Capítulo Sete.
"Apaixonar-se. Está aí a resposta para viver bem. Simplesmente se apaixonar por si mesma, pela vida, pelo mundo, por amor. A paixão é a dose certa para manter a adrenalina em dia".
- Quanto custa a orquídea? - Sra. Newton me perguntou com um sorriso falso - Está trabalhando aqui agora, querida? Na sua situação, é bom um emprego fácil, não é?
Segurei com força no balcão, pronta para mandá-la a merda em alto e bom som, não importando que o Reverendo Richard estivesse a poucos passos. Ela só iria parar quando a notificação do processo chegasse até a casa dela. Antes, precisava saber se o merdinha do filho dela fazia parte do jornal.
- Oh não. Bella está apenas me ajudando hoje porque adoramos passar um tempo juntas. - Esme respondeu antes que eu tivesse tempo e então abriu o seu sorriso doce - Como assim que situação? - perguntou se fazendo de boba, e eu ri, entregando a orquídea para Sra. Newton.
- A gravidez e tudo mais.
- Oh… Meu neto é um menino saudável e nós temos que dar graças a Deus que somos uma grande família abençoada. Bella tem um pai incrível, ela não precisa se preocupar com bobagens. - Esme respondeu como se fosse nada - Obrigada por ser uma cliente maravilhosa. - disse e entregou o pequeno vaso e o troco. Sra. Newton acenou e foi embora - Vaca.
- Esme!
- Graças a Deus vamos fechar! Vem, vamos embora porque quem quiser flores, irá segunda-feira na loja. Hoje vamos cozinhar um almoço gostoso e assar algumas coisas divertidas. Rose e Emmett vão jantar lá em casa e Edward precisa comer enquanto estuda.
- Mamãe urso. Ele mora sozinho, ele sabe se virar.
- Ele e Tanya estão morando juntos agora… Essa semana ela se mudou. Eu queria me sentir tranquila em relação a ela, mas não consigo.
- Esme, vocês deveriam dar uma chance a ela. Edward tem 23 anos, ele deve saber o que está fazendo.
- O pior de tudo é que ele não sabe. Edward é… Diferente. Eu errei, eu sei. Não o criei para tomar decisões. Ele é muito gentil para seu próprio bem, disse que não se sentia pronto para morar junto, mas Tanya queria muito e como ele está terrivelmente apaixonado por ela, não soube dizer não.
- Típico. Uma armadilha. Ele deve estar se sentindo perdido.
- Está, mas não quis falar isso comigo ou com as irmãs dele. Conversou com Carlisle e como pai, está preocupado. Edward batalhou para estudar medicina, essa bolsa é algo incrível. Estive preocupada por anos por não ter dinheiro o suficiente para pagar os estudos dele. Rosalie também teve uma ajuda de custo e uma bolsa. Nós economizamos muito e vendemos tudo que podíamos da herança de Carlisle para o estudo das crianças. Alice sempre teve notas boas e depois conseguimos uma bolsa em NYU. Fiquei tão aliviada. Agora, eu temo que esse namoro se torne uma distração.
- Edward se dedica muito aos estudos, ele passou a noite acompanhando Rose e Carlisle no hospital e está trabalhando no artigo dele.
- Ele precisa viajar quatro horas para estudar quando não pode fazer isso em casa direito. Isso é tão errado.
Esme tinha razão em estar preocupada com os estudos de Edward. Eles não eram pessoas ricas, claro que depois que Carlisle se formou em medicina e conseguiu um bom emprego em hospitais pela região, as coisas mudaram. Ainda assim, não eram de esbanjar dinheiro. A vida financeira pode ser confortável para nós, mas não significa muito dinheiro ao ponto de se dar ao luxo de pagar uma faculdade cara. Charlie tinha herdado um bom dinheiro dos seus avós e tinha algumas propriedades pela cidade, que alugava regularmente e isso ajudava no nosso sustento em casa. Agora, ele tinha deixado claro que eu não precisava me preocupar em trabalhar para sustentar meu bebê. Estava grata em poder terminar meus estudos antes.
