Ola, povs!
Depois do susto que levei recentemente com o meu computador, tudo já está
de volta, Graças a Deus!
É que o botão de ligar e desligar havia soltado por dentro... dá para
acreditar?!
Eu e meu irmão tivemos que desmontar a CPU todinha para poder grudar de novo! Deu trabalho, mas já está O.K.... quero dizer, quase tudo O.K. porque minhas caixas de sons também estão com problema!
Mas o que importa mesmo é que o monitor está funcionando, o teclado e mouse estão funcionando e que o Word também está legal!
Bom... eu recebi muitos reviews essa semana e estou morta de contente, para falar a verdade! Recebi quase o dobro que costumo receber! No final do capítulo vou comentá-las!
Algumas reviews perguntavam a respeito das pérolas negras... bom... eu não posse responder se a pérola perdida era ou não do shaoran, porque se não estraga a surpresa, né?
Bom... chega de escrever... falo com vcs no final do capítulo! Eheheh... boa leitura!
%só para informar: CCS é o melhor ANIME do mundo... mas não me pertence... durr!!%
Sakura fica doente – Primeira parte (ficou enorme, então dividi este capitulo em dois)
Sakura abriu a janela e exalou um pouco do ar da segunda-feira de tardinha. Estavam nevando mais do que nunca, mas ela não se importou. O vento frio entrava pela sala, causando um arrepio gostoso em Sakura. Ligou o som no volume quase murmurante e sentou-se no sofá, segurando uma xícara de chocolate quente. Pensou que aquela folga inesperada viera a calhar...
Naquela mesma manhã, ela fez a rotina de sempre até chegar em sua salinha. A luz vermelha em sua mesa estava ligada, dando a entender que o Sr. Li já havia chegado e estava a sua espera. Suspirando, ela se perguntava como pediria ao Senhor Li alguns dias de folga, pois o pai ligara no domingo (logo após dela chegar do cinema em que fora com Tomoyo e Meiling) convidando-a para passar o natal com a família. É claro que ela queria ir, mas como seria bom passar o ano novo também, além do dois dias de viagem (um para ida, outro para volta), ela precisava de, no mínimo, uma semana. Pensou que talvez estivesse sendo um tanto exigente ou, como Tomoyo gostava de chamar, "folgada", mas tinha que, ao menos, tentar...
Suspirando para juntar coragem, ela bateu e entrou. O chefe estava, como sempre, sentado em sua escrivaninha, vestindo um terno escuro e com uma gravata verde e vermelha, talvez fazendo uma alusão ao natal. Seus cabelos estavam sensualmente despenteados, como sempre, e ele lia algum relatório, aparentemente sem ter notado a sua presença. Pigarreando, ela se anunciou.
- Ah, sim! Você já chegou. Srta. Sakura, por favor, queira desmarcar todos os compromissos dessa semana e da semana que vem. Farei uma viajem e ficarei fora por esse tempo.
- Mas... duas semanas? – Sakura exclamou, surpresa – dessa semana? Eu pensei que vocês iam só semana que vem...
Sakura percebeu na hora que estava sendo indiscreta, pois o Sr. Li supostamente não sabia que ela escutara a conversa dele com a prima à dois dias. Ele deu um sorriso charmoso e enigmático e Sakura sentiu o coração disparar no peito inconscientemente... Ai! Aquilo já estava virando rotina...
- Hum... então já sabe que eu vou viajar, assim como a Meiling... será que andou escutando conversas por detrás das portas, Sr. Sakura?
Sakura ficou surpresa, mas pensou que já devia esperar algo do tipo vindo dele... aprecia que o Sr. Li sempre estava a um passo a frente dela!
- Hum...
- Srta. Sakura, você é muito boa em esconder as coisas, mas não consegue me enganar por muito tempo... – ele se levantou, deu a volta na mesa e a encarou, dominador, com as mãos nos bolsos. Ela sempre tinha impressão que ele era bem maior do que já era quando a encarava daquele jeito. Sorriu charmosamente e continuou – Eu encontrei com sua amiga Tomoyo na porta do elevador e quando eu perguntei se você estava em casa, ela disse que você estava junto com a Meiling.
Sakura corou até a raiz dos cabelos.
- Por que não se mostrou enquanto eu estava lá?
- Bem... eu achei que você... você poderia pensar que estava me metendo na vida dela... – Mas ela sabia que não era esse o verdadeiro motivo
- Você sabe que eu jamais pensaria isso de você, Sakura...
Sakura sentiu um frenesi passar desde o começo de sua nuca até o fim da espinha, fazendo-a ficar toda arrepiada... ele falara seu nome... numa voz tão terna... ela olhou para ele e o viu estudando-a de maneira estranha. Se fosse possível, ela corou mais ainda e pensou em outra coisa, para desviar daquele assunto constrangedor
- Mas... por que... por que você queria falar comigo?
- Ah, sim! Bem, eu iria dizer para a senhorita que não era preciso você vir para cá de hoje até o dia 3 de janeiro.
- Quer dizer que... eu vou ter esse tempo todo de folga?! – era bom demais para ser verdade...
- É sim! Eu vou precisar viajar essa semana para Osaka e semana que vem eu volto Para a China com Meiling. É tradição a família toda passar o Natal junta... e não tem porque você ficar aqui sem fazer nada!
- Mas...
- Sem mas, Srta. Sakura! Eu espero que você tenha um bom natal e que o aproveite bem...
- Mas se você ia me avisar, porque não me chamou ou deu o recado a Meiling?
- Era essa a intenção, mas depois daquele banho que eu levei... fiquei muito irritado e acabei me esquecendo!
- Entendo... quer dizer então que eu posso ir para casa?
- Não! – ele sorriu e voltou a se sentar na mesa dele, enquanto ela o olhava, intrigada
– Já que você veio aqui, eu quero que você resolva uns poucos probleminhas para mim...
E então, depois de resolver esses "probleminhas" que levaram a manhã inteira, ela finalmente foi para casa. A primeira coisa que fez foi dar a ótima notícia ao pai. Ele ficou muito feliz. Depois ligara para Tomoyo, avisando que ia viajar. Não foi surpresa a prima lhe dizer que também viajaria para passar as comemorações com a família e completara, meio chorosa, que tinha intenção de raptá-la para levá-la com ela!
Assim que terminara de falar com ela, resolveu organizar-se: precisava fazer muitas coisas antes de viajar! Fez uma lista de coisas que precisava comprar, retirou suas malas do guarda roupa (que estavam com um mofo danado!) e tratou logo de ligar para a companhia ferroviária para saber o preço da passagem e que horas o trem saía. Depois de fazer tudo isso, ela finalmente sentara naquele dia e agora relaxava. Já tomara todo o chocolate e cochilava no sofá, mas não por muito tempo...
Um barulho de vidro quebrando, um grito agudo e batidas insistentes na sua porta sobressaltaram Sakura. Rápida, ela foi atender. Era Meiling e vagamente a moça notara que sua vizinha da frente estava vestindo um robe, uma touca e que ela estava ensopada. O que realmente chamou Sakura foi os cortes que ela tinha em ambas as mãos, que sangravam muito. Havia pingos de sangue pelo corredor.
- Pelos Céus, Meiling! O que aconteceu com você?! – Sakura perguntou, preocupava, enquanto puxava-a pelo braço para fazê-la entrar.
A moça parecia estar a beira de um colapso nervoso
- eu... eu... p-peguei aquele vaso de c-cristal que ficava na sala... p- porque havia comprado... uns... c-cravos... e... e-enchi de água... m-mas quando fui colocar... o vaso encima da geladeira... ele... ele...
- Ele caiu em cima de você?! – Sakura perguntou, decididamente assustada agora
- S-sim! Mas eu me protegi colocando as m-mãos na cabeça... o vaso se partiu e mil p-pedacinhos! – ela chorou um pouco de dor, tremendo de frio
- Calma aí que eu vou buscar bandagens e álcool!
Dez minutos depois, Sakura ainda estava na tarefa horrível de estancar o sangue e tirar, com uma pinça, pequeno cacos de vidro que ainda estava na pele. Meiling gemia a todo momento, mas agradecia internamente por ter sido, apesar de tudo, ferimentos superficiais. Meiling também havia se cortado na têmpora. Finalmente, depois de Sakura ter enrolado bandagens nas mãos dela, notou que ela ainda tremia.
- Calma, meiling! Não foi nada grave! – ela procurou consolá-la
- N-não e-e-stou ter-mendo d-de... nerv-vosa. É- é de fr-frio...
Só então Sakura notou que a janela continuara aberta e a meiling estava ensopada
- Céus!!! – ela correu e fechou a janela - você pode ficar resfriada! Peraí que eu já volto!
