Olá, leitoras! Estão preparadas para mais um capítulo cheio de suspiros? Bora ler! *u*
Marrom
Assim que abri a porta do apartamento, escutei a televisão ligada e risos. Suspirei, entrando e trancando a porta, antes de seguir para a sala. Riley estava esparramado no sofá, pipoca de um lado e refrigerante na mesinha de centro. Meu irmão era um folgado nato.
– Vai dormir aqui hoje?
Virou-se para mim, a boca cheia de pipoca enquanto respondia em forma de um resmungo nojento.
– Nossa, irmãzinha, nem parece que sentiu saudade.
– Você avisou Jake? – questionei, sentando-me ao lado dele e pegando um pouco de pipoca.
– Acha que um raio cai duas vezes no mesmo lugar? Claro que avisei Jake! Não quero morrer antes do tempo, não.
Revirei os olhos. Riley morava com meu primo Jacob, era o melhor até que eu pudesse, enfim, cuidar de um adolescente. Não que isso fosse um problema, mas eu estava precisando de cuidados e ele também precisava. O início do meu tempo aqui em Nova Iorque foi corrido, munido de fisioterapias, horas extras na fonoaudióloga, várias sessões no psicólogo, entre a minha necessidade de voltar a dar aulas. Eu precisava estar com as criancinhas e aonde trabalho hoje, me recebeu de portas abertas, mesmo com tantas dificuldades.
– Não seja tão dramático – murmurei. – Jake é um ser inofensivo.
– Porque não foi com você que ele berrou quase a semana inteira e ainda proibiu que saísse durante um mês – sibilou. – Aliás, Jake não faria nada com você, pois ele tem as bolas em suas mãos.
– Que nojento, Riley. – enruguei o nariz. – Vanessa ficará feliz de ouvi-lo dizer isso do marido dela.
– Não coloque Nessie no meio disso. Nem sei como se casou com ele! Ela é linda e fofa, já Jake parece um lobo faminto atrás da caça.
– O amor faz travessuras – pisquei rindo, mas meu irmão estremeceu. – Jake mudou muito por Vanessa, deixou de ser o então conhecido "lobo mau" da escola, para ser um pai de família. E sei que esse seu desagrado todo é só porque você tem uma quedinha pela esposa dele. Você, hein? Gosta só das mais velhas!
Deu de ombros, voltando sua atenção para a televisão.
– Está tudo bem com você? – perguntou depois de um tempo. – Tanya passou aqui faz algumas horas, perguntando se você já tinha chego do hospital.
– Estou bem – falei baixo.
Os olhos calorosos se encontraram com os meus, havia preocupação neles, o deixando com uma face de um garoto mais velho.
– É loucura entrar numa escola em chamas, só para você saber.
– Eu sei – suspirei. – Não pensei direito, só queria salvar minha aluna. Ela é especial para mim, entende? Eu a amo e nem sei o porquê.
– Bells, só não faça isso de novo, está bem? Não queremos perdê-la mais uma vez. Já sofremos o bastante, não acha?
Remorso me bateu quando vi as lágrimas lutando para não sair dos olhos de Riley, porém, não podia fazer nada com isso. Summer também era importante. Puxei o corpo dele para o meu, o abraçando com força, sentindo o quanto estava com medo. Riley tinha apenas dez anos quanto tudo aconteceu.
– Prometo não fazer mais uma loucura dessas – afrouxei o abraço e o enchi de beijinhos. – Perdoe-me por deixá-lo assim, Riley. Eu te amo muito, você sabe, não é?
– Também te amo, Bells – fungou, deitando a cabeça em meu colo. – Só não me deixe de novo.
– Não deixarei – prometi. – Sabe, estava pensando... Talvez esteja na hora de você vir morar comigo.
Em um pulo estava de pé, os olhos brilhando como os de uma criança.
– Isso é sério?! – gritou. – Posso morar com você?
– Acho que consigo cuidar de um adolescente de dezesseis anos – sorri assentindo. – Só não te chamei antes porque...
– Eu sei o porquê, Bells – sorriu levemente, me interrompendo. – Você tinha que se curar.
– Já era ruim comigo sozinha, imagina com nós dois? Não aguentaria tanta pressão.
– O que importa agora é que seremos uma dupla de irmãos inseparáveis – disse orgulhosamente, sentando-se ao meu lado. – Foi bom ficar com o Jake, ele é legal e tudo, mas ninguém supera você. Falando em Jake, ele mandou um recado. Disse que não vai poder fazer sua fisioterapia nesse fim de semana, pois vai levar Seth para visitar o tio Billy e a tia Sue.
