Título da fic: Golden Wings

Casal: MiloxCamus / ShakaxMu

Sinopse: Uma companhia aérea, dois pilotos competentes e experientes mas completamente incompatíveis, ou não? U.A./Yaoi/Lemon Camus/Milo, Shaka/Mu

Autora:
Áries Sin e Athenas de Áries

Agradecimentos: A Nana Pizani pela betagem, a Kamui pelo apoio e a…Shyriuforever por… não sabemos bem o que…mas obrigada na mesma! XD


Golden Wings


Capitulo 8

Milo não sabia como tinha conseguido agüentar o resto da viagem sem tocar mais no assunto que não lhe saia da mente. Ele próprio tinha dito ao francês que resolveriam isso mais tarde, mas a sua vontade era ter tentado algo de novo com o ruivo.

Por mais estranho que lhe parecesse, conteve-se. Acima de tudo não queria que Camus ficasse pouco à vontade ao seu lado... tinha demorado tanto para conseguir aquela colaboração.

A aterragem fora feita sem grandes peripécias, apesar do tráfego aéreo, e de

terem de esperar algum tempo circundando o aeroporto para conseguirem faze-lo.

Milo sentia-se cansado e, principalmente, com fome. Comida de avião enchia barriga, mas decididamente precisava de algo mais apetitoso. Depois dos procedimentos normais de alfândega e verificação de bagagem, decidiu passear um pouco pelo aeroporto. A primeira coisa que o espantou foi o tamanho. Era muito maior que muitos aeroportos famosos que já visitara.

Mas a obra como um todo o intrigou. Era como se houvessem dois aeroportos em um. Um deles, novo e moderno, o outro grande e até luxuoso, mas decididamente mais antigo e antiquado. Levou pelo menos uma boa hora caminhando pelos corredores intrincados até encontrar exactamente o que desejava... toneladas de colesterol em uma modesta refeição.

Não sabia onde Camus poderia estar, mas deixara sua pequena mala na recepção do hotel que era anexo ao aeroporto, um conforto que agradeceu aos deuses, pois não tinha certeza se desejaria aventurar-se por um local completamente desconhecido e sobre o qual não tinha as melhores referências.

Esquecera completamente da presença de Camus por alguns instantes. Finda a refeição passeou por entre as lojas especializadas em "lembranças para turistas" até que viu um belo jogo de peças de xadrez esculpidas em cristais tão transparentes que pareciam ser feitas de gelo e imediatamente Camus voltou a sua mente.

Tinham-se separado com a condição de voltarem a se encontrar no hotel algum tempo depois. Já que a suite ainda não estava pronta, não tinham podido descansar.

Amava aquele clima de aeroporto... o caos do ambiente e o amontoado de pessoas que caminhavam e corriam de um lado para o outro, quadros de partidas e chegadas a mudarem, fazendo aquele barulho característico. Sentou-se num banco, observando tudo à sua volta. Muitos eram os que olhavam interesseiros para ele, dissecando-o com os olhos. A farda em si já era um chamativo, Milo em si chamativo era... os dois juntos eram a perdição.

Mas a sua mente vagueava longe, justamente no momento daquele beijo trocado. Aquela sucessão de consequências tinha sido por demais perfeita em todos os sentidos. Não sabia como ia ser a conversa com o francês acerca disso, mas certamente não seria fácil.

Nessa introspecção, não sentiu o tempo passar. Quando olhou para o relógio de pulso, verificou que era tempo de voltar para o hotel, Camus já estaria a esperá-lo.

Surpreendeu-se ao identificar-se na recepção e ser comunicado que o sr. Lenoir já retirara a chave da suite. "Mas não seriam dois quartos?" pensou consigo, entretanto nada disse. Apenas agradeceu a recepcionista e seguiu para o quarto indicado com a outra cópia da chave em mãos.

Entrou na suite com sua pequena mala e encontrou-a toda escura. Onde estaria Camus? Que diabos de lugar era aquele? Uma sala com sofá, televisão e uma pequena mesa de refeições, um quarto grande, um quarto menor e um único banheiro entre eles. Acendeu todas as luzes e jogou a mala sobre a cama do quarto maior, quando percebeu que a mala de Camus já encontrava-se ali. "Engraçadinho, escolheu logo o quarto maior!". Uma vozinha interior, que nem ao menos sabia existir ralhou: "Milo, você estava a fazer a mesma coisa." Ignorou solenemente a vozinha e largou sua mala ao lado da que já se encontrava pousada sobre a cama e preparou-se para procurar Camus.

