CAPÍTULO 8

Paixão incontestável (2.090 palavras)

Eles caminhavam rapidamente pela rua, Arthur absorvia, em golfadas frias, o ar da noite londrina aproveitando a cálida companhia de Merlin, suas mãos aquecidas e unidas, em uma promessa velada, secreta e ostensiva, ele sorria para si mesmo, nem acreditando que enfim estavam se dirigindo para o seu flat, acompanhado por... Merlin, aquele pelo qual ele ansiou durante semanas enlouquecedoras.

Arthur sorria deliciado por ver as orelhas coradas de Merlin, ele se deixou arrastar pela mão e fingiu ficar para trás a fim de absorver o cheiro de Merlin em uma profunda e lenta respiração, lambeu os lábios e inspecionou as costas de Merlin, ombros construídos sob a jaqueta escura, traseiro agradavelmente delineado nas calças jeans escuras, a nuca exposta fez a virilha de Arthur latejar adoravelmente, ele fechou os olhos com força, tentando combater a antecipação.

Quando Merlin se virou, ainda segurando a mão de Arthur, ele se deparou com o loiro de olhos cerrados, lábios úmidos e comprimidos, as maçãs do rosto evidentemente rosadas sob a luz amarelada de um poste, a imagem em si era algo aniquilador. Como ele poderia não notar o quanto Arthur era insuportavelmente sedutor?

Com passos rápidos dobraram a última rua, há alguns metros do prédio de Arthur, cada um extremamente consciente da presença do outro, Merlin não sabia o que fazer, e não havia tempo de pensar em um plano, ele decidiu deixar as coisas correrem ao natural. Mesmo que a perspectiva o apavorasse.

- Chegamos. – Anunciou Arthur puxando sua mão do aperto de Merlin repentinamente. - Então... hum... posso convidar você para um chá? – Arthur sorria brilhantemente, Merlin piscou desconcertado... Deus, Arthur não estava sendo surreal o suficiente para uma noite?

- Ah, okay... Tudo bem. - Disse Merlin enquanto tentava decifrar o sorriso de Arthur. – Vamos lá.

Arthur liderou o caminho através do saguão, depois ofereceu a frente, apontando o elevador para Merlin, assim que o moreno entrou, Arthur o seguiu, um olhar libidinoso e sorriso desconcertante, Merlin passou a língua nos lábios, sentindo o calor o sufocando, os lábios ressecados e o coração acelerado. O elevador parecia pequeno demais para tanta apreensão.

Quando chegaram ao andar de Arthur, ele pescou as chaves no bolso, abriu a porta e permitiu que Merlin entrasse antes, em seguida, Arthur fechou a porta, deu alguns passos pelo corredor guiando Merlin, girou em torno de si mesmo e olhou para o moreno.

- Meu castelo. – Ele disse simplesmente, e em dois passos estava diante de Merlin, o moreno podia ver nitidamente cada cílio caramelo, a íris uma fina faixa de azul límpido, e a pupila dilatada ao máximo, em um instante a boca de Arthur grudou na dele, quente, úmida e macia, a língua exigente forçando passagem.

Quando Merlin experimentou a textura e o calor do beijo de Arthur, ele sentiu os últimos pensamentos coerentes diluindo em seu cérebro, a insegurança vazou até à última gota, escorrendo juntamente com todos os seus pensamentos coerentes, o ar estava tomado do cheiro de Arthur, o corpo de Merlin sentia o calor do loiro, e aos seus ouvidos chegava o som da respiração fracamente arquejante dele.

Merlin saiu da estagnação, e, ao dar por si estava pressionando Arthur contra a parede; juntou as mãos do loiro e as segurou no alto da cabeça dourada, o beijou furiosamente e com a mão livre apalpou com luxúria o volume evidente nas calças jeans do loiro. Arthur gemeu e seus lamentos foram engolidos por mais beijos que Merlin distribuía avidamente, ele soltou as mãos do loiro e colocou as suas próprias na barra da camiseta preta, ainda assaltando a boca de Arthur com pressa ardente.

A mente de Arthur naufragava num mar de fogo, ele lutou para se libertar e sair da pressão contra a parede, mas desistiu, Merlin era mais forte, ou apenas, inacreditavelmente mais determinado. Arthur gemia entregue enquanto Merlin abria o zíper das calças jeans e a empurrava até os joelhos, ele explorava delicadamente o conteúdo inchado e flamejante que Arthur escondia em uma boxer branca. Arthur sentiu Merlin deslizando e quando os lábios carnudos foram ao encontro do seu pênis, Arthur chorou de excitação.

