Capitulo oito:
Anthony
Essa noite, quando Severus levou a Ayrton a casa de Lucius, o loiro sentiu uma grande alegria ao escutar em voz de seu próprio filho o muito que se divertiu jogando com Draco, e pedia o ir ver todos os dias. De modo que, depois de conseguir que se dormisse, se acercou a Severus lhe sorrindo.
— Obrigado, preocupava-me a distância de Draco, mas pelo menos sei que não está a tomando contra Ayrton.
— Não tens nada que me agradecer a mim, em realidade foi…
Lucius não lhe deu oportunidade de terminar, uniu seus lábios aos de Severus beijando-lhe suavemente. O moreno não o recusou, mas não encontrou nele mais que indiferença. De qualquer maneira Lucius não demonstrou sua desilusão, tão só terminou o beijo tão intempestivamente como começou e apoiou seu frente na de Severus.
— Lamento-o. —desculpou-se acariciando lhe o rosto. — Sei que não quer que te beije, mas às vezes me é tão difícil te tendo perto.
— Lucius… foi Harry quem conseguiu que Ayrton e Draco convivessem hoje.
— Devia imaginá-lo. —sussurrou sem separar-se.
— Tenho que me ir, ele me está esperando.
Lucius assentiu e finalmente apartou-se para deixá-lo ir. Ao ficar só olhou a seu menino dormindo placidamente, o amava por sobre todas as coisas, e se não fora por ele, sua vida teria terminado fazia quase sete anos.
Por Ayrton, só por Ayrton podia seguir suportando o desamor de Severus.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
A manhã seguinte, Draco sentia que lhe doía até a alma para se mover, ainda que não podia evitar sorrir ao recordar que realmente se tinha divertido jogando por horas com Ayrton. E como não pensava aceitar ante ninguém que um menino de seis anos lhe tinha cansado fisicamente, foi para a enfermaria em busca de alguma poção, esperando não ter que se encontrar com Poppy, assim poderia a tomar sem permissão.
Entrou discretamente, mas um ruído em um extremo da enfermaria lhe sobressaltou. Achou que tinha sido descoberto abrindo uma das prateleiras, e pensava se inventar um bom pretexto quando notou que não tinha ninguém. Caminhou para onde escutou o ruído e depois de um dos biombos descobriu a Remus ocupando uma das camas.
Afogou um grito de horror ao notar uma feia ferida em seu braço, parecia ter sido curada fazia pouco tempo, pois o ar cheirava a desinfetante. Mas o que mais lhe impactou foi o rosto emaciado, cansado e desfigurado do licantropo.
Um suave gemido proveniente da garganta de Remus alertou-lhe, pensou em ir-se dantes de que acordasse e lhe descobrisse, mas não o fez, o homem provavelmente precisasse ajuda e Poppy não estava perto para lhe outorgar, de modo que se acercou até ficar junto à cama.
— Lupin?... Precisa algo?
— Draco?... —perguntou esforçando-se em abrir os olhos. —… Que faz aqui?
— Vim por um remédio e escutei-o queixar-se.
— Um remédio?... Sentes-te mau? —questionou conseguindo fixar sua mirada no loiro.
Draco não pôde evitar se rir, o homem estava desfeito e lhe perguntava se se sentia mau a ele. Não se deu conta que com aquele riso conseguiu uma grande melhoria no ânimo do licantropo.
— É… muito divertido… ver-me assim?
— Não muito, em realidade é algo interessante. —respondeu sinceramente.
— Wow… obrigado. Pedirei a Severus… que não faça mais poção… quiçá sem ela seja… irresistível.
— Como pode caçoar em um momento assim? —perguntou assombrado pela fortaleza do castanho.
— Não tenho mais… opção.
— E posso fazer algo por você?
— Pode ficar-te uns minutos, até que regresse Poppy?
