Olá, leitores, eu coloquei este capítulo em 1ª pessoa para que vcs me ajudassem a tomar uma decisão.
Eu não sei se continuo em 3ª pessoa ou se posto em primeira pessoa. Eu, particularmente, gosto de fics em 3ª pessoa. Acho mais bem escrita. Todavia, fico preocupada com o leãozinho. Ele gosta de ir em 1ª pessoa. Ele é muito intenso. Gosta de xingar, gosta de palavras feias. Ele é safadinho demais. Eu fico até vermelha e com vergonha de escrever. Ele quer ser escrito originalmente. Sem cortes, nem pi. Então eu fico confusa. Leiam hj em 1ª pessoa e me digam o que acharam.
E quem gosta de Edward mais comedido, leia EAEP.
Bia Braz
Capítulo - Derrubando muros
Narrado por Edward
Devido à pressão de um jogo em uma final, a nossa equipe em campo estava completamente frenética. Qualquer provocação do time adversário resultava em pancadaria, restando ao Jeff, em sua última atuação como capitão, trazer um pouco de controle ao nosso time. Em alguns momentos eu me intrometi tentando ajudar, uma vez que éramos os veteranos e tínhamos alguma moral, atitude que ainda trazia algum equilíbrio ao time.
Para a nossa sorte, mesmo Jeff tendo aceitado a proposta de jogar no Barcelona, ele foi liberado para jogar uma última vez conosco, naquele clássico contra Manchester nas oitavas de finais da Champion da UEFA. O jogo estava completamente fechado, ambos os times protegendo suas áreas.
De alguma maneira, desde o último ocorrido com Rilley, ─ por causa da minha individualidade excessiva em campo ─, eu comecei a me envolver mais com o time. Assim, após a nossa reaproximação, a equipe começava a me olhar com outros olhos, desde que via o meu esforço em não levar o título egoistamente. Em alguns momentos eu me perguntava quando isso começou a acontecer: quando eu comecei a me importar com o comum, ou quando eu comecei a querer ser mais bem visto. Eu nunca me importei antes com aceitação, era completamente indiferente, no entanto, de uns tempos para cá, eu me esforçava ao máximo para ser aceito. Não com palavras ─, pois não sou muito bom com palavras ─, mas com atos que levassem o time à frente. Fato que muitas vezes me assustava.
De posse da bola, tentei mais uma vez armar uma jogada visualizando o lateral direito que era o Rilley, à minha frente Jeff e na lateral esquerda Hale. Todavia todas as enfiadas de bola até o momento foram previsíveis pelos adversários, logo eu tinha que pensar rápido em uma estratégia inusitada, preferencialmente pensando na equipe, embora eu estivesse ansioso para entrar sozinho e tentar o gol.
Armei uma jogada ensaiada junto com Rilley, pela direita, e logo que coloquei a bola ao alcance de seus pés, ele pegou. Ele olhou ao seu redor e adversários fechavam o cerco perto dele, impedindo a intenção do avanço da bola para a área do gol. Com o olhar, apontei para o meu pé, e como Rilley sintonizava comigo, foram milésimos de segundos para que ele entendesse o que eu queria, voltando imediatamente a bola para o meu pé. Repetimos essa jogada duas vezes; eu cruzava para ele, e ele devolvia. No terceiro passe da jogada ensaiada, ele teria que cruzar para o Hale, e Hale enfiaria a bola quando já tivéssemos corrido para a grande área. Assim aconteceu. No momento em que Rilley cruzou para Hale, eu, Jeff e Rilley corremos para a grande área e, logo que Hale dominou, enfiou a bola aérea na pequena área. Eu que estava em posição, cabeceei, e ela foi certeira no canto esquerdo do gol.
Corri, comemorando e no mesmo instante senti alguém pular em meu ombro. Quando virei era Rilley que estava dependurado em cima de mim.
—Golzão, Lyon!— Ele gritou.
Outros jogadores vieram em nossa direção para comemorar, porém, notei que, desconfiado, Hale, a pessoa que deu o último passe para o gol, não se aproximou para confraternizar. Os vinte minutos seguintes passaram rápido, com muita pressão do time adversário, entretanto, nós jogamos bem mais aliviados com a vantagem para a final.
Nos últimos instantes de jogo, Hale estava a caminho de armar mais um gol, porém, assim que ele cruzou a bola, levou uma entrada desnecessária por trás, resultando em uma contusão que ocasionou sua saída em maca do campo. Dez minutos depois, finalmente, o juiz apitou o fim do jogo, então contentes com a vantagem da partida, porém completamente preocupados com o novinho Hale, saímos de campo.
—Me disseram que tinham uns olheiros italianos e espanhóis assistindo a partida.— Rilley comentou no momento em que tirei a blusa e caminhávamos para as escadas que daria no vestiário.
—Não fiquei sabendo.— Eu disse e olhei para a arquibancada na esperança de encontrar a Cygne, pois desde que ela perguntou sobre o jogo, eu imaginei que ela viria assistir. Desiludido, desci as escadas e fui direto para a ducha.
Após o banho, caminhei até a saída do vestiário e Rilley estava lá, conversando com Jeff.
—E quando você fica disponível para seu novo time?— Rilley perguntou para Jeff logo que eu cheguei.
—A partir de terça eu já começo a treinar lá.— Jeff informou com ar contente.
—Hmmm, então nós estamos sem capitão.— Rilley comentou e abraçou sugestivamente meu pescoço.
—Nem pense nisso, Rilley.— Eu disse, tentando tirar seu braço que me apertava.
—Você é o mais velho de time. Se depender de mim vai ser você.— Ele disse teimosamente.
Ainda relutei um pouco, mas como eu sabia que com Rilley não adiantava levar a controvérsia adiante, desisti, deixando o assunto de lado.
—FESTA DE COMEMORAÇÃO NA MINHA CASA, GALERA!— Rilley gritou ao meu lado, chamando a atenção para si. Alguns integrantes do time vibraram, perguntaram o que levariam, se teria mulheres e, assim, ficou combinado que a festa iria iniciar a partir das nove.
Eu saía ao seu lado para a área onde os familiares esperavam os jogadores, quando algumas cenas na área comum me chamaram a atenção. Rostos felizes, abraços apertados. Vi, como se assistisse a um filme, a noiva do Babel correr em sua direção e pendurar em seu pescoço. A cena foi simples, porém no mesmo instante mandou um sentimento estranho ao meu peito. Engoli em seco ainda sem desviar os olhos da cena romântica. Inconscientemente, naquele momento levantei a hipótese de talvez sentir falta disso: de alguém me esperando, de alguém querendo comemorar comigo minhas vitórias. Era lógico que minha família me esperava lá, mas involuntariamente olhei em volta e me peguei desejando ter alguém... Mais próximo.
Suspirei um pouco frustrado e caminhei em direção a minha família. Mal aproximei, minha mãe veio me abraçar.
—Belo jogo, filho!— Ela disse e acariciou meu cabelo.
—Que bom, mãe.— Tentei por ânimo no rosto, pus o braço em seu ombro e caminhamos rumo a saída. —Foi um jogo em equipe.— Completei sem muito ânimo.
—Desmonopoliza a mãe, Edward!— Rilley se colocou entre nós dois e pôs a mão no ombro dela. —Eu também quero abraço, tia.— Ele disse e caminhou rumo à saída abraçado a ela. Antes que alcançássemos a porta que daria para o estacionamento, olhei para um corredor e vi algo que me chamou a atenção. Lá, tinha uma garota de capuz, óculos, short e bota acima do joelho, com alguém abraçado a ela. Imediatamente parei e reconheci quem era. Era a Cygne abraçada ao Hale.
Sem entender, mas instantaneamente abalado com a cena, fechei os olhos e inalei profundamente, tentando inutilmente expulsar a vontade imensa de caminhar até eles e descobrir o porquê dela estar abraçando-o. Entretanto, eu não podia nutrir esse sentimento. Eu sabia que se fosse lá, certamente a arrancaria dos braços dele como fiz da última vez, agindo como um idiota possessivo que não tinha esse direito. Ela não era nada minha para que aquele sentimento ridículo de possessão entrasse em mim novamente, como da última vez.
A única desculpa que eu encontrava para o fato dela estar com ele era que ela devia estar me esperando e, casualmente, ele apareceu e aproveitou da ocasião para dar-lhe um abraço, já que se conheciam da festa do Rilley. Porém, no instante seguinte, vi, chocado, ela acariciar afavelmente o rosto dele, com alguma intimidade, o que me deu uma desconhecida sensação de insegurança aliada a impotência. Ela podia muito bem não ter vindo me ver, o que era provável, pois ela não estava me esperando. Ainda assim, eu queria ir até ela. Quem sabe se eu agisse de uma maneira gentil ela preferisse me acompanhar.
Em uma tentativa vã de esconder a tensão, caminhei devagar até eles, notando, logo que cheguei perto, Alice, de braços cruzados, olhando em direção a eles com olhar impugnativo. Antes que eu completasse meu trajeto, Alice adiantou-se e, com ar de ratinho enfurecido, afastou num gesto rude, os dois, quase derrubando Hale, que estava lesionado.
—O que diabos está acontecendo aqui?— Ela olhou furiosa para Cygne, da cabeça aos pés.
Cygne deu um passo atrás e, assustada, olhou em minha direção. —Er, estava o parabenizando.— Ela disse, esquivando-se, arrumando o óculos.
—E precisava de um abraço desses?— Alice ironizou irritada, e na mesma hora levantei as hipóteses do que acontecia que tivesse resultado nessa sua atitude. Alice provavelmente tinha me visto umas duas vezes com a Cygne, ou, possivelmente, Rose tivesse lhe falado sobre nós dois e, por isso, Alice achava que tínhamos algo. E é lógico que, como ela era super protetora com meus interesses, ela foi até lá pensando em me defender. Só tinha essa explicação para sua atitude.
—O que há, Alice?— Perguntei ao estar próximo aos três, notando os dois flagrados sobressaltados, com os olhos expectativos.
—Essa garota fica, er...— Alice murmurou com nervosismo, alternando o olhar do Hale para Cygne, para então segundos depois me olhar, repentinamente, embaraçada.
—Não se preocupe, Alice, não temos nada. Ela é só uma garota.— Disse indiferente, sem olhar em direção aos dois e pus o braço sobre o ombro de Alice, dando as costas para os dois. Alice ergueu o rosto e me olhou notavelmente confusa uns segundos. Eu sei que fui covarde em não tentar falar com a Cygne, porém, eu não tinha gostado da situação, por isso, sem querer olhar diretamente nos olhos dela, nos afastamos um pouco, desejando sair imediatamente de lá.
—O que você está falando, Edward?— Alice franziu o cenho, pôs as duas mãos em sua cintura e parou, impedindo assim que eu caminhasse para nos afastar mais.
—Eu estava ficando com ela, mas não era nada sério.— Informei com um dar de ombros. —Não é algo que você deva se preocupar.
Imediatamente, Alice olhou para trás e congelou, avaliando os dois que ainda estavam parados e olhando em nossa direção. Por minutos, pelo rosto de Alice passaram-se várias emoções indecifráveis enquanto ela os olhava. Eu, impaciente com o fato dela ter parado, já estava quase para sacudi-la, querendo saber o que acontecia. No entanto, no instante seguinte, simplesmente brotou um pequeno sorriso de seus lábios.
—Ah.— Alice suspirou e, sem explicar o que acontecia, caminhou de volta em direção aos dois, seguidamente envolveu os braços no pescoço de Hale. —Como você está, neném? Aquele brutamonte machucou você?— Ela perguntou carinhosamente.
