Luna Del Rey: UAHIUHAAIUHAUIA É, a madrasta dele é um saco! Jesus Amado! E er... o Kanon... bem o Kanon já ta começando a por as asinhas de fora... Obrigada pelos elogios... ^^ EU não ligo não, nem acho que seja puxação de saco. Pelo contrário até gosto e quando o texto realmente está bem escrito, eu também elogio bastante, afinal de contas, isso incentiva o escritor a continuar escrevendo não só aquela história, como outras. A mocinha original do livro não é assim pra frentex que nem a Annabelle. Pelo contrário. Ela é meio complexada pq é o patinho feio da família e fica repetindo isso a historia inteira. Eu quis fazer a Annabelle meio que no estilo das heroínas da Jane Austen. A Lizzie pra ser mais sincera... kkkkkk Mais adiante ela vai mostrar realmente quem é... xD

Metal Ikarus: Não mesmo! xD Mas já já você descobre mais coisas sobre o Kanon... xD


Capítulo XIII

- Só espero não ofendê-la.

- Não creio que vá. O que aconteceu em Oxford? – perguntou certa de que ele omitiria vários detalhes.

- O início de sua carreira. O Duque se meteu em uma discussão de taverna que acabou se tornando uma briga. Houve um incêndio que queimou o estabelecimento até o chão. Muitas pessoas ficaram feridas, inclusive seu amigo, o Duque de Ravensbrook. Dizem que ele jamais foi visitar o homem. E ao saber disso, o pai do duque, que já não gozava de boa saúde, caiu de cama e morreu pouco depois. Também havia outras coisas em Oxford. Dividas de jogo e...

- E...? – insistiu Annabelle notando que o reverendo não estava a vontade com aquele assunto. – Mulheres, não é?

O reverendo apenas assentiu.

- Muitas. Em sua grande maioria, damas desonradas. Mesmo aqui. Mas não acho que este seja um assunto apropriado para estarmos discutindo.

Annabelle concordou em silêncio pois descobrira que não gostava de escutar a respeito das mulheres do duque.

- Mas ainda acho intrigante que um homem depravado como este passasse a noite toda à beira do leito de morte de um outro.

- Como disse?

- O duque ficou ao lado de Ilias a noite toda, até ele morrer.

- É mesmo?

- Foi Regulus quem me , aqui nos separamos. – anunciou o Reverendo Wyvern e Annabelle viu que estavam no outro extremo da cidade, perto do rio. A estrada se bifurcava, umas das trilhas levando às moradias dos habitantes mais pobres da cidade e, a outra, na direção de Barroughby Hall. – Tenha um bom dia, Lady Annabelle.

- Bom dia, Reverendo. E não se esqueça do que eu disse a respeito da Srta. Sackville Cooper. Ela gosta do senhor.

- Gostar não é bem o que eu quero. – disse tristemente, antes de seguir seu caminho.

Percebendo que a chuva parecia se aproximar, Lady Annabelle decidiu pegar um atalho pela parte da cidade próxima ao rio. Não era a melhor região, mas permanecer na estrada principal só prolongaria a viagem.

Logo se aproximou da rua cujo nome já ouvira os criados cochichando quando achavam que ela não estava escutando – Stanford Street, onde morava Sally Newcombe.

Annabelle apressou o passo, ansiosa para deixar este lugar e a lembrança do Reverendo Wyvern dizendo "até mesmo aqui...", ao referir-se a certas atividades do duque.

Annabelle reprimiu um tremor. De repente via-se torcendo para que as histórias sobre o duque e Sally Newcombe não fosse verdadeiras. Afinal de contas, por que um homem como ele teria de pagar pelas afeições simuladas de uma mulher?

A poucos metros de Stamford Street, o ruído de cascos na rua calçada e um grito a fizeram se deter.

Saga praguejou e puxou as rédeas com tanta força que Florence quase sentou nas patas traseiras.

- Saia da minha frente sua tola! – gritou para a mulher que atravessava no meio da rua, mas quando viu os olhos esverdeados de Annabelle Pimblett e seu rosto pálido a fitá-lo, Saga desejou ter passado mais tempo na companhia de Sally. Ela o fitou por um instante, depois, abaixou os olhos e corou, como se houvesse sido ela a ser flagrada deixando um lugar de reputação duvidosa.

- O que diabos está fazendo no meio da rua? E nesta parte da cidade? – indagou ao desmontar

- Se já tivesse ideia da resposta, meu senhor, poderia lhe perguntar o mesmo. – ela retrucou retomando uma parte de seu orgulho costumeiro.