Draco assentiu. Cuidar doentes não era sua ideia de passar em seu dia livre, muito menos se se tratava de Lupin, mas não pôde se negar. Remus não demorou em se voltar a dormir, foi então que chegou a enfermeira. Ela lhe disse que já podia se marchar, mas ao ver que se dispunha a realizar uma nova cura da ferida, decidiu ficar, após todo tinha decidido estudar medimagia, de modo que tinha que aprender de tudo.
Poppy aceitou explicar-lhe e a partir desse momento, Draco decidiu que suas horas livres as passaria também na enfermaria, aí podia aprender muito. Por tal motivo, quando Remus acordou e o viu lhe cuidando, teve que lhe explicar o motivo e o licantropo esteve de acordo com isso.
Com o passo do tempo, Draco deu-se conta que lhe entusiasmava conhecer das doenças provocadas por animais mágicos. Estudar da licantropia ajudou-lhe a entendê-la mais e pouco a pouco foi diminuindo a repulsão que sempre sentisse por essas pessoas.
Em um dia decidiu vencer seu orgulho e baixou às masmorras para pedir-lhe a Severus que lhe ensinasse o primordial nas poções curativas, sobretudo a matalobos. O Professor aceitou com um suave sorriso, sentia-se feliz de voltar a contar com o carinho de Draco.
O verão passou-lhe ao loiro muito rápido. Nunca pensou que isso poderia lhe suceder, dois meses encerrado em Hogwarts em plenas férias de verão e tinha sido realmente produtivo. Aprendeu muito de todos, e ademais se divertia com as frequentes visitas de Ayrton, descobriu que podia tolerar a Harry, e o mais surpreendente de tudo, é que gostava quando dele e Remus ficavam conversando depois de suas sessões de assessoria.
Tinha conseguido ser admitido na escola de medimagia, e ainda que isso lhe enchia de alegria, também sentia um pouco de nostalgia ao saber que já não passaria muito tempo em Hogwarts. Seguiria dormindo aí, e daria sessões de tutoria aos alunos os fins de semana, e uma hora diária pelas noites para poder seguir ganhando-se a vida, mas já não teria muito tempo para estar com Remus.
Particularmente esse último era o que mais profundo fazia o buraco que sentia em seu estômago, mas não queria se deter a pensar nisso ou caso contrário poderia encontrar respostas que não estava preparado para aceitar.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Por sua vez, Harry seguia vivendo em uma nuvem rosa. Nada lhe parecia mais formoso que sua vida junto a Severus, e ademais, como seus sintomas de gravidez tinham diminuído bastante, igualmente desfrutava a cada dia deste.
Ainda sofria de cansaços contínuos, mas adorava ver como ia crescendo sua pança. Severus tomava-lhe fotografias com frequência, não queriam perder nenhum detalhe e o deixavam plasmado em um álbum dedicado especialmente à gravidez.
Uma tarde, estavam olhando as fotografias quando sentiu algo que lhe arrancou um pequeno grito de surpresa.
— Sente-te mau? —perguntou Severus, preocupado de ver que Harry se levava as mãos a sua abdômen.
— Foi… algo raro.
— Que?
— Não sei… acho que se moveu.
— Para valer? —perguntou entusiasmado colocando suas mãos também, Harry apartou as suas para lhe dar oportunidade de sentir e as pôs sobre as de Severus.
— Sentes? —questionou quando voltou a sentir o estranho movimento.
— Sim, sim sinto!
Severus estava realmente feliz ao perceber como a pequena pança de Harry mudava de forma de maneira estranha. Não desaproveitou o momento e correu em busca da câmera para que aquele dia não fosse esquecido jamais. Harry sorriu ao momento da foto, apartando um pouco sua roupa para que se visse sua pele se movendo energicamente.
— Acho que anda jogando quidditch lá adentro.
— Ou realizando Poções.
— Para isso não se precisa ser tão agressivo. —riu Harry.
