Capítulo 08 – Mãe
Ela não era uma boa mãe, e sabia disso.
Há mães solteiras que são boas mães. Há mães que são bons pais, boas amigas, boas guias. Ela era, talvez, uma boa enfermeira, talvez, uma referência, talvez, muito talvez, uma amiga de vez em quando. E ela tentava ser mãe com todas as suas forças, mas no momento em que Scott começou a esconder mais coisas do que contava para ela, ela percebeu que havia falhado.
E quando ela viu no que ele havia se transformado e não conseguiu olhá-lo mais nos olhos, Melissa viu o tamanho de sua falha. Porque já não era uma questão de Scott vê-la como mãe ou senti-la como mãe, era ela negando seu próprio filho.
E ela não poderia viver com isso.
Ela poderia dizer que não foi um repúdio que durou muito, ela o sentiu como um baque nos primeiros momentos e tentou lidar com isso, mas não teve tempo: em seguida, ela era ameaçada e abertamente usada contra seu filho, seu ponto fraco, o gatilho apontado para ele que o fazia se permitir ser manipulado. E ela estava falhando novamente, porque ela deveria guia-lo e protege-lo, não ser aquilo que o levaria a matar e trair seus amigos. E foi quando o tamanho do perigo que os ameaçava se fez que ela esqueceu completamente o que Scott era e relembrou que ele era seu filho, seu bebê, e ela estaria para sempre ao lado dele, fazendo o que estivesse ao seu alcance para tornar as coisas mais fáceis, e não mais difíceis, mesmo que não fosse o suficiente para se nomear uma boa mãe.
Derek não era um bom Alfa também e mesmo assim, depois de muito tempo, Scott o aceitou, então ela tinha uma chance de ser perdoada também, já que seu filho nunca a negou, mesmo quando ela o fez.
Chegou um ponto em que ela não pensava mais sobre o assunto, as coisas simplesmente continuavam acontecendo, e ela se permitia somente aceitar. Como o fato de que Scott passava muito mais tempo com os Argent e o Pack do que com ela, e como isso levou ela a passar muito mais tempo na casa Hale do que em sua própria casa, em busca de seu filho. E como isso a fez reencontrar Peter e conviver com aquele homem que provocava arrepios a todos à volta, mas, com ela, nunca havia sido menos do que gentil.
Foi ele quem lhe ofereceu a mordida – que Derek daria, claro -, e plantou a ideia em sua mente. Ela poderia dizer que fez por ele, mas, embora tenham se tornado realmente um casal algum tempo depois, ela já havia aberto mão de sua vida por um homem antes, não faria de novo. Melissa poderia dizer que aceitou por Scott, que o seu amor por seu filho e a sensação iminente de que o estava perdendo a levou a querer se tornar um igual, mas o primeiro olhar que ela dera para Scott quando o viu como lobo nunca a deixaria acreditar em suas próprias palavras. Ela queria ter preservado ele disso, jamais conseguiria negar para si mesma esse fato.
No fim, foi por ela mesma, mas Melissa só entendeu isso quando a primeira lua tomou seu corpo e a fez se transformar finalmente naquilo que aceitou ser, e percebeu que o que a impedia de enlouquecer com sua força e suas sensações eram as presenças atentas à sua volta, a assistindo e a ajudando, como ela, mãe, deveria fazer por aqueles adolescentes e homens perdidos.
Se tornar lobisomem devolveu a Melissa McCall o sentido de família.
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