Jake era meu fisioterapeuta, além de primo e ombro amigo. Minha mãe achou que seria melhor, se eu ficasse com meu primo aqui em Nova Iorque. Para falar a verdade, mal saí do hospital e já tinha minhas coisas embaladas. Pouco tempo depois, Riley veio para ficar conosco. Não queria vir, estava triste por saber que meu pai havia tido um ataque do coração e falecido, precisava de apoio materno, mesmo minha mãe sendo dura do jeito que é, contudo, ela praticamente me expulsou de casa. Minha cabeça estava um caos, então apenas cedi.
– Oh, Jacksonville – inspirei e expirei. – Amo a nossa cidade natal. Mesmo com o clima louco de lá. – dei um suave sorriso, lembrando-me das praias. – Ele faz bem, nossos tios devem estar loucos para verem o pequeno Seth.
– Estão mesmo – concordou. – Que tal fizermos a minha mudança nesse fim de semana? A casa deles estará vazia e será mais fácil.
– Por mim tudo bem – levantei-me e peguei o telefone da base. – Vou ligar para a mamãe, está bem? Fique à vontade.
– Boa sorte – desejou deitando no sofá e mudando de canal.
– Vou precisar.
Fui para meu quarto, jogando-me na cama antes de discar o número de minha mãe. Tocou cinco vezes até que finalmente, devo acrescentar, atendeu.
– Isabella Marie Swan! – gritou e tive que empurrar o telefone do meu ouvido para longe. Tomei coragem e o coloquei novamente no lugar, apenas para escutar mais gritos. – Como você ousa bancar de heroína nessa maldita escola?! Quando te mandei para Nova Iorque, foi para que você se curasse e mudasse de ideia em relação a ser uma professorinha de quinta! Mas não, você tem que me afrontar, não é? Tem que me ridicularizar perante a sociedade! Se seu pai estivesse aqui...
Pronto, ela foi longe demais.
– Renée – minha voz mordaz a cortou. – Não sou uma criancinha, ouviu bem? Foi loucura o que fiz, sim, foi. Mas nada tem a ver com a minha decisão profissional. Eu amo ser uma emprofessorinha/em emde/em emquinta./em Amo dar aula, amo meus alunos! Nada que você disser irá mudar isso e pouco me importo com o que a sociedade pensa ou deixa de pensar. Agora não coloque o meu pai no meio dessa merda. Ele não está aqui para se defender.
– Filha, talvez esteja na hora de você voltar para casa – procurou abrandar o tom.
– Não, mãe – diminui o volume de minha voz. – Não quero mais voltar.
– Isso não está mais em discussão! Volte até o fim do mês – rosnou, transbordando novamente.
– Pela última vez, não sou uma criancinha – falei já sem paciência. – Logo farei vinte e nove anos e não nove, mãe. Agradeço muito por todo o tempo que cuidou de mim no hospital, mas não preciso mais de ajuda. Posso andar com as minhas próprias pernas, ter erros e acertos como todo ser humano.
Ficou em silêncio por alguns segundos, apenas sua respiração pronunciava-se através do telefone
– Você só me decepciona – disse por fim.
– O sentimento é recíproco.
Então a linha ficou muda. Joguei o telefone do outro lado do quarto, gritando de raiva. Como uma mãe poderia ser tão hostil assim? Como uma mãe poderia prezar mais o que a sociedade pensa aos sentimentos dos filhos? Renée não perguntou como eu estava ou pediu notícias de Riley. Isso me magoava muito. Quando eu tiver filhos, não serei como minha mãe. Juro por Deus, darei o meu melhor para nunca, ao menos, me parecer com minha mãe.
Riley não veio ver o que estava acontecendo porque sabia que eu precisava de tempo. Meu irmão me conhecia tão bem. Suspirei entrando no banheiro para tomar um relaxante banho. Nada como uma ducha morna para melhorar meu humor. Após sair do banho, limpa e trocada, deitei na cama e permiti-me adormecer.
Acordei apenas na manhã seguinte, minha cabeça sem dor alguma e nenhum sonho do qual me lembrasse. Fiz minha higiene matinal antes de ir para a cozinha preparar um bom café da manhã. Riley ainda dormia quando terminei de me alimentar, então fui acordá-lo para que pudesse ir à escola.
Depois de algum tempo, Riley já tinha ido para a escola e Tanya batia em minha porta. Como eu sabia que era ela? Bem, ela tem um toque "especial", como diz ela.
