CAPÍTULO 08 - A FESTA DE NOIVADO
Cinco dias se passaram e finalmente o dia da festa havia chegado. Saori tinha permitido que a festa fosse realizada na Mansão, afinal, lá tinha espaço de sobra. Tudo estava decorado delicadamente, com a cara de Shunrei. Orquídeas enfeitavam o salão, que tinha um arranjo de flores com uma vela em cada mesa. As toalhas eram todas em tom verde claro, mesmo tom das cortinas. Havia uma banda que tinha sido contratada para tocar músicas e entreter o público. Mais tarde, haveria DJ com músicas para agitar.
Shunrei e Shiryu estavam na porta do salão, recepcionando os convidados. Ela estava vestida com um vestido longo, verde água, que tinha um decote discreto. Os cabelos dela estavam presos por um coque, com um arranjo verde, de pedraria verde, deixando apenas alguns cachinhos soltos. Os brincos eram de pedras verdes, do mesmo tom das pedras do arranjo de cabelo, assim como o colar e o anel, que ela usava. Shiryu estava clássico, de terno preto, camisa verde clara, para combinar com a roupa de Shunrei e os cabelos presos, num rabo de cavalo, com elástico verde, obviamente. Um a um, os cavaleiros foram chegando, incluindo os dourados. Até mesmo...
- Mestre!! Não acredito que veio!
- Achou mesmo que eu ia perder um dos dias mais felizes de sua vida? Shunrei, você está linda!
- Obrigada, e seja bem vindo!
Lá dentro, o pessoal conversava, animadamente. Miro reclamava que não tinha muitas mulheres na festa; Saga, Aldebaran e Shura bebiam; Afrodite dançava todas as músicas e jogava olharzinhos para o vocalista da banda, que estava visivelmente desconfortável com aquela situação. Mu e Shaka conversavam; Aioria e Aioros discutiam com Máscara da Morte, que só reclamava das coisas, com aquele mau humor normal dele. Camus estava de lado, apenas observando as coisas e agüentando as reclamações de Miro.
- Ah, Camus, assim não dá! A Shunrei tinha que convidar algumas amiguinhas pra apresentar pra gente...
- Miro, se você não parar de falar nesse minuto eu juro que te transformo em uma estátua de gelo e te coloco pra enfeitar a mesa.
- E aí, caras, se divertindo muito? – Seiya aproximou-se dos dois, bebendo um drinque.
- Você não tem idéia de como é divertido ficar escutando as lamúrias do Miro... – Camus falou, sarcástico.
- Ah, não tenho culpa se você é velho! E vai dizer que não é verdade que festa sem mulher é um porre?
- O Miro tem razão, sou obrigado a concordar.
- Ah, vocês dois...
- Ta vendo, até o Seiya me dá razão, Camus! Mas fala aí, Seiya! Você sozinho, e a Mino?
- Ela vem depois... eu acho.
- Cuidado, hein? Quem não dá assistência...
- Não corro mais esse risco, Miro. Nós terminamos.
- Puxa, cara, foi mal. Eu não sabia!
- Não esquenta... Eu to legal.
- Então agora são três os cavaleiros de bronze solteiros para sair conosco para as baladas.
- Acho que são dois.
- Ué, como assim?
- O Hyoga vem acompanhado. Acho que está se relacionando com alguém. – Seiya disse enquanto servia-se de mais um drinque.
- De quem?
- Não sei, ele não quis dizer. Disse que na hora certa nós veríamos.
- Ae, Camus! Seu pupilo está mais ligeiro que você, hein? – Miro cutucou Camus, que apenas o olhou com uma cara muito feia. – Você não sabe quem é a gata, digo, a pata misteriosa?
- Não sei e mesmo que soubesse não diria. Acho que da vida do Hyoga cuida ele, não? Se ele quisesse que soubéssemos, já teria nos contado.
- Ih, credo! Você está mais azedo que o Máscara da Morte, se é que isso é possível.
- Acho que em breve o mistério será solucionado... Olha o Hyoga chegando aí! – Seiya disse apontando para a entrada do salão.
Todos notaram o cavaleiro de cisne, entrando na festa de mãos dadas com uma bela loira, alta, usando um vestido longo, azul turquesa, que deixava à mostra seu belo colo devido ao detalhe mais folgadinho que tinha. As costas do vestido eram abertas, cobertas apenas por tiras transpassadas e havia uma fenda, em um dos lados, que subia até quase a coxa. O vestido não era justo, mas serviu perfeitamente no corpo torneado dela, delineando-o ainda mais.
