O casal ouviu passos que iam em direção a sala de estar dos Granger, e se separaram imediatamente. Era a mãe de Hermione, que vinha com um prato cheio de sopa.

- Desculpe interrompe-los – ela parecia um pouco constrangida ao ver a filha ofegante e vermelha. Não precisava ser muito genial para saber o que havia ocorrido entre eles dois. – Mas o Sr. Snape precisa se alimentar, ordens do médico bruxo.

Snape não poderia deixar de se sentir constrangido diante daquilo. Em primeiro lugar porque a condescendência na voz da Sra. Granger mostrava que ela sabia muito bem que algo acontecera entre ele a filha dela. Depois, porque Severo Snape estava certo que nenhuma mãe no mundo iria querer que sua filha jovem e bonita se envolvesse com um homem tão velho. Sobretudo ela soubesse que além de professor de Hermione, ele também fora um comensal da morte e um espião de guerra.

- Muito obrigado, sra. Granger. – Severo Snape respondeu polidamente.

A mulher esperou enquanto o e Hermione ajudavam o homem a sentar. Depois, o prato de sopa foi entregue a Severo Snape. Logo que o homem começou a comer, Hermione e seus pais se acomodaram na sala de estar. O silêncio, porém, não imperou.

- Queremos fazer algumas perguntas a vocês. – sr. Granger começou.

- Claro. – Severo Snape assentiu, antes que Hermione dissesse qualquer coisa.

- O que ocorreu este ano, Hermione? – sra. Granger perguntou.

A menina dissertou por vários minutos contando para os pais sobre a guerra bruxa, sobre Voldemort e seus partidários, sobre a caça as horcruxes e tudo o que havia feito parte de sua vida naquele ano. Os pais de Hermione olhavam pra ela com preocupação e ao mesmo tempo com orgulho, alguns relatos da moça sobre as aventuras que ela enfrentara junto ao Eleito, impressionaram Severo Snape.

- O senhor lutou ao lado de Hermione? – perguntou o pai da moça a Snape.

- De certa forma. – o homem ponderou. Depois pensou que os pais de Hermione mereciam toda a verdade. Eles o acolheram, cuidaram dele. Sua filha salvara sua vida e o inocentara. – eu atuei como espião durante esta guerra. Quando eu era jovem, me aproximei de Voldemort e me tornei um comensal da morte. Depois, percebi o quão absurdo e equivocado era aquela ideologia. Quando o Lorde das Trevas retornou, eu fingi permanecer a serviço dele; mas dessa vez como um espião da Ordem da Fênix.

- O sr. Snape foi um herói, papai. Ele nos ajudou em diversos momentos e foi crucial para que pudéssemos vencer Voldemort. – Hermione se posicionou ao seu lado.

A forma como a moça o via ainda era estranha para ele, principalmente porque, com exceção de Dumbledore, ninguém na Ordem nunca dera muita importância aos seus serviços ou o consideravam apenas um mal necessário. Um herói? Essa não era a definição mais precisa que Severo Snape tinha de si mesmo. Também o surpreendeu que o sr. e a sra. Granger não parecessem desconfiados. Severo notou como eles acreditavam e confiavam no julgamento da filha.

- Onde vocês se conheceram? – a mãe de Hermione questionou.

- Em Hogwarts. – Hermione disse. – O sr. Snape é professor.

- Um professor? – sra. Granger questionou.

Hermione e Snape ficaram constrangidos e se limitaram a assentir. Neste momento os dois sabiam que a pergunta da mulher tinha a ver com o fato do casal estar, há poucos minutos, se beijando na sua sala de estar. Foi Snape quem quebrou o silêncio.

- Eu acredito que já esteja forte o suficiente para ser transferido para o St. Mungus ou para qualquer outro lugar. Agradeço muito o modo como fui socorrido e acolhido nesta casa, não quero abusar mais da hospitalidade de vocês.

- O senhor pode ficar o tempo que precisar. – sra. Granger afirmou.

- Muito obrigado. – Severo Snape demonstrou, uma outra vez, sua gratidão.

- Vou leva-lo a Hogwarts. O que acha? – Hermione apontou. – Madame Pomfrey pode cuidar do senhor, e estará em um local mais reservado, afinal não há alunos agora.

- Sim, é claro. – ele confirmou, descontente de se separar de Hermione. Aquele beijo nada significara para ela?

- Espere um minuto.