Ela pegou uma manta quentinha e mandou Meiling tirar a roupa molhada, enquanto ela colocava chocolate quente para a amiga numa xícara
- Não se preocupe! Estou bem! Sempre tive uma saúde de ferro! – respondera Meiling quando Sakura sugerira que ela poderia ficar doente.
Mas parece que vir ao Japão em pleno inverno não fez muito bem A Meiling. Ela acabou tendo uma gripe daquelas, com febre alta e tudo mais. Sakura, sentido-se meio culpada pelo estado dela (afinal, ela não fechara a janela!), resolveu cuidar dela. Ela fez a vizinha mudar-se temporariamente para sua casa e a mimou de todas as maneiras. Meiling tivera febres altas e não parava de espirrar. Seu nariz ficara vermelho e os olhos, lacrimejantes. Ela ficara realmente gripada...
Mas depois de três dias de cuidado, a moça ficara bem melhor, embora ainda espirrasse. Embora Sakura tenha pedido para que ela ficasse, Meiling dissera que a viagem seria de madrugada e que ela precisava arrumar suas coisas. Ainda preocupada com a amiga, Sakura a ajudara bastante e fizera questão de levá-la ao aeroporto.
- Onde está seu primo? – Sakura perguntou por curiosidade
- Xiao Lang, pelo que eu sei, estava Osaka até ontem, mas estou sem notícias dele. – Meiling apressou-se em explicar e uma voz de algum lugar do alto convidou os passageiros do próximo vôo a se apresentarem na sala de embarque – Ai, preciso ir! Obrigada por cuidar de mim e... – Ela pegou um molhinho de chaves do bolso e entregou a ela – Por favor, cuide da minha casa o tempo que você ficar aqui. Eu sei que você vai viajar, mas mesmo assim... não se preocupe em chegar antes de mim só porque está com as chaves. Eu tenho cópias aqui comigo.
- está bem! – Sakura sorriu – tenha juízo em Hong Kong e lembre-se de...
- Ser firme e forte! Sem problema, Sakura! – Ela deu-lhe um forte abraço – Até ano que vem, Sakura!!!
- Até! – ela riu da brincadeira da vizinha
Depois que o avião da amiga finalmente decolara, Sakura voltou para casa e tratou de fazer as próprias malas: Viajaria em dois dias e queria não perder tempo: estar com a família, mesmo que com o irmão chato era a coisa mais gostosa que tinha! Assim que terminou, ela se sentiu estranhamente cansada, mas não ligou muito: tivera um dia cansativo e longo. Tudo o que precisava era dormir um pouco...
Mas ela não conseguiu. A noite inteira foi pontuada com crises de insônia, sonhos estranhos e repetitivos. Por mais que tentasse pensar em assuntos relaxantes, sua cabeça se recusava a cooperar. Isso resultou no fato dela estar muito mais cansada e com a cabeça pesada na manhã seguinte. Mas, recusando-se a descansar, ela terminou os preparativos para viagens. No fim da tarde, depois de ligar para Tomoyo lhe desejando uma boa viagem, ela finalmente admitiu estar um pouco gripada. Espirrando muito, ela fez uma sopa que ficou com um gosto que transcendia ao horrível e um chá aguado. Mal alimentada, ela deitou-se, com o pensamento na cabeça de que, na manhã seguinte, estaria bem melhor.
A noite passara com uma torturante vagareza. Havia momentos de lucidez e de sonhos, que ela confundia todo o tempo. Foi pior do que a primeira noite e, para coroar, ela sentira o corpo quente e dolorido ao acordar. Estava realmente doente, mas precisava viajar... que dilema!
Disposta a não ser vencida pelo corpo fraco, Sakura trocou de roupa e preparou algo para tomar (depois de quase esvaziar a xícara ela notara que havia apenas água quente ali!). depois fechou a casa inteira e arrastara as malas até a sala, estava finalmente pronta para sair. Foi quando sentiu uma tontura. Foi tão repentina e forte que ela teve que se apoiar na poltrona para não cair. Sentiu-se mais fraca do que nunca sentira! A doença que ela fazia questão de ignorar estava cada vez mais pronunciada. Ela sentia que todas as suas juntas estavam pesadas e a cabeça parecia uma bolha d'água. Céus! Seria que tinha força suficiente para ligar para pedir um táxi? Ainda estava cogitando sobre isso quando a campainha tocou. Aborrecida, ela lutou para ir a porta e atender quem quer que fosse. Quando olhou pelo olho mágico, seu coração disparou no peito: O que ELE estava fazendo ali?!
- Sr. Li. – ela falou no tom mais despreocupado possível, lutando internamente para se manter ereta e sem se mostrar nenhum pingo doente.
- Ola, Srta. Sakura! – ele Cumprimentou-a, animado – Eu sinto incomodá-la, mas preciso das chaves reserva da minha prima para pegar umas coisas que ela esqueceu e me deu a incumbência de pegar para ela!
Falou num tom que normalmente feito ela rir, mas ela apenas forçou um sorriso e foi buscar a chave. Tentava não parecer sôfrega e seus passos eram cuidadosamente calculados. Demorou um ou dois segundos para lembrar que a chave estava escondida na gaveta do criado mudo. Lentamente, ela fez o tortuoso caminho de volta
- Aqui está! – ela falou, praticamente jogando as chaves na mão dele, mas ele não pareceu se importar muito
- Obrigado! Espero só um instante que eu já devolvo a chave – ele estudou o rosto da moça por um longo momento – Sakura, por que você está com o rosto vermelho?
- Ah! Bem... eu... eu estava olhando pela janela e está fazendo um frio de congelar os ossos... aí fiquei vermelha!
Sabia que aquela era a pior desculpa do mundo, mas parecia que ele havia caído.
- está bem! Espere só um pouco, Srta. Sakura!
Ele adentrou no apartamento da prima e Sakura se apoiou na maçaneta da porta: caramba, que cansaço! Ela, com certeza, pegara a gripe de meiling, mas estava sendo bem mais forte nela. Talvez porque não se cuidara como deveria ou pelo fato que, por causa da pressa do trabalho no escritório, andara negligenciando sua alimentação baseada... pelo sim ou pelo não, a verdade era que estava muito doente...
- Obrigado mais uma vez, Srta. Sakura! – Nossa! Ele já havia voltado?
Tratando logo de se ajeitar, o que causou mais um acesso de tontura, ela falou, fracamente:
- Não tem de que.
Ele lhe entregou a chave e roçou a mão grande e de dedos longos na mãozinha macia dela...
- Sakura, você está quente! – ele falou com voz levemente preocupada
- Eu estou bem... – ela fez um movimento brusco para retirar a sua mão da dele e ficou bem mais tonta. Se desequilibrou e teria caído se ele não tivesse segurado-a pelos braços.
- Sakura, você está doente...
- eu sei... – ela estava sem forças até para discutir com o Sr. Li
- Céus! – ele havia tocado com delicadeza em sua testa – Você está ardendo em febre!
Ela sentiu outro acesso de tontura e fraqueza e pendeu para frente, apoiando a cabeça no peito largo dele. ela escutou as batidas do coração dele se acelerarem por algum motivo, mas não ligou muito para o fato: estava sem força até para respirar...
Sem nenhuma cerimônia, ele a tomou nos braços e apertou-a contra o corpo, enquanto se dirigia para um dos quartos, que ele esperou que fosse o dela. Deitou-a na cama, tirou os sapatos, o cachecol e o sobretudo dela. Pegou um cobertor bem grosso e colocou sobre o corpo delicado. Ainda sim, sentia a moça tremer levemente sob as cobertas. Depressa, ele procurou um termômetro e encontrou um no banheiro. Esperou impaciente o aparelhinho medir a temperatura. Quando finalmente ele apitou, acusou 38,9 de febre! Estava alta! Dirigiu-se a Sakura que, embora visse tudo o que ele fazia, não parecia ter muita consciência...
- Sakura onde você guarda os remédios?
Teve que repetir a pergunta para escutar Sakura dizer em um murmúrio as palavras "armário" e "banheiro". Levou algum tempo para ele encontrar um anti-térmico. Ministrou as gotas indicadas na bula em um copo d'água e deu a Sakura. A moça bebeu com dificuldade. Depois de um tempo, ela acabou dormindo e Shaoran ficou sem saber o que fazer. Ele nunca havia cuidado de ninguém doente antes. Apenas fizera o óbvio e o que vira Wei, um velho amigo que cuidara dele a vida inteira, fazendo quando ele próprio ficara doente... mas... e agora? Teria que esperar? Mas esperar exatamente o que? A febre baixar? Ela acordar? Era uma situação nova para ele... aliás, muita coisa mudara desde que a conhecera...