- Meu... Zeus... O que é aquilo? – babou Seiya
Miro estava em choque, sem conseguir pronunciar uma única palavra. Não imaginava que Hyoga estaria tão bem acompanhado.
Camus impressionou-se com a beleza da moça, mas foi bem mais discreto que os dois colegas que estavam ao seu lado.
- Parece que meu pupilo tem muito bom gosto... – comentou enquanto ria das caras de babaca de Seiya e Miro.
Um a um, Hyoga apresentou a namorada aos presentes. Até que finalmente chegou a vez de cumprimentar o grupinho que há minutos atrás estava questionando com quem ele viria.
- Ah, aí está você! Naida, quero que conheça alguém que é muito importante pra mim. – Hyoga falou a ela enquanto de aproximava dos três. – Este é o Camus, a quem eu chamo de mestre. Ele me ensinou tudo o que eu sei. Mestre, esta é a Naida, minha namorada.
- Namorada? – Miro falou, não contendo a surpresa, recebendo na mesma hora um pisão de Camus.
- Muito prazer, Naida.
- O prazer é todo meu. – ela sorriu, enquanto cumprimentava Camus.
- Este aqui é o Seiya, o amigo de quem lhe falei. E aquele lá é o Miro. Gente, essa é a Naida.
- Prazer! – Ela disse, estendendo a mão para Seiya e depois para Miro.
- O prazer é meu! – Seiya falou.
- E que prazer, digo, o mesmo... – Miro completou.
- Hyoga, aquele lá não é o Shun?
- É ele sim.
- Vou lá cumprimentá-lo, fique à vontade com seus amigos.
- Está certo, querida, já te alcanço. – Hyoga falou, enquanto despedia-se dela com um selinho.
- E aí? O que acharam dela?
- Hyoga... nunca imaginei que você tivesse tamanho bom gosto! Meus parabéns! – Seiya falou.
- Namorada? Como assim namorada? Onde você achou essa deusa e como convenceu-a a namorar com um simples mortal? – Miro exagerou.
- Ela é aluna da academia. Ela participa das minhas aulas de natação. Começamos a conversar, ficamos amigos... Mas começamos a namorar faz pouco tempo.
- Se ela te faz feliz, isso é o que importa. – Camus falou enquanto colocou as mãos no ombro do pupilo.
- Faz sim, mestre. E como!
- Ela já sabe? Sobre Athena, sobre nós? – perguntou Seiya.
- Não contei nada, achei melhor assim, por enquanto. Ainda mais com toda essa confusão se aproximando.
- Fez bem, Hyoga. Acho mais prudente. – Camus completou.
- Não quero envolvê-la nessa confusão toda, sei que sofreria e eu não agüentaria fazê-la sofrer. Deixa eu ir lá cumprimentar o Shun, já volto pra falar com vocês.
Hyoga partiu, deixando Seiya e Miro lá, com cara de tacho.
- Acho que vou pedir à Saori que me transfira da empresa de Segurança para a Academia. – Seiya brincou.
- Acho que vou com você... Quem sabe não acho uma dessas pra mim também? – Miro piscou e riu.
Camus apenas balançou a cabeça.
Mais ou menos uma hora após o início da festa, Mino e Eire chegaram. Mino estava com um vestido azul claro, frente única, bem discreto. Ela tinha feito cachinhos nos cabelos para a festa. Eire estava de tomara que caia vermelho, com o cabelo alisado.
- Desculpe a demora, Shunrei. Mas você sabe como são as crianças.
- Não tem problema, Mino. O importante é que você veio. A diversão só vai começar agora.
- Parabéns pela festa. Está maravilhosa. – Eire comentou enquanto cumprimentava os dois.
- Obrigado. Fico feliz que tenha vindo, Eire. Divirta-se! – disse Shiryu.
As duas adentraram o salão. Eire tentando se localizar, olhando ao redor, vendo quem estava presente. Mino tentava localizar alguém em especial.
- Nossa, quanta gente. – reclamou Mino, olhando de um lado a outro.
- É, eles são muito queridos.
- Isso é verdade, Eire. Será que ele não veio?