Assim que chegamos em casa, Esme foi para o quarto tomar banho para tirar o cheiro das flores e segui seu exemplo, mas antes parando no quarto de Edward e percebendo que ele estava dormindo com a cabeça apoiada nos livros. Ele tinha até amanhã para terminar esse artigo. Entrei no quarto e toquei o ombro dele.
- Edward. - sussurrei e ele saltou assustado - Deita na cama.
- O quê?
- Deita para dormir. Te acordo em uma hora. - disse empurrando-o levemente.
Sonolento, ficou de pé olhando para um lado até que riu e o conduzi até a cama. Rapidamente se jogou e dormiu de novo. Além de estudar, ele precisava descansar também. Tomei banho rapidamente e sorri para minha barriga que estava consideravelmente maior e visível. Não entendia nada sobre bebês, principalmente meninos, mas certamente estava muito disposta a aprender.
Desci para ajudar Esme com o almoço e rapidamente preparamos uma salada simples, arroz branco e bife grelhado. Carlisle chegou e subi para acordar Edward para almoçar. Ele ficaria chateado se dormisse o dia inteiro, mesmo que fosse necessário.
- Ei… Hora de acordar. - sussurrei apertando o nariz dele suavemente para parar o leve ronco - Vamos almoçar. - disse quando abriu seus lindos olhos e fiquei meio hipnotizada. Edward acordando era uma visão muito fofa.
- Caramba, estou morto.
- Será que eu posso te ajudar em alguma coisa? - perguntei olhando para pilha dos papeis na mesa.
- Não consigo me concentrar em ler e fazer anotações. Eu tenho as anotações do que vi, mas preciso fundamentar no livro e nos artigos que os professores passaram. Minha mente está entrando em parafuso.
- Se eu ler os artigos e você apenas anotar o que acha interessante, ajuda? Você pode mesclar com aquilo que viu, assim minha voz não vai te fazer dormir e poderá terminar mais rápido. O que acha?
- Você é um anjo e eu te amo. - disse me dando um beijo estalado no rosto.
- Posso começar a te ajudar assim que for na rua buscar o açúcar de confeiteiro para a torta de morango. Depois que assar a sobremesa eu subo com você.
Assim que almoçamos tranquilamente, Edward e eu fomos na padaria de Sue pegar o restante dos ingredientes da sobremesa e compramos morangos frescos e bem grandes para torta. Esme iria me ensinar uma receita da sua família e estava muito curiosa.
- Edward! - gritei e ele freou bruscamente - O bebê mexeu!
- Puta merda Bella! - gritou assustado e começamos a rir - Você quase nos matou - murmurou conduzindo o carro para o acostamento - Cadê?
- Olha…
- Não sinto nada. - resmungou com as duas mãos na minha barriga.
- Eu já senti isso várias vezes, mas não imaginei que era o bebê mexendo. É tipo uma vibração, sei lá. Não dá pra sentir? - perguntei decepcionada - Quando ele mexeu na última ultrassom senti muito levemente, então achei que fosse coisa da minha cabeça porque estava vendo. Como se fosse psicológico, mas agora foi forte. Bem mais forte. - sorri maravilhada - Oh ele fez de novo!
- Vamos lá bebê, eu sou seu padrinho. - disse autoritário e ri colocando minha mão em cima da dele.
- Ele não quer agora. Vamos para casa, quando ele fizer de novo te chamo.
- Vou passar a ler para ele toda vez que estiver aqui e então vai reconhecer minha voz quando nascer. - disse determinado e ri do seu beicinho.
- Edward, agora provavelmente sou a única a sentir. Talvez você muito levemente. Mais tarde vamos tentando.
- Só você pra ter dúvida se era o bebê mexendo ou não.
- É esquisito ter uma coisinha tão pequena mexendo dentro de você.
- Esquisito, mas lindo. - sorriu docemente e devolvi o sorriso concordando - Vamos logo, precisamos trabalhar nesse jantar.