Não precisou ir muito longe. Ele estava em pé na saleta a mirá-lo de cara feia. De onde ele tinha se materializado? Só então percebeu a porta da sacada que até então não notara.

- Se apoderando do que não lhe pertence, Milo?

Milo levantou uma sobrancelha, afrouxando o nó da gravata que ainda usava.

- Me apoderando do que é meu por direito... - sorriu debochado, encarando o ruivo insistentemente.

- Está atrasado, eu cheguei primeiro, escolhi o quarto - respondeu o francês categoricamente - Alguma dúvida nisso?

- Não estou atrasado, você quem esta adiantado; chegou primeiro porque APOSTO que já tinha intenções de pegar o quarto maior, e já agora... porque nos colocaram numa suite?

Camus suspirou longamente, retirando a própria gravata.

- Acontece que a Golden Airlines decidiu que uma suite seria mais apropriado para diminuir as despesas...

- E?

Camus revirou os olhos... não era possível.

- E estamos aqui os dois a discutir qual de nos vai ficar com o quarto, não se faça de desentendido Milo Kalomiris!

- Bom, acho que nenhum de nós dois vai abrir mão facilmente daquela cama macia e enorme... Vamos tentar a sorte?

- Não. Não gosto de disputas de azar... porque não uma partida de xadrez?

Milo deita língua para Camus, fazendo uma careta.

- Não! Seria covardia, um nunca fui um bom jogador de xadrez.

- Isso percebe-se longe. Eu também nunca fui um homem de sorte, então voltamos ao impasse.

Milo andava de um lado para o outro, mas estava cansado da viagem, cansado daquela discussão sem sentido, queria apenas despencar-se em algum lugar e dormir. Além de tudo isso sabia que ainda teriam que ter uma conversa, no mínimo, constrangedora. Levantou as mãos em sinal claro de rendição.

- Tudo bem, pode ficar com a cama.

- Desistiu tão fácil... pelo pouco que conheço-te acho que vou ter problemas futuros, mas como não quero pensar nisso agora, rendição aceita.

Milo apenas sorriu sugestivo, indo pegar a sua mala. Verdade que tinha cedido, mas esperava compensação mais tarde. Dirigiu-se ao outro quarto, jogando-se sobre a cama que não era assim tão pior que a de Camus.

A noite já tinha caído, e o peso da diferença horária começava a surtir efeito.

Fechou os olhos, relaxando o corpo. Não demorou muito para que chegasse o som do chuveiro aos seus ouvidos. Camus tomava um banho. Sorriu de canto ao imaginar aquela cena por demais tentadora. A água escorrendo pelo corpo alvo enquanto o francês se ensaboava calmamente... passando a mão pelo abdómen bem definido.

Voltou a abrir os olhos, sentando-se na cama. Riu sozinho com a idéia que se formava na sua mente travessa. O que aconteceria se ele, no alto da sua audácia, se infiltrasse no banho do ruivo?

Nunca fora um homem de pensar muito, e sim de agir. Levanta-se calmamente, liga a televisão. Centenas de canais. MTV. Perfeito. Começa a cantar alto, acompanhando o clip. Arranca a camisa que ainda vestia e as calças. Faz uma anotação mental de solicitar a arrumação do uniforme reserva tão logo amanhecesse. Joga a roupa suja descuidadamente em um canto e anda em direcção ao banheiro ainda cantando.

Apesar do aparente descaso, todas as suas acções foram milimetricamente calculadas. Abre a porta displicentemente entrando no banheiro no momento exacto que Camus desliga o chuveiro.

- MILÔ, O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI?!?!?!?!?!?!

Milo segura a toalha que Camus separara para secar-se, gargalhando com o rosto afogueado do francês que tentava, sem muito sucesso, cobrir-se de alguma maneira.

- Pode por gentileza me dar a toalha?

- Essa daqui? - Milo abanava a toalha num gesto provocativo.

- MILÔ!

- Tudo bem... não estressa francês! - entregou a toalha rindo, vendo-o colocá-la em volta da cintura rapidamente - Apenas vi que estava saindo do banho e vim eu. Lógico não?