Parei onde estava, olhando confuso para os dois, enquanto Hale devolvia o abraço e enlaçava, sorrindo, a cintura de Alice. Demorei um tempo para entender o que acontecia, e só quando vi Cygne se afastando, caí na real.
—Vocês estão juntos?— Ofeguei desacreditado quando me aproximei dos dois, ainda observando, de longe, Cygne sumir rumo ao estacionamento. Algo em meu estômago se contorceu com a cena. Nenhum dos dois respondeu minha pergunta, todavia ao ver o modo como Alice acariciava seu cabelo, ficou claro o romance entre os dois. Lembrei o que Rosalie disse sobre Alice namorar um garoto mais novo. Era ele! Hale devia ter no máximo dezenove anos. Alice parecia resolvida a não esconder mais seu relacionamento.
Balancei a cabeça, desacreditado do ocorrido, porém, ao notar que eu era o único que tinha me dado mal nessa, caminhei rápido rumo ao estacionamento, vendo logo que cheguei lá, Cygne entrar atrás em um carro preto e imediatamente arrancar.
Suspirei frustrado, e rapidamente peguei o meu celular no bolso, onde procurei, apressado, o seu número. Após achar, olhei para a tela um tempo, impaciente com minha indecisão, ainda me debatendo mentalmente se ligava ou não. Contudo, orgulhoso como eu era, fechei o telefone e desisti.
Cheguei à festa por volta de dez horas, sua casa já estava cheia. Quando ele me viu, atravessou a sala, passando por algumas meninas preparando drinks, e chegou até mim.
—Mano, tem mulher demais aqui!— Rilley ofegou contente.
Dei uma olhada em volta, avaliando as meninas e notei muitos rostos diferentes.
—Então devíamos levar algumas para uma festa particular na cobertura.— Sugeri, dando uma piscada maliciosa. Fazia tempo demais que eu estava em abstinência. Pior ainda, por alguém que não dava a mínima para mim, portanto, hoje, eu iria mudar esse quadro. Rilley devolveu um sorriso largo, caminhou até algumas meninas e cochichou em seu ouvido, apontando em minha direção. Sorri para elas e pisquei. No momento em que elas viram que era eu, sorriram, fazendo charme.
Bebendo um pouco, dei uma volta pelo ambiente e suspirei, sem acreditar que iria para um swing, quando a cada segundo eu ainda olhava esperançoso para os lados, esperando, nesse meio tempo, que Cygne reaparecesse. Depois de um tempo como anfitrião, Rilley abraçou duas meninas, olhou para mim e apontou em direção a cobertura, avisando com o gesto que estaria subindo para a festinha. Sorri para ele concordando, mas no mesmo instante virei o rosto e fiz uma careta me autocensurando por ao menos ter cogitado a idéia de pensar nisso.
Não demorei pra ter certeza que não iria conseguir subir. Não só porque em todas as pessoas que via desejava que fosse a Cygne, nada disso. Era por outras mudanças que, inexplicavelmente, aconteciam em mim, não pactuando mais com certos tipos de comportamentos. Eu não me sentia mais disposto a ter esse tipo de distração. Sentia-me errado por ao menos pensar... Eu não sabia exatamente o porquê, mas a resposta que eu tinha para isso era que talvez eu sentisse falta de um envolvimento mais profundo, não somente de momentos de prazer.
Disfarçadamente, deixei a sala e, tentando ao máximo não ser visto, retirei-me covardemente rumo ao meu quarto. Abri a porta, entrei apressadamente, suspirei aliviado e bati a porta atrás de mim, congelando instantaneamente ao acender a luz e olhar para cama.
Deitada, de saia, meias de lã azuis longas, acima do joelho e camisa de lã azul, estava Cygne, como uma gata espalhada sobre seus cabelos ruivos, sorrindo despreocupadamente. Sobressaltei, mas sorri de volta, sentindo a familiar sensação de ansiedade pulsar em minha garganta.
—Como entrou?— Perguntei, andei até a cama e deitei ao seu lado, de lado, com a mão apoiando a cabeça.
Ela sorriu e apontou para a janela aberta, que dava para a sacada. —Ah... Por que saiu daquele jeito do estádio?— Cobrei e passeei os dedos em sua coxa exposta pela saia curta.
—Porque eu precisava ir.— Ela me olhou estranha, com um brilho contente no rosto.
—Por que não falou comigo?
—Porque você não falou comigo primeiro, é óbvio.— Ela revirou os olhos, divertida.
—Er, fiquei meio perturbado quando vi você abraçando outra pessoa. Você devia estar abraçando a mim não a ele naquele momento.— Sorri matreiro e aproximei-me mais dela. Cheio de saudade, subi a mão para dentro de sua blusa e, carinhosamente, deslizei meus dedos em sua cintura fina.
—Eu não podia falar com você lá.— Ela lamentou e levantou a mão para passar em meu cabelo, deslizando os dedos por minha nuca.
—Ah, mas com o Hale, que você nem conhece direito, você foi falar!— Cobrei impulsivamente, só me dando conta depois de como tinha soado.
Ela rapidamente se pôs na defensiva. —Embora você não tenha se dado conta, Cullen, minha vida não gira em torno de você.— Disse com uma pontada maligna, ato que me tirou do sério.
—Ah, já percebi, sim! Não é a primeira vez que eu vejo você dando mole para ele. Você ainda é pior que as diversas Maria Chuteiras que minha prima critica. Para você, não basta somente eu de jogador. Agora você quer o Hale também, que é carne nova. Depois dele quem você vai querer? Vai atrás do time todo?— Ironizei. Ela tirou bruscamente minha mão de sua cintura, sentou rapidamente e se inclinou, pegando sua sandália no chão para calçar. —O que você está fazendo?— Perguntei sem entender.
—Me arrumando para sair.— Disse tranquila, terminou de abotoar sua sandália, vestiu um sobretudo preto que estava em uma cadeira e caminhou em direção a varanda. Antes que ela chegasse à sacada, alcancei-a, segurando-a pelo braço.
—Mais essa agora!— Murmurei desgostoso. —Você vai embora só porque eu reclamei de você estar dando bola para outro?— Inquiri. Ela moveu-se um pouco, tentando soltar do meu aperto, porém eu não a soltei, tomando em todo tempo precaução em não machucá-la.
Ela me encarou severamente, depois olhou para minha mão segurando seu braço, e fez força para soltar-se. —Você é um idiota, Cullen.— Ela grunhiu, se soltou e direcionou decidida, às escadas de ferro para descer da sacada.
—Sou? E você é uma biscate!— Revidei, irritado que ela estivesse fugindo ao invés de responder as minhas provocações. Quando ela desceu três degraus, segurei sua mão, apertando forte na grade. —O que você viu naquele garoto?— Eu quis saber, não conseguindo entender o sentimento que ardia em minha garganta e estômago. —Não basta para você trair seu namorado só comigo não? Melhora o seu currículo sair com ele também?— Provoquei de novo. Droga, aquela porra doía.
Ela desceu mais um pé e puxou a mão que estava presa. —Você é um cego, Cullen. Não sabe de nada!— Disse e desceu mais. Eu era cego por quê? Já tinha visto tudo! Era a segunda vez que ela estava aos sorrisos e abraços com ele. Um garoto! Eu era muito mais homem que ele. Ela alcançou o chão, olhou mais uma vez para cima, em seguida caminhou pela propriedade, indo em direção ao portão que levaria para a praia. O vazio que senti ao vê-la se afastando foi inexplicável.
Merda! Novamente a consciência de que eu não tinha direito de exigir nada me invadiu. Eu, que odiei cobranças e drama a vida toda, estava agindo agora como uma putinha melodramática, exigindo dela algo que eu mesmo nunca quis dar: explicações.
Em um átimo, me arrependi, de novo, do modo como agi, apoiei a mão na escada e desci de dois em dois degraus, frenético. Quando alcancei o chão, imediatamente corri em direção ao portão, lá, olhando em volta para ver para que lado ela teria ido. A praia estava escura e o mar batia agitado nas pedras trazendo uma sensação total de desolação. Agucei meu olhar na escuridão da praia, sem obter sucesso, e já estava quase desistindo, quando olhei em direção ao mar e avistei um ponto em meio à escuridão. Devagar, caminhei pela areia, ainda ouvindo o barulho estrondoso da festa acontecendo na parte da frente da casa e, quanto mais me aproximei, mais a confirmação veio de que era ela sentada na areia da praia.
Silenciosamente, aproximei-me dela. Só quando estava a um passo notei que ela soluçava, o que inicialmente me chocou. Abaixei, apoiei-me em meus joelhos na areia e afastei os seus cabelos, deixando o seu pescoço exposto, e me inclinei para depositar um beijo na nuca.
Ela suspirou e se esquivou, impedindo que eu continuasse.
—Fiz merda de novo.— Lamentei —Eu não penso aquelas coisas que te falei. Não tinha o direito de te falar aquilo.— Admiti e sentei na areia por trás dela, com ela aconchegada entre minhas pernas. —Desculpe.— Sussurrei em seu ouvido e envolvi meus braços sobre os seus, que abraçava seus joelhos. Ela não disse nada, só deu um longo suspiro e levantou a mão, limpando o seu rosto. —Desculpe se estou tão possessivo. Eu não estou conseguindo dominar.— Eu disse e enfiei meu rosto em seus cabelos, inspirando neles. —A culpa é sua por me deixar assim.— Cingi a mão em volta de sua cintura e a apertei a mim, pousando o meu nariz sobre o seu ombro. Ela suspirou, e eu a abracei forte, não me vendo mais como ficar longe dela. Queria uma chance.
Naquele instante, eu percebi que precisava ter atitude. Queria pedir, talvez até implorar que ela não se afastasse como ela sempre fazia. Queria dizer que algo doía intensamente em mim com a sua falta, que eu me sentia sufocado quando ficávamos longe.
Entretanto, no momento em que o impulso de lhe revelar tudo isso veio, eu me senti confuso ao lembrar tudo que acontecia com relação à Isy. Sim, porque não dava para rotular esse meu sentimento por Cygne, se quando eu estava com Isy eu me sentia abrandado.
Eu não podia afirmar o que não tinha certeza, todavia o que eu mais queria nesse momento era que minha garota não saísse nunca da minha vida. —Não vá embora. Fica comigo.— Eu implorei. —Preciso de você.
Ela inalou profundamente e olhou para o céu.
—Eu sou egoísta demais para não ficar com você.— Ela admitiu desanimada.
Eu já me chutava pela idiotice sucessiva dos meus atos. Agora mesmo, estava egoistamente deliberando meus próprios sentimentos, quando ela tinha acabado de chorar, sinal de que não estava bem.
—Quer dar uma volta na praia?— Propus e ela deitou sua cabeça para trás, aconchegando mais em meu ombro.
—Podemos.— Foi o que ela disse, porém não se moveu para levantar.
Ainda permaneci um tempo abraçando-a, ouvindo o barulho do mar, enquanto isso meus dedos apertavam suas costelas, acariciando. Disposto a tentar melhorar seu humor, resolvi fazer o que eu propus e caminhar um pouco. —Vem, gatinha, vamos passear.— Levantei e estendi a mão para ajudá-la a levantar, enquanto com a outra mão tirava o excesso de areia da minha calça jeans.
Assim que ela tirou o excesso de areia de sua roupa, pus o braço sobre o seu ombro e começamos a caminhar na areia molhada, de modo que ela não entrasse em meu tênis.
—Precisamos conversar.— Eu disse depois de um tempo. Eu estava cansado dessa incerteza.
—Sobre?— Perguntou distraída, com os braços cruzados em seu peito.
—Preciso de umas respostas, como, por exemplo: por que não foi falar comigo no estádio.
