Capítulo 7: Solos

Emelina POV:

- Não adianta, não é mais preciso – Maria respondeu com certo entusiasmo. – Lily já conseguiu um novo membro, pra que fazer um showzinho?

- Se você não se lembra ainda falta um membro – insisti. – Maria, por favor!

- Querida Emelina, eu já disse que isso não tem cabimento. O novo membro logo aparecerá. Além de tudo – Maria engoliu seu precioso suco de abóbora -, ouvi dizer que um amigo do Sean está pensando em se inscrever.

- Quem, o Jack Carthy? Ele só quer puxar o saco da Lily.

- Mas é um membro, certo? – Maria deu de ombros.

Tentei desistir, e procurei rapidamente por Alice na mesa. Estava sentada junto com Franco, numa conversa entusiasmada. Sinto muito, mas tinha que interferir no casal por um instante.

- Alice! Você mesma! – me sentei ao seu lado, e ela pulou na cadeira, assustada.

- Ah, oi Lina. Quase me matou do coração! – ela disse, acariciando o peito.

- Desculpe. Bem, receio que está sabendo que aquilo ainda está de pé. Oi Franco!

- Aquilo o quê? – ela franziu a testa.

- Sabe... aquilo.

- Aquilo o que, criatura?

- Nosso número em público, mais membros... – gesticulei com as mãos. – Se lembra?

- Ah sim, claro. Mas já temos o Sean de novo membro. – ela disse.

- Mas falta um.

- Mas logo vai aparecer, não é?

- E se não aparecer e não podermos competir? – falei demonstrando ao máximo o meu desespero.

- Relaxa, vai aparecer sim – Alice sorriu.

Antes que eu soltasse alguma coisa indevida me levantei, ainda pensando qual seria minha próxima vítima. Remo não estava por ali, ele sumiu desde ontem depois do coral...

Enfim, duas pessoas já desistiram, e só me restava Remo. Lily também não aceitou, dizendo estar atarefada com as coisas da monitoria, Jason não sabe cantar, muito menos Franco... Droga.

Eu acordei meio histérica hoje, mal estou me reconhecendo. Acho que são os nervos, ou então a mudança bruta na rotina. Sabe como é, acabei todas as redações e não tem absolutamente nada pra fazer, e não há como eu ir relaxar nos jardins sozinha, já que as meninas não terminaram suas redações. Eu até faria para elas, mas Sophie insiste em fazer por si própria e Dorcas se sentia humilhada por eu fazer, como se ela fosse inferior. Pffff.

Todo mundo almoçando e eu não estava nem um pouco com fome, então decidi ir pra Torre da Grifinória. Ainda pensava que talvez eu possa encontrar algo pra fazer, quando encontro de cara com Sean no buraco do retrato.

- Ah, olá Emelina – ele me cumprimentou com um sorriso. Comecei a conversar com ele somente no domingo, e hoje é sexta e ele pra mim já é bem íntimo.

- Oi – respondi seca; coitado do garoto, não merecia esse tratamento.

- Algum problema?

- Não – falei emburrada, até uma luz clarear minha mente. – Quero dizer, sim.

- Quer conversar? – perguntou meio hesitante. Mas é um doce de garoto.

- Sim! – puxei seu braço e entramos juntos na sala comunal. Eu estava realmente estranha. Acho que Dorcas colocou alguma coisa na minha bebida.

- Então, o que aconteceu? – Sean colocou seus livros de lado.

- Estou com receio de que não possamos competir por falta de membros no coral – falei de uma vez.

- Só falta um, não é?

- Sim, mas e se não aparecer nenhum até o dia das bruxas? Que dia é hoje?

- Dia dois, não sei – ele falou com calma. – Não se preocupe Emelina, logo vai aparecer alguém.

- Mas eu tive uma ideia sabe. Algo do tipo de fazermos uma apresentação para os outros e eles verem como é legal cantar e fazer parte de um coral. O que você acha?

- Bem interessante – ele sorriu. – No que estava pensando?

- Em nada, pra falar a verdade. Primeiramente estou procurando alguém pra participar.

- Se quiser minha ajuda...

- Quero! – falei, contente. – Muito obrigada. Mas enfim, de todos achei que seria o último a querer participar.

- Se alguém estiver junto não tem problemas – ele deu de ombros. – Ainda mais porque não quero que Jack entre. Sabe, ele é meio bajulador.

Gostei desse menino.

- Ótimo – concordei. – Já tenho algumas ideias, agora é só esperar que os outros concordem.

Enfim, achei algo pra me ocupar. Passamos um tempão tendo ideias malucas e divertidas de músicas, algo que ele entendia muito bem. E, enquanto isso, pensávamos num jeito de convencer os outros a participar também, o que, com a graça de Merlim, espero que aconteça.


Remo POV:

- Então, eu estava dizendo para Beth que eu poderia levá-la na Dedosdemel depois que formos ao Três Vassouras... – Sirius tagarelava, e só Rabicho ouvia.

- Chega Sirius, já entendemos que você vai fazer a festa com a Beth amanhã, uhul! – James falou com falso entusiasmo.

- Vocês só estão assim secos porque vão totalmente desacompanhados, sem nenhuma ruiva ou nenhuma garota cujo sobrenome tem a letra "V".

- Você é tão irritante quando quer – falei com impaciência.

- Vocês só estão com inveja. Inveja porque eu consigo conquistar as garotas que eu quero – Sirius falou, e decidi ignorar, voltando a atenção pra minha redação. – Ou uma já te deu um fora até não querer mais ou o cara não tem coragem suficiente para chamá-la.

- Sirius, cale a boca – James murmurou, e ele gargalhou em resposta.

- Ai ai, a inveja é doce – Sirius provocou.

- Quer saber, vou fazer outra coisa – James sorriu, então acenou. – Ei! Emelina!

Ergui os olhos para três garotas que tinham acabado de entrar na sala comunal. Eram elas Sophie, Emelina e Dorcas.

- Olá, gente – Emelina sorriu.

- Bom, só queria saber se vocês gostariam de nos acompanhar para Hogsmeade amanhã – James disse no seu tom mais gentil.

Dorcas bufou.

- Eu? Com vocês? E Sirius Black? – ela olhou para Almofadinhas com repugnância. – Nem pensar!

- Na verdade – James falou com uma calma perigosa. -, quando eu falei "vocês", esse círculo incluía apenas Emelina e Sophie.

- Desculpa James, muito legal da sua parte nos convidar, mas eu prefiro ficar no meu dormitório do que ficar perto e muito menos fazer companhia a certos... indivíduos. – Sophie falou irritada. Entendi o motivo. Sirius olhava a cena meio chocado.

- Não se preocupe, ele não vai com a gente – tentei ajudar Pontas. – Vai com Beth, é.

- E eu vou com Jason, graças a Merlim – disse Dorcas, convencida.

- Nesse caso, tudo bem – Sophie sorriu. – Eu e Emelina vamos.

- Ótimo – James sorriu, e nós quatro observamos as três subir para o dormitório feminino.

- Você ficou louco? – Sirius perguntou alarmado.

- Estou garantindo nossa companhia. E não me venha dizer que ficou com ciúmes de Sophie – James brincou.

- Não... é claro que não! – Sirius bufou.

Eu e James trocamos rápidos olhares, até entender que quanto mais Sirius tentava mentir, mais ficava na cara sua mentira.


Maria POV:

Prepare-se Lily. – MM

Para o quê? – LE

Maria aliviando nossas aulas de História da Magia. Lily preparar para o quê? – AB

Não soube da última? – MM

Se você me contar... – LE

Ok? Está pronta? – MM

Desembucha, Maria. – LE

James vai a Hogsmeade com Sophie. – MM

Que bom pra eles. – LE

Que bom pra eles? Que bom pra eles? Sei, como se eu não tivesse notado sua demora pra devolver o papel. – MM

Eu estava anotando a matéria. – LE

Como se você emprestou sua pena para mim? – MM

Eu peguei a da Alice. – LE

Eu estou usando a minha agora. – AB

Pega no flagra! Fala logo Lily, você se incomodou. – MM

Não vou te responder, simples assim. – LE

Como ficou sabendo disso, Maria? – AB

Dorcas contou para mim minutos depois do pedido. – MM

Aquela lá é uma fofoqueira de primeira. – AB

Pelo menos ela me deixa antenada nos assuntos do castelo. – MM

Ela gosta é de cuidar da vida dos outros, isso sim. – LE

Não finja que não se importou, Lily. Dá pra ver que você corou. – MM

É porque você fica me enchendo o saco! Pare com isso. E pare de me passar esse papel. – LE

Lily, bobinha. – MM

Tocou o sinal. Transfiguração agora. – AB


Lily POV:

Eu não me importei, é claro que não!

Lily Evans, por que ao menos você está pensando nisso? É completamente estúpido e sem sentido isso. Tudo culpa da Maria é claro. Pra que diabos ela fica enchendo a sua cabeça de lorotas? Francamente, ela não tem nada melhor pra fazer.

Eu sei essa situação está idiota. Vou parar de pensar nisso.

É bom mesmo, afinal, você tem muito mais coisas importantes pra pensar! Coral, monitoria, trabalhos e redações...

Você tem razão. Não posso tirar o foco disso.

E esses foram os poucos minutos que comecei a falar comigo mesma – claro, não em voz alta. Acho que eu estava tendo uma pequena conversa com a minha consciência. É, deve ser isso. Por que não há outra explicação, a não ser que eu esteja ficando louca.

Eu estou ficando louca?

Não é claro que não!

Tenho que parar com isso, acho que eu realmente não bato bem e...

Merlim! James está ali na frente!

E daí? Passa reto e finge que não viu.

Mas ele é meu amigo, eu tenho que falar com ele! E mesmo assim isso seria uma clara demonstração que eu me importo.

Você não se importa! Falando com ele ou não!

Certo, então vou passar reto...

- Ei, Lily! – James me chamou.

Merlim, ele me chamou! O que eu faço?

Conversa com ele naturalmente. Seja uma boa atriz.

- Ah, er... olá James! – tentei sorrir, ainda fugindo do meu confronto mental. – Desculpa não ter te visto, ando meio distraída...

- Sem problemas – ele sorriu charmosamente. Charmosamente? Lily Evans! – E então, animada para o passeio de amanhã?

Ele é um salafrário sem vergonha. Quer ainda que eu puxe o assunto! Já deve saber que eu sei que ele vai a Hogsmeade com Sophie, ou, pelo menos, quer ter certeza que eu sei.

- Ahn... acho que eu não vou – falei mais baixo do que pretendia.

- Não vai? Quem em sã consciência não vai a Hogsmeade?

Eu sou sã e não vou. Quero dizer, vou sim. Lily, porque você disse que não vai?

Pois é, eu não sei.

- Na verdade, não tenho certeza se vou – corrigi rapidamente.

- Ora, você tem que ir – ele disse animado, me dando uma leve cotovelada.

- O problema é que eu não vou estar tão bem acompanhada quanto você.

LILY EVANS! POR QUE VOCÊ DISSE ISSO?

Eu não sei. Sou idiota, eu sei. Soltei isso do nada!

- Como assim? – James perguntou, intrigado.

- Er... bom... – gaguejei, procurando desesperadamente por uma resposta. – Eu... não sei se Maria ou Alice vão comigo.

- E por que não iriam?

- Porque... por quê? É... – comecei a suar. Mas que diabos está acontecendo comigo? – É... que eu acho que... eu estou chata demais para a companhia delas! É isso!

James me olhou de um jeito estranho.

É claro que ele olharia estranho! Você é estranha!

- Não sou estranha – soltei alto. James piorou sua expressão; agora sim, ele está ainda mais convicto que eu fugi do St. Mungus.

- Quê? – ele ergueu a sobrancelha.

- Eu estava... falando... com o... com uma mosca aqui. Er... – pelo amor de Merlim! Havíamos chegado à sala de Transfiguração. – Tchau!

Corri mais depressa que pude até a carteira ao lado de Alice, que me olhou estranho.

- Lily, o que aconteceu? – ela me avaliava. Nem quero imaginar como minha cara deve estar.

- Nada – foi o que consegui dizer.

Falando com uma mosca? Lily, você é totalmente, completamente idiota!

É, eu sei disso.


Sophie POV:

- Eu ainda queria entender o porquê de tanta raiva sua pelo Black, Sophie – Dorcas começou de novo.

- Já disse. Ele me atormenta demais.

- Quando? Nunca vi vocês sequer conversando! – Dorcas parecia intrigada, e quando isso acontece é totalmente insuportável.

- Ele me encheu pra caramba naquela aula de Poções, lembra? Onde Slughorn sorteou os nomes...

- Lembro. Mas se bem que eu me lembro de que vocês tinham conversando antes disso, e ele te deu um fora...

- Aquilo não foi um fora, Dorcas – falei com um suspiro.

Ela gargalhou mais um pouco e por sorte mudou de assunto, falando com que penteado iria até Hogsmeade amanhã. Mas eu podia notar Emelina me observando. Estaria ela desconfiando de alguma coisa?

Que se dane. Acho que nem vou nessa droga de passeio...

Mentira, vou sim. Tenho que reabastecer minha caixa de caldeirões de chocolate.


Sean McBouth POV:

- Você tem alguma coisa, Lily? Parece pálida – comentei.

- Não tenho nada. Estou bem – ela falou vagamente, levando a colher a boca. Na verdade, ela quase não estava comendo, só disfarçando.

- Acho que é porque ela ficou sabendo que James está em outra. Está com ciúmes – Maria deu uma pequena risada.

- Ela está assim desde a aula de Transfiguração, e você contou pra ela na aula de História da Magia – Alice defendeu.

- Mas você pensa que eu não vi ela conversando com o James depois disso, no corredor a caminho da sala? – Maria intrigou.

Pelo pequeno tempo que eu conheço as três já deu pra ter uma ideia geral de suas características. Sei lá, gosto de observar isso. Lily era dócil, mas isso era quase imperceptível graças a sua fachada mandona de monitora-chefe e seu estresse diário. Era muito indecisa também, e, é claro, uma ótima amiga. Maria tinha certo dom para causar desentendimentos, mas não parecia fazer de propósito. Era meio irritada com tudo, e sempre exigia seus direitos. Porém era muito divertida, sempre gosta de manter o bom humor. Já Alice era a neutra das três, sempre calma e relaxada, sempre estava ali pra controlar as duas com qualquer coisa que acontecesse. Como terça-feira, quando Maria estava armando fazer Jason tropeçar, Alice o alertou e Maria começou uma longa e demorada discussão. Fui experto o bastante para sair de perto de fininho.

- Estou bem – Lily repetiu, o olhar perdido; Maria e Alice trocaram olhares, e eu decidi não fazer outro comentário.

Depois do jantar me dirigi para biblioteca, onde Jenny e Ben deveriam estar me esperando, e decidi tirar o estranho comportamento de Lily da cabeça. Perguntaria pra ela depois.


Sophie POV:

Acho que já era tarde. Eu e Emelina ficamos um bom tempo estudando na biblioteca, até ela dizer que tinha que ir até a sala comunal ajudar Dorcas com a redação de Feitiços – já que ela deixou o orgulho bobo de lado e deixou ser ajudada. Eu até iria se Dorcas não estivesse estupidamente chata e irritante, mais que o normal, tudo por causa de sua implicância com o canalha do Black.

