Olá, foi mal pela demora rs.

Sabe, acabei me encontrando descontente com o título da fanfic, estou pensando em lugar para algo mais significativo, tipo: "Something". Acho que se encaixa melhor, mas ainda é somente uma opção por enquanto.


"Não se desespere, srta. Russo." O homem vestido em um terno marrom barato falou para a morena. "Muitas meninas e até meninos ficam confusos sobre a sexualidade nessa idade e..."

"Mas eu não estou confusa." Alex rebateu, já desconfortável na cadeira a frente da mesa do senhor. "Digo, acho que não." Ela suspirou. "Não, não estou! Eu sou gay, não tem outra explicação..."

"Como disse: é normal sentir curiosidade nessa faixa..." Ele continuou, o olhar entediado como estivesse sobrecarregado do drama adolescente.

"Não é curiosidade." Alex fechou os olhos, tentando controlar a paciência para com o homem que só sabia repetir a mesma frase em palavras diferentes. "Não é curiosidade. Eu sei que não é. Me recusei a ver por muito tempo mas agora é tão claro que..."

"Então você beijou umas meninas e decidiu que é gay?" O homem falou sarcástico.

"Não. Não é problema de contato físico, sr. Jackson." Alex tentou novamente. "Eu já transei com meninos e meninas se esse for o caso." Menina, se corrigiu mentalmente. "Olha... a verdade é que eu acho que estou apaixonada por uma garota e isso me assusta, só queria ver se o senhor sabe algum jeito de controlar essa ansiedade. Se é algo biológico. Se tem algum remédio para não me sentir..." Estúpida. "Estranha o tempo todo."

Sr. Jackson a encarou por alguns segundos e se inclinou para a gaveta embutida na mesa envernizada. "Aqui." Estendeu uma caixinha de remédio comprida e amarela na direção da jovem, que ajeitou o cabelo atrás da orelha antes de pegar com os olhos estreitos. "Há remédio pra tudo hoje em dia."

Alex nunca se sentiu tão desprovida de inteligência. Como no inferno ela pensou que o psicólogo da escola poderia ajudá-la de alguma maneira.

Fechou a porta da sala pequena, quase trombando com o garoto encostado na parede.

"Nate." Alex diz confusa.

"Alex?" Os olhos do menino se surpreendem. "O que está fazendo aqui?"

Alex olhou para a porta do psicólogo e sorriu sem graça. "Precisava de uns... conselhos. Bem, e você?"

Nate pegou a bolsa aos seus pés, apoiando-a no ombro. "Também precisava."

"Vai entrar?" Alex perguntou, apontando para a porta.

"Não. Não mais." Nate responde.

"Por quê?"

"Porque esse homem é um idiota de terno. Duvido que realmente tenha um diploma" Nate suspira e Alex sorri. "Não sei por que ainda venho aqui." Alex olhou para o garoto com cautela. Eles começam a andar pelo corredor vazio. "Pensei que vinha aqui pra aprender a falar sobre mim á outras pessoas, mas... nem acho que ele escuta."

"Na verdade não sei nem se ele estava vivo naquela cadeira." Alex concordou e eles riram. Quando o silencio caiu novamente Alex limpou a garganta. "Não deveria ser tão difícil falar coisas sobre nós mesmos."

"É." Nate concordou. "A única coisa que ele faz é me dar isso." O garoto de cabelos enrolados tirou uma caixa de remédio aberta do bolso mais acessível da mochila.

Alex franziu o cenho para o medicamento, tirando a embalagem amarela do próprio bolso e colocando lado a lado com a do colega. Eles riram quando viram ser idênticas.

"Nem isso ele faz." Alex conclui, jogando o remédio no lixo mais próximo. Ela suspirou com o silencio, Nate focando o corredor a frente com nervosismo. Ele sempre parece desconfortável, pensou Alex. "Ei." Ela puxou o braço do rapaz, parando-os perto dos armários. "Eu vou tentar."