– Bella! – gritou assim que abri a porta. – Como você está? Como Summer está? Precisa de alguma coisa? Estou a sua disposição! – soltou sua avalanche antes mesmo que eu pudesse respirar.
– Entre.
Tanya entrou, indo direto para o sofá e sentou-se. Ainda ficava besta quando via minha amiga. Era linda demais para estar sentada em um sofá de pobres mortais. Os cabelos loiros eram lisos, as pernas longas e o sorriso espevitado sempre no rosto. Quem a via, tinha certeza que era uma jovem de uns vinte anos, quando tinha trinta e dois. Às vezes – sempre – estar ao lado dela fazia minha autoestima ir aos pés.
Fechei a porta e fui me sentar ao lado dela, encolhendo os ombros quando vi os olhos azuis me estudarem a cada segundo.
– Estou bem, Tanya, não se preocupe – dei o meu mais lindo sorriso, para tentar fazê-la acreditar. – E falando sobre se preciso de algo, sim, preciso – continuei. – Summer está bem também, mas me implorou por um funeral ao porquinho da índia. Você acha que conseguimos chamar alguns amiguinhos dela para prestarem condolências ao pequeno Bob? Queria fazer um espaço representativo a ele no jardim da escola.
– Isso vai ser trabalhoso, entretanto, nada é impossível. Vamos ligar para alguns pais e tentar fazê-los ver que é para a felicidade de uma garotinha internada. Também precisamos falar com a Sulpicia. – coçou o pescoço em dúvida. Sulpicia era a nossa diretora, e apesar de ser um anjo, era bem rigorosa com certas questões que envolvia suas "crias". – Isso me faz lembrar que a polícia acredita que foi um problema na fiação elétrica que causou o incêndio.
– Como foi, digo, estar lá? – mordi meu lábio inferior. – Como começou o fogo?
Tremeu só de lembrar.
– Estava escrevendo na lousa o que deveriam fazer, então alguém gritou que as cortinas estavam pegando fogo e as chamas se alastraram rapidamente. Tentei não me desesperar, pedindo que fizessem uma fila ao mesmo tempo em que o alarme de incêndio era acionado. Eles foram saindo da sala rapidamente, olhei para todos os lados e saí, acreditando ser a última. Mas Summer ainda estava lá. – fungou, deixando uma lágrima deslizar por seu rosto. – Bella, ela poderia ter morrido por minha irresponsabilidade
– Não foi assim. Você fez o que pôde para salvar todos, Tanya, além de sair apenas depois de achar que era a última – a abracei, esfregando suavemente as costas dela. – Quando entrei naquela sala, parecia o inferno, mas pedi tanto a Deus que Summer estivesse viva. Ela estava embaixo de sua mesa, agarrada à gaiola de Bob. Isso causou bolhas nas mãos e nos bracinhos dela, contudo, está bem. Está respirando e sorrindo o tempo todo. Sabe, Tanya... Eu podia ouvir as sirenes dos bombeiros, porém, dentro de mim nada mais importava, senão salvar a minha menininha.
– Foi imprudente, mas te entendo – expirou pelo nariz. – Primeiro, precisamos ligar para Sulpicia e pegar uma lista telefônica com ela.
– Mãos ao trabalho! – ri enquanto Tanya mexia no celular.
Alguns pais concordaram e outros nem tanto. No fim, tínhamos cinco crianças que iriam ao jardim da escola, sendo elas: James, Angela, Kim, Tyler e Paul. Pedi para que levassem alguns desenhos para o funeral de Bob e para Summer. Aproveitei a lista telefônica cedida pela diretora e busquei o número do celular de Dr. Masen, quer dizer, Edward.
Olhei aquela sequência numérica por alguns instantes até tomar coragem e ligar para ele. Será que eu estaria atrapalhando? Demorou alguns toques para atender e a voz rouca me causou calafrios desconhecidos.
– Edward Masen.
– Dr. Masen, aqui é Isabella Swan, lembra-se? Desculpe incomodar, mas queria avisá-lo que estou indo para o jardim da escola e que logo o funeral de Bob acontecerá. Poderia preparar Summer? Estou levando meu tablet m para filmar o acontecimento. Qual o seu Skype para conectar na hora do funeral?
Escutei um suspiro.
– Sim, me lembro de você, assim como me lembro de ter pedido para me chamar de Edward. – riu suavemente. – Summer já está preparada há tempos. Ligue-me assim que chegar lá, está bem? Meu Skype é EddieCM.
