O SEGREDO DOS ANJOS – PARTE III
ASCENSÃO
Dama 9 e Hana-Lis
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Nota:
Os personagens de Saint Seiya não nos pertencem, pertencem a Masami Kurumada, Toei Animation e empresas licenciadas.
Apenas Diana e Aisty são personagens criadas única e exclusivamente por nós para essa trilogia.
Este é um trabalho de fã para fã sem fins lucrativos.
Uma boa leitura a todos!
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Importante!!!
Dama 9, Hana-Lis e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
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Capitulo 8: As Damas e o Dragão.
.I.
Da janela do helicóptero viram algumas pessoas acenando com lanternas vermelhas indicando o heli-porto do porta-aviões. As hélices rodavam com extrema velocidade, um breve solavanco fez com que ficassem mais tensos nos acentos, até que o helicóptero pousasse.
Os orientadores de trafego aproximaram-se abrindo as portas para que saíssem.
-Venham conosco, por favor; um deles pediu, abaixando a cabeça para se afastar das hélices.
Saíram do helicóptero, vendo-o rapidamente levantar vôo. Um senhor de certa idade se aproximou, vestindo um uniforme azul com varias divisas na ombreira. Provavelmente o capitão daquele intrépido.
-Como vão? –o senhor os cumprimentou.
-...; Todos assentiram, numa breve reverencia em sinal de respeito.
-Venham comigo; ele pediu, indicando uma porta que levava a sala dos controladores.
-o-o-o-o-
-Aqui esta o estreito; O capitão explicou, mostrando-lhes o mapa. -Se olharem bem, antes dele há uma pequena ilhota, tanto que não existem registro de seu nome no mapa. Existem duas possibilidades de chegar até ela, usando um avião de combustível ou uma lancha;
-Como assim? –Milo perguntou confuso.
-Com a lancha pode demorar um pouco, existem bastantes corais nessa área, embora seja de grande profundidade, desviar disso sem correr o risco de naufragar pode levar tempo; o capitão explicou.
-Entendo, mas o avião de combustível no que ajuda? –Kamus perguntou.
-Temos um avião de combustível vazio no momento, que pode transportá-los mais rápido para lá, porém...; O capitão fez uma pausa.
-O que? –Saga perguntou.
-Vocês vão ter de pular de pára-quedas; ele completou, vendo as amazonas arquearem a sobrancelha.
-Sem duvidas o avião é melhor; Diana e Aisty falaram juntas.
-Mas...; Saga e Shura começaram, porém pararam engolindo em seco, diante do olhar envenenado delas.
-Não se atrevam; Aisty avisou, elevando seu cosmo de forma que o ambiente ficasse extremamente quente.
-Her! Tudo bem, a gente só ira perguntar se tem pára-quedas pra todo mundo, ou...; Saga começou.
-A gente teria de jogar o Milo primeiro; Shura completou, com o sorriso mais deslavado do mundo.
-Hei! –o Escorpião reclamou.
-Puff; as duas resmungaram descrentes.
-Com licença; um rapaz de melenas negras e orbes acinzentados falou, aproximando-se e parando ao lado do capitão.
-Senhores. Senhoritas. Esse é o tenente. Fernando Aragão; o Capitão apresentou. –Ele vai levá-los até o avião combustível e instrui-los sobre como deverão proceder.
-Obrigada; Diana agradeceu, numa reverencia em sinal de respeito.
-Nós é que agradecemos, tanto a fundação Graad como os Cavaleiros de Athena fizeram muito por nós e mesmo que séculos se passem não teríamos como retribuir toda essa ajuda; o capitão falou.
-Por favor, venham comigo; Fernando pediu, abrindo a porta, permitindo que as amazonas passassem primeiro.
Os demais seguiram as jovens, porém dois cavaleiros não deixaram de lançar um olhar envenenado ao tenente.
-o-o-o-o-
-Isso é apertado demais; Milo reclamou, enquanto um dos ajudantes do tenente apertava os cintos do pára-quedas nele.
