Capítulo 08

Na casa de Eileen

Eles acordaram cedo e logo depois do café seguiram para as carruagens que os levariam até a plataforma de Hogsmead.


6 horas depois chegavam à King's Cross.

Eileen esperava ansiosamente por eles na plataforma 9 ¾.

"Florence deve estar tão linda."

E de longe ela reconheceu os cabelos negros de seu filho – que vinha de mãos dadas a uma cascata de cabelos marrom-dourados, acompanhados de olhos verdes escuros e um sorriso estonteante.

– Severus e Florence!

E ela correu para abraçar o filho e a afilhada.

– Madrinha! – exclamou Florence.

– Oi, mãe.

– Por Merlin, querida, você está tão linda! – Eileen olhou para os dois. – Mas o que significa essas mãos entrelaçadas?

– Bem, mãe, é que... nós estamos juntos. – disse Snape.

– Namorando?

– Sim, madrinha. – confirmou Florence.

– Sua mãe deve estar se divertindo muito lá do céu! – riu Eileen.

– Por que? – perguntou Florence.

– Vamos indo que eu conto em casa. Segurem-se em mim.

E eles aparataram.


A casa de Eileen não era luxuosa ou mas era muito bonita. Era uma casa comum de dois pisos. Eileen fazia o que podia para mantê-la com jeito de lar.

– Flor, você pode colocar suas coisas no meu quarto. – disse Eileen.

– Eu não quero incomodar, madrinha.

– Nem ouse repetir isso, querida. Essa casa não é muito grande, portanto, você ficará comigo, no meu quarto.

– Mas eu posso dormir no sofá da sala e Florence fica com meu quarto, mãe. – disse Snape.

– Meu querido, não precisa. – disse Eileen.

– Eu insisto. – Snape olhou para namorada.

– Eu aceito, então. – respondeu Florence.

– Certo, certo. Então, vamos jantar? Vocês devem estar mortos de fome. – disse Eileen indo pra cozinha.

Na cozinha, Tiffany já tinha o jantar pronto.

– Oi, Tiff.

– Mestra! – guinchou a elfa, indo abraçar as pernas de Florence.

– Ela não lhe incomodou, madrinha?

– Mas que incomodar que nada! Estou é ficando mal acostumada. Vou acabar economizando para comprar um elfo pra mim!

Os três sentaram à mesa.

– Mal posso expressar minha felicidade em ter você aqui, Florence. A última vez que te vi, você tinha 7 anos!

– Eu também estou muito feliz em tê-la reencontrado, madrinha.

– Mas, me contem! Vocês estão juntos! Como foi isso? Desde quando? – quis saber Eileen.

– Oficialmente, desde ontem, mãe.

– Ah! Os bailes! – exclamou Eileen, rindo. – Sua mãe, Florence, ela deve estar muito feliz por vê-los juntos! Desde que estávamos grávidas, ela já dizia que você e meu Severus ficariam juntos e que seriam abençoados pelo Encantamento.

– Verdade? – perguntou Florence, encantada.

– Sim! Vê-los juntos me faz acreditar que ela está olhando por você, de onde quer que ela esteja. A parte do Encantamento, também é verdade?

– Sim, madrinha. – disse ela, enrubescendo.

– Ops. Então é melhor você dormir no meu quarto, Flor.

– Mas por que, mãe? – estranhou Snape.

– Porque, mocinho, a porta do seu quarto não vai impedir você de entrar nele. – ela o olhou séria. – E, se eu bem me lembro, esse negócio de Encantamento é... forte.

O casal se olhou, sorrindo, envergonhados.

– Aha! – Eileen percebeu os olhares. – Então, eu estou certa. Flor, você dorme no meu quarto.


Os dias passavam muito rápido. O calor aumentava a cada dia. O romance entre Snape e Florence esquentava igualmente. As noites, longas e quentes, esquentavam ainda mais quando, na alta madrugada, ela descia à cozinha, procurando um copo d'água. Sem nunca ter chegado realmente até a cozinha. Sem nem ao menos chegar às escadas. Snape a atacava no corredor, a puxava para dentro do seu quarto, onde eles chegavam ao limite que as roupas permitiam, sempre parando antes de se descontrolarem por completo.


