Mas ele vai achar que eu quis dar um golpe do baú.
-Pare de sentir culpada, ele foi o cafajeste da história, você é só a azarada desde o começo. –ela me sorriu.–Azarada por conhecer um ruivo "Weasley" e se deixar apaixonar por ele, e mais azarada ainda por tomar uma injeção de anticoncepcional que perde o efeito se tomada com outros remédios. –ela me abraçou quase gargalhando de rir, e uma senhora que passava nos olhou desconfiada. –Você não é culpada Lya, é a vítima, então vá lá e ache uma pista daquele desgraçado para que eu mesma tenha a chance de chutar aquele traseiro pomposo.
Eu a abracei forte e agradecida, realmente eu devia muito a Sara, sem ela eu não teria conseguido lidar com toda a reviravolta que minha vida deu. Nos separamos e eu limpei o rosto, malditos hormônios. Eu fiz menção de pegar minha mochila com o que preparamos para a viagem, mais Karl foi mais rápido e a pegou, subindo no ônibus e a colocando possivelmente na minha cadeira.
-Já disse que você não pode pegar peso sua louca. –exasperou-se Sara.
Desde que descobrimos minha nova condição que tanto Sara como surpreendentemente Karl, tem sido exageradamente cuidadosos comigo.
-Ela não está pesada. –argumentei.
-Volte logo ok? E tenha cuidado, não esqueça de comer e se sentir mal ou precisar de algo me ligue! –ela segurou meus ombros apertando-os num conforto mudo, enquanto olhava para o ônibus que me levaria para o desconhecido. –Eu ainda tenho vontade de matar aquele maldito professor por me obrigar a ficar aqui e deixar você ir sozinha.
Sara iria comigo, mais um dos professores dela pediu um esboçou de algo que parece ser bem elaborado, o que tomaria o fim de semana inteiro dela, e como eu já tinha organizado tudo, resolvi que deveria ir só, o que os preocupou. Mas Karl me ajudou a convencer Sara de que essa era a melhor escolha, se eu tivesse que adiar mais um dia essa viagem iria acabar desistindo de tudo.
-Não se preocupe eu ficarei bem, e eu prometo que qualquer coisa ligo. Não se preocupe ok? –a abracei de novo me despedindo e entrando no ônibus e me dirigindo para minha cadeira, onde sentei na janela olhando-os. -Obrigado Sara, eu não sei o que faria sem vocês.
-Soque ele quando encontra-lo. –ela disse maligna.
-Se, e somente se, eu tiver a sorte de encontra-lo, o susto que ele vai levar provavelmente o matará. –Karl se benzeu como se fossemos dois demônios. –Obrigada por tudo a vocês dois, volto logo.
-Se você encontrar uma pista dele ou não, se encontra-lo ou não, não importa, nós ligue. –ela disse e o motorista deu partida.
-Bye. –dissemos todos juntos, e ficamos acenando em despedida.
Me ajeitei para ficar confortável naquelas cadeiras, que graças aos céus eram boas. Senti algo se mexendo dentro de mim e sorri involuntariamente passando a mão em um movimento circular pela barriga, agora não mais reta, e sim estufada e redonda o suficiente para que qualquer pessoa (por mais que eu tentasse esconder com roupas, que agora não podiam ser muitas por causa do calor), que se dignasse a olhar duas vezes para mim perceberia meu estado. Sim eu estava irremediavelmente grávida, com dezessete semanas agora. Imaginem a minha cara ao descobrir, ao acordar no dia seguinte a minha conversa com Frederick numa cama de hospital, que meu cansaço não era derivado dos estudos e da preocupação com minha situação com Frederick (culpado direto), e que eu não tinha nenhuma gastrite ou disfunção alimentar, mas sim, estava anêmica, que era um quadro comum no primeiro trimestre da gravidez.
Bom, eu surtei...
Surtei primeiro por acordar em um lugar desconhecido, mais me acalmei quando uma Sara aflita me abraçava e um Karl aliviado me olhava. Pelo que ele me explicou (já que a Sara não estava em condições de falar por causa do choro), eles chegaram no nosso apartamento após o piquenique, e me chamaram, como eu não respondi, eles suporão que eu deveria estar no quarto dormindo, provavelmente cansada após a "reconciliação" com o Fred, mas tamanha foi a surpresa (desespero total) quando me encontraram desmaiada na sala com um presente ainda embrulhado na mão.