Desde que a vira pela primeira vez, ele se sentira atraído por ela de uma maneira especial, quase como... fraternalmente. Era verdade que ele confundira ela com a mãe, mas quando a vira no escritório pela primeira vez... Quase riu ao lembrar-se das palavras da Sra. Kin quando ela foi anunciá-la...
"É uma bela moça, Sr. Li. Tem postura elegante, voz suave... mas não gostei nada dos óculos que ela usa... penso que eles estiveram na moda de 1876!"
E Shaoran concordava com ela. eles eram feios e tiravam toda a beleza do olhar... e nas poucas chances que a vira sem eles, foram em situações estranhas e extremas, que fazia-na sentir-se aborrecida ou estarrecida. Nunca vira os olhos sorrirem junto com os lábios rosados... deveriam parecer duas belas esmeraldas lapidadas! E agora os olhos se encontravam fechados e os cílios escuros contrastavam violentamente com a pele pálida. Ela era tão bonita... como a mãe...
Sorriu com a lembrança do garotinho de oito anos preso encima de uma árvore de cerejeiras, com medo de descer... foi então que ela aparecera, grávida, com um vestido verde, sorrindo tão serenamente que ele pensou que ela fosse um anjo...
Um gemido baixo tirara essas coisas de sua cabeça e ele correu para acudi- la. Sentou-se na beirada na cama e viu que ela acordava. Ela olhou em volta, como se não reconhecesse o lugar e então fixou o olhar em shaoran.
- onde... estou?
- Na sua cama, suponho. Você está doente e resolvi cuidar de você.
Ela se mexeu um pouco rápido demais e fez uma careta de dor, levando uma das mãos a cabeça
- Fique no lugar, Sakura. Você está muito fraca. Precisa descansar...
- Sinto... sede...
depressa, ele foi a cozinha e pegou um copo de água natural. Ela sorveu tudo em pequenos goles, fazendo caretinhas a cada gole...
- o que você está sentido? – ele voltou a recostar a cabeça dela no travesseiro
- Estou com dor de cabeça, o corpo dói... e meu ouvido esquerdo também...
- O ouvido? – ele quis confirmar, preocupado
- Sim... e me sinto muito cansada... não consigo respirar direito... Mas... que horas são?
- São 11 e meia da manhã
- o que?! Ah, não! – ela se levantou bruscamente da cama e se sentiu tonta
- Deite-se. E pare de fazer movimentos bruscos!
- Mas... eu... preciso viajar... ir ver meu pai...
- infelizmente não vai dar... Acho que você já deve ter perdido o avião...
- Eu... eu... vou de trem... – ela apressou-se em dizer, tentando se levantar outra vez
- Acho que já o perdeu também... já é tarde...
- mas...
- Olhe... é melhor você ligar para o seu pai e dizer que o trem atrasou ou que aconteceu alguma coisa, só para não ficar preocupado.
Ele estendeu o telefone do criado mudo para ela que, relutante, o pegou. Discou um número e esperou a ligação ser atendida. Procurando não ser indiscreto, Shaoran se afastou enquanto a moça falava com o pai. Alguns minutos depois ela desligou o telefone e ficou olhando para teto. Desconfortável com aquele silêncio, Shaoran falou:
- Sakura, você está sentindo alguma coisa anormal?
- o mesmo de sempre. – ela o olhou como se só agora percebesse que ele continuava ali – Mas vem cá... o que faz um homem tão ocupado como você aqui? Você já devia estar na China...
- Eu não posso deixar você sozinha aqui, Sakura... Porque tenho certeza que vai querer forçar a barra... você está com fome?
- eu não sou mais criança e posso me cuidar sozinha! – ela o olhou com o olhar mais indignado com seus olhos lacrimejantes permitiam – e não estou com fome!
- nenhum doente pode ficar sozinho. e você não tem mais ninguém além de mim para cuidar de você...
- tenho sim!
- Quem?
Sakura se calou, procurando em sua mente cansada alguém que poderia dar como referência, mas não pensou em ninguém.
- viu? Vamos ver... Meiling está a essa altura brigando com a minha família na China, sua prima tomoyo deve estar desfazendo suas malas em algum lugar e seu pai e seu irmão devem estar cuidando dos últimos preparativos para a ceia de natal... e se você quer estar lá com eles até o dia 24 de dezembro, sugiro que descanse e deixe-me cuidar de você!
- mas...
- nada de mas! – ele fez um gesto imponente com as mãos que a fizera calar – Eu não posso ser um "expert" em doenças, mas sei que você precisa se alimentar... vou fazer uma sopa...
- Ah, não!
- o que foi? – ele perguntou, preocupado
- Você... na cozinha?! Cozinhando?!
Ele se fingiu ofendido, cruzando os braços e perguntou, cinicamente:
- sim... por acaso você está duvidando das minhas habilidades culinárias?
- Na verdade estou... não consigo imaginar você... bem...
- Não tente imaginar, mas, se me conhecesse melhor, veria que sei bem mais do que ficar detrás de uma mesa brigando com outras pessoas...
Sem dizer mais nada, ele foi para a cozinha.
Algum tempo depois, ele voltou carregando uma bandeja com um prato de sopa, algumas torradas e chá quentinho e adocicado.
- bom... ainda bem que você está doente e que não possa se levantar agora.
- Ué, por que? – ela perguntou, enquanto se levantava da cama com dificuldade
- porque acho que me mataria se visse o estado em que sua cozinha ficou. – ele sorriu, animado – Tem até um grude estranho no teto.
- o que?! – ela perguntou, assustada
- Estou só brincando! Relaxe! Espero que não se importe que eu tenha pego esta bandeja de café da manhã no armário... – disse ele, armando os pés da bandeja de modo que eles se apoiaram na cama
- Desde que não tenha desarrumado o resto das coisas... – cautelosamente, ela provou uma colherinha de sopa e teve uma surpresa agradável – noooossa! Isto está... está...
- Bom? Delicioso? Uma obra-prima da culinária moderna? – ele perguntou, sorrindo de orelha a orelha, sentando-se na beira da cama
- está passável! – ela comeu mais um pouco, admirada
- Puxa! Só passável?! Eu esperava mais, Sakura!
- Para alguém que passa o dia inteiro na frente de uma mesa gritando com as pessoas, passável já está muito bom!
Ela tomou o resto da sopa, mas quando shaoran lhe ofereceu mais, ela disse que já estava cheia
- Mas você ainda está muito mal alimentada! – ele argumentou
- Eu estou doente e, embora eu saiba que preciso me alimentar, eu simplesmente não consigo... – ela tomou a metade do chá e entregou a bandeja para ele – Agora, é melhor você ir limpar minha cozinha porque se eu encontrar algo fora do lugar, eu esqueço que você é meu patrão e lhe dou uma surra!
Rindo muito, ele foi lhe fazer o que era mandado.
Sakura pareceu estar melhor até o finalzinho da tarde, quando a febre voltou mais forte do que antes. Shaoran lhe deu um anti-térmico mais não parecia haver melhoras. O que deveria fazer? Ocorreu-lhe vagamente pela cabeça que não era para ele estar tão preocupado com a sua secretária, mas logo arranjou uma explicação boba para o fato, afirmando que era porque não gostava de ver ninguém tão mal. Passeou de um lado para outro, enquanto via Sakura tremer por debaixo das cobertas levemente. Ela estava muito mal! Precisava fazer alguma coisa! Mas tinha medo de fazer algo que a deixasse pior... o que fazer?!
Foi então que lembrou-se...
"É... um médico se mudou para lá semana passada..."
É claro! Na época em que estava procurando um apartamento para Meiling, ela lhe dissera isso... com certeza um médico saberia o que fazer!
Foi até o interfone e pediu para falar com médico do oitavo andar. Quem quer fosse, perguntou com curiosidade mal-escondida qual era o assunto, mas Shaoran, com sua consagrada rispidez dos negócios, falou que não era da conta dele que ele apenas fizesse a ligação. O interfone chamou três vezes. Shaoran pensou no que faria se ninguém atendesse... será que teria que levá- la ao hospital? Então uma voz levemente aborrecida, porém agradável falou...
- Sim?
- Alô? Ah, oi, aqui é do apartamento 1202... por acaso o Sr. É o médico?
- Sim, sou eu... – a voz agradável falou
- Por favor, será que você poderia subir até o apartamento 1202? É que tem uma pessoa muito doente aqui...