—Por que eu estava acompanhada.— Respondeu concisa
Forcei-a a parar e olhar para mim. —Isso que me deixa chateado... Por que estava acompanhada para falar comigo e não estava acompanhada para falar com o Hale?— Eu continuava implicado com esse fato.
—Eu iria falar, Cullen. Mas você demorou. Eu tive que ir e deixei para te encontrar aqui. —Explicou e tocou meu rosto. —Porém, nós dois combinamos de ser sem cobrança.— Ela lembrou.
Levantei o seu queixo e a fiz olhar para mim. —Tudo bem, então vamos esquecer o ocorrido mais cedo, tem como?— Ela assentiu rendida. —Eu quero sentir você. Quero o sorriso normal de quando cheguei ao quarto, por favor.— Pedi, pus seu rosto em minhas mãos e dei beijos em suas pálpebras. —Eu quero você para mim, gatinha.— Confessei. —Quero que você baixe a guarda e se renda, assim como eu estou me rendendo.
Ela balançou a cabeça e me encarou. —Deus, eu não te entendo... Você está me deixando confusa... Quando você diz que me quer para você, é porque você quer que eu me renda e faça sexo com você, não é?— Ponderou compreensiva. —É para isso que você quer, não é? Tudo se resume a sexo.
—Tudo se resume a você.— Sussurrei e encostei-a ao meu corpo. Ela suspirou desamparada, encostou a cabeça sob o meu queixo e inspirou profundamente. Continuei, ao ver sua dúvida. —Não seja difícil, gatinha. É só se entregar. Eu quero entrar aqui.— Disse e encostei o indicador em seu tronco.
—Eu não sou difícil, Cullen.— Murmurou baixinho. —Saiba que não ceder a você é como subir, a nado, um rio em cheia.— Ela disse sincera. Ela nunca media as palavras para expressar sua atração por mim. —Responda-me uma coisa. Se eu ceder e fizer sexo com você, você vai desistir disso?— Ela inquiriu, entendendo tudo errado. Mesmo assim eu não iria deixar passar uma oportunidade de brincar.
—Esqueço. Vai ceder agora?— Gracejei e mordi o seu pescoço, deslizando no mesmo instante a mão em sua barriga, acariciando o umbigo com o polegar. Ela ofegou com a mordida e enlaçou o meu pescoço.
—Você dá a sua palavra?— Beijou meu queixo docemente e sorriu em desafio. Senti um frio percorrer meu estômago ao pensar em prometer. Ela mostrava de novo, de um modo claro, que não acreditava minimamente em nós, e isso me incomodou. —Ah, esqueci que esse Cullen não cumpre o que promete.— Brincou e voltou a mordiscar mandíbula. Lá estava a Cygne de novo. Eu tinha até sentido falta de sua mordacidade.
—Sim. Eu prometo.— Provoquei, abracei-a mais forte e, possessivo, alojei minhas mãos em sua bunda empinada.
—Ok.— Ela se afastou do meu abraço e virou-se. —Vamos para casa do Rilley.— Disse com praticidade.
Algo inexplicável cresceu em minhas veias, tensão misturada com agonia. Eu sabia que se fosse para casa do Rilley agora, seria simplesmente sexo. Sim, eu queria sim, mas agora eu sabia que não queria só isso dela. Eu queria vê-la sorrir satisfeita para mim depois do prazer. Queria que fosse inesquecível. Queria que ela não fizesse isso por esse motivo... Só para se livrar de mim.
—Ligue para o seu amigo e vá embora, Cygne.— Inclinei e sussurrei em seu ouvido.
Se depois de rolar algo entre nós, íamos acabar, era melhor que acabássemos logo. Eu não poderia nunca fazer sexo com alguém só para ela se livrar de mim. Esse pouco caso esmagaria meu ego.
Ela olhou para o seu telefone e permaneceu um tempo calada, parecendo em dúvida com algo. Imaginei que seu amigo não pudesse vir agora pela careta de frustração que ela fez.
Como se um clique tivesse soado em minha cabeça, associei suas atitudes e, aos poucos, o quebra cabeça começou a se encaixar em minha mente. Céus, eu estava perdendo algo! Eu estava possessivo que não tinha observado o óbvio...
—Seu amigo não pode vir agora, não é?— Arqueei uma sobrancelha, desconfiado. —Seu amigo não pode ir embora ainda porque ele está acompanhado, não é?— Passei a mão no meu cabelo, admirado com a minha falta de percepção em não ter visto coisas que estavam tão claras. —Seu amigo está na festa do Rilley, não está, Cygne?— Ofeguei e ela me encarou, esperando eu desenvolver. —Seu amigo é o Hale.— Concluí em um sussurro, e, inesperadamente, ela se afastou, andando rápido em uma direção contrária a da casa do Rilley. Alcancei-a antes dela se afastar dez metros de mim, mas ela continuou andando rápido, rumo ao farol. A descoberta ainda me deixava sem palavras. Ela continuou andando, ignorando o fato de eu estar atrás dela.
—Cygne, por que não me disse que era o Hale seu amigo? Só pode ser ele. Quem mais poderia te ajudar a entrar no clube se não alguém de lá?— Falava praticamente sozinho, mexendo as mãos no ar freneticamente. —Quem mais poderia te convidar para as festas aqui na casa do Rilley?— Enquanto associava os fatos, balancei a cabeça descrente com a minha cegueira. É por isso ela me chamou de cego. Tudo estava claro, acontecendo debaixo do meu nariz! Continuei andando atrás dela, não me importando com o fato dela estar se afastando rumo à rua beira mar.
Resoluto, peguei o braço dela e a parei. —Cygne, para. Eu preciso falar com você.— Disse impaciente. Ela se virou, o que vi foi um rosto atordoado. —O que foi?— Murmurei, segurando o seu queixo.
Ela tomou uma grande lufada de ar, e segundos depois exalou lentamente. —O que eu disse que iria acontecer se você começasse a descobrir sobre mim?— Perguntou, e de novo, tinha desolação em sua voz e melancolia em seu rosto.
—Você não vai fazer isso.— Eu disse incisivo e enfiei os dedos em seus cabelos. —Desculpe-me por ter duvidado de você, por ter sido rude.
—Não precisa.— Disse e virou o rosto, desviando do meu olhar.
Naquele instante, eu joguei de lado todo o meu receio em admitir o que sentia, inclusive para mim mesmo, e simplesmente aceitei. Eu já tinha certeza de todos os meus sentimentos por ela. Não era porra de fixação, nada de fascinação. Eu estava louco, arriado por ela. —Por favor, minha bela, vamos tentar.— Pedi usando seu apelido, sentindo-a no mesmo instante enrijecer em meus braços.
—Tentar o quê, Cullen?— Ela balançou a cabeça indefesa.
Prendi seu rosto em minhas mãos, fazendo-a olhar para mim. —Deixe-me gostar de você. Permita-se gostar de mim.
Ela ficou um tempo calada, e instantes depois, notei uma lágrima rolar. —Não me peça isso, leãozinho.— Disse com a voz desolada. Ela fechou os olhos e abaixou a cabeça, suspirando. —Vamos esquecer isso.— Ela disse e passou a mão no rosto, limpando. —Melhor continuar como estávamos. Sem envolvimento. Sem sentimentos.
Ela era um ser completamente inexplicável. Ao mesmo tempo que parecia ser forte e determinada, algo a desestabilizava e lhe implantava tristeza.
—Confie em mim. Fale por que está chorando... Por que tudo que eu falei parece te deixar tão infeliz?
Ela suspirou audivelmente. —Não é porque eu esteja triste, aliás, eu não tenho motivos para isso, afinal, eu poderia estar em uma situação muito pior...
—Por que você chora então?— Beijei a sua testa, tentando deixá-la bem.
Ela passou um tempinho calada, então, quando já tinha se estabilizado emocionalmente, olhou para mim. —Ah, às vezes é porque em momentos como este eu sinto falta de alguém para me orientar. Outras vezes porque eu queria que essa vida que eu tenho com você fosse real... Eu queria que nós dois fôssemos reais... Que estivéssemos discutindo relação como pessoas normais... Mas na verdade não é assim.
Ao ouvir suas palavras, fiquei chateado com o modo como ela falou de nós e levantei seu rosto, fazendo-a olhar para mim. —Está tudo errado.— Censurei desacreditado. —Você é muito real para mim. O que eu sinto quando estou com você prova isso.
—Não é importante... Sou só uma garota.— Deu de ombros.
—E o que você pensa que eu sinto por você?
Ela suspirou. —Às vezes eu tenho a ilusão de que você gosta de mim.— Murmurou desiludida.
—E eu gosto.— Aproveitei o ensejo e revelei.
—Não gosta. Se gostasse não teria saído com outra garota na festa de sexta passada, dia em que eu estava viajando.
—Quem disse isso?— Ofeguei sobressaltado. —Ah...— Compreendi. —O Hale... Ele estava lá sexta passada...— Conforme eu associava, mais as coisas foram ficando claras. —Eu não fiquei com ninguém, Cyg, eu juro que não fiquei com aquela menina. Eu só dancei com ela, depois fui embora.— Expliquei.
—Para, Edward, você está tornando as coisas piores, está entendendo errado. Eu não estou te exigindo fidelidade. Pelo contrário, estou te abrindo os olhos para que você enxergue que não precisa ser exclusivo. Inclusive agora, você não precisa ficar comigo por eu não ter com quem ir embora. Se você quiser ir, pode ir.— Ela entrou na defensiva.
Respirei fundo e passei a mão no cabelo, impaciente. A gente iria brigar o tempo todo agora? Puta merda, como eu podia ter me envolvido com uma pessoa assim? Eu não sabia nada sobre ela. Ela não me permitia nunca entrar em sua vida. E eu tinha a impressão que saía de sua boca fosse somente um escudo para se manter protegida.
—Vou te perguntar só uma vez...— Eu perguntei ansioso. —Pelo menos você ainda curte ficar comigo?
Ela respirou fundo e abaixou o olhar. —Sim.— Disse em tom vencida.
—Então por que mesmo que eu tenha exposto que gosto de você, você está me mandando embora?— Eu quis saber. —Você esses dias disse que adorava meus beijos, também disse que gostava de tudo em mim, então por que você insiste em me afastar?—
—Talvez por esses motivos que você citou.— Ela sentou na calçada e abraçou os joelhos, tremendo um pouco com o ar gelado. —Você, mais do que eu queria antes que nossa relação fosse sem vínculos, portanto esses sentimentos que sentimos são errados...— Justificou.
—Tarde demais.— Agachei, ficando em frente a ela. —Eu tenho sentimentos verdadeiros por você.
—Rá, tem mesmo!— Ironizou, deixando claro que não acreditava em nada que eu dizia. —Igualmente você tem sentimentos pelo seu carro, pela sua bola de futebol. Foi você mesmo que disse isso, não foi? Tudo seu está ligado à possessão e egoísmo, Cullen. Você não aceita ouvir não. Não gosta de ninguém além de si mesmo. Ninguém, além da sua vontade de se auto-afirmar. Mas tudo bem, se para você ficar bem com sua estima depende de me possuir, você vai fazer isso. Vamos para a casa do Rilley!— Ela levantou e apressadamente começou a fazer o caminho de volta, dessa vez andando pela rua beira mar, de modo que chegássemos à casa do Rilley pela frente da casa. Eu nada disse para contradizer sua dedução, somente a acompanhei, com os braços cruzados no peito.
