• Disclaimer:Naruto e todos os outros não me pertencem e sim ao Kishimoto-sensei.
N/A: Assim como no ultimo capítulo, a primeira parte da fic é narração da Hinata. Depois, segue em terceira pessoa, porém, há outro momento em que o ponto de vista é da Hinata, e o aviso vem entre parênteses. Se não tiver parênteses, a narração é terceira pessoa, certo?
Boa Leitura!
' UA
• Good Girls Like Bad Boys
Capítulo 7, Reagrupamento.
Segunda-feira, 00h02min
Mansão Hyuuga.
Quarto do Neji.
( Hinata's POV )
Estupidez.
É a única palavra que pode me definir. Como, meu Deus, pude imaginar que isso daria certo?
Quero dizer, cinco minutos atrás, parecia um plano brilhante: ficar cara a cara com Neji, mostrando-lhe o quão absurdo ele fora ao tentar me matar, (mesmo sem, de fato, saber que era eu) e trazer à tona toda sensatez que lhe era característica, tirando-o do lado negro da força – dramático, eu sei. Faz parte do plano. Arrã.
Mas... Céus! Quanta ingenuidade.
Ele permaneceu calado, desde que me ouviu, com os olhos arregalados e a testa vincada (o que, pra mim, deveria ser impossível), mas não é preciso ser um gênio, nem um telepata – até porque, no momento, eu não sou nenhum dos dois – para saber o que ele pensava... E ele ia me matar. Dolorosamente. Lentamente. Era fácil saber... Neji estava furioso.
Sua raiva se projetava, inconscientemente, me atingindo em cheio. Ele pensava, repetidamente, na primeira vez que lutamos, e eu sei que ele descobriu – por dedução, provavelmente – ter enfrentado Tenten naquela noite fatídica.
O que não sei é como eu posso saber tudo isso, já que meus poderes estão, hm, meio... fora do ar. O que é, potencialmente, uma droga.
Neji suspirou pesadamente, e, olhando-o novamente nos olhos, arfei, preparando-me, sem perceber, para a batalha física e emocionalmente dolorosa que viria a seguir, já que (como isso é possível, Deus?) a raiva em seus olhos aumentara.
No entanto, inesperadamente, ele debruçou-se no meu colo e chorou. Chorou.
Fiquei sem ação, sem saber se acreditava ou não naquela cena tão... impossível. Garotos não choravam assim. Melhor dizendo, Neji nunca, nunca mesmo, choraria desse jeito – mas, ainda assim, de alguma forma (que a ciência seria incapaz de explicar, tenho certeza) estava acontecendo.
Nesse momento, pude ver, ainda sem saber como, a raiva desanuviando sua mente, e o que surgiu, sobressaindo-se a todo o resto, foi uma bolha recém estourada de puro arrependimento. Assim como Sakura, Neji possuía uma mente interessantíssima. Tão inteligente, sensata, perspicaz e determinada. Forte, e inacreditavelmente, organizada. Mas, afora o arrependimento, reinava ali, uma bagunça indescritível de fatos, sentimentos e memórias fragmentas (quase todas marcada pela presença de Tenten).
Talvez por conhecer tão bem a mente de meu primo, consegui distinguir, por entre o caos, a verdade.
Então era isso. Só isso. Completamente compreensível. Eu acho.
Dei um sorriso fraco enquanto o abraçava e murmurava palavras reconfortantes.
Neji não estava furioso comigo, ou com Tenten. Neji estava furioso consigo mesmo. Mais frustrado do que já estivera em qualquer momento de sua vida.
- Preciso chamar Naruto – ele disse de repente, me olhando com cautela, e em resposta, meu coração deu um salto doloroso. – Ele... Também precisa saber. E você... Vocês... precisam de respostas. Temos que trazê-las aqui. Naruto e eu... precisamos... nos explicar. E temos de pedir perdão – seu rosto endureceu de dor, e embora eu soubesse que Neji tinha um carinho especial por Sakura e Ino, sabia também que o que mais lhe importava era a reação e a aceitação de Tenten. – Não acredito nas coisas horríveis que fizemos.
Tive vontade de perguntar, por que, então, haviam feito. Mas não era o momento. Não ainda.