- Ele quem, o Seiya? Mas se ele está bem ali ó. – Eire apontava na direção do cavaleiro de Pégasus.
- Ahn? Que Seiya nada, eu lá quero saber do Seiya! Quero mais é que ele se dane. Estou procurando por outra pessoa.
- Pelo Ikki, né? Não adianta negar, Mino! Sua cara vermelha não nega. Quem diria, hein? – Eire divertia-se com a situação constrangedora em que Mino ficou. – Eu te ajudo a procurá-lo, não deve ser tão difícil e... ei!
- O que foi, Eire? Achou ele?
- Quem é aquela lambisgóia com o Hyoga?
- Quem?
- Aquela ali de vestido azul, do lado dele. Cumprimentando a Saori.
- Não sei, não conheço. Deve ser a namorada dele, estão de mãos dadas... Ah, não! Não vai me dizer que está com ciúmes!
- Quem e-eu? Claro que não, Mino! Que idéia! De onde tirou essa? Eu, com ciúmes do meu ex-namorado!!
- Ah, está com ciúmes sim! Sua cara não nega! – Mino devolveu o comentário da amiga que, embora não quisesse admitir, estava sim morrendo de ciúmes do Hyoga. – Mas o que você queria, meu bem? A fila anda!
- É, Mino...a fila anda...
Do outro lado do salão, Hyoga apresentava Naida a Saori.
- Essa é a minha namorada, Saori. Naida.
- Então você é a responsável por fazer o Hyoga sorrir? Parabéns, conseguiu um milagre! – Saori brincou. – Muito prazer.
- O prazer é todo meu, Srta. Saori. Admiro muito o trabalho da Fundação e sempre quis conhecê-la.
- Apenas Saori, Naida, por favor. Fico feliz que goste do trabalho da Fundação. O Hyoga já tinha me falado de você. Trabalha em um Instituto que está nos ajudando com alguns dados, para nossa pesquisa, não é?
- Isso mesmo. Fico muito honrada em poder ajudar.
- É bom saber que podemos contar com sua ajuda.
De repente, uma música começou a rolar.
- Está escutando, Hyoga? Eu amo essa música! Vamos dançar?
- Dançar? EU? Veja bem... é que...
- Tudo bem, Hyoga, vá com ela. Vão divertir-se. – Disse Saori.
- Não, não é isso... é que eu... bem eu...
- Ah, você escutou ela, Hyoga! Vamos dançar.
Tarde demais para ele... Naida o pegou pelo braço e praticamente o arrastou pelo salão, até chegar na pista. Naida dançava bem, ela tinha ritmo. Hyoga estava tentando acompanhá-la. Mas sem muito sucesso.Ao acabar a música, a banda iniciou com uma sessão de lentas.
- Agora sim, nessa eu mando bem melhor... – Hyoga abraçou Naida e os dois ficaram lá, dançando juntinhos.
Saori, à distância olhava os dois. Estava contente por Hyoga ter encontrado alguém. Mas ao mesmo tempo estava triste, porque sabia que não poderia desfrutar da mesma sorte.
- Está tudo bem? – Saori sentiu uma mão sobre seu ombro.
- Ahn? Oi Jabu, está sim. Tudo bem. – de repente Saori mudou a expressão. De triste passou para tensa. – Jabu, fique atento. Sinto que tem um cosmo diferente aqui no salão, acho que estamos sendo observados.
- Mas eu não sinto nada.
- Está muito suave, talvez por isso você não esteja sentindo. Mas é bom ficarmos atentos.
- Vou avisar aos outros.
- Não, melhor não. – Saori segurou Jabu – Não quero causar um alarde desnecessário e estragar a festa do Shiryu. Apenas preste atenção. Se notar algo de estranho, me avise.
Um pouco longe de lá, Shaka também estava apreensivo. Estava sentindo o tal cosmo. Suave, como da vez do Santuário. Mas não era o mesmo.
"Seja lá quem for, não é o mesmo elemental que senti da outra vez. Será que é mais um deles?" – pensou consigo.
- Shaka? Está tudo bem? Parece distante. – Mu perguntou, notando que o amigo estava estranho.
- Por enquanto, sim, Mu. Vamos ver até quando...