-"Sara ainda tentou te acordar enquanto eu chamava uma ambulância. " –ele ainda estava abalado. –"Passamos a noite aqui com você, os médicos não sabiam exatamente o que tinha causado o seu desmaio, então fizeram vários exames em você até descobrir a real causa. "
-"Você deu um belo susto nos seus amigos mocinha, como se sente? " –disse um homem de meia idade de jaleco branco que deveria ser o médico que estava encarregado de mim, ele esperara pacientemente para falar comigo, o que eu sou eternamente grata.
-"Bem, doutor? "
-"Marchael." –ele falou sorrindo e me estendendo a mão que eu apertei, e Sara saiu do meu lado cedendo o espaço para o médico.
-"Que bom minha querida. Bom eu acho que posso lhe dar alta. " –fiquei animada por poder sair dali e ele me sorriu amável. – "Mas só se você prometer se alimentar direito por causa da anemia e procurar com urgência uma ginecologista para acompanhar seu caso."
-"Ginecologista? " –será que eram cistos de novo, droga eu estava me cuidando direito, sempre tomava minhas injeções anticoncepcionais de 3 em 3 meses como o meu ginecologista (no Brasil) tinha me indicado fazer.
Claro que quando vim para Londres não encontrei o mesmo remédio, mais o farmacêutico me indicou um com uma composição similar e eu comprei, agora me arrependo por não ter me consultado com um medico especializado quando cheguei aqui.
-"Sim senhorita, a senhorita está grávida, meus... "
-"O QUE?!" -sim, agora sim eu surtei mesmo...
Eu ainda ria quando lembrava da cena, a cara do médico, uma Sara que parecia que iria desmaiar e um Karl estático. Depois que me acalmaram (muito choro), passamos a aceitar a ideia, o médico disse que eu poderia abortar (diferente do Brasil o aborto é legalizado na Inglaterra), mais que eu deveria me decidir rápido pois este só era permitido até as 12 semanas da gravides.
Quando chegamos em casa depois de eu ter sido liberada (almoçamos na rua mesmo por causa do horário), eu me sentei na sala com os dois e eu sabia que lhes devia uma explicação (além dos agradecimentos), pelo que havia realmente acontecido comigo. Então sem rodeios eu contei a eles o que tinha ocorrido comigo e Frederick, todas as palavras ditas por ele e por mim. E fiquei impressionada comigo mesma por estar falando tão tranquilamente sobre o assunto.
-"E você não gritou e nem bateu nele? " –perguntou-me uma Sara revoltada. –"Simplesmente ficou aí sentada engolindo tudo o que aquele cafajeste disse? "
-"Sim" –agora que eu parava para pensar, tinha sido realmente ridículo, eu provavelmente me sentiria melhor se tivesse batido nele.
-"Cara isso deve ter ferido o orgulho dele, sem falar que ele provavelmente está tentando entender até agora o que realmente aconteceu e se você realmente gostava dele. " –nós olhamos para o Karl com cara de paisagem. –"Qualquer mulher, apaixonada ou não, em seu lugar teria no mínimo gritado histericamente por ter seu orgulho ferido, mais você mostrou aquele babaca pomposo que tinha uma classe e um orgulho quem nem ele, com tudo que tinha feito, poderia abalar. " –ele veio até mim e pela primeira vez desde que nós conhecemos eu o vi sorri sincero (assustadoramente maligno). –"Estou orgulhoso de você, nenhuma tapa seu teria o ferido mais."
-"Agora eu sei por que a Sara ama você. " –acabamos todos rindo.
Já tínhamos viajado umas duas horas, então eu peguei uns sanduíches na mochila para comer, e fiquei feliz por não ter ninguém ao meu lado (na verdade o ônibus estava quase vazio), mas eu notei que era observada e me virei incomodada. Havia uma senhora com um vestido esquisito preto, ele tinha vários babados e parecia aqueles que eram moda no século XVIII. Quando eu me virei ela desviou o olhar, eu percebi que era a mesma senhora que me olhou estranho quando eu me despedia da Sara.
-"Que bom, agora além de te achar lésbica, ela também acha uma sem educação por comer nos ônibus" –disse minha consciência.
-"Problema dela, eu estou grávida e preciso me cuidar"
-"É assim que se fala. " –ela vibrou.