E até hoje não contei a nenhuma das duas sobre o beijo. Nem a elas e nem ninguém, só eu e o idiota sabemos. Quero dizer, a não se que ele contou aos amigos deles, que, na minha opinião, não faria nenhuma diferença. Todos dos marotos tem a cabeça no lugar, menos ele. Idiota, nojento, repugnante...

Fiz meu caminho pra sala comunal com medo de topar com Filch por aí ou até mesmo a Madame Nora e quase fui vista por Pirraça que parecia estar causando o maior caos numa sala vazia – suspeito que esteja jogando bomba de bosta na parede e no chão para caso alguém quiser entrar lá.

Mas encontrar Filch, Madame Nora ou Pirraça era uma benção de Merlim comparado a quem eu encontrei. Adivinha!

Ainda andando pelo corredor, quase chegando nas escadarias até o retrato da Mulher Gorda, quase lá, bem pertinho, senti meu braço ser agarrado e fui prensada na parede. Por ele.

- AI! – gritei, e com um "Shhhhh" baixinho ele colocou aquele dedo repulsante na minha boca.

- Não vai querer que o castelo inteiro acorde, vai? – ele riu. Até sua risada parecia de cachorro, idiota.

- Vou, vou sim! Antes isso do que ficar perto de você... me solta! – me debati. – Me solta, Black!

- Está nervosa, precisa relaxar McKinnon – ele disse com um brilho nos olhos.

- E você precisa lustrar essa sua cara de pau! – falei, com esforço empurrando seu corpo pra longe de mim. – O que você quer comigo, hein?

- Só te alertar para se comportar amanhã em Hogsmeade.

Fiquei em silêncio, encarando-o com um ar entediado.

- Olha aqui, cale a boca – falei.

- É só um aviso, querida – ele riu mais uma vez. Argh!

- Por que você faz isso? Só me explique por que diabos você faz isso! Queria entender porque você ama me atormentar, queria entender porque você me... – abaixei a voz – me beijou aquele dia!

- Ora, porque eu quis – ele deu de ombros. – E é divertido, tanto – ele deu um passo a frente -, tanto que quero me divertir mais uma vez...

Há, mas agora eu estava preparada! Estava mesmo! Um estalo ecoou pelo corredor quando minha mão direita entrou em contato com o rosto do imbecil. Foi uma sensação tão... aliviante.
- Isso é pra você aprender que não se deve brincar com as pessoas, seu... nojento! – e dizendo isso dei as costas pra ele. Nem deu para eu ver qual foi sua reação, mas o que conta é que eu me senti vingada. Empatei o jogo, Sirius Black.
Devo dizer que entrei no meu dormitório aos pulinhos?


Lily POV:

Acordei naquela manhã com certo peso no estômago. Era um daqueles dias que você sabia que não deveria sair da cama por nada desse mundo. Afinal, pra quê? As cobertas estão me pedindo para ficar, meu travesseiro, meu colchão fofinho... Então pra quê? Estou perfeitamente bem aqui. Depois é só pedir para que as garotas tragam algumas coisas para mim e pronto.

E foi assim. Fiquei lá, com minha cabeça enfiada no cobertor enquanto escutava todas as garotas se levantarem, ir pro banheiro, andar pra lá e pra cá vasculhando o malão, comentando que roupa deveria ir e que penteado. Continuei deitada, esperando que voltasse adormecer.

Mas foi impossível quando Alice me balançou.

- Lily, acorda! Logo estaremos descendo pra Hogsmeade, acorda!

- Hum... eu não vou – murmurei com minha voz na rouquidão matinal.

- Tá louca, garota? – ouvi a voz de Maria se aproximar. – Você vai sim!

- Não estou me sentindo muito bem.

- Ora, então vamos te levar para Madame Pomfrey e de lá iremos para Hogsmeade – Maria disse, e então me descobriu completamente; me encolhi.

- Ah, qual é Lily! Não acredito que você vai ficar aí com um lindo dia lá fora! – Alice tentou.

- Podem ir. Mas me tragam muitos doces. Depois pago pra vocês – respondi. Maria bufou.

- Nada disso, você vai sim! – então ela puxou meus braços e juntas caímos de borco no chão. Eu sou gorda, fazer o quê.

- Lily! – Maria protestou, embora risse. – Por favor! Vai fazer essa desfeita com a gente? Isso tudo por conta que James vai com Sophie?

Meu estômago deu uma volta estranha.

- Claro que não! Só estou com uma dor horrível de estômago hoje – falei com sinceridade, mesmo que eu saiba que era por motivo diferente.

- Sendo assim, vamos para ala hospitalar. Hoje, nesse castelo, você não fica! – Maria se colocou de pé e me estendeu a mão. – Vamos.

- Prefiro ficar aqui – abracei meus joelhos.

- Ai, que drama – Maria revirou os olhos.

- O que está acontecendo aqui? – Beth apareceu na porta do banheiro, vestindo uma calça jeans e uma batinha verde clara; pelo visto ela seguiu o conselho de Alice de vestir roupas mais largas. Era incrível como Beth havia ganhado peso de uns tempos pra cá, mas, em minha opinião, ela continuava bonita com seu sorriso invejável por Maria.

- Lily não quer ir para Hogsmeade, acredita? – Alice balançou a cabeça.

- O quê? – foi Louise que falou agora, parando de remexer em seu malão para olhar para mim. – Lily, Hogsmeade é o único lugar onde podemos esfriar a cabeça, onde temos a chance de vestirmos algo diferente que as vestes de Hogwarts. Podemos esfriar a cabeça com compras...

- Passeio – Maria disse.

- Sair com os amigos – Alice sorriu.

- Paqueras – Beth completou.

- Ou seja, você é louca de ficar trancafiada na torre quando tem a chance de sair um pouco – Louise piscou.

- Aliás Lily, eu não quero ficar sozinha! – Maria implicou.

- Você tem Alice, tem Louise...

- Eu vou sair com Richard Docter – Louise anunciou, contente.

- E Alice vai sair com Franco... – Maria falou com desgosto.

- Não vou sair com ele! – Alice corou fervorosamente. – Só vou fazer companhia.

- ... e Beth vai com Sirius. – Maria terminou, ignorando Alice. – Ou seja, eu vou sozinha.

- Mas...

- Nada de mas ou meio mas! Você vai e ponto final! – Maria disse, indignada, e as outras três garotas riram.

Odeio ser convencida pelas pessoas tão facilmente. Fui mais que obrigada a descer e tomar café. O Salão estava bem vazio, acho que descemos tarde demais. As outras garotas já tinham ido com seus acompanhantes então só sobrou Maria, que começou a falar mal de Jason no caminho inteiro, até chegarmos na vila.

Meu estômago já estava revirando.


Alice POV:

Nunca uma conversa entre mim e Franco foi tão divertida. Pela primeira vez em um passeio de Hogsmeade ele não ficou enchendo nossa cabeça com suas histórias de plantas e sei lá mais o quê. Ele estava sendo totalmente gentil, e no momento começamos a conversar sobre quadribol. Ele não entendia muito do assunto, muito menos eu, e por isso estava divertido. Pois nós começávamos a confundir e misturar completamente o nome dos jogadores e de seus respectivos times.

Fomos então até o Três Vassouras, totalmente lotado, e conseguimos com esforço nos sentar mais para o fundo do pub. Avistei Remo, Emelina, Pedro, James e Sophie sentados mais distante de nós, e agradeci a Merlim que Lily não está aqui para presenciar aquilo.


James POV:

É, o passeio estava agradável. Emelina e Sophie eram bem legais, conversavam normalmente, e até conseguiram colocar Rabicho no meio da conversa.

- Eu me lembro! – Emelina gargalhou. – Quando você, James, colocou fogo no seu telescópio de Astronomia! Nossa, a professora Sinistra ficou uma fera!

- Não antes de ficar suspeitando do cheiro de fumaça – Remo lembrou, rindo.

- Mas como você conseguiu fazer aquilo? – Sophie perguntou, surpresa.

- Rabicho, nos daria a honra? – falei para ele, que sabia a história em todos os ângulos.

Enquanto ele contava, procurei disfarçadamente por algum sinal de Lily, como de costume. Não vi nem sinal dela, até bater os olhos em um casal meio agarrado...

Acho que "meio" não é uma palavra meio correta. Sirius e Beth estavam numa mesa afastada, mas bem visível daqui. Olhei rapidamente para Sophie, que ainda ria da história junto com os outros, e depois para o casal do outro lado. Fiquei imaginando qual seria a reação dela se olhasse pra aquela cena. Não sei se ela gosta de Sirius, mas pelo que eu conheço dele com certeza a magoou o suficiente para ela se importar com o que ele estava fazendo no momento.

- Er... Sophie? Vamos dar uma volta? – falei rapidamente, interrompendo Rabicho. – Vamos até a Zonko's, o que você acha?

- Tudo bem, estava pensando em passar por lá mesmo – ela sorriu e se levantou. Tomei o máximo cuidado possível para ela não olhar naquela direção, acenei para eles e consegui com mérito sair de lá com ela.

- Espero que isso não tenha segundas intenções, James – ela alertou, mas em tom brincalhão.

- Não, não se preocupe – sorri, agora aliviado.

Caminhamos até a loja, eu pedindo a Merlim que mantenha Sirius bem longe da gente.


Maria POV:

- Hum, acho que vou levar uns cinco desses sapos de creme de menta, o que você acha, Lily? – perguntei, com as mãos totalmente cheias de produtos da Dedosdemel.

- Leva, mas você vai me dar um.

- Troco por um chicle de baba e bolas seu – sorri.

- Fechado – concordou, rindo.

Saímos de lá com os bolsos cheios, e caminhamos em direção a Zonko's, e logo depois iríamos para o Três Vassouras encontrar com Alice e Franco e interromper um pouco o love deles. É, isso se duas pessoas não tivessem saído aos risos para fora da Zonko's.

Olhei diretamente para Lily que tinha parado brutamente de andar ao ver James e Sophie ali, juntos e sozinhos, feito um casal feliz. Tinha uma cara de choque, e aí que eu vi que eu tinha razão.

- Er... Lily? – chamei, mas ela simplesmente deu as costas e saiu correndo. Garota louca!

- Lily, volta aqui! – gritei, e sem escolha, tive que correr atrás da ruiva.

Mas o destino me odeia mesmo. Correndo atrás da Lily alguém estava saindo no mesmo instante da Madame Puddifoot, o pub para casaizinhos românticos. Acontece que não era um casal, e sim uma pessoa só. Parecia fugir de alguma coisa, o que não era mais inconveniente, já que eu trombei com ela!

- Desculpe... McKinnon? – perguntei, pedindo a Merlim que perdoe meus pecados para isso estar acontecendo comigo.

- MacDonald – ele falou com repulsa. Idiota.

- Argh, mas por que você adora ficar no meu caminho, mas que saco! – protestei, procurando por Lily, ao mesmo tempo percebendo que ele olhava freneticamente para dentro do pub.

- Tá fugindo de quem? – perguntei.

- Da... – ele começou, então me fitou. – Não te interessa.

Bufei.

- Viu a Lily por aí? – perguntei, dando mais uma olhada ao redor. O vilarejo estava totalmente lotado hoje, era impossível encontrar alguém. Sorte minha que o cabelo dela se destacava.

- Coitada, você andou a assustando? MacDonald, isso não é legal – ele balançou a cabeça. Soquei seu peito.

- Idiota – xinguei. – Me dê licença que eu tenho que procurar minha amiga.

- Eu te ajudo – ele veio atrás, acariciando o peito. – Não tenho nada melhor pra fazer.

- Não, obrigada. Procuro sozinha – respondi.

- O vilarejo é público – ele deu de ombros.

Então parei de andar, e apontei meu dedo para ele.

- Espera aí... já entendi tudo! – exclamei. – Você ia com Dorcas para Hogsmeade, né? É dela que você está fugindo?

Ele não respondeu de uma vez, mas quando falou tinha a voz trêmula.

- N-não – gaguejou.

- Aham, tá – falei com sarcasmo. – Mas lamento dizer que não estou a fim de acobertar ninguém.

- Não está acobertando. Só quero achar a Lily, que ao contrário de algumas pessoas é uma pessoa muito legal – desafiou.

- Não me obrigue a fazer o pior – alertei, e ele riu.

- Que medo eu estou de você, MacDonald.

- Francamente, Merlim deve me odiar! – bufei.

- Me diga alguém que não te odeia – ele deu de ombros.

Ótimo, lá vai o meu passeio por água abaixo.


Remo POV:

Depois que James saiu com Sophie e o assunto continuava, entendi o porquê de sua saída bruta dali. Avistei Sirius e Beth não muito longe, e aí a ficha caiu.

- Oh! – Emelina exclamou, olhando na mesma direção que eu. – Black e Cox?

- Ah! Agora entendi! – Rabicho exclamou de repente.

- Entendeu o quê? – Emelina perguntou. Tentei disfarçar um gesto para que ele não prosseguisse, mas não adiantou.

- James tirou Sophie daqui pra ela não ver Sirius com Beth, já que ele já havia beijado ela e tudo mais – Rabicho soltou. Dei um tapa na testa, desolado.

- Ele fez o quê? – Emelina arregalou os olhos, e depois olhou para mim. – Então era isso que estava acontecendo? O motivo de Sophie ter ficado daquele jeito? Remo, você sabia e não me contou!

- Desculpa, Lina, é que não era segredo meu – tentei justificar, e ela pareceu aceitar.

- É, mas é segredo da Sophie, e ela não me contou – Emelina disse, desapontada. – E por que seu amigo faz isso, hein? Beija as garotas do nada e daqui a pouco está com outra...?

- Não me pergunte, eu também não entendo – suspirei.

- Eu entendo – Rabicho falou, e eu e Emelina o encaramos. – Sirius gosta de ser pegador, gosta de se aproveitar de garotas indefesas.

- É, dá pra perceber mesmo – Emelina falou com veemência.

- Aquele lá nunca muda – suspirei novamente.

Olhamos em direção aos dois que continuavam se engolindo. Fiquei meio desconfortável com aquilo, ainda mais com Emelina ali, do meu lado. Eu não podia, e nem ia fazer alguma coisa, é claro. Ainda mais por Rabicho estar e ainda mais por termos apenas amizade.

É, apenas e somente amizade.


Lily POV:

Repulsa. Era o que eu mais sentia no momento. Repulsa de mim, é claro. Por ser uma completa idiota. Primeiro, por que mesmo eu estava chorando? Ah sim, porque eu sou idiota. E porque estou me importando? Porque sou uma idiota! Totalmente idiota!

Por que isso? Eu não gosto de James. Ele é meu amigo.

Amigo, é claro! Ciúmes de amigo, igual quando Alice ia sair com aquele garoto da Corvinal que eu esqueci o nome e Maria ficou toda empertigada, falando horrores do menino. É, é isso.

E também fiquei chateada por James não ter ao menos me contado que sairia com ela. Amigos contam essas coisas, não é?

Eu não gosto dele, ao contrário. Eu já estava cansada do fato de ele ficar me chamando pra sair toda hora, certo? É bom que ele tenha arranjado alguém pra finalmente me deixar em paz.

