Capítulo VIII – Protegida

Embora não tenha acordado durante a noite, Bella sentia-se exausta na manhã seguinte. Os músculos de seu corpo ainda estavam tensos e ela só conseguia pensar no sonho que havia tido.

Bella estava no parque Yost, sentada sob a sombra de uma árvore lendo um livro quando sentiu uma presença atrás de si. Sua irmã a fitava com amor nos olhos e sorria com ternura.

_ Bella, cuide deles para mim! Eu só confio em você. Só você pode me ajudar. Eles precisam de você!

_ Eu quero ajudar, minha irmã, mas não sei de quem você está falando. Por favor, me diga! Eu não consigo compreender. – pediu Bella.

_ Em breve você compreenderá, meu anjo! Muito em breve! – disse a irmã tocando-lhe levemente o rosto.

_ Eu não sei a quem você se refere, mas eu prometo que vou lhe ajudar. Prometo que vou cuidar de quem quer que seja por você.

Bella acordou ainda sentindo o toque suave da mão da irmã em seu rosto. Sentou-se na cama sentindo a cabeça pesada e vasculhando o quarto com os olhos deparou-se com o olhar preocupado de Alice sobre ela. Levantou-se devagar para ter certeza de que seu senso de equilíbrio estaria intacto. Cambaleou um pouco sendo amparada pela amiga que a fez sentar-se novamente.

_ Bella, eu acho que você deveria ficar em casa hoje. – disse Alice mesmo sabendo que seria impossível mantê-la ali.

_ Você está louca, Alice? Eu tenho meus pacientes para visitar e, além disso, hoje é a inauguração do novo anexo. Ainda tenho muitas coisas para providenciar. – sua voz saiu rouca obrigando-a a limpar a garganta.

_ Edward pode perfeitamente dar conta dos seus pacientes por hoje e quanto às providências para a festa de hoje à noite, não se preocupe, Esme e eu já cuidamos de tudo enquanto você dormia. Não há mais nada com que você precise se preocupar. – retrucou Alice sorrindo vitoriosamente.

Bella sorriu timidamente para a amiga. Tinha sido derrotada. Não adiantava tentar argumentar contra Alice, até porque, assim que ela falasse com Edward sobre seu estado, ele a proibiria de aparecer no hospital até a hora da festa.

Todos já estavam à mesa do café quando ouviram uma leve batida na porta da frente. O coração de Bella parou por um segundo antes de disparar no peito. Sabia perfeitamente que Edward estava em pé do lado de fora de sua casa. Não conseguiu disfarçar a ansiedade ao levantar-se da mesa e correr até a porta de entrada. Viu-se deliciosamente presa daqueles lindos olhos azuis que a encaravam intensamente e não pôde deixar de sorrir ao ver o enorme sorriso que Edward lhe dirigiu ao vê-la abrir a porta.

_ Como você está, meu anjo? Passou bem à noite? – ele perguntou dando-lhe um caloroso abraço.

_ Não sei como, mas dormi como uma pedra! – respondeu retribuindo o abraço e inalando seu perfume delicioso.

Edward a olhou culpado e sorriu corando.

_ Por acaso essas bochechas vermelhas querem dizer que o senhor me dopou, Dr. Cullen? – fingiu-se de ofendida.

_ Não, Dra. MacCalister! Tecnicamente quem a dopou foi Alice. Foi ela quem pôs o sonífero na água com açúcar que você tomou! – ele disse sorrindo como um menino travesso.

Bella estreitou os olhos segurando o riso arrancando uma gostosa gargalhada de Edward que a abraçou novamente ainda mais forte e deu-lhe um beijo na testa.

_ Não vai me convidar para entrar? – só então Bella percebeu que eles ainda estavam parados na porta.

Bella deu passagem a Edward e o levou pela mão até a sala de jantar. Estava feliz por sua presença ali, afinal era a primeira vez que ele entrava em sua casa. Pelo menos enquanto ela estava consciente. Fez questão de servi-lo sob os olhares de Alice e Jasper que sorriam com cumplicidade. Os quatro conversaram durante quase uma hora sentados à mesa e Bella se contorceu de rir ao ver Edward corar quando Alice falou sobre as travessuras que eles faziam quando crianças.