Foi então que notou o perfume de Sally exalando do corpo dele.

- Podia ter sido atacada, ou roubada.

- Talvez por um vendedor de perfumes errante, não é? Voltava para Barroughby Hall e como o tempo está feio, decidi pegar o caminho mais curto.

- Este não é lugar para uma mulher.

- E também não é lugar para um duque. – ela retrucou deixando Saga momentaneamente sem palavras diante da impertinência. – E se me der licença, meu senhor, é melhor que eu me ponha de volta em meu caminho.

- Sempre foge de mim.

- E não deveria? Se bem me lembro, me disse para que eu tomasse cuidado com o senhor.

Saga soltou um suspiro contrariado.

- Ainda assim, milady, insisto para que permita que eu a escolte até em casa.

Ele pegou as rédeas de Florence e estendeu o braço. Com relutância, ela pousou a mão no braço dele.

- Deve preferir que eu caminhe atrás, como um eunuco. – disse irritado e ela o fitou de esguelha.

- Acredito que ninguém possa confundi-lo com um eunuco, meu senhor. Por que as estradas não são mais seguras, meu senhor? Tem algo a ver com a sua presença?

Céus! Ela devia pensar que ele era um patife da pior espécie!

- Porque não são. – disse, por fim – Por que veio até a cidade a pé? A duquesa não quis lhe ceder a carruagem?

- Não, meu senhor. Eu apenas preferi caminhar.

Andaram um pouco mais em silêncio.

- Sua família está bem? – perguntou quebrando o mesmo.

- Está, meu senhor.

Irritado com a debilidade de seus esforços, o duque resolveu ficar calado.

- Foi muita generosidade sua doar o chalé para a família de Regulus, meu senhor.

- Não foi nada. Há anos que eles são empregados da propriedade.

- Outros não teriam sido assim tão generosos.

Ele assentiu,

- Também soube que passou a noite toda na companhia de Ilias antes dele morrer.

Saga nada disse, tentando imaginar quem poderia ter lhe contado.

Annabelle se deteve e, com uma expressão sincera de preocupação, perguntou, antes de tirar a mão do braço do duque:

- Meu senhor, por que busca tais lugares?

- Que lugares? – ele sequer tentou disfarçar a surpresa.

- O estabelecimento de Sally Newcombe.

- E quem foi que lhe disse que eu estive lá?

- Está dizendo que não esteve?

- Se acha no direito de me fazer esta pergunta?

- Não, meu senhor. – ela corou, mas não desviou o olhar dele,

- É surpreendente que uma mulher como você se digne a falar dessas coisas. – disse, esforçando-se para aparentar desinteresse.

- Eu só gostaria de entender, meu senhor. Não precisa me responder.

- Acho que não tem noção do que está perguntando.

- Não sou criança, meu senhor. Posso não conhecer o mundo como o senhor, mas sinceramente gostaria de saber por que os homens procuram tais estabelecimentos quando...

- Quando...? – ele lhe olhou profundamente nos olhos para saber até que ponto ela chegaria com aquela conversa.

- Quando há damas solitárias no mundo que apreciariam a companhia deles.

- Como milady? – sustentou o olhar, dessa vez com surpresa dissimulada – Lady Annabelle, está me dizendo que se ofereceria para o tipo de companhia que Sally oferece?

- Não deveria zombar de mim, meu senhor. Sei que não é da minha conta, mas achei que poderia me dizer. – havia irritação e... lágrimas? Lágrimas zangadas em seus olhos?

Lamentou tê-la magoado, mas não gostaria de falar de Sally Newcombe com esta dama.

- Como bem disse, não é da sua conta, assim como os negócios de Sally.

- São imorais.

- Começa a falar como Griffin. O que poderiam os dois saber sobre a vida de Sally? Sabe que ela foi abandonada pela mãe e mandada para um orfanato aos cinco anos? Sabe que quando estava deixando os cuidados de sua babá, ela já havia sido atacada mais de uma vez?

- E se meu senhor saber tanto assim sobre ela, não poderia fazer algo para ajudá-la?

- Eu tentei. Ela recusou. Ela tem seu orgulho, por mais estranho que isso possa lhe parecer. Quanto às mulheres na casa dela, elas também não dispõem de muitas alternativas.

- Mas o senhor dispõe. Pode ter qualquer mulher que queira...

- Posso?