Era isso que eu queria. Que James me deixasse em paz. Era?

Ele é meu amigo agora e isso não tem nada a ver. Tenho que parar de ficar pensando nisso.

Concordo com você. Finalmente tomou uma decisão correta.

De novo conversando com a consciência, isso é completamente estranho.

É, estranho. Mas eu te ajudo a ver a razão. Você não gosta do James, e ponto final.

Não, não gosto. Ele é somente meu amigo. E tomara que ele e Sophie comecem a namorar e sejam bem felizes.

É assim que se fala garota. Mas por que você chorou?

Porque ando meio carente. Acho que eu preciso arranjar um namorado também.

Nada mais justo. E quanto a Amos Diggory? Aquele lufano não é de se jogar fora, e já correu boatos que ele queria te chamar para sair.

Acho que não é verdade. Sendo assim ele teria chamado. Quero dizer, ouvi falarem isso no ano letivo passado.

Nunca se sabe. Você deve investir. Agora, o importante é que você tenha certeza que você não gosta de James Potter.

Eu não gosto de James Potter.

- Eu não gosto de James Potter – repeti em voz alta, sentada numa rocha bem perto da Casa dos Gritos. Era bom ficar sozinha um pouco e...

- Falando sozinha? – alguém se aproximou.

Ergui a cabeça, secando as lágrimas rapidamente, até eu reconhecer quem era.

- Ah, oi Sean – sorri levemente. – O que você está fazendo aqui?

- Deixei Ed e os outros lá no Cabeça de Javali, não gosto de lá – ele deu de ombros, sentando na mesma pedra que eu. – E vi certa ruiva correndo pra cá, decidi vir averiguar.

Soltei uma risada triste, e ele me fitou profundamente.

- Qual o problema, Lily? Por que está chorando? – perguntou.

- Eu também queria saber – murmurei, sendo mais sincera que pretendia.

- É sobre o mesmo motivo que você estava triste ontem?

- Não sei direito o motivo, mas deve ser sim – dei de ombros.

- Tem alguma coisa a ver com o James?

Olhei de relance para ele, a fim de esconder meu rosto.

- Não.

- Sei – falou, então riu. – Deixa eu adivinhar, você não tem certeza se está gostando dele, mas a sua mente diz e insiste que você não gosta. E você não quer gostar, porque não tem cabimento você gostar de alguém como ele.

Levantei a cabeça, tal o susto. Merlim, como ele sabia disso?

- Como você...?

- Acredite, eu passo muito por isso – ele disse, enigmático. – E Lily, quer uma dica? Não ouça o que sua cabeça diz, ouça seu coração.

- Mas se eu ouvir o coração vou acabar me machucando, não é isso que dizem?

Sean franziu o cenho, olhando pra frente.

- As vezes temos que nos arriscar – respondeu.

Passamos um tempo em silêncio. De onde estávamos dava para ouvir os bruxos conversando alto, andando pelas ruas movimentadas de Hogsmeade.

- Estou confusa – quebrei o silêncio. – Não sei o que meu coração diz, nem o que minha mente diz. Não consigo ouvi-los.

- Então eles ainda não querem ser ouvidos. Precisam ter mais certeza, porque uma hora você vai entender o que eles dizem – Sean sorriu.

Era possível que aquele garoto tinha quinze anos de idade? Acho que não... Ele deve ter repetido muitos anos e ficou com aparência jovial e na verdade ele tem uns trinta anos.

- Obrigada, Sean – abracei o garoto; ele é tão fofo! Acho que pela primeira vez na vida gostei do resultado de uma detenção. – Obrigada mesmo.

- De nada, mas agora – ele se colocou de pé rapidamente. – Vamos limpar essas lágrimas, colocar um sorriso no rosto e entrar naquele pub totalmente revigorada!

- Tá, ok – sorri, e o acompanhei até a vila, braços dados. Já posso imaginar Dorcas com aquele assunto de pedofilia de novo, mas nós sabemos que quando é amizade a gente não liga mais pra nada.

Chegamos ao Três Vassouras, lotadíssimo por sinal, e começamos a procurar algum conhecido no meio daquela multidão toda. E com quem dou de cara? Remo, Emelina, Pedro, Sophie e James, sentados numa mesa próxima, conversando como velhos amigos.

- Olá! – sorri para todos. James ergueu os olhos com tanta rapidez que parecia ter levado um choque. – Viram Maria ou Alice por aí?

- Maria entrou agora pouco com Jason – Sophie respondeu segurando o riso. – E você sabe algum sinal de Dorcas?

- Não, não – respondi. – Obrigada, gente. Vem, Sean.

- Lily, fica um pouco com a gente – James pediu, e pisquei, atônita. Todos me olhavam esperando pela minha resposta. Ah sim, agora virou um complô.

- Não, obrigada James, mas estou procurando por Maria mesmo – falei, tentando sair educada. Acho até que consegui. – Obrigada pelo convite.

E saí arrastando Sean até mais pro meio do bar, procurando por Maria ou Alice, quando vejo ela conversando com uma cara de poucos amigos com Jason, que ria de alguma coisa estupidamente engraçada.

- Devemos cortar o clima, ou não? – Sean perguntou.

- Acho melhor procurarmos Alice.

Mudamos a direção e caminhamos até o outro lado, passando por um tanto de bruxos encapuzados, aqueles de aparência que já rodou o mundo e parou pra tomar um drink. Avistamos Alice e Franco, mas ambos estavam rindo até se engasgar com a cerveja amanteigada. Entreolhei com Sean e balançamos a cabeça simultaneamente.

- O jeito é esperarmos os casaizinhos se separarem. Vamos pedir cerveja amanteigada para nós? – sugeri, e Sean aceitou.

Logo Madame Rosmerta nos trás nossos copos e enquanto bebemos aproveitamos para falar de assuntos fúteis, é claro, evitando voltar ao motivo pelo qual estava chorando agora pouco.

- Lily, não olhe agora – Sean falou de repente, disfarçando com um gole de sua cerveja.

- O quê? – perguntei.

- Tem um garoto olhando pra você ali, perto da porta – Sean sussurrou. Olhei e quem eu vejo?

Um rapaz da Lufa-Lufa e mais outros amigos da mesma casa. Alto, corpo definido – claro, ele é jogador de quadribol –, cabelos castanhos claro, um sorriso bem charmoso... e monitor! Acenei levemente.

- Você conhece? – Sean pareceu interessado.

- É Amos Diggory, monitor da Lufa-Lufa e goleiro do time. Já conversei com ele algumas vezes... Poucas, na verdade. Mas já faz tempo – concluí.

- Bom, então ele quer retornar aos velhos tempos – Sean riu.

- Deixe disso – ri, corada.

- Vamos fazer o seguinte. Vou lá na mesa do pessoal dar uma voltinha pra ver se ele se aproxima, certo? – Sean pagou sua cerveja, já se levantando.

- Ah, vou ficar aqui sozinha? – fiz um beicinho.

- Não por enquanto – ele piscou e logo já tinha sumido no meio das mesas.

Que ótimo. Pois eu duvido que Amos se aproximaria de mim...

Nossa, ele está vindo na minha direção!

Controle-se Lily.

Finja naturalidade. É.

- Oi, Lily! – Amos cumprimentou, então apontou para o banco onde momentos antes Sean estava. – Posso?

- Fique a vontade – sorri, nervosa. – Como está, Amos?

- Excelente. E você?

- Também – beberiquei minha cerveja, sentindo o calor invadir meu corpo. – Então, como vai o quadribol?

- Está ótimo, treinando muito, como sempre – ele sorriu. – Mas suponho que não esteja querendo passar informações para Potter, não é mesmo? O primeiro jogo da temporada vai ser contra nós.

- Ah, de jeito nenhum. Não estou nem por dentro desse assunto – balancei a cabeça.

- Mas então Lily – ele se aproximou no banco. Minha mão que segurava o copo suava. – Eu queria perguntar se você... se você por acaso queria...

Ele parou de falar, meio indeciso. Então suspirou. Parecia tão nervoso quanto eu, mas pelo que vi depois que continuou, não tinha nada de corajoso.

- Só queria saber quando será a reunião dos monitores – falou.

- Ah – falei, meio perdida. – Ainda não marquei. Mas por quê? Está encontrando problemas na monitoria?

- Bom, é que alguns jogadores do ano passado se formaram, por isso está uma confusão nos horário, sabe como é... – Amos disse, e parecia meio sem graça por ter vacilado.

- Tudo bem, vou arranjar um horário que encaixe para todos – sorri.

- Obrigado, Lily – Amos deu aquele sorriso lindo. Ele é lindo, confesso. – Então, er... A gente se vê.

- A gente se vê – respondi com um sorriso nervoso, e ele se curvou pra me dar um simples beijo no rosto. Me segurei no banco pra não cair.

Com um último sorriso se afastou. Oh Merlim, você me ama!

Certo, vou parar dar pulinhos histéricos, o duende sentado do meu lado me olhou estranho. Mas duendes são estranhos, vou dar um desconto.

Ainda vibrava internamente, bebendo minha cerveja amanteigada para me acalmar um pouco, e acabei não notando a chegada de alguém.

- O que Amos Diggory queria com você? – James perguntou, e eu me engasguei.

Três minutos depois tossindo, me recuperei. Ele nem se deu ao trabalho de me ajudar, nem deu tapinhas nas costas ou ergueu meus braços ou...

- Que susto, James! – reclamei. – Não faz mais isso!

- O que Diggory queria com você? – perguntou como se tivesse sido ofendido. – O quê?

- Falar sobre a monitoria e... – parei. – Por quê todo esse autoritarismo?

- Eu... – James se debateu, meio incomodado. – Eu não vou com a cara dele... Meio que inimigo.

- Inimigo?

- É... No quadribol, é claro – se apressou a completar. – E vai saber que ele queira pedir informações pra você! Ele sabe que somos amigos...

- Ele disse a mesma coisa, francamente! – paguei minha bebida. – Vocês homens são todos iguais.

- Não me compare com aquele cara – James disse, indignado, me seguindo enquanto eu ainda tentava sair do pub. Precisava de ar.

- Certo, James. Agora volte para a mesa e fique lá.

- Por quê está falando isso? Está me dispensando? Pra fazer o quê? – James atirou as perguntas rapidamente.

- Pra que todo esse interrogatório? – franzi a testa. – Eu só vou tomar um ar.

- Vou junto.

- James! – protestei.

- Tá, tá – falou e então entrou de volta. Sentei num banquinho de madeira próximo e fiquei lá, ainda absorvendo que por pouco Amos Diggory não me chama pra sair.

Mas agora tinha algo a mais me deixando feliz. O que será?

Coisas da sua imaginação Lily, da sua imaginação...


Maria POV:

Sério, eu não merecia aquilo.

- Que droga, cadê a Lily? – já falei irritada. Era horrível ter que aguentar aquele hipócrita nojento no meu pé.

- Fugiu de você pra valer mesmo – ele falou.

- Cale a sua boca – rosnei. – Você já está atormentando demais. Aliás, o que é que você está fazendo aqui ainda?

- Só estou... – começou, mas então a porta do Três Vassouras abriu e eis que vem Dorcas entrando. No momento em que olho para o banco ao meu lado, está vazio.

Acompanho com o olhar Jason correr para o banheiro masculino e ficar por lá. Ele está totalmente louco.

Dorcas, então, caminha até a mim e se senta.

- Um uísque de fogo, por favor – ela fala, cansada.

- Não exagera, viu Dorcas? – aconselhei, com uma risada. – Algum problema?

- Estou com raiva, Maria. Muita raiva – respondeu. – Meu encontro desapareceu!

- Como assim? – perguntei, interessada.

- No momento em que eu fui no banheiro e voltei Jason havia sumido! – ela levou as mãos ao alto, indignada. – Viu ele por aí?

Vingança.

- Vi, na verdade vi sim – respondi, triunfante. – Ele foi no banheiro, se eu fosse você ficava de olho.

Ela adquiriu uma expressão concentrada, então me levantei, paguei minha bebida e caminhei até Alice e Franco, que questionaram o motivo de meu sorriso vitorioso.

Ah, é tão bom quando tudo fica bem...


James POV:

Conversamos por mais um tempo, ainda mais por Sean ter entrado no grupo para fazer parte das histórias. Conversamos, rimos, bebemos, até decidirmos voltar para o castelo. Nos juntamos a Alice, Franco e Maria e depois com Lily que ainda estava "tomando ar". Sei.

Mas Sophie decidiu voltar para procurar por Dorcas (já que Emelina não queria se dispersar do grupo) e ouvi meu nome ser chamado em algum lugar. O espelho!

- Er... pessoal! Podem ir, nos vemos no jantar – falei.

Tirei o espelho do bolso, vendo o reflexo de Sirius.

- Pontas, corre pra cá! Estou perto da Casa dos Gritos...

Atravessei o vilarejo, andando entre a multidão de pessoas até avistar o casarão de madeira e cheguei até uma pedra onde Sirius estava sentado preguiçosamente.

- O que você quer, Almofadinhas? – falei, já detestando aquele sorriso bobo dele. – Cadê a Beth?

- Ah, já foi embora – ele disse, dando de ombros.

- Então o que você quer?

- Saber das novidades – ele ficou de pé, limpando a calça. – Como foi seu passeio?

- Francamente, você me chamou aqui pra isso, cachorro? – bufei. – Não foi lá agradável.

- E por quê? Já sei... Levou um fora da Lily de novo?

- Não, pior – agora me sentei na pedra –, aquele Diggory idiota ficou em cima dela, conversando...

- Ihh, já vi tudo – Sirius gargalhou. – Se sentiu traído?

- Não, meio que isolado. Ela parecia contente enquanto falava com ele. E comigo... é só amizade – murmurei.

- Desencana e parte pra outra, é o que eu vou fazer agora – Sirius sorriu.

E no silêncio que se seguiu ouvi chamarem meu nome. Ficava mais e mais próximo e me entreolhei com Sirius, perguntando quem era. Fiquei de pé rapidamente.

- James! Ah, aí está você! Vi você vindo pra cá! Por acaso você viu a Dorcas por aí? Ela sumiu com Jason, e eu queria... – Sophie falava rapidamente, então parou de súbito, percebendo que Sirius também estava ali. – Ah.

- Ora, olha só quem tenho a honra de encontrar! – Sirius ergueu os braços, se aproximando de Sophie, que adquiriu uma postura como se fosse lutar ou algo do tipo.

- Fica longe de mim! Se não quiser outro tapa bem nas suas fuças! – ameaçou, e Sirius gargalhou.

E eu só observava. Sirius se aproximava mais de Sophie, que por sua vez não se movera, mas tinha levado a mão no ar. Bom, era melhor eu sair de lá, antes que eles percebessem que eu ainda estava ali.

- Seu idiota, não se aproxime mais! – ela disse, ameaçadora. – Estou avisando!

- Não estou com medo de você McKinnon, ao contrário...

Foi bem rápido pra falar a verdade; Sophie mirou um tapa em Sirius, que com rapidez segurara seu pulso e a trouxe pra perto, puxando-a para um beijo.

- Sirius... – alertei baixo. Já vi que eu não deveria estar ali.

