CAPÍTULO 8

Assim que chegamos em casa, ajudei Bella com suas compras, levando tudo para o andar de cima, me preocupando apenas para que ela não visse a sacola preta da Cartier.

Sugeri tomarmos um banho rápido antes do jantar, mas Bella achou melhor cozinhar antes, já que o bolo de carne demoraria um pouco a ficar pronto. Então fui logo tomar meu banho, me encarregando de arrumar a mesa a seguir.

Enquanto pegava os pratos e talheres, Bella subiu para tomar seu banho. De alguma forma que não conseguia explicar, eu me sentia nervoso pelo que poderia acontecer aquela noite. Era quase como se eu estivesse voltado à minha adolescência e estivesse nervoso pela minha primeira vez. Mas o problema era que eu sabia que, de uma forma ou de outra, Bella me compararia a Edward. Seria inevitável. E mesmo sabendo que tinha muito mais experiência do que ele, eu me sentia na obrigação de superá-lo.

A demora de Bella estava começando a me deixar apreensivo. Já fazia mais de meia hora que ela tinha subido para tomar banho e até agora nada do seu retorno. Sem querer, coloquei na minha cabeça que ela estava se preparando para esta noite, como as mulheres costumavam fazer, e a minha curiosidade súbita me dominou.

Subi as escadas tão rápido que chegava a pular dois degraus por vez.

Nem bati à porta, como mandava a educação, e entrei no quarto de hóspedes ocupado por Bella, mas o encontrei vazio. Uma muda de roupa estava dobrada sobre a cama e o som do chuveiro chegava até mim através da porta fechada.

Fiquei alguns segundos encarando a madeira escura, talvez tentando abri-la com a força da mente, ou talvez querendo tornar a madeira transparente. E como um tarado pervertido, comecei a imaginar que eu me aproximava da porta, e com um olho na fechadura, espiava a garota lá dentro, sabendo que o vidro transparente do boxe me permitiria ver todo seu corpo pequeno e molhado. Mas antes que eu pudesse transformar aquela ilusão em realidade, o som do chuveiro sendo desligado me fez sair do transe e me apressei a sair do quarto antes que Bella me visse ali.

E quando ela finalmente desceu, vestindo a roupa que eu tinha visto sobre a cama, eu já estava sentado confortavelmente no sofá da sala.

— Vamos jantar? — ela chamou, mas nem esperou por mim, indo direto para a cozinha.

O jantar transcorreu como nas outras noites, com a conversa fluindo naturalmente, enquanto comíamos o bolo de carne que, por sinal, estava delicioso.

— O que acha de assistirmos um filme? — sugeri depois de lavarmos os pratos, e Bella prontamente aceitou.

Estava começando um dos filmes de James Bond, ainda com Sean Connery, e foi esse que ela escolhe para assistir, embora eu estranhasse essa decisão. Bella já tinha dito uma vez que não gostava desses filmes com excesso de testosterona. Palavras suas.

Ainda assim, ficamos assistindo o filme, Bella sentada em uma ponta do sofá de três lugares, de frente para mim, e eu na ponta oposta, fazendo nossas pernas se encontrarem no meio do caminho.

No começo, eu brinquei com esse fato, fazendo cócegas nos seus pés, e às vezes chegando até a deslizar as mãos pelas suas pernas cobertas pela calça listrada, mas quando Bella ignorou minhas investidas, eu parei.

Eu não conseguia entender o porquê de Bella estar agindo daquela forma tão estranha essa noite. Desde que chegamos, ela tinha feito o possível para evitar ficar sozinha comigo. A bem da verdade, ela vinha agindo estranhamente desde o começo do dia, aparentando um nervosismo anormal.

A única explicação lógica que eu encontrava para o seu comportamento era que Bella tinha se arrependido de se envolver com alguém como eu. Alguém mais velho. Alguém que também era o pai do seu namorado, apesar de tudo. E se esse era o motivo da sua mudança, tudo que eu poderia fazer era aceitar e ficar quieto, esperando para ver se aquela atitude mudaria ou não.

E a resposta veio por volta da metade do filme, quando Bella bufou alto e se remexeu desconfortável no sofá.