Ela alcançara o corredor escuro. Chegara às escadas. Nada. Ele não estava ali, não esta noite. Desceu até a cozinha. Tomaria sua água e, quem sabe, na volta, ele estivesse ali para... um arrepio percorreu seus corpo ao pensar no que ele lhe fazia sentir.

Acendeu a luz da cozinha, pegou um copo, abriu a geladeira, fechou, serviu-se de água. Um vulto, atrás de si. Um sorriso nos lábios rosados, um arrepio que passou por seu corpo, um calor no baixo ventre. A luz foi apagada. Um corpo quente encostando-a contra a mesa. Um beijo e uma mordida na nuca, indo à orelha.

– Boa noite, Srta. Delacour. – ele ronrronou em seu ouvido.

As pernas dela bambearam. Uma risada abafada em seu pescoço.

– Frio? – perguntou, provocando, e a virou, colando seus corpos.

Os lábios entreabertos dele eram tentadores, um convite ao pecado. Florence o atacou, num beijo estarrecedor, ganhando um gemido rico e profundo dele por sua audácia. Ele tinha o gosto do chá de ervas com gengibre que ele gostava, amargo, forte e sedutor. Não havia nada além de prazer na boca de Severus Snape, e nas mãos, nos cabelos macios, no corpo quente. Nem um milímetro separava seus corpos. Qualquer noção que ainda tinha, ela perdeu quando os dentes dele seguraram seu lábio inferior, sugando-o gentilmente, sensualmente.

Snape a apertou mais contra a mesa, beijando seu pescoço, indo ao colo. E ela quis a boca dele novamente, precisava dele. Ele permitiu que ela lhe tomasse os lábios, agarrada em seus cabelos, movendo-se para longe, o nariz dele acariciando sua bochecha.

– Você. – ele sussurrou no seu ouvido, provocando, com os lábios, a pele do pescoço dela. – Minha. – ele beijou-a até chegar oas lábios novamente, mordendo-lhe o lábio inferior. – Ficou claro?

Florence tomou um fôlego trêmulo, sem conseguir encontrar a voz para responder pois a língua dele desceu para experimentar a pele entre seus seios. Um barulho. Eles se separaram num pulo. Ofegantes, os lábios inchados, os olhos pesados de desejo.

– Acha que sua mãe acordou? – ela murmurou.

– Não, ela tem o sono pesado... – e Snape avançou nela novamente, sentando-a sobre a mesa, ficando entre suas pernas. – Você é tão quente... linda, gostosa. – e ele voltou à linha entre os seios dela.

– Só sua, Sev... – ela jogou a cabeça para trás, deliciada.

A luz foi acesa. Os dois, em choque, se separaram e olharam para a porta, onde uma Eileen, entre furiosa e divertida, os encarava.

– Mãe!

– Madrinha!

– Os dois, subam, agora, cada um em seus devidos quartos, por favor.

Os dois passaram por ela, em direção às escadas. E Eileen agarrou-se à manga de seu robe, para que eles não a ouvissem rindo.


No corredor do andar superior, Snape empurrou Florence de encontro à parede, colando seus corpos violentamente. Um beijo profundo, que acabou tão rápido quanto começou e eles se separaram, cada um seguindo para o seu quarto.


Amanheceu. Um calor infernal. Florence estava sozinha no quarto, Eileen já descera para o café. Ao sair para o corredor, pode ver a porta do quarto de Snape entreaberta. Ela não se conteve e entrou. Ele dormia, destapado, sem camisa, como estava na noite anterior. O quarto tinha o perfume dele, forte. Ela se aproximou da cama dele, sentando na ponta, próximo ao rosto dele. Afastou os cabelos que caíam sobre a face. Passou os dedos sobre os lábios finos que os seus conheciam tão bem.

– Florence? – Eileen estava parada na porta.

Florence se levantou rapidamente da cama dele.

– Me desculpe, eu...

– Não se desculpe, minha querida. Vamos conversar, nós três. – ela se virou para sair, sorrindo. – Acorde Severus e desçam para o café.

Florence voltou até a cama, deitando. Seu coração acelerava só em estar tão perto do corpo dele. Roçou seus lábios sobre os finos entreabertos, sentindo sua respiração quente em seu rosto.

– Sev... acorde.

Ele se mexeu mais de encontro à ela, envolvendo sua cintura.

– Severus. – ela chamou-o no ouvido, beijando-o no pescoço.