– Claro, Edward. Já anotei, o meu é BellsMarie – falei vermelha. – Como ela está
– Está bem, na medida do possível. Acho que nem ficará até amanhã, depende de como vai ser a tarde dela de hoje.
– Oh sim, entendo. Depois do funeral posso visitá-la? – perguntei nervosa. E se negasse? Summer era tão importante para mim.
– Quando você quiser, já deixei seu nome na recepção.
Meu coração bateu mais forte, só por ter feito isso por mim. Qualquer pessoa normal acharia esquisita a forma com que tratava minha aluna, mas Dr. Masen não via problemas com isso.
– Obrigada – suspirei aliviada.
– Disponha. Agora preciso ir, estão me bipando. Mais tarde te vejo.
– Até mais.
Desliguei, mal acreditando na minha atitude de adolescente. Minhas bochechas estavam coradas, como se tivesse sido pega no flagra em uma situação inapropriada, o coração trepidava alucinado, as mãos levemente tremiam. Cada célula ansiosa de meu corpo queria vê-lo hoje. Queria tocá-lo novamente. Queria escutar a voz dele... Voz essa que me lembrava de algo, mas não sei o quê. Era gostoso estar apenas na presença dele. E, ainda por cima tinha minha menina. Summer, a garotinha que tinha meu coração em seus dedinhos.
Não sei o porquê dessas sensações. Não sei porquê meu corpo reconhecia o de Edward, se nunca o tinha visto antes. Seria o destino pregando peças e me mostrando o que o futuro me espera?
Atração física era normal. Sentia isso por Mike, mas essas emoções loucas e desenfreadas... Elas são diferentes para mim. São irreconhecíveis, pois nunca as senti. Ou será que senti? Bem, tem muita coisa anterior ao meu acidente que eu não me lembro, e quando lembro, são flashes borrados e embaçados. Nada muito anormal.
Arrumei as coisas necessárias para levar ao jardim, além de pegar o que tinha prometido a Summer – o livro do Peter Pan. Escutei minha porta sendo batida por Tanya e logo a abri, saindo por ela e a trancando.
– Tanya, já vai? Me dá carona? Minha picape ficou no estacionamento da escola.
– Era isso o que eu vim fazer, oferecer meus serviços de motorista – riu, prendendo o cabelo em um coque. – Tem problema a senhora minha mãe ir conosco? Ela quer levar limonada para as crianças.
– Ou conversar com os pais delas – comentei, descendo as escadas cuidadosamente. – Charlotte sempre é bem-vinda, Tanya, nem sei por que pergunta.
– De qualquer jeito, ela já está no carro – deu de ombros.
Ri, balançando a cabeça, quando cheguei ao carro de Tanya e vi Charlotte passando batom rosa-choque nos lábios carnudos.
– Hey, Bella! Fiz a limonada!
– Bom – entrei no carro e prendi o cinto de segurança. – Está bonita hoje, Char.
– Estou bonita sempre, baby. – fez um biquinho para mim, caindo na gargalhada logo depois
Não demorou muito e já estávamos no jardim da escola. Fiquei com uma apreensão de vir e recordar das chamas de ontem, mas fiquei aliviada quando nada além de pena me cercou. Fui direto para aonde as crianças estavam com seus pais, embaixo de uma grande árvore e sua sombra.
– Olá, crianças.
– Srta. Swan! – gritaram, correndo e me abraçando.
Abracei a todos e beijei cada bochecha rechonchuda. Cumprimentei os pais e voltei-me para meus alunos.
– Então, meus amores, a amiguinha de vocês, Summer, está internada desde ontem, mas passa bem. Quando ela soube que o Bob poderia ter morrido, implorou para que fizéssemos um funeral adequado ao mascote de vocês. Será simbólico e ainda farei um vídeo para que Summer possa ver tanto o funeral quanto vocês. Tudo bem?
– Nós veremos Summer? Todos nós?!
– Sim, Angela, todos vocês.
– Ela está machucada? O fogo era muito muito muito alto! – demonstrou Paul, erguendo os braços e pulando.
– Ela está bem, queimou um pouco as mãos, mas já está sendo cuidada.
– Srta. Swan, eu trouxe desenhos para Bob e para Summer – disse Kim, mostrando as duas folhas nas mãos. – Tem mais no carro da mamãe.
– Oh! Ela ficará muito feliz, Kim. Deixe-me vê-los.