Camus, de costas para ele, teve ganas de disparar uma série de improperias.

- Podia pelo menos esperar que eu saísse non?

- E perder a oportunidade de te aborrecer? Nunquinha! E, em todo caso, você não estava de saída? - debochou percebendo que o outro evitava a todo o custo olhar para ele.

Camus saiu disparado pela porta na direcção ao quarto, deixando um Milo gargalhando no banheiro. Fechou a porta. Finalmente teria o seu momento relaxante. Um bom banho era tudo o que pedia naquele momento.

Deixou a água escorrer pelo corpo moreno, relaxando os músculos doridos devido à grande quantidade de horas de viagem. Tinha esquecido o quando aqueles vôos podiam ser cansativos quando não se estava habituado. Inclinou a cabeça para um lado e para o outro, estalando o pescoço por duas vezes. Suspirou aliviado.

Deixou-se ficar algum tempo no banho, aproveitando o máximo a sensação deliciosa que lhe proporcionava.

O toque relaxante da água morna sobre a pele começou a misturar-se com a lembrança do corpo nú de Camus. Milo fecha os olhos enquanto ensaboa o corpo mais uma vez, lentamente. Sem que percebesse, sua mente começa a criar imagens de como seria tocar Camus. Passa a língua pelos lábios tentando sentir mais uma vez o sabor que provara e desejava fervorosamente provar mais uma vez.

O desejo que tomara conta de si suplicava por satisfação imediata. Tocou-se de maneira luxuriante, soltando um gemido baixo, abafado pelo som da água que caía farta sobre seu corpo.

Camus termina de trocar-se em seu quarto. Deita-se ligando a televisão tentando conciliar o sono.

O som do prolongado banho de Milo parecia uma banda de heavy metal a retumbar em sua cabeça, impedindo que prestasse atenção a qualquer coisa que não fossem os seus movimentos. Parecia que ele tinha morrido afogado debaixo da ducha. Camus tentava controlar a todo custo a vontade de adentrar como Milo fizera.

No interior do banheiro, Milo sentia o corpo amolecer com o alívio que se tinha proporcionado. Com um sorriso cínico nos seus lábios perfeitos, saiu finalmente do chuveiro, enrolando uma toalha à cintura e pegando noutra para secar o longo cabelo loiro. Dirigiu-se ao quarto, jogando-se de novo sobre o colchão fofo.

Secou o excesso de água no cabelo, jogando a toalha no chão. Devido ao clima extremamente quente, apenas vestiu uma cueca, voltando a deitar-se exausto sobre a cama. Suspirou longamente antes de bocejar, fechando os olhos.

Não tardou para que finalmente caísse no sono dos justos, exausto com todas as peripécias do dia.

Do seu lado, Camus finalmente deixou de ouvir a água no banheiro. Já pensava seriamente em entrar e saber se o grego estava bem... afinal podia ter dado algo que o fizesse sentir mal. Respirou fundo aliviado com a ausência do som. Apesar do calor infernal, o hábito obrigava-o a vestir sempre a calça do pijama, custasse o que custasse. Ainda mais tendo um grego extremamente inconveniente no quarto ao lado do seu

Virou o corpo na cama, colocando-se de lado. Com um longo suspiro cansado, adormeceu esperando que o dia seguinte não fosse tão atribulado.

---oOo---

Um barulho estranho... Milo rolava pela cama tentando espantar aquele som que fazia questão de adentrar por seus sonhos. Mas a constância do barulho que seu cérebro não conseguia classificar acabou por despertá-lo completamente. Sentou-se na cama suado, apesar do ar-condicionado ligado ao máximo, e ao mesmo tempo assustado. O que acontecia? Levantou-se silenciosamente com o intuito de ir até a janela. Poucos passos fora da cama e novamente o barulho, desta vez mais forte. Uma luzinha de alerta acendeu-se. Seriam realmente tiros que estava a ouvir?

Ficou receoso em aproximar-se da janela. E se fossem mesmo tiros? De onde viriam? Poderiam atingi-lo? Será que Camus acordara também? Aproximou-se da porta de comunicação, quando estava pronto a girar a maçaneta para abri-la, vê a porta mexendo-se. Afastou-se um pouco para permitir a abertura completa. Camus estava ali parado. Seus olhares se cruzaram e fixaram-se. Por causa do escuro, podia mais sentir do que ver o brilho dos belos olhos de Camus.