Annabelle ignorou aquela pergunta e deu continuidade ao assunto.

- Sei que sou afortunada. Sei um pouco dos destinos que muitas mulheres sofrem. E ainda assim, meu senhor continua...

- Visitando Sally.

Ela assentiu.

- Quando fui ver Sally hoje, fui apenas como um amigo e nada mais. – disse baixinho, fitando-a com intensidade.

- Me alivia saber disso, meu senhor. Tais lugares não são seguros.

- Isso vindo de uma dama que atravessa a região dos armazéns desacompanhada. Não receia um escândalo?

- Isso vindo de um homem que já se envolveu em mais escândalos do que a semana tem dias! – retrucou com sarcasmo.

- Mas quanta impertinência! – ele disse rindo – Minha madrasta não poderia ter arranjado uma acompanhante mais perfeita!

- Não sou impertinente com os mais velhos. – ela retrucou, esperando algum outro comentário sarcástico, no entanto, o duque apenas a fitou com uma expressão peculiar.

- Por que não é casada?

- Porque jamais estive apaixonada.

- Então é dessas mulheres românticas que esperam se apaixonar para poder ter um bom casamento?

- Não. Apenas acho que tenho opções melhores que um casamento arranjado. E o senhor? Já se apaixonou alguma vez?

- Nunca.

Subitamente ele pigarreou e Annabelle descobriu que estava prendendo a respiração.

- E não me casei porque não encontrei a mulher certa. E dada minha reputação com as damas, deve perceber que isso não me incomoda muito.

- Então relacionamentos breves o satisfazem?

- Sim.

- Não acredito.

- Como disse?

- Não acredito que isso o satisfaça e muito menos o faça feliz.

- Não me conhece Lady Annabelle. – disse com uma expressão irritada, afastando-se dela – E posso garantir que não quer me conhecer. E nem tem como me entender.

- Posso tentar. Também já me senti sozinha. Inúmeras vezes.

- Milady tem sua família.

- E o senhor também.

Ele fungou com desprezo.

- Tenho duas lindas irmãs que já tem suas famílias. Tenho um pai que querias ter filhos e uma mãe que só pensa em se divertir. Comparada a eles, sou comum. E isso me faz pensar que fui abandonada na porta de meus pais. – ela tentou sorrir.

- Não a acho comum.

Annabelle o fitou com incredulidade, tentando se convencer de que o elogio era apenas um gesto educado e nada mais.

- Já lhe pedi que não zombasse de mim, meu senhor.

- Não estou zombando. Quer que eu lhe diga o que vejo quando olho para milady? – ele lhe segurou as mãos e a fitou nos olhos. Annabelle só conseguiu assentir - Uma jovem gentil e paciente. Impertinente algumas vezes, mas isso ainda assim a torna agradável. Uma jovem que deixou minha casa mais suportável, como há anos não era. Vejo olhos de um verde tão profundo, sinceros e lindos. Vejo determinação, inteligência, modéstia, consideração e prudência. – os dedos dele lhe acariciavam a mão e Annabelle sentiu o sangue correr por suas veias – Vejo...

Ele se interrompeu e deu um passo para trás, soltando-lhe as mãos.

- O que? – perguntou levemente entorpecida e ofegante.

- Vejo minha carruagem vindo na nossa direção.

Ela rapidamente se afastou dele, sabem o que poderiam pensar de tamanha intimidade, mas não deixando de lamentar em seus pensamentos a aparição do veículo.

- É Kanon. – disse o duque. Subitamente ele se virou para ela com um ar de determinação – Annabelle, não dê ouvidos a Kanon. Não acredite em uma única palavra que ele diz. E jamais fique sozinha com ele.

- Mas, por que...

- Porque eu estou dizendo. – ele abaixou a voz e a fitou com aquela intensidade que ela achava intima e atraente – Porque precisa confiar em mim quanto a isso.

Antes que ela pudesse pensar no que responder, a carruagem deteve-se diante deles.

- Olá Saga. Boa tarde, Lady Annabelle. – Lorde Kanon cumprimentou, quando o cocheiro desceu de seu lugar e abriu a porta para que ele desembarcasse. – Vim à sua procura Lady Annabelle. Notei como o tempo estava mudando quando cheguei a Barroughby Hall. Quando mamãe me disse onde tinha ido, achei melhor vir buscá-la.

- Quanta consideração. – comentou o duque.

Com equivalente indiferença, Lorde Kanon fitou o irmão.

- Você cheira como uma prostituta.