- Sinto muito... – a voz cortou, aborrecida – Mas não faço consultas fora do meu horário.
- Mas... você não está entendendo! Ela está muito doente! Está com febre muito alta e não consigo baixá-la...
- Já deu um antitérmico a ela?
- Já, mas ela não reagiu... e ela está tremendo...
- tremendo? – finalmente a voz mostrou interesse – Mas... violentamente?
- Não, mas... ela está toda enrolada em cobertas e o aquecedor está ligado... eu estou com medo de que ela tenha alguma convulsão...
- Do que mais ela se queixa?
- De dor de cabeça, dor no corpo... e uma dor no ouvido forte. A voz se calou um pouco, aparentemente pensando se valeria o trabalho de subir alguns andares para ver a moça. Shaoran deu sua cartada final:
- Olhe, se o problema for dinheiro, não tem problema, eu pago o quanto você pedir...
- Meu rapaz, eu vou até aí, mas não por causa do dinheiro! – A voz o cortou novamente, com dureza – Mantenha-a aquecida. Já estou subindo.
E desligou na cara dele. Sem se importar muito com isso, ele também desligou e voltou para junto dela. Agora ela tremia bem mais e se mexia na cama o tempo todo. Um espasmo de pavor passou pelo rapaz, pensando que ela poderia ficar realmente doente... Sem que realmente percebesse, ele pegou uma das mãos da sua secretária e apertou-a entre as suas, esperando que, por um milagre, um pouco de sua saúde fosse transmitida a ela através daquele toque...
agonizantes minutos se passaram e shaoran se pegou xingando o médico que demorava tanto para chegar. Finalmente depois do que parecera uma eternidade para ele, a campainha tocou nervosa lá na sala. Com cuidado, ele depositou-a de volta na cama e foi atender, rápido. Na sua frente surgiu um jovem mais ou menos da sua idade, tão alto como ele, tão atlético como ele, com cabelos negros assentados e olhos azuis calmos, por trás de óculos de aros finos. Sua pele era pálida e havia um meio sorriso nos lábios dele quando perguntou:
- Onde está a paciente?
Rápido, Shaoran levou o médico até o quarto da sua secretária. Ela ainda se tremia. Rápido também, o rapaz retirou alguns instrumentos médicos de dentro da maleta que carregava. Examinou Sakura através do estetoscópio, olhou as pupilas, examinou a garganta e os ouvidos. Por fim, mediu a temperatura e virou-se para o rapaz:
- Essa mocinha precisa se cuidar bastante. Ela está com um resfriado, mas se ela não tomar cuidado, pode virar um pneumonia ou coisa pior.
Shaoran sentou-se na beirada da cama e, sem notar, pegara uma das mãos da moça entre a sua. O médico notara isso.
- Você é namorado dela? – perguntou, levantando uma das sobrancelhas dois centímetros
- o quê? Não!! – ele soltou a mão dela imediatamente. O médico sorriu – ela é minha secretária e... AH! É uma história muito longa e acho que você não tem tempo. Mas o que devo fazer?
- Bom... você precisa fazer compressas frias com água e álcool para ajudar a baixar a febre. Mande a moça tomar bastante líquido e comer bem. Ela também está com uma pequena inflamação no ouvido esquerdo portanto vou passar um antiinflamatório também. Você pode ir comprar?
- Bem... eu não queria deixá-la sozinha, mas... tudo bem, eu já sei o que vou fazer...
- Olha... se você for, eu posso tomar conta dela por enquanto...
Algo no jeito dele na hora em que ele falou isso desagradou-o profundamente. De alguma maneira, sabia que aquele homem não faria mal a ela, mas não gostou do tom de voz pretensioso.
- Não... eu já sei o que farei, não se preocupe. Obrigada por ter gasto seu precioso tempo conosco. – Shaoran falou, praticamente empurrando-o para fora do quarto. O rapaz sorriu, divertido
- Sem problemas, Sr...
- Li Shaoran. – ele completou, seco, abrindo a porta de entrada da casa. O médico levantou a sobrancelha outra vez.
- Por acaso você é aquele empresário muito famosos chinês?
- Talvez eu seja. – ele falou, impaciente – Agora, se me der licença...
- Claro, claro! Mas amanhã de manhã virei ver como a moça está e se houver algum problema, não hesite em me chamar e então teremos que levá-la para um hospital... embora ache que não será preciso.
Shaoran apenas concordou com a cabeça. E homem sorriu e se despediu. Shaoran voltou para ver como estava Sakura, que neste instante estava acordada e olhava para ele com uma expressão fraca.
- Sr. Li... quem é que era o homem que estava aqui?
- Um médico, Sakura. Você está muito mal... você ouviu o que ele disse?
- Algumas coisas... – ela admitiu
- Pois bem... ele disse que você está muito resfriada e com uma pequena inflamação no ouvido esquerdo... e que precisa tomar muitos líquidos e se alimentar bem. Onde você guarda o álcool, Sakura?
- na dispensa, na cozinha...
Ele fez compressas de água fria colocou na testa da moça, que permaneceu quietinha, enquanto o observava cuidar dela... por que ele estava tendo tanto trabalho com ela, se ele era um homem tão ocupado? A verdade era... Por que se dar ao trabalho, se ela era apenas uma simples secretária? Shaoran viu que estava sendo observado e deu-lhe um daqueles sorrisos avassaladores. Sakura sentiu o rosto todo ficar quente e cobriu-se até o nariz com o edredom. Resolveu quebrar o silêncio, perguntando o que passava pela sua cabeça:
- sr. Li, por que ainda está aqui?
- como?
- É que... eu sei que o senhor tinha que viajar hoje... mas ainda está aqui... desse jeito, vai perder o seu vôo.
- não se preocupe comigo, Sakura. Preocupe-se apenas em ficar boa...
- Não. – ela falou num tom estranho, meio angustiado – Não! Eu sei que você vive ocupado! Eu sei disse porque sou eu que arrumo sua agenda e marco seus compromissos! Eu não quero que você se prejudique por minha causa! Além disso, você devia estar com sua família agora!
Ele olhou-a pensativo por um longo momento, então falou:
- Se você realmente quer saber, Sakura, eu não faço tanta questão assim de voltar para o "covil dos lobos"... tudo bem que eu amo minha mãe e minhas irmãs, mas há certas pessoas naquele clã que não valem a metade que você vale! – Shaoran passou um dedo levemente pelo nariz da moça – E essas pessoas estão em maioria... infelizmente... e... – ele sorriu – Se você não ficar boa, quem vai cuidar dos meus compromissos?
Ela sorriu junto com ele, mas depois falou, ainda não muito convencida:
- Mas... eu ainda acho que você não devia estar aqui...
- Sakura, se está tentando arranjar uma desculpa para eu ir embora, pode esquecer! – ele exclamou, com autoridade, porém seus olhos brilhavam – Eu vou ficar aqui até você ficar forte o suficiente para viajar!
- Mas...
- Nada do que você possa me dizer vai fazer eu mudar de idéia... e você já deveria saber disso, pois sabe como eu sou!
Ela resmungou algumas coisas, mal-humorada e ele sorriu:
- bom... agora que eu já convenci você, eu vou dar uns telefonemas e pedir que alguém vá comprar o remédio para o seu ouvido...
- Bom, eu...
- Eu já sei o que você vai dizer e não se dê ao trabalho! – ele a cortou, voltando-se para ela com um belo sorriso nos lábios bem-feitos – Eu já disse: não vou sair um minuto do seu lado até você ficar boa!
Depois que deixou Sakura tomando um cochilo, shaoran tirou do bolso interno do paletó o celular desligado e ligou-o. fez uma careta ao ver o número de mensagens de voz e texto que haviam deixado. Antes de ver de quem eram, ele chamou o zelador e pediu para que ele fosse até uma farmácia comprar o remédios para Sakura. O homem ficou bem curioso para saber o que um homem estava fazendo na casa de uma jovem solteira, mas não fez nenhuma pergunta ao saber que Sakura, que era muito querida no prédio inteiro, era quem estava doente. Depois disso, ele se sentou no sofá e começou a ver suas mensagens. A maioria era de pessoas querendo saber por onde ele andava, que ele fez questão de não responder. Na verdade, ele respondeu apenas para uma pessoa, o Sr. Wei, que cuidava dele desde criança e quem ele achava que era a única pessoa que não tinha o direito de ficar preocupado com ele. Deu instruções precisas e para o seu "tutor", mas disse que não tinha certeza até quando ficaria ali com a moça. Assim que desligou seu celular outra vez, a campainha tocou e Shaoran atendeu: era o velho zelador que lhe entregou os remédios e desejou melhoras para Sakura. Ele então foi até ela e lhe ministrou as doses receitadas pelo médico. E esperou...