Encararam-se durante alguns segundos, nenhum dos dois conseguindo perguntar nada. Camus foi o primeiro a voltar a mexer-se, dirigindo-se à pequena sala da suite.

Milo não acreditava no que ouvia. Seria mesmo? Um tiroteio em pleno recinto do aeroporto? E se estivessem ali perto? Se vissem Camus na janela?

Sem pensar duas vezes apressou-se a correr atrás do francês, impedindo-o de chegar perto de qualquer janela da sala.

- Está doido? - sussurrou puxando Camus para um canto da sala.- Pode ser aqui em baixo e você ainda se arrisca a levar uma bala na cabeça!

Camus respirou fundo. Milo tinha razão no que dizia... aquilo parecia tudo tão surreal... saído de um filme americano qualquer. Não se tinha dado conta da situação... aquilo não era um filme!

- Precisamos ver se é aqui perto ou não! - sussurrou de volta, afastando o escorpiano da sua frente.

- Vamos é dormir e esquecer esta história!

O som do tiroteio podia ser ouvido no quarto tão bem que quase parecia que estavam no meio dele. Camus voltou a aproximar-se da janela lentamente, encostando-se à parede. Deu uma rápida mirada para o exterior. Soltou o ar dos pulmões.

- Não é aqui.

- Não????? - Milo esgueirou-se até a janela ainda sem ter muita certeza, o som era demasiado alto. Olhou em volta. Tudo parecia calmo. Interiormente se perguntava como as pessoas conseguiam viver assim. Eram muitas informações novas de uma só vez.

Jogou-se no sofá da saleta da suite, a noite completamente arruinada. Perdera totalmente o sono. Abriu o frigobar pegando uma garrafa de água. Abanava-se a tentar espantar o calor. Apesar do ar condicionado ligado, sentia o calor. Ainda mais com Camus a sua frente, apenas com as calças do pijama. A temperatura parecia aumentar a cada olhadela que dava no torso nu. Entretanto, seus olhos pareciam atraídos como se ele fosse um imã.

- Camus?

- Oui?

- Vai voltar a dormir?

- Precisamos. Temos um longo vôo amanhã.

- Eu não mais conseguirei dormir, ao menos por agora. Quer conversar?

Camus olhou pasmo para o grego, sem entender o que lhe passava pela cabeça.

- Conversar? Sobre o que quer conversar às 4 e meia da manha?

Milo levou a garrafa de água aos lábios, bebendo um pouco do líquido frio. Passou a língua nos lábios sensualmente, acto que não passou desapercebido ao ruivo.

- Sim. Se não me engano, temos algo para conversar. Lembra-se?

Camus quase vacilou, sentindo o olhar do escorpiano sobre si. Apesar da penumbra do quarto, conseguia perfeitamente ver as feições de Milo ao encará-lo daquela forma. Parecia... divertido. Camus respirou profundamente, fechando os olhos.

- Vamos conversar então. - Sentou-se no sofá de frente para o grego, cruzando os braços. - Pode começar.

- Muito bem. Aquele beijo ontem...

Camus permanecia com os braços cruzados aparentando indiferença. Entretanto, no fundo, estava curioso com o que o grego falaria. Provavelmente diria que não passou de um acidente, que não tornaria a se repetir, blá-blá-blá... pensou em interrompê-lo e ele mesmo começar este discurso decorado, mas a muito custo conseguiu conter-se.

- Camus, eu sei que deveria vir com todo aquele discurso decorado... que foi um acidente, que não tornaria a se repetir, blá-blá-blá, entretanto...

Pronto, o discurso estava sendo exactamente como imaginava!

- Entretanto? - Camus arqueou apenas um sobrancelha, curioso com o que viria a seguir.

- Entretanto se eu dissesse tudo isso estaria sendo, no mínimo, mentiroso. Eu não sou assim. Imagino que quisesse ouvir esse discurso, ou mesmo que estivesse planejando a melhor maneira de me dizer isso, mas eu falarei a verdade.

Camus arregalou os olhos, tudo fugia novamente ao seu controle. Não imaginava o que estava por vir. Aquele homem fugia de todos os parâmetros de normalidade. Custava a admitir para si próprio, mas essa imprevisibilidade dele era deveras interessante.