- Tudo bem – respondi, simplesmente, tentando acalmá-lo com mais um abraço sincero.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem para minhas amigas, enquanto Neji murmurava rapidamente com Naruto, em seu novo iPhone 4S – presente de meu pai pelo bom desempenho na empresa. Não ouvi nada além "É, é muito sério cara." e "Vem logo pra cá, energúmeno!". Juro que o carinho desses meninos me assusta.
Imediatamente após o informativo de "Mensagem Enviada" aparecer, Ino me respondeu – claro, o iPhone rosa era um dos filhos dela, e dormia bem ao seu lado. Sua mensagem dizia "já vou, chefe" seguido de uma carinha piscando, e eu murmurei um xingamento carinhoso para a tela do celular, esperando que Ino o recebesse. Odiava quando ela me chamava de chefe. Loira idiota, humpf.
Sakura e Tenten demoraram mais a responder, mas disseram que me encontrariam o mais rápido possível, no jardim interno de minha casa, como eu havia pedido.
Não estavam preocupadas em inventar desculpas para os pais por sair no meio da noite – e não tinham motivos para estar, tampouco. Tenten estava sozinha em casa, Ino controlaria os pais, caso descobrissem qualquer coisa, e Tia Alana... Bem, Tia Alana dormia como uma pedra.
- Vamos resolver tudo – Neji prometeu-me quando saímos de seu quarto, rumando para os jardins (um dos meus lugares favoritos nessa casa. Herança de mamãe.), e me abraçou forte procurando conforto e o perdão que eu, sem saber, lhe dei antes mesmo de ele me pedir.
Então eu percebi que nunca suportaria ter de enfrentar Neji em qualquer outra coisa além de Guitar Hero e guerras de travesseiro. Jamais.
Acabei por sorrir, satisfeita por Neji estar, de fato, ao meu lado e ansiosa (apesar de todo receio) por encontrar, também, Naruto e os outros.
No fim das contas, não foi um plano digno de Atena, mas dera certo, afinal.
•••
Esperamos cerca de cinco minutos até ouvir o ronco familiar do motor de um velho Mustang. Ele chegou rápido, como que para adiantar minha tortura psicológica.
Apesar de morarmos todos no mesmo condomínio, normalmente, ele teria demorado mais. O Konoha é enorme – o maior condomínio fechado de Manhattan. – e Naruto não morava tão perto de nós.
Nossa casa fica mais ao Sul – onde se aconchegam as... hm... mansões do condomínio. Sasuke era o mais próximo nesse momento, algumas casas antes da minha – e a de Naruto fica mais a Sudeste. Ainda assim, ali estava ele. A curiosidade que lhe era tão comum certamente o fez exigir demais do motor de seu velho carro – o Mustang (laranja com duas listras negras que atravessavam o capô, o teto e a traseira) pertencera ao pai, Minato Namikaze, e desde sua morte, Naruto assumiu o carro, cuidando-o como se fosse um tesouro. E era, de certa forma.
Ele caminhou rapidamente pelo jardim lateral – meu coração pesando o cada passo dado – com seu velho Converse, jeans escuros vestidos as pressas e um moletom preto, com o capuz cobrindo-lhe o cabelo loiro rebelde. Dolorosamente, me fez lembrar de seu "uniforme de trabalho" e eu me odiei por achá-lo tão lindo, mesmo então.
Suspirando, encarei Neji outra vez, e soube que estampado em meu rosto estava uma dor intensa, pois Neji se encolheu, a expressão magoada e arrependida, e depois me lançou um olhar que dizia claramente pra eu lhes dar um pouco de privacidade. Assenti e me esgueirei por um caminho – quase oculto por entre os arbustos – no momento em que Naruto perguntou aos sussurros, qual era o problema.
"Vocês são o problema!" – quis responder. Por que tinham que se tornar maus ou sei-lá-o-quê justamente quando tudo está tão perfeito? Obviamente, eu não disse nada, e reprimi as malditas lágrimas que vieram a meus olhos – mais uma vez, não era hora de ser fraca.
Não que eu fosse suportar lutar contra Naruto, se ele decidisse isso. Talvez eu até me entregasse, sem questionamentos, como sempre faço quando se trata dele.