"Tentar o que?" Nate perguntou preocupado.

"Ser honesta." Alex respondeu. "Contar algo sobre mim. Algo... algo..."

"Profundo." Nate tentou e Alex acenou.

"Sim! Profundo." Concordou. "Certo. Afinal, não há nada de errado nisso." Deu de ombros, tentando realmente pensar que não era nada de mais. "Eu gosto de garotas." Falou e sentiu um peso deixando seus ombros. "Sim, eu gosto. Gosto de sexo. Sexo com garotas." Se empolgou, sorrindo. "Seus cabelos compridos, pele lisa, lábios vermelhos e delineador." Alex continuava sorrindo mesmo depois de perceber que havia descrito Mitchie. "Então?"

Focou o garoto mais uma vez. Seus olhos arregalados a assustou por dois segundos, mas respirou fundo tirando mais esse peso dela. Ela não se importava, percebeu.

"Exatamente, Nate. Eu sou gay." Alex concluiu. "É, não foi tão difícil." Mas o menino ainda continuava paralisado. "Qual é, Nate."

O rapaz piscou duro, abaixando a cabeça. "Meu Deus, ainda bem que eu superei minha queda por você no primeiro ano."

Foi a vez de Alex se assustar. "Quê? Você tinha uma queda por mim no primeiro ano?" A morena quase achou nojento mas percebeu o que tinha acontecido. "Ei ei, nós nos abrimos um para o outro." Ela comemorou.

Nate deu de ombros, mas Alex sabia que ainda estava em choque. "É... não foi tão difícil." Repetiu a frase da amiga, mesmo não lembrando que ela tinha falado primeiro.

"Nós deveríamos fazer algo sobre isso." Alex pensou em voz alta. "Tipo, trabalhar nas nossas fraquezas."

"Trabalhar nas fraquezas?" Nate repetiu novamente. "Seria bom se eu conseguisse abrir a boca em publico. Digo, até agora, sozinho com você, me sinto um estúpido... não consigo." Respirou fundo. "Mas seria legal pedir para Shane parar de bagunçar meu cabelo toda vez me que cumprimenta na escola."

"Bem, então você já sabe por onde começar." Alex sorriu. "Vamos eu te ajudo. Cadê o Shane?"

"Foi pra casa mais cedo."

"Ok, então vamos." Alex sorriu, puxando o rapaz pelo braço até a saída do colégio.

...

Alex percebeu que Nate ficou um pouco mais confortável quando entrou em casa. Não era a primeira vez que Alex tinha vindo aqui e sabia que os dois meninos Gray tinham um irmão mais velho, mas nunca tinha propriamente o visto. E as fotografias da mãe-Gray não eram nem um pouco atualizadas, percebeu Alex quando o homem saltitante desceu alegremente a escada.

"Ei, Jay." Nate cumprimentou e o irmão sorriu.

"Ei, Nats." Jason sorriu bobo e esfregou a mão no cabelo do irmão com a agressividade que Alex notara ser comum entre brincadeiras masculinas.

"Diga a ele." Alex falou, virando-se para Nate.

"Jason." Nate respirou fundo. "Pode, por favor, parar de bagunçar meu cabelo? Não acho isso legal e..."

Jason parou o irmão ao erguer a mão. Alex focou o Gray mais velho e ficou sem reação para o olhar de confusão do homem. "O que você está fazendo aqui?"

Alex franziu o cenho, mais confusa que Jason. "Quê? Eu... olha, eu nem te conheço." Falou simples.

"Mas..." Olhou escada a cima e abaixou a cabeça com uma risada alta de compreensão. "Ah, acho que entendi."

Alex olhou discreta para o amigo ao lado e se viu na expressão de Nate.

"Ok." Nate respirou fundo novamente, esquecendo da conversa do irmão. "Cadê o Shane? Preciso falar com ele."

"No quarto." Jason respondeu, o olhar ainda em Alex, o que a deixou constrangida.