Quando me decidi/comuniquei a Sara que levaria a gravidez adiante e que teria o bebê, ela ficou radiante, dizendo que seria a madrinha deste. Mas logo ficou triste ao lembrar o que isso implicava a minha situação de intercâmbista, sabíamos que quando descobrissem que eu tinha engravidado e que não estava casada nem noiva, e nem mesmo tinha um namorado sequer, eu seria deportada sem piedade. Acabando não só com meu sonho e esforços, mais também decepcionaria a todos na minha família que teriam que me receber naquela situação, por isso resolvi não contar a ninguém do Brasil, e nem mesmo comunicar a faculdade da minha nova situação, não até conversar com aquele maldito Weasley. Como Sara mesmo disse, ele era minha única salvação, mesmo que eu não gostasse da ideia, eu precisava da ajuda dele, e ele era o pai e mesmo não gostando disso teria de arcar com as consequências de nossos atos, assim como eu.
Por um tempo ainda relutei se essa era a melhor opção e quando me convenci de que essa era a única, resolvi que encontraria Frederick, e novamente me deparei com um grande problema , eu nada sabia sobre ele. Por dias, eu me vi tentando investigar sobre seu nome na web, e frustrantemente novamente nada encontrei. Então quando já estava desistindo de tudo me peguei relembrando todas as nossas conversas, e como ao acaso me lembrei de nosso primeiro encontro, e sorri por finalmente ter encontrado uma pista.
Agora estava eu no ônibus para "Ottery St. Mary", colocando no pescoço o colar que ganhei dele e, sua ultima visita (para dar sorte), para tentar encontrar alguma pista dele, eu precisava encontra-lo, e persuadi-lo a pelo menos se apresentar comigo ao consulado, fingiríamos ser noivos até eu me formar, e depois eu voltaria para o Brasil, onde minha família me daria todo o apoio que eu precisaria. Eu não queria nada dele, nem mesmo faria questão que ele registrasse ou mesmo mandasse pensão, eu conseguiria me virar bem sem ele. Mas voltar para casa deportada e grávida sem o diploma que lutei tanto para vir conseguir não era uma opção.
Eram 12h em ponto quando o ônibus parou no vilarejo, e eu tratei de procurar logo algum restaurante para almoçar, estava faminta. Mas não deixe de notar que a senhora estranha agora vinha acompanhada de um homem caucasiano de no máximo uns 30 anos, e pareciam discutir algo, mas não era a discussão de provável mãe e filho que me intrigava, e sim do fato de que eu não o tinha visto dentro da condução, então como ele tinha chegado ali? Parei de pensar na vida alheia quando minha barriga deu sinal.
-Já vou, já vou, com certeza vai herdar a fome do pai. –disse me dirigindo a lanchonete mais próxima.
Pedi um almoço executivo, e comi calmamente. Quando fui pagar a conta resolvi que deveria começar minha procura, eu não podia protelar aquilo. Se "ele" tivesse mentido para mim (o que seria esperado), e ele não tivesse crescido ali eu podia voltar para Londres ainda hoje e já começar a arrumar minhas malas. Mais todo meu ser desejava encontrar ao menos uma pista ali, eu precisava realmente o encontrar.
-Seu troco senhorita, seja bem-vinda a "Ottery St. Mary", e volte sempre. –disse-me um simpático rapaz que ficava no caixa.
-Obrigado, mas se não for incomodo poderia me dar uma informação?! –ele me sorriu e me pediu para prosseguir. –Você sabe se alguma família Weasley vive aqui?
-Weasley? –o rapaz parecia ter visto um fantasma.
-Sim, eu procuro Frederick Weasley, você o conhece?
-Não. –disse-me ríspido, mas eu podia jurar que havia uma pontada de medo em sua voz.
-De qualquer forma obrigada e me desculpe por incomodar. –sai do restaurante intrigada, e mais animada, pelo jeito "ele" não havia mentido, com certeza alguém "nada querido" de sua família vivia aqui. Bom pelo comportamento canalha do Frederick eu podia imaginar que tipo de família eu encontraria, e isso me fez suspirar com pesar, será que ele me ajudaria?
-Com licença senhorita! –a senhora estranha e seu provável filho vinham em minha direção sorridentes. –Me perdoe, mais não pude deixar de ouvir sua conversa com aquele atendente, você procura Frederick Weasley?
-Sim, vim a essa cidade para procurar notícias dele. –meu coração se acelerou com aquela possibilidade. –A senhora o conhece?
-Não. –meu sorriso morreu. –Mas sei onde ele e sua família vivem, se quiser podemos leva-la lá?
-Não se incomodem, a senhora já me salvaria a vida se me dissesse onde posso encontra-ló. –eu juntei as mãos e quase chorei quando senti aquele peso sair de minhas costas, eu encontraria pelo menos sua família, e com um pouco de persuasão o encontraria também.