Não posso deixar o jardim. Pouco me importa se Neji ver que estou espionando! Ele não pode considerar isso um crime, pode? Não. Não depois de tudo.
Eu preciso ficar. Não posso negligenciar esse momento. Preciso ficar aqui para encontrar no rosto de Naruto qualquer resquício de dúvida, ou culpa, que me permita ir até ele implorar que pare com essa história ridícula de maldade e que não estrague tudo.
É tão indescritivelmente doloroso vê-lo assim, tão normal, tão calmo, tão bom e saber que não é verdade.
Não posso deixar que ele continue sendo usado pelo Senhor do Crime. Por puro egoísmo, claro. Eu preciso de Naruto. Muito mais do que imaginava.
Oh, droga.
- Eu, ahn... Descobri quem elas são – Neji respondeu finalmente.
- Quem são o quê? - Naruto ergueu a sobrancelha, confuso.
- Quem são as Princesas da Disney, Naruto! – Neji revirou os olhos e eu quase sorri – Descobri quem são as Panteras-barra-HIT'S, idiota – seu rosto se iluminou, como se tivesse visto algo realmente óbvio. E ele viu... HIT'S fazia muito mais sentido para meu primo nesse momento.
Naruto soltou um "ah" não muito entusiasmado e sentou-se na grama, as costas encostadas na nossa pequena fonte. Distraidamente, começou a brincar com algo em suas mãos. Reconheci, depois de alguns segundos, o que era. Junto das chaves do carro e da casa pendiam dois pequenos chaveiros. O primeiro era uma miniatura em seis centímetros de um carro – o presente que eu lhe dei no ultimo 10 de Outubro, pouco antes de estarmos juntos. Era uma réplica exata de seu Mustang (o capô até abria para mostrar o motor Nissan Sky-não-sei-o-quê – Tenten me ajudou com essa parte, admito –, igualzinho ao de Naruto!), com as letras N e U entrelaçadas no teto, escritas com minha letra.
O segundo era uma esfera de prata com um raio dentro. Naruto o tinha desde sempre, e me disse que era o Raio de Zeus. O chaveiro também fora de seu pai, e era uma alusão ao fato de Minato ser conhecido como "Raio Dourado", por ter sido um detetive extremamente rápido em sua época.
No entanto, agora, aquele raio estúpido fazia um sentido irritante. Duvido que tenha, de fato, alguma relação com Minato. Deve ser apenas por causa de sua elotrocinese. Exibido, humpf!
Depois de um silêncio longo e pesado, em que Neji e eu esperávamos uma reação de Naruto, ele finalmente levantou-se, guardou as chaves e suspirou cansadamente. Eu pensei que fosse contestar as ações de Neji, dizer que aquilo era um total engano e que ele estava fora dessa brincadeira de ser mau. Meu coração se acelerou com a perspectiva, e eu sorri. Mas aí ele abriu a boca:
- O que está esperando, Neji? Vamos acabar com isso, então.
O quê?
...
"Vamos acabar com isso, então."
Por que, Naruto?
"Vamos acabar com isso, então."
Não era pra ser assim, idiota.
"Vamos acabar com isso, então."
Idiota, idiota, idiota!
O que ele pensa que está fazendo?
Ele não é assim. Não pode ser. Esse não é o meu Naruto.
Sem ter muita consciência de meus atos, andei cambaleante até Naruto e comecei a bater repetidamente em seu peito, com meus melhores socos e tapas – e, nesse momento, eu queria não ser telepata. Eu queria ser a Sakura. – enquanto lágrimas teimosas e idiotas (assim como Naruto) molhavam meu rosto corado. Naruto me fez ficar vermelha de frustração, e não de vergonha, pela primeira vez em minha vida. E a sensação é de ter meu coração esmagado.
- C-co-mo pôde? Vo-cê... não é... as-sim! – Falei, entre os golpes.
Os olhos de Naruto pareciam que iam sair das órbitas e ele estava tão atônito que nem se defendeu de meu ataque, até então, ilógico.