Nate pegou a mão de Alex e puxou-a escada a cima, a menina evitando qualquer tipo de contato com Jason.

Mais um estranho na família, Alex pensou.

"Shane, Shane, precisamos conversar." Nate bateu na porta do irmão.

"Nate? Cara, estou ocupado agora, mais tarde conversamos." A voz abafada veio de trás da porta.

"Ah, hm, tudo bem, então falo outra hora." Nate virou as costas e trombou em uma Alex aborrecida.

"Tá falando sério?" A morena tinha os braços cruzados. "Por Deus, eu vou precisar fazer isso." Falou em interrogação e jogou a porta aberta.

Demorou um pouco para Alex perceber o que realmente estava acontecendo mas se arrependeu de ter aberto a porta no exato momento que viu a cena.

Shane estava deitado na cama, e uma menina morena se movia sentada em sua pélvis, de costas para a porta. Ambos nus, mas, pela graça de Deus, um lençol tampava a parte mais importante da festa.

"Mikayla!" Alex percebeu e a menina se virou para encará-la, em choque.

Mikayla se jogou para o lado de Shane e roubou um pedaço do lençol.

"Porra Jason, eu falei pra não deixar ninguém entrar." Shane falou para o irmão atrás de Alex.

"Mikayla, o que você está fazendo?" Alex perguntou incrédula. Não estava brava, só surpresa demais para pensar.

"O que estou fazendo? O que parece que estou fazendo, sua idiota?" Mikayla respondeu rápido.

"Pessoal, por favor..." Jason tentou mas Alex o interrompeu.

"Você não me disse que vocês estavam... se vendo."

"Ah, desculpa, quer que te passe minha agenda com todos os meus horários e nomes?" Mikayla ironizou. "Agora, se você não se importa, estamos ocupados."

"Isso está errado." Nate começou, ainda paralisado. "Shane você... você não pode..."

"É um país livre, Nate." Mikayla interrompeu o garoto. "Que tal vocês irem para o outro quarto e tentarem algo? Alex está livre pra você."

"Quê? Isso é ridículo. A Alex é gay." Quando percebeu já tinha falado em um fôlego. Tapou a boca com a mão, se impedindo de respirar.

As juntas de Alex pareceram ficar mais pesadas, o ar lhe faltou e não conseguiu encarar a irmã.

"Isso... isso não é verdade." Mikayla riu nervosa. "Não é. Certo Alex? Não é." Alex continuou quieta, o olhar baixo. "Me prometa que não é verdade."

Alex suspirou, evitando contato visual com todos e quase correu para fora da casa.

...

Mitchie arrumou a jaqueta de couro ao encontrar Miley e Mikayla na fila. "Não sei por que vim." Falou.

"Oi pra você também. Vou bem, obrigada e você?" Ironizou Miley e Mitchie revirou os olhos.

Mitchie focou Mikayla por um instante e se confundiu com o olhar curioso da morena. "Quê?" Perguntou.

Mikayla balançou levemente a cabeça. "Nada." Falou rápido. "Nada."

Mitchie estreitou os olhos. "Não vai ser filha da puta comigo hoje? Estou esperando minhas chibatadas."

Mikayla parecia nervosa, percebeu Mitchie, mas um tipo diferente de nervosismo que não conseguia identificar. Não era nervosa como Alex ficava a sua volta, era como se estivesse... arquitetando os pensamentos.

"Você ainda não deu nenhum deslize." A morena falou simples. "Além de continuar respirando, claro."

Mitchie revirou os olhos e voltou o olhar para Miley.

"Cadê o Shane?" Perguntou.

"Porque estaríamos com ele?" Miley franziu o cenho, confusa.

"Ele me mandou uma mensagem pra encontrar vocês na fila, então pensei que estava com ele." A garota do piercing se apoiou na parede suja. Estavam esperando na fila para uma das boates mais famosas de sua faixa etária sedenta por sexo, drogas e música ensurdecedora.