Mesmo que a observação não deixasse de ser pertinente, Annabelle ficou chocada que um cavalheiro usasse esse tipo de linguagem perante uma dama. Era um desrespeito para com ela e para com o duque.

- Peço que me perdoe – ela disse, com ares de penitencia. – Quebrei um vidro de perfume na loja.

Sem olhar para o duque, Annabelle torceu para que ele aceitasse a desculpa oferecida por ela.

- Que bom que retornou de suas perambulações a tempo de vir à procura de Lady Annabelle – disse Saga.

- Passei uma tarde adorável na companhia da encantadora Srta. Sackville Cooper. - Kanon confessou com um sorriso.

Annabelle notou a zanga no rosto do duque. Pensou nos sentimentos que ele lhe inspirara há poucos instantes. O que deveria pensar da irritação do duque por Kanon ter passado tempo na companhia de Pandora?

- John, levante a capota, antes que chova. – o duque ordenou para o cocheiro – Sugiro que entre, Lady Annabelle.

Com a ajuda de John, ela obedeceu. Lorde Kanon sentou-se diante dela e a carruagem seguiu para Barroughby Hall.

Annabelle desejou que a capota estivesse abaixada, por não estava apreciando estar fechada em um ambiente tão íntimo com Lorde Kanon.

Foi então que notou o duque cavalgando junto a carruagem, bem ao seu lado, e sentiu-se aliviada, o que era justamente o oposto que aconteceria com a maioria das mulheres. No entanto, era verdade. Se Lorde Kanon tentasse algo inapropriado, o duque estaria por perto.

- Foi gentileza sua facilitar o trabalho de minha mãe – disse Lorde Kanon, interrompendo seus pensamentos.

- Fiquei contente de poder sair. – retrucou com sinceridade.

- Gosta de caminhar?

- Gosto, meu senhor.

- Tem dedos compridos e adoráveis, Lady Annabelle – ele disse, tomando-lhe a mão enluvada. E mesmo assim ela desejou que ele não tivesse feito aquilo. Seu toque a incomodava – Diga-me, que instrumento a senhorita toca?

- Nenhum, meu senhor – respondeu puxando para si a mão – Não tenho aptidão alguma para a música.

- Uma pena. – retrucou aparentemente não se sentindo ofendido com a reação dela – A pintura é seu forte? Ou, quem sabe, o bordado?

- O bordado, meu senhor. Mas ainda assim não sou tão boa com as mãos, meu senhor.

- Minha querida Lady Annabelle – disse inclinando-se para ela com um sorriso que em nada amenizou a sensação de enclausuramento que a tomava – Será que temos de ser tão formais? Adoraria que me chamasse de Kanon.

Ela ficara satisfeita quando o duque lhe fizera um pedido semelhante, e agora se dera conta de o motivo de ter achado sua proposta muito menos ofensiva do que a do irmão era que ele simplesmente sugerira a troca de um título por outro, ambos apropriados, enquanto a proposta de Lorde Kanon era completamente inapropriada.

- Não quando estivermos acompanhados, é claro – ele prosseguiu – Mas quando estivermos a sós.

- Eu não poderia.

- É claro, tem toda razão.

Ele voltou a se recostar no assento, olhando através da janela.

- Receio ter cometido uma enorme gafe, Lady Anabelle – disse minutos depois, com uma expressão penitente. – Minha sugestão foi deveras imprudente. – ela nada respondeu – Espero que não me ignore por completo, pois receio ter algo que devo lhe falar. – disse fitando-lhe com a intensidade semelhante a do irmão, mas desprovida de uma qualidade indefinível – Quero que tome cuidado com o duque.

- Por que, meu senhor? – perguntou desconfiada.

- Milady conhece a reputação dele. Acredito que isso por si só seja motivo suficiente.

Ele olhou furtivamente para o acompanhante montado. E foi então que Annabelle se deu conta do que era diferente nos dois homens ao alertá-la. O duque aparentara sinceridade e parecia realmente preocupado com ela. O olhar de Lorde Kanon era mais malicioso ao invés de preocupado com o bem estar dela.

- Obrigada pelo interesse, meu senhor. Terei cuidado, prometo.

Ele lhe lançou um olhar perspicaz, que logo se transformou em uma expressão de sensibilidade magoada.

- Ah, por favor, Lady Annabelle. Sab que nada tem a temer de mim.

Annabelle repreendeu-se por não ter sido mais discreta.

- Estou certa de que é um cavalheiro.