Esme estava praticamente fora de si por ter dois ajudantes ao mesmo tempo na cozinha. Não que Edward tenha ajudado muito porque ele definitivamente não tinha afinidade com as panelas, porém, a intenção era de coração. A mãe dele estava feliz apenas com o empenho dele enquanto eu estava ficando irritada com o não desempenho dele com legumes e uma simples salada. Nós resolvemos fazer a noite da "itália" já que Carlisle, apesar de ser filho de um homem britânico, ele era neto de uma italiana. Esme gostava de fazer massas originais.
Duas lasanhas e uma travessa de espaguete com molho de tomate caseiro, com uma torta de morango para sobremesa e vinho de sobra.
- Meu Deus mãe! Nunca vou conseguir focar na minha dieta! - Rosalie entrou em delírio quando viu a mesa arrumada.
- Como se você fizesse uma de verdade. - retruquei e ela riu me dando língua - Hoje seu afilhado mexeu bem mais forte que antes!
Como Edward fez, colocou a mão na minha barriga e ficou decepcionada porque o bebê não mexeu. Ele tinha ficado agitado o dia todo, provavelmente estava esperando comida porque estava com bastante fome.
- Ele está faminto e tímido agora.
- A lasanha a Bella fez toda sozinha, até o molho de tomate. Edward fez a salada e eu fiz o espaguete. Espero que vocês apreciem nosso trabalho. - Esme disse orgulhosamente.
- Eu dei o vinho. - Carlisle brincou abrindo uma garrafa - Sei que estou esperando a sobremesa. Aquela torta parece maravilhosa.
- Eu também! É tudo que mais quero. - Edward concordou olhando-me atentamente e senti minha mente escorregar para um lado perigoso. - Bella não deixou que comesse nenhum morango e lavou a panela antes que pudesse pedir um pouco do creme.
O jantar foi realmente gostoso e tranquilo. Nós comemos muito e devoramos a sobremesa. Rosalie como sempre dominou todos os tópicos da conversa porque ela falava mais que qualquer um. Emmett era bem mais quieto que ela, por isso que combinavam tanto. Com Charlie eles falavam sobre esportes e trabalho. E ocasionalmente de alguma coisa que Rose estava aprontando.
Enquanto eles foram para sala tomar um cafezinho e assistir um filme, Edward e eu subimos para trabalhar no artigo dele enquanto ainda era cedo e não estávamos com sono.
- Esse artigo xeroquei na biblioteca. - disse me entregando um pacote grosso com algumas folhas - Estou escrevendo o meu próprio, mas preciso de dois a três autores de referência para poder citar no meu texto. Passei dois plantões no hospital para acompanhar o processo da clínica médica.
- Então leio a partir da página cinco?
- E vou te pausar quando encontrar a citação que eu quero.
Conseguimos trabalhar até o começo da madrugada. Depois o ajudei a revisar os erros gramaticais e por fim imprimimos, deixando pronto em cima da mesa. Demoramos quase meia hora para guardar toda bagunça de livros e papel espalhado por todo lado.
- Acho que todo mundo foi dormir. - disse quando vi todas as luzes apagadas. - Vou descer e pegar alguma coisa para comer. Quer algo?
- Vou descer também. - respondeu baixo e de fininho, atravessamos o corredor até a escada. Edward acendeu a luz e consegui enxergar onde estava pisando. - Vou fazer algo gostoso que envolve sorvete, chantilly e frutas. Quer?
Meu sorriso foi a resposta que ele precisava.
- Você conversou com o progenitor em algum momento? - perguntou-me colocando um pote cheio na minha frente e rapidamente afundei minha colher.
- Não. Riley não responde minhas ligações e muito menos atualiza o facebook, mas visualizou minha última mensagem. - respondi de boca cheia. Deus, era doce demais, mas muito gostoso. Edward lambeu a colher e molhou os lábios. Senti um pontada indesejada em relação a cena. Cristo, aquilo era demais. - Desculpa. - sorri envergonhada e ele continuou comendo - Devido a esse fato, meu pai e eu chegamos a conclusão de que assim que o bebê nascer nós vamos conversar com Jasper para que Riley nunca venha e queira ser pai. Sei que se não registrá-lo, ele terá dificuldades de fazer isso no futuro, mas, pedindo um teste de DNA pode querer alguma coisa.
- Você acha que ele pode mudar de ideia?