— Argh! Que filme chato. Nunca vou conseguir entender como esse 007 pode ser tão famoso.

— Você insistiu em assistir esse filme — retruquei de imediato, também desviando a atenção da tela.

— É, mas cansei — ela resmungou, bufando novamente e então se voltou para mim, abrindo aquele seu sorriso meigo que conseguia ser travesso ao mesmo tempo. — Prefiro namorar.

Não consegui segurar o riso, levando embora qualquer desconfiança sobre a possível desistência de Bella quando ela ficou de joelhos e começou a engatinhar pelo sofá até estar sentada sobre as minhas coxas.

Só havia uma explicação para essas mudanças de Bella: ela sofria algum distúrbio bipolar.

Ainda rindo, puxei seu corpo pequeno contra o meu, me acomodando melhor para abraçá-la.

Bella me beijava segurando meu rosto, dando beijos estalados, até que eu a segurei pela nuca, infiltrando minha língua na sua boca. Aos poucos o desejo foi tomando conta e o beijo foi ficando mais intenso, mãos passando a fazer parte da equação. O casaco de linha que Bella usava logo foi parar no chão, junto com meu próprio casaco, me deixando apenas de calça de algodão, enquanto ela permanecia de calça e regata. E em instantes eu inverti as nossas posições, ficando por cima dela.

— Espera! — ela pediu de repente, me detendo pelo peito quando eu tentei beijar seu pescoço. Sua voz estava tão arfante e baixa que eu quase não entendi.

— O que houve?

— Vamos... Vamos subir?

A encarei por alguns segundos, vendo em seus olhos castanhos o brilho da decisão, sabendo que ela conseguia sentir, graças às suas mãos no meu peito, o quanto meu coração tinha acelerado ao ouvir aquilo.

— Vamos — concordei, saindo devagar do sofá e a peguei nos braços, levando-a pelas escadas até o seu quarto, como ela pediu.

E, apesar da minha ansiedade, tentei ir com calma, fazendo um esforço para não parecer um moleque afobado. Mas era como se tudo em Bella me fizesse sentir como se aquela fosse a minha primeira vez.

Eu sabia que isso era apenas pelo que Bella representava. Ela era a fantasia de todo homem. Jovem, linda, sedutora, divertida. Era a fantasia de todo homem, qualquer que fosse a idade. A fantasia da Lolita que todo homem deseja.

Eu me sentia ansioso para provar a Bella que homens mais velhos eram melhores que esses jovens inexperientes, e estava disposto a dar o meu melhor para tornar aquela a melhor noite dela. Assim, foi com extrema calma que a coloquei na sua cama, beijando todo seu corpo a medida que ia tirando sua roupa, sentindo sua pele arrepiar ao mínimo toque.

Quando ela estava completamente nua, me afastei um pouco, admirando aquele corpo pequeno e delicado.

— Você é tão linda — murmurei, vagando meus olhos lentamente por todo seu corpo.

Quando meu olhar chegou ao seu rosto, a encontrei de olhos fechados e tão corada que o vermelho começava a descer pelo seu pescoço.

Lentamente, me inclinei sobre o seu corpo, beijando seu rosto suavemente.

— Está com vergonha de mim, Bella? — perguntei num sussurro, passando a beijar seu pescoço.

— Só não fica me olhando desse jeito — ela pediu, arfando quando desci os beijos para os seus seios, mordiscando cada mamilo delicadamente, chupando-os em seguida.

Sua pele começava a apresentar minúsculas gotas de suor, embora o quarto não estivesse assim tão quente.

— Vem aqui — chamei, me ajoelhando na cama, e a puxei pela mão para que ela ficasse ajoelhada à minha frente. — Eu quero te ver.

— Isso não, Carlisle — ela reclamou, tentando puxar a colcha grossa para se cobrir, mas eu a impedi, segurando suas mãos, e a puxei contra mim, abraçando seu corpo.

— Você é linda, Bella. Não precisa se esconder.

— E você está todo vestido. Não tem moral para falar em se esconder.

— Quer tirar? Eu deixo — falei, abrindo um sorriso quando me afastei para encará-la e a vi corando ainda mais.