Lorde Kanon sorriu.

- Fico satisfeito.

- E conheço muito bem a reputação do duque. – ela prosseguiu, calmamente, tentando não despertar a desconfiança de Kanon.

Despertar a desconfiança de que? De que não se preocupava com o duque? De que ele a intrigava e até lhe despertava simpatia? De que talvez houvesse a possibilidade de começar a se apaixonar pelo homem?

Ainda bem que a carruagem deteve-se diante dos degraus que levavam a Barroughby Hall e rapidamente o duque já estava pronto para ajudá-la a descer quando a porta se abriu. Tentou manter sua expressão de maneira impassível, no entanto, um arrepio lhe percorreu o corpo quando ele a tocou. Contudo, uma pergunta se escondia nos olhos azuis de Saga.

Uma pergunta que ela precisava de alguma maneira responder.

- Obrigada, Vossa Excelência – disse, em alto e bom tom, antes de sussurrar – Por tudo, meu senhor.

Ela então entrou em Barroughby Hall sem sequer olhar para o homem que agora considerava o seu protetor.

*o*O*o*O*o*

Saga adentrou a mansão na frente de Kanon, e virando-se, o duque fitou furiosamente o irmão.

- Entre no meu gabinete. – ordenou.

- Quem você acha que é para me dar ordens desse jeito? – Kanon retrucou.

- Sou o Duque de Barroughby! – Saga rugiu e Kanon achou melhor obedecer.

- O que é dessa vez? – ele perguntou ao entrar no gabinete – Zangado por eu ter usado a carruagem sem pedir permissão?

Saga bateu a porta atrás do irmão e o fitou intensamente.

- Jamais fale assim novamente diante de uma dama!

- Como?

- Falar de prostitutas diante de Lady Annabelle, seu sibarita repulsivo!

- Ah! – disse Kanon, ignorando o insulto ao perceber que tinha uma vantagem sobre Saga – Aparentemente, não tem problema você frequentar tais estabelecimentos e cheirar de acordo após o ter feito, independente da desculpa que Lady Annabelle deu por você, mas jamais devo falar deles diante de uma dama.

Saga percebeu o erro que cometera ao confrontar Kanon tão cedo. Astuto do jeito que era aquele patife, com certeza interpretada sua preocupação como afeição por Annabelle, o que a colocava em sério perigo. Lembrou-se que Kanon deveria achar que Pandora era seu alvo. No entanto, considerando como se sentira ao ver Annabelle depositar sua confiança nele – apesar de sua terrível reputação e de vê-lo recém-saiído de um bordel – ele desejou ardentemente não ter de fazê-lo.

- Espero que não fale assim diante de Pandora Sackville Cooper. – Saga disse com frieza.

- Não o fiz esta tarde. Ela me pareceu muito contente em me ver.

- Contanto que ver seja tudo que tenha em mente.

- Está com ciúmes?

- Não quero que faça com ela o mesmo que fez com Elizabeth Howell. Por que acha que vim aqui? Sabia que eventualmente viria para cá. Queria alertá-lo para jamais fazer algo tão desprezível novamente.

- Ou fará o que? – exigiu saber Kanon – Me mandará para a cadeia? Sob qual acusação? Elizabeth era uma dama tola que acreditava estar apaixonada por mim. Não se opunha a, digamos, formas mais passionais de expressar sua devoção por mim, sendo assim, como poderia eu, recusá-la?

- Você a abandonou grávida, sozinha e sem nenhum tostão! Ela estava apavorada!

- Sozinha não. – corrigiu Kanon – O irmão estava na cidade, como acho que descobriu por conta própria. – ele olhou sugestivamente para o ferimento de Saga.

- Aquele rapazote? Ele sabia menos de como o mundo funcionava do que a irmã. Da ultima vez que o vi, chorava como um bebê porque achava que ia para a cadeia por me ferir.

- Então, como pretende impedir que tolas deste tipo se ofereçam para mim, visto que, aparentemente, é um santo?

- Quero que pare de se aproveitar delas.

- Quando tudo o que faço é seguir o exemplo de meu adorado irmão?

- Eu jamais seduzi e abandonei damas inocentes.

- Oh, sim, claro. Você é o virtuoso da família – zombou Kanon.

- E você é o diabo! – Saga retrucou – Não vou permitir que chegue perto de Pandora!

- Então agora é Pandora, querido irmão? Acho que devemos deixar que a bela senhorita Sackville Cooper decida qual companhia ela prefere. Não concorda? E que vença o melhor.