Kim – uma garotinha de cabelos encaracolados castanho-escuro e sardinhas no nariz – entregou-me os desenhos. Em um deles, era a gaiola de Bob, um sol grande e pingos de chuva. O porquinho da índia estava pintado de verde e tinha olhos vermelhos. Já o de Summer, era um grande coração com glitter espalhado por toda a folha, dentro do coração, tinha duas meninas de cabelo marrom, mas uma tinha olhos verdes e a outra tinha olhos vermelhos. Estava escrito "BF 4EVER".
– Uau, são lindos! Parabéns, Kim! – sorri, dando-lhe um beijo no topo da cabeça. – Summer amará seu desenho, assim como Bob.
– Obrigada, Srta. Swan – abriu um sorriso orgulhoso. – Viu que nos desenhos, meus olhos e os do Bob são vermelhos? Eu amo essa cor! Mas estava em dúvida, se pintava de vermelho ou de roxo. Ficou bom mesmo?
– Ficou maravilhoso, está perfeito assim.
Ela assentiu, dando espaço para que Tyler chegasse mais perto de mim e correu para onde Charlotte estava distribuindo limonada.
– Também fiz desenhos! Será que vão gostar, Srta. Swan?
– Tenho certeza que sim, Tyler.
– Legal! – falou e saiu correndo.
Eu estava arrumando os desenhos que tinha recebido, tanto os do porquinho da índia quanto os de Summer. Todos tinham trazido e agora estavam bebendo a limonada. Arrumei embaixo da árvore uma pedra grande e bonita e escrevi de esmalte preto "Bob – O mascote mais amado". Pelo o que tinha descoberto, Bob já tinha sido jogado fora, então seria mais um memorando que um funeral. Chamei as crianças de volta e liguei meu tablet, conectando ao Skype. Virei para mim e comecei a falar, quando na tela, apareceu a garotinha mais linda do mundo com um sorriso imenso.
– Hey, Summer, nós estamos aqui para fazer o funeral de Bob e dar oi a você. Crianças, digam oi à Summer!
– Oi, Summer! – gritaram, balançando as mãos para a tela, quando virei meu tablet para elas. – Estamos com saudade!
– Oi Kim, oi Tyler, oi Angela, oi Paul, oi James! Também estou com saudade! – os olhinhos dela brilhavam. – Papai me disse que talvez eu vá embora hoje.
– Tomara! Não é legal ficar em hospitais – James sorriu. – A gente fez desenhos para você!
Então, cada um mostrou os desenhos deles.
– Obrigada, são muito bonitos! Eu também fiz! Olha! – exclamou eufórica, mostrando várias folhas desenhadas para a câmera que ficou torta por um momento. – Papai, pare de mexer, emtá/em torto. Isso, agora ficou bom. – ergueu o polegar para o pai dela. – Fiz um montão de desenhos, um mais bonito que o outro. Tem para todo mundo e até para a tia Gianna, mas vocês não a conhecem... Ela é médica, sabe? Ah! Srta. Swan, fiz um especial para você! Papai falou que era o mais lindo e quer saber? Ele emtá/em certo. Ele é digno de princesas! Tem você e eu. Quer ver?
Assenti para a câmera, mostrando o meu real desejo em ver algo que ela fez para mim. Os desenhos que fazia para mim sempre me tocavam e com esse não seria diferente.
Summer procurou entre as folhas nas mãos dela até pegar uma e levantar para a câmera. Era um campo com várias flores e um sol brilhante. Tinha uma casa e um cachorro, eu estava em pé com um vestido azul e o cabelo marrom, uma mão cheia de flores e na minha outra mão segurava os dedos de Summer, que era menor que eu, usando um vestido amarelo e o cabelo também marrom. Nós duas espelhávamos o mesmo sorriso.
– Nossa! Que lindo, Summer! – limpei as lágrimas que escorreram de meus olhos. – Amei! Muito obrigada, meu anjo. Quando eu for te visitar, vou enchê-la de beijos!
– De nada! – sorriu docemente. – Aqui você está segurando minha mão depois de eu te dar essas flores – começou a explicar o desenho, apontando para cada parte em que ela falava. – Esse é o cachorro que um dia eu vou ter e o nome dele vai ser Toddy. Ele não é bonitinho?
– É lindo – concordei.
– Então, tem a casa e o papai não sabe, mas ele está dentro da casa cozinhando o almoço. Srta. Swan, meu papai faz o melhor macarrão com queijo do mundo!
Meu rosto pegou fogo.
– Summy – escutei o timbre rouco a repreendendo.
– Desculpe, papai – disse envergonhada. – Esqueci.