Sophie tentava escapar, se debatendo, e eu, sem saber o que fazer, tentei sair de fininho. Mas Sophie se recuperou.

- SEU IDIOTA, NUNCA MAIS SE ATREVA A ME BEIJAR NOVAMENTE! – berrou, me assustando totalmente da minha fuga. – SEU... SEU...

E saiu correndo.

- Sirius por quê... – comecei, mas achei que Sophie estava desnorteada demais, então decidi sair atrás dela. Parte daquilo era culpa minha... – Sophie! Sophie! Espera aí...

Acabei que a perdi de vista e tive que voltar ao castelo sozinho, porque provavelmente Sirius já estava em Hogwarts, via passagem da Casa dos Gritos.

Mas que droga, droga de passeio.


Emelina POV:

Dorcas soluçava.

- O que eu tenho de tão errado? É meu cabelo? Ele cresceu sabe, tá até mais bonito! É minha maquiagem? É exagerada, se for isso eu peço dicas pra Evans já que ela não usa nenhuma! – fungou novamente. – Sempre o que eu quero nunca acontece e quando acontece sai assim, totalmente distorcido! Parece que eu nasci com uma praga que me afasta de todos e de tudo, como se eu fosse algo nojento e meloso... ISSO NÃO É JUSTO! POR QUE AS PIORES COISAS ACONTECEM COMIGO?

- Ai Dorcas, quanto drama. Nunca te vi assim, que coisa – Sophie suspirou impaciente, folheando seu livro de Feitiços.

Isso não ajudou muito. Dorcas deitou no chão e abraçou as pernas, encolhendo-se. Lá estava eu tentando a consolar, já que inexplicavelmente ela já estava no castelo antes mesmo da gente chegar.

- Como foi que aconteceu isso, Dorcas? – perguntei com cautela, e ela soluçou mais uma vez antes de responder.

- Foi tudo tão legal sabe. Eu e Jason fomos diretos para Madame Puddifoot e ficamos lá por um bom tempo, conversando...

- Detalhe – Sophie interrompeu. – Tenho quase certeza que nessa conversa só você falava.

- Sophie – repreendi. – Continue, Dorcas.

- Então eu fui para o banheiro retocar a maquiagem, sabe como é. Estava um calor lá ainda mais com aqueles chás quentes, sem falar que eu estava nervosa. E com certeza aquilo tinha borrado todo meu trabalho de quatro horas. Eu fui para o banheiro dar uma retocada e quando voltei... quando... voltei...

Dorcas voltou a chorar, e ouvir Sophie resmungar algo como "paciência". Acariciei os cabelos de Dorcas, dando apoio.

- Ele fugiu de mim... E quando Maria me disse que ele estava no banheiro eu... Fiquei plantada lá um tempão... mas ele nunca saiu.

- As vezes Maria confundiu e ele não tinha entrado lá – tentei, sorrindo.

- Não. Ouvi boatos que um menino branquelo de cabelo castanho tinha pulado a janela.

Sophie tossiu, disfarçando a risada. Não sei o que ela ainda fazia aqui, acho que gostaria de ter saído do dormitório junto de Audrey e Geovana, que quando perceberam o estresse de Dorcas se certificaram de descer rapidamente pra sala comunal, dando a desculpa de que tinham que terminar sua redação de Runas Antigas. Nota: nenhuma delas está nessa aula.

- Dorcas, não... não fique assim, tá legal? Você não merece ficar assim por um menino – falei com pesar. – Ele não sabe o que está perdendo...

- Imagina se não – Sophie comentou.

- Não se deixe abalar por isso. Mostre que você é forte, que você vai superar – continuei. – Nenhum garoto idiota merece suas lágrimas.

- Com licença, mas você está se referindo ao meu irmão! – Sophie instou, indignada.

- Por que você não se levanta, ergue essa cabeça e toma um banho? Precisa relaxar, ok? E talvez assim possa descer com a gente para jantar no Salão Principal...

- Eu não vou descer! – Dorcas insistiu.

- Tudo bem então, nós vamos trazer comida pra você.

- Nós? – Sophie arregalou os olhos, e eu a fuzilei com o olhar.

- Então Dorcas, o que você acha?

Lentamente, ela levantou sua postura, deixando os cabelos caírem sobre seu rosto. Tinha o olho e o rosto meio inchados, mas mesmo assim conseguiu ficar de pé e caminhou até o banheiro. Ouvi o baque da porta.

Nos minutos de silêncio, olhei para Sophie que devorava vorazmente um atrás do outro os milhares de caldeirões de chocolate que havia comprado. Só fui falar quando ouvi o barulho do chuveiro.

- Eu sei porque você está assim – acusei. – Pra falar a verdade, eu sei porque você sempre esteve assim de uns dias pra cá.

- Não sei do que você está falando – respondeu com a boca cheia.

- Hum, deixa eu ver – falei com ironia. – Uma única pergunta vai te esfriar a cabeça. Por acaso Sirius Black te beijou novamente?

Foi instantânea a reação de espanto em seu rosto, e eu sorri.

- Confirmado – balancei a cabeça.

- Não sei como... Como? – ela perguntou, jogando o chocolate pro lado e se sentando na cama rapidamente.

- Me contaram – dei de ombros. – Coisa que minha melhor amiga não soube fazer.

Sophie engoliu em seco, e colocou a embalagem pro lado.

- Desculpe Lina, é que... De uma forma ou de outra se eu te contasse Dorcas também saberia, e sabe como é... eu... – seus olhos começaram a lacrimejar. Ótimo, hoje é a noite de todo mundo chorar nesse dormitório.

- Só me responda – ergui a mão para calá-la. – Ele te beijou de novo hoje?

A princípio, Sophie não respondeu. Ficou mais pálida do que já era, e até responder já tinha engolido totalmente o caldeirão não acabado.

- Sim, aquele... desgraçado – murmurou. – Ele me força! É um nojento mesmo, repugnante...

- Mas você gosta? – perguntei de supetão; Sophie engasgou.

- Está louca? É claro que não! Ele praticamente me machuca... é horrível. Quem gostaria de sentir isso? – sua voz estava trêmula. – Desculpe, mas não tenho a intenção de conviver com pessoas violentas.

- E essa já é a segunda vez? – questionei.

- Tecnicamente. Mas ele já tentou me beijar mais uma, só que eu lhe dei uma bela bofetada naquela cara de pau, há se dei! – ela vibrou por um momento, então desabou. – Por que ele faz isso comigo? Por que simplesmente não me esquece como ele faz com todas as garotas desse castelo?

- Belo ponto a ser questionado, minha cara – pisquei, sorrindo. – Sabe, é muito incomum de Sirius Black ficar com uma garota mais que uma vez! Voce é um fato inédito?

- Acredite, isso não tem nada de bom – disse com desgosto.

- Por que não conversa com ele, e explica seriamente para ele que isso está ferindo seus sentimentos?

- Mas isso não está ferindo meus sentimentos!

- Sophie, você engoliu uma caixa inteira de caldeirões de chocolate – falei com franqueza, e ela suspirou.

- Não adianta, você se aproxima dele e ele já quer te beijar – ela disse com certo asco na voz. – A solução é evitá-lo ao máximo.

- Acha que consegue?

- Vou tentar – falou, ao mesmo tempo em que o chuveiro era desligado.

- E Sophie, por favor – sussurrei. – Não desconte sua raiva em Dorcas, ela também anda se desapontando...

Sophie assentiu. Tempo depois Dorcas saiu, e eu me assustei.

- Vocês estão diante Dorcas Meadowes, uma garota que não chora por ninguém, nunca! Porque ela é superior a tudo e a todos e vai derrubar cada um que cruzar seu caminho... Ah! E Sophie! Pegue esse seu humor e enfia no...

- Dorcas! – me levantei depressa. – Dorcas, isso foi ótimo, é ótimo ver que está bem!

- Muito obrigada Lina, você é a melhor amiga do mundo! – me abraçou, mas tenho certeza que nesse período de tempo lançou um olhar de desafio para Sophie. – Decidi que vou descer e mostrar para Jason McKinnon quem é de verdade Dorcas Meadowes.

- Tinha alguma coisa na água daquele chuveiro? – Sophie perguntou.

- Vamos! – Dorcas me puxou pela mão pra fora do quarto.

- E não faça nada de mal ao meu irmão! – ouvi Sophie gritar.

Eu agradeceria a Merlim se Dorcas a tivesse ouvido. Mal chegamos ao Salão e Dorcas se curvou na mesa e agarrou um copo de suco de abóbora de um calouro e caminhou até Jason. Tarde demais.

Risos ecoaram entre os presentes ao verem o líquido descer sobre as vestes de Jason.

- A propósito, você é uma péssima companhia! – falou e caminhou de queixo erguido, mas antes passando perto de Maria para sussurrar: - Bela dica, colega.

Acabou que as duas sentaram juntas e começaram a xingar Jason de nomes censurados, e preferi me juntar a Remo e contar as novidades. Pelo menos eu poupava meus ouvidos.

- Olá! – cumprimentei o grupo, que além de Remo era composto por James, Pedro, Sirius e Sean.

- Oi, Lina. Pelo visto Dorcas está bem – Remo riu.

- Bom, ela está normal. Normal pra ela – comentei, e James riu também.

- E quanto a Sophie? – perguntou.

- Ah sim, claro – falei, censurando Sirius com o olhar. – Muito obrigada por ficar agarrando minha amiga, senhor Black!

- O quê? Ela que quis ficar comigo! – ele disse falsamente, e James o cotovelou. – E quem foi o bocudo que espalhou isso?

Apontamos para Pedro.

- Ótimo, Rabicho. Muito útil da sua parte! – falou irritado. – Veja bem, não quero que isso saia entre nós, certo?

- Entendi, porque você não quer que o castelo inteiro saiba que você ficou com uma garota mais que uma vez. Certo – respondi, e Sirius bufou.

- Só não quero que saibam – ele deu de ombros.

- Você é mais insensível que o Filch em seus dias maus humorados, e olha que isso é muito, hein! – reclamei, e Sirius me ignorou completamente.

- Vem cá, cadê a Lily? – perguntei.

- Ronda – James respondeu. – E por falar em Lily...

- Não, não sei qual é o prato preferido dela – Sirius brincou.

- Só queria saber se vocês já a viram com o Diggory mais vezes – James completou, e balançamos a cabeça.

- Eu já vi uma ruiva com o distintivo de monitor se agarrando com ele por aí, agora não sei... – Sirius riu.

- Não é porque você está próximo de ficar com má fama no castelo que você vai ficar nos atormentando, Almofadinhas – James retrucou.

- Só estou descontraindo o ambiente.

- O que você acha de eu descontrair sua cara? – James desafiou e eles começaram uma briga silenciosa e meio esquisita, que eu, Remo e Pedro assistíamos entediados.

- Ei, Remo – falei enquanto Sirius era quase derrubado da cadeira. – Não sei se você se lembra, mas está me devendo uma coisa...

- Ah, aquela história de show em público? – Remo perguntou meio desconfortável. – Achei que tinha desistido disso, Lina.

- Mesmo que eu tenha entrado eu concordo que não podemos relaxar e devemos achar um novo membro – Sean disse, que até então estava totalmente ausente na conversa. – E eu acho a ideia legal. Pode até ser divertida.

- Viu, Sean está dentro. E você?

Remo me encarou por um momento, então suspirou.

- Vê com os outros – respondeu simplesmente.

- Yes! Você é o máximo Remo! – beijei seu rosto. – Agora, tenho quase certeza que Maria e Alice vão aceitar. Que música cantaremos?

Praticamente só eu e Sean falamos, já que o resto da refeição Remo parecia extremamente vermelho e meio sem graça.


Lily POV:

Mais uma vez acho que minha ronda demorou mais que eu pretendia. Olhei no relógio: meia noite e vinte!

Graças a Merlim os corredores estavam tranquilos. Pirraça devia estar na torre de Astronomia, e é claro que eu não ia subir tanto andar assim pra ir atrás dele. O importante é que cumpri meu papel, e estava relaxada.

Relaxada por Amos ter conversado comigo.

Relaxada porque não tenho nenhuma redação pra fazer. Já terminei todas, mas não é uma má ideia dar uma revisada...

Relaxada porque no passeio não encontrei com Gravelle nenhuma vez.

Relaxada porque tirei aquela ideia de sentir algo a mais por James da cabeça. Eu tinha certeza: eu não gostava dele.

E nada nesse mundo podia me desanimar.

Bom, pelo menos até eu entrar na sala comunal.

Estava uma cochichada louca pra todo lugar. Era uma balbúrdia de conversas que eu já reconhecia. Parecia que tínhamos um novo casalzinho a vista, ou então tinha algo de interessante no quadro de avisos. Verifiquei, mas não tinha nada de diferente a não ser que James marcou o próximo sábado o dia em que começaria os testes de quadribol.

Então era fofoca. Não estava com muita vontade de ouvir, mas já que todos estão comentando... Droga, Gravelle me viu, e está vindo em minha direção.

- Ficou sabendo da nova, Evans? – perguntou com um sorriso enviesado. Lá vem merda. – Deve ser triste pra você, não é? Sua conquista de tantos anos indo por água abaixo...

- Mas do que é que você tá falando, hein Gravelle? – cruzei os braços, e ela deu sua risadinha chata.

- Sophie McKinnon. James Potter. Se agarrando – ela falou triunfante.

- Quê? – perguntei.

- McKinnon foi vista aos amassos com Potter – ela repetiu. – Triste pra você, não é?

- Vê se não enche o saco, Gravelle. Tenho mais o que fazer – falei, então subi numa mesinha próxima. – EI! TODO MUNDO AQUI ME ESCUTA!

As conversas cessaram.

- JÁ PASSAM DA MEIA-NOITE! TODO MUNDO PRA CAMA, AGORA! – gritei. Ser monitora-chefe não era tarefa fácil. – NÃO QUERO NINGUÉM FALANDO AQUI, CAMA!

Alguns resmungaram descontentes, mas pelo me obedeceram. Gravelle lançou mais um sorriso irritante antes de dar as costas, chacoalhando aqueles cabelos oxigenados.

- Lily, você está bem? – Sean perguntou, preocupado.

- Não fique triste, ok? Não vale a pena – Maria se adiantou. Ela , Alice e Sean me cercaram, como se eu fosse uma retardada ou sei lá o que.

- Gente, eu estou bem. Pra que tudo isso? – perguntei, rindo.

- Não está triste? Não vai chorar? – Maria perguntou, não se convencendo.

- Por que choraria?

- Lily... Sophie estava se agarrando com James.

- E daí? – perguntei. – Caramba, vocês falam que eu sou a dramática! Boa noite Sean, estou subindo.

- Lily! – Alice e Maria chamaram, em uníssono, me seguindo até o quarto. – Vai dizer que não está magoada?

- Garotas, James é meu amigo! Quero mais que ele seja feliz seja com quem for – comecei a tirar os sapatos, e elas fizeram o mesmo. Por milagre, as outras duas já estavam dormindo.

- Ah é? E o que você me diz sobre o fato de ter chorado hoje ao ver os dois só conversando?

- Sean linguarudo de uma figa...

