CAPÍTULO OITAVO
ou "Uma noite realmente agradável"
Depois do beijo, soltaram-se. Minerva, meio incrédula meio chocada, deu alguns passos para trás, levando de imediato os dedos aos lábios entreabertos. Fez-se, por um momento, um silêncio estranho, como se nenhum dos dois estivesse com muita coragem de dizer qualquer outra coisa. Minerva quis muito acabar com ele, mas não soube como, de repente todas as palavras tinham simplesmente lhe fugido. Ela ainda não tinha acreditado muito no que tinha acabado de acontecer quando, por fim, depois de deixar escapar um risinho encabulado, Albus a olhou bem fundo nos olhos e disse:
– Fabuloso. – Tão sonhador que soou, que Minerva teve de se perguntar mentalmente que ele se referia ao resultado da partida ou ao que tinha acabado de acontecer entre os dois.
Ainda sem saber o que dizer, ela acabou por rir de um jeito um tanto nervoso. Mas então, o seu riso nervoso acabou-se e lhe ficou um sorriso bonito pregado nos lábios. O sorriso de alguém que se vê, de repente, completamente feliz.
Por mais louca que fosse a situação, e por mais inesperada que fosse aquela felicidade – bem no meio de um início de guerra! bem no meio da absurda intervenção do Ministério e da insuportável presença de Umbridge em Hogwarts! – Minerva de nenhum modo poderia negar que fosse sincera e profunda. Esqueceu-se de imediato de todos os senões, de todos os poréns... sentiu se dissolver qualquer receio, medo ou cautela. Não pensou em nada. E se sentiu de um modo que há muitos, muitos anos não sentia.
Quando muito moça, certa vez tinha conhecido um rapaz, um rapaz com quem se relacionar parecia ilógico e mais complicado do que o aceitável. Se ela tivesse pensado bem, se ela tivesse, só por um momento, tentado visualizar racionalmente a situação como um todo, talvez tudo tivesse sido diferente. Talvez não tivesse fechado os olhos e se jogado em um namoro apaixonadamente louco. Com o passar dos anos atribuiu esse desajuízo à idade. Com seus 18 anos e os hormônios à flor da pele quem poderia ter pensado direito? Quem teria querido pensar direito? Depois daquilo, nenhum outro relacionamento foi igual. Nenhum outro foi tão intenso e desesperado. Nenhum outro. Mais tarde, ao se envolver seriamente com alguém sempre fez questão de caminhar um passo de cada vez, considerar tudo de modo muito sóbrio, quase frio, afim de não se machucar desnecessariamente. Foi casada por 4 anos, 4 ótimos anos, e depois... nunca mais. E agora, depois de viúva e velha (como se considerava), via-se novamente numa situação estranhamente parecida com a primeira de todas.
Em um segundo, provavelmente menos, já se via envolvida. Tinha sido só um beijo e mais nada. Quem, em sã consciência, tomaria isso como uma garantia de amor? Amor.
Amor.
Seu coração agora queria sair pela boca, pulsando forte, quase que dolorosamente.
Ela o amava de todo o coração, e tinha passado só um mísero segundo. Ela o amava e estava certa de que ele retribuía. Devia ser o modo abobalhado como ele a olhava, ela pensou consigo, que o denunciava. Provavelmente ela tinha um expressão muito parecida no rosto. Sorriam bobos um para o outro, é verdade. Ambos sem jeito. Ambos confiantes e perfeitamente radiantes.
– Então... – ele disse, a voz soando estranhamente rouca – devíamos jantar juntos hoje. Sinto falta da sua companhia. E... talvez...
Ele pensou em dizer que talvez devessem conversar sobre o beijo, sobre... a situação, e ela soube que era isso, mesmo sem ele dizer. Sorriram sem jeito.
– Eu adoraria.
– Ótimo. Eu vou providenciar, então.
Mas ele não se mexeu. Ficaram ainda por um longo instante em silêncio, até que Minerva assentisse com a cabeça e pedisse licença. Se enfiou no banheiro, onde pôde, sem se sentir ridícula, rir-se e sorrir amplamente para o seu reflexo no espelho, cobrir a boca com as mãos, meter-se em devaneios, passar os dedos pelos cabelos até os desarrumar, e depois tornar a arrumá-los com um feitiço. E tudo isso lhe tomou uns bons minutos, tempo que Albus tratou de usar para conjurar uma mesa, duas cadeiras e pedir a um elfo que lhes trouxesse o jantar.
Jantaram juntos quase que em silêncio. Um jantar com ares de encontro. Estranhamente agradável.