Nós todos conversamos com Summer mais um pouco e depois fomos fazer o nosso funeral. Cada um colocou o desenho deles no "túmulo" do porquinho da índia e prestamos nossas condolências, falando o quanto ele foi um bom amigo e companheiro. Depois nos despedimos de Summer e desliguei o Skype.
– Obrigada por trazerem eles – agradeci aos pais. – Isso os fizeram bem.
– Sim, foi ótimo. Angela precisava perder o medo de voltar à escola. Ela teve pesadelos essa noite. – disse o pai dela.
– Exatamente – assenti enquanto abriam a porta do carro. – Tenham um bom dia!
A maioria foi indo embora depois de me beijarem e me abraçarem. Recolhi todos os desenhos de Summer com a ajuda de James.
– Bella, que ideia maravilhosa essa. Foi incrível manter as crianças alegres perto da escola depois de um grande trauma. É por isso que te admiro.
– Foi Summer quem a teve, Mike. Não posso levar o crédito – pisquei para ele e sorri. – Você sabe que dia a escola volta?
– Daqui duas semanas. Vão tentar reconstruir a ala leste.
– Entendo – suspirei, coçando minha nuca. – Agora preciso ir. Vou visitar Summer.
– Diga a ela que desejo que melhore logo. Mande um beijo também. Um meu e um de James.
– Está bem – revirei os olhos. – Que Edward não escute quando eu mandar os beijos que você pediu, aquele homem tem cara de ser um pai muito ciumento.
– Edward, é? – arqueou uma sobrancelha. – Estão tão íntimos assim?
Fitei os olhos azuis de Mike, indignada por escutar o ciúme escorrendo pela voz dele. Nós éramos apenas bons amigos, nunca dei chances a ele e agora me trata como se eu fosse qualquer uma que se oferece a um pai de uma aluna?
– Mike, não vai por esse caminho – o repreendi. – Sabe que sou profissional.
Mesmo que por dentro eu queira cheirar o hálito de Dr. Masen direto da fonte.
– Desculpe, Bella – abaixou a cabeça constrangido. – Foi sem querer.
– Só não faz mais isso.
Ele assentiu.
Despedi-me deles, de Tanya e de Charlotte, e aproveitei que minha picape estava no estacionamento e comer algo. Minha barriga roncava na maior cara de pau. Parei em uma lanchonete qualquer e me alimentei, esperando dar a hora da visita, para depois seguir até o hospital.
Quando entrei no hospital, fui à recepção e recebi um adesivo digitado "visitante – pediatria". Sorri para a recepcionista antes de fazer meu caminho até o elevador. Levou algum momento até abrir as portas para o andar da pediatria, onde parei. Caminhei pelo corredor e bufei quando vi Victoria me encarando com uma cara nada amigável.
– Boa tarde, Victoria. Estou indo visitar Summer, está bem? – mostrei, educadamente, meu adesivo.
– Morra – ouvi o resmungo dela e rolei os olhos antes de abrir a porta que me separava de minha menininha.
Entrei no quarto e vi que a cama dela estava vazia, mas as coisas de Summer ainda estavam no sofá reclinável.
– Pronto, agora você está cheirosa para a ma... – a voz de Edward travou quando me viu. Estava saindo do banheiro com uma Summer ao lado dele, ela tinha os cabelos lavados e usava um vestido florido amarelo, como o do desenho. Não usava mais o inalador. – Oh, você já chegou – sorriu aquele maldito sorriso torto. – Estava dando banho nessa princesinha aqui.
– Srta. Swan! – gritou e eu fui até ela, agachando-me e abraçando-a fortemente. – Você veio mesmo!
– Eu disse que viria – beijei-lhe ambas as bochechas. – Olha o que eu trouxe – mostrei-lhe os vários desenhos. - Também trouxe isso aqui, lembra que prometi? – entreguei-lhe o meu amado livro de infância. A boca dela abriu e fechou como um peixinho, então uma lágrima escorreu pelo canto dos olhos.
– Eu amei. Muito obrigada, Srta. Swan. – fungou, abraçando-me mais apertado.
Acariciei os cabelos dela, sentindo o cheiro delicioso deles. Meu coração se enchia cada vez mais por aquela menina.
– Você pode ler para mim? – perguntou assim que desapertou o abraço, olhando nos olhos. – Por favor, por favor, por favor?
– Claro! – sorri, levantando-me.
Fitei o pai de Summer que estava com os olhos avermelhados e procurava limpá-los. Ele percebeu que eu o peguei em um momento frágil e apenas dirigiu a mim um tímido sorriso.