– Continue assim e eu jamais sairei dessa cama. – ouviu a voz rouca de sono.

Florence riu.

– Levante, sua mãe quer conversar conosco.

– Bronca? – ele abriu os olhos, preocupado.

– Não, acho que não.

Florence tentou sair da cama, mas ele não afrouxou o braço sobre ela.

– Sev, eu quero sair.

– Quer mesmo? – ele se aproximou mais, colando seus corpos sob as cobertas.

– Não, – ela suspirou, Snape beijava seu pescoço, uma mão em suas coxas. – Eu não quero sair daqui, – ela enroscou as mãos nos cabelos pretos. – Mas sua mãe vai subir e, aí sim, levaremos uma bronca.

Ele parou, a contragosto, e levantou. Florence ficou o observando, mordendo o lábio inferior, inconscientemente.

– É melhor você ir, Flor. Se continuar sentada na minha cama, me olhando assim, eu não respondo por mim.

– Certo. Fui. – ela riu e saiu do quarto.


Tiffany já arrumara a mesa. Eileen estava na janela, onde desenrolava pergaminhos da perna de uma coruja-das-torres.

– Correspondência, madrinha?

– Sim. As cartas de vocês com os resultados dos N.O.M.s e a lista de material para o sexto ano. – ela fechou a janela. – Esta é a sua. Severus já estava acordado?

– Não, mas eu o acordei e ele disse que logo desceria.

– Ótimo. Vamos nos sentar.

Snape chegou à cozinha no momento em que elas se sentavam.

– Filho, sua carta com os resultados dos N.O.M.s.

Ele pegou imediatamente, olhando para Florence que lia uma igual.

– Como foi?

– Tudo Ótimo. E você? – perguntou Florence.

– Tudo Ótimo, também. Até em Runas você foi bem?

– Sim, eu achei que ia mal, mas me enganei!

Eileen estava calada.

– Mãe, você queria... conversar com a gente? – disse Snape, temeroso.

– Sim. – ela ficou séria antes de cair na risada. – Me desculpem... não vou repreendê-los, só quero que tenham consciência do que estão fazendo.

– Não estamos fazendo nada, madrinha.

– Ainda não, Florence. Mas, pelo que eu vi ontem... e pelo que tem acontecido todas as madrugadas no corredor e no quarto de Severus, eu imagino que não demore muito para vocês... não mais se contentarem com beijos e carícias superficiais.

Nenhum dos dois respondeu.

– Não quero que se afastem. – continuou Eileen. – E mesmo que eu quisesse, vocês não conseguiriam se separar... a magia de união entre vocês é palpável, eu pude ver ontem. Apenas, tentem se controlar, não se precipitem.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, até que Snape falou:

– O que acha de um passeio pela vizinhança, agora pela manhã, Florence?

– Acho ótimo! Você me comentou que Lily Evans mora por aqui, poderíamos tentar encontrá-la.

– Lily é adorável, Florence. – comentou Eileen. – Ela costuma vir me visitar nos finais de semana em que meu filho prefere ficar na escola, do que com a própria mãe.

– Ah, mãe, sem drama.

– Um dia, você será pai, aí EU é que vou te dizer para não fazer drama quando SEUS filhos não vierem para casa nos finais-de-semana.


Eles caminhavam sob o sol forte.

– Onde vamos? – perguntou Florence.

– Lily mora no bairro aqui ao lado, Godric's Hollow. Potter também. – respondeu Snape.

– Hm. – ela lembrou do pedido de ajuda dele. – James gosta dela, não é?

– É muito óbvio, não é?

– É. Ele veio falar comigo no baile, lembra? E ele me disse que todo mundo sabia desse amor e que Lily não quer nada com ele.

– Não é bem assim... – sorriu Snape.

– Não?

– Eu conheço Lily desde antes de Hogwarts, Flor, e eu ousaria dizer que ela gosta, sim, do Potter. Só que ele é...

– Metido, arrogante, presunçoso. – completou Florence.

– Isso que você só o conheceu por dois dias.

– Você também é metido, arrogante e presunçoso, e eu amo você. – ela o beijou. – Poderíamos ajudá–los, o que acha?

– Se você quiser. Mas Lily não é fácil de se convencer. – advertiu Snape.

– Nós somos dois sonserinos, ela é apenas uma grifinória. – brincou Florence.


Caminharam umas três quadras, até avistarem um parque.