Mitchie não sabia se gostava de boates. Muitas pessoas juntas a incomodava e, embora ela sempre consiga manter o controle de si mesmo, sempre tem um otário que passa do limite e precisa ser vigiado. Mas, por outro lado, a música alta a fazia esquecer-se de pensar, às vezes. E não precisar de um motivo pra se drogar era bom. Todas as vezes que cheirou cocaína fora de um local publico tinha um motivo. Parar de pensar, parar de sentir, querer voar, precisar parar o tempo. Os motivos eram infinitos na cabeça adolescente. Mas em uma boate você não precisa ser especifico, afinal, é uma boate.

"Meninas!" Ouviram o grito de Shane do fim da fila. "Cadê vocês?" O garoto tinha um jeito peculiar de procurar as amigas.

Isso era uma das coisas que mais intrigava Mitchie sobre Shane: não importa o quão normal ou anormal a situação seja, ele sempre faz tudo muito simples e a saída é recitada em tom óbvio pela voz esganiçada e enfeitada de palavrões.

"Aqui." Miley chamou-os e Shane correu, a abraçando com força.

"Ei gata, beleza?" O rapaz tentou, mas Miley o afastou com um soco no peito. "Ai."

Nate, que ofegava atrás do irmão, sorriu simples para Mitchie.

"Pronto, a turma toda reunida." Shane comemorou, jogando as mãos para o alto. "Vocês três aqui, nós acabamos de fechar e a Alex já está lá dentro."

"Quê?" Mitchie e Mikayla falaram em uníssono, o mesmo tom incrédulo.

Shane franziu a testa. "Qual o problema?"

"Nenhum." As duas falaram novamente, olhando entre si.

Mikayla abaixou o olhar primeiro e Mitchie ficou ainda mais confusa.

"Perdi alguma coisa?" Mitchie sussurrou para Miley, apontando discretamente para Mikayla enquanto Shane gritava para os carros na rua.

Miley sorriu pequeno. "Acho que ela está se preparando para defender o território."

"Quê?" Mitchie franziu o cenho.

"Alex?" Miley falou óbvia.

"Quê?" Repetiu Mitchie, a voz ainda mais baixa. "Não estou tentando algo com Alex, não tem nem..."

"Mitch, por favor."

Mitchie respirou fundo, jogando a cabeça contra a parede. "É tão óbvio assim?"

"Bem, não precisa ser um gênio pra desconfiar."

"Eu sou hétero." Mitchie recitou.

"Tem certeza?"

O olhar irritado quase fez Miley rir genuinamente.

"Se eu falar não... vou me arrepender?"

"Provavelmente." Miley respondeu. "Mas não porque falou pra mim. Mas sim porque falou pra si mesmo."

...

Alex ficou um pouco perdida quando entrou na boate escura. Demorou um pouco para a vista não doer com as luzes coloridas mas logo já tinha se misturado, pulando junto com a massa.

Pagou uma garrafa de tequila e procurou seu caminho para o pequeno palco onde um DJ tocava seu eletrônico-metal. Ela merecia uma festa, disse a si mesmo, muita merda estava acontecendo e não podia simplesmente não tentar se esquecer por algum tempo.

Ela era uma idiota, sabia disso. A idiota que corria atrás de todos. Corria atrás da irmã quando Mikayla estalava os dedos, abaixava a cabeça para quase todo abuso de autoridade, e era ela quem puxava o braço de Mitchie quando a relação ameaçava se afastar. Ela era a fácil. A simples. A óbvia.

Tomou um gole comprido na boca gelada do vidro. Não se lembrava onde tinha deixado sua blusa de frio e nem de quando tinha tirado, mas tudo o que sobrou foi a regata apertada que sempre usava para proteger o peito do vento forte das ruas. Sentia mãos passando por seu corpo, masculinas em sua maioria mas percebia algumas palmas suaves que sabia serem femininas. Parecia que ela conseguia cheirar qual toque era de quem, e sentia todos.