Mas Bella meneou a cabeça, se afastando um pouco enquanto murmurava um "pode tirar", para logo em seguida puxar a colcha grossa e se esconder debaixo dela, só então me encarando com um sorriso.

— Tira.

Sorri de volta para ela, desabotoando a calça normalmente, como se não estivesse com pressa para estar debaixo daquelas cobertas com ela.

Mas à medida que eu tirava o restante das minhas roupas, seu sorriso ia desaparecendo e seu rosto voltava a corar, agora com ainda mais intensidade. Seus olhos se mantinham presos no meu rosto como se ela não quisesse me ver nu.

— Com vergonha de mim de novo? — perguntei, deitando ao seu lado na cama, mas sobre a coberta. E a sua falta de resposta foi o suficiente para me dar a confirmação do seu constrangimento. — Não precisa ficar assim, minha pequena — sussurrei no seu ouvido, afastando delicadamente a colcha para o lado, revelando seu corpo pálido.

Bella imediatamente fechou os olhos, de alguma forma conseguindo corar mais.

Só então eu fiquei completamente sobre ela, sentindo todas as suas curvas contra meu corpo. Beijei sua boca delicadamente, sentindo seu sabor, percorrendo seu corpo com minhas mãos. Sentia sua pele arrepiando e seu corpo estremecendo, e me ajoelhei entre as suas pernas, puxando seu pé para cima.

Aqueles pés que me tentaram desde o começo com a poesia sobre pés, com seus toques ousados durante o primeiro filme que assistimos juntos. Os pés que me excitaram no escritório na outra noite. Os pés que me provocaram naquele mesmo dia dentro do carro.

Sem que me desse conta, acabei desenvolvendo essa fixação por pés. Mas, pensando bem, acho que isso só se aplicava aos pés daquela pequena mulher embaixo de mim, que agora me observava com os olhos semicerrados, me olhando enquanto eu beijava seu pé macio e delicado, aos poucos subindo os beijos molhados pela sua perna, seu joelho ficando apoiado no meu ombro, e lá mesmo eu o deixei, passando a beijar a parte interna da sua coxa.

Quando cheguei a sua intimidade, a encontrei completamente úmida e quente, não resistindo ao impulso de chupá-la com força, sugando todo seu líquido. E quanto mais eu a chupava, mais molhada ela ficava, gemendo baixinho como se tentasse impedir que o som saísse. E vê-la assim tão pronta — pronta para mim — me fez esquecer minha resolução de ir com calma.

Ergui um pouco o corpo, o movimento fazendo com que seu tornozelo ficasse sobre o meu ombro, e me posicionei na sua entrada depois de colocar a camisinha às pressas. Dando um leve beijo no seu pé que estava ao lado do meu rosto, a penetrei num único impulso.

A sensação de estar dentro dela seria a melhor coisa que eu sentira em muito tempo.

Seria se no momento em que eu a penetrei, Bella não tivesse soltado um pequeno grito estrangulado, seu corpo enrijecendo completamente embaixo do meu. Seria se eu não tivesse sentido a pressão de algo rompendo na sua intimidade.

Foi como se eu tivesse levado um choque. Passei alguns segundos processando aquele fato, sem conseguir me mexer ou falar. Eu sequer conseguia respirar. Tudo que eu conseguia fazer era encarar o rosto vermelho e suado à minha frente, que agora transparecia uma leve expressão de dor. E foi a única lágrima que escapou dos seus olhos fechados que me fez despertar daquele torpor que tinha dominado meu corpo e minha mente.

— Bella, olhe para mim — pedi num tão rouco e nervoso que eu quase não reconheci minha própria voz. Mas ela permaneceu de olhos fechados. — Isabella, abra os olhos — exigi, mais firme agora, e dessa vez ela atendeu, abrindo os olhos lentamente. — Por quê? — foi tudo que eu consegui perguntar, sem saber exatamente a que eu me referia.

— Por favor, Carlisle, não — ela pediu com a voz baixa.

— Não? Não o quê, Bella? Não, eu não tenho o direito de perguntar por que você não me contou que era virgem? Ou perguntar por que você mentiu para mim?