-Não o use, mas não venha reclamar depois; Saga falou, com um sorrisinho típico de Ares.
-Idiota; o Escorpião resmungou.
-Parem com isso; Aisty os cortou, antes que acontecesse alguma coisa.
Os dois encolheram-se diante do olhar dela, enquanto esperavam o pára-quedas ser devidamente instalado.
-Esse relógio indica a altitude; Fernando explicou, aproximando-se de Aisty e Diana. –O avião vai sobrevoar o mais próximo da ilha, quando saltarem, o relógio vai começar a contar a altitude, puxem a corda com três mil pés e o pára-quedas abre;
-Mas e se não abrir? –Milo perguntou, curioso.
-Você reza pra Athena estar de bom humor e te ressuscitar de novo; Diana falou, irritada com a pergunta impertinente.
-Her! Foi só uma pergunta; ele falou, suando frio.
-Milo, fica quieto vai; Kamus falou, puxando-o para longe da irmã, cujos olhos já estavam se incendiando e isso não era um bom sinal.
-Bem, alguma duvida? –o tenente perguntou, voltando-se para os demais.
-...; Negaram com um aceno.
-Então, boa sorte; ele desejou, numa breve reverencia.
Seguiram para o avião. Agora não haveria mais volta.
-o-o-o-o-
-Quem vai primeiro? –Kamus perguntou, sentando-se em um banco interno na cabine do avião.
-Eu vou; Aisty avisou.
-Eu-...; Milo foi cortado.
-Eu vou depois; Saga o cortou, com um olhar envenenado. –Aiiiiiiiiii. Que idéia é essa? –ele perguntou, massageando o local que ela beliscara.
-Pare com isso; Aisty o repreendeu.
-Preparem-se para saltar, já estamos sobrevoando a ilha; a voz do piloto soou na cabine.
Respiraram fundo, levantando-se e ficando próximos a porta. O deslocamento de ar foi imenso quase os arrastando para trás.
Fechou os olhos e no segundo seguinte sentia apenas o vento batendo em seu rosto. Abriu os olhos vendo a ilha abaixo de si, como se fosse apenas um pontinho verde no meio do azul imenso do mar.
Olhou para o relógio nas mãos. Cinco mil pés... Sentia como se seu corpo fosse a bala de um resolver recém disparada, que cortava o ar numa velocidade impressionante. Quatro mil pés... Faltava pouco agora.
-"Será que vai abrir?"; ela se perguntou por um momento lembrando-se das palavras do Escorpião.
Segurou a corda que soltava o pára-quedas com a mão tremula. Droga, porque tinha de pensar nisso agora; ela pensou revoltada consigo mesmo. Será que os demais estavam com essa mesma duvida? Iria abrir ou não?
Por via das duvidas era melhor puxar aquela droga de corda e pedir aos deuses que ele abrisse.
Três mil pés, um pequeno apito tocou vindo do relógio, mal notou a força que empregou ao puxar a corda que quase a arrebentou. Para seu alivio no momento seguinte, seu corpo levou um solavanco e o pára-quedas abriu, fazendo com que a velocidade da queda reduzisse.
-"Nota mental, matar o Milo quando isso acabar"; ela pensou, passando a mão pela testa, antes de segurar-se nas laterais do pára-quedas, começando a controlá-lo para fazer um pouso tranqüilo na praia da ilha.
-o-o-o-o-
-Todos estão aqui? –Diana perguntou, olhando para os lados, vendo os pára-quedas espalhados pelo chão de areia.
-Cadê o Milo? –Kamus perguntou, notando a falta do Escorpião.
-Ele estava com a gente; Shura respondeu, preocupado.
-AHHHHHHHHHHHHHH;
Pararam ao ouvirem um grito, vindo de pouco mais à frente de onde estavam. Correram para o local, para em seguida caírem na gargalhada, enquanto o Escorpião jazia dependurado de ponta cabeça em uma árvore. Quando caíra o pára-quedas enroscara-se nos galhos, deixando-o naquele estado.