– Preciso atender uma paciente, volto mais tarde – murmurou após beijar a testa da filha e minha bochecha.
Só ouvi o barulho da porta se abrindo e se fechando.
Meu corpo ainda estava congelado no lugar, sentindo o formigamento na minha bochecha esquerda. Meus olhos não piscavam. Minha boca estava seca. Meu coração galopeava furiosamente. Minhas pernas amoleceram e por pouco não caí no chão.
– Está toda vermelha, Srta. Swan – ouvi Summer dizendo. – Passou muito blush? Minha madrinha sempre passa blush!
Respirei fundo duas vezes tentando me acalmar.
– Não, princesa, é que qualquer coisinha me deixa vermelha – respondi, levando-a para a cama – Já almoçou?
– Sim e também comi minha sobremesa. Estava muito gostosa!
– O que era?
– Gelatina de morango – sussurrou. – Sabe, acho que aqui só tem gelatina de sobremesa, mas não ligo não porque amo gelatina bem geladinha.
Sorri abertamente, procurando sentar ao lado dela na cama. Summer encostou-se em meu peito, pedindo para que eu começasse a ler Peter Pan para ela. Meu braço circundou o corpo magro e pequeno enquanto com a outra mão eu abria o livro.
– Todas as crianças crescem, menos uma. Você sabe o nome dela?
– Peter Pan! – soltou um risinho. – Acertei?
– Oh, como você é uma garotinha inteligente! – fiz cócegas nas costelas dela e Summer se contorceu, puxando a agulha do braço. – Calma, calma. Tem que ter cuidado, Summer, senão machuca seu braço.
– Eu me esqueci – o rosto de Summer ruborizou.
– Hey, você está tão vermelha quanto eu estava – belisquei o nariz dela. – Só tenha cuidado, está bem? – ela assentiu. – Vou começar a ler.
Comecei a ler para ela e fazer vozes diferentes para cada personagem. Ela ria gostoso se apertando mais a mim. Eu estava na parte em que Wendy decide ir para a Terra do Nunca, quando a porta se abriu.
Um homem entrou com um urso de pelo marrom enorme, levantado para esconder o rosto. Balançava o urso e dizia:
– Olha o que o padrinho trouxe para a menininha mais linda do mundo! Um ursinho bem grande!
– Tio Jazzy! – gritou animada.
O homem abaixou o urso, o sorriso que tinha nos lábios diminuiu até transformar-se em uma linha e depois abriu a boca e ficou com ela aberta por um longo tempo. Os olhos esbugalhados, o urso caído no chão.
– Tio Jazzy, meu ursinho caiu! – repreendeu Summer, brava pelo descuido do tio.
O tal Tio Jazzy pareceu acordar de algum sonho estranho e buscou o urso do chão, limpando alguma poeira invisível. Foi muito estranho o que aconteceu. Estou quase me perguntando se nesses últimos dias fui transportada para um planeta similar ao meu.
– Hey, Summy – deu um riso baixo. – Não sabia que estava... er... com visitas.
– Oh! – levantei-me, sentindo até minha alma ficar corada. Puxei o ar entre meus lábios e ergui uma mão para o homem à minha frente. – Desculpe, sou Isabella Swan, professora de Summer. Enquanto o pai dela trabalha, fico aqui passando um tempinho com ela.
– Hmm... Jasper Whitlock – pigarreou confuso. – Então o pai dela sabe... que você está aqui?
– Claro que papai sabe, Tio Jazzy! Agora traz aqui meu ursinho.
O homem de cabelo cor-de-mel com suaves cachos engoliu em seco antes de andar alguns passos até estar perto o suficiente de nós duas.
– Alice e eu compramos em Paris para você – entregou o urso. – Que nome você vai dar para ele?
Summer ficou pensativa, encarando o urso marrom com um laço verde no pescoço. Ela virou o urso de pelúcia de todos os lados até achar um nome adequado.
– Já sei! – sorriu brilhantemente. – Vai se chamar Nemo.
– Nemo é nome de peixe, não de urso. – Jasper disse.
– Eu gosto de Nemo – murmurou com o cenho franzido. – Por que não pode ser Nemo?
– Nemo é o peixe-palhaço, emSummy/em – tentou explicar. – Se quer colocar um nome de desenho, coloque Koda, que é um urso.
– Srta. Swan, posso colocar o nome do meu ursinho de Nemo? – perguntou para mim, fazendo um biquinho fofo.
Não tem nem como explicar a lógica do Jasper.