- Camus, eu adorei o beijo e estou interessado em você. Pronto, falei.

O francês ficou pasmo, dessa vez sem conseguir conter a sua reacção. O olhar preso em Milo, tentava assimilar todas aquelas palavras que acabara de ouvir. Raciocinar... Simplesmente não conseguia. Desde a noite do bar que tinha notado o interesse do grego sobre si. Ele próprio não era imune aos encantos de Milo mas... nunca pensou que ele fosse tão franco!

- Camus, polamordezeus fale alguma coisa! Nem que seja para me dar um fora, diga algo!

Camus percebeu o quão ridículo esta sendo, a voz do grego voltando a chamá-lo à realidade. Ia responder algo mas... o quê? Se nem ele sabia exactamente o que pensar sobre aquilo? Milo era uma pessoa única, mas será que conseguia agüentar aquele ser durante um relacionamento?

Respirou fundo, tentando manter a calma e sobretudo, um discurso coerente.

- Eu muito sinceramente... não sei no que isto pode dar. Tenho as minhas dúvidas sobre o quão certo se pode tornar. - fez uma pausa, evitando olhar para o escorpiano - acho-o uma pessoa interessante Milo, não vou negar que me sinto atraído por você. Mas, muito francamente, acho tudo isto rápido demais. Um relacionamento é para ser construído aos poucos, com o convívio, e não algo de repentino.

Milo sorriu. Este era o Camus, este era o SEU Camus. Sabia que ainda não o poderia chamar assim, mas ele não fora descartado completamente, então agora contava única e exclusivamente com seu charme para conquistá-lo. Confiava em si e em seu poder de sedução.

Levantou-se calmamente e aproximou-se de Camus estendendo a mão em sua direcção.

- Venha, vamos tentar descansar, como você mesmo disse, temos um longo voo pela frente amanhã.

Camus aceitou a mão oferecida. Quando ele se levantou, Milo puxou Camus ao seu encontro e beijou levemente seus lábios. Um toque rápido, ao mesmo tempo sedutor, cheio de promessas. Camus levou os dedos aos lábios, deliciando-se internamente com o pequeno gesto. Aproximou-se novamente de Milo beijando-o de verdade. Após o beijos separou-se rapidamente dele, e dirigiu-se ao quarto.

- Boa Noite, Milô.

Milo sorriu de canto, vendo o ruivo se afastar lentamente na direcção do quarto. Com algum tempo conseguiria o que queria. E pelo beijo... seria bem menos tempo de espera do que imaginava.

---oOo---

Roma, Fiumicino, Aeroporto Leonardo Da Vinci

- Venha logo coño! - Shura andava apressado pelo aeroporto, dirigindo-se às portas de embarque.

Mask apenas gargalhava da pressa do companheiro de vôo. Não fazia nem cinco minutos que tinham aterrado, já Shura se preparava para sair do cokpit da aeronave.

Essa pressa toda tinha um nome: Shina.

A bela aeromoça que fazia parte da tripulação que sempre os acompanhava, encontrava-se naquele momento na bela capital Italiana. Devido a problemas familiares, pedira autorização para permanecer em terra durante uns tempos, na sua cidade de origem.

O que Shura tinha a ver na historia? Simples. Não via a namorada à cerca de uma semana... e saudade pode ser fatal.

- Onde ela disse que estaria mesmo? - o italiano avançava ao seu lado, o quepe sob o braço e mantendo as mãos nos bolsos.

- Porta 12, Berlin.

Não tardaram a chegar ao local tão esperado. Pararam a alguns metros de distância, esperando que a aeromoça acabasse de passar os bilhetes um a um pela maquina, permitindo assim a passagem dos passageiros no avião. A fila de espera era enorme.

Shura olhou-a e sorriu. Parecia mais bela que nunca. Esperava que a fila terminasse, mas parecia que alguma coisa errada ocorria. Olhou para o painel que indicava as próximas saídas apenas para desviar o olhar da moça. Se continuasse a encará-la daquela maneira, iria acabar babando em pleno saguão do aeroporto. Não estava realmente interessado nas partidas, entretanto a palavra "cancelado" em vermelho chamou sua atenção. Olhou para a companhia aérea e destino e teve certeza. O vôo cancelado era exactamente aquele em cujo balcão Shina encontrava-se.