– Que lindo que é aqui. – comentou Florence.

– Lá está ela. – disse Snape.

Lily, ao longe, estava sentada sob uma árvore com duas outras meninas.

– Não vamos lá agora, a irmã dela, a mais alta, Petúnia, está lá. – disse Snape.

– E o que que tem? – estranhou Florence.

– Ela é uma invejosa. Me detesta. Mas Lily a adora.

– Ok. Vamos esperar.

– O que quer fazer, enquanto esperamos? – perguntou ele.

E ela o olhou, travessa.

– Não lhe parece óbvio? – disse Florence, sorrindo.

– Eu não vou namorar no parque. – ele emburrou.

– Ah, vai sim. Vamos aqui sob esta árvore.

– Tem sombra, pelo menos. – reclamou ele, sentando do lado da namorada.

– Desemburre, Sev. – disse ela, mordiscando a orelha dele.

– Minha mãe está certa. Se nós não nos controlarmos mais eu não respondo pelos meus atos. – disse ele, olhando-a como se fosse um homem faminto e ela um pedaço de carne.

– E quem disse que eu quero que você se controle? – murmurou Florence.

E ele a tomou os lábios num beijo profundo, possessivo.


– Ugh, que nojo! – exclamou Petúnia, ao olhar para o parque.

– O que há, Tuney? – perguntou Lily.

– Olha lá, aquele garoto Snape beijando alguém!

– Então, eles estão mesmo juntos! – Lily sorriu.

– Você conhece ela?

– Florence Delacour, ela veio de Durmstrang para Hogwarts no final do ano, dois dias antes dos N.O.M.s. – disse Lily.

– N.O.M.s?

– É, as provas finais. – Lily se levantou.

– Vai ir até lá? – horrorizou–se Petúnia.

– Claro, Severus é meu amigo, quero conhecer melhor a namorada dele.

– Pois vá sozinha! – e Petúnia se virou, indo para casa.


– Atrapalho? – Lily perguntou ao se aproximar do casal que se beijava.

– Claro que não, Lily. Sente-se. – convidou Snape.

– Você é uma milagreira, garota! – falou Lily para Florence.

– Como assim?

– Em dois dias você fez esse rabugento se apaixonar por você e se tornar... civilizado. – brincou a ruiva.

– Civilizado? – riu Florence.

– É! Quando foi a última vez que te vi aqui no parque, Severus? Há uns 2 anos atrás? – perguntou Lily.

– Mais ou menos. – murmurou ele.

– Nossa, e aqui é tão lindo. – comentou Florence.

– Eu adoro, venho praticamente todos os dias. Está na casa dele? – perguntou Lily.

– Sim. Eileen é minha madrinha.

– Que sorte a sua! Eileen é um amor de pessoa. – Lily olhou para o parque, crianças passaram correndo perto deles. De repente ela parou de sorri. – Ih... lá vem o James. Vou indo. Tchau. – e ela saiu praticamente correndo do parque.

E James Potter veio caminhando na direção deles.

– Oi, eu só queria me desculpar pelo meu comprtamento no Baile eu estava...

– Bêbado. – completou Florence.

– É. Eu acho que vou desistir da Evans. – ele olhou para onde Lily tinha acabado de ir.

Florence olhou para o namorado e respondeu:

– Eu quero te ajudar, James.

– Mesmo? Mas porquê? – perguntou James, desconfiado.

– Talvez porque não queremos mais ver você fazendo papel de idiota na frente da escola interia. – disse Snape.

– Nada disso. – riu Florence. – É que achamos que a Evans gosta de você também... E ela é uma garota legal e se é você quem ela quer... ela merece ser feliz e não nos custa nada ajudar vocês.

– Ok. – concordou James, sentando na frente deles.

– Primeiro você deve para com os presentes caros. – Florence disse. – Você tem que fazer ela querer você, não o seu dinheiro. Para de agir como se você fosse o centro do universo. Garotas não gostam disso.

– Ninguém gosta disso. – murmurou Snape.

– Seja simples. – Florence continuou. – Dê a ela um pouco de quem você realmente é, se ela gostar mesmo de você, ela vai querer mais. – Florence piscou para James.

E assim eles passaram uma tarde interessante falando sobre a futura vida amorosa de James Potter.


Nota da autora: Reviews... cadê?... cadê?