Merlin beijou a cabeça, e lambeu todo o comprimento glorioso que Arthur ostentava descaradamente. Pressionou uma mordida suave na coxa tão bem torneada, pressionou o rosto e aspirou profundamente o cheiro tão novo e confortável, pensou por um momento que estava louco, mas que a loucura era doce e ele era viciado em doces. Ergueu o rosto e vislumbrou o olhar turvo de ansiedade do loiro, as pálpebras semicerradas e a boca formando um lamento mudo. Merlin beijou a ponta do pênis, puxou o prepúcio para trás e afundou-o até a garganta, a extremidade do membro pulsava contra o céu da sua boca, e mais do que isso a sensação inquestionável de Arthur segurando firmemente seus cabelos, puxando e sussurrando palavras de incentivo, uma prece incendiária que Merlin jamais esperava ouvir.

Ele interrompeu o trabalho glorioso de chupar Arthur insanamente, se pôs de pé, e o puxou pela mão.

- Se você quiser... bem, o chá ainda pode ser providenciado... – Arthur fitou Merlin, um pouco de saliva tornando os lábios macerados brilhantes e ainda mais tentadores.

- Foda-se a porra do chá! – Respondeu Arthur, ele guiou Merlin até o final do corredor, o moreno aceitou ser conduzido e ao entrar pela porta, Arthur o beijou vorazmente, experimentando o novo, e bombástico, gosto que havia ali, e comprovando que não tinha tempo a perder.

Arthur beijou o pescoço de Merlin, enquanto acariciava um mamilo sensível, a outra mão já descendo da cintura, escorregando viciosamente para dentro das calças do moreno, ele encontrou o pênis latente e deu um aperto glorioso na base enviando um choque de prazer que fez o coração de Merlin perder uma batida, o loiro lambia a orelha de Merlin de forma selvagem, o desejo engolindo a ambos como se fosse uma onda impetuosa e atroz.

Merlin o empurrou para a cama, libertando-o definitivamente das calças e da boxer branca, Arthur já chutara os tênis e as meias em algum lugar da sala. Merlin o cobriu com o próprio corpo, o beijou, cultuando a beleza concreta e magnífica de Arthur. Ele parou apreciando toda a excitação que tomava seu corpo, esfregou seu membro negligenciado nas coxas de Arthur e obteve em resposta uma súplica murmurante. Arthur ofegava abaixo dele, tesão puro na essência, exalando de cada poro existente, Merlin sorria pateticamente, se sentindo tão excitado e admirado quanto Arthur.

- Mer-lin... será que vou ter que implorar... pelo amor de Deus, faça algo! – Arthur cuspiu as palavras, altamente arrogante, Merlin estava inseguro apesar de tudo, mas queria aproveitar ao máximo esta oportunidade que poderia nunca mais se repetir.

- Mandão, hein...? – Merlin disse sarcasticamente, a visão viril e potente de Arthur fazendo despertar nele sensações e pensamentos inéditos, até então. - Sim, tudo bem, eu gosto assim... – Ele respondeu mordendo o lóbulo da orelha de Arthur e deslizando a língua numa trilha cálida em direção ao pescoço, uma sensação nova de poder tomando conta de todo o seu interior.

Merlin tocou Arthur novamente, e o loiro dobrou os joelhos num pedido silencioso, Merlin engasgou de surpresa, insegurança se dissipando em expectativa, ele escorregou brandamente a língua no pênis, depois a arrastou até o períneo e atingiu o ânus de Arthur, lambeu e beijou, fazendo-o gritar ansioso. Merlin se ergueu sobre Arthur, mantendo a mão direita segurando uma nádega, um dedo roçando promissoramente no buraco rosado.

Arthur gemia, entregue, extasiado e perdido nas sensações que lhe eram enviadas. Os dedos de Merlin o deixando cada vez mais louco e os beijos sacudindo sua mente de forma intolerante. Ele sussurrava implorando, ele ordenara Merlin a tomá-lo, então por que o idiota simplesmente não fazia nada?! Arthur não passava de um amontoado de membros suplicantes, enquanto Merlin já o tocava com um terceiro dedo. Arthur viu estrelas quando Merlin atingiu um ponto extremamente sensível dentro dele.

- Foda-se Merlin... eu quero você... dentro de mim... – Arthur ofegava - agora porra!

- Eu não sou seu servo Arthur...

- Cale a boca e fode, Mer-lin – cruzando os pés por trás da cintura de Merlin, Arthur o puxou contra si, forçando a cabeça do membro nu e inchado do moreno, a cutucá-lo deliciosamente. -, vamos lá poooorra!

Sorrindo, Merlin esticou a mão e abriu a gaveta do criado-mudo, tirou um preservativo e o abriu desajeitadamente, desenrolou-o ao longo do próprio pênis e posicionou-se na entrada de Arthur.