-Horas uma jovem grávida não pode sair andando por aí sozinha, e eu sou uma pobre velha, não poderia subir aquela colina que dar na casa dos Weasley. –ela me disse indignada, e eu acabei aceitando sua proposta, mais me ofereci para pelo menos pagar o táxi, e eles aceitaram.
A corrida foi rápida e tranquila, com a senhora me perguntando de onde eu conhecia o jovem Weasley, mas em nenhum momento fez perguntas invasivas se mostrando extremamente educada e compreensiva. O homem ao seu lado nada dizia e nem me olhava, parecia que para ele eu nem existia, mais quem se importava. Quando o táxi parou acima de uma colina eu senti meu coração acelerar e logo que sai percebi que havia algo errado ali.
-Onde estamos? –eu paguei ao taxista e ele se foi. –A senhora me disse que me levaria até onde ele morava.
-A família Weasley mora num vilarejo abaixo dessa colina, se você seguir direto logo vai ver algumas casas, mais siga direto e encontrará a casa deles. –ela me sorriu, e apesar de eu só vê mato naquela imensidão eu seguiria minha única pista. –Mas mantenha sua mente no objetivo ao qual a trouxe aqui e tudo ficará bem. E não repare nas roupas estranhas das pessoas de lá, eles seguem assim como eu a tradição do lugar.
-Ô, eu não sei como agradece-lá senhora?
-Averyan. –ela me disse solicita. –E não se preocupe com isso, você nem imagina como fez meu dia feliz.
-Lopes, Lyana Lopes. –eu me apresentei, não acreditando que ainda não o tinha feito. –Muito obrigada senhora Averyan.
-Não esqueça do que eu disse, mantenha sua mente no objetivo de encontrá-lo. –eu confirmei, apesar de não entender o porquê disso. Mas não tinha como não o fazer, pois era exatamente o que eu fazia a dias, encontrar Frederick era a única coisa que ocupava meus pensamentos.
E depois de me despedi deles segui na direção que está me disse. Fazendo exatamente o que está me disse para fazer, apesar da total descrença de encontrar algo próximo naquela imensidão verde, que eu só via mato. Mas tamanha foi a minha surpresa quando em menos de cinco minutos de caminhada eu podia ver algumas casa distantes. Nenhuma realmente próxima da outra, pareciam mais como aquelas casinhas construídas no meio do terreno de grades fazendas.
"Como eu não tinha visto isso antes?"
Parei de me perguntar isso quando o vi. Meu coração pareceu parar e meus olhos lacrimejaram com a cena. Eram quatro jovens ao todo. Caminhando alegremente de mãos dados com uma jovem de longos cabelos e pele escuro vinha ele, e parecia tão entretido na conversa que não tinha me notado. Outro rapaz ruivo, um pouco maior que ele e que andava meio desengonçado, deu-lhe um soco de leve nos braços, fazendo a jovem castanha que os acompanhavam gargalhar.
-Fred? –eu sussurrei, mais devido a proximidade todos se vivaram para mim. E este ao me ver empalideceu.
-Lya?... –toda a cor do seu rosto sumiu. –O que?... Como você chegou aqui?
-De ônibus Frederick, horas são só 4h de viagem de Londres para cá. –minha resposta parecia que os tinha deixado confusos.
-Você tem uma amiga trouxa e nunca a trouxe para casa? –disse o ruivo rindo. –Papai vai te matar.
"Oi, ele me chamou de trouxa?"
-Trouxa? –eu indaguei. –Ele me chamou de trouxa? –eu sei que fui, mais não precisa insultar. Será que ele enganava muitas meninas, ou isso era algum esporte dos homens de sua família. Logo me vi estufar de raiva, aquele idiota não iria brincar mais comigo.
-Ronald seu babaca, isso é uma ofensa no lugar de onde ela vem. –disse a castanha. –Desculpe meu marido, as vezes ele esquece que nem todos giram ao redor do seu mundinho. -o ruivo olhou-a feio.
-Lyana o que faz aqui? –Fred parecia ter enfim recuperado a voz.
-Vim conversar com você, tem...
-Nós não temos nada para conversar, eu deixei bem claro tudo entre nós a semanas atrás, agora se me der licença. –ele passou por mim arrastando a morena embasbacada que o acompanhava, e os outros o seguiram silenciosos. Eu ainda fiquei parada uns segundo antes de os seguir.