Eu e meu irmão tivemos que desmontar a CPU todinha para poder grudar de novo! Deu trabalho, mas já está O.K.... quero dizer, quase tudo O.K. porque minhas caixas de sons também estão com problema!
Mas o que importa mesmo é que o monitor está funcionando, o teclado e mouse estão funcionando e que o Word também está legal!
Bom... eu recebi muitos reviews essa semana e estou morta de contente, para falar a verdade! Recebi quase o dobro que costumo receber! No final do capítulo vou comentá-las!
Algumas reviews perguntavam a respeito das pérolas negras... bom... eu não posse responder se a pérola perdida era ou não do shaoran, porque se não estraga a surpresa, né?
Bom... chega de escrever... falo com vcs no final do capítulo! Eheheh... boa leitura!
%só para informar: CCS é o melhor ANIME do mundo... mas não me pertence... durr!!%
Sakura fica doente – Primeira parte (ficou enorme, então dividi este capitulo em dois)
Sakura abriu a janela e exalou um pouco do ar da segunda-feira de tardinha. Estavam nevando mais do que nunca, mas ela não se importou. O vento frio entrava pela sala, causando um arrepio gostoso em Sakura. Ligou o som no volume quase murmurante e sentou-se no sofá, segurando uma xícara de chocolate quente. Pensou que aquela folga inesperada viera a calhar...
Naquela mesma manhã, ela fez a rotina de sempre até chegar em sua salinha. A luz vermelha em sua mesa estava ligada, dando a entender que o Sr. Li já havia chegado e estava a sua espera. Suspirando, ela se perguntava como pediria ao Senhor Li alguns dias de folga, pois o pai ligara no domingo (logo após dela chegar do cinema em que fora com Tomoyo e Meiling) convidando-a para passar o natal com a família. É claro que ela queria ir, mas como seria bom passar o ano novo também, além do dois dias de viagem (um para ida, outro para volta), ela precisava de, no mínimo, uma semana. Pensou que talvez estivesse sendo um tanto exigente ou, como Tomoyo gostava de chamar, "folgada", mas tinha que, ao menos, tentar...
Suspirando para juntar coragem, ela bateu e entrou. O chefe estava, como sempre, sentado em sua escrivaninha, vestindo um terno escuro e com uma gravata verde e vermelha, talvez fazendo uma alusão ao natal. Seus cabelos estavam sensualmente despenteados, como sempre, e ele lia algum relatório, aparentemente sem ter notado a sua presença. Pigarreando, ela se anunciou.
- Ah, sim! Você já chegou. Srta. Sakura, por favor, queira desmarcar todos os compromissos dessa semana e da semana que vem. Farei uma viajem e ficarei fora por esse tempo.
- Mas... duas semanas? – Sakura exclamou, surpresa – dessa semana? Eu pensei que vocês iam só semana que vem...
Sakura percebeu na hora que estava sendo indiscreta, pois o Sr. Li supostamente não sabia que ela escutara a conversa dele com a prima à dois dias. Ele deu um sorriso charmoso e enigmático e Sakura sentiu o coração disparar no peito inconscientemente... Ai! Aquilo já estava virando rotina...
- Hum... então já sabe que eu vou viajar, assim como a Meiling... será que andou escutando conversas por detrás das portas, Sr. Sakura?
Sakura ficou surpresa, mas pensou que já devia esperar algo do tipo vindo dele... aprecia que o Sr. Li sempre estava a um passo a frente dela!
- Hum...
- Srta. Sakura, você é muito boa em esconder as coisas, mas não consegue me enganar por muito tempo... – ele se levantou, deu a volta na mesa e a encarou, dominador, com as mãos nos bolsos. Ela sempre tinha impressão que ele era bem maior do que já era quando a encarava daquele jeito. Sorriu charmosamente e continuou – Eu encontrei com sua amiga Tomoyo na porta do elevador e quando eu perguntei se você estava em casa, ela disse que você estava junto com a Meiling.
Sakura corou até a raiz dos cabelos.
- Por que não se mostrou enquanto eu estava lá?
- Bem... eu achei que você... você poderia pensar que estava me metendo na vida dela... – Mas ela sabia que não era esse o verdadeiro motivo
- Você sabe que eu jamais pensaria isso de você, Sakura...
Sakura sentiu um frenesi passar desde o começo de sua nuca até o fim da espinha, fazendo-a ficar toda arrepiada... ele falara seu nome... numa voz tão terna... ela olhou para ele e o viu estudando-a de maneira estranha. Se fosse possível, ela corou mais ainda e pensou em outra coisa, para desviar daquele assunto constrangedor
- Mas... por que... por que você queria falar comigo?
- Ah, sim! Bem, eu iria dizer para a senhorita que não era preciso você vir para cá de hoje até o dia 3 de janeiro.
- Quer dizer que... eu vou ter esse tempo todo de folga?! – era bom demais para ser verdade...
- É sim! Eu vou precisar viajar essa semana para Osaka e semana que vem eu volto Para a China com Meiling. É tradição a família toda passar o Natal junta... e não tem porque você ficar aqui sem fazer nada!
- Mas...
- Sem mas, Srta. Sakura! Eu espero que você tenha um bom natal e que o aproveite bem...
- Mas se você ia me avisar, porque não me chamou ou deu o recado a Meiling?
- Era essa a intenção, mas depois daquele banho que eu levei... fiquei muito irritado e acabei me esquecendo!
- Entendo... quer dizer então que eu posso ir para casa?
- Não! – ele sorriu e voltou a se sentar na mesa dele, enquanto ela o olhava, intrigada
– Já que você veio aqui, eu quero que você resolva uns poucos probleminhas para mim...
E então, depois de resolver esses "probleminhas" que levaram a manhã inteira, ela finalmente foi para casa. A primeira coisa que fez foi dar a ótima notícia ao pai. Ele ficou muito feliz. Depois ligara para Tomoyo, avisando que ia viajar. Não foi surpresa a prima lhe dizer que também viajaria para passar as comemorações com a família e completara, meio chorosa, que tinha intenção de raptá-la para levá-la com ela!
Assim que terminara de falar com ela, resolveu organizar-se: precisava fazer muitas coisas antes de viajar! Fez uma lista de coisas que precisava comprar, retirou suas malas do guarda roupa (que estavam com um mofo danado!) e tratou logo de ligar para a companhia ferroviária para saber o preço da passagem e que horas o trem saía. Depois de fazer tudo isso, ela finalmente sentara naquele dia e agora relaxava. Já tomara todo o chocolate e cochilava no sofá, mas não por muito tempo...
Um barulho de vidro quebrando, um grito agudo e batidas insistentes na sua porta sobressaltaram Sakura. Rápida, ela foi atender. Era Meiling e vagamente a moça notara que sua vizinha da frente estava vestindo um robe, uma touca e que ela estava ensopada. O que realmente chamou Sakura foi os cortes que ela tinha em ambas as mãos, que sangravam muito. Havia pingos de sangue pelo corredor.
- Pelos Céus, Meiling! O que aconteceu com você?! – Sakura perguntou, preocupava, enquanto puxava-a pelo braço para fazê-la entrar.
A moça parecia estar a beira de um colapso nervoso
- eu... eu... p-peguei aquele vaso de c-cristal que ficava na sala... p- porque havia comprado... uns... c-cravos... e... e-enchi de água... m-mas quando fui colocar... o vaso encima da geladeira... ele... ele...
- Ele caiu em cima de você?! – Sakura perguntou, decididamente assustada agora
- S-sim! Mas eu me protegi colocando as m-mãos na cabeça... o vaso se partiu e mil p-pedacinhos! – ela chorou um pouco de dor, tremendo de frio
- Calma aí que eu vou buscar bandagens e álcool!
Dez minutos depois, Sakura ainda estava na tarefa horrível de estancar o sangue e tirar, com uma pinça, pequeno cacos de vidro que ainda estava na pele. Meiling gemia a todo momento, mas agradecia internamente por ter sido, apesar de tudo, ferimentos superficiais. Meiling também havia se cortado na têmpora. Finalmente, depois de Sakura ter enrolado bandagens nas mãos dela, notou que ela ainda tremia.
- Calma, meiling! Não foi nada grave! – ela procurou consolá-la
- N-não e-e-stou ter-mendo d-de... nerv-vosa. É- é de fr-frio...
Só então Sakura notou que a janela continuara aberta e a meiling estava ensopada
- Céus!!! – ela correu e fechou a janela - você pode ficar resfriada! Peraí que eu já volto!