— Eu nunca menti para você — ela retrucou num tom ainda baixo, fazendo contraste com o meu que estava completamente descontrolado.

— Você me fez acreditar que você tinha transado com Edward.

— Certo, eu menti, mas que diferença isso faz agora?

— Faz toda diferença, Bella!

— Eu era virgem! Não sou mais. Então dá para continuar?

Aquele torpor me envolveu novamente e só então me dei conta de que permanecíamos na mesma posição. Bella embaixo de mim, sua perna esquerda sobre meu ombro direito, e eu ainda completamente dentro dela.

— Eu não posso — murmurei, me sentindo fraco de repente, começando a sair de dentro dela, mas Bella rapidamente segurou meu quadril com força, esticando suas mãos para me alcançar.

— Não faz isso — ela pediu apressada; seu movimento me fazendo entrar nela novamente por completo. — Não para, por favor.

— Eu não posso Bella — repeti, me inclinando sobre o seu corpo para beijar seus lábios de leve, fazendo-a suspirar. — Me desculpe, mas eu não consigo.

E antes que ela pudesse fazer algo, eu saí de dentro dela, me sentindo ainda pior ao ver meu membro envolto de uma fina camada de sangue, e recolhi minhas roupas espalhadas no chão ao lado da cama, antes de sair do quarto.

Minha mente estava tão travada que eu mal percebi quando entrei no meu quarto e vesti a calça, sentei na ponta da cama e enterrei o rosto nas mãos. Sentia-me num estado de choque tão grande que não conseguia raciocinar. Era como se minha mente se recusasse a funcionar, me atingindo com uma série de imagens e palavras desordenadas e sem sentido que me confundiam ainda mais.

Minutos se passaram. Se longos ou curtos, eu jamais saberia precisar. Mas quando meu cérebro finalmente voltou a funcionar, mesmo que aos trancos, fui me dando conta do que tinha acontecido.

Eu tinha tirado a virgindade de Bella. Virgindade que ela tinha escondido de mim, mentindo constantemente sobre sua experiência sexual.

Só agora a sua atitude durante o dia começava a fazer sentido. Seu comportamento estranho e nervoso ao longo das horas, desde que acordara, tagarelando sem parar. E depois, à noite, com Bella me evitando. Eu deveria ter percebido que algo estava errado. Que era mais do que uma simples bipolaridade de adolescente. E deveria ter percebido, acima de tudo, que Edward poderia ser idiota e infantil, mas dificilmente trocaria uma garota incrível como Bella, por alguém fútil e estúpida como Rosalie. A não ser, é claro, que Bella não lhe desse algo que ele queria.

"Eu tenho raiva por ele estar com aquela vagabunda, fazendo coisas que deveria estar fazendo comigo."

As palavras que Bella dissera certa noite me voltaram à lembrança, e eu não sabia bem se aquela era mais uma das suas mentiras para me fazer acreditar que ela não era mais virgem. Mas havia também a chance de que Bella poderia ter escolhido aquela viagem para se entregar ao namorado. E a ideia de Edward ser o primeiro a tocá-la, me deu mais repulsa do que quando eu pensava que ele já tinha feito sexo com ela. Edward não merecia ser o primeiro de Bella.

O que eu não conseguia entender era o motivo que levara Bella a me escolher para algo tão importante. Eu não era seu namorado e era bem mais velho do que ela. O que tínhamos era uma simples aventura pecaminosa e igualmente tentadora.

Tudo bem que a paixão que nos envolvia era forte o bastante para nos fazer esquecer qualquer tabu, mas Bella merecia mais para a sua primeira vez. Merecia alguém que fosse carinhoso, que a amasse com delicadeza e que a tratasse como se ela fosse a única mulher do mundo, que também estava entregando o seu bem mais precioso.

Ao contrário de tudo isso, eu tinha me afobado ao ponto de penetrar seu sexo virgem de uma só vez, quase brutalmente, lhe provocando uma dor que eu nunca pensei ser capaz de causar. E como se não fosse suficiente, eu não tinha conseguido ir até o fim, deixando-a sozinha e machucada.