Tinha essa consciência que era a fácil da história mas por mais que quisesse mudar-se, sabia que, no final, acabaria voltando ao zero de sempre. Essa era a natureza que exalava no coração de Alex. Ela não conseguia viver sem as pessoas que ama e, para não se machucar, abaixa a cabeça e pedi desculpas quando é mandada.

Mitchie. O que ela sentia por Mitchie era indescritível. Um indescritível desejo que ia além de sexo. Negou isso por muito tempo, claro, mas agora ela percebia que recusar-se a ver não iria diminuir essa necessidade.

Se ela não corresse atrás de Mitchie, sabia que a do piercing nunca faria o mesmo. Se Mitchie não quisesse algo-a-mais, nomeou Alex, elas ficariam só na amizade, tudo bem para Alex. Ela só queria ter algum contato com a garota, poder chamá-la de amiga novamente. Mas Mitchie não queria só amizade, sabia Alex.

Elas transaram, caralho. Transaram totalmente sóbrias. Elas transaram e Alex ainda arrepiava quando lembrava de seu nome sendo sussurrado por Mitchie. E depois Mitchie partiu, mas apareceu em sua porta clamando por desculpas. Como no inferno Alex ignoraria a própria natureza mansa depois de ouvir o choro arrependido de Mitchie? Ela era idiota, mas isso era ela. A menina que aceitava ouvindo o coração.

Se Alex era a tranqüila porque ouvia o coração, raciocinou por cima da música, Mitchie era a complicada por se recusar a ouvi-lo. Se Mitchie se recusa a ouvi-lo, está repreendendo algo e esse algo era de Alex, a morena sorriu.

Eu sou gay, recitou mentalmente, uma leveza não-humana a levantando do chão.

Foi puxada de seus pensamentos. Tudo passou de slow-motion para real nos segundos que sentiu dedos quentes puxando um de seus pulsos para fora da pista de dança.

A música foi se afastando da mente confusa de Alex. Já estava bêbada, percebeu.

"O que você está fazendo aqui?" Ouviu a voz da irmã, a cabeça ainda muito vazia. "Porque não me avisou que..."

"É um país livre, não é?" Riu sarcástica, focando a figura irritada da irmã a sua frente. Elas estavam em algum lugar do lado de fora da boate, Alex não soube exatamente onde.

"Não me diga que ainda está brava por aquilo." Mikayla revirou os olhos. "Foi uma transa. Só. Qual é, é o Shane."

"Cala a boca." Alex pediu, quase gentil.

"Cala a boca você com essa conversa de ser gay." Mikayla falou e Alex quis socá-la por usar esse tom autoritário de sempre. "Você não é gay, ok."

"Quem é você pra dizer o que eu sou ou não?"

"Sua irmã!" Mikayla gritou. "Sua irmã gêmea!"

"Então, em alguma lógica da sua cabeça, você me conhece melhor que eu mesmo?"

"Claro!" Mikayla respondeu. "Lembra da história que a mamãe nos contava? Que almas sortudas ganhavam companheiros eternos desde o útero? Eu sou teu anjinho!"

"Você não acha que, pela lógica, eu sou o teu anjinho porque nasci seis minutos depois?" Alex deu ênfase no tempo que Mikayla tanto citava.

"Mas... você é meu anjinho também." Mikayla falou. "Somos o anjo uma da outra. Conhecemos uma a outra."

"Não, Mickey." Alex balançou a cabeça. "Eu não te conheço. Não conheço seus segredos. E você não conhece os meus."

Mikayla olhou para a maquiagem borrada da irmã. Todos falavam que elas eram tão idênticas e não conseguiu controlar uma parte do ego de se orgulhar de si mesmo, por que a irmã era linda.

"Mas você não pode..." Mikayla tentou novamente, a voz mais baixa. "Eu não deixo."