- Arthur, você tem cert...

- Vamos, Merlin! Vamos caralho... – Arthur dizia sem fôlego - porfavorporfavor...

Merlin o penetrou lentamente, arqueando o corpo sobre o loiro, Arthur compunha uma imagem adorável, sexy e arrebatadora, os cabelos, numa desordem completa, suavemente colados na testa devido ao suor recente, a mandíbula rígida, e as faces coradas, ele mordia o lábio inferior e apertava os ombros de Merlin dolorosamente, Merlin se inclinou e beijou Arthur para calar as ordens desleixadas e os lamentos ininteligíveis.

Arthur se perdia na emoção gigantesca que ameaçava estourar em seu peito, a corrida emocionante do sangue pulsando dentro dele, Merlin preenchendo todos os espaços que antes Arthur nem sabia que estavam vazios. Espaços que Arthur estava guardando para Merlin. A constatação contundente se fazendo presente.

Sorrindo e observando Arthur, Merlin investia ternamente, girando levemente o quadril, um ritmo crescente, ora controlado, ora alucinante, ele empunhou o pênis de Arthur e concretizava uma imagem devassa, os cabelos negros selvagens e maçãs do rosto afiadas, ele era todo graciosidade e petulância. Arthur estava tão próximo do orgasmo, que até seus pensamentos se tornaram incoerentes. Ele apertou a cintura de Merlin, enquanto este acelerava seus movimentos, investindo impetuosamente, manipulando o pênis de Arthur e jogando seu próprio quadril contra o traseiro delicioso do loiro.

E então aconteceu, o orgasmo os atingiu como um raio em uma noite de tempestade, iluminando e queimando a ambos de forma incisiva. Arthur gozou longamente, finos fios perolados aterrissaram no peito de Merlin e escorreram na própria virilha, enquanto Merlin o beijava ferozmente, então ofegantes, eles sentiam o poder do clímax que os arrebatava instantaneamente.

E desmontaram. Merlin retirou lentamente o membro de dentro de Arthur, deu um nó na base do preservativo, o descartando calmamente, caiu para o lado, olhando intensamente para o teto. Depois de alguns instantes, Arthur o surpreendeu.

- Fantástico. Incrível, Merlin... woow! Foi definitivamente muito melhor que qualquer imaginação... – Ele falou, passando uma toalha no peito de Merlin e no próprio corpo, onde descansavam as provas do seu momento magnífico.

As bochechas de Merlin arderam de timidez, ele voltou o olhar para o loiro em tom de súplica, era estranho o suficiente tê-lo ali, mas era demais receber elogios... ainda era inacreditável... Arthur Pendragon... de todas as pessoas... Merlin lambeu os lábios, e escondeu o rosto na curva do pescoço de Arthur, se aconchegando no peito forte do loiro.

Arthur beijou os cabelos escuros, ternamente, pensando em quanto tempo ele perdera, se perguntando onde este homem esteve durante toda a sua vida...

- Fique esta noite comigo... – Arthur disse, ainda enlevado pela emoção, não poderia se imaginar sem Merlin, ele se sentia completo agora, e não admitiria que nada estragasse esse momento.

Merlin observou Arthur longamente, as feições dolorosamente ilegíveis para Arthur, ele se aproximou e passou o polegar nos lábios do loiro, retirou o cabelo da testa e beijou-o, arrebatadoramente, e por um infinito momento o mundo de Arthur se reduzia ao hálito quente, lábios molhados, a língua insistente, e a boca de Merlin, ele sorveu tudo o que Merlin oferecia, reconhecendo a sua paixão incontestável naquele momento, ainda mais inegável do que jamais fora. Ele abraçou Merlin, perdido no cheiro de pinho e desejo que se espalhava a partir dos cabelos escuros, e adormeceu.

- X -

No quarto confortável, a claridade ainda era parca e um frio se espalhou rapidamente pelo corpo descoberto de Arthur, ele esticou o braço para o lado e sentiu um vazio cru, ele tentou empurrar goela abaixo todo e qualquer sentimento de decepção ou dor. Raciocinou por alguns instantes ponderando que não havia motivo para Merlin ter ficado, se ele não se sentia a vontade.

Ele virou para o lado e encarou o lugar ainda amassado onde Merlin estivera momentos antes, abraçou desajeitadamente o travesseiro e viu um bilhete escrito com a letra corrida de Merlin:

Arthur,

Sinto muito, um amigo muito importante chega

hoje na cidade, e preciso estar em casa cedo.

Tenha um ótimo dia,

Merlin

Arthur enfiou o rosto no travesseiro e tentou penosamente não se sentir rejeitado ou abandonado.