— Bem, não importa o que faça aí, assim que saia será um experiente em Poções.
Harry voltou a rir, não sabia se a seu filho gostaria o Quidditch, as Poções, de ambas ou nenhuma, mas não tinha duvida alguma em que seria o menino mais amado do mundo.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Nos seguintes meses passaram sem grandes novidades. Harry às vezes se aborrecia sem fazer nada, Severus agora passava muitas horas em suas classes ainda que o ia ver na cada descanso. Pelas tardes marchava-se a visitar a Ayrton, mas como Harry não podia fazer viagens tão seguido devia ficar encerrado em espera de seu regresso. Só os fins de semana lhe resultavam mais entretidos, seu esposo não se apartava de seu lado, e Ayrton era quem os ia visitar, de modo que os desfrutava muito.
A chegada das férias invernais foi longamente esperada. Inclusive Draco via-se mais entusiasmado e participou na decoração, rindo-se com Ayrton e Remus sobre a decoração eleita por Dumbledore. Todo o castelo estava cheio de escarchas douradas, sinos cantarinas, árvores de Natal na cada rincão com centos de esferas vermelhas.
O que mais lhes entusiasmava era a montanha de presentes na árvore do salão, como nenhum aluno se tinha ficado à Natal, isso significava que todos eram para eles.
O que Draco não se esperou, é que para o jantar, seu pai tinha sido convidado. Não pôde evitar um bufo de desgosto quando entrou ao comedor e lhe viu. Ia marchar-se quando sentiu que alguém o tomava do braço.
— Não se vá. —pediu Remus gentilmente.
— Quem o convidou?
— Severus. E tem que aceitar que fez bem, não podia apartar a Ayrton dele e também não queria passar a Natal sem seu filho.
— Perfeito, mas eu não tenho porque o suportar.
— Mas não te vá, pode lhe dar uma oportunidade ou não, essa é sua decisão… Só que, não gostaria que se fosse, o Natal não seria o mesmo para mim.
— Ah… e porque? —perguntou mais tranquilo.
— Pois, porque somos amigos e gosto de estar contigo.
— Está bem, ficarei. —aceitou depois de pensá-lo um minuto.
Draco e Remus caminharam para a mesa onde os demais lhes esperavam para começar a jantar. Saudou cortesmente a seu pai, a educação era algo que não podia evitar, mas para Lucius foi um enorme avanço, estava convencido de que em um dia seu filho poderia lhe perdoar sua infidelidade.
O jantar decorreu com toda animosidade graças a Ayrton que não deixava de falar de sua escola e dos sustos que tinha dado sem querer a seus colegas com suas ocasionais manifestações mágicas. Tinha aprendido boas desculpas para apresentá-las a quem não eram magos, e sempre ficava em divertidos episódios que a todos faziam rir.
Terminando o jantar dirigiram-se para a árvore. Ayrton era o mais apressado em abrir os presentes e não teve quem lhe detivesse. A maioria resultou ser para ele e isso o fazia se emocionar sem reservas.
De repente, tomou um com uma envoltura verde muito elegante.
— A ver, este é… —disse se esforçando por poder ler o cartão—… de papai Severus.
Harry sorriu acercando a seu esposo, sujeitando de seu braço, convencido de que o presente seria para ele, por isso não soube que sentir quando Ayrton gritou entusiasmado:
— É de papai Severus para papai Lucius! —exclamou feliz de ter conseguido saber ler a etiqueta, e correu para seu pai para dar-lhe o presente.
Lucius recebeu-o esforçando-se como nunca em não mostrar a sensação candente que lhe percorria o sangue por ter obtido um obsequio de quem amava. Sorriu suavemente para onde estava Severus e este assentiu com a cabeça em correspondência.
No entanto, não teve tempo de terminar de abrir a envoltura, pois Harry lançou um suave gemido de dor enquanto se dobrava sobre si mesmo provocando que todos se lhe acercassem alarmados.