Ao estarmos a menos de trezentos metros da casa, ela apressou os passos e ganhou distância extensa de mim. Andei a passos lentos, diluindo todos os acontecimentos, então avistei paparazzo. Ela levantou as golas do sobretudo e passou o cachecol em volta do cabelo e rosto, tentando se esconder dos paparazzi ao cruzar com eles. Quando pisei na calçada da casa, há muito tempo ela tinha sumido. Alguns paparazzi ainda tiraram algumas fotos minhas, pediram exclusiva, mas eu estava ansioso demais para subir.
Passei pela porta, atravessei a sala lotada e fui até o bar, olhando de lá para cima, onde, surpreendentemente, avistei Rilley conversando com a Cygne no alto da escada. Ela pareceu pedir alguma coisa para ele enquanto segurava o seu braço e lhe olhava com olhar implorativo. Ele balançou a cabeça em negativa algumas vezes, relutante, e, segundos depois, assentiu contrariado. Ela olhou para baixo, encontrando meus olhos, então desviou o olhar e caminhou pelo corredor o qual levaria ao meu quarto.
Sem entender mais esse enigma, guardei o motivo da conversa entre os dois para perguntar depois para Rilley. Tomei uma dose de licor, peguei uma soda e atravessei a sala barulhenta, onde as pessoas dançavam. Encontrei no meio do caminho com Rose.
—Hmmm, ela veio.— Rose disse maliciosamente, apontando com o olhar para cima.
—Ela quem, Rosalie?— Arqueei a sobrancelha em questionamento, desacreditado que Rosalie tivesse visto-a.
—Sua namorada.— Disse como óbvio.
—Ela não é minha namorada.— Neguei, acho que um pouco frustrado por ser essa a única resposta que eu tinha.
—Mas devia ser, já que você está arriadão por ela.— Deu de ombros, pegou o licor em minha mão e tomou um gole.
—Eu não estou.— Murmurei e olhei para cima, sentindo ansiedade em subir e vê-la.
—Não? Se não tivesse não tinha me pedido ontem depois do jantar, para se caso ela fosse à boate, eu te ligasse avisando.— Ela fez uma carinha provocadora.
—Eu gosto de ficar com ela. Só isso.
—Pode ser...— Ela refletiu. —Pode ser que você continue tão galinha como antes, e eu queira tanto sua mudança que esteja vendo coisas.
—Eu não sou galinha, Rose.— Neguei ofendido.
—Não, não é mais. E eu sei porque. Só porque você está apaixonado. Só isso.— Ela riu e apertou minha bochecha. —Não a deixe ir embora, Edward. Não a deixe ir sem saber que você gosta dela de verdade.— Ela passou a mão no meu rosto carinhosamente.
Suspirei frustrado. —Ela não acredita em mim.— A derrota era explícita em minhas palavras. —Ela pensa que só quero usá-la.— Admiti, por fim.
Ela sorriu grande e deslizou os dedos em meu cabelo. —Mostre para ela que não é assim. Lute para convencê-la.
—Mas eu já te disse que ela tem namorado. Por que eu vou querer convencê-la disso?
—Roube-a dele. Conquiste-a. Seja melhor que ele para ela. Dê o seu melhor, Edward.
—Eu não quero comprometimento. Er, eu não quero uma namorada.— Passei a mão em meu cabelo, ainda tentando lutar contra mim.
—Não, Edward? Tem certeza que não sente falta de alguém? De uma namorada?— Puta merda, a Rosalie parecia que adivinhava tudo que se passava dentro de mim! Parecia até que ela sentia o que eu sentia, que ouvia meus resmungos mentais reclamando da falta de alguém.
—Ok, Rosalie. Cadê o Emmett?— Tentei mudar se assunto. A conversa ia para um lado que eu não queria ir... Ainda.
—Não sei. Ele estava aqui comigo duas horas atrás, mas de repente ele recebeu um bip no celular e saiu rápido.
—Hmmm. Tomara que ele volte.— Sorri para ela e fiz menção de deixá-la, porém, antes que eu saísse, agucei meu olhar nela, curioso com algo. —Rosalie...
—Fala.— Ela deu as costas e pegou uma bebida servida por uma garota.
—Por que você disse que sabia o nome dela?
—Hmmm, você se interessa?— Ela provocou.
Revirei os olhos, impaciente. —Tenho que dizer? Você lê mentes mesmo! Como eu vou negar?— Sorri, me entregando de vez.
Ela sorriu contente, levou o copo aos lábios e me acompanhou até o pé da escada.
—Ok, na semana antes de eu mostrá-la na pista para você, três meses atrás, ela estava meio bêbada e conversou comigo no toalete, dizendo que era a primeira vez que saía de casa e que ninguém poderia cortar as asas dela. Ela também apresentou um amigo para Alice, falando que ele estava a fim dela.
—Esse amigo era o Hale, garoto que Alice está ficando escondido?— Perguntei e não era exatamente uma pergunta. Sinceramente eu poderia me bater por ter sido tão burro e não ter notado coisas tão claras. Agora, se eu quisesse descobrir mais sobre ela, era só seguir o Hale.
Rosalie arregalou os olhos com minha pergunta, em seguida riu.
—Como você sabe?
Fiz uma careta de desgosto. —Eu não sou um completo alienado.— Omiti o fato de que só tinha descoberto isso hoje.
—Vai namorar ela se souber o nome dela?
—Fala logo, Rosalie?— Pedi impaciente.
Ela sorriu, aproximou a boca do meu ouvido e sussurrou: —Bella.
Gargalhei, lembrando do dia em que Cygne dormia em minha cama e resmungou que queria que eu a chamasse de bela.
—Não é nome, Rose, é apelido. Ela gosta que a chame assim. A garota se acha bela.
Rosalie balançou a cabeça em negativa, com confusão.
—Acho que não. Qual o nome dela então?
—Não sei o primeiro, mas o segundo é Cygne.
Ela ficou quieta, pensativa.
—Edward, você já pensou que o nome dela pode ser Annabella, Florisbella, Isabella, Clarisbella, e por isso o apelido é Bella?
Pensei um pouco, com a testa franzida. —Faz sentido, Rosalie.— Assenti brevemente, todavia eu sabia que não deveria pressionar Cygne por nome. Bastava, por hoje, ter descoberto sobre o amigo. Se eu fizesse mais pressão, era bem capaz dela escorregar.
—Valeu Rosalie.
Coloquei meu copo vazio sobre o a bandeja de uma garota que passava e subi apressado as escadas. Quando já estava no topo, olhei para baixo e Emmett entrava na sala com os olhos direcionados a mim. Fiz um breve aceno com o polegar, ele correspondeu, e eu segui rapidamente para o quarto.
Abri a porta, e o que vi me deixou inerte. Cygne estava deitada, sem a sandália, sem o sobretudo, somente de sutiã, calcinha de renda branca e meia de lã até a panturrilha. Uma imagem muito excitante. Suspirei e arqueei a sobrancelha. —Pra que isso?— Sentei na beira da cama e passei os dedos em sua coxa. Era a primeira vez que eu via suas pernas desobstruídas de meia-calça. Elas eram bem desenhadas, bonitas, uma pele de seda.
—Estou tornando as coisas mais fáceis para você.— Disse com ar provocante, rindo .
Cauteloso, subi os dedos pelas suas coxas e sua perna tremeu ao toque de minha mão, todavia eu tinha certeza que não era por desejo... Era por puro nervosismo. Forcei meu tênis com o pé a cair no chão, tirei minha calça e deitei ao seu lado de lado. Ela soltou um ofego nervoso quando deitei. Inclinei e procurei seus lábios, inserindo imediatamente a língua em sua boca para separar seus lábios. Ela recebeu minha língua e acariciou, sugando a pontinha. Tentei não pensar no fato dela estar só de calcinha e sutiã em minha frente, mas leãozinho já tinha sentido, há muito, o cheiro da minha fêmea no ar. Ofeguei, e apertei-a mais em mim, com a mão na divisa das suas costas.
Passamos algum tempo nos beijando, desci a mão e apertei seu bumbum, subindo e descendo de modo avaliativo, sentindo sua respiração se alterar em minha boca. Encaixei sua coxa sobre meu quadril e friccionei-a em mim, gemendo baixinho no instante que leãozinho quase rasgava com os dentes nossas peças íntimas, louco para se enterrar dentro dela. Porém, embora eu me sentisse ansioso para traçá-la, quase uma aflição, pela primeira vez eu sopesei o fato dela ser virgem.
Eu nunca tinha dado muita idéia para esse negócio de pegar menina virgem, até porque, nunca tinha pegado nenhuma. Sempre tive a idéia de que isso era somente incômodo e dor, e eu não estava a fim de trabalho. Preferia meninas mais experientes. Entretanto, enquanto seguia com beijos da sua boca até a orelha, pude até imaginar como deveria ser seu primeiro, como deveria ser quando sua barreira rompesse e ela se abrisse para me aceitar dentro dela... Ugh, gemi imaginando, sentindo-me duro como pedra.
Entretanto, eu não queria romper só a barreira do seu corpo. Eu queria, acima de tudo, romper a barreira que ela mantinha em pé para que eu não entrasse em sua vida. Ela me olhou em expectativa quando desfiz atrás o fecho do seu sutiã e aprovou com um suspiro quando me inclinei e passei a ponta da língua em seu bico rosado. Eu não podia negar minha natureza de mamífero que adorava suas mamas.
—Você é perfeita.— Delineei devagar e ouvi, satisfeito, um gemido mais intenso.
—Você também é perfeito.— Foi o que ela disse, e nervosa, passou a mão em meu cabelo, no mesmo instante que eu voltei a deslizar circularmente minha língua em seu mamilo, como um pervertido grudado em suas tetas quando naturalmente devia tentar conversar.
—Se solta vai...— Abri mais a boca e chupei devagar, provocando e soltando. —Não tem graça tocar você se eu sinto você tensa, com seu corpo aqui e sua mente protegida... Relaxa vai, gatinha.— Ela fechou os olhos quando abri mais a boca, chupando todo, e desci com os dedos para dentro do shortinho, passeando no quadril. —Eu prometo que vai ficar tudo bem. Esquece tudo lá fora por um momento... Porque é justamente o que eu faço o tempo todo que estou com você.— Sussurrei com a voz rouca de desejo.
Ela suspirou, pôs a palma da mão em meu rosto e me fez olhar para ela. Devagar, me movi na cama e me posicionei da altura do seu rosto, ainda olhando em seus olhos, agora com a mão pousada em concha em seu momento em que estudei seu olhar, assustei-me com a intensidade do que li. Ela me olhava com entrega, acho que com... Paixão?
—Meu problema não está lá fora, Edward.— Ela disse. —Meu problema é que eu sempre quis ser especial... Eu queria que isso fosse especial.— Apontou para seu corpo. —Porém, não adianta esperar que eu seja especial para você, se eu não sei como será o nosso dia seguinte... Eu não me importo mais.— Apontou de novo para o seu corpo. —Eu não vou, nem quero negar.
Sorrindo, passei a mão do seu seio a sua cintura, me inclinei e encostei meus lábios nos seus. Ela tremeu um pouco ao meu toque, como se minhas mãos estivessem lhe dando choque. Sorri em seus lábios e inseri minha língua devagar, no mesmo instante que comecei a deslizar devagar sua calcinha. Ela tremeu mais, respirando um pouco nervosa. Senti sua tensão e acariciei sua cintura. —Calminha, gata. Se você se sentir desconfortável, eu paro, prometo.— Sussurrei e continuei descendo a peça íntima, ainda beijando seus lábios. Ela levantou um pouco o corpo para que eu terminasse de deslizar e levou a mão hesitantemente até meu abdômen. Afastei-me um pouco e dei uma olhada nela nua. Leãozinho arregalou os olhos, admirado, com a beldade sobre minha cama.