Bella provavelmente estaria me odiando no momento, tanto pela minha brutalidade, quanto pela falta de sensibilidade, mas eu precisava me afastar para pensar. E continuar transando era algo impossível para mim agora, seja por motivos físicos ou psicológicos.

Pela primeira vez em toda a minha vida, eu tinha broxado.

Não que não sentisse mais prazer por ela. Saber que Bella nunca tinha sido tocada como eu toquei, só me deixava mais desejoso do seu corpo. Mas o choque da descoberta tinha sido tão grande que me bloqueara totalmente.

Agora aqui estava eu, frustrado sexualmente, me sentindo o pior dos homens pelo que tinha feito com Bella.

E ao invés de encarar o problema e lidar com ele, ajudar Bella a se recuperar da minha invasão rude, eu tinha fugido como um covarde.

Sentindo-me na obrigação de contornar aquela situação, mesmo não podendo voltar atrás, saí do meu quarto decidido a ao menos minimizar o estrago que tinha feito.

Chegando ao quarto de Bella, encontrei a porta aberta, e suas roupas continuavam caídas ao lado da cama, onde as deixara quando a despi. Bella, por sua vez, estava encolhida debaixo das cobertas, completamente oculta pela colcha grossa, mas ainda assim era possível distinguir as formas do seu corpo balançando suavemente, sendo sacudido pelo choro quase silencioso. E aquilo só me fez sentir pior.

Antes de ir até ela para confortá-la, me dirigi até o seu banheiro, acionando a torneira de água quente da banheira, apenas voltando ao quarto quando ela já estava cheia.

Sem nada falar, removi a colcha que cobria seu corpo pequeno, vendo-a se encolher ainda mais para esconder a sua nudez, e esconder seu rosto no travesseiro. Ignorando seu esforço em se fazer invisível, coloquei meus braços debaixo das suas costas e pernas, erguendo-a delicadamente da cama.

Apesar de estar agindo como se quisesse me evitar, Bella imediatamente enterrou seu rosto molhado pelas lágrimas no meu ombro.

Ainda em silêncio, levei-a até o banheiro, empurrando a porta com o pé, e mergulhei seu corpo na água morna. Quando ela imergiu para lavar o rosto, sentei no chão ao lado da banheira, colocando uma mão dentro da água a procura da sua. E o tempo que Bella ficou ali dentro, nossos dedos permaneceram entrelaçados.

A água já estava quase fria quando senti vontade de falar, já bem depois que ela tinha parado de chorar.

— Eu sei que nada do que eu fale ou faça vai amenizar o que fiz Bella. Só espero que um dia você me perdoe. — Ela continuou calada, sua cabeça apoiada na borda da banheira, enquanto seus olhos contemplavam o teto quase sem piscar. — Me desculpe por ter te machucado e por ter ido embora depois.

— Tudo bem — ela murmurou enfim, ainda sem me encarar.

— Você não precisava ter mentido para mim, Bella. Se você tivesse sido honesta...

— O que teria acontecido? — ela perguntou, me interrompendo, sua voz um tanto pastosa pela falta de uso. — Seja honesto. Você teria ido até o fim se eu tivesse dito que era virgem? Se eu não tivesse feito você acreditar que eu tinha experiência, você teria cedido?

— Talvez. Mas não tão rápido — respondi com honestidade, depois de respirar fundo. — Não acho que teria sido capaz de resistir por muito tempo.

"A tentação era grande demais", completei em pensamento.

— Eu vou embora dentro de uma semana. Só quis apressar as coisas.

— Mas por que eu, Bella? — perguntei, desenterrando aquela questão sem sentido. Quando ela não respondeu, soltei sua mão e toquei seu rosto já seco com a minha mão molhada, fazendo-a me encarar. — Por que eu?

Apesar de o seu rosto estar voltado para mim, seu olhar desviou do meu, olhando para a água tremulando na banheira.

— Eu só queria alguém com experiência. Só isso.

Mas mesmo não a conhecendo assim há tanto tempo, algo no seu tom me dizia que aquela não era toda a verdade.