Cutucou Mask e apontou para o painel, o italiano riu abertamente.

- Caríssimo, creio que vá demorar muito até poder beijar sua pequena.

Shura suspirou resignado. Vôos cancelados eram dos maiores problemas que podiam existir. Não só trazia a confusão no aeroporto, como trazia o dobro do trabalho aos funcionários.

Decidiu sentar-se numa cadeira perto, esperando que tudo estivesse mais calmo para a atenção de sua amada.

Percebeu então um homem que se aproximava a passos largos do balcão. Parecia bem irritado. Atirou o bilhete diante dos olhos de Shina berrando.

- Mocinha, eu preciso estar em Berlin esta tarde. PORTANTO, preciso estar nesse exacto vôo, e, CLARO, em primeira classe!

A italiana levantou os olhos do bilhete de um passageiro, encarando o homem que bufava irritado. Como boa aeromoça, não se podia abalar com aquele acontecimento. Pessoas rudes e mal educadas era o que mais aparecia...

- O senhor me desculpe, terei todo o prazer em ajudá-lo, mas tenho que atender estas pessoas primeiro, já que elas também estão a aguardar pacientemente na fila. Quando chegar a sua vez, farei tudo para resolver o seu problema.

O passageiro levantou uma sobrancelha incrédulo.

Shura se aproximou um pouco, preocupado com a segurança da namorada. Mask foi atrás, mas seus objectivos eram bem menos nobres. Queria mesmo era ver como acabaria a confusão. O silêncio tomou conta da fila, as pessoas indignadas com a reacção intempestiva e pouco educada do passageiro.

O homem ficou vermelho de raiva, bufava, abanava a passagem e o passaporte como se fossem armas perigosas.

- Escute aqui, garota petulante, eu não vou esperar em porcaria de fila nenhuma, já disse que estou com pressa e preciso embarcar agora!

- Senhor, os outros passageiros também tem necessidade de embarcar. Por favor, aguarde a sua vez!

- Você por acaso sabe com quem está falando? - a essa altura o passageiro já estava aos berros, Shura apoiado no balcão ao lado do homem pronto a colocá-lo dali para fora a chutes caso ele ameaçasse mais uma vez sua querida e Mask controlando-se de todas as maneiras que conhecia para não explodir em uma sonora gargalhada.

Mas a aeromoça não se abalou. Sempre sorrindo, sorriso este que aos olhos do espanhol soou como um sorriso travesso, Shina pediu educadamente licença ao passageiro, pegando no microfone.

- Senhores passageiros, gostaria de ter um minuto da vossa atenção por favor. - disse sem pestanejar, a sua voz ecoando pelo terminal - Temos aqui no balcão um passageiro que não sabe quem é, deve estar perdido! Se alguém é responsável pelo mesmo, ou é parente, ou então puder ajudá-lo a descobrir a sua identidade, solicitamos que compareça no nosso balcão. Obrigada!

Apenas alguns segundos depois, tempo para os restantes passageiros assimilarem o ocorrido, uma gargalhada geral pode ser ouvida.

O homem não acreditava no que acabava de presenciar. Como aquela criatura ainda se atrevia a fazer uma coisa daquelas? Voltou a olhar para a italiana, furioso.

A gargalha geral parecia não cessar. A cada gargalhada que ouvia o homem ficava exponencialmente mais nervoso. No fundo, Shura estava orgulhoso da namorada, mas não acreditava no que ela fizera. Humilhara o homem publicamente, em alto e bom som, de maneira educada e irrepreensível. Mas nem mesmo em seus mais altos delírios alcoólicos imaginou o grand finale da cena.

- Sua desclassificada! Como teve coragem de fazer uma coisa dessas! Está maluca? Eu vou te foder!!!!!

- Senhor, tentar é um direito que lhe assiste, mas mesmo assim para tal precisa entrar na fila.

Mask não conseguiu mais controlar-se, gargalhando tanto que quase ficou sem ar. Shura estava congelado, sem fala, sem reacção sem nada. Apenas olhava com os olhos arregalados. Os demais passageiros, que antes já riam, agora não mais se controlavam enquanto apontavam o final da fila para o inconveniente passageiro.