Ela pegou uma manta quentinha e mandou Meiling tirar a roupa molhada, enquanto ela colocava chocolate quente para a amiga numa xícara
- Não se preocupe! Estou bem! Sempre tive uma saúde de ferro! – respondera Meiling quando Sakura sugerira que ela poderia ficar doente.
Mas parece que vir ao Japão em pleno inverno não fez muito bem A Meiling. Ela acabou tendo uma gripe daquelas, com febre alta e tudo mais. Sakura, sentido-se meio culpada pelo estado dela (afinal, ela não fechara a janela!), resolveu cuidar dela. Ela fez a vizinha mudar-se temporariamente para sua casa e a mimou de todas as maneiras. Meiling tivera febres altas e não parava de espirrar. Seu nariz ficara vermelho e os olhos, lacrimejantes. Ela ficara realmente gripada...
Mas depois de três dias de cuidado, a moça ficara bem melhor, embora ainda espirrasse. Embora Sakura tenha pedido para que ela ficasse, Meiling dissera que a viagem seria de madrugada e que ela precisava arrumar suas coisas. Ainda preocupada com a amiga, Sakura a ajudara bastante e fizera questão de levá-la ao aeroporto.
- Onde está seu primo? – Sakura perguntou por curiosidade
- Xiao Lang, pelo que eu sei, estava Osaka até ontem, mas estou sem notícias dele. – Meiling apressou-se em explicar e uma voz de algum lugar do alto convidou os passageiros do próximo vôo a se apresentarem na sala de embarque – Ai, preciso ir! Obrigada por cuidar de mim e... – Ela pegou um molhinho de chaves do bolso e entregou a ela – Por favor, cuide da minha casa o tempo que você ficar aqui. Eu sei que você vai viajar, mas mesmo assim... não se preocupe em chegar antes de mim só porque está com as chaves. Eu tenho cópias aqui comigo.
- está bem! – Sakura sorriu – tenha juízo em Hong Kong e lembre-se de...
- Ser firme e forte! Sem problema, Sakura! – Ela deu-lhe um forte abraço – Até ano que vem, Sakura!!!
- Até! – ela riu da brincadeira da vizinha
Depois que o avião da amiga finalmente decolara, Sakura voltou para casa e tratou de fazer as próprias malas: Viajaria em dois dias e queria não perder tempo: estar com a família, mesmo que com o irmão chato era a coisa mais gostosa que tinha! Assim que terminou, ela se sentiu estranhamente cansada, mas não ligou muito: tivera um dia cansativo e longo. Tudo o que precisava era dormir um pouco...
Mas ela não conseguiu. A noite inteira foi pontuada com crises de insônia, sonhos estranhos e repetitivos. Por mais que tentasse pensar em assuntos relaxantes, sua cabeça se recusava a cooperar. Isso resultou no fato dela estar muito mais cansada e com a cabeça pesada na manhã seguinte. Mas, recusando-se a descansar, ela terminou os preparativos para viagens. No fim da tarde, depois de ligar para Tomoyo lhe desejando uma boa viagem, ela finalmente admitiu estar um pouco gripada. Espirrando muito, ela fez uma sopa que ficou com um gosto que transcendia ao horrível e um chá aguado. Mal alimentada, ela deitou-se, com o pensamento na cabeça de que, na manhã seguinte, estaria bem melhor.
A noite passara com uma torturante vagareza. Havia momentos de lucidez e de sonhos, que ela confundia todo o tempo. Foi pior do que a primeira noite e, para coroar, ela sentira o corpo quente e dolorido ao acordar. Estava realmente doente, mas precisava viajar... que dilema!
Disposta a não ser vencida pelo corpo fraco, Sakura trocou de roupa e preparou algo para tomar (depois de quase esvaziar a xícara ela notara que havia apenas água quente ali!). depois fechou a casa inteira e arrastara as malas até a sala, estava finalmente pronta para sair. Foi quando sentiu uma tontura. Foi tão repentina e forte que ela teve que se apoiar na poltrona para não cair. Sentiu-se mais fraca do que nunca sentira! A doença que ela fazia questão de ignorar estava cada vez mais pronunciada. Ela sentia que todas as suas juntas estavam pesadas e a cabeça parecia uma bolha d'água. Céus! Seria que tinha força suficiente para ligar para pedir um táxi? Ainda estava cogitando sobre isso quando a campainha tocou. Aborrecida, ela lutou para ir a porta e atender quem quer que fosse. Quando olhou pelo olho mágico, seu coração disparou no peito: O que ELE estava fazendo ali?!
- Sr. Li. – ela falou no tom mais despreocupado possível, lutando internamente para se manter ereta e sem se mostrar nenhum pingo doente.
- Ola, Srta. Sakura! – ele Cumprimentou-a, animado – Eu sinto incomodá-la, mas preciso das chaves reserva da minha prima para pegar umas coisas que ela esqueceu e me deu a incumbência de pegar para ela!
Falou num tom que normalmente feito ela rir, mas ela apenas forçou um sorriso e foi buscar a chave. Tentava não parecer sôfrega e seus passos eram cuidadosamente calculados. Demorou um ou dois segundos para lembrar que a chave estava escondida na gaveta do criado mudo. Lentamente, ela fez o tortuoso caminho de volta
- Aqui está! – ela falou, praticamente jogando as chaves na mão dele, mas ele não pareceu se importar muito
- Obrigado! Espero só um instante que eu já devolvo a chave – ele estudou o rosto da moça por um longo momento – Sakura, por que você está com o rosto vermelho?
- Ah! Bem... eu... eu estava olhando pela janela e está fazendo um frio de congelar os ossos... aí fiquei vermelha!
Sabia que aquela era a pior desculpa do mundo, mas parecia que ele havia caído.
- está bem! Espere só um pouco, Srta. Sakura!
Ele adentrou no apartamento da prima e Sakura se apoiou na maçaneta da porta: caramba, que cansaço! Ela, com certeza, pegara a gripe de meiling, mas estava sendo bem mais forte nela. Talvez porque não se cuidara como deveria ou pelo fato que, por causa da pressa do trabalho no escritório, andara negligenciando sua alimentação baseada... pelo sim ou pelo não, a verdade era que estava muito doente...
- Obrigado mais uma vez, Srta. Sakura! – Nossa! Ele já havia voltado?
Tratando logo de se ajeitar, o que causou mais um acesso de tontura, ela falou, fracamente:
- Não tem de que.
Ele lhe entregou a chave e roçou a mão grande e de dedos longos na mãozinha macia dela...
- Sakura, você está quente! – ele falou com voz levemente preocupada
- Eu estou bem... – ela fez um movimento brusco para retirar a sua mão da dele e ficou bem mais tonta. Se desequilibrou e teria caído se ele não tivesse segurado-a pelos braços.
- Sakura, você está doente...
- eu sei... – ela estava sem forças até para discutir com o Sr. Li
- Céus! – ele havia tocado com delicadeza em sua testa – Você está ardendo em febre!
Ela sentiu outro acesso de tontura e fraqueza e pendeu para frente, apoiando a cabeça no peito largo dele. ela escutou as batidas do coração dele se acelerarem por algum motivo, mas não ligou muito para o fato: estava sem força até para respirar...
Sem nenhuma cerimônia, ele a tomou nos braços e apertou-a contra o corpo, enquanto se dirigia para um dos quartos, que ele esperou que fosse o dela. Deitou-a na cama, tirou os sapatos, o cachecol e o sobretudo dela. Pegou um cobertor bem grosso e colocou sobre o corpo delicado. Ainda sim, sentia a moça tremer levemente sob as cobertas. Depressa, ele procurou um termômetro e encontrou um no banheiro. Esperou impaciente o aparelhinho medir a temperatura. Quando finalmente ele apitou, acusou 38,9 de febre! Estava alta! Dirigiu-se a Sakura que, embora visse tudo o que ele fazia, não parecia ter muita consciência...
- Sakura onde você guarda os remédios?
Teve que repetir a pergunta para escutar Sakura dizer em um murmúrio as palavras "armário" e "banheiro". Levou algum tempo para ele encontrar um anti-térmico. Ministrou as gotas indicadas na bula em um copo d'água e deu a Sakura. A moça bebeu com dificuldade. Depois de um tempo, ela acabou dormindo e Shaoran ficou sem saber o que fazer. Ele nunca havia cuidado de ninguém doente antes. Apenas fizera o óbvio e o que vira Wei, um velho amigo que cuidara dele a vida inteira, fazendo quando ele próprio ficara doente... mas... e agora? Teria que esperar? Mas esperar exatamente o que? A febre baixar? Ela acordar? Era uma situação nova para ele... aliás, muita coisa mudara desde que a conhecera...