- Ele só estava se certificando que nós, suas melhores amigas, estivéssemos sabendo o que se passa – Alice defendeu.

- Olha, entendam uma coisa, eu estou bem. Não estou com ciúmes porque não há razões pra isso. James não é nada meu além de amigo. Nada – dei de ombros. – E se eu quisesse algo com ele eu ficaria com ele quando ele me pedisse.

- Nós sabemos há sete anos a cabeça dura que você é – Maria disse.

- E que se estivesse interessada em James faria de tudo para parecer o contrário – Alice falou.

- Mas eu não gosto – dei de ombros mais uma vez, tranquila. – E vamos mudar de assunto.

Elas se entreolharam, mas acabaram por concordar. Até eu estava estranhando esse meu comportamento, mas ao mesmo tempo estava feliz comigo mesma, por ter tirado aquela ideia maluca da cabeça. Acho que o fato de que supostamente Amos está interessado em mim esfriou um pouco minha cabeça, e isso foi o suficiente para eu ir dormir com um grande sorriso.


James POV:

- VOCÊ SE AGARROU COM SOPHIE? – Sirius gritou assim que entrei no quarto. Franco e os outros só observavam, interessados.

Tirei meu casaco antes de responder.

- Isso é uma grande mentira. Pelo que eu saiba foi você que fez isso, não eu – falei, meio sonolento.

- Por que estão dizendo isso, então? – perguntou.

- Com certeza viram os dois andando juntos por aí quando James tirou Sophie do Três Vassouras para não te ver com Beth – Remo explicou tudo, e os ombros de Sirius caíram.

- Só por causa disso? Mas disseram que te viram...

- Você sabe como é esse povo aqui de Hogwarts, Almofadinhas – falei, me jogando nas cobertas. – Adoram distorcer e inventar tudo. Acho até hilário você ter acreditado nisso.

Sirius não respondeu. Apenas o vi deitar-se na sua cama, pensando. Remo, Franco e Rabicho logo fizeram o mesmo, e tenho certeza que fui o primeiro a dormir ali. Estava exausto. Exausto de Sirius, exausto de fofocas, exausto de passeios mal sucedidos à Hogsmeade.

Só me lembro de ter sonhado com cabelos ruivos e olhos verdes.


Emelina POV:

- VOCÊ SE AGARROU COM JAMES? – Dorcas nem deu tempo de Sophie perceber nossa entrada no quarto. As outras garotas se empertigaram na cama, curiosas.

- Quê? – Sophie ergueu a sobrancelha.

- Está correndo o babado que você foi vista aos amassos com Potter! Hoje! Em Hogsmeade! – Dorcas parecia prestes a pular tal o tamanho da fofoca.

- Quem foi que inventou essa baboseira? – Sophie parecia assustada.

- Foi o que disseram. Disseram que viram – Dorcas se aproximou de Sophie, os olhos brilhantes. – Como é que você deixa de nos contar isso?

- Bom, primeiramente você estava tendo uma crise assim que cheguei aqui, e segundo... isso é mentira! – Sophie insistiu. – Quando você diz que "disseram" quem são esses?

- Eu não sei – Dorcas deu de ombros, mordendo o lábio.

- Mas é claro que você sabe – Sophie forçou, e Dorcas balançou a cabeça.

- Sinto muito amiga, mas não posso dar a fonte das fofocas – Dorcas riu.

- Foi Veronica – Geovana disse, e Dorcas gritou. – O que foi? Foi ela que começou a espalhar isso...

- GEOVANA! – Dorcas protestou, e ela deu de ombros.

- Ah, claro – Sophie riu com desdém. – Sabia que tinha que ter alguém desse tipo envolvido nisso.

- Então quer dizer que é mentira? – Audrey perguntou, desapontada.

- Eu só estava conversando com ele. Fomos a Zonko's juntos... – Sophie disse, meio temerosa com alguma coisa.

- E você perdeu a chance de se aproveitar disso? Sophie, é James Potter! – Geovana reclamou, e Sophie suspirou.

- Eu não sou o tipo de garota que se enlouquece por maroto algum.

- Claro, exceto Sirius Black! – Dorcas gargalhou, e Sophie rapidamente trocou um olhar comigo. – É realmente uma pena que isso seja mentira, mas agradeça, porque eu te mataria se não me contasse algo assim.

Sophie pigarreou, sem graça.

- Bem, amanhã vou dar um jeito de mudar isso – falou.

Fui dormir com certo pensamento na cabeça. Por que é que isso virou boato? Sempre deve ter um motivo para algo assim correr por aí, algo que Sophie talvez saiba. E acho que vamos acabar descobrindo.


Lily POV:

O sol entrava por entre a cortina mal fechada, e os pássaros cantavam lá fora. E sabe qual foi o primeiro pensamento que me veio a cabeça?

OH, MEU MERLIM! JAMES ESTÁ MESMO COM SOPHIE!

Antes mesmo que eu previsse as lágrimas encheram meu rosto, e comecei a soluçar freneticamente. Alice e Maria ergueram o rosto de seus travesseiros.

- Lily – Alice murmurou com a voz rouca. – Mas o que é que está acontecendo com você?

Não respondi. Ainda estava nervosa demais para assimilar alguma coisa.

A resposta para aquela pergunta é simples: eu não sei. Eu nunca sei, e isso me torna mais confusa ainda.

Sou tão estúpida. Mas, é claro, as garotas não podiam saber.

- Por que diabos você está chorando? – Maria esfregou os olhos.

- Eu... – pensei rápido. – Tive um pesadelo horrível.

Maria bocejou, entediada.

- Logo você esquece. Vou tomar banho. Logo teremos coral – disse, meio se arrastando até o banheiro.

- Como foi o pesadelo? – Alice perguntou meio receosa.

- Er... Foi meio confuso. Mas tinha sangue. Muito sangue, e... – falei, pensando na primeira coisa que me veio na cabeça. – Tinha Você-Sabe-Quem.

- Credo! – Alice tremeu, então começou a revirar seu malão. – Sabe, é melhor você se esquecer disso e agradecer que saiu da aula de Adivinhação.

Eu disfarcei o real motivo muito bem até. E ainda estava me perguntando por que isso aconteceu, sendo que ontem eu estava perfeitamente bem e equilibrada. Acho que eu preciso de um psicólogo.

Depois de um bom banho, me juntei a Maria e Alice e descemos para o Salão, onde a conversa igual a de ontem ainda se alastrava entre todos. Eu mereço.

- É, pelo visto esse povo gosta de notícias quentes – Maria comentou aos risos.

Antes de fazer algum comentário impróprio, enchi a boca de cereal.

- Olá, garotas! – Emelina se sentou em nossa frente. – Bom dia!

- Olá, Lina – Alice sorriu. – Animada com o coral de hoje?

- Sem dúvidas – ela disse. – O que me lembra, Alice...

- Eu não sei – Alice balançou a cabeça. – Não parece uma boa ideia.

Não entendi sobre o que elas estavam falando, então decidi acompanhar a conversa.

- Precisamos de mais membros! – Emelina respondeu. – Caramba, será que só eu penso nisso?

- Eu sei, mas é muito cedo pra se preocupar.

- Falta um mês – Emelina falou.

- Não era menos?

- Eu menti – Emelina deu de ombros. – Só estou garantindo que vocês realmente se preocupem...

- Eu não faço ideia do que vocês estão falando, mas isso não é tão interessante – Maria interrompeu. – E então, essa história de James com Sophie? É verdade?

Bebi meu suco, agora definitivamente evitando ouvir o que elas conversavam.

- Que nada, super mentira – Emelina riu. – Não ficaram sabendo, não? Foi Gravelle que espalhou isso por aí.

- Espalhei? – ouvi uma voz atrás de mim, e reconheci instantaneamente. – Eu vi com esses olhos que um dia a terra há de comer!

- Espero que a terra esteja bem faminta – falei com desagrado.

- Hilária como sempre, Evans – deu um sorrisinho. – Mas eu vi. Impossível contestar.

- Ah é? – Emelina perguntou com sarcasmo. – E como foi?

- Eu estava com Penny e Lucy...

- ... as loiras falsificadas, sim. Conhecemos, Gravelle – cortei, desejando sair dali.

- Pois bem, foi aí que avistei Sophie chamando por James, desesperada...

- Desesperada? – Maria perguntou. – Isso está muito cinematográfico, não acha?

- Agradeceria se vocês parassem de me interromper! – Gravelle disse, irritada.

- É que ninguém aqui está interessado na sua historinha – respondi.

- Estamos sim! – Alice disse depressa. – Continue.

Suspirei.

- Então, deixei minhas amigas para trás e decidi seguir Sophie calmamente, então antes de avistá-los eu ouvi um grito.

- Quem morreu? – zombei.

- Sophie dizia algo do tipo "nunca mais atreva a me beijar novamente"! – Gravelle meio que interpretava, o que estava irritando. – E em seguida eu vi James correr gritando "Sophie, espera aí". E foi isso.

Fizemos silêncio.

- Está aí. Pode perguntar pra ela – Gravelle disse, triunfante.

- Essa foi a história mais ridícula que eu já ouvi em toda a minha vida – falei, balançando a cabeça me perguntando porque eu tinha ao menos ouvido.

- Você não quer acreditar porque está com ciúmes, Evans. Te conheço – ela gargalhou.

- Mas espera aí – Emelina disse. – Como você pode ter certeza se não tinha mais alguém lá?

- Quem em consciência perfeita ficaria lá segurando vela? Francamente... – Gravelle bufou. – E além de tudo, eu não vi ninguém saindo de lá depois disso.

Cada uma ficou pensando enquanto terminava de tomar café. Gravelle se levantou, acenando falsamente e foi se sentar com as amigas falsas na mesa da Sonserina.

- O que vocês acham? – Alice perguntou.

- Bom, eu acho que estamos atrasadas para o coral, vamos – comecei a me levantar.

- Podem ir, eu... – Emelina ponderou. – Tenho que falar com Sophie, ela não desceu ainda.

- OK – concordamos e partimos para a sala de música.

Já estava cansada de tudo isso, e a música era o único jeito de me fazer esfriar um pouco a cabeça.


James POV:

À medida que Emelina me contava eu percebia Sophie ficar cada vez mais desesperada. Eu não sei como me sentia; na verdade, fofocas nunca me afetaram muito.

- Você está querendo dizer que a Gravelle viu James saindo atrás de mim e pensou que eu tinha o beijado? – Sophie perguntou, atônita.

- Pois é. Ela nem sequer viu Sirius! – Emelina disse. – Onde Sirius se enfiou que não saiu de lá também, James?

A passagem da Casa dos Gritos. Droga, não podia contar a elas.

- Não sei – menti. – Mas acho que ninguém vai acreditar nisso...

- Mas eles sabem que eu beijei alguém! – Sophie protestou com uma careta. – Quero dizer, que eu fui beijada.

- E agora sobrou pra mim – completei.

- Eu não sei, só queria que vocês soubessem o motivo dessa fofoca ter corrido. E Sophie – Emelina se pôs de pé. – Temos coral agora.

- Droga, é mesmo. Tinha me esquecido – Sophie a acompanhou. – Depois nós conversamos, James. E resolvemos isso.

Concordei com a cabeça e vi as duas saírem em direção as portas, quando Sirius entra. Lança um sorriso para Sophie, que faz uma cara de nojo.

- Fala aí, Pontas! – Sirius disse, animado. – Como vai?

- Mal. Na verdade, nem tanto. Mas estou mal por Sophie – sussurrei. – Você sabe por que estão dizendo que eu me agarrei com ela? Por que Gravelle viu eu e Sophie juntos quando na verdade foi você beijou ela, e pensou que fui eu!

- O quê? – Sirius pareceu intrigado.

- E você foi pra Hogwarts pela Casa dos Gritos, e ela não te viu – continuei. – E por isso espalhou por aí que Sophie estava gritando "nunca mais me beije de novo" para mim! Entendeu, cachorro? – falei, e Sirius mantinha sua expressão de espanto. – E agora você vai ter que dizer de uma vez que estava com ela.

- Ficou maluco? É claro que não vou dizer! – Sirius bufou. – Vamos só deixar esse boato sumir, logo vão parar de comentar.

- Você está entendendo que foi Gravelle que espalhou isso? – falei com angústia. – Se você não se lembra, no terceiro ano, ela espalhou pra todo mundo que Rabicho era gay, e foi uma dificuldade para ele provar que não era.

- Ele parecia um pouco e...

- Sirius!

- Certo – ele riu. – Vamos esperar a poeira abaixar, depois vejo o que faço.

Suspirei impaciente. Já vi que isso não vai acabar bem.


Lily POV:

- Olá, pessoal – Moreau entrou na sala de música enquanto ríamos ao observar John imitando o jeito de falar do Prof. Binns. – Sossegue, John. Muito bem. Tenho uma boa notícia pra vocês.

- Arranjou um novo membro? – Emelina perguntou ansiosa.

- Infelizmente, não. Mas – ele tirou de dentro de sua pasta um... chapéu? – Vamos fazer algo diferente no coral.

- E o que é? – Franco perguntou.

- Solos. Sabem o que é isso?

- Marido das salas. Brincadeira professor – John deu um sorriso amarelo enquanto nós ríamos.

- Muito engraçadinho John – Moreau disse, embora sorrisse. – Solos, na verdade, é uma música em que apenas uma pessoa canta, onde a voz dela é a principal e se destaca.

- Como no meu caso – Dorcas disse irritantemente.

- Er... mais ou menos Dorcas. Sim, é considerado solo, mas temos que levar em conta que outros cantarão no fundo. Mas sim, é solo sem dúvidas. – Moreau respondeu. – Portanto, o que proponho pra vocês hoje é que cantem solos.

Ninguém respondeu. Silêncio total.

- Todos vocês – Moreau completou.

Foi o momento em que todo mundo começou a falar ao mesmo tempo. A maioria protestava, outros riam e no caso de Dorcas já dizia que música pretendia cantar.

- Calma, calma! – Moreau agitava a mão para nos silenciar. – É o seguinte, eu tinha certeza que vocês negariam, por isso nesse chapéu – ele levantou o objeto meio empoeirado – eu coloquei o nome de vocês, claro, exceto o de John, Franco e Jason, e vou sortear quatro de vocês para cantar para nós.

- Tipo um sorteio? – Sophie arregalou os olhos. – Isso é injusto! E quem não quiser?

- Isso é um coral, nada mais normal do que cantar – Moreau não se deixou levar. – Vamos lá. Dug, rufa os tambores.

Houve mais uns protestos baixos enquanto Moreau remexia dentro do chapéu e Dug mandava ver na bateria. Moreau tirou um pequeno pedaço de pergaminho. E leu.

- Remo Lupin.

- O quê? Brincou comigo! – Remo protestou ao meu lado enquanto John puxava as palmas, e eu dei leves tapinhas nas suas costas como um consolo.

- Veja bem Remo, não é tão ruim assim.

- Cantar não é um bicho de sete cabeças, Remo – Sean riu, piscando para mim.

- Próximo! – Moreau anunciou, tirou um papel, olhou diretamente para Sophie, que parecia suar frio. – Lílian Evans.