– Você pode o que você quiser, Summer.
– Viu, Tio Jazzy? Se a Srta. Swan disse que posso, então posso – ergueu o queixo. – Nemo Masen, meu ursinho de Paris.
Nesse momento a porta se abriu novamente, mostrando uma mulher baixa, de cabelo repicado negro e olhos da cor dos cabelos de Jasper. Ela era delicada e bonita, além de ser bem sofisticada. Com certeza, se a minha mãe a conhecesse, se ajoelharia na frente dela e imploraria para que fosse minha amiga. Só por causa dessa primeira impressão, não me simpatizei com ela.
– Aquela Victoria, pelo amor de Deus – resmungou enquanto passava as mãos pelo pescoço. Ela olhou para Jasper, depois para Summer e eu. O corpo dela paralisou como o de Jasper tinha ficado. As sobrancelhas arquearam-se e então, um riso como sinos escapou dos lábios pequenos e glamorosos. – Nossa!
Franzi o cenho para a atitude estranha daquelas duas pessoas que nunca vi na vida. O que eles tinham? Pareciam surpresos com alguma coisa, mas eu me sentia fora do pacote, sem entender o que estava acontecendo.
Novamente a porta se abriu – que seja pela última vez, por favor – e Dr. Masen entrou segurando uma prancheta. Ergueu os olhos e encontrou a nós quatro no quarto, e nós o encarávamos de volta. Lentamente lambeu o lábio inferior que estava ressecado, depois respirou fundo, colocando um sorriso no rosto. Nos olhos dele não havia mais vestígios de choro.
– Alice! Jasper! Não queria ter atrapalhado a lua de mel de vocês.
– Você acha mesmo que nós ficaríamos sabendo que a pequena Summer estava no hospital e não voltaríamos no voo mais cedo disponível? – Alice perguntou com um pouco de irritação. – Aliás, nós temos muito o quê conversar, não acha, Edward?
– Com toda a certeza temos que conversar! – chiou Jasper.
– Er... – tossi, chamando a atenção deles. Todos aqueles pares de olhos em mim. Bem, aquilo foi desconfortável. – Como Summer tem novos visitantes, acho que já vou indo.
– Ah, não! Srta. Swan, fique aqui – pediu minha aluna. – Quero que leia mais para mim. Peter Pan e a Sininho são emtão/em demais!
Suspirei e beijai-a no rosto, o que ocasionou em um beicinho de desapontamento.
– Princesa, preciso ir mesmo. Meu irmão deve estar chegando da escola agora e ele não sabe fazer nada além de pipoca de micro-ondas. Não posso deixá-lo morrer de fome, não é?
– Tudo bem – sussurrou acanhada. – Lê pra mim depois?
– Claro – assenti e sorri. – Seu pai já tem meu número, qualquer coisa que você precisar, pode ligar para mim, está bem?
– Você não deveria ter dito isso – murmurou Edward, chamando minha atenção para ele. – Ela vai ligar de cinco em cinco minutos.
Desviei os olhos dos dele para voltar aos dela. Pelo brilho esperançoso, sabia que era o que mais desejaria fazer. Não vou matar as expectativas de uma criança, ainda mais essa criança sendo Summer. Nós já criamos um vínculo, mesmo que seja algo louco. Se ela quer falar comigo, então que fale comigo.
– Não tem problema – entreguei o livro para ela. – Você pode me ligar quando quiser, Summer. Vou amar conversar com você.
– Eu também, Srta. Swan! – exultou em júbilo. – Vou amar cada minutinho de cada ligação! E farei muitas muitas muitas!
– Fique à vontade – abracei o corpinho dela mais uma vez antes de me despedir. – Te vejo em breve, querida.
– Em breve! – concordou.
– Foi bom conhecer vocês dois, e Edward, qualquer coisa... já sabe – ele assentiu com os olhos verdes me hipnotizando. – Tchau.
– Tchau – responderam todos em uníssono.
A última coisa que vi antes de fechar a porta, foi Alice pulando e dando um gritinho agudo. Que mulher doida! Ainda bem que saí daquele quarto, minha cabeça já estava dando novos sinais para as malditas dores que sempre me acompanhavam.
NOTA DA AUTORA:
Esse capítulo é um dos que mais amoooo! Bella tá perdidinha hahahaha Bem, aqui dá para saber o que aconteceu com ela, mas não o motivo (que só vai aparecer no cap cinza). Podem comentar que vou adorar cada pensamento de vocês! Se tivermos lindos comentários, volto rapidinho!