Desde que a vira pela primeira vez, ele se sentira atraído por ela de uma maneira especial, quase como... fraternalmente. Era verdade que ele confundira ela com a mãe, mas quando a vira no escritório pela primeira vez... Quase riu ao lembrar-se das palavras da Sra. Kin quando ela foi anunciá-la...
"É uma bela moça, Sr. Li. Tem postura elegante, voz suave... mas não gostei nada dos óculos que ela usa... penso que eles estiveram na moda de 1876!"
E Shaoran concordava com ela. eles eram feios e tiravam toda a beleza do olhar... e nas poucas chances que a vira sem eles, foram em situações estranhas e extremas, que fazia-na sentir-se aborrecida ou estarrecida. Nunca vira os olhos sorrirem junto com os lábios rosados... deveriam parecer duas belas esmeraldas lapidadas! E agora os olhos se encontravam fechados e os cílios escuros contrastavam violentamente com a pele pálida. Ela era tão bonita... como a mãe...
Sorriu com a lembrança do garotinho de oito anos preso encima de uma árvore de cerejeiras, com medo de descer... foi então que ela aparecera, grávida, com um vestido verde, sorrindo tão serenamente que ele pensou que ela fosse um anjo...
Um gemido baixo tirara essas coisas de sua cabeça e ele correu para acudi- la. Sentou-se na beirada na cama e viu que ela acordava. Ela olhou em volta, como se não reconhecesse o lugar e então fixou o olhar em shaoran.
- onde... estou?
- Na sua cama, suponho. Você está doente e resolvi cuidar de você.
Ela se mexeu um pouco rápido demais e fez uma careta de dor, levando uma das mãos a cabeça
- Fique no lugar, Sakura. Você está muito fraca. Precisa descansar...
- Sinto... sede...
depressa, ele foi a cozinha e pegou um copo de água natural. Ela sorveu tudo em pequenos goles, fazendo caretinhas a cada gole...
- o que você está sentido? – ele voltou a recostar a cabeça dela no travesseiro
- Estou com dor de cabeça, o corpo dói... e meu ouvido esquerdo também...
- O ouvido? – ele quis confirmar, preocupado
- Sim... e me sinto muito cansada... não consigo respirar direito... Mas... que horas são?
- São 11 e meia da manhã
- o que?! Ah, não! – ela se levantou bruscamente da cama e se sentiu tonta
- Deite-se. E pare de fazer movimentos bruscos!
- Mas... eu... preciso viajar... ir ver meu pai...
- infelizmente não vai dar... Acho que você já deve ter perdido o avião...
- Eu... eu... vou de trem... – ela apressou-se em dizer, tentando se levantar outra vez
- Acho que já o perdeu também... já é tarde...
- mas...
- Olhe... é melhor você ligar para o seu pai e dizer que o trem atrasou ou que aconteceu alguma coisa, só para não ficar preocupado.
Ele estendeu o telefone do criado mudo para ela que, relutante, o pegou. Discou um número e esperou a ligação ser atendida. Procurando não ser indiscreto, Shaoran se afastou enquanto a moça falava com o pai. Alguns minutos depois ela desligou o telefone e ficou olhando para teto. Desconfortável com aquele silêncio, Shaoran falou:
- Sakura, você está sentindo alguma coisa anormal?
- o mesmo de sempre. – ela o olhou como se só agora percebesse que ele continuava ali – Mas vem cá... o que faz um homem tão ocupado como você aqui? Você já devia estar na China...
- Eu não posso deixar você sozinha aqui, Sakura... Porque tenho certeza que vai querer forçar a barra... você está com fome?
- eu não sou mais criança e posso me cuidar sozinha! – ela o olhou com o olhar mais indignado com seus olhos lacrimejantes permitiam – e não estou com fome!
- nenhum doente pode ficar sozinho. e você não tem mais ninguém além de mim para cuidar de você...
- tenho sim!
- Quem?
Sakura se calou, procurando em sua mente cansada alguém que poderia dar como referência, mas não pensou em ninguém.
- viu? Vamos ver... Meiling está a essa altura brigando com a minha família na China, sua prima tomoyo deve estar desfazendo suas malas em algum lugar e seu pai e seu irmão devem estar cuidando dos últimos preparativos para a ceia de natal... e se você quer estar lá com eles até o dia 24 de dezembro, sugiro que descanse e deixe-me cuidar de você!
- mas...
- nada de mas! – ele fez um gesto imponente com as mãos que a fizera calar – Eu não posso ser um "expert" em doenças, mas sei que você precisa se alimentar... vou fazer uma sopa...
- Ah, não!
- o que foi? – ele perguntou, preocupado
- Você... na cozinha?! Cozinhando?!
Ele se fingiu ofendido, cruzando os braços e perguntou, cinicamente:
- sim... por acaso você está duvidando das minhas habilidades culinárias?
- Na verdade estou... não consigo imaginar você... bem...
- Não tente imaginar, mas, se me conhecesse melhor, veria que sei bem mais do que ficar detrás de uma mesa brigando com outras pessoas...
Sem dizer mais nada, ele foi para a cozinha.
Algum tempo depois, ele voltou carregando uma bandeja com um prato de sopa, algumas torradas e chá quentinho e adocicado.
- bom... ainda bem que você está doente e que não possa se levantar agora.
- Ué, por que? – ela perguntou, enquanto se levantava da cama com dificuldade
- porque acho que me mataria se visse o estado em que sua cozinha ficou. – ele sorriu, animado – Tem até um grude estranho no teto.
- o que?! – ela perguntou, assustada
- Estou só brincando! Relaxe! Espero que não se importe que eu tenha pego esta bandeja de café da manhã no armário... – disse ele, armando os pés da bandeja de modo que eles se apoiaram na cama
- Desde que não tenha desarrumado o resto das coisas... – cautelosamente, ela provou uma colherinha de sopa e teve uma surpresa agradável – noooossa! Isto está... está...
- Bom? Delicioso? Uma obra-prima da culinária moderna? – ele perguntou, sorrindo de orelha a orelha, sentando-se na beira da cama
- está passável! – ela comeu mais um pouco, admirada
- Puxa! Só passável?! Eu esperava mais, Sakura!
- Para alguém que passa o dia inteiro na frente de uma mesa gritando com as pessoas, passável já está muito bom!
Ela tomou o resto da sopa, mas quando shaoran lhe ofereceu mais, ela disse que já estava cheia
- Mas você ainda está muito mal alimentada! – ele argumentou
- Eu estou doente e, embora eu saiba que preciso me alimentar, eu simplesmente não consigo... – ela tomou a metade do chá e entregou a bandeja para ele – Agora, é melhor você ir limpar minha cozinha porque se eu encontrar algo fora do lugar, eu esqueço que você é meu patrão e lhe dou uma surra!
Rindo muito, ele foi lhe fazer o que era mandado.
Sakura pareceu estar melhor até o finalzinho da tarde, quando a febre voltou mais forte do que antes. Shaoran lhe deu um anti-térmico mais não parecia haver melhoras. O que deveria fazer? Ocorreu-lhe vagamente pela cabeça que não era para ele estar tão preocupado com a sua secretária, mas logo arranjou uma explicação boba para o fato, afirmando que era porque não gostava de ver ninguém tão mal. Passeou de um lado para outro, enquanto via Sakura tremer por debaixo das cobertas levemente. Ela estava muito mal! Precisava fazer alguma coisa! Mas tinha medo de fazer algo que a deixasse pior... o que fazer?!
Foi então que lembrou-se...
"É... um médico se mudou para lá semana passada..."
É claro! Na época em que estava procurando um apartamento para Meiling, ela lhe dissera isso... com certeza um médico saberia o que fazer!
Foi até o interfone e pediu para falar com médico do oitavo andar. Quem quer fosse, perguntou com curiosidade mal-escondida qual era o assunto, mas Shaoran, com sua consagrada rispidez dos negócios, falou que não era da conta dele que ele apenas fizesse a ligação. O interfone chamou três vezes. Shaoran pensou no que faria se ninguém atendesse... será que teria que levá- la ao hospital? Então uma voz levemente aborrecida, porém agradável falou...
- Sim?
- Alô? Ah, oi, aqui é do apartamento 1202... por acaso o Sr. É o médico?
- Sim, sou eu... – a voz agradável falou
- Por favor, será que você poderia subir até o apartamento 1202? É que tem uma pessoa muito doente aqui...
- Sinto muito... – a voz cortou, aborrecida – Mas não faço consultas fora do meu horário.