Sabendo agora que o assunto sexo não lhe deixava à vontade, fazendo-a corar várias vezes, lembrando claramente que as únicas vezes que Bella falara diretamente sobre o assunto tinha sido através de poemas, achei melhor não insistir.

— E a pessoa a quem você confiou para ser o seu primeiro, acabou te machucando. — Suspirei pesadamente, acariciando seu rosto novamente. — Me perdoe, minha pequena.

— Está tudo bem — ela murmurou mais uma vez.

— Não, não está. Mas vai ficar — assegurei com firmeza, levantando do chão para pegar a toalha seca que estava no suporte. — Prometo que vou compensar o que fiz.

Estendi uma mão para ajudar Bella a ficar em pé, fingindo não perceber quando ela corou por estar nua à minha frente, e a enrolei na toalha depois de secar de leve seu corpo.

— Eu não sou de porcelana, Carlisle — ela reclamou quando eu, mais uma vez, a peguei no colo, levando-a de volta para o quarto.

— Me deixe cuidar de você, Bella.

Com um suspiro, ela se acomodou ao meu peito novamente, relaxando nos meus braços.

Porém, antes que eu chegasse à sua cama, a mancha vermelha nos lençóis me fez parar. Desviando do caminho, andei até o sofá de dois lugares e a coloquei ali delicadamente.

— Aonde você vai? — ela perguntou, quando fiz menção de me afastar para sair do quarto.

— Pegar lençóis limpos — informei, parando brevemente à porta. — Não demoro.

De fato, em dois minutos estava de volta com todo um conjunto de cama, que incluía lençóis, duas fronhas e uma colcha lilás, tão grossa quanto a que estava agora na sua cama.

Apenas depois de substituir os lençóis sujos pelos limpos, voltei para onde Bella estava me observando em silêncio, e a peguei no colo mais uma vez, levando-a para a cama, ainda enrolada apenas na toalha felpuda.

— Quer que eu pegue alguma roupa específica, ou posso pegar qualquer uma? — perguntei me afastando novamente em direção ao closet.

— Eu posso me vestir sozinha, sabe? — ela falou, já levantando, e passou por mim, indo para o closet onde estavam suas coisas.

Antes que eu pudesse segui-la, Bella já saía de lá com uma muda de roupa, e foi para o banheiro, se trancando lá. E ela passou tanto tempo ali dentro que eu poderia pensar que ela estava tentando fugir de mim novamente, se não fosse pelo barulho do secador.

Quando percebi que ela iria demorar, voltei rapidamente ao meu quarto e tomei um banho rápido, voltando ao quarto de Bella depois de vestir um pijama de algodão. Ainda assim, quando retornei, Bella continuava trancada no banheiro.

Cerca de dez minutos depois, a porta finalmente abriu, e Bella saiu, me fazendo perder o fôlego diante daquela visão.

Bella vestia uma minúscula camisola preta com detalhes vermelhos; levemente transparente. Seus cabelos antes ondulados, agora estavam praticamente lisos, esvoaçantes, fazendo uma moldura de cascatas sedosas ao redor do seu rosto que, para minha surpresa, estava maquiado. Era uma maquiagem leve e simples, suficiente apenas para realçar a beleza do seu rosto.

— Gostou? — ela perguntou ao ver-me percorrendo seu corpo com o olhar, sem pudor algum. E tudo que eu fiz foi assentir, não encontrando voz para falar. — Foi assim que eu planejei que seria a nossa primeira vez. Eu apareceria; você me olharia desse jeito antes de me levar para a cama... — Andando lentamente em minha direção, fazendo seu quadril balançar sensualmente de um lado para o outro, embora aquilo parecesse feito sem intenção, Bella se acomodou no meu colo, apoiando os joelhos no sofá ao lado do meu quadril. — Mas ainda dá tempo de tentarmos de novo.

E antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Bella agarrava meus cabelos da nuca, puxando meu rosto de encontro ao seu, cobrindo minha boca com um beijo que não tinha nada de inocente, forçando logo minha língua a encontrar a sua.

E por um instante — talvez mais longo do que eu deveria permitir — me deixei envolver por aquela situação, correspondendo ao beijo com a mesma intensidade.