-Bem feito; Aisty resmungou, lembrando-se do que acontecera lá em cima.
-Vamos tirá-lo logo de lá; Saga falou, dando um baixo suspiro. Por um momento quase não puxara a corda pensando se o pára-quedas iria realmente abrir ou não; ele pensou, passando a mão nervosamente pelos cabelos.
Shura e Kamus seguiram com ele, para tentarem tirar o Escorpião dali.
.II.
Embora vista de cima a ilha parecesse pequena, era apenas uma ilusão. Talvez fosse obra de Atlas aquilo, ou apenas erro de calculo, mas enquanto avançavam pela mata fechada, sentia o ar tornar-se rarefeito e pesado. Erguendo os orbes para cima, mal podia ver o céu. A única certeza que tinham, era que estavam bem longe da praia agora.
-Será que esse tal jardim realmente existe? –Milo perguntou, depois de uma hora de caminhada para o centro da ilha.
-Milo, mais uma pergunta infame e você vai virar Escorpião flambado; Aisty avisou com os orbes serrados.
-Foi só uma pergunta; ele falou, correndo se esconder atrás de Kamus.
-Sem comentários; o aquariano falou, balançando a cabeça levemente para os lados.
Não demorou muito para depararem-se com um muro imenso que perdia-se das vistas deles.
Estranho, lá de cima não haviam visto construção nenhuma. É, parece que estavam realmente no caminho certo.
-Não tem portão? –Shura perguntou confuso, aproximando-se da parede.
-Quem sabe não tem alguma palavra chave ou algo do tipo; Milo comentou, parando ao lado dele.
-Como? –Kamus perguntou, arqueando a sobrancelha, já sabendo que vinha besteira.
-Sei lá, algo do tipo 'Abre-te Cesamo'; o Escorpião falou, gesticulando displicente.
-Já disse pra você parar de assistir Aladim que isso não ia te fazer bem; Shura falou em tom de reprimenda.
-Hei! –ele reclamou, vendo os demais rirem.
-Bem, nunca ouvi sobre palavra mágica ou coisa do tipo; Aisty comentou, tocando o muro. –"Ahn! Será que vai funcionar?"; ela pensou, tendo uma repentina idéia. –GUARDIÃS DO JARDIM DAS HESPERIDES, SOMOS ENVIADOS POR ATHENA E PEDIMOS PERMISSÃO PARA ENTRAR EM SEUS LIMITES; a amazona falou.
Uma aura esverdeada tomou conta do muro, afastou-se vendo o que acontecia a seguir. Uma parede começou a deslocar-se, erguendo-se para o alto, como se abrisse um portão.
-Pelo visto funcionou; Saga comentou, surpreso.
Ainda desconfiadas do que acabara de acontecer, as amazonas tomaram a frente do grupo.
Logo viram-se dentro de um belo jardim repleto de árvores frondosas e belas macieiras.
-Milo, não toque em nada; Aisty avisou, ao vê-lo com um olhar de cobiça para uma macieira cheia de maçãs extremamente vermelhas.
-Mas...; Ele falou, fazendo beicinho de carente.
-Não toque em nada; ela repetiu.
Um campo verde e livre de árvores surgiu logo à frente. Provavelmente estavam no centro do jardim, pois logo avistaram a famosa macieira de frutos dourados.
-Para a mais bela; Aisty sussurrou, com um brilho dourado nos orbes.
-Como? –Saga perguntou, voltando-se para ela, vendo-a com um olhar vago, enquanto continuava a se aproximar.
-São as maçãs douradas das Hesperídes; ela continuou.
-Ahn! Pessoal; Milo chamou quase num sussurro.
-Xiiiiii; Kamus falou, mandando-o ficar quieto.
-QUEM SÃO VOCÊS? –três vozes ecoaram pelo local.
-Kamus, é sério; o Escorpião falou, quase desesperado, cutucando o ombro do francês.
-Xiiii; Kamus falou, batendo na mão dele, voltado a prestar atenção no que acontecia à frente.