A festa prosseguia, todos estavam se divertindo. Ou quase todos. Ikki estava de lado, sentado em uma mesa. Bebendo. Estava contente por Shiryu e Shunrei. Mas não conseguia deixar de pensar no quanto era azarado. As únicas duas mulheres que ele amou morreram, sem que ele pudesse fazer nada para impedir. Às vezes, achava que não tinha nascido para amar. Achava que seu destino era ser, para sempre, um lobo solitário. Por isso, ele acabava se fechando. Parecia um porco espinho, que se prepara para atacar quando qualquer um se aproxima. E ele fazia isso por medo. Medo de se machucar de novo.
- Até que enfim, te achei. – Ikki escutou uma voz familiar falar no seu ouvido.
- Mino? – Ele mediu a menina de cima abaixo, para certificar-se que estava certo. Sim, era mesmo a Mino. Mas ela estava diferente. Estava mais bonita. Ele quase não a reconheceu com aquele vestido. Não parecia aquela menininha que ele estava acostumado a ver. Era uma mulher.
- Tudo bom?
- Tudo certo.
- Tem alguém sentado aqui? – Mino apontou para uma cadeira vaga ao lado do Ikki.
- Não, não... pode sentar. Ikki puxou a cadeira para que ela sentasse.
- A festa rolando solta e você aqui, sozinho?
- Pra você ver... – Ikki falava enquanto dava mais um gole em sua bebida.
- Não gosta de dançar?
- Não que eu não goste... Não combina muito comigo.
- Deveria... é muito bom! Ajuda a colocar pra fora todas as energias negativas que acumulamos.
Ikki escutou e não respondeu, apenas olhou pra ela. Zeus, ela realmente estava linda aquela noite. Ou será que tinham sido os drinques? O fato é que Mino estava despertando certa ternura em Ikki. Ele sentia que ela estava se preocupando com ele, como há muito tempo nenhuma mulher fazia. Não eram todas que estavam dispostas a tentar invadir o campo minado que era seu coração.
Ikki nunca foi muito de conversar. E por mais que Mino se esforçasse, não conseguia arrancar dele mais do que duas frases. Mas mesmo assim, ela insistia. Queria que ele se divertisse. E percebeu que estava conseguindo tirar um pouco do mau humor do cavaleiro de fênix. Sua tentativa foi interrompida pelo barulho de alguém falando no microfone:
- Gente, venham todos! – Era o vocalista da banda, convocando todos os presentes para a pista de dança.
Quando todos chegaram lá, Shiryu, que estava no palco, começou o discurso:
- Bom... primeiramente gostaria de agradecer a presença de todos. Saibam que cada um de vocês é importante para nós, pois nos ajudou de alguma maneira a construir nossa jornada. Hoje é um dia especial pra mim. E é especial não somente porque conseguimos juntar todos aqueles que amamos, de uma única vez, como há muito tempo tentávamos. É especial porque vou convidar uma pessoa especial a fazer parte da minha vida, definitivamente. Shunrei, você já faz parte da minha vida, sempre fez. Mas agora não consigo mais me ver sem você. Quero que saiba que eu te amo e que quero que você fique comigo até o fim dos meus dias. Esse é o pedido oficial que te faço: quer casar comigo? – Shiryu abriu uma caixinha que tinha duas alianças. Shunrei que estava no público, já em lágrimas, subiu ao palco correndo, abraçou Shiryu e respondeu:
- Claro que sim!
Todos aplaudiram e Shiryu colocou a aliança no dedo de Shunrei e ela no dedo dele. Ambos se beijaram e, quando desceram, o DJ começou com as músicas dançantes.
A festa seguiu, todos se divertindo, dançando e bebendo à vontade, como há muito tempo não faziam. E o pessoal só foi embora quando o DJ se despediu, anunciando o fim da festa. Um a um, todos foram deixando a mansão, exceto os cavaleiros de ouro, que por morarem longe, tinham sido convidados a passarem a noite por lá mesmo.
Hyoga tinha levado Naida para a casa dela. Os dois estavam dentro do carro, em um beijo apaixonado de despedida, que estava se tornando cada vez mais quente. Ao se separarem, Hyoga olhou bem dentro dos olhos dela, alisou carinhosamente sua face, sorriu e disse:
- Essa foi uma noite realmente maravilhosa, como há muito tempo eu não tinha.
- Pra mim também, estava tudo perfeito. – ela acariciava a mão dele que estava em seu rosto.
- Fico contente que tenha se divertido.