— Harry, que tens? —perguntou Severus sustentando lhe preocupado.
— Dói… Não sei, talvez pateou demasiado forte. —respondeu respirando irregularmente, ainda que quase em seguida outra dor fez-lhe apertar fortemente as pálpebras. — Sev, acho que melhor vamos ao hospital.
Ninguém se fez esperar, se armou um verdadeiro alvoroço supondo que a chegada do bebê estava próxima, inclusive Ayrton não deixava de saltar emocionado e feliz porque cedo conheceria a seu irmãozinho. Em poucos segundos todos tinham desaparecido com rumo a St. Mungo… O único que ficou em seu lugar sem se mover foi Lucius, com seu presente a meio desenvolver, e a segurança de que nem com mil anos em Azkaban tivesse pago pior condena que a horrível sensação de solidão que agora tinha.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Harry tinha sido acomodado em uma cama do hospital enquanto preparava-se tudo para sua cesárea, Severus não se movia de seu lado, estreitando a mão e lhe brindando ânimo na cada contração. Aos pés da cama, Ayrton mantinha-se quieto, algo temeroso pelo rosto de dor de Harry.
Em um dos descansos, Harry respirava ainda agitadamente quando notou a presença do menino ao outro lado da cama, mal se lhe via parte da cabeça com suas olhinhos assustados depois de os pés de cama.
— Sev… acho que Ayrton não deveria estar aqui, se pode assustar. —gemeu dolorido.
Até esse momento Severus notou a seu filho escondido e foi por ele lhe sustentando em braços.
— Que fazes aqui, jovenzinho? Disse-te que ficasse com seu papai.
— Papai não veio… e como você também é meu papai, me sujeitei de Draco e depois te segui a ti. —respondeu sem deixar de olhar a onde Harry agora com outra contração.
— Ah, bem, de acordo. Então agora mesmo te levarei com Albus, ele te cuidará.
— Harry estará bem?
— Sim, não se preocupe por ele.
— Não sabia que um bebê doesse tanto.
A porta abriu-se então, Lucius apareceu com sua característica pose altiva, e sem dizer nada foi para Severus para sustentar a seu filho.
— Eu me levarei, não deve de estar aqui. —murmurou com dureza.
— Doí-te tanto como a Harry? —perguntou o menino abraçando-se de Lucius, escondendo seu rosto em seu pescoço, amando mais a seu pai por ter sofrido por ele.
Lucius não respondeu, olhou para onde estava Harry pela primeira vez desde que entrasse. Harry sentiu então que a diplomacia do loiro tinha terminado, se lhe via molesto, quiçá mais que isso. Uma contração veio nesse momento, acompanhada por uma sensação estranha que de imediato se apoderou dele, e de repente, voltou a se encolher sobre si mesmo em um grito afogado de dor, uma dor mais intensa que qualquer outro.
— Harry! —chamou-lhe Severus correndo a seu lado, abraçou-lhe ao ver que o garoto se levava as mãos à cabeça revolvendo-se atormentado. — Lucius, chame a um medimago de imediato, faz favor!
Lucius assentiu e saiu levando a seu filho com ele. Ayrton tinha voltado a fixar sua vista em Harry quem mal tinha cor em seu rosto ante a dor que sentia.
— A cicatriz, Sev, dói-me a cicatriz! —gemeu Harry fazendo um grande esforço para hilar palavras.
— Amor, não diga isso, agora mesmo vem ajuda.
Harry não quis discutir mais, a dor era insuportável. Nesse momento chegaram os médicos a cargo de Harry pelo que Severus teve que sair. Na salinha de espera estavam todos, alarmados pelo que Lucius lhes tinha informado. Olhou então ao loiro quem de imediato captou a intenção em seus olhos, sem dizer nada, deu meia volta e desapareceu se levando a Ayrton.