—Puta que pariu, você é linda!
Ela desviou os olhos dos meus encabulada quando desci meu olhar para a parte baixa de sua barriga, quase babando, e passei a costa da minha mão em seu baixo ventre, que tremeu ao meu toque. —Sou o primeiro a te tocar assim?— Queria uma confirmação. Embora eu não quisesse pensar nisso, podia ser que seu namoradoa tivesse tocado assim nos últimos dias. Ela ficou em silêncio.E juro que controlava ao máximo a vontade louca de agir como um adolescente e me afundar de súbito dentro dela. Respirei fundo e engoli em seco, um pouco inseguro.
O desejo do meu corpo me deixava sem pensamentos coerentes, mas o pouco raciocínio que eu tinha, acusava-me em todo tempo de ser um erro o que eu fazia. As palavras de Rosalie ainda ressonavam em minha mente, lembrando que eu teria que conquistá-la, que teria que mostrar meus sentimentos por ela. Se eu simplesmente fizesse o que tinha vontade agora, agindo como um macho dominador e somente demarcasse meu território em seu corpo, ela não acreditaria nunca que eu sentia algo por ela além de vontade de comê-la.
Nervoso, virei-a de bruços, passeei a mão em suas costas e afastei seu cabelo, dando preguiçosos beijos em seu pescoço.
—Sim. Você é o primeiro a me tocar.— Ela sussurrou depois de um tempo longo e levantou um pouco o tronco quando pus minha mão sob ela e acariciei mais uma vez seu seio. Sua afirmação me deixou putamente convencido, satisfeito, orgulhoso. Ela era minha exclusividade, e eu ia fazer deste o melhor ato de sua vida. Afastei-me um pouco e dei um sutil olhar em suas costas, mordendo os lábios ao analisar as curvas. Ela tinha a pele macia e delicada, a bunda tão perfeita quanto eu imaginei que seria. Redonda e empinada.
Devagar, inclinei, deslizei a língua na linha de sua coluna e senti seus pêlos arrepiarem, no mesmo instante que ela arquejou. Minha mão apertou possessivamente seu bumbum, enquanto eu descia a boca em suas costas até que minha boca acompanhou minha mão, seguidamente dando uma mordida na nádega.
—Ai...— Ela resmungou e se contorceu quando a mordi, afastando-se instintivamente.
Divertido, passei os braços em seu quadril, sorri e mordi de novo, ainda tentando deixá-la à vontade comigo.
—Você quer dizer: ai, que delícia? Ou ai, tá doendo?— Provoquei e passei a língua por toda a área da mordida, sorrindo, tentando me domar pelo tanto que já estava enlouquecido em me imaginar enterrando dentro dela naquela posição. Ela não respondeu, o que me levou a ter certeza que ela gostava. Desci com a boca pela coxa, mordiscando em todo o tempo, e ri vez ou outra do modo como ela, sem querer, agitava-se ao toque dos meus lábios.
—Se solta, gatinha. Geme pra mim. Eu sei que sou bom.— Murmurei, quando mordiscava atrás do seu joelho. —Vire.— Pedi, e antes que ela pensasse no que eu tinha dito, forcei seu quadril a virar. Comecei a subir a boca pelos seus joelhos, ainda mordiscando, e forcei sua perna um pouco a se abrir. Sua perna tremia, ainda de nervosismo. Tomado de desejo, abri mais e mordisquei devagar sua coxa internamente.
Ela se enrijeceu e resmungou: —Ah, não. Isso não, por favor.— Tentou fechar sua perna.
—Shhh, vai ser bom para você.— Abri mais um pouco e passei a língua na divisa de sua coxa e região íntima. Ela tensionou, como se levasse um choque e tentou se afastar mais para cima.
Preocupado com suas respostas, e sem querer pressionar, eu senti que ela estava a ponto de desistir, tensa demais, portanto, desviei de sua região íntima e subi com os lábios para sua barriga, com beijos calmos, o que pareceu relaxá-la. Delineei seu umbigo com minha língua, subi minhas duas mãos e pousei-as em concha em seus seios, apertando o bico na mão. Ela, em resposta, relaxou mais e soltou pequenos gemidos quando desviei meus lábios para sua cintura e mordisquei levemente. Subi minha boca mais um pouco e cheguei ao seu seio, abrindo a boca avidamente quando senti o bico em meus lábios. Ela estremeceu e soltou um gemido indefeso, e alternei entre sugadas e mordiscadas em cada um deles. Ofeguei presunçoso, quando finalmente senti sua redenção completa, no momento em que ela segurou na barra da camiseta e fez menção de levantar. Afastei um pouco, sorri para ela, e a blusa passou por minha cabeça. No instante seguinte, voltei a atacar seus seios, chupando, apertando, a cada minuto mais enfurecido de desejo.
Determinado, desci suavemente minha mão pelo seu ventre, testando sua receptividade, até que alcancei sua virilha, seguindo o caminho com os dedos, encontrando, quase enlouquecido, a umidade entre suas dobras. Ela ofegou quando comecei a acariciá-la lentamente, para cima e para baixo, e gemeu baixinho quando pressionei o clítoris.
Eu nunca quis tanto uma mulher daquele jeito. Já começava a sentir dor física de tanta excitação, latejando como um condenado. Ergui um pouco a cabeça, continuei com meus incentivos e olhei para o rosto delicado. Seus olhos estavam fechados, seu peito arfante. Eu não resisti e beijei suas pálpebras, me chutando por estar tão envolvido.
—Deixe eu te provar, gatinha.— Pedi, e, sem que eu esperasse, sua mão migrou para minha boxer, abaixando lateralmente. Tentando facilitar para ela, movi um pouco e desfiz da peça, passando-a por minha perna, em seguida voltei minha atenção ao seu corpo.
Inclinei e beijei seus lábios, consciente do que ela não tinha entendido direito o pedido quanto a provar. Certamente ela imaginou que eu já iria me introduzir nela. Todavia eu não iria perder a chance de experimentá-la em minha boca. Até porque, era certo que eu não ousaria invadi-la e causar-lhe a dor inevitável, sem que antes ela conhecesse o real prazer. Após um tempo relaxando-a novamente com um beijo em seus lábios, desci novamente a boca pelo seu corpo, lambendo onde passava, e mordi o bico do seio, lhe causando um arquejo. Desci mais e lambi de novo seu umbigo, ainda acariciando-a intimamente, para então, finalmente, chegar ao seu baixo ventre com beijos persuasivos.
Cautelosamente, segurei seu joelho e movi minha boca mais para baixo, plantando beijos molhados na pélvis, ainda preocupado com a aceitação. Ela ficou quieta, com suspiros curtos, com a barriga trêmula, então desci com beijos na carinhadepilada, enfiando a língua lá embaixo. Recebi em resposta algo que eu não contava inicialmente. Seu corpo todo estremeceu.
Seguro por sua resposta, movi a língua nos lábios, lambi todinha, debaixo acima, depois acariciei com o dedo devagar na entrada.
—Deliciosa...— Murmurei e lambi mais uma vez, como um gatinho. De novo, ela estremeceu e gemeu, passiva e entregue. Afastei mais suas pernas, expus com uma mão seu clítoris para minha boca e comecei a trabalhar vagarosamente com minha língua, em movimentos circulares. —Você é tão bonita aqui.— Beijei-a. Ela lamentou baixinho, o que me deixou cada minuto mais excitado.
—Gosta assim?— Fiz pressão com a língua. Ela ofegou, mas não respondeu. —Fala como você gosta.— Chupei forte, puxando a pontinha do broto delicadamente no dente. Ela arqueou na cama como se tivesse sendo torturada. —É assim?— Instiguei, aumentando a pressão e a cadência dos movimentos. Ela, em resposta, agarrou o lençol da cama e rangeu o dente para restringir a intensidade do desejo. Diminuí o movimento, pensando que talvez estivesse empurrando algo contra a sua vontade, mas o que vi em seguida foi um protesto frustrado.
Sorri mentalmente disso, satisfeito. Ela não sabia o que esperar até que experimentasse. Logo, eu devia proporcionar o seu primeiro orgasmo, assim, os próximos ela imploraria. Determinado, abri mais suas pernas, enfiei a cara novamente entre elas, suguei seu clitóris e comecei a trabalhar meu dedo em sua entrada, ouvindo em todo o tempo suas reações crescentes. Suas coxas tremiam internamente, ela ofegava e seus gemidos a cada minuto aumentaram os tons.
Chupei forte, adorando aquele gesto, colocando todo meu sentimento e desejo em um ato de luxúria. Não era somente sexual. Todo o meu ego se inclinava para proporcionar prazer à desconhecida alvo da minha paixão. Ela era deliciosa, apertada em meu dedo. Em todo o tempo que acariciava as paredes, me pegava me perguntando como iria caber ali. Esse pensamento só me deixava mais frenético em lambê-la, igual um gatinho domesticado tomando leite na tigela.
Eu me via louco quando tocava sua barreira interna, sempre cauteloso em não rompê-la com o dedo, pois leãozinho, rei da selva, queria ele mesmo fazer isso: demarcá-la, devorá-la, cravar seus dentes nela. Nada mudaria isso. Ela seria minha. Ainda que ela me negasse a participação ativa em sua vida, eu iria marcá-la por mim por toda a sua vida. Eu a faria mulher. Seria eu a lhe fazer conhecer o prazer.
Trabalhei mais em seu clitóris e enquanto girava minha língua, apertei seu seio. Senti sua mão em meu cabelo, movendo, ditando o ritmo, e a obedeci, com uma pressão forte e precisa. Ela demorava, mas eu, heroicamente insistia, vez ou outra mudando a forma de lamber, vez ou outra usando o polegar no incentivo, até que encontrei um ponto em que ela gemeu mais e ficou mais ansiosa. Foi ali que eu me apliquei.
Ela estremeceu toda, tomou uma longa dose de ar e arqueou o corpo, prendendo o ar, para em seguida gemer mais alto, entre os dentes, e suas pernas se debaterem sob mim, com espasmos sacudindo-a. Eu prendi sua coxa na cama e continuei. Ela gemia descontrolada, choques espasmódicos a sacudiam num orgasmo longo e intenso. Assisti orgulhoso. Era extasiante ver seu corpo e boca vermelha, uma imagem selvagem se estremecendo na cama. Ela grunhia desamparada, e eu extorqui tudo que podia. Até suas coxas pararem de convulsionar.
—Isso, gatinha.— Aplaudi e continuei movendo a língua devagar, louco, sentindo-a tremer.
Ali eu soube o que era sexo com sentimento. Eu estava estupidamente apaixonado. Apaixonado por tudo nela. Até pelo seu orgasmo, que me deixou completamente soberbo. Continuei acariciando-a alguns segundos, até que seu corpo relaxou completamente sobre a cama. Lambi uma última vez, ainda sentindo-a ter choques com a sensibilidade local, dei um último beijo e arrastei na cama, ficando ao seu lado.
Ela abriu as pálpebras, e seus olhos estavam desfocados, sua respiração ainda ofegante.
—Gostou?— Inclinei e beijei seu rosto, abraçando-a para consolá-la. Sentia-me um herói ao me manter latejando e não ter me enfiado dentro dela com ferocidade. —Quase deu câimbra em minha língua.— Brinquei e beijei seu queixo. —De onde veio esse tem milhares.— Murmurei com orgulho masculino.
Ela sorriu, um pouco vermelha, ainda arfando, e deslizou a mão do meu peito ao meu umbigo, para então dar uma olhada sutil para leãozinho, que quase deu cambalhotas por ter sido, pela primeira vez em dias, notado. Como ela não tomou iniciativa, pus minha mão sobre a dela, conduzi-a até meu pau totalmente erguido e a enrolei em volta dele.