Neji me abraçou pela cintura e afastou-me dele, pedindo que eu ficasse calma. Mas eu já não agüentava mais só ficar calma. Só sentar e esperar. Não mesmo!
Quero meus amigos de volta, minha rotina de volta, minha vida de volta. Quero o meu Naruto de volta – sem mentiras, sem brigas, sem segredos, sem máscaras.
- Hinata, o que deu em você? – Naruto perguntou, quando se recuperou do susto inicial, assombrado e talvez até magoado. Ah, claro. Ele está magoado?
Eu ainda me debatia com Neji, e finalmente me soltei dele, talvez, perdendo o controle. Merda! Mas... Que seja! Afinal de contas, não dá mais para ser condescendente.
- O que deu em mim? – Não aumentei o tom de voz, mas sei que soei sarcástica e ameaçadora. – Não é o que deu em mim, Naruto. É o que deu em você! Qual é o seu problema? De vocês todos, aliás! – Acusei, dessa vez, olhando também para Neji. – Os meus amigos não são maus. Eles não colocam máscaras e saem por aí fazendo o trabalho sujo de um Senhor do Crime covarde que nunca mostra a cara! – A compreensão inundou seu rosto, e ele olhou estupefato para Neji, num questionamento mudo. Neji abriu a boca, mas fui mais rápida. – Não, ele não me contou.
- Então... Como...?
- Como sei que vocês são algum tipo de bad boys? – completei por ele, numa voz tão calma que me pareceu simplesmente inapropriada no meio de tudo aquilo. – Bem, quando você diz "vamos acabar com isso" – tentei soar parecido com seu tom de voz mas falhei miseravelmente, minha garganta se fechando. Depois da explosão vem as lágrimas, então. – "Isso", no caso, sou eu. Foi o que Neji descobriu. Eu, Ino, Tenten e Sakura... HIT'S. Vá em frente, aliás – disse, ironicamente, enxugando as lágrimas com as costas das mãos. – Se você quer mesmo acabar com isso, eu não vou impedir. Jamais suportaria a ideia de te enfrentar, e não vou oferecer resistência. Mas, se ainda houver uma parte do meu Sol por aí, usando essa fachada de menino mau... Eu... – funguei – Eu adoraria tê-lo de volta, se quer saber.
Naruto ficou em silêncio pensando como sua Hinata frágil e doce poderia ser uma das meninas com que ele lutou. (Ele é mais lento que Neji, e ainda não sabe qual delas eu sou. Não que eu esteja muito surpresa, na verdade.) Mas nada além disso se projeta de sua mente.
A propósito, estou oficialmente desistindo de tentar entender minha mente-super-poderosa-que-funciona-quando-quer... Não adiantaria mesmo tentar. Essa droga de telepatia só funciona direito quando quer. Telepatia idiota. Poderes idiotas. Garotos idiotas! (Será que posso usar toda essa situação como desculpa para estar tão ranzinza? Posso, é claro que posso! É!)
Acabei olhando para Neji, me desculpando por, provavelmente, ter estragado tudo. Ele sorriu pra mim e acho que entendeu o que fiz – Tenten deve estar chegando, afinal de contas.
Não sei o que ele vai fazer se Naruto sair desse vazio e decidir me entregar para o Senhor do Crime. Acho que Neji não estará de acordo, mas, de qualquer forma, estou determinada a evitar brigas.
- Qual... Qual delas? – Naruto perguntou de cabeça baixa e eu fiquei sem entender.
- Lírio – Neji respondeu por mim. Ah, isso. Entendi.
Naruto veio em minha direção, os olhos perdidos e sem brilho, um sorriso triste que não lhe pertencia. Ele concentrou os pensamentos numa lista (que eu jamais pensaria existir) que classificava nossos poderes de acordo com as nossas máscaras. Quando conseguiu lembrar-se com perfeição os poderes que "Lírio" tinha, uma fagulha se acendeu em sua mente.
- Ah. Erm, q-que bom. Pelo menos eu, ahn, eu não te machuquei, não é? – Ergui uma sobrancelha. Claro. Você descobre que seu quase-namorado é mau e sai inteira da situação. Sem se machucar nem nada. Arrã. – Você... sabe... o que eu quis dizer, não sabe? Mesmo sem essa coisa de telepatia você me conhece melhor que qualquer um!