-Somos descendentes de Selene e Ártemis; Diana falou, com um estranho pressentimento.
-O QUE QUEREM AQUI? –as três vozes perguntaram.
-Queremos uma passagem segura pelos Pilares de Hercules; Aisty respondeu, sentindo uma movimentação atrás deles, olhou de soslaio por cima do ombro.
-Mascara da Morte; Milo chamou, aproximando-se de fininho dele.
-Hei, vai pra lá; o canceriano falou se afastando.
O cavaleiro, virou-se para trás, ficando extremamente pálido. Sentiu um bafo quente chocando-se contra sua face.
-Aisty; ele chamou.
-O que quer Milo? –Kamus perguntou impaciente, virando-se para trás. –Saga; ele falou, apoiando-se no ombro do geminiano, chamando-lhe a atenção.
Todos viraram para trás e depararam-se com um imenso dragão, as narinas soltavam fumaça e a boca estava entreaberta, mostrando uma infinidade de dentes pontiagudos e extremamente afiados.
-Viemos em paz, porque o dragão? –Diana perguntou irritada.
-Ele é o guardião do jardim; três jovens de melenas azuis falaram, surgindo entre as macieiras.
-Quem são vocês? –Mascara da Morte perguntou, desconfiado.
-Somos as filhas de Atlas; elas responderam.
-Podem nos deixar passar? –Saga perguntou, tentando manter a calma, embora estivesse diante de um dragão de 100 metros.
-Se vencerem o dragão, podem passar; elas responderam com ar pacifico, desaparecendo em seguida.
Trocaram um olhar surpreso, mas no momento seguinte, saltaram para vários lados, desviando dos ataques do dragão.
O monstro moveu a cauda com extrema agilidade para seu tamanho, acertando algumas macieiras, quase atingindo Milo e Kamus.
-O que vamos fazer? –Shura perguntou, elevando seu cosmo.
Parou, sentindo uma pontada no braço. Sua respiração tornou-se pesada.
-O que foi? –Diana perguntou, puxando-o para baixo de uma macieira, desviando de um ataque do dragão.
-Não sei; ele respondeu confuso, tinha alguma coisa errada, pensou que estava 100% bom depois daqueles últimos dias, mas algo estava diferente; ele pensou desesperado.
-Cuidado; Mascara da Morte gritou, alertando sobre mais um ataque.
-Kamus; Aisty chamou, do outro lado do jardim.
Ele voltou-se para ela. Trocaram um rápido olhar, ela indicou o dragão com a cabeça.
-VAI; ela gritou.
Elevou seu cosmo, fazendo uma nuvem gelada erguer-se do chão. A grama aos poucos começou a congelar. O dragão moveu-se, cuspindo fogo, tentando eliminar aquele gelo, porém a temperatura caiu ainda mais. Suas patas começaram a ser congeladas.
O rabo moveu-se com rapidez tentando quebrar o gelo, mas o cosmo do aquariano queimou, até explodir numa nuvem gelada em direção a ele.
-EXECUÇÃO AURORA;
-LANÇAS DE GELO; Aisty falou em seguida, fazendo surgir do gelo criado com o irmão, imensas estacas de gelo, prendendo o dragão numa espécie de gaiola.
-MILO; Aisty e Kamus chamaram, o cavaleiro saltou em direção do dragão, elevando seu cosmo, a unha vermelha alongou-se. Uma aura dourada o envolveu.
-AGULHA ESCARLATE; ele falou, atingindo um ponto no dragão, pouco abaixo do pescoço, onde a pele era mais sensível e de fácil acesso.
O dragão cambaleou devido ao peso, Saga preparou-se para atacar, mas sentiu a mão da jovem fechar-se sobre seu braço, voltou-se para ela.
-Não precisa, já acabou; Aisty avisou.
Uma nuvem gelada ergueu-se do chão, no momento em que o pesado dragão caiu. As estacas dissolveram-se transformando-se em cristais de gelo.
Afastou-se de Saga, caminhando até o dragão.