Alice e Jasper já haviam saído para o hospital enquanto Edward ajudava Bella a lavar a louça do café. Continuavam a conversar descontraidamente contando coisas de suas infâncias e riam das travessuras um do outro. Edward estremeceu de ódio ao ouvir Bella contar com os olhos cheios de lágrimas a forma como perdera seu bebê e a sua luta para conseguir o divórcio. Sua urgência em protegê-la só fez crescer depois disso.

Aproveitando-se da ausência de Alice, Bella resolveu tentar convencer Edward a deixá-la ir trabalhar.

_ Edward? – disse olhando com carinha de criança pedindo doce. – Eu estou me sentindo realmente bem e gostaria de ir trabalhar.

_ Bella...não. – disse Edward olhando desconfiado. – Hey, para com essa carinha de gatinho do Shrek. Isso é covardia, sabia?

_ Por favor, é muito importante pra mim! – pediu manhosa juntando as mãos à frente do corpo como se implorasse.

Edward riu. Não poderia resistir a um pedido assim.

_ Está bem, menina sapeca! Vá se trocar, eu espero. Mas você só vai com uma condição... – Bella, que já estava quase fazendo a dancinha da vitória, parou de repente esperando ele terminar. – ... Não vai ficar sozinha nem por um minuto sequer. Vai ficar sob a minha supervisão o dia todo!

_ Como assim, Edward? Eu sou perfeitamente capaz de cuidar dos meus pacientes, sabia? – falou indignada.

_ E quem vai cuidar de você, hein, mocinha? – Bella pôs as mãos na cintura estreitando os olhos e já se preparava para dar uma resposta mal criada quando Edward se aproximou colocando dois dedos sobre seus lábios – Ou isso ou fica de castigo em casa, você escolhe!

Bella bufou como uma criança mimada e Edward segurou o riso. Ele havia vencido. Sabia que ela não tinha escolha.

_ Está bem, Dr. Chantagista! Espere-me aqui, vou me trocar! – disse subindo as escadas em direção ao quarto com um enorme sorriso nos lábios.

Ao saírem da casa de Bella, Edward notou um carro preto de vidros escuros estacionado do outro lado da rua. Aquilo o incomodou, mas Bella parecia relaxada e ele nada disse. Não queria vê-la estressada novamente, afinal aquele carro poderia não ser nada de mais. Bella até tentou dirigir o próprio carro, mas desistiu diante da porta do passageiro do Volvo aberta por Edward que a olhava com as sobrancelhas erguidas em desafio.

Ao descer do carro no estacionamento do hospital, Edward percebeu que o carro preto misterioso os havia seguido. O vidro do lado do motorista, desta vez, estava abaixado e ele pôde ver o rosto de um homem desconhecido que o encarava. Bella descia do carro com um lindo sorriso no rosto que se desfez ao ver a expressão preocupada de Edward.

_ O que foi, Edward? – ela perguntou aproximando-se dele e seguindo seu olhar. O vidro do carro acabava de se fechar e o motorista dava a partida no veículo.

_ Nada, meu anjo! Eu pensei que tivesse visto alguém conhecido, mas foi impressão minha. – ele disse acariciando suavemente seu rosto, tentando disfarçar. - Vamos?

Bella sorriu e ambos entraram no hospital. Edward sorria vendo como Bella era carinhosa com as crianças. "Seria uma ótima mãe", pensava ao observá-la. Bella corava quando percebia a forma intensa como ele a olhava às vezes, mas gostava da sensação que ele a fazia sentir. Ambos passaram o dia juntos visitando seus pacientes e almoçaram com Emmett, Rose, Alice e Jasper no restaurante do hospital. Por volta das dezessete horas, os seis se encaminhavam para o estacionamento rumo aos seus carros. Tinham que se aprontar e retornar para a festa de inauguração do anexo. Conversavam entre risos quando, de repente, Edward parou olhando tenso para o outro lado da rua. Lá estava novamente o carro preto. Alguém o estava seguindo, ou pior, seguindo Bella. Emmett percebeu a tensão do irmão e se aproximou disfarçadamente.