Naida sorriu. Olhou profundamente nos olhos dele, de uma forma que chegou a assustá-lo, de tão decidida que estava, e falou:
- Não quer entrar?
Hyoga olhou rapidamente para o relógio no carro. Eram 05h00 da manhã. Imediatamente entendeu as intenções dela, e não pensou duas vezes ao responder:
- Eu adoraria.
Naida desceu do carro e abriu o portão, para que ele pudesse guardar o automóvel na garagem. Ela destrancou a porta e os dois entraram na casa. Naida acendeu a luz e Hyoga pôde ver uma sala ampla, de decoração clean. A sala era de dois ambientes, divididos em estar e jantar, sendo que a sala de estar era em desnível em relação à sala de jantar. Ambas eram divididas por um enorme aquário, que funcionava como uma "parede aquática", deixando mais do que evidente a paixão da moça pelas coisas do mar.
Naida trancou a porta e abraçou Hyoga sorrindo, dando-lhe um leve beijo nos lábios, ao que foi correspondida por ele, enquanto sentia suas mãos entrelaçarem sua cintura.
- Então esse é o seu refúgio? – brincou o loiro.
- Sim, é aqui onde recarrego as baterias. Mas tem uma outra parte da minha casa que é mais interessante de te mostrar. – Naida ria maliciosamente enquanto falava.
- Ah, é? E eu posso saber qual seria?
Naida deu-lhe um longo beijo antes de responder:
- É só me seguir.
Ela soltou-se do abraço e pegou a mão de Hyoga, guiando-o pela casa, até chegarem ao seu quarto. Uma vez lá dentro, Naida nem teve tempo de fechar a porta, pois Hyoga já a abraçou com ânsia, beijando-a apaixonadamente e, em seguida, carregando-a nos braços e deixando-a na cama. Hyoga passou a explorar cada parte do corpo dela com a boca, com beijos, descobrindo-o aos poucos, enquanto tirava-lhe a roupa, vagarosamente. Naida permitia, e apreciava cada beijo dele, enquanto ia desabotoando-lhe a camisa e jogando-a longe. Em seguida, foi a vez de livrar-se das calças dele.
Quando estavam completamente despidos, Hyoga parou para contemplar a cena. Olhou-a ali, totalmente entregue a ele e sentiu o fogo da paixão arder dentro dele, como há muito tempo não sentia. Não quis fugir desse sentimento e deixou-se levar, mostrando a ela o quanto a desejava. Ela percebeu a reação do corpo dele, o que a deixou ainda mais excitada do que estava. Colocou suavemente a mão na nuca dele, afagando-lhe carinhosamente o pescoço para, em seguida, puxar sua cabeça para perto dela, falando-lhe ao ouvido, quase que num sussurro.
- Hoje eu quero ser sua, completamente sua.
Hyoga não esperou mais e começou a beijá-la novamente, dessa vez, com ainda mais intensidade. As mãos passeavam pelo corpo dela, delineando cada curva, desvendando cada parte. Ela permitia que ele fizesse o que quisesse. Queria acariciá-lo também, mas não ainda. Dava-lhe mais prazer sentir o que causava a ele, ver que ele ansiava por seu toque também. E ela tinha todo o tempo do mundo para aliviar o desejo dele. Para eles, a noite estava apenas começando e, como ela mesma disse, naquela noite ela decidira que ia ser dele. E assim foi. Ficaram, a noite inteira – ou o que restava dela – se amando, um entregando-se ao outro com paixão, até adormecerem, exaustos, de prazer e felicidade.
X – X – X – X – X
Hyoga acordou e olhou no relógio. Eram 10h00. Era sábado, ele não precisava acordar cedo. Mas não conseguia dormir até tarde, por mais tarde que chegasse de algum lugar. De repente, flashes da noite anterior lhe vieram à mente e ele rezou que não tivesse sido um sonho. Tranqüilizou-se ao ver que Naida dormia, apoiada em seu peito. Começou a fazer cafuné nela, com toda a delicadeza do mundo, pois não queria acordá-la. Queria apenas ficar ali, velando o sono dela. Mas não demorou muito e ela acordou. Sentiu o carinho dele e levantou a cabeça, para olhá-lo nos olhos.
- Bom dia, dorminhoca!
- Bom dia! – Naida disse enquanto se espreguiçava – Dormi muito? Já é tarde?