Por que ele faz isso? Se me sorteou deveria olhar para mim, não é? Mas enfim, enquanto mais aplausos desnecessários encheram a sala eu ponderava se estava nervosa. E não, não estava. Na verdade, estava é tranquila, pois percebi que cantar não dói.

- Parabéns, Lily – Moreau disse. – Agora vejamos quem mais...

Ao som dos tambores, Moreau anunciou:

- Maria MacDonald.

Maria deu de ombros com um pequeno sorriso em meio aos aplausos.

- Vejamos quem será o último... – Moreau pegou mais um papel, e tirou... – Dorcas Meadowes.

- YES! – ela se pôs de pé, fazendo uma esquisita – e hilária – dança da vitória.

- Certo, certo. Sem reclamações, porque, como diz o Sean, cantar não é um bicho de sete cabeças. Então, espero que se esforcem.

Eu estava tranquila, só ainda pensava em qual música cantaria.

- Muito bem, por ordem do sorteio, Remo, você será na quarta, Lily na sexta, Maria no outro domingo e Dorcas na outra quarta, ok? A partir teremos que treinar mais firme para competição que está se aproximando.

Todos se sentiram ansiosos com o comentário, mal imaginando como seria finalmente o dia e a competição.

Perdida em pensamentos, mal ouvi Moreau dizer.

- Muito bem, diante disso, quem cantar o melhor solo vai ganhar um solo na competição.

- O QUÊ? – Dorcas gritou. – Quer dizer que posso cantar dois solos se eu fizer o melhor solo?

- Sim, assim como os outros também poderão ganhar.

- Fácil, já consegui. – Maria disse com um sorriso.

- Desculpe amiga, mas acho que não – Dorcas falou cinicamente.

E começaram uma discussão que evitei presenciar.

Só me faltava essa. Não sabia se queria ganhar ou não, mas não seria nada mal ter um solo na competição.


Maria POV:

- Muito obrigado pelo seu apoio, MacDonald – ouvi uma voz irritada falar comigo enquanto saíamos da sala. – Foi ótimo.

- Ah, que isso! Não há de quê! – gargalhei, e ele agarrou meu braço com força. – Me solta!

- Por que fez aquilo?

- Para você aprender a me deixar em paz! – soltei meu braço, aborrecida. – E isso foi bom pra você aprender! Foi muito bem feito!

- Ora... – começou, mas desistiu e foi em outra direção. Babaca.

- Acho que um dia você vão acabar juntos, Maria. Esse ódio pode virar amor! – Alice comentou, rindo junto a Lily.

- Vocês estão tão legais – ironizei.

Caminhamos até a sala comunal, onde Lily tinha nos prometido ajudar com nossas redações.


Remo POV:

- E então Remo, sabe que música irá cantar? – Emelina me perguntou.

- Ah... não faço a mínima ideia – falei com sinceridade, só tremendo em pensar de fazer um solo.

- Se quiser, posso te ajudar – ela sorriu.

- Seria bom – concordei.

Caminhando pelo corredor, demos de cara com James e Sirius, tramando uma grande discussão, atrás deles Rabicho, entediado.

- ... eu não quero que pensem que fiz uma coisa que eu não fiz! – James protestava, e Sirius revirou os olhos.

- Eles vão esquecer, Pontas! – Sirius respondeu.

- O que aconteceu? – Emelina perguntou.

- Sirius quer que eu continue com a mentira que eu beijei Sophie – James disse.

- Mentira! Estou falando que é só não dizer, não confirmar! Ficar calado! – Sirius retrucou.

- E você acha que eles não vão me perguntar? Se eu negar, Gravelle vai continuar a espalhar cada vez mais...

- James, o certo é você esperar mesmo – Emelina sorriu para Sirius. – Quem sabe todo mundo pare de comentar logo?

- É, e se não parar?

- Depois nós arranjamos um jeito – Emelina deu de ombros.

Acabou que voltamos juntos para Torre da Grifinória. James ainda resmungando não sei o que com Rabicho. O que me interessou mesmo foi Sirius comentar com Emelina:

- Sabe, sempre soube que você era uma garota legal...


Lily POV:

No dia seguinte eu já estava na biblioteca fazendo novos trabalhos que McGonagall e Slughorn haviam passado. Mal termino os meus e eles já passam mais! Mas eu gostava de ficar ali, era tudo tão silencioso...

- Olá, Lily – uma voz me sobressaltou, e dou de cara com James sentado em minha frente. – Cansou de fugir de mim?

- Não estou fugindo de você, por que diz isso? – corei.

- Ontem eu nem te vi! Acho que você se trancou no dormitório o dia inteiro...

- Er... Estava estudando – falei rapidamente, e James sorriu.

- Você estuda demais, já te disse isso?

- Já – falei com indiferença.

Ficamos em silêncio, apenas ouvindo o barulho da minha pena riscar o pergaminho. Até James voltar a falar.

- E você e Diggory? Vocês voltaram a se falar? – perguntou.

Olhei fixamente pra ele antes de responder.

- Não – disse. – Mas não sei por que você se interessa tanto nisso!

- Só estou perguntando – deu de ombros.

- Mas, agora – deixei a pena de lado e me curvei para ele –, de amigo para amiga. E essa história de você estar com Sophie?

- De amigo para amiga? – ele estreitou os olhos. – É mentira.

- Não é o que dizem.

- Eles mentem.

- Ou você mente?

- Por que está interessada?

- Porque você é meu amigo.

- Sei – seus olhos brilharam. – Finjo que acredito.

- Você merece mais que ser ignorado – falei. – Bom, só achei estranho considerando a versão de Gravelle.

- E você acreditou nela? Na Gravelle? – ele me olhou com descrença, então dei de ombros.

- Só estou falando.

- Você não me engana, Lily Evans – ele piscou. – Agora tenho que ir.

- Vai se encontrar com Sophie? – soltei involuntariamente. Um dia vou selar essa boca com cola SuperBonder.

- Não – vi a malícia naqueles olhos castanhos. Oh, droga. – Mas se você quiser ir se encontrar comigo...

- Tchau, James! – falei antes que soltasse mais coisas indevidas.

- Tchau, Lily! – ele me beijou no rosto, o mesmo que agora estava queimando. – E boa conversa sua... com as... er... moscas.

E saiu.

Droga, droga, droga. Por que ele faz isso comigo?


Emelina POV:

- Sinceramente? Não acredito que eu estou fazendo isso! – Maria reclamou novamente. – E que droga de roupas são essas?

Na verdade, foi meio que improviso. Usei um feitiço para deixar nossas roupas combinadas em vermelho e amarelo – cores da Grifinória – mais curtas e apertadas ao corpo. Maria insistia em esticá-las.

- Vai ser o pior mico na minha vida!

- Pelo menos vai chamar a atenção deles! E pare de reclamar, Maria! – sussurrei. – Viu Madame Pince por aí?

- Não – Sean respondeu. – Então acho melhor já posicionar o radio ali perto da mesa dela.

O rádio de Moreau veio a calhar agora. Graças ao meu pedido a Sirius – que inexplicavelmente estava sendo amigável comigo –, havíamos surrupiado da sala dele. Sean caminhou lentamente e colocou o rádio ao pé da mesa e fez um sinal afirmativo.

- Está pronto, Remo? – perguntei.

- Não, quero dizer... – ele suspirou. – Pode ser.

Fiz um sinal afirmativo para Sean, que se juntou a Remo e Maria para ir o centro da biblioteca, que por sorte estava bem cheia do que o normal. Todos se viraram para olhar, curiosos, quando eu e Alice subimos na mesa.

Então a música começou:

Ouvir: U Can't Touch This

- Can't touch this! – Remo cantou, e começamos a coreografia. – My-my-my-my music hits me so hard makes me say oh my Lord! Thank you for blessing me with a mind to rhyme and two hyped feet, that's good when you know you're down, a superbowl homeboy from Oaktown, and I'm known as such, and this is a beat uh… u can't touch!

A música preencheu a biblioteca silenciosa, e logo vi os olhos arregalados de Madame Pince aparecer entre as estantes.

- Oh, oh, oh, oh!

- I told homeboy!

Dançávamos como tínhamos combinado, andando pela sala e cantando. Os presentes riam e aplaudiam; avistei Lily no meio deles.

- U can't touch this!

- Oh, oh, oh, oh...

Sean então começou a rebolar perto de Madame Pince, causando riso geral. Alice puxou Franco meio escondido no meio das prateleiras para dançar, e Remo puxou Lily.

- U can't touch this! Oh, oh, oh, oh, oh...

Logo mais gente já estava dançando – isso mesmo, é o que o efeito da indiferença pode fazer.

Enquanto isso Madame Pince tinha uma expressão homicida, mas não tão intimidadora.

- Fresh new kicks and pants, you got it like that now you know you wanna dance… - Remo continuava.

E foi vindo mais e mais gente não sei da onde, e fizemos um trenzinho. Certo, isso não era muito normal, mas estávamos nos divertindo.

- U can't touch this! – a música foi finalizada com todo mundo gritando/rindo/dançando e Madame Pince nos olhando como se tivesse uma bomba de bosta debaixo do seu nariz.

Todo mundo olhou para ela, hesitantes, e ela abriu a boca para gritar:

- QUEM DEU PERMISSÃO PARA FAZER ESSE SHOWZINHO DENTRO DE UMA BIBLIOTECA? – gritou. Ninguém respondeu, tal espanto. Caramba, aquela mulher sabia gritar. E já que todo mundo ficou momentaneamente mudo, ela bufou. – TODO MUNDO FORA DAQUI, AGORA!

E foi toda a multidão saindo de lá em altas conversas e risadas, e depois disso praticamente toda biblioteca se esvaziou.

- Ok, agora dá pra me explicar o que foi isso? – Lily perguntou, rindo.

- Pelo jeito deixamos o clube com boa fama – dei de ombros. – E talvez isso faça com que novos membros apareçam.

Ainda rindo, o grupo dos presentes foram se dispersando, alguns até vieram nos cumprimentar agradecendo por termos tirado o tédio deles uma vez na vida dentro daquela biblioteca.

É, sim. Foi divertido, e eu estava satisfeita.


James POV:

- Não sei por que você está me olhando com essa cara – Sirius disse com a boca cheia.

- Simplesmente por que fui abordado por meninas loucas do quarto ano me perguntando se eu estava namorando com Sophie! – falei irritado. – Está entendendo que eu estou sofrendo por sua culpa?

- Sofrendo? Mas ser popular é bom, não é? – ele riu, e tentei me controlar.

- Escute Sirius, ou você fala para todo mundo que é você que estava com Sophie sábado, ou eu falo! – falei, me levantando e caminhando em direção a saída, aborrecido. Quanto mais cedo eu sair dali, melhor.

- James, ei, James! – ouvi me chamando enquanto subia as escadas de mármore. – Espera aí!

Me virei e dei de cara com Jack Carthy, aquele amigo de Sean.

- E aí, cara – ele cumprimentou, arfante. – Então, queria falar com você.

- Oi, Jack – sorri. – Pode falar.

- Bom, vi no quadro de avisos que você já marcou os testes e estava querendo saber em qual posição do time você mais está precisando no momento – ele falou, ansioso.

- Nosso goleiro se formou ano passado – falei. – O resto do time ainda está por aqui.

- Sério? Pois, sabe como é, eu sou ótimo como goleiro – ele disse com certo orgulho. – Sei rebater tudo, e aqueles bastões são ótimos também.

Estreitei os olhos.

- Os bastões são para os batedores – corrigi.

- Ah... são? – ele perguntou, me seguindo enquanto eu entrava pelo buraco do retrato. – Bom, seria realmente útil para os goleiros, não acha? Então eu acho que vou fazer o teste. Você acha que consigo passar?

- Bom, se você for bom – pisquei para ele, dando um tapa em seu ombro. – E também veremos no dia, certo? Treine bastante.

- Pode deixar! – ele disse animado, correndo para perto daqueles outros seus amigos.

Goleiros com bastões? Acho que engulo essa...


David POV:

- Certo, agora pode me dizer o que estamos fazendo aqui? – perguntei.

Eu fui obrigado a ir até a excêntrica sala de Dumbledore com um chamado de Stanley, que havia cruzados os braços com certo tom irritado.

- Simplesmente Alvo, Moreau está trapaceando! – Nina acusou. – Antes mesmo da competição começar!

- Como é que é? – perguntei.

- Por favor, especifique o que está tentando dizer, Nina – Dumbledore pediu.

- Você acredita que ele mandou os alunos dele cantarem em plena biblioteca para conquistar o público antes da competição? Isso é totalmente injusto!

- Meus alunos o que? – perguntei, sem entender.

- Eles fizeram uma bagunça na biblioteca, ainda mais atrapalhando os estudos, irritando a Senhorita Pince, tudo isso para conseguir preferência!

- Isso é mentira! – me coloquei de pé, irritado. – Em primeiro lugar, não tinha ideia de que eles iriam fazer isso, e segundo se eles realmente fizeram eles tem suas razões! Tenho certeza de que eles não fariam nada disso...

- Isso é completamente inadequado! – Nina falou em plenos pulmões. – Peço desclassificação!

- O quê? – perguntei. – Desclassificação? Não seja tola, só tem duas casas competindo!

- Vamos acalmar os nervos – Dumbledore disse calmamente. – Nina, aposto que os alunos não tiveram a intenção, mesmo que seja desnecessário, levando em conta que o público não terá nenhuma influência. Os juízes não são os alunos.

- Mas...

- E saiba que eu já tinha conhecimento disso – ele disse, e Nina ficou boquiaberta. – A senhorita Vance veio até minha sala para pedir permissão para fazer uma apresentação na biblioteca, tudo isso para atrair membros para o coral.

- Está vendo! Isso é trapaça!

- Não, não é – intervi, entendendo o que realmente aconteceu. – Estamos precisamos de um único membro para competir, e creio que eles fizeram isso apenas para mostrar aos alunos como é participar de um coral.

- Então por que não fizeram isso na sala comunal de sua casa? – ela insistiu, os cabelos balançando nervosamente enquanto segurava a cintura.

- Bom, agora você pergunta a eles – dei de ombros, sentando novamente.

Stanley bufou com raiva, e batendo o pé se encaminhou até a saída da sala.

Dumbledore a acompanhou com o olhar, suspirou uma vez e disse:

- Aceita balas de limão? São realmente boas, sabe...


Lily POV:

Ouvir: Never Go Back Again

O som tranquilizante do violão enchia meus ouvidos.

- She broke down and let me in – Remo começou. – Made me see where I've been.

Era uma música bem calma, sabe? Sem falar que Remo cantava muito bem.

- Been down one time, been down two times! I'm never going back again…

E todos já estavam se balançando no mesmo ritmo, sorrindo. Apoiado no piano, Moreau parecia aprovar.

- Ooh... You don't know what it means to win – ele sorria para alguém sentado bem do outro lado. Bem onde Emelina estava agora. – Come down and see me again!

O JP, o rapaz que tocava o violão, caprichava nas notas, enquanto Remo estava ali, no centro da sala. No começo ficou corado, mas agora parece muito mais relaxado.

- Been down one time, been down two times! I've never going back again… - Remo finalizou.

Mais algum tempo de mais violão, então JP finalizou o acorde em meio a palmas. Moreau se dirigiu até ele, sorrindo.

