Bella dormiu bem aquela noite, em sua mente não parava de passar flashes dela e de Edward no jantar, da conversa que tiveram, dos olhares e principalmente da sensação que foi sentir seus lábios colados aos dele, mesmo que por breves segundos. Ela ainda não havia conseguido acreditar que havia tido coragem para fazer isso.

Beija-lo.

Quando ela acordou ela chorou de emoção, felicidade e tristeza, pois admitiu para si mesma que estava apaixonada por ele. E isso a deixava com medo e receio do que poderia vim acontecer. Que futuro poderia ter para os dois?

Ela tinha que se afastar dele, antes que fosse tarde de mais.

Mas o que poderia acontecer? O pior já havia acontecido ela já estava apaixonada por ele. Poderia haver coisa pior que isso?

Sim e tinha. Ela não sabia ainda, mas havia algo pior do que ter se apaixonado por Edward Cullen.

E o pior tinha nome e sobrenome.

...

Bella se levantou da cama e comeu um iogurte, uma fruta e torradas com geleias de goiaba. Nunca havia comido tanto assim só no café da manhã e isso só fez seu coração se apertar com uma vontade enorme de ver Edward.

Ela estava tão ferrada.

Não tinha mais de doze horas que estava sem o ver e ela já estava morta de saudades.

Bella queria tanto vê-lo, abraça-lo, beija-lo.

O que ele havia feito com ela?

Tomou seu banho depois e se arrumou para ir ao trabalho, estava cedo ainda, mas queria distrair sua mente e parar de pensar em Edward. Passaria também na Sra. Gomez e veria como ela estava, fazia alguns dias que não falava com ela direito.

Abriu a porta do seu apartamento no mesmo instante que um homem entrava no corredor. Bella olhou atentamente para ele que usava um uniforme e segurava uma caixa e prancheta na mão. Franziu sua testa, será que era alguma encomenda da Sra. Gomez?

— Você é Isabella Masen? — mas ele perguntou.

— Sim, sou eu — ela disse confusa.

— Assine aqui, por favor — pediu mostrando o local para ela assinar, Bella assinou rapidamente e depois ele entregou a caixa e destacou um papel.

— Tenha um bom dia — disse e saiu.

Bella encarou suas costas confusa.

Quem poderia ter mandado algo para ela?

Deu-se conta que só uma pessoa poderia fazer algo assim.

Ela abriu a caixa ainda em pé ali, dentro havia outra caixa menor e percebeu ser de um aparelho telefônico.

Ela já havia visto muitas pessoas com um celular daquele e nunca imaginou que um dia teria um ainda mais que alguém lhe daria um, com certeza o preço daquele celular era metade do seu salário.

Suspirando abriu a caixa vendo o aparelho, carregador, fones de ouvido e um papel.

Pegou o papel e o abriu observou a caligrafia elegante que estava ali, nada comparado aos garranchos dela.

Leu enquanto passava seu dedo nos contornos das palavras.

Bella,

Primeiro

Espero que não se importe, comprei um celular para você aceite ele, por favor, e se sentir melhor pode me devolver se você não quiser mais nada comigo, o que espero que nunca aconteça. Mas estou viajando para Washington hoje e voltarei somente na quarta, desculpe esqueci de comentar. Assim que meu avião pousar ligarei para você. Nele já tem meu numero gravado, qualquer coisa me ligue.

Tome cuidado.

Amor,

E. A. Cullen.

Obs: "Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa." Essa frase é de um escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade e transmite tudo que senti naquele breve instante que nossos lábios se tocaram.

— No meu tempo os homens mandavam flores — Sra. Gomes disse da porta do seu apartamento.

Bella saiu do seu estado inerte e olhou a senhora que a encarava divertida, seus olhos azuis brilhavam e ela tinha um sorrisinho nos lábios.

— As coisas evoluem — falou — Mas eu não vou aceitar isso — disse.

— E porque não?

— Isso é de mais, deve custar um mês inteiro do meu salário.

— E daí?

— Eu não quero parecer uma aproveitadora — Bella disse suspirando.

A senhora sorriu.

— Você não é querida. Você pediu isso?

— Não, ele me deu porque disse que vai viajar e quer falar comigo sempre que puder, sem precisar sair atrás de mim.

—Muito prestativo ele.

— Talvez, mas nós não podemos ficar juntos. Ele é rico e eu não sou nada perto dele.