- Não... ainda são 10h00, mas você estava dormindo tão gostoso que fiquei com dó de te acordar.
Naida sorriu e olhou pra ele enquanto falava. A expressão serena e o sorriso nos lábios enquanto tirava os cabelos dela de seu rosto nada tinham a ver com a expressão fria do rapaz loiro que ela conheceu na academia. Ela nunca imaginou que ele pudesse ser tão sensível e amável. Era mais do que ela imaginava que ele fosse.
- Podia ficar assim com você o dia inteirinho. – ela disse enquanto deitava de bruços e cima dele, apoiando o queixo nos braços cruzados, no peito dele.
- Por que poderia? Você pode!
- É uma proposta tentadora... olha que eu aceito!
Os dois riram e, de repente, ela mudou a expressão. Os olhos perderam o brilho e ela ficou séria. Como Hyoga nunca tinha visto.
- O que aconteceu? – preocupou-se.
- Nada... É que eu ando com um mau pressentimento. É como se algo muito ruim fosse acontecer em breve.
Foi a vez de Hyoga fechar a cara. Lembrou-se das batalhas, do inimigo. Lembrou-se que era uma guerra difícil e pela primeira vez teve medo de não sobreviver, para poder encontrá-la depois.
- Não fique assim... Nada de mal vai lhe acontecer, eu juro. Vou te proteger. – Hyoga falava e abraçava ela, apertado.
Naida deu um fraco sorriso enquanto respondia:
- Pode ser só impressão minha, né? Espero que seja coisa da minha cabeça... – de repente ela mudou a expressão, voltando ao velho sorriso que ele amava ver – É que morro de medo de te perder!
- Não vai, jamais...
- Ah, vou sim... Mais rápido do que imagina... – ela disse, irônica.
- O que quer dizer?
- Terei que fazer uma viagem às pressas para a Austrália, tenho algumas pendências a resolver. Desculpe não ter contado antes, mas fiquei sem coragem.
- Quando?
- Em cinco dias.
- Então você não vai ver o show beneficente?
- Infelizmente, não.
- Poxa, que chato... Você queria tanto ir! – Hyoga lamentava ter que ficar longe dela, mas no fundo sentia alívio por ela não ir ao show. Como Saori, ele também achava que o ataque poderia ser em um evento de grandes proporções, como o show. – Quanto tempo vai ficar lá?
- Essa é a parte ruim, eu ainda não sei. Vai depender de como as coisas estiverem.
Hyoga fez biquinho, encenando que estava triste. Ela beijou a testa dele carinhosamente e lhe disse:
- Você promete que vai se cuidar? Promete que vai estar assim, inteirinho, são e salvo quando eu voltar?
Hyoga gelou. Será que alguém tinha falado alguma coisa pra ela sobre o fato dele ser um cavaleiro?
- Por que isso agora? É claro que eu vou estar inteirinho quando você voltar!
- Apenas me prometa, Hyoga!
- Está certo, eu prometo!! Se isso te deixa mais tranqüila...
- Eu fico bem mais tranqüila, sim... Embora ache besteira, e eu no fundo também acho que é, eu realmente estou com mau pressentimento. E não gosto dos meus pressentimentos ruins, porque geralmente eles se concretizam. E me mataria saber que algo ruim aconteceu com você.
- Escuta, nada de mal vai me acontecer, está bem? Eu prometo a você. Só tem uma coisa que pode me matar. – Hyoga disse sério. Tão sério que ela se espantou.
- O quê? Eu sabia, tem alguma coisa não é?
- Tem sim. O que pode me matar são as saudades que vou sentir de você. – ele piscou pra ela.
- Então eu já morri... já sinto sua falta.
Hyoga sorriu novamente e abraçou-a. Olhou bem dentro dos olhos dela e disse:
- Vamos aproveitar o tempo que temos então para matar essa saudade.
Ela concordou, dando o sorriso "dele", aquele que ele amava. E começaram a beijar-se com ardor, os corpos entrelaçados novamente. Começaram a se amar e não iriam parar tão cedo. Queriam aproveitar todo o tempo de que dispunham um ao lado do outro e aquele era o dia deles. Aquele estava sendo um dia especial, daqueles que marcam a vida de alguém eternamente. E naquele dia, eles estavam sendo marcados, profundamente, com o amor que tinham um pelo outro.
- x – x – x – x – x – CONTINUA - x – x – x – x – x –