Uns minutos mais tarde, Harry já era conduzido a sala de operações, e sua cesárea não durou muito, no entanto, Severus ainda teve que esperar ao redor de uma hora para ter notícias. Muitas vezes esteve a ponto de armar escândalo ante o silêncio dos médicos, mas Dumbledore sempre lhe forçou a se acalmar e esperar.
Por fim um mago vestido de azul e com rastros de sangue saiu, via-se-lhe suado e cansado, e foi diretamente para onde Severus lhe olhava preocupado.
— E Harry?
— Ele está bem, tivemos que seda-lo completamente pela dor. Sofreu um forte desajuste em sua pressão arterial, atualmente já temos podido o remeter e está em cifras normais, no entanto, se manterá em vigilância contínua. Não se preocupe, é só rotineiro, não teve complicações.
— E meu bebê? —perguntou depois de permitir-se um profundo suspiro de alívio.
— Em perfeitas condições atualmente. É um menino forte, nasceu um pouco abatido pela situação orgânica de seu pai, mas recuperou-se com rapidez. Pode vê-lo assim que desejei, encontra-se em área de cleros.
— Posso ver a Harry primeiro?
— Não teria caso, ele não acordará até dentro de um par de horas.
Severus assentiu e foi à sala de cleros a onde o médico o guiou. Chegaram junto a uma incubadora que dava calor a seu menino. O médico abriu a tampa e cobrindo ao bebê com uma manta, entregou-o a Severus deixando-lhe a sós com ele.
O moreno teve que sentar em uma cadeira próxima, as pernas lhe tremiam e temia o deixar cair. A emoção que sentia era indescritível, não podia nem pensar, tão só percebia algo forte no estômago que dava muito calor e felicidade.
Acercou seu dedo índice ao rosto do bebê. Sorriu percorrendo seu narizinho pequeno, que se franziu ante o toque para depois espirrar.
— Se resulta alérgico a seu pai terá que tomar uma poção todos os dias, porque nem louco deixarei de te abraçar a cada dia de sua vida, pequeno formoso. —disse-lhe enquanto uma lágrima de alegria escorregava por sua bochecha.
O menino permaneceu quieto desde esse momento, permitindo que seu pai lhe explorasse com toda tranquilidade. Severus sorria descobrindo a cada rasgo tão parecido ao de Harry, a forma de seus olhos, suas pestanas escuras e povoadas. Os lábios rosados ressaltando entre a pele, a qual era tão branca como a sua. Tinha muitas coisas suas também.
O menino tinha uma cabeleira negra e abundante, algo longa para ser de um recém nascido mas que lhe dava um aspecto travesso e doce ao mesmo tempo. Um suspiro brotou da garganta do pequeno quando seu pai se inclinou para lhe dar um beijo na testa e depois recosta-lo sobre seu peito.
Severus tinha a sensação de que era tão ligeiro como uma brisa, mas que irradiava tanta magia que podia passar por um furacão. Fechou os olhos para senti-lo, para desfrutar de suas magias reconhecendo-se como pai e filho, seus corações se unindo em um mesmo carinho.
— Amo-te. —lhe sussurrou amoroso, e o bebê gemeu no mesmo tom. Seus finos lábios esboçaram um sorriso, convencido de que esse gemido era um "Eu mais" vindo da alma de seu filho… De seu filho com Harry, o amor de sua vida.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Um par de horas mais tarde, Severus já se encontrava no quarto de Harry, esperando a que este acordasse enquanto adormecia a seu filho. Dumbledore estava com ele, se despedindo para regressar ao colégio, quando por fim um som de Harry lhes alertou, o garoto estava por acordar.
Rapidamente Severus apressou-se a colocar a seu bebê no berço e poder ir ao lado de seu esposo. O tênue gemido de Harry converteu-se em uma careta de dor, e com profundo esforço levou-se uma mão à testa.
— Doeu… porque doeu? —perguntou abrindo os olhos e encontrando-se a Severus a seu lado junto ao Diretor.