Aí eu dei mais atenção a minha mente e nela vi o reflexo da de Naruto, exatamente como a mente de Neji tinha estado: confusa, mas, acima de tudo, arrependida. Ele pegou minha mão e corei (novamente pelos bons motivos!) com o fluxo de sentimentos que o invadiu. Nunca tinha sido tão fácil ler a mente – mais do que isso, imagino – de alguém. Naruto estava conectado a mim, de uma forma indescritível.
- Eu... Sabe, eu não sou bom com palavras, e nada que disser vai justificar ou mudar o que fiz... Mas eu me arrependo, Hinata, juro! Assim como Neji. Nós dois já estávamos caindo fora e... De qualquer forma, isso só mostra o quanto eu... – ele estava tão fofo com toda aquela tagarelice que não consegui impedi-lo, apesar de já saber tudo que precisava. – O quanto eu preciso de você. Umas noites sozinho e eu viro um carinha mau, tá vendo? – Ele riu, ainda um pouco nervoso, mas verdadeiro. – É porque é você que me ilumina, lembra? Só com você eu conseguia esquecer essa parte de mim, porque você sempre vê o meu melhor. O melhor de todos, aliás. E eu prometo que entenderei se não nos perdoar, e até se... Sei lá, se quiser não ficar mais comigo, mas você tem de saber que eu não queria te magoar, nunca! E eu preciso de você, Hi, e... E eu te amo, de verdade. Mesmo.
Sem pensar duas vezes eu o abracei forte e sorri em meio às lágrimas. Tinham tantas sensações dentro de mim... Alívio, felicidade, conforto, amor e as terríveis borboletas – ou eram pássaros? – que não deixavam meu estômago em paz. Naruto disse que me amava. Certamente, eu acabo de experimentar aquela sensação inusitada, que geralmente chamam de "ir do Céu ao Inferno". Do Inferno ao Céu, no meu caso. E, mais certamente ainda, eu sou uma das pessoas mais felizes do mundo.
- Eu te amo também, menino mau – falei ainda sorrindo, ainda chorando, ainda corada. Ainda feliz.
Naruto riu – o melhor som do mundo – e me deu um selinho. Neji bufou (mas tinhas pensamentos felizes sobre nós, e uma incerteza quase dolorosa em relação à Tenten) e nós nos separamos. Naruto fuzilou-o com o olhar, mas não me soltou.
- Ah, qual é! – Neji sorria debochadamente. Cretino. – Vocês vão me fazer vomitar.
Antes de poder responder a provocação de meu amado primo, virei-me instintivamente para a entrada do jardim.
- Era exatamente o que eu ia dizer.
•••
Segunda-feira, 00h59min
Mansão Hyuuga.
Jardins.
- O que diabos está acontecendo aqui, Hinata? – Ino perguntou, sem conter o tom de sua voz.
- Meninas, eu, ahn, n-não, não ouvi vocês, che-g-garem.
- Ah, mas é claro que não! Você estava ocupada de mais se agarrando com um inimigo – Sakura cuspiu as palavras, nervosa.
- Era esse o plano genial? Passar pro lado deles ou sei-lá-o-quê?
- Não! É claro que não Ino. Você devia saber que eu nunca faria isso com vocês – Hinata defendeu-se, ofendida. – E eles não vão nos machucar, eu juro. Não sei se estão do nosso lado, mas...
- Estamos! – Naruto interrompeu. – Eu... nós sentimos muito, mesmo.
- Ah, será?
- Nós jamais machucaríamos vocês Ino... E já estávamos cansados disso tudo, queríamos que acabasse logo. Agora estamos fora, oficialmente – Neji prometeu.
- E como vou saber que isso não é um truque? – Tenten perguntou, falando pela primeira vez. Sua voz era baixa e falha, e ela não olhou nos olhos de Neji. – Hinata sempre foi muito boazinha e gentil e está sem poderes. Vocês dois, principalmente, poderiam enganá-la. Até porque nos últimos tempos vocês têm mentido muito, não é?