-Aisty, é perigoso; ele falou, porém foi evidentemente ignorado.
Um dragão, haviam lutado contra um dragão; ela pensou, com um meio sorriso nos lábios. Quem sabe um dia ainda teria a sorte de ver um Cérberos de perto; ela pensou.
O dragão bufou, soltando algumas chamas pela boca, mas não recuou.
-Calma; ela pediu, vendo um fino filete de sangue escorrer do local que Milo atingira. Não era necessário matá-lo, apenas impedi-lo de atacá-los até poderem atravessar o jardim.
Ajoelhou-se próximo ao peito do dragão, tocando a ferida, ouviu um baixo gemido de dor. Elevou seu cosmo, fazendo com que uma aura avermelhada envolvessem a ambos.
Todos reuniram-se a uma distancia segura, observando o que acontecia depois.
-Calma, a dor já vai passar; ela avisou, fazendo com que seu cosmo penetrasse a ferida, fazendo-a fechar-se em seguida.
Uma outra aura começou a se manifestar, em tom violeta.
-Porque não me matou? –a pergunta ecoou em sua mente, como se alguém falasse diretamente com seu cosmo.
-Porque deveria? –ela perguntou, calmamente.
A aura violeta expandiu-se e algo realmente surpreendente aconteceu. Aos poucos a imagem do dragão começou a se dissolver e no lugar dele, surgiu um jovem de longas melenas vermelhas e orbes castanhos.
-Porque é que os outros fariam; ele respondeu, fitando-a intensamente.
A pele era alva como um dia de outono, os orbes de um vermelho intenso, semelhante ao dos cabelos, porém os mesmos tinham um brilho incerto.
-Não sou os outros; Aisty respondeu. –E nem todos tem essa opinião, de que para vencer, o custo é a vida de alguém; ela completou, afastando a mão, ao ver que ainda estava com a mão sobre a ferida agora inexistente, porém ainda sim, sobre o peito desnudo daquele jovem singular.
-És realmente uma guerreira de Athena; ele falou, intensificando seu cosmo. –Vou guiá-los até os pilares, o caminho será mais seguro se vierem comigo;
-...; Aisty assentiu, levantando-se e estendendo a mão para ele.
-Obrigado; ele respondeu, aceitando.
-Vocês conseguiram; as três jovens falaram, surgindo sabe-se lá de onde.
-Nossa, parecem assombração; Milo falou, escondendo-se atrás do canceriano.
-Tem um segundo pra sair de perto de mim Escorpião; Mascara da Morte falou, com os orbes serrados.
Milo engoliu em seco, afastando-se de fininho.
-Quem é ele? –Shura perguntou, voltando-se para Diana.
Ela negou com um aceno, vendo o ex-dragão aproximar-se com Aisty, para desagrado do geminiano.
-O guardião que foi condenado há muitos anos por Ares a permanecer aqui, protegendo o jardim, até que pudesse voltar a sua forma original; uma das jovens respondeu.
-Ares; Saga falou, em tom de desagrado. Porque será que tinha a leve impressão de que o Deus da Guerra fizera isso de propósito, para lhe provocar.
-Por favor, venham comigo, vou levá-los até a entrada dos pilares; ele falou, elevando seu cosmo de tal forma que uma nuvem prateada o envolveu, fazendo surgir em seu corpo, vestes clássicas e finas, semelhantes às usadas por nobres do século XIX.
-...; todos assentiram, seguindo com ele.
-Aisty; Saga chamou, segurando-a pelo braço, impedindo-a de ir na frente.
-O que foi? –a amazona perguntou, voltando-se para ele.
Abriu a boca para falar, porém as palavras simplesmente não saíram, o que iria dizer, que não queria aquele cara perto dela, ou que sua mente gritava que naquele milésimo de segundo ele estava dando em cima dela, não definitivamente não era uma boa resposta.
-Ahn! Nada, é melhor irmos; ele falou, balançando a cabeça levemente para os lados.