_ O que aconteceu, Edward? – perguntou entre os dentes.

_ Emmett, está vendo aquele carro preto? Hoje pela manhã, quando Bella e eu saímos da casa dela, ele estava parado do outro lado da rua. Quando chegamos aqui, eu percebi que ele havia nos seguido e agora ele está lá novamente. – disse Edward sem tirar os olhos de Bella que conversava com Alice e Rose sem nada perceber.

_ Leve Bella para casa, Edward! Deixe isso comigo, eu vou investigar essa história assim que vocês saírem. Só tire Bella daqui agora! – respondeu Emmett já com as mãos fechadas em punho.

Edward apenas assentiu e partiu levando Bella. Assim que o Volvo saiu do estacionamento, Emmett atravessou a rua para abordar o motorista do carro que arrancou em alta velocidade seguindo em sentido oposto ao que seu irmão tinha tomado.

Narrado por Bella

Edward não saiu do meu lado durante todo o dia. Insistiu em me levar para o hospital e depois para casa e eu estava adorando ter a companhia dele o tempo todo. Seu carinho e sua preocupação com o meu bem estar me deixavam emocionada. Havia tempos que ninguém mostrava tanto cuidado comigo. É claro que meus amigos sempre foram muito carinhosos e sempre cuidaram de mim, mas Edward era diferente. O jeito como ele me olhava e como me tocava me deixava de pernas bambas e de miolo mole. Estar com ele era tão simples e tão natural quanto respirar. Sua presença me fez esquecer por completo o episódio desagradável com Mike Newton. Embora eu soubesse que ele estaria presente na festa daquela noite, esperava que ele não se aproximasse de mim. Pelo menos eu faria de tudo para me manter bem distante dele.

Vários convidados já enchiam o salão onde acontecia a festa quando eu entrei. Esme e Alice haviam se superado. A decoração do ambiente e das mesas estava preciosa e a iluminação proporcionava uma atmosfera aconchegante ao lugar. Eu achava que tudo estava realmente perfeito até que o vi chegar. Meu Deus! Que homem era aquele? Assim que me viu, Edward veio caminhando em minha direção e eu podia jurar que aquele sorriso ainda iria me matar.

_ Você está linda! – ele disse olhando-me dentro dos olhos.

_ Obrigada, você também está de tirar o fôlego! – respondi me perdendo na imensidão azul de seus olhos.

Edward sorriu ainda mais se aproximando de mim e sussurrando em meu ouvido.

_ Já vi que vou ter trabalho esta noite. Não sei se vou conseguir proteger você de todos os marmanjos desse salão. Estão todos babando por você. – sua voz aveludada tão próxima ao meu ouvido me fez estremecer.

_ Eu tenho certeza de que você dá conta de todos eles, Dr. Super protetor! – sussurrei de volta em seu ouvido e sorri quando ele também estremeceu antes de rir.

_ Este é o segundo apelido que você me dá só hoje. – disse divertido.

_ Vamos ver quantos mais você vai merecer até o final desta noite. – brinquei de volta.

Meu sorriso murchou ao ver Mike Newton entrando no salão. Edward acompanhou meu olhar e seu corpo se enrijeceu ao vê-lo. Mike percebeu o olhar homicida que Edward lançava em sua direção e se manteve distante a noite toda. Melhor assim.

Jake chegou um pouco mais tarde acompanhado de Leah Clearwater, uma advogada com quem ele vinha saindo havia algum tempo. Edward falava com algumas autoridades presentes na festa sem tirar seus olhos de cima de mim. Jake, Leah e eu estávamos em uma mesa no canto do salão e conversávamos sobre relacionamentos quando Jake disse:

_ Bella, eu estive conversando com Leah sobre o seu caso e ela acha que há alguma coisa errada com o seu processo de divórcio. Já se vão três anos, Bella, e até agora nada!

_ Me desculpe, Bella. Eu não quero violar a sua privacidade, mas nenhum divórcio, por mais litigioso que seja, demora tanto tempo para sair. Você confia realmente no advogado que a está representando? – disse Leah com um sorriso constrangido.