Antes de dormir, Minerva resolveu tomar um banho - particularmente longo, aliás – e Albus ficou se perguntando, muito ansioso, se havia alguma chance de que isso pudesse significar algo além do óbvio. Algo como... uma intenção, talvez. E sem querer parecer afobado, dispensou um banho depois do dela... mas não se conteve a lançar vários feitiços em si mesmo, ficando, muito provavelmente, mais limpo e agradavelmente perfumado do que em qualquer banho, por mais caprichado que fosse, poderia o deixar.
Em nenhum momento tiveram coragem de conversar abertamente sobre o beijo, e quando foram se deixar, o fizeram como sempre faziam.
Teria sido um deitar-se perfeitamente habitual, se não fossem os longos minutos que passaram sem conseguir dormir. Coisa notada por ambos, que a essa altura já conheciam muito bem o ritmo da respiração um do outro, acordada e adormecida. Por quase uma meia hora, que pareceu ter durado uma eternidade muito ansiosa, os dois esperaram por um sinal, um movimento, ou talvez até uma palavra além do boa noite costumeiro.
E esse movimento foi de Albus.
Muito devagar, com muito cuidado, ele foi se chegando por trás dela, como quem se ajeita para dormir de conchinha, e lhe pôs a mão sobre a cintura, exatamente no mesmo lugar de mais cedo. Como ela demorasse a reagir – do modo que fosse – ele, com medo de parecer invasivo, já ia pensando em, também muito devagar, tirar a mão e voltar para o seu lado da cama, onde estava até um momento atrás. Mas então ela, de repente, colocou a mão sobre a sua, fazendo um carinho leve. Se ele estivesse olhando pro rosto dela, o que, é claro, naquele momento não era possível, tanto por estar bastante escuro quanto por não estarem de frente um pro outro, ele a teria visto mordiscar o lábio a conter um suspiro.
De qualquer modo, ele não precisou ver isso a sentir uma coragem louca de correr os dedos um pouco além, de se aproximar mais e mais e de procurar por mais beijos. Beijos, aliás, que foram retribuídos com tanta animosidade que até mesmo ele se surpreendeu.
Digamos apenas que a noite foi bem mais agradável do que qualquer um dos dois tinha suposto de início. E que mesmo sem muitas palavras se entenderam perfeitamente bem. Isso até, por volta das duas da manhã, adormecerem bastante felizes nos braços um do outro.
Continua.
N/A: Devo pelo menos duas mil desculpas pelo atraso com essa fic, esse mês está terrivelmente corrido pra mim, gente, e realmente não deu pra atualizar antes, mas prometo não demorar tanto com o próximo. Não sei se vai dar pra chegar às postagens semanais outra vez antes de janeiro, mas prometo dar o melhor pra isso, ok? Também devo agradecimentos pelo apoio, tem muita gente lendo, acompanhando e comentando, e, sério mesmo, isso pra mim é a coisa mais linda que tem! MUITO OBRIGADA, GENTE! É muito bom saber que estão gostando!
Ah, outra coisa, como a classificação dessa fic está T e eu não quero alterar, vou escrever um capítulo "8 e meio" e postar separado, contando a segunda parte desse aqui um pouco mais detalhada, se é que me entendem, heheh, posto dentro de alguns dias e depois deixo o link. De início eu não ia escrever, mas Albus ficou me encarando com olhos de gato-de-botas, e... aaahhh, eu preciso, gente, eu preciso! hahaha, mas quem não tiver interesse em ler, pode passar direto pro 9 que o entendimento não vai ficar comprometido, ok? :D Nenhum problema!
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Sonny: nhooooooom, COM CERTEZA! hahahaha, obrigada por acompanhar, rapaz!
Deia: Muito obrigada, guria! obrigada pelo review!
Pam: ai ai, sem dúvida nenhuma! :D obrigada pelo review!
Pearll: valeu, guria! ah, eu tenho vontade de segurar aqui, conter ali, mas o cara é o diabo de teimoso e fica fazendo biquinho, me olhando com aqueles olhos brilhantes, ai ai, acho que vou é seguir o seu conselho mesmo, viu? deixar ele aproveitar, que o velhinho merece. 3
Mellie: hahahah, valeu, guria! obrigada por sempre comentar! :D
Nana: Que bom que gostou, menina! obrigada! e, tem razão, ele andava doido por isso! hahaha
Mamma: Wow, quantos reviews de uma vez só, até assustei aqui, guria! hahaha, que bom que você apareceu! estava sentindo falta dos seus comentários,viu? E que bom que curtiu a história! :D quanto ao episódio citado, bem, bem... eu tenho que admitir que era o plano original, Albus trapaceou e mudou o desfecho dessa fic, mas... não vou ter como evitar o ataque, talvez chegue lá no próximo capítulo ou no outro, porque, bem, é como a coisa toda acontece mesmo, a história está quase chegando em junho...até me dá um aperto no peito ao pensar! snif