Hermione desapareceu no interior da casa, levando sua bolsa de contas, fez sinal para os pais para que eles a acompanhassem. Sr. e Sra. Granger seguiram a filha, deixando o Severo Snape sozinho na sala de estar; ele esperou durante vários minutos que a menina retornasse. Quando voltou, Hermione conjurou um patrono para comunicar-se com Madame Pomfrey, avisando a curandeira de que estava levando o professor Snape para Hogwarts e pedindo que ela os recebesse nos portões do castelo, onde era possível aparatar. A jovem deu as mãos para Severo Snape, e fez uma aparatação acompanhada. Os dois apareceram em frente ao portão de Hogwarts. Snape, que já estava frágil, apoiava-se em Hermione para permanecer de pé; no entanto Madame Pomfrey já os aguardava com uma maca, ela levitou seu novo paciente e o colocou na mesma.

- Ele precisa de assistência. – Hermione disse.

- É claro. – ela disse, profissional, enquanto levava o professor até a enfermaria seguida de Hermione.

Severo Snape foi acomodado em uma das camas da enfermaria de Hogwarts. Foi explicado a curandeira tudo o que ocorrera com ele e como ele estava sendo cuidado até então. Se Madame Pomfrey achou inusitado aquela menina grifinória salvar seu antigo professor de poções sonserino, a mulher não se manifestou. Já tinha chegado ao conhecimento dela o fato de que Severo Snape não era um vilão, mas um herói de guerra. As roupas do homem foram trocadas por limpas vestes e hospital e ele foi completamente higienizado através de feitiços. Os curativos da ferida foi trocado, com a ajuda de Hermione, e Severo Snape foi adequadamente medicado.

O homem já havia caído no sono quando Madame Pomfrey disse:

- Bom, já é tarde, vou me deitar. A senhorita pode ir embora, deve estar cansada depois de passar o dia no Ministério da Magia.

Depois de tudo o que acontecera entre ela e Snape, a moça mal se lembrava de ter passado todo o dia no Ministério. De repente, se sentiu cansada, como se o peso daquele dia, daquele ano, de toda aquela guerra estivesse sobre seus ombros. No entanto, disse:

- Acho que vou ficar, Madame Pomfrey.

- Tudo bem, srta. Granger. Será bom ter a sua ajuda, de qualquer forma. Mas, se eu puder perguntar, por que vai ficar por ele? Sei que Severo Snape não é o professor favorito dos grifinórios. Imaginei que fosse querer estar com sua família e seus amigos, soube que Fred Weasley... – ela pareceu incapaz de continuar falando. Era mesmo difícil aceitar a morte de Fred Weasley, era como se toda a alegria do mundo perdesse um pouco.

- Sim, foi horrível. Mas, afinal, o Weasley estão enfrentando isso juntos, como uma família unida. Podem apoiar uns aos outros, Harry está lá por eles também. – Hermione apontou. – Mas Snape... se eu não ficar por ele, quem ficará?

Madame Pomfrey compreendeu, e não disse mais nada, apenas se retirou na enfermaria. O professor não tinha, de fato, ninguém. Se sacrificara por todo o mundo bruxo e naquele momento era o mais solitários dos homens. Enquanto toda a comunidade bruxa celebrava a vitória sobre Voldemort e, ao mesmo tempo, chorava unida pelos seus mortos; um dos maiores heróis desta Guerra dormia esquecido em uma cama na enfermaria de Hogwarts.

Hermione escreveu uma carta a Harry, Gina e Rony e a levou até o corujal. Depois, deitou-se em uma cama ao lado da cama de Snape e dormiu.

NA CASA DOS WEASLEY

A família Weasley se preparava para dormir quando a carta de Hermione chegou. Foi Rony quem abriu e leu em voz alta para todos.

Harry, Rony e Gina,

Estou em Hogwarts, trouxe o professor Snape para que Madame Pomfrey cuidasse dele da melhor maneira possível. Gostaria de estar aí com todos vocês para apoia-los, vocês são minha família também. Espero que vocês entendam o motivo de eu permanecer aqui, não há ninguém mais que possa ficar ao lado dele.

Amo muito vocês todos.

Hermione.

- Não entendo porque ela se sente tão responsável por Snape. – Rony apontou.

- Não esperaria nada diferente de Hermione. – Gina apontou. – Acho que ela foi a única que realmente entendeu o sacrifício do Snape, mesmo antes de tudo isso, quando ele ainda fazia parte da Ordem da Fênix.

- Parece mais do que isso. – Rony argumentou.

- Acho que ela construiu algum tipo de relação de confiança com ele, aquela noite que eles ficaram presos juntos na sala dele. – Gina falou. – Eu tentei conversar com ela depois, ela apenas disse que Snape era muito mais do que deixava transparecer.

Rony pareceu um pouco surpreso. O menino nunca tinha questionado a amiga a respeito daquela noite que ela passara com o professor. Ele havia deduzido que tinha sido horrível, desconfortável e que os dois não tinham trocado mais do que poucas palavras.

- Não sei se entendo Hermione. – Harry se manifestou pela primeira vez. – Mas eu compreendi o que o apoio de Snape significou nessa guerra, e acho que ele merece que alguém fique ao lado dele.