-...; ela deu de ombros, seguindo com ele, mas ao afastar-se um pouco que foi, sentiu os braços de geminiano envolvendo sua cintura, prendendo-a num meio abraço possessivo.
-O que foi? –ela perguntou voltou-se para ele, enquanto os demais já estavam bem à frente.
-Estou apenas garantindo que nenhum nativo tarado da ilha te ataque; ele respondeu, com um sorriso inocente.
-Saga; ela falou em tom de aviso.
-Olha, estamos ficando pra trás; ele falou, desviando o assunto e andando mais rápido.
-Porque será; Aisty resmungou, já imaginando o porque dele estar daquele jeito.
.II.
-Vendo de fora, não da pra dizer que esse lugar é tão grande; Mascara da Morte comentou.
-Na verdade, o jardim funciona como uma espécie de labirinto; Alexei, o ex-dragão explicou. –Muitos já tentaram invadir o jardim em busca das maçãs douradas, por isso acabam se perdendo no labirinto e nunca mais saem;
-Eu, hein; Milo resmungou, sentindo calafrios ao ver as árvores fecharem-se mais atrás de si, como se possivelmente alguém que os seguisse fizesse um caminho completamente diferente, apenas ressaltando do que o garoto falara.
-Está com medo, Escorpião? –Mascara da Morte perguntou, com um sorrisinho diabólico.
-Medo? Eu não tenho medo de nada; ele falou, estufando o peito e continuando a andar, mas parou sentindo uma mão fria sobre seu ombro.
-Jura? –alguém perguntou num sussurro em seu ouvido.
-AHHHHHHHH, ASSOMBRAÇÃO, SAI DE PERTO DE MIM; ele gritou, correndo para trás de Shura e Diana.
-Imagina se tivesse; Kamus falou rindo, abanando a mão, para tirar uma pequena película de gelo com que ela fora revestida.
-Você fez de propósito? –Milo falou indignado, ao ouvir todos rirem.
-Mua? Imagina; Kamus falou, com um sorriso debochado.
-Isso porque é amigo; o Escorpião resmungou, ficando perto de Diana para garantir que não fosse passar por alguma coisa mais constrangedora.
-Milo, ta perto demais; Shura falou, fitando-o com os orbes serrados.
-Her! Não foi a intenção; ele respondeu com um sorriso nervoso, preferindo andar ao lado do dragão do quê correr o risco de ser fatiado.
-Antes de chegarmos, tem algo que vocês precisam saber; Alexei começou, voltando-se para Aisty, para o desagrado do geminiano.
-O que é? –a amazona perguntou.
-Muitos tentaram passar pelos pilares e chegarem até Atlântida e pereceram...;
-Diga algo que nós ainda não saibamos; Saga resmungou, não gostando nada-nada dos olhares que o ex-dragão lançava para 'sua' namorada.
-Saga; Aisty falou, voltando-se com um olhar retalhador para ele, que o vez encolher-se. –Desculpe-o, mas o que estava dizendo; ela continuou, voltando-se para o garoto.
-Atlas pode deixá-los passar pelos pilares, mas os pilares não são a entrada para Atlântida; ele continuou.
-Como não? –Kamus perguntou confuso.
-...; Alexei negou com um aceno.
-Então viemos aqui à toa; Milo falou, com ar cansado.
-Não foi isso que eu disse; o garoto corrigiu. –Os pilares não são a única entrada;
-Como assim? –Diana perguntou, enquanto todos paravam de andar para ouvi-lo melhor.
-Antigamente, como Atlântida era extremamente evoluída, bem mais que qualquer outro continente, exceto Lemuria. Os nativos da ilha precisavam de uma proteção. Muitos pessoas achavam que o segredo da sabedoria completa estava nas paredes de pedra da cidade, que continuam as chamadas 'verdades da vida', um tipo de passo a passo de uma vida melhor que levavam a sabedoria plena e por conseqüência a imortalidade. Eles eram guardados a sete chaves pelos guardas da ilha, ninguém desautorizado poderia se aproximar.