"Não é questão de deixar, Mikayla." Alex revirou os olhos. "Sabe o que é um segredo? É algo que você tem medo de admitir. Se eu estivesse bem com essa minha parte porque manteria em segredo?" Construiu a linha para a irmã. "Realmente acha que quero ser assim? Eu não acordei de um dia para o outro e decidi ser gay. Decidir correr o risco de ser violentada em todos os sentidos."

Mikayla ficou ali parada, encarando a irmã. Alex via os olhos irritados de Mikayla, o lábio franzido.

"Mikayla, Shane estava procurando voc..." Mitchie parou ao perceber a cena. "O que está acontecendo?"

Alex foi a primeira a quebrar o olhar da briga, deixando os sentidos alterados focar a garota ao lado. O piercing de sempre brilhando na boca vinho, a pele branca com os olhos escuros e o cabelo fino. Não se preocupou em repreender o sorriso quando viu a jaqueta de couro que vestia, uma camiseta branca simples por baixo e o jeans com coturno.

Mikayla focou a menina de cabelo preto. "Isso..." Começou com a voz calma, como se estivesse perdida, mas pulou para um grito ao apontar o dedo para Mitchie. "Isso é tudo culpa sua, sua lésbica do caralho. Você agarrou minha irmã e agora ela pensa que gosta de meninas só porque se deixou ser beijada. Não acredito que..."

"MIKAYLA!" Alex gritou. "Ela não me beijou, cacete, eu a beijei. Eu a beijei."

"Você pensa que beijou porque estava drogada." Mikayla contrapôs. "Aposto que foi ela mesmo que colocou LSD na sua bebida para..."

"Qual é o seu problema, Mikayla?" Alex gritou novamente. "Eu não estava drogada, ok, não estava. Disse ter tomado LSD por que estava com medo que você descobrisse sobre eu ser gay. Eu a beijei porque quis, a beijei por que... a acho linda e..."

"Não, Alex, não." Mikayla pegou a garrafa dos dedos da irmã. "Você está muito bêbada pra estar falando coisa com coisa."

Não estava tão bêbada assim, pensou Alex.

Mitchie era uma estatua na conversa, o choque estampado nos olhos. "Mikayla, eu..." tentou mas Mikayla a interrompeu.

"Cala a boca, porra." Gritou, voltando a encarar Mitchie. "Eu quero te matar agora. Por que você tinha que aparecer na nossa vida? A única coisa que fez foi contaminar minha irmã com esse vírus nojento..."

"MIKAYLA!" Alex gritou de novo.

"Não, Alex, deixe-a falar." Mitchie parou Alex. "Pelo jeito ela precisa culpar alguém quando encontra uma diferença entre vocês duas. Talvez na cabeça dela vocês sejam uma pessoa só."

Mikayla levantou a mão para bater em Mitchie mas os reflexos bêbados de Alex perceberam e ela agarrou a mão da irmã. "Não encosta nela." Alex falou e Mikayla prendeu a respiração.

"Você vai ficar do lado dela?"

Alex olhou para Mitchie, os olhos delineados a encarando de volta. "Bem, pelo jeito não estamos no mesmo lado faz tempo." E agarrou a mão de Mitchie, correndo para dentro da boate novamente.

Percebeu o barulho horrível da música, estreitando os olhos ao passar entre a pequena multidão. Sabia que tinha deixado a irmã gritando sozinha, mas isso não era importante agora.

Sentiu os dedos de Mitchie entrelaçarem aos seus enquanto ainda puxava a menina sem um objetivo certo. Parou entre as pessoas pulando e, com um passo, Mitchie encostou a boca em seu ouvido. Não era para ser algo sensual, Alex sabia, mas não evitou o arrepio ao sentir a fala soprada no pescoço.

"Vamos sair desse inferno." Foi o que Mitchie disse e puxou o corpo de Alex para o dela.


Believer - American Authors

Reviewssss.