- Eu menti, sim. Nós mentimos. E, sei que não há comparação, mas vocês também não foram exatamente honestas. – Neji se aproximou e levantou o rosto de Tenten, molhando pelas lágrimas, forçando-a a encará-lo. – Mas, Tenten tudo o que passamos foi verdadeiro – sorriu. – Naruto não é nenhum gênio, mas estava certo quando disse que nós entenderemos se vocês não nos perdoarem, mas precisam saber que o sentimento é real. Sempre foi.
O Hyuuga acariciou o rosto de Tenten, e ela fechou os olhos e contraiu os lábios, pensativa. Ele a abraçou, e a Mitsashi permaneceu estática, sem nenhum indício de retribuição. Mas ela também não o afastou, e, por ora, era tudo que Neji poderia pedir.
Por cima do ombro de Tenten, Neji acrescentou, olhando carinhosamente para Ino e Sakura:
- Eles só precisam de um pouco mais de tempo...
- E porque acha que com eles será diferente? – Sakura perguntou, insegura.
- Hun... as coisas mudaram um pouco. E, bem, porque, desde o início, Naruto e eu já não éramos muito favoráveis a isso. É por isso que pode parecer exagero ou falsidade, mas nosso arrependimento é genuinamente gi-gan-tes-co.
- Porque não queríamos entrar nessa. Não queríamos machucar ninguém. E no fim acabamos magoando, e até machucando fisicamente, as pessoas que mais nos importam – Naruto explicou, olhando nos olhos de todos enquanto falava. Acabou perdendo-se nos olhos perolados de Hinata, ainda fascinado pela recente descoberta de seus poderes e surpreendeu-se quando Sakura o abraçou forte.
- É bom não ter de quebrar sua cara... Sabe, pra valer. – Sakura sorriu minimante. Parecia até que seria fácil ter tudo de volta a normalidade. E talvez ela nem tivesse que lutar até a morte com Sasuke (como ela dramaticamente havia conjecturado nos últimos dias). Talvez.
- Bem, posso me considerar um cara de sorte então, não é? Ouvi dizer que você é bem forte... Tipo, forte de verdade. É bom que não queira me espancar, só pra variar.
- É, mas não se empolga não. Vocês nos devem muitas explicações, mocinhos!
- E eles vão falar tudinho, certeza. Mas antes – Hinata interveio –, vamos pro meu quarto. E, Ino, você vem comigo – cinco pares de olhos se voltaram, questionadores, para a Hyuuga e ela bufou. Às vezes se esquecia que os amigos, apesar de poderosos, não eram capazes de ler mentes. – Barulho de mais. Papai está acordando, você tem de controlá-lo, Ino. E essa conversa já vai ser suficientemente ruim para ficarmos aqui de fora, desconfortáveis e no frio. Pro meu quarto, já!
Sem esperar por qualquer reação, Hinata alçou voo levando Ino consigo, e levou-a até a janela do quarto de Hiashi.
- Caaara! Minha garota é incrível! – Naruto exclamou totalmente maravilhado, observando Hinata e Ino misturarem-se ao céu da madrugada.
Tenten e Sakura deram risadinhas abafadas enquanto Neji golpeava as costelas de Naruto com o cotovelo.
- Sabe, eu até te aceito como um na-namo... Um alguma coisa da minha prima. Mas "minha garota" não, por favor – Neji resmungou.
- Tudo bem, foi mal... Mas o que mais eu posso dizer se ela é uma garota e é minha? Além disso, quando a Tenten fizer um lance super legal e você ficar orgulhoso e babão eu não vou te impedir de dizer nada, certo? E para de me olhar com essa sua cara feia e vamos entrar. Agora que eu sei de tudo eu meio que tenho medo da Hinata.
- Ah, e deveria ter mesmo – Sakura disse, mais pra desviar a atenção assassina de Neji do que qualquer outra coisa.
- Ela é poderosa? – Perguntou.
- Você não faz ideia o quanto, Neji.
•••
Ino controlou Hiashi, Tia Maria e todos os empregados da mansão e fez com que dormissem profundamente, enquanto Hinata usava todo o poder que tinha disponível para manipular suas memórias, fazendo Tenten, Sakura, Ino e Naruto terem sido convidados a jantar e dormir com