- Muito bem, muito bem Remo! – colocou a mão em seu ombro. – Viram, ele tomou coragem, ou seja, não foi tão ruim e qualquer um pode fazer isso, certo Lily?

- Não estou nem um pouco com medo – falei com um sorriso.

- Professor, uma pergunta – Dorcas se adiantou. – Como será a votação de quem cantar o melhor solo?

- Simples... eu vou escolher – Moreau sorriu.

- Mas você vai preferir quem você mais gostar! – Dorcas reclamou.

- Mas é claro que não, eu sou justo – ele piscou. – Mas agora, queria falar com vocês. Fiquei sabendo que disponibilizaram um show para Madame Pince segunda-feira.

A sala se encheu de risadas, todos encarando Emelina.

- Pois é, professor – ela disse, corada. – Foi o jeito que encontrei para ver se aparece pelo menos mais uma pessoa para completar as doze. Mas pelo visto ninguém se interessou...

- Nós vamos encontrar alguém – Moreau disse, mas como se ele estivesse convencendo a ele mesmo. – Agora todos de pé, vamos aquecer essa voz um pouquinho...

Tudo correu normal no resto da aula. Demos uma pequena ensaiada em Valerie e logo já estávamos saindo.

Quem?, eu me perguntava. Quem aceitaria entrar para o coral de bom grado? Merlim foi ótimo em trazer Sean e convencê-lo a entrar.

Mas e agora? Os dias passam depressa, e meu receio aumenta.


Sirius POV:

Sirius – JP

Ora, então quer dizer que gostou dessa ideia dos bilhetinhos, hein? – SB

Foi o único jeito que arranjei pra falar com você na aula de Feitiços. Mas preste atenção, hoje já é quinta-feira e as pessoas ainda comentam. Sophie me disse ontem que algumas garotas cercaram ela e ficaram a enchendo de perguntas! – JP

Relaxa, Pontas. Faz pouco tempo ainda que começaram a comentar isso. – SB

Logo vai completar uma semana. – JP

E daí? – SB

E daí que eu vou aproveitar o almoço hoje e contar para todo mundo que na verdade, era você! – JP

Você não teria coragem de fazer isso. – SB

Você duvida? – JP

Pontas, deixe de drama! – SB

Olha aqui. Como você acha que eu vou conseguir me aproximar mais de Lily com a fama que andei agarrando Sophie? As vezes vejo elas conversando, são quase amigas! E não vou deixar que seus problemas caiam sobre mim. – JP

Então é por causa disso? Tudo sempre tem que ter a Lily no meio, não é? – SB

É, é sim. – JP

Então vai lá, conta pra todo mundo! Prefere uma garota que te dispensou a vida inteira do que seu melhor amigo! – SB

Agora quem é que está sendo o dramático? – JP

Então já sei. Prove sua amizade por mim. Confirma pra todo mundo que era você com ela naquele dia. – SB

Enlouqueceu? É claro que eu não vou fazer isso! – JP

Antes mesmo disso acontecer Lily não mostrou nenhum sinal de que estava interessado em você. Então pense pelo lado bom, Pontas! Você pode provocar Lily, deixá-la com ciúmes! – SB

Você enlouqueceu. – JP

Pense com carinho. – SB

Deixe de ser idiota. Se eu estou querendo focar apenas na Lily, como vou ficar assim com outras garotas? – JP

E o que você me diz de Louise? Ou daquelas outras garotas que encontramos no corredor? – SB

Aquele momento eu estava inconsciente e com raiva. Mas já passou. – JP

Sei, sei. Mas Pontas, faça isso por mim! Você pode dizer para Lily a verdade, eu deixo. – SB

Não sei. Vou pensar. – JP


Emelina POV:

O almoço de sexta-feira era tomado por várias pessoas conversando animadas e o barulho de talheres. Caminhei, apressada, entre a mesa da Grifinória até achar quem eu procurava. Estava conversando animado com Lily.

- James! É urgente, vem! – puxei-o pelo toca da veste. – Vem logo! Oi, Lily!

- O que aconteceu? – James perguntou.

- No caminho te explico.

Deixei Lily pra trás com uma cara de interrogação, e saímos salão afora.

- Ela está chorando há quase meia hora – falei, enquanto corríamos até o corredor onde me lembro que ela estava.

- Quem? – James perguntou, mas não precisei responder.

Sophie estava sentada perto de uma armadura, aos soluços, o corpo encolhido.

- O que aconteceu? – James sentou-se a seu lado. – O que aconteceu, Sophie?

Ela não respondeu, apenas soluçou mais um pouco.

- Alguns garotos da Sonserina começaram a... falar coisas não muito agradáveis – mordi o lábio.

- Coisas como o quê?

Sophie fungou alto, mas ergueu a cabeça para responder.

- "Não sabia que essa magrela seria uma garota fácil" – contou. – "Será que Potter a achou boa de cama?".

Olhei para James para ver sua reação. Tinha franzido a testa, concentrado.

- Estão falando isso porque os boatos cresceram – expliquei. – Estão falando que outros garotos já tentaram beijá-la. Coisas de Gravelle.

- Argh, isso não é justo! – James reclamou, pondo-se de pé. – Vamos.

- P-pra onde? – Sophie fungou.

- Só me acompanhe – James sorriu, e eu me perguntava o que ele estava planejando. – E seque essas lágrimas.

Segui os dois até a entrada do Salão, onde, pra minha surpresa, James colocou o braço em volta de seu pescoço e entrou. Era evidente o susto que Sophie havia tomado, então consegui entender tudo. Várias cabeças se viraram em sua direção, ainda mais quando James deu um beijo no topo da sua cabeça. Nós três sentamos um pouco mais afastado do outro grupo, perto de Sean.

- Mas o quê...? – começou.

- Olá, Sean – James sorriu. – Conhece minha nova namorada?

- Namorada? – Sean perguntou.

- Namorada? – perguntei.

- Namorada? – Sophie perguntou, mas com um sorriso no rosto.

- É, algum problema? – James sorriu. Bom, a palavra "namorada" correu por toda a mesa da Grifinória e passou para as outras rapidamente.

- Não, nenhum – Sean balançou a cabeça rapidamente.

Isso ainda vai dar o que falar.


Lily POV:

"James está namorando Sophie."

"É oficial agora."

"Mas ele não era interessado na Evans?"

"Nossa, ela é sortuda!"

"Estão namorando? É sério?"

As vozes ecoavam na minha cabeça, e eu sentia desnorteada, como se eu não devesse estar ali. O que eu estava sentindo? Não sei, talvez depressão? Que se dane. Minha consciência mesmo adormecida me dizia para sair dali.

- Lily, onde você vai? – Alice perguntou, mas não respondi. Ao invés disso andei mas depressa que pude, evitando passar perto do casalzinho de namorados.

Corri sem direção, sem rumo. Corri para o lugar mais apropriado para uma pessoa confusa, louca e que no momento não se continha a passar o resto do dia longe de tudo e de todos.

Meu refúgio, novamente, era o banheiro da Murta Que Geme. Perdi a noção do tempo. Perdi as aulas, que por sorte eram duas de Histórias da Magia seguidas, ou seja, não preciso me preocupar muito. Desejava ficar ali pra sempre, ou pelo menos até quando me der fome.

- Ainda não entendi por que você está chorando, Lily – a Murta disse, flutuando no box ao lado.

- Acredite, eu também não sei – sorri tristemente.

- Só espero que aquele garoto não apareça por aqui de novo – ela resmungou.

Suspirei profundamente antes de responder.

- Não – falei. – Ele não vai aparecer.

Bom, pelo menos era isso que eu esperava. Fiquei lá mais um tempão, tempo suficiente para o banheiro ficar escuro, me informando que já havia anoitecido.

- Até quando você vai ficar aqui Lily? – Murta perguntou. Eu ia responder, se eu não tivesse escutado o barulho da porta se abrindo. Fiz um sinal rápido de silêncio para Murta e encolhi minhas pernas.

- O que vocês estão fazendo aqui? – ela perguntou com relutância.

- Aqui é um banheiro feminino, não é? – uma voz bem conhecida falou. – Estou procurando pela minha amiga, não viu ela por aí não?

- Não conheço a Lily, não – Murta respondeu. Merlim.

Não tive outra escolha a não ser sair do meu esconderijo. Alice sorriu e Maria agradeceu Murta.

- Então James estava certo – Alice riu. – Como você está?

- Eu te abraçaria se você não estivesse fedendo a chão de banheiro – Maria franziu o nariz, olhando ao redor.

- Não estou fedendo – defendi.

- E meu banheiro não é fedido! – Murta disse, ofendida.

- Diga isso por você, que é um fantasma e não tem olfato – Maria zombou.

- Humpf, você é que pensa! – a fantasma falou, irritada. – Lily, me avise quando você vier pra cá e não ser seguida por ninguém desagradável!

E dizendo isso mergulhou na privada, indo para o cano não sei da onde.

- Não sabia que você ainda voltava aqui, Lily – Alice sorriu.

- É, não tem lugar melhor – dei de ombros, me sentando no chão. Alice me imitou.

- Como está se sentindo?

- Dolorida. Esse chão é muito duro.

Alice deu uma risadinha.

- E por que saiu correndo daquele jeito? – Maria se ajoelhou ao meu lado. – E por que não foi nas aulas de tarde?

- Não quis – respondi.

- Lily, alguma coisa está acontecendo. E sabe, você deveria contar mais com a gente! – Alice protestou.

- Pra quê? Para Maria ficar me atormentando com essa história de que gosto de James? De ficar fazendo brincadeirinhas sem graça para me deixar pior ainda?

Maria rapidamente fez uma expressão culpada, e mordeu o lábio.

- Eu sei... Er, desculpe Lily – disse, arrependida. – Você sabe que eu sempre falo aquelas coisas brincando.

- E isso me confunde – murmurei.

- Desculpe – Maria sussurrou, então finalmente cessou e se sentou no chão.

Ficamos num silêncio meio chato. Alice queria dizer alguma coisa, dava pra ver na sua cara, mas hesitava. Então suspirei.

- Não Alice, não estou gostando de James – falei de uma vez. – Eu não sei por que isso acontece comigo! Uma hora eu estou feliz e tranquila e do nada isso acontece! O que há de errado, será que eu tenho uma doença?

- Sim. Acho que você está infectada pelo CNA, conhece? – Maria perguntou, e eu e Alice balançamos a cabeça. – É a Crise Nervosa Adolescente. Você tem muito isso.

Rimos baixo, meio desanimadas.

- Espero que tenha cura – falei.

- Cura não sei, mas eu tenho o tratamento perfeito – Maria disse, então me estendeu um sapo de chocolate. Ri mais uma vez.

- Obrigada – agradeci.

Ninguém mais fez nenhum comentário. Uma pia pingava distante, as pessoas conversavam perto do banheiro, e algumas corujas piavam lá fora.

- Lily, não é por nada não, mas... – Alice disse. – Daqui a pouco temos coral, e hoje é o seu dia de fazer solo.

- Ah, é mesmo – me assustei. – Mas acho que não vou. Moreau vai entender se eu quiser cantar outro dia.

Me despedi das duas na porta do banheiro, e rumei para a Torre da Grifinória. Eu andava devagar, ainda pensando em tudo o que aconteceu. Sou tão estúpida, mas tão estúpida, que eu chegava a ter dó de mim mesma.

Mas não é pra eu ter dó de mim mesma.

E sabe o que mais? Por que estou indo para a sala comunal? Deve estar lotada com pessoas desagradáveis, inclusive James e Sirius. E ninguém de meus amigos vai estar lá. Quer dizer, James e Sirius são meus amigos, mas não tanto quanto Maria e Alice. E quer saber? Vou cantar esse solo é hoje e agora.


Sophie POV:

Ainda respondia as perguntas de Dorcas e dos outros, pedindo detalhes do meu suposto namoro com James. Sorte a minha que eu tinha sempre uma resposta na língua: "Foi tudo muito rápido". Era o suficiente para Dorcas dar pulinhos até a hora de Moreau entrar na sala com sua maleta.

- Olá, pessoal – saudou, juntando as mãos. – Muito bem, hoje é sexta e é o dia da nossa querida Lily cantar... Onde está ela?

- Ela pediu para deixar para cantar outro dia, professor – Alice justificou, mordendo o lábio.

- Há! Desclassificada! – Dorcas vibrou. – Faltar não é aceito, então... fora!

- Fora está você em relação com a moda. Mas que diabos você fez com seu cabelo hoje? – Lily vinha entrando, acompanhada de risos e exclamações. – Olá professor, desculpe a demora.

- Que bom que apareceu, Lily – ele sorriu. – Estamos ansiosos para te ouvir, está pronta?

Moreau foi rapidamente sentar em seu banquinho perto do piano, enquanto Lily olhava para trás e informava aos músicos o nome de sua música.

Ouvir: What I did for love

- Kiss today goodbye – Lily começou, sua voz meio tremida. – The sweetness and the sorrow. Wish me luck, the same to you…

O piano acompanhava, e Lily cantava maravilhosamente bem. E de pensar que ela tinha se agitado tanto no dia das audições...

- But I can't regret, what I did for love, what I did for love… - na pausa, engoliu em seco. – Look, my eyes are dry, the gift was ours to borrow. It's as if we always knew, and I won't forget what I did for love, what I did for love…

Nessas alturas seus olhos já haviam lacrimejado, mas isso não a abalou. Sua voz ficou mais firme.

- Gone! Love is never gone! As we travel on… Love's what we'll remember – ela piscou, como se evitasse as lágrimas. – Kiss today goodbye, and point me toward tomorrow, we did what we had to do… Oh!

Eu ouvi mais gente fungando?

- Won't forget, can't regret what I did for love! What I did for love! What I did for love! Oh! – Lily humilhou, humilhou mesmo. Mas agora que parei para pensar… Essa música… - Love is never gone! As we travel on, love's what we'll remember... Kiss today goodbye!

Alice, Maria, Sean e Emelina pareciam prestes a chorar. Remo e Jason também tinha uma expressão meio deprimida. Dorcas parecia entediada.

- ... and point me toward tomorrow, we did what we had to do…Won't forget, can't regret what I did for love! What I did for love! What I did for… love.

Foi inevitável não aplaudir de pé. Dorcas xingou alguma coisa, mas ninguém ligava. Lágrimas escorriam dos olhos de Emelina, Alice e Sean, assim como Lily também. Moreau parecia emocionado.

- Lily, você conseguiu fazer uma nota a mais sem desafinar! – parabenizou. – Muito, muito bom!

- Obrigada – falou, tímida.

Lily foi se sentar e levou vários tapinhas nas costas, sendo parabenizada.

- Vou mostrar pra eles como é que se canta de verdade – Dorcas falou de cara emburrada.

Na minha opinião, eu achava difícil alguém ganhar de Lily.


Remo POV:

- Namorados! Namorados! – Sirius esbravejou. – Eu pedi para confirmar o que havia acontecido, e não assumir um relacionamento!

Essa foi a briga que eu e Franco encontramos quando chegamos ao dormitório depois do coral.

- Era isso que você queria, não era? Que ninguém desconfiasse de que você estava com Sophie – James deu de ombros. – Te fiz um favor.

- Pois pode desfazer!