_ Leah, para falar a verdade, eu também achei estranha essa demora toda. Mas o advogado sempre me diz que o Michael está colocando empecilhos no processo e, por isso, há essa demora. – respondi.

_ Bella, se você me permitir eu gostaria de falar com esse advogado. Eu desconfio que haja alguma coisa errada nessa situação. – ela pediu.

_ Está bem, Leah. Eu tenho um cartão dele no meu carro. Espere-me aqui, eu vou buscar e já volto. – disse já me levantando da mesa e saindo para o estacionamento.

Demorei um pouco para encontrar o cartão no porta-luvas. Já havia trancado o carro e ao me virar de volta para o salão dei de cara com Mike Newton me olhando. Não queria falar com ele. Quando tentei passar por ele, ele deu um passo para o lado bloqueando meu caminho. Recuei com medo do que ele poderia fazer. Eu olhava para todos os lados à procura de alguém que pudesse me ajudar, mas estávamos sozinhos na penumbra do estacionamento. Droga! Eu deveria ter pedido ao Jake que me acompanhasse. Mike começou a se aproximar de mim enquanto eu recuava apavorada.

_ Mike, por favor, fique longe de mim! – pedi em vão.

Mike aproximou-se de mim e eu pude sentir o cheiro de álcool em seu hálito. Ele estava bêbado. O pânico começou a se apoderar do meu corpo. Eu sabia muito bem o que uma pessoa embriagada era capaz de fazer. Mike agarrou meu braço apertando-o com força quando tentei mais uma vez escapar.

_ Mike me solte, você está me machucando! – eu já chorava.

Num minuto Mike apertava meu braço, no outro ele estava caído no chão com o nariz sangrando. Eu estava tão apavorada que nem percebi quando Edward se aproximou de nós socando o rosto de Mike.

_ Se você tocá-la mais uma vez contra a vontade dela... – Edward o ameaçava furioso enquanto eu tentava segurá-lo.

Ao perceber que seu nariz sangrava, Mike apenas se levantou e correu dali sem dizer nada. Edward se virou para mim ofegante e me abraçou trêmulo de ódio.

_ Ele machucou você, Bella? – perguntou quando conseguiu controlar a respiração.

_ Não, Edward. Eu estou bem. – respondi tremendo.

Edward viu a marca dos dedos de Mike em meu braço. Sua expressão mudou de raiva para dor. Ele acariciava meu braço na tentativa de apagar a marca enquanto me olhava nos olhos.

_ Quando Jacob me disse que você tinha vindo pra cá sozinha e eu dei falta do Newton, meu coração quase parou de medo, Bella! Eu morri de medo que algo de ruim acontecesse com você e eu não conseguisse chegar a tempo. Por que você não me pediu para vir com você? Por que você se arriscou dessa forma? – ele perguntou angustiado. Seus olhos brilhavam marejados.

_ Parece que eu só entrei na sua vida pra acabar com o seu sossego. – eu disse triste. – Me perdoe, meu anjo! – Edward me envolveu em seus braços apertando-me com força contra seu corpo.

_ Nunca mais diga isso, Bella! Você foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos cinco anos. Você não imagina como a sua presença é importante para mim! – ele disse me olhando intensamente nos olhos. – Você é o meu anjo!

_ Você também é muito importante para mim, Edward! Você não sabe o quanto eu preciso do seu carinho! – respondi.

Edward baixou os olhos para meus lábios e eu os entreabri. Ele mantinha uma mão segurando firmemente minha cintura, a outra subia suavemente por minhas costas chegando a minha nuca enquanto seus lábios se aproximavam lentamente dos meus.

Não há palavras para descrever a sensação de ter os lábios de Edward colados aos meus. Nosso beijo transmitia de uma só vez várias emoções que eu achava não ser mais capaz de sentir. Era calmo...suave...carinhoso, mas ao mesmo tempo era intenso ao ponto de me tirar do chão. Sim, eu flutuava nos braços de Edward. Sentia-me leve como havia muito tempo não acontecia. Sentia-me protegida. Mas acima de tudo, sentia-me feliz. Finalmente eu estava amando.