Mas quando ela sentou sobre o meu quadril, pressionando meu membro, que já começava a ficar rijo, com seu sexo quente, eu me esforcei a voltar a mim e retomar o controle da situação antes que aquilo fosse longe demais. Já tinha errado demais para uma noite só e não continuaria cometendo o mesmo erro.

Apenas para não magoá-la, levantei do sofá, mantendo-a no meu colo com as suas pernas ao redor do meu quadril, e a levei até a cama, cobrindo seu corpo com o meu por alguns instantes. E por esses instantes, me permiti sentir mais do seu corpo e das suas curvas, tocando-a de leve por cima da camisola fina.

— Você está linda, Bella — sussurrei, beijando seu rosto de leve e me afastei para encará-la. — Você é linda. — Mais um beijo no seu rosto, dessa vez, bem próximo à sua boca, e eu me esforcei para me afastar, sentando ao seu lado na cama. — Mas eu não posso fazer isso.

— Eu não sou mais virgem, Carlisle — ela reclamou, sentando de súbito, levando uma mão aos cabelos macios.

— Eu sei, Bella. E é exatamente por isso que eu não posso. Eu te machuquei — expliquei, me voltando para encará-la. — Você mentiu para mim sobre isso e eu acabei te machucando. E mesmo que você diga que está tudo bem, eu sei que não está. Porque não está tudo bem para mim também. Eu deveria ter percebido os sinais que mostravam que você não tinha a experiência que disse ter. Mas eu não percebi.

— Eu não dei sinais — Bella resmungou em tom de defesa.

— Infelizmente deu, mas foram sutis demais para que eu conseguisse perceber. Ou talvez eu só não quisesse ver de verdade. — A encarei em silêncio por alguns segundo antes de levar uma mão ao seu rosto. — Eu não posso fazer isso, ok? Sei que é tarde para desfazer o meu erro e que não dá para voltar atrás, mas eu posso evitar cometer mais erros.

— Ficar comigo é errado?

Seu tom triste quase me fez desistir daquela recusa, mas consegui ser mais forte.

— Por mais que eu queira negar isso, sim. É errado, Bella. Você pode achar que está preparada para uma relação nesse nível, mas não está. Ou não teria mentido para mim sobre algo tão importante. — Levantei da cama com muito esforço, mais uma vez quase desistindo de me afastar ao ver seus olhos marejados. — Se você quiser, posso te levar para casa amanhã. Se você estiver com muita raiva de mim por estar fazendo isso, e pelo que eu fiz...

— Eu não tenho raiva de você — ela murmurou de cabeça baixa. — Mas se você quiser que eu vá.

— Talvez seja melhor assim, Bella. Antes que isso chegue longe demais.

— Eu não quero ir.

Parei à porta, observando-a sentada na cama com os cabelos formando uma cortina em volta do seu rosto, de forma que eu não conseguia vê-la por inteiro. Apesar de tudo, eu também não queria que ela fosse.

— Conversamos sobre isso amanhã, está bem? — Ela assentiu de leve, de forma quase imperceptível. — Boa noite, Bella.

Mas ela não respondeu, nem mesmo quando eu voltei para perto e beijei o topo da sua cabeça, tornando a me afastar em seguida. E dessa vez eu saí do seu quarto, indo direto para o meu, me culpando por tudo e me achando o pior dos homens por rejeitá-la pela segunda vez numa única noite.

Eu sabia que precisava fazer aquilo antes que as coisas fossem longe demais. Precisava me afastar antes que ela acabasse se apaixonando por mim. Porque eu sabia que se ela tinha permitido que eu fosse o seu primeiro, apesar de tudo, algum sentimento Bella já tinha por mim. Duvidava que já fosse amor, mas ela era jovem demais e muitas vezes os jovens confundiam paixão com amor. Eu sabia disso por experiência.

Mas eu sabia que o principal motivo que me levara a sair daquele quarto e deixá-la sozinha, era porque eu estava correndo esse mesmo risco. E me permitir amar alguém como Bella poderia ser um pouco perigoso para mim. Eu poderia querê-la ao meu lado para sempre. E duvidava que ela estivesse disposta a me dar isso.