-Interessante, continue; Aisty falou, com ar intrigado.
-Desde que o mundo é mundo, existem pessoas que querem ir pelo lado mais fácil, então, ter acesso a esses pergaminhos poderia ser mais rápido invadindo a ilha. Como Atlântida ficava longe do alcance de qualquer um, Posseidon criou um guardião, alguém que tivesse força e poder para proteger Atlântida de invasores;
-Quem é esse guardião? –Saga perguntou, não conseguindo se lembrar de nada que tenha visto nos livros sobre Atlântida.
-Ninguém é bastante ousado para provocá-lo. Ninguém pode afrontá-lo e sair com vida de toda extensão do céu. Quando se levanta, tremem as ondas do mar que se afastam. Se uma espada o toca, não resiste, nem lança nem dardo. O ferro pra ele é palha, o bronze pau podre; Aisty murmurou, lembrando-se de uma passagem antiga.
-Como?-o geminiano perguntou, confuso.
-Então conhece a história de Leviatã? –Alexei perguntou visivelmente animado.
-Muito pouco, lembrei por acaso; ela respondeu, balançando a cabeça levemente para os lados. –Mas não sabia que ele tinha alguma relação com Posseidon;
-Porque não? –Alexei perguntou, franzindo o cenho.
-Porque ele faz parte de uma passagem bíblica, não vamos entrar em detalhes sobre a fusão política e religiosa de 375 d C, mesmo porque não é importante agora. Só que essa lenda esta relacionada com a possível origem do dilúvio, aquele lance da Arca de Noé, que é uma cópia da lenda história grega que relata o mesmo dilúvio e dos guardiões feitos de ossos e terra, que no cristianismo foi substituído por Adão e Eva; ela falou.
-Ahn! Do que esta falando? –Milo perguntou confuso.
-Vá em uma biblioteca e pesquise, Milo; Kamus falou, impaciente. –Mas tudo bem, se esse Leviatã é o guardião criado por Posseidon, qual o perigo que ele representa?
-Foi o que a senhorita acabou de dizer, nada pode contra ele; Alexei falou. –Não é algo que possa ser combatido.
-Mas suponhamos que nós cheguemos até Atlântida, como saímos de lá com esse bicho lá fora? –Mascara da Morte perguntou.
-Sinto, mais isso não sei responder, ninguém nunca voltou de lá pra contar; Alexei falou com um sorrio nervoso.
-Grande ajuda; Saga resmungou.
-Que forma tem esse animal? –Diana perguntou, se manifestando antes que o geminiano começasse a rosnar.
-Alguns dizem que é semelhante a um crocodilo gigante. Outros que é algo semelhando a fusão de uma serpente gigante, mas particularmente nunca vi ele de perto; Alexie respondeu, passando a mão nervosamente pelos cabelos
-Já enfrentamos algo assim antes e sem duvidas deve ter um ponto fraco; Diana falou, lembrando-se da Hidra de Lerna.
-Mas naquela época tínhamos as flechas de Aioros; Shura falou num sussurro, pensando se não teria sido bem melhor o amigo estar ali, já que não sabia o que estava acontecendo consigo.
-Bem, já estamos aqui mesmo, voltar atrás não é uma opção; Aisty falou.
-Provavelmente os outros que enfrentaram esse bicho não eram cavaleiros de ouro como nós, não vai ser difícil passar por ele; Milo falou convicto.
-Eu não sei, mas só estou os prevenindo quanto a isso; Alexei falou, começando a andar. –Mas venham, vocês não podem perder mais tempo aqui; ele avisou.
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-Ahn! Vamos ter mesmo que mergulhar? –Aisty murmurou, ao deparar-se com dois imensos pilares e os guiavam por uma passarela até o meio do mar, onde mergulhariam.
-Algum problema? – Alexei perguntou voltando-se preocupado para a jovem que ficara para trás, enquanto os demais seguiam em frente.
-Ahn! Bem... não; ela respondeu, com um sorriso nervoso. –Esta tudo bem;
-Não é o que parece; ele falou, vendo uma gotinha de suor frio escorrer pela testa.