Saga sorriu com frieza.

- Muito bem Kanon. O melhor o fará.

Kanon sorriu com equivalente frieza e Saga soube que seu desafio tinha sido aceito.

- O melhor fará o que? – perguntou a duquesa, entrando no recinto.

- Vencerá. – respondeu Kanon.

- Vencerá o que?

- Uma competição. – respondeu Saga.

A duquesa o fitou.

- Está tentando fazer com que Kanon jogue? – ela virou-se para o "filho"- Você não anda jogando, anda?

- Não mamãe, isso nada tem a ver com dinheiro.

A duquesa não escondeu seu alívio.

- Graças a Deus não está deixando que ele o corrompa. Agora, onde está Lady Annabelle, Kanon?

- Ela não está na sala de estar?

- Não.

- Então deve ter subido para mudar de roupa.

- Estávamos falando sobre conquistar o coração de Pandora Sackville Cooper – Saga comentou.

- Presumo que isso seja uma piada. – disse a duquesa lhe lançando um olhar fulminante – Ela é apenas uma jovem irmã de um cavalheiro. Se é que podemos chamar Lune assim. Não é esposa adequada para nenhum dos dois.

- Ninguém falou em casamento. – disse Saga com um sorriso sardônico.

- Esse é o tipo de comentário dissoluto que eu deveria esperar de você.

Saga caminhou até a janela.

- Mas tem de admitir que ela é linda. E jovem.

- Pandora daria uma ótima esposa para um cavalheiro, ou um baronete, mas jamais para um duque ou o filho de um duque. Nem mesmo para você.

- Seu pai era muito rico.

- Dinheiro não é mais importante do que título. Ela podia muito bem ser pobre.

- Mesmo que fosse, não ficaria assim por muito tempo. Uma mulher com a beleza dela não demoraria a encontrar um "protetor".

- Ah mamãe! – disse Kanon – Não percebe que ele a está provocando? Por que não pergunta a Saga quem ele estava visitando?

- Não entendo por que estamos falando de Pandora Sackville Cooper – desabafou a duquesa – Ela sequer merece ser considerada. Lady Annabelle seria melhor do que ela. – completou a duquesa em tom de estrema condescendência.

Aborrecido, Saga se virou a tempo de ver Kanon assentir – e perceber que Annabelle estava de pé no vão da porta. A julgar pelo rubor de suas faces, ela havia escutado o último comentário da duquesa.

Saga jamais sentira tanto ódio da mulher.

E jamais admirara tanto Annabelle, pois ela permaneceu no recinto, demonstrando surpreendente presença de espírito. Com muita prática em esconder as próprias reações ele podia fazer uma ideia do esforço necessário para manter uma aparência de tamanha calma.

- A costureira está aqui amanhã de tarde, Vossa Excelência. – disse baixinho e os dois homens curvaram-se para ela.

- Ótimo. – respondeu a duquesa com uma expressão ligeiramente culpada e Saga se indagou se a mulher egocêntrica enfim se dera conta de ter ofendido alguém.

- Se me der licença até o jantar, Vossa Excelência, tinha razão quanto ao casaco da caminhada. De fato, sinto-me muito fatigada.

- Muito bem. – disse a duquesa.

Annabelle fez uma mesura e saiu.

- Não creio que ela a tenha escutado, mamãe. – Kanon disse calmamente – Caso contrário, suponho que teríamos de lhe encontrar outra acompanhante.

- Você sempre podia ficar por aqui, Kanon. – Saga comentou, notando satisfeito o olhar fulminante que Kanon lhe lançou.

- É claro que nada me daria mais prazer – mentiu desavergonhadamente, ao sorrir para a "mãe" -, mas um homem da minha posição deve ser visto em Lndres.

- Especialmente se deseja encontrar uma esposa apropriada. – Saga acrescentou – A não ser que já tenha escolhido a belíssima senhorita Sackville Cooper.

A duquesa olhou de forma inquisitiva e furiosa para Kanon.

- É claro que não. – Kanon foi forçado a confessar – Simplesmente considerei visitá-la em meu dever de bom vizinho.

- Ah, entendo. Dever.

- E o que entenderia de dever? – perguntou a duquesa – Logo você, que vive apenas para o próprio prazer.

- Mais uma vez me vejo condenado. – comentou Saga curvando-se – Então, como um condenado, afastar-me-ei das pessoas decentes.

Dito isso ele se retirou de bom grado.

Continua...