- Ah, é? – James o encarou. – E por quê?

- Porque eu quero! – Sirius exigiu. – Amanhã você vai dizer a todo mundo que é uma farsa!

- E quem disse que é uma farsa? – James desafiou.

- Vai me dizer que estão namorando de verdade? – Sirius falou com desdém. – Sei, a não ser que esse namoro seja só colocar a mão no pescoço e beijar a cabeça!

- Você está com ciúmes dela! – James riu. – E quer saber? Problema seu!

- Não é ciúmes! Durante nossa amizade eu nunca, nunca fiquei com a mesma garota que você! Isso é lei!

James bufou.

- Me poupe disso, tá legal? – ele disse. – Você não sabe as coisas horríveis que estavam falando dela. Eu sei que você já beijou metade das garotas do castelo, mas escondido. Ninguém soube, só algumas exceções, como a Beth, por exemplo. Mas agora souberam da Sophie, que nunca foi de cair na boca das pessoas desse jeito, e usaram isso contra ela. Se você ouvisse o que os Sonserinos falaram dela... E tudo por sua culpa. Eu tive que fazer isso, pra pelo menos prezar o respeito dela. Coisa que você não fez.

Aquelas palavras foram como um tapa na cara de Sirius, que sentou em sua cama, lentamente. Sua expressão de raiva foi sumindo, e ele começou a passar a mão nos cabelo, pensando.

- O que disseram? – perguntou.

- Nem queira saber – James disse, enquanto arrumava sua cama. – Entenda Sirius, não estou infringindo sua lei idiota, só estou ajudando Sophie. Se você soubesse o quanto ela tinha chorado...

Dei graças a Merlim que eu não estava envolvido nessa conversa. Mas eu já tinha certeza, certeza absoluta, que Sirius estava, mesmo sem saber, cada dia mais envolvido por essa garota.


Lily POV:

- Não negue que você cantou aquela música pensando em James, Lily – Sean disse, entre risinhos. – Falando nisso, se recuperou do choque?

- Nem quero falar sobre isso – respondi, sem erguer os olhos de seu pergaminho. Tinha que copiar as anotações de Alice, já que fiz o favor de perder as aulas. Enquanto isso, apreciava um prato de batatas que Maria trouxera pra mim.

- Mas foi realmente boa. E tenho certeza que essa você ganha – Sean falou, então bocejou. – Vou pra cama, até amanhã.

- Até – respondemos, e logo Sean desapareceu na escada para o dormitório masculino.

- Você está bem? – Alice perguntou.

- Se você parasse de repetir essa pergunta... – falei, e ela riu.

- Concordo com Sean – Maria disse, comendo uma batata. – Sobre a música. Tenho certeza que você vai ganhar.

- A não ser que você seja melhor – sorri.

- Eu não vou ser – Maria deu de ombros.

Mesmo que Maria ache que não cantará bem, tenho quase certeza de que Dorcas não vai facilitar as coisas.


James POV:

Era inacreditável.

Testes de quadribol. Sirius estava do meu lado, meio quieto – estava assim desde que lhe dei o sermão sobre Sophie. Calado, mas também não fazia mais nada de útil.

Vários jogadores estavam aglomerados com vassouras em mãos, entre eles Jack, o goleiro que usa bastão. Enfim, decidi começar logo, antes que chovesse, já que o dia estava meio nublado hoje.

- Muito bem! Todos prestem atenção aqui! – chamei, e eles me encararam. – Certo, será o seguinte. Vamos dividir vocês em dois times, e vamos simular um jogo. Vou observar o desempenho de vocês.

Assim sendo, logo várias vassouras estavam no ar, e usei um apito improvisado para anunciar o começo, e usei algumas bolas de futebal. Era assim mesmo a palavra?

Não sei se foi uma boa ideia, muita gente chegava até a cair da vassoura, outros eram rápidos demais – os que já eram do time original. Já vi que o apanhador deveria continuar o mesmo. Batedores também – visto que Sirius me mataria se eu tirasse ele do time, mas mesmo assim, nenhum deles eram melhor que os que já tinha. Agora eu tinha que decidir entre Will Dixon, um dos artilheiros do time que ultimamente andava muito avoado por causa de seu término de namoro de três anos e Alan O'Chowes, um garoto alto do sexto ano que era muito bom. Então aproveitei a oportunidade e mandei que Jack e Bessie Marshall, os únicos que tinham se alistado para goleiro, defender o gol de cada um.

Acontece que Will não acertava nenhuma. Porque Jack não errava nenhuma.

Aquele garoto não deixou nenhuma bola entrar! Nenhuma! Teve um momento que pedi para que Will e Alan atacassem o gol dele, mas ele defendeu todas. Troquei Jack com Bessie, e foi a vez de Alan começar a errar todas, porém, mesmo assim, ele fez mais gols que Will para cima de Bessie.

- Certo, está bom, pessoal! – gritei, apitando.

Pousei lentamente, mal acreditando no que via. Aquele garoto não era normal!

- Eu fui bem, James? – Jack perguntou, ansioso. – Quem você escolheu?

- Bom, como Alan fez mais gols... – falei, meio com desgosto. Não me sentia confortável com isso. – Will, você terá que ficar de substituto.

Will pareceu desapontado, mas acabou aceitando.

- Já como goleiro... – disse, contente. – Jack, parabéns!

- VOCÊ NÃO ESTÁ FALANDO SÉRIO! – ele berrou, quase não acreditando. – Caramba! Caramba!

E ficou repetindo "Caramba" até eu perder a conta. Sirius me lançou um olhar intrigado.

- Espere só até eu contar para o meu pai! – vibrou mais uma vez. Os outros do time pareciam satisfeitos, pois viram seu desempenho também, ao mesmo tempo que se despediam de Will.

- Sinto muito, cara... – falei para ele enquanto voltávamos para o castelo. Jack ainda comemorava, agora para apenas Sirius ouvir. – Sabe como é, eu...

- Relaxa, James. Eu entendo – ele falou, mas seu sorriso não era tão convincente. – Eu sei que andei vacilando, devo ser muito mole para isso.

- Ela não quer mais nada? – perguntei tristemente.

- Ela ficou noiva – respondeu, cansado.

- Sinto muito – falei.

- Bom, é triste. Mas... vou levando. É difícil, mas vou tentar superar. Agora que está namorando você vai saber como é.

Aquele comentário fez muito efeito em mim, apesar de eu ter pensado apenas em Lily naquele momento.


Alice POV:

- Desculpem o atraso! – Lily falou, chegando correndo até a sala. Moreau assentiu, animado.

- Muito bem, hoje será a Maria, estou certo? – falou animado. – Então, onde ela está?

- Aqui – Maria se pôs de pé.

- Por que o atraso? – perguntei a Lily.

- Tive que ir por outro caminho – Lily deu de ombros. – Estava...

- ... fugindo de James. Entendi – falei, e ela concordou.

Desde sexta Lily vem fugindo de James, inclusive quando ele está com Sophie. Acho que ela está fazendo de tudo para o evitar, e isso pelo menos a anima mais.

- Pode começar quando quiser, Maria – Moreau falou.

- Não – Maria disse, simplesmente.

- O quê? – Moreau disse. – Não o quê?

- Não vou começar porque não vou cantar – ela deu de ombros. – Não estou a fim de ficar no centro do palco pra todo mundo olhar pra mim. Eu ficaria tão vermelha quanto os cabelos de Lily, e não estou com vontade de escutar Dorcas falar na cabeça, que eu sei que vai acontecer de todo jeito.

- Está desistindo? – Dorcas falou perguntou, esperançosa.

- Sim.

- Mas Maria... – Moreau falou. – Pelo menos cante.

- Não me preparei – ela falou, fingindo tristeza. – Sinto muito.

- Sendo assim! – Dorcas se colocou de pé. – Vou adiantar minha apresentação. Está mais que pronta, andei ensaiando no chuveiro.

- Ideia minha – Maria resmungou.

- Tudo bem – Moreau suspirou, sentando-se. – Não temos outra escolha né...

- Vocês já sabem – Dorcas disse aos músicos.

- Não me diga que você desistiu por minha causa! – ouvi Lily cochichar para Maria.

- Não, é claro que não! – Maria mentiu. Eu sei que mentiu. Acho que estava tentando ser o mais legal possível com Lily, talvez para se redimir.

A música começou, e eu a conhecia. Pelo visto Dorcas tinha certa afinidade pela Amy Winehouse.

Ouvir: Back to Black

- He left no time to regret, kept his lips wet with his same old safe bet – cantou, movendo-se no ritmo da música. – Me and my head high and my tears dry get on without my guy…

Eu tinha que reconhecer que ela cantava bem. E ainda melhor, já que estava treinando tanto para Valerie.

- You went back to what you knew, so far removed from all that we went through – Dorcas sorria, mostrando uma simpatia anormal. – And I tread a troubled track, my odds are stacked, I go back to black.

Moreau também parecia aprovar, assim como os outros. Troquei um olhar com Maria, que suspirou.

- We only said goodbye with words, I died a hundred times – Dorcas fechou os olhos – imitando Lily, é claro. – You go back to her and I go back to... I go back to us.

Quando a música acabou, ouvia-se aplausos e assobios, mas vi Jason recusar a fazer o mesmo.

- Parabéns, Dorcas! Muito bom mesmo! – Moreau sorriu.

- Obrigada. Diga logo que eu venci – sorriu, convencida.

- Er... sente-se, sente-se – Moreau sorriu. – Certo, foi uma pena Maria não ter cantado, e devo parabenizar os três, todos foram ótimos. Mas eu já tenho um que se destacou.

Seguiu o silêncio.

- Parabéns, Lily. Prepare-se para um solo – Moreau sorriu.

- O QUÊ? POR QUÊ? – Dorcas gritou, enquanto fortes aplausos enchiam a sala.

- Você foi ótima Dorcas, mas Lily interpretou, cantou com os sentimentos.

- E eu cantei com as cordas vocais, quem é a melhor? – Dorcas se aborreceu. – Isso é uma injustiça! Injustiça, isso sim! Só porque ela é monitora-chefe e tem essa cara de boazinha? E cantou toda chorosa porque o amor da vida dela está se agarrando com a Sophie?

- Olhe aqui, você cale a sua boca! – Lily se pôs de pé, apontando o dedo em sua direção. – Você não sabe absolutamente nada da minha vida!

- Você é que pensa, queridinha! – Dorcas pressionou.

- Basta! – Moreau gritou, calando as duas totalmente. – Vamos parar de briga, agora!

Dorcas e Lily se fuzilaram com o olhar por mais um período de tempo, até finalmente se sentarem.

- Dorcas, aceite, certo? E pare de falar assim com Lily.

- Viu? Todo mundo defende ela! – Dorcas exclamou. – Sempre ela é a defendida por todos e a Dorcas é sempre a chata e fofoqueira!

- Eu concordo – Franco disse, e dei-lhe um cutucão.

- Não sei por que está reclamando, Dorcas. O solo de Valerie já é seu.

- Que, mais uma vez, fui eu quem abriu mão – Maria disse.

- Mesmo assim! Achei isso injusto – Dorcas reclamou.

- Cale a boca – Lily resmungou, mas logo foi censurada pelo olhar de Moreau.

- Pois saiba que Remo cantou muito melhor que você! – Dorcas falou.

- Ei, não me coloca nessa discussão – Remo falou, surpreso.

- Todos cantaram bem, Dorcas. E pare de implicação – Moreau suspirou, cansado. – Estão dispensados.

Todos se levantaram e dirigiram até a porta, rindo e fazendo comentários da discussão.

- Você está bem, Lily? – perguntei. – Não ligue para Dorcas, ela é uma despeitada.

- Está tudo bem, mas preciso relaxar – Lily sorriu. – Estou indo pra biblioteca. Encontro vocês no almoço.

- Se esse for o jeito dela relaxar, não imagino como ela se diverte – Sean comentou, rindo, ao vê-la se afastar.


Lily POV:

Fui para a biblioteca, mas acabou que nem estudei. Fiquei lá pensando, imaginando porque diabos Dorcas disse aquilo. Ah, claro. Gravelle.

Saí da biblioteca sendo expulsa por Madame Pince, dizendo estar muito tarde. Essa mulher me odeia. Todos me odeiam.

Fui caminhando devagar, minha sombra sendo refletida nos candeeiros acesos. Estava tão cansada de todo mundo falar na minha cabeça, cansada de tudo. Era horrível ficar confusa, e era pior ainda quando tem pessoas em cima de você pra piorar tudo.

E pensando nisso segui meu caminho, andando meio perdida em pensamentos, mas fui totalmente interrompida por alguém que apareceu no início do corredor. Reconheci aquele cabelo despenteado de longe.

Antes mesmo que eu previsse, ele já estava perto o bastante de mim, então dei as costas.

- Lily! Ei, Lily! – James me chamou. Argh, que droga. Me virei, com um sorriso forçado.

- Oi, James. Como vai? – perguntei.

Ele me fitou bem.

- Estou bem. E você?

- Na medida do possível – respondi, querendo sair correndo.

- Finalmente te encontrei. Já estou cansado de te ver fugir de mim de novo – ele sorriu perversamente.

- Não estou fugindo de você, que coisa! – menti.

- Então me explica porque você não fala comigo desde sexta-feira – exigiu, e por um momento comecei a gaguejar.

- Eu estava ocupada.

- Sei – ele falou com desdém. – Olha, só quero entender o porquê disso. Porque até me sinto culpado, pensando no que eu fiz para você querer se afastar de mim.

- Só estou dando privacidade pra você e sua nova namorada – deixei escapar, e ainda por cima em tom irritado. Ai, eu me odeio.

James estreitou os olhos.

- Espera aí! – seu rosto se iluminou. – Você está com ciúmes, é isso?

- QUÊ? Não! – me espantei, sentindo meu rosto corar. – Olha aqui, eu estou indo na biblioteca porque... eu esqueci, meu... livro lá. Tá, tchau.

- Eu vou junto.

- Não precisa! – reclamei e já ia dando as costas, mas ele me segurou.

- Lily Evans, olhe nos meus olhos e diga que não está com ciúmes – falou.

Mas é claro que eu não olhei.

- Para com isso! Nós somos amigos, ok? – falei, me soltando do aperto. – E se eu estivesse com ciúmes é porque estaria gostando de você, e se eu estivesse gostando de você ia te falar e aceitaria sair com você. Certo?

Ele ponderou por um segundo.

- É, certo – deu de ombros, mas não deixando de sorrir.

- Agora me dê licença, tenho que buscar minha pena.

- Não era livro? – seus olhos brilharam.

- Que seja! – exclamei, já impaciente. – Tchau. E boa noite.

Já estava numa distância considerável quando ele me chamou novamente, mas dessa vez decidi não virar, apenas parei, mostrando que eu estava ouvindo.

- Lily, apesar de eu estar namorando Sophie agora... – ele hesitou, sua voz sumindo. – Saiba que eu gosto é de você. Sempre será você...

Não soube o que fazer, muito menos o que dizer. Optei pelo mais óbvio, continuar o meu caminho sem olhar pra trás, e uma droga de sorriso insistia em aparecer nos meus lábios.

Mas que droga, mas por que ele foi falar isso?