-EU ESTOU GRÁVIDA FREDERICK. –eu gritei e todos se viraram para me olhar, e como robôs programados, olharam para minha barriga onde avia sim um volume aparente, e depois para mim, e então para ele, como que entendendo horrorizados a situação na qual estávamos. –Eu não viria até aqui se não fosse importante. –eu disse tentando me acalmar.
-Você?.. Mas como?... –ele não conseguia encontrar as palavras e a morena largou sua mão. –Espera você me disse que tomava anticoncepcional, você me enganou? –eu o olhei mortalmente, mas sabia que ele me perguntaria/acusaria de algo assim, e já tinha me preparado para responde-lo, só não esperava que fosse em frente a uma plateia.
-Serio mesmo Weasley? Uma trouxa te passou a perna? –dizia a senhora, que só diabo que sabe de onde surgiu, apontando uma vareta esquisita para eles. –Eu sabia que vocês eram escoria, mais quando eu pensei que não podiam mais sujar o nome de sua família, você nós mostra que pode e se envolve com uma trouxa, uma maldita trouxa.
-Quem é você? –Fred e seus amigos também tinham varetas nas mãos e se olhavam de forma assassina.
"Oi, o que diabos está acontecendo aqui? Isso era para ser uma cena dramática, o que infernos essa velha esquisita veio fazer, e a maldita gagá me insultou também, puta que pariu"
-Hora Weasley você não achou que nós não nos vingaríamos, não é? –eu gritei quando meu cabelo foi puxado violentamente para trás, pelo "filho" da velha, que só podia ter pacto com o demo para surgir assim das sombras. –Pensou, hora não se preocupe, eu estava quase desistindo também dessa vingança contra sua família e o maldito "Trio de ouro". –ela cuspia as palavras, e agitou a vareta e dela saiu um jato azul, que a moça castanha repeliu com a sua. -Não sabe o quão feliz eu fiquei ao ouvir uma trouxa pronunciar o sobrenome da sua família, e eu até deixaria passar se ela não estivesse em frente ao ônibus que dava para a cidade próxima daqui. Me diga quantos Weasley, poderiam existir fora sua maldita família nessa região?
-Fred... –não pude terminar o que diria pois a senhora me deu um tapa tão forte que me desnorteou, e eu pude sentir o gosto de sangue na boca.
-SILENCIO. –gritou o homem que me segurava, apontando uma vara no meu pescoço, e eu pude sentir um frio mortal descendo for este. -Trouxa imunda coloque-se no seu lugar.
-SOLTE-A. –enfureceu-se Fred, fazendo jorros de luz vermelha saírem de sua vareta e eu podia ver uma luz da mesma cor ao seu redor. A senhora fez movimento estranho com a mão que segurava aquele estranho objeto e uma barreira quase imperceptível surgiu a nossa frente por alguns segundos.
-Não se preocupe Weasley, nós a devolveremos para você, junto com o nojento filho mestiço que ela carrega. –a velha que agora estava se transformando na minha frente e num piscar de olhos era um home de vestido, e por mais que eu gritasse em horror, nenhuma voz saia da minha boca. –Da mesma forma que sua mãe deixou a Bella na luta delas. Vou até embala-lós para presente, o que acha, a trouxa para você e o mestiço para sua mãe. –Ele ria com escarnio e eu gritava com todas as minhas forças, mais nenhuma voz saia, minha cabeça já doía de tanto que ele puxava e apertava meus cabelos, e meu rosto já estava banhado em lágrimas.
-Lestrange, solte-a, eu iriei no lugar dela, mas deixa em paz, ela é só uma trouxa, nem entendo o que está acontecendo aqui. –argumentou um Fred desesperado.
-Nem nos seus mais belos sonhos Weasley, vamos fazer essa trouxa de exemplo para o mundo bruxo, todo e qualquer bruxo vai pensar duas vezes em se envolver com um trouxa depois do que fizemos a ela. E nada me deixará mais feliz em derramar esse sangue tão sujo que mancha a nossa honra como bruxos. –ele disse, e mesmo com aquele vestido, eu sabia que aquele homem chamado Lestrange me mataria.
E foi com esse pensamento que eu senti um puxão forte na barriga e tudo ao meu redor começou a girar tão rápido, me fazendo ficar tonta e enjoada. Quando consegui fixar os olhos em algo que não se mexesse me vi colocando todo o almoço para fora num chão de madeira, e ao olhar ao redor, vi que não estávamos mais na colina e sim em uma estranha casa, e aqueles dois me olhavam com sorrisos psicóticos, e algo me dizia que o sangue que a pouco senti na boca logo seria tirado de mim de outra forma, e provavelmente muito mais dolorosa e demorada.