- Não sei agora, mas daqui uns dez anos ele pode atingir a maturidade o suficiente para entender o que perdeu e eu não quero. Esse bebê está sendo meu filho agora, se não fosse pelo meu pai e minha avó, estaria completamente perdida. Aqui tenho vocês e me assusta pensar em uma possibilidade em não ter sequer um apoio nesse momento confuso.
- Eu acho que você está fazendo o certo. - disse depois de um tempo em silêncio. - Não sei dizer se aos 17 anos estaria explodindo de felicidade em ser pai, porém, tenho certeza que não estaria escondido.
- A mãe dele tentou forçá-lo, mas depois que minha mãe basicamente me expulsou de casa, decidi que não precisava ficar com um pires na mão. Aquilo tudo foi muito confuso e dolorido pra mim. - retruquei calmamente - Cheguei a teoria que Renée queria me pressionar de alguma forma para fazer um aborto e voltar para casa. Ela sugeriu isso diversas vezes e mesmo com o mundo de cabeça pra baixo senti medo. É um procedimento arriscado demais e eu já estava apegada ao bebê.
- Foi a melhor decisão que você fez. - Edward sorriu e afagou minha barriga. - Andrew terá tudo que precisa, uma grande família e muito amor. E principalmente um padrinho muito apaixonado. Estou muito feliz com o convite. - disse completamente derretido.
- Andrew? - perguntei completamente alheia ao fato que ele ainda estava com a mão em mim. O toque dele era muito mais reconfortante que deveria ser.
- Estive pensando nesse nome… Tinha uma opção de nome para menina também.
Andrew… Parece bom. Principalmente se meu filho for tão fofo quanto o Garfield.
- Até que é bonitinho. De onde você tirou?
- Na verdade pensei em Andy, mas você não iria gostar, pode ser o apelido dele. - disse sorrindo e continuei parada esperando saber o motivo que ele estava corando. - Andy do filme Toy Story.
- Ah… Que fofo!
- Pensei em Nicholas.
- Nick? Não. Prefiro Andy.
- Nicholas Charles Swan. - murmurei emburrada e ele sorriu.
- Andrew Charles Swan. - retrucou e suspirei porque tinha gostado muito mais da combinação - Viu só, Andy? Mamãe adorou seu nome.
- Tudo bem. Eu gostei, mas vamos deixar o segundo nome em segredo até o nascimento, ok? É uma surpresa para Charlie.
- Ele vai amar.
Depois que terminamos de comer, limpamos nossa pequena bagunça e sentamos na sala, ainda completamente sem sono. Essa hora já estaria dormindo a muito tempo, porém, não tinha a mínima vontade de ficar sem conversar com Edward mais um pouco.
- Esme me contou que você e Tanya estão morando juntos. - comentei casualmente e ele suspirou fechando os olhos. Apertei o nariz dele quando ficou em silêncio. - Vamos falar sobre isso.
- Eu gosto dela. Muito. Mas eu não sei se estou pronto para dividir meu apartamento com alguém, sabe? É um passo grande. Bem grande.
- E então por quê permitiu?
- Tanya queria muito e eu apenas pensei que não custava nada tentar vivermos juntos.
- Você acha que isso vai desviar seu foco da faculdade?
- Morar junto é o primeiro passo para o casamento e eu não quero isso agora. Gosto dela pra caramba, mas ainda nem cheguei na metade do caminho dos meus estudos. Não quero um casamento agora, planejo algo perto disso quando pelo menos for um interno.
- Eu acho que você deveria ter dito isso a ela.
- Por quê? Eu posso tentar dar esse passo. Quando estamos sozinhos, nos damos muito bem. Tanya não é esse monstro que Rosalie pinta. Ela sabe ser irritante, mas é doce e muito companheira.