-Não é nada, é só... Digamos que água pra mim é só no signo; ela completou, começando a andar novamente.
-Você não sabe nadar; o jovem falou em tom compreensivo.
-Não é isso, é só, que... Bem. Não, não sei; ela respondeu, dando um suspiro frustrado.
-Deveria enfrentar seus demônios, somente assim pode usar seus poderes com a máxima intensidade; ele falou, de maneira enigmática.
-É, tem razão; ela respondeu dando de ombros.
Se não morresse pelas mãos de Apolo se não tivesse as armaduras, morreria afogada, definitivamente o primeiro não era uma opção; ela pensou, respirando fundo, para no momento seguinte desatar a correr.
-Aisty; Kamus falou surpreso ao ver a irmã passar por si, correndo.
-Aonde ela vai? –Mascara da Morte perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Ah não, mas é uma louca mesmo; Saga falou, desatando a correr atrás dela.
-Hei, olha como fala; Kamus ralhou, mas estranhou ao ver o geminiano passar correndo sobre si.
-Ela não sabe nadar, idiota; o geminiano falou, ao passar por ele.
-O QUE? –os demais gritaram surpresos, sem notarem Alexei caminhando calmamente até eles, que pareciam em pânico.
-É melhor correrem, se não, não vão alcançá-los; Alexei falou, apontando para a plataforma no meio do mar, que parecia desaparecer aos poucos, sendo tomada pela água.
.III.
Simplesmente desistiu de pensar, saltou, sentindo a água envolver-lhe o corpo, enquanto era puxada para o fundo. Abriu os olhos vendo tudo a sua volta azul e em meio ao negrume do fundo do mar, viu uma centelha dourada acender-se, ali deveria ser a entrada verdadeira.
Moveu os pés, tentando aproximar-se cada vez mais, mas sentiu uma mão forte fechar-se sobre seu ombro, tentou manter a respiração controlada e virou-se vendo o olhar preocupado do geminiano sobre si.
Apenas assentiu, dizendo que estava tudo bem, não tinha tempo pra ficar lembrando-se de lagos de gelos e garotinhas se afogando, agora o momento era decisivo.
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Ao mergulhar, procurou não afastar-se da jovem a seu lado. Não podia correr o risco de perderem a localização de ninguém. Sentiu um estranho calafrio correr suas costas. Pouco abaixo de si, Milo e Kamus nadavam e em seu encalço Mascara da morte. Saga e Aisty não estavam muito longe.
Olhou de soslaio por cima do ombro, vendo uma nuvem escura mover-se com grande velocidade atrás de si.
Procurou nadar o mais rápido que pode, acenando para os demais segui-los, precisavam ser rápidos, pelo visto eles haviam se esquecido do Leviatã.
Arregalou os olhos ao ver um redemoinho formar-se em sua frente. Aos poucos puxando a si e os demais para o meio.
Com rápidas braçadas alcançou a amazona, começando a puxá-la o mais rápido que poderia para longe daquilo, como os outros faziam.
Fora tudo muito rápido e talvez nunca pudesse explicar isso a alguém. A força com que todos foram arrastados para o meio do rodamoinho e depararam-se apenas com o vazio e uma besta gigante no meio dela.
Era semelhante a uma moréia gigante, os dentes eram afiados e mortais, possuía escamas semelhantes a placas de metais, possivelmente nem a Excalibur seria capaz de romper aquela couraça.
Os olhos eram vermelhos e sanguinários, tentaram a todo custo sair do meio do rodamoinho, mas o monstro ergueu a calda, batendo-a com força sobre as águas, fazendo uma grande explosão irromper na superfície.
Mesmo tentando agarrar-se uns aos outros, ainda não foram capazes de ficarem todos juntos.
As águas agitaram-se com a explosão e estranhamente voltaram a calmaria na superfície, quanto ao que acontecia lá embaixo, somente as Deusas do Destino poderia responder.
Continua...