— Harry, o médico disse que te subiu a pressão arterial, por isso foi a dor de cabeça. —assegurou Severus arrulhou em seus braços. — Se sente mau, segue descansando um pouco mais.
— Não era dor na cabeça… era a cicatriz. —insistiu com a pouca força que tinha.
— Harry, Severus tem razão, descansa e deixa de pressionar-te. —interveio Dumbledore. — Eu te posso assegurar que não tem nada por que temer… essa cicatriz não pode doer, é só isso, uma cicatriz.
— Jure. —pediu ansioso.
— Confia em mim.
— Já o esquece. Ou é que não quer ver a nosso filho? —questionou-lhe Severus sorrindo-lhe, tentando que Harry se esquecesse daquela obsessão.
O rosto de Harry alumiou-se com um sorriso enquanto assentia. Severus foi pelo menino e colocou-o suavemente nos braços de Harry depois de acomodá-lo para que pudesse o sustentar com segurança.
— É tão belo! —exclamou Harry emocionado ainda que debilmente pelos efeitos da anestesia. Severus tinha-se encarregado pessoalmente de vestir a seu filho, colocou-lhe um mameluco branco que tinha o desenho de um unicórnio no pecho, e um gorrinho fazendo jogo, Harry sentiu que a vida era perfeita quando lhe tirou as luvas das mãos e seu filho de imediato se aferrou a ele.
— Sei-o, parece-se a ti.
— Também a ti… olha seu cabelo, que suave é.
— Tudo nele é suave.
Harry assentiu, apertou a seu filho contra seu peito. Por um segundo sorriu feliz, mas depois voltou a expressão de angústia em seu rosto e soluço ruidosamente.
— Harry, que passa?
— Preciso estar seguro que não há nenhuma possibilidade…
— Já não pense em isso.
— Preciso assegurar-me, Severus!... Professor Dumbledore… —agregou olhando ao idoso que lhes via com seriedade. —… Teria a possibilidade de ter deixado algum cabo solto que não contemplamos?
— Não, Harry, tudo terminou. —afirmou o diretor.
— E… e não há nenhuma outra possibilidade de que Voldemort esteja vivo?
— Não, Harry, não a há, absolutamente nenhuma.
— Isso espero.
— Posso assegurar. A dor que sentiste te confundiu, não era a cicatriz a que te doía.
— Oxalá seja assim… mas senão, juro que se sei de algo maligno por aí o destruirei sem duvidar. Meu filho não vai viver com medo. Quis uma vida tranquila para ele e a vai ter… Não me importo se tenho que voltar a matar.
Harry inclinou-se para beijar a seu filho, selando dessa maneira sua promessa. A ninguém lhe permitiria provocar uma só lágrima de seu bebê. Severus não disse nada, tão só o olhou com uma expressão inescrutável, mas quando Harry volteou para ele e lhe sorriu, pôde o fazer também.
— Se chamará Anthony… está de acordo? —perguntou Harry.
— Será como queira, e Anthony é um belo nome.
— Bem, obrigado. Anthony Severus Snape Potter… —chamou a seu filho por seu nome completo enquanto abraçava-o calidamente. —… Aqui estamos seus pais, e vamos querer-te muito, e te protegeremos de todo mau até o final de nossos dias… verdade, Severus?
Severus assentiu, acariciou a cabecinha de seu filho enquanto a sua mente vinha a imagem risonha de Ayrton, recordando que em um dia também formulou para ele a mesma promessa.
Tão só esperava que Harry se esquecesse de seus temores, a ideia de que lhe doesse novamente a cicatriz era uma loucura, preferia pensar que os medimagos tinham razão e foi uma confusão de seu esposo devido a seu descontrole da pressão arterial.
0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0
Nota tradutor:
Mais um capitulo!
Vejo vocês nos reviews!
Ate breve!