- Mas... você não está entendendo! Ela está muito doente! Está com febre muito alta e não consigo baixá-la...
- Já deu um antitérmico a ela?
- Já, mas ela não reagiu... e ela está tremendo...
- tremendo? – finalmente a voz mostrou interesse – Mas... violentamente?
- Não, mas... ela está toda enrolada em cobertas e o aquecedor está ligado... eu estou com medo de que ela tenha alguma convulsão...
- Do que mais ela se queixa?
- De dor de cabeça, dor no corpo... e uma dor no ouvido forte. A voz se calou um pouco, aparentemente pensando se valeria o trabalho de subir alguns andares para ver a moça. Shaoran deu sua cartada final:
- Olhe, se o problema for dinheiro, não tem problema, eu pago o quanto você pedir...
- Meu rapaz, eu vou até aí, mas não por causa do dinheiro! – A voz o cortou novamente, com dureza – Mantenha-a aquecida. Já estou subindo.
E desligou na cara dele. Sem se importar muito com isso, ele também desligou e voltou para junto dela. Agora ela tremia bem mais e se mexia na cama o tempo todo. Um espasmo de pavor passou pelo rapaz, pensando que ela poderia ficar realmente doente... Sem que realmente percebesse, ele pegou uma das mãos da sua secretária e apertou-a entre as suas, esperando que, por um milagre, um pouco de sua saúde fosse transmitida a ela através daquele toque...
agonizantes minutos se passaram e shaoran se pegou xingando o médico que demorava tanto para chegar. Finalmente depois do que parecera uma eternidade para ele, a campainha tocou nervosa lá na sala. Com cuidado, ele depositou-a de volta na cama e foi atender, rápido. Na sua frente surgiu um jovem mais ou menos da sua idade, tão alto como ele, tão atlético como ele, com cabelos negros assentados e olhos azuis calmos, por trás de óculos de aros finos. Sua pele era pálida e havia um meio sorriso nos lábios dele quando perguntou:
- Onde está a paciente?
Rápido, Shaoran levou o médico até o quarto da sua secretária. Ela ainda se tremia. Rápido também, o rapaz retirou alguns instrumentos médicos de dentro da maleta que carregava. Examinou Sakura através do estetoscópio, olhou as pupilas, examinou a garganta e os ouvidos. Por fim, mediu a temperatura e virou-se para o rapaz:
- Essa mocinha precisa se cuidar bastante. Ela está com um resfriado, mas se ela não tomar cuidado, pode virar um pneumonia ou coisa pior.
Shaoran sentou-se na beirada da cama e, sem notar, pegara uma das mãos da moça entre a sua. O médico notara isso.
- Você é namorado dela? – perguntou, levantando uma das sobrancelhas dois centímetros
- o quê? Não!! – ele soltou a mão dela imediatamente. O médico sorriu – ela é minha secretária e... AH! É uma história muito longa e acho que você não tem tempo. Mas o que devo fazer?
- Bom... você precisa fazer compressas frias com água e álcool para ajudar a baixar a febre. Mande a moça tomar bastante líquido e comer bem. Ela também está com uma pequena inflamação no ouvido esquerdo portanto vou passar um antiinflamatório também. Você pode ir comprar?
- Bem... eu não queria deixá-la sozinha, mas... tudo bem, eu já sei o que vou fazer...
- Olha... se você for, eu posso tomar conta dela por enquanto...
Algo no jeito dele na hora em que ele falou isso desagradou-o profundamente. De alguma maneira, sabia que aquele homem não faria mal a ela, mas não gostou do tom de voz pretensioso.
- Não... eu já sei o que farei, não se preocupe. Obrigada por ter gasto seu precioso tempo conosco. – Shaoran falou, praticamente empurrando-o para fora do quarto. O rapaz sorriu, divertido
- Sem problemas, Sr...
- Li Shaoran. – ele completou, seco, abrindo a porta de entrada da casa. O médico levantou a sobrancelha outra vez.
- Por acaso você é aquele empresário muito famosos chinês?
- Talvez eu seja. – ele falou, impaciente – Agora, se me der licença...
- Claro, claro! Mas amanhã de manhã virei ver como a moça está e se houver algum problema, não hesite em me chamar e então teremos que levá-la para um hospital... embora ache que não será preciso.
Shaoran apenas concordou com a cabeça. E homem sorriu e se despediu. Shaoran voltou para ver como estava Sakura, que neste instante estava acordada e olhava para ele com uma expressão fraca.
- Sr. Li... quem é que era o homem que estava aqui?
- Um médico, Sakura. Você está muito mal... você ouviu o que ele disse?
- Algumas coisas... – ela admitiu
- Pois bem... ele disse que você está muito resfriada e com uma pequena inflamação no ouvido esquerdo... e que precisa tomar muitos líquidos e se alimentar bem. Onde você guarda o álcool, Sakura?
- na dispensa, na cozinha...
Ele fez compressas de água fria colocou na testa da moça, que permaneceu quietinha, enquanto o observava cuidar dela... por que ele estava tendo tanto trabalho com ela, se ele era um homem tão ocupado? A verdade era... Por que se dar ao trabalho, se ela era apenas uma simples secretária? Shaoran viu que estava sendo observado e deu-lhe um daqueles sorrisos avassaladores. Sakura sentiu o rosto todo ficar quente e cobriu-se até o nariz com o edredom. Resolveu quebrar o silêncio, perguntando o que passava pela sua cabeça:
- sr. Li, por que ainda está aqui?
- como?
- É que... eu sei que o senhor tinha que viajar hoje... mas ainda está aqui... desse jeito, vai perder o seu vôo.
- não se preocupe comigo, Sakura. Preocupe-se apenas em ficar boa...
- Não. – ela falou num tom estranho, meio angustiado – Não! Eu sei que você vive ocupado! Eu sei disse porque sou eu que arrumo sua agenda e marco seus compromissos! Eu não quero que você se prejudique por minha causa! Além disso, você devia estar com sua família agora!
Ele olhou-a pensativo por um longo momento, então falou:
- Se você realmente quer saber, Sakura, eu não faço tanta questão assim de voltar para o "covil dos lobos"... tudo bem que eu amo minha mãe e minhas irmãs, mas há certas pessoas naquele clã que não valem a metade que você vale! – Shaoran passou um dedo levemente pelo nariz da moça – E essas pessoas estão em maioria... infelizmente... e... – ele sorriu – Se você não ficar boa, quem vai cuidar dos meus compromissos?
Ela sorriu junto com ele, mas depois falou, ainda não muito convencida:
- Mas... eu ainda acho que você não devia estar aqui...
- Sakura, se está tentando arranjar uma desculpa para eu ir embora, pode esquecer! – ele exclamou, com autoridade, porém seus olhos brilhavam – Eu vou ficar aqui até você ficar forte o suficiente para viajar!
- Mas...
- Nada do que você possa me dizer vai fazer eu mudar de idéia... e você já deveria saber disso, pois sabe como eu sou!
Ela resmungou algumas coisas, mal-humorada e ele sorriu:
- bom... agora que eu já convenci você, eu vou dar uns telefonemas e pedir que alguém vá comprar o remédio para o seu ouvido...
- Bom, eu...
- Eu já sei o que você vai dizer e não se dê ao trabalho! – ele a cortou, voltando-se para ela com um belo sorriso nos lábios bem-feitos – Eu já disse: não vou sair um minuto do seu lado até você ficar boa!
Depois que deixou Sakura tomando um cochilo, shaoran tirou do bolso interno do paletó o celular desligado e ligou-o. fez uma careta ao ver o número de mensagens de voz e texto que haviam deixado. Antes de ver de quem eram, ele chamou o zelador e pediu para que ele fosse até uma farmácia comprar o remédios para Sakura. O homem ficou bem curioso para saber o que um homem estava fazendo na casa de uma jovem solteira, mas não fez nenhuma pergunta ao saber que Sakura, que era muito querida no prédio inteiro, era quem estava doente. Depois disso, ele se sentou no sofá e começou a ver suas mensagens. A maioria era de pessoas querendo saber por onde ele andava, que ele fez questão de não responder. Na verdade, ele respondeu apenas para uma pessoa, o Sr. Wei, que cuidava dele desde criança e quem ele achava que era a única pessoa que não tinha o direito de ficar preocupado com ele. Deu instruções precisas e para o seu "tutor", mas disse que não tinha certeza até quando ficaria ali com a moça. Assim que desligou seu celular outra vez, a campainha tocou e Shaoran atendeu: era o velho zelador que lhe entregou os remédios e desejou melhoras para Sakura. Ele então foi até ela e lhe ministrou as doses receitadas pelo médico. E esperou...