— Oras não fale assim menina. Vou te dizer uma coisa ele esteve aqui ontem e parecia muito preocupado quando não a encontrou, depois quando disse que você tinha ido para o trabalho ficou irritado e saiu dizendo que não poderia ter ido trabalhar doente.

— Ele apareceu lá.

— Imaginei que sim...

Bella respirou fundo.

— Eu vou para o trabalho — Bella disse, entrou em casa rapidamente e deixou a caixa em cima do sofá.

Trancou o apartamento e beijou a testa de sua vizinha, Bella a tinha como alguém de sua família.

— Bella? — ela se virou ouvindo à senhora Gomez a chamar antes que descesse as escadas.

— Sim?

— Não deixe o amor passar — falou e entrou fechando a porta.

Bella ainda ficou alguns segundos parada no estreito corredor, olhando para o nada.

Não deixe o amor passar.

Amor. Amor. Amor. Amor.

Edward. Amor. Edward.

Não. Isso não podia acontecer.

Paixão era uma coisa. Amor era outra completamente diferente e bem mais intensa.

Ela sabia que sofreria. Isso nunca daria certo.

Não parou um minuto de pensar em Edward, ele não saia de seu pensamento no metrô, enquanto andava, atendendo clientes, chegou até a derrubar uma bandeja com uns pratos sujos eles se quebraram e ela já previa que seu salario viria bem menor esse mês.

Quando chegou a casa ficou tentada a bater na porta da Sra. Gomez, ela queria conversar com alguém o que estava sentindo e só restava sua querida vizinha. Sua melhor amiga estava do outro lado do país e não tinha a menor ideia de por onde Rosalie andava, não tinha mais amigos e familiares.

Edward. Ela sabia que podia contar com ele, mas não podia conversar com ele sobre seus sentimentos em relação a ele.

Ou podia?

Bella bufou entrando em casa. Estava mais confusa do que uma agulha no palheiro.

Olhou a caixa em cima do sofá, respirou fundo e a abriu.

Dentro tinha um aparelho branco e cabos.

Ela nem tinha ideia de como ligar aquilo, parecia não ter nenhum botão.

Pegou o manual e leu rapidamente, ligou o aparelho, ele se iluminou.

Ficou encarando a tele sem saber o que fazer, demorou alguns segundos e ele começou a vibrar e tremer em sua mão, Bella viu o nome de Edward aparecer na tela, deslizou sua mão como mostrava e levou o celular a orelha.

— Bella? Onde você estava? Estou te ligando tem tempo— ouviu a voz de Edward um pouco diferente por causa do aparelho, mas mesmo assim linda.

Bella sentiu um pouco aliviada em ouvir a sua voz, percebeu que passou o dia todo querendo vê-lo e toca-lo. Ouvir sua voz apaziguou um pouco a saudade que sentia.

— Er.. Oi... Eu estava no trabalho cheguei só agora — falou.

— Você está bem? — ele perguntou preocupado.

— Sim estou — Bella disse — e você?

— Com saudades de você — ele falou sinceramente.

Bella suspirou.

— Eu também — ela admitiu bem baixinho, que se Edward não tivesse apertando o telefone em sua orelha, não teria escutado.

Ele sorriu.

— Você vai ficar com o celular? — perguntou, apenas querendo ouvir sua voz.

— Não acho uma boa ideia— ela disse.

— Eu acho uma ótima ideia — ele disse — Fique, por favor — falou e Bella pode imaginar ele a olhando, deslumbrando-a.

— Tudo bem, mas um dia eu vou te pagar — falou, ele sorriu.

— Ótimo, estou colocando na sua conta — brincou.

— Você só virá quarta? — ela murmurou.

— Infelizmente, queria está aí com você, mas amanhã eu tenho um jantar de negócios e quarta uma reunião na parte da manhã, depois irei.

— A gente se ver quarta á noite? — ela perguntou ansiosa.

— Claro — ele falou apenas, imaginando ela o recebendo com um longo abraço.

Ficarem em silêncio, apenas ouvindo a respiração um do outro, ele ouviu um bocejo.

— Está tarde, você está cansada. Amanhã te ligarei.

— Ok, boa noite, durma bem — falou, mesmo contra sua vontade, não queria desligar agora, mas estava realmente cansada.

— Você também, tenha bons sonhos.

Ficaram alguns segundos em silêncio.

— Bella? — ele a chamou.

— Sim?

— Beijo — disse apenas.

— Beijo — ela falou e desligou sem realmente querer desligar.

Estava perdida, definitivamente perdida e completamente ferrada.

E totalmente apaixonada por Edward Cullen.

O Magnata de Chicago.