—O que você está esperando?— Sua voz saiu baixa e rouca, e ela moveu delicadamente a mão em gostoso um vai e vem. Fechei os olhos, liberei sua mão e pousei minha mão em seu seio, no mesmo instante que beijava delicadamente seu ombro e pescoço.
—Estou esperando você me deixar estar dentro de você.— Murmurei, tentando me concentrar e curtir ao máximo, sabendo que depois de senti-la em minha boca, eu não iria durar muito. Oh, Deus, queria tanto entrar nela. Ela estava tão molhada, tão relaxada, tão pronta. Sonhava com ela me cavalgando com seus cabelos espalhados. Porém eu iria ser forte, até que ela me permitisse entrar.
—Eu já deixei.— Ela sussurrou e procurou minha boca, lambendo despudorada meus lábios.
—Não...— Ofeguei, peguei sua mão e acelerei os movimentos, deixando depois que ela assumisse. —Quero entrar em sua vida, não somente em seu corpo.— Apoiei o corpo sobre um braço, me ergui um pouco e continuei recebendo seu beijo, que migrou para o meu pescoço.
—Você já entrou em minha vida.
Arqueei o corpo e senti o arrepio percorrer minha coluna, tocando meus ossos.
—Hmmm, delícia.— Incentivei, ainda deixando-me ser massageado e me posicionei sobre ela, apoiado nos joelhos, com cada perna para um lado de seu corpo. Inclinei e chupei ansiosamente os seus seios. O desejo percorria cada poro meu, roubando todos os meus pensamentos coerentes.
—Ugh, isso... Mais...— Segui para seus lábios, e ela me mordiscou sensualmente, excitando-me mais. Seus olhos azuis estavam bem abertos, deliciados, enquanto ela me provocava, beijando-me, tocando e acariciando com a mão livre meu cabelo. O suor descia em minha testa. Movi meu quadril errático ao encontro de sua mão, com o prazer crescendo em minhas veias. Ela aprendeu a pegar na medida certa, deliciosamente, e olhava ávida a cabeça úmida sumir e aparecer na sua mão, até que senti o orgasmo subir às bordas. —Ah...— Fiquei tenso, inchei mais na mão dela e explodi, de olhos fechados, grunhindo satisfeito, enquanto o líquido seminal era ordenhado em potentes jatos.
Ainda tremendo, joguei-me ao seu lado, sentindo espasmos por todo o meu corpo e relaxei, ofegante.
Minutos depois, abri os olhos preguiçoso. Ela olhava curiosamente em direção ao seu corpo, ao tempo que passava um dedo no sêmen grosso caído entre os seios, estudando a textura. Não resisti e gargalhei alto com o que vi.
—Bella, você se sujou todinha!— Ofeguei sorrindo, tirei a fronha do travesseiro e comecei a tirar o respingo do seu pescoço.
Não entendi, mas ela enrijeceu e arregalou os olhos assustada.
—O quê que é? Está com nojo?— Continuei sorrindo e limpando. —Isso é demarcar território.— Inclinei e beijei a ponta do seu nariz. Ela continuou estática. —Não sabe o quanto é excitante ter meu sêmen espalhado em você.— Sorri brincalhão e limpei um respingo no canto do seu queixo. —Perdeu a língua, gatinha?— Terminei de limpá-la no peito, divertido, e inclinei para beijá-la. —Ai, deixa eu procurar um cantinho que não está cheio da minha marca em você!— Gracejei e beijei sua pálpebra.
—Do que você me chamou?— Ela perguntou, saindo do estado de inércia. Sua voz foi tão baixa que demorei um tempo para associar sua pergunta.
—Gatinha?— Arqueei a sobrancelha, ainda sorrindo, e deslizei a fronha em sua barriga. —Argh, seu umbigo ainda está cheio! Você vai ter que tomar um banho.— Zombei quando meu dedo sujou ao passar pelo seu umbigo direito.
—Não, Edward, qual o nome que você me chamou antes?— Ela perguntou um pouco séria, pegou a fronha e limpou seu umbigo.
Franzi o cenho e tentei me lembrar do que eu a tinha chamado. Ela sentou. —Bella. Você me chamou de Bella.— Sussurrou reflexiva.
Seu nome devia ser um território comprometedor, por isso ela levantava seus muros. Respirei fundo, desgostoso que ela estivesse fechando-se quando eu tinha dito minutos atrás que queria entrar em sua vida. Mesmo assim, iria pressionar... Não exatamente agora.
—Eu te chamei de bela, linda, bonita.— Menti e puxei sua cintura, trazendo-a de volta para mim. —Você é linda quando está demarcada por mim.— Bajulei e ataquei seus lábios de novo, tentando fazê-la esquecer o assunto. Apertei-a nua ao meu corpo, sentindo-me no mesmo instante voltar à ativa. Ergui sua coxa, coloquei leãozinho para se familiarizar e me arrastei nela, definitivamente escorregando entre suas coxas. Ela estava quente, eletrizante, molhada. Enfiei os dedos em seus cabelos e a abracei forte, amassando seus seios ao meu peito.
—Você é minha bela, minha garota linda.— Ela relaxou mais e sugou meus lábios, passando a mão pelo meu peito. —Hummm, vamos começar tudo de novo?— Murmurei maliciosamente e desci a boca para o seu pescoço, parando abruptamente quando senti um gostinho estranho. —Argh, acho que é melhor você tomar um banho, minha bela.— Fiz careta brincalhão. Ela sorriu mais relaxada e acariciou preguiçosamente meu cabelo. Minutos depois levantou para o banho.
Embora eu quisesse muito tomar banho com ela e mover o sabonete em cada parte do seu corpo, isso iria ser muito tentador, de modo que eu poderia não agüentar. E eu precisava conversar com ela antes de reivindicá-la por completo. Ela precisava saber que eu a queria sério. Somente para mim. Ela precisava saber que eu queria entrar no seu mundo, saber sua história. Assim deixei que ela tomasse banho só. Todavia, como eu não sou bobo, exigi que a porta ficasse aberta enquanto eu a observava.
—Finja que eu não estou aqui.— Apoiei-me sobre o cotovelo e assisti a cena de ela tomar banho. Ela derramou o sabonete em sua mão, espalhou e começou a passar pelo seu corpo.
—Estou fingindo, porém, é muito constrangedor. Acho que a única pessoa que me viu tomar banho foi minha mãe.— Ela sorriu com a lembrança. —E olha que isso faz muito tempo.
—Hmmm, você é linda.— Mordi os lábios e dei mais uma avaliada minuciosa. Ela lutava para esconder a timidez. Resolvi continuar brincando, tentar assim, deixá-la mais a vontade comigo. —Gatinha, fique de costas, ponha a mão na parede, empine o traseiro e olhe de lado para mim. Eu preciso de imagens gráficas para futuras diversões sozinho no banheiro.— Sorri descaradamente, apontando com o olhar para ele. Ela balançou a cabeça rindo tímida, e fez o que eu pedi, ficando de costas, com a mão na parede e sorrindo, com o bumbum empinado. Leãozinho assistia tudo enfurecido, perguntando a toda hora por que eu não ia lá e fazia da fantasia realidade.
Aiai, meu amigo não entende nada de sentimentos!
Ela voltou ao banho, movendo-se presunçosamente, então me olhou curiosa.
—Por que você não fez?— Ela sussurrou com o olhar provocante, enquanto, de lado, deslizava a mão com sabonete pelo seu corpo.
Pensei em várias maneiras de deliberar o assunto eu e ela de modo sutil, que não a assustasse e a fizesse sair fugida janela a fora de novo. Ela se enxugou, saiu enrolada em uma toalha, vestiu a calcinha e eu puxei-a pela mão, antes que ela vestisse mais roupas, sentando-a seguidamente na ponta da cama.
—Bella, eu te quero.— Repeti seu nome de novo.
—Por enquanto você pode ter.— Disse e deitou em algumas almofadas, ainda enrolada na toalha. Inconsolado em vê-la coberta, desfiz da toalha, pus o nariz sob o seu queixo e beijei sua clavícula.
—Eu não quero você por enquanto. Eu quero você só para mim, você entende?— Disse deslizando os dedos em seus braços. —Eu quero que você me espere no portão de saída do estádio e me abrace quando eu sair de um jogo.— Beijei carinhosamente seu colo, acariciando delicadamente sua cintura.
—Não me fale isso, por favor. Eu não quero ouvir... É errado.— Pediu desolada.
Eu insisti teimosamente.
—Eu quero te ligar todos os dias antes de dormir. Quero viajar com você. Sair para jantar com você. Eu quero te conhecer e quero que todas as revistas do mundo mostrem que você é minha.— Enumerei fervorosamente.
Ela ficou calada por vários minutos, inspirando e exalando lentamente sob mim. Sua pulsação ficou acelerada. Depois de um bom tempo, ela suspirou, forçou minha cabeça que estava em seu colo a afastar-se um pouco e levantou, procurando seguidamente suas roupas, começando a se vestir. Antes que ela terminasse de abotoar a blusa, levantei e segurei sua mão carinhosamente.
—Você vai fugir e não vai falar nada?— Inquiri desacreditado de sua covardia. Ela ergueu o olhar, encontrando meus olhos e o que vi, assustou-me. Ela parecia querer chorar de novo. Puta merda, três vezes!
—Cullen, você ouviu o que você falou?— Balançou a cabeça. —Eu não posso te dar isso. Por que você quer complicar? Eu te dou tudo que você quer, não vou invadir seu mundo, vou te proteger do meu. Eu não me importo com o tanto de mulher que você tenha, eu não te cobro nada. Pra que você quer mais que isso?— Questionou chateada. —Eu não posso.
—Bella, eu não sei de onde você tira essa idéia de outras mulheres. Eu não tenho ninguém.— Soltei seu pulso e encaixei a palma de sua mão na minha.
—Não tem? Não minta, Cullen. —Ela moveu a palma da mão na minha. — Só que eu presenciei foram seis! Inclusive uma delas foi três dias atrás.— Ela balançou a cabeça e depois de um silêncio, suspirou vencida. —Mas e daí? O que são outras mulheres perto da distância que nos separa?
Desconfiado com o que ela comentou antes, fecheu os dedos nos dela.
—Onde você me viu?— Quis saber. Ela enrijeceu com a pergunta e desviou o olhar. —Bella...— Levantei o seu rosto, fazendo-a olhar para mim. —Onde você me viu com outra mulher três dias atrás?
Ela ofegou rendida. —Na sua universidade.— Respondeu, abaixou o olhar e voltou a abotoar sua blusa. Arregalei os olhos e, confuso, me afastei um pouco dela. Ela não podia estar falando da Isy, pois em nenhum momento eu andava com Isy em público. Logo só me restava uma pessoa para ela ter me visto com ela.
—Er, eu ficava com aquela menina meses atrás. Não temos mais...
—Por favor, leãozinho, eu não estou te pedindo explicações.— Ela me interrompeu e pegou seu sobretudo, deslizando-o em seus braços.
—Mas eu quero te explicar.— Impedi que ela continuasse a se arrumar e obriguei, segurando em sua mão, que ela se sentasse na cama, ao meu lado. —Eu ficava com ela antes, na Universidade, mas aí perdi o interesse, só que ela não percebeu isso. Três dias atrás ela me encostou a parede e tentou ficar comigo de novo, só então eu esclareci de vez que não rolava mais.— Expliquei pausadamente.
—Edward, eu realmente não preciso de explicações.— Ela acariciou meu rosto. —Eu só queria que você entendesse que sua vida é muito fácil sem o envolvimento que você quer ter.— Disse carinhosamente. —Eu só queria que permanecesse como está. Uma hora você vai perder o interesse por mim também, assim como perdeu pela Heidi, portanto, só curta o momento comigo. —Pediu docemente.
Porra, que droga! Ela estava me afastando de novo! Frustrado, cerrei os olhos em direção a ela e atentei para as últimas revelações de nossa conversa.
—O que você fazia em minha universidade?— Inquiriu. Ela arregalou os olhos temerosa. Eu continuei. —Como sabe que o nome dela é Heidi?
—Tenho que ir. — Pegou sua sandália no chão.
Eu não agüentava ser contrariado, não agüentava ficar sem respostas, não aguentava não ter o que queria. —Você não vai sair daqui sem antes conversar comigo. Você me deve isso.— Sentenciei sério e levantei tranquilo. —Vai me esperar?— Apontei para o box, peguei uma toalha e entrei, olhando para ela da porta.
Ela suspirou e deu um pequeno sorriso triste. —Te esperar? O que são minutos perto do tanto que eu já te esperei?
Não dei ouvidos ao seu comentário sem sentido, e ainda ruminando todos os fatos, entrei para o banho. Deus, como era confusa essa minha relação! Por que depois de tanto tempo sem me envolver com ninguém, agora eu tinha me apaixonado por alguém tão complicada?
Minutos depois, deixei o banho, vesti uma bermuda e deitei ao seu lado. Ela olhava para o teto, deitada sobre a cama, sem o sobretudo e a sandália. Ela devia ser bipolar.
Como o idiota obcecado que virei, deixei a conversa de lado, momentaneamente, e deitei a cabeça em sua barriga, com a mão enfiada dentro de sua blusa acariciando sua cintura. Queria prolongar o tempo de paz. Esperei um longo tempo somente curtindo-a, ouvindo sua respiração, para tempos depois ter coragem de começar. Eu iria ser sincero.
—Eu sei que seu nome é Bella. Rosalie falou.— Eu disse e esperei por suas ações. Os dedos que deslizavam em meu cabelo pararam e ela deu um longo suspiro, mas eu não quis virar para ver o seu rosto. —Também tenho certeza que seu amigo é o Hale, não adianta negar.— Revelei calmamente e continuei a acariciar sua barriga. Ela não negou. —Foi bom ter descoberto isso. Você não é qualquer uma para que eu não saiba seu nome ou nada sobre você.— Desabotoei botões de sua blusa, abri o botão de sua saia e desfiz novamente de sua roupa, beijando carinhosamente onde despia. —Eu não quis fazer sexo com você hoje, porque quero antes ser parte de sua vida.— Apoiei meu corpo em meu cotovelo e finalmente contemplei seu rosto. —Eu vou conquistar você, Bella, e te mostrar que você é única para mim. Vou te mostrar que eu não quero somente seu corpo.— Subi um pouco mais na cama e beijei seu queixo. —Não vou fazer nada com você sem sentimentos recíprocos. Eu quero fazer as coisas direito.— Peguei uma mecha de seu cabelo e pus atrás de sua orelha. —Quero que você esteja apaixonada por mim. Quero que você faça por você, não somente por mim.
Ela me olhou intensamente uns segundos.
—Por que quer que eu me apaixone por você? O mundo todo já é! Apaixonar por você é tão natural como cair.— Ela sussurrou. —Não me apaixonar seria o contrário da lei da gravidade... Mas eu não devo.
Convencido com o que ela disse, inclinei e beijei o seu rosto. —Não deve o quê? Se apaixonar por mim ou esperar para fazer sexo com sentimentos?— Sorri presunçoso e mordisquei o seu pescoço, subindo minhas mãos por suas coxas.
—N-Nenhum dos dois... Er...— Fechou os olhos para curtir a carícia.
—Posso eu tomar uma decisão?— Peguei um lençol e pus sobre o nosso corpo, trazendo-a em seguida para colá-la em mim. —Acho que você é meio insegura quanto às suas decisões. Pelo pouco que conheço você, penso que você quer se manter longe de mim, quer se manter forte, mas eu não sou alguém que você consiga resistir.— Dei um sorriso presumido e beijei a ponta do seu nariz. —Então, digamos que eu vou te fazer quebrar a resistência. Agora que você sabe o tanto que eu sou gostoso, no dia que você me quiser dentro de você, você me fala. Mas saiba que para isso, a condição é me deixar entrar em sua vida. Hoje eu só queria te mostrar o nível de prazer que você está perdendo ao se manter longe de mim. E não pense que é um prazer que você vai encontrar com qualquer um. Eu sei que nós somos únicos. Portanto, eu vou continuar te vendo, vou continuar saindo com você, mas para nos tornarmos íntimos, você vai ter que me deixar entrar aqui.— Apontei para ela e pousei a mão em seu seio.
Ela ficou calada um tempo, olhando em meu rosto, para então perguntar séria: —Defina o que você pensa da minha vida para querer entrar nela.
—Não quero pensar. Só sei que você não pode sair e que tem namorado. Mas como você gosta de ficar comigo, você vai terminar com seu namorado, e, embora eu ache careta e desnecessário o meu ato, eu vou conversar com sua família sobre nós dois.— Disse convicto.
—Vai dizer o quê? Que nós estamos namorando?— Perguntou divertida.
—Argh, não fala essa palavra.— Brinquei e a abracei. —Vamos dizer que estamos juntos seriamente. Nos conhecendo.— Sorri.
Ela balançou a cabeça em negativa, subitamente desanimada. —Eu não tenho família, Edward.— Suspirou.
—E daí? Não muda em nada.— Ignorei seu desânimo e acariciei suas costas. Ela passou um longo tempo calada. Nesse meio tempo deslizei minhas mãos sobre o seu corpo, feliz em ter me aberto com ela. —Edward, os bens da minha mãe estão bloqueados.— Ela sussurrou sem olhar para mim. —Eu não teria como me sustentar...— Ela ergueu o braço, mostrou uma pulseira, depois apontou para sua roupa próxima a cama. —Como você acha que eu uso jóias e roupas de grife?— Ela deixou no ar, e eu balancei a cabeça, confuso, não conseguindo entender de imediato o que ela dizia. Só minutos depois me dei conta da sugestão.
—Você é uma espécie de...— Olhei atentamente para ela, e ela me olhava ansiosa. —Como se diz, er...— Eu não queria falar abertamente a palavra que veio em minha cabeça e cocei minha testa, desconcertado.
—O que, Edward?
—Uma... Não sei... Querida?Sustentada pelo namorado?
Ela sorriu meio sem jeito. —Sim, uma mantida que sai escondida dele, que beija constantemente alguém que não é ele e que está a ponto de entregar o seu corpo a alguém que não é ele.— Ela frisou, me observando. Parecia querer me aterrorizar. —O que você acha disso, Edward? Isso muda seu conceito sobre mim?— Ela me olhou em expectativa, enquanto eu, perturbado, diluía tudo que aquilo significava.
Essa era uma informação que eu realmente não esperava. Podia até pensar em enfrentar seu pai, usar do meu nome e sucesso a fim de persuadi-lo para me aceitar como n-namorado de sua filha, mas imaginar que ela tinha um namorado que a mantinha, eu nunca pensei.
Ela viu o choque em meu rosto, suspirou e acariciou o meu cabelo. —Ser sustentada por alguém não é nada perto do que eu queria te poupar. Você quer descobrir mais? Vá em frente. Mas não me culpe por querer proteger você, por querer deixar a nossa ligação leve.
—Por que você demorou tanto para me falar?— Murmurei absorto, olhando para o chão.
—Eu nunca quis esconder nada de você, leãozinho. Na verdade, eu venho te dando dicas sempre.— Ela continuou deslizando os dedos nos meus cabelos, e eu fiquei calado. Eu era consciente de que pelo menos algo era certo: ela sempre tentou ser sincera. Depois de um tempo calados, ela suspirou, sorriu triste e sussurrou. —Quer que eu vá agora?
—Não.— Respondi imediatamente, fiz com que ela deitasse totalmente na cama e a abracei, enfiando meu nariz em seu cabelo. Eu não conseguia dominar a frustração que me invadia, todavia não conseguia me desapegar.
Era hilário tudo que acontecia... Passei a vida toda fugindo de compromissos. Até dias atrás defendia veementemente a idéia de alguém permanecer sem vínculos até a terceira idade, e o dia que decidi levar alguém a sério, assumindo-a como minha, essa garota, infelizmente, é gravemente enrolada, de modo que se eu quisesse me comprometer com ela, não poderia ser somente um namoro... Certamente eu teria que mantê-la.
Não que isso fosse de alguma maneira me onerar, longe disso, no entanto, para quem está começando agora, ficaria sério demais... E eu não sei se estou pronto para isso... Além disso, se uma semana depois não desse certo, provavelmente ela ficaria desamparada. Esse tipo de relacionamento não era a minha intenção.
Ela me olhava avaliativa, eu suspirei, abracei-a forte ao meu corpo, nos cobri mais e o silêncio permaneceu entre nós pelas horas seguintes.
Acordei pela manhã com cheiro de frutas em meu nariz. Respirei fundo, passei a mão na cama e a encontrei vazia. Tudo o que havia lá era um travesseiro com o cheiro do seu cabelo. Suspirei, lembrando da nossa conversa, rolei na cama, cobri minha cabeça com o travesseiro e não me permiti levantar. Eu não tinha ânimo de enfrentar esse dia.
Como se não bastasse a frustração do fim de semana, onde eu tentei desesperadamente desviar os pensamentos dela, eu começava uma semana difícil. Como no jogo da Champion sábado, contra Manchester , eu tinha feito dois gols, a Universidade em peso estava me aclamando com entusiasmo, ou seja, babando ovo mesmo. Argh, eu não acostumei ainda com toda essa atenção pós-jogos importantes, onde o reitor queria aparecer às minhas custas, onde maioria dos alunos queria comentar. Mesmo assim, pus minha capa com sorrisos e enfrentei os dias de puxação de saco. Para completar os meus dias tediosos, até quarta feira, Isy não tinha aparecido na Universidade, o que eu deduzi que fosse por talvez ela ter viajado a Haia, já que James também foi. Por um lado, até que eu achei bom o fato de ela não estar indo, uma vez que por toda a Universidade se via agitação com os últimos ocorridos em Londres com relação aos muçulmanos ─ o que certamente resultaria em hostilidades a ela.
Minha semana se passava frustrante, já que eu não tinha nem mesmo com quem conversar sobre o fato ocorrido no fim de semana, o qual estava trazendo proporções aterradoras ao meu peito. Algo inexplicável doía em mim ao pensar em Cygne. Talvez frustração, misturada com impotência, agravados por saudade. Sim, pois se antes eu sentia falta, agora todos os dias antes de dormir eu rolava na cama ansiando por seu cheiro. Eu me sentia comprimido, olhando em todo o tempo para o celular, querendo ser bastante homem ao ponto de ligar para ela e dizer que eu faria o que fosse preciso para tê-la, inclusive montar um apartamento e sustentá-la... No entanto, eu não me sentia pronto para isso.
Cheguei em casa, naquela tarde de quarta, com um pouco de tempo sobrando antes de ir para o jogo. James já tinha chegado de Haia e se encontrava deitado no sofá da sala quando entrei. Eu precisava saber se ele tinha alguma novidade, por isso parei na sala e iniciei o assunto. —E ae, James, como foi lá?— Cumprimentei-o e sentei no sofá em frente a ele.
—Hmmm, quem diria, Du, você interessado nas diligências.— Ironizou, mas então me olhou atento. —Está tudo seguindo bem. Essa semana eu depus sobre o que aconteceu minutos antes do atentado.
—Ah...— Passei a mão no cabelo. —Encontrou alguém conhecido por lá?— Tentei ser indiferente, mas estava ansioso em saber se Isy estaria lá.
—Sim, bastante. Daqui de Liverpool, o pai do Mike. De Londres, vi um ministro, o novo chefe das forças armadas, isso, além do sheik inglês amigo da minha mãe. Também vi o terrorista segurança da muçulmana da sua sala.— Ele deu de ombros. Por que será que ele viu o Emmett e não viu a Isy? Podia ser que ela não se sentisse bem em andar pelas ruas de Haia.
—Tem alguma nova sobre o atentado?— Tentei mostrar interesse, mas o que eu queria saber mesmo era saber o motivo do sheik estar lá.
—Sim. A bomba entrou na sala de reuniões não foi por meio da muçulmana que estava lá acompanhando o marido dela. Foi alguém de confiança do governo que entrou com a bomba.
—Por que você está tendo que comparecer a todas as diligências?
—Porque eu estive na reunião e vi o rosto de todos os presentes lá.— Seu semblante mudou um pouco ao lembrar-se da reunião. —Felizmente, eu estou cada vez mais perto da verdade. Tenho fontes extras que irão me levar direto ao verdadeiro responsável, o que eu tenho quase certeza que são islãs, mesmo que as investigações digam o contrário.
—Você não pode generalizar, James.
—Posso sim. Quem mais iria se interessar em interromper uma negociação favorecendo judeus que não fosse islãs? As vantagens seriam quase todas para Israel.
—Para mim, não há motivos para que você os odeie sem provas concretas. Nem para você ir atrás de vingança. Você está vendo que a justiça está sendo encaminhada.— Levantei, pronto para deixá-lo.
Ele sorriu. —O que me deixa mais calmo com relação a esse povo é que com certeza eles vão ter o que merecem depois que a lei for aprovada pelo parlamento. Quero ver se os muçulmanos vão querer ficar no Reino Unido com suas mulheres sendo proibidas de tampar os rostos, pior ainda se elas forem hostilizadas.
Virei o rosto para ele, encarando-o furiosamente. Ele arqueou a sobrancelha em confusão, provavelmente sem entender o motivo da minha cólera repentina. Indignava-me o fato de ele alegrar-se com a falta de respeito à individualidade das pessoas e irritou-me mais ainda saber que Isy poderia voltar a ser foco de hostilidades.
Depois de uns segundos somente encarando James, fiz uma careta de desprezo para o assunto, caminhei rumo às escadas e subi. Eu teria que viajar para um jogo amistoso em Londres, portanto teria que me arrumar rápido e seguir para o clube, onde pegaríamos o ônibus da equipe e viajaríamos pouco mais de duas horas até Londres, a fim de jogar contra o Arsenal.
Quinta feira, cheguei a universidade mecanicamente, dirigindo quase como um zumbi, ainda cansado do jogo de quarta à noite. Entretanto, no momento em que desci do carro e olhei para o carro estacionado na vaga ao lado da nossa, na vaga da Rosalie, foi como se um alívio instantâneo tivesse sido colocado em meus ombros por ter visto de esguelha Isy sentada no banco de passageiro, com os vidros baixos.
—É muito folgado esse terrorista.— James comentou. Para o meu azar, ele e Alice tinham vindo à Universidade em meu carro, portanto eu teria que evitar condescendência com muçulmanos na frente deles.
—Depois ele sai, James.— Apaziguei e olhei no retrovisor, vendo Rosalie dando língua para as costas de James, que estava ao meu lado. Eu quase sorri, mas somente ajustei os óculos de sol e desci. Por covardia, não cumprimentei a garota. Eu podia ver claramente que me olhava.
Ambos, James e Alice, desceram do carro depois de mim. Rose, como eu, também ficou em uma situação desconfortável, uma vez que ela não cumprimentava os muçulmanos em frente à Alice e James. Chateado com a situação, ativei o alarme e caminhei em direção ao portão, notando lá uma pequena aglomeração em frente a ele, o que chamou imediatamente a minha atenção.
—Eu não disse, Du, que as pessoas iriam começar a exigir que os islãs fossem enquadrados!— James sorriu sarcástico e olhou desdenhosamente em direção ao Jipe. Rose revirou os olhos e me olhou de canto, apontando com o olhar para trás.
—Leãozinho, acho que meu batom caiu no banco, abra o carro para mim, por favor.— Ela disse e piscou, quando já estávamos quase passando pelo portão.
Percebi rapidamente a estratégia, pensei e respondi. —Podem ir na frente que eu vou voltar lá no carro com a Rose.— Falei com James e Alice. Só naquele instante entendi o motivo da aglomeração. Tinham vários manifestantes com capuzes pretos na cabeça, em protesto, exigindo que a lei fosse obedecida, a qual dizia que em lugares públicos as mulheres muçulmanas não usassem a burca e o nicab, roupas que tampavam quase por inteiro o rosto. Algumas faixas diziam 'mostrem os seus rostos', outras 'a lei tem que ser cumprida'.
Surpreendeu-me que Mike estivesse lá, usando cartazes, com um lenço em cima do nariz. Aliás, não me surpreendeu completamente depois de sua atitude nos últimos dias. O comportamento dele levava-me a crer que tudo tinha ido para o lado pessoal contra Isy. Era ridícula a incapacidade que todas essas pessoas tinham de superar preconceitos.
Logo que James e Alice sumiram, olhei em direção ao Jipe e Emmett falava freneticamente ao celular, parando assustado quando Rosalie pendurou-se, despreocupada, em seu pescoço. Olhei para ele, dei um cumprimento com o olhar e passei direto, em direção a porta do passageiro.
—Oi, menina.— Pus meu braço sobre a janela e apoiei meu queixo para olhá-la. Ela piscou várias vezes, me cumprimentando espontânea, e eu sorri. Eu já tinha até me acostumado com o tanto de maquiagem escura que ela usava em volta dos olhos. Estava bonita.
—Senti sua falta esses dias.— Confessei. —O que trouxe de Haia dessa vez para mim?
Ela me olhou desentendida. Expliquei. —O James também foi e viu o Emmett lá, portanto deduzi que ou você tinha ido, ou tinha ficado sem ninguém para te trazer na Universidade.— Eu disse e abri a porta para que ela descesse. Devagar, ela abriu o porta-luvas, pegou um pequeno embrulho e entregou em minha mão.
Sorri, sem jeito, pois eu não imaginava que ela realmente tivesse trazido um presente.
—Eu estava brincando.—Comentei. Ela deu de ombros e ergueu novamente o embrulho, fazendo com que eu pegasse. Desconcertado, desfiz o embrulho lentamente. Antes que eu fizesse qualquer comentário sobre o presente, ela pegou um bloco de anotações e começou a escrever.
—Quero que ele fique ao lado do leãozinho de pelúcia.—
—Hmmm, tudo bem. Mas tem algum objetivo específico me dar um cordeirinho?— Eu me senti muito gay guardando nas prateleiras agora além de um leão de pelúcia, um cordeirinho.
—Depois pesquise sobre o que significa o cordeiro.
—Eu sei o que significa o cordeiro, Isy, afinal, eu freqüentei assiduamente a igreja. O cordeiro significa a aliança de Deus com os povos antigos, além disso, significa o sacrifício de alguém como troca. Porém, eu não sei o que você quer dizer.
—Um dia você vai entender.— Ela escreveu e suspirou.
—Ok. Deixa eu guardá-lo no meu carro.— Saí de perto dela, abri a porta do meu carro e guardei o pelúcia no porta luvas. Em seguida, voltei e estendi a mão para ela, chamando-a para descer. Ela balançou a cabeça em negativa e escreveu: —Estamos esperando as pessoas se espalharem para eu passar por lá.— Apontou para o portão, temerosa quanto ao tratamento que poderia ter caso passasse por eles sozinha com Emmett.
Olhei algum tempo em direção a eles estudando todos os presentes na manifestação. Era um despropósito que o futuro do país se comportasse com tal preconceito, embora em um passado não muito distante, para mim, pouco importava aquelas atitudes. No entanto, agora era diferente, me ofendia que eles a tratassem assim só por causa de uma roupa. Queriam atingi-la. Ela era a única muçulmana na Universidade.
Decidido, peguei em sua mão enluvada e a fiz descer. —Vamos, Isy. Quero ver se eles vão hostilizar você perto de mim.
Ela arregalou os olhos, confusa, sem entender o que eu faria. Mesmo assim, ela desceu e pegou o material escolar.
—Emmett, pode fechar.— Eu disse.
—Vamos dar mais um tempo.— Ele pediu, segurando firmemente na mão de Rosalie.
—Não se preocupe. Ela vai entrar comigo.— Eu disse convicto. Três olhos assustados olharam em minha direção, mas Isy foi a única a balançar freneticamente a cabeça em negativa. Rosalie olhou-me com um sorriso aprovador, já Emmett ficou sem ação.
—Escolha, Isy. Vai me dar a mão ou quer que eu te leve no colo— Perguntei sorrindo. Ela negou, desaprovando a idéia. —Para de birra. Pelo menos para alguma coisa ser celebridade por aqui deve servir.— Brinquei e Rosalie e Emmett sorriram. —Quero ver se o restante da Universidade vai te tratar mal sabendo que eu sou seu amigo.— Pisquei, ela continuou balançando a cabeça teimosamente.
Determinado, peguei sua mão e a apertei dentro da minha. Ela ficou tão chocada quanto preocupada. Sem me preocupar, forcei-a a andar, lentamente, e passamos juntos pelos manifestantes. Notei alguns celulares sendo erguidos no momento em que passávamos, outras pessoas abaixaram a faixa e me cumprimentaram com um aceno.
—Você vai sentar ao meu lado agora.— Eu só avisei, e ela balançou a cabeça em negativa. Soltei a sua mão e, sorrindo, pus o braço sobre o seu ombro, divertido com seus olhos arregalados. —Vai sentar comigo, sim. Eu não quero mais ter que ir para a cobertura para termos que conversar. Temos assuntos demais para por em dia, e você, a partir de hoje, senta todos os dias comigo.— Eu disse sorrindo em seu ouvido enquanto passava por um corredor cheio de olhos curiosos e rostos perplexos.
Ignorei-os e continuei o meu caminho, sendo seguido por Emmett e Rosalie. No íntimo, rezava silenciosamente que James não nos visse, porém, não por minha causa e de Isy, mas por causa de Emmett e Rosalie. Talvez não fosse uma boa hora para ele descobrir. Atravessei todo o corredor com o braço sobre os ombros dela, que estava tensa.
O que para mim, era amizade, possivelmente fosse ser interpretado de outra maneira pelos espectadores. Todavia, eu não dava a mínima para o que pensassem. Eu faria de tudo para que ela não sofresse mais do que já sofria.
Continua...
Olá, leitores, vou repetir aqui o que disse lá em cima, porque tem gente que não lê lá. Eu coloquei este capítulo em 1ª pessoa para que vcs me ajudassem a tomar uma decisão.
Eu não sei se continuo em 3ª pessoa ou se posto em primeira pessoa. Eu, particularmente, gosto de fics em 3ª pessoa. Acho mais bem escrita. Todavia, fico preocupada com o leãozinho. Ele é muito intenso. Gosta de xingar, gosta de palavras feias. Ele é safadinho demais. Eu fico até vermelha e com vergonha de escrever. Mas ele quer ser escrito originalmente. Então eu fico confusa. Leiam hj em 1ª pessoa e me digam o que acharam.
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BJKS