- Ela pode se machucar, Edward. - suspirei me acomodando melhor no sofá. - Nada pior que se machucar por aquilo que nunca foi dito. Mesmo que continuem morando juntos, conversar sobre seu receio e seu sentimento é a melhor saída para lidar com isso. Eu queria que Riley tivesse conversado comigo sobre o bebê. Que ele tivesse me dito que estava com medo e que não assumiria o bebê. O silêncio dele é a pior coisa do mundo, me machuca muito porque em um ano e dois meses juntos, nunca passou pela minha cabeça engravidar. Nunca mesmo quis esse bebê, mas eu era e sou terrivelmente apaixonada por ele. Pelo bebê e pelo pai. Toda vez que vejo algo sobre Riley meu coração parte em mil pedaços… Odiaria ver que a falta de comunicação estragou outro relacionamento.
Edward ficou me olhando um tempão antes de respirar fundo.
- Quando soube que estava grávida… Ele sumiu?
- Surtou e depois quando se acalmou disse que precisava de um tempo para pensar. E foi isso. É injusto. Não estou tendo tempo para pensar. Minha barriga cresce todos os dias. Uma vida cresce dentro de mim o tempo todo e nem por isso saí correndo. Pelo contrário, eu fui expulsa de casa, meu namorado rompeu comigo e estou recomeçando minha vida em uma cidade completamente diferente… Está tudo de cabeça pra baixo. - resmunguei fungando e limpei meu nariz com a manga do meu casaco. - Eu não pude pensar em nada. Como ele pode pensar? Não fiz isso sozinha. Ele estava lá também e se me lembro, a idéia de ser sem camisinha foi dele, eu apenas achei que nunca aconteceria comigo e por isso deixei.
Edward estava tão sério que pensei que o rosto dele fosse quebrar. Sequei a lágrima que escapou e ele me abraçou, beijando o topo da minha cabeça.
- Ele não tem idéia do que está perdendo. - suspirou me apertando ainda mais. - Azar completamente dele.
Ficamos em silêncio e meu choro se acalmou. Pelo menos eu tinha a desculpa de estar grávida...
- Converse com ela. Ok?
- Você tem razão… Eu vou conversar com ela. - disse depois de um tempo em silêncio.
- Promete?
Não era como se Tanya fosse a minha pessoa favorita no mundo inteiro, mas não queria que ela saísse machucada porque Edward era incapaz de magoar alguém dizendo o que pensa. Ele iria entender e aprender que o não falar magoa muito mais que falar a verdade.
Edward sorriu e levantou o dedo mindinho.
- Eu prometo. - disse e enrolei o meu no dele. - Agora… Você deita aqui que eu vou contar uma história para o meu afilhado.
- Que história?
- O dia que eu conheci a mãe dele.
Sorrindo, deitei no sofá com a cabeça apoiada na almofada que estava no colo dele. Edward puxou meu cabelo para trás.
- Era uma vez em uma cidade pequena, muito pequena, muito distante, uma garotinha de três anos de idade, chamada Isabella, caiu do balanço e começou a chorar. O pai dela estava quase chorando junto com a filha quando a Vovó Esme me entregou um pirulito e disse "Vá até ela, filho". Eu, um menino de dez anos de idade quis dizer "você está brincando?". Com um empurrãozinho, cheguei até a menina com grandes olhos castanhos banhados em lágrimas e ofereci o doce. Ela sorriu e disse "obicada".
- Você é péssimo em contar histórias. - reclamei porque ele não tinha coerência e emoção nenhuma, mesmo sendo fofo demais por ter lembrado o dia que nós nos conhecemos.
- Por quê?
- Cadê a dramatização?
- Deixa de ser chata, caramba. - brincou apertando meu nariz e eu ri. - Tudo bem, vou pegar um livro.
Esperei Edward voltar com um livro ainda deitada no sofá. Ele retomou seu lugar com um exemplar de Spirit - O Corcel Indomável. Era uma das histórias mais lindas e infantis que já li na vida e fiquei ainda mais admirada que ele tivesse escolhido algo que gostava. Não parecia muito o estilo dele, porém, quando ouvi sua voz contar de forma suave, mudando um pouco as frases porque já estava mais que decorado, entendi que ele, apesar da vida adulta, da correria dos estudos e do compromisso sério com uma namorada, ainda tinha o coração de menino da cidade pequena que passou muito tempo lendo histórias infantis em sua enorme biblioteca.
Esse lado dele era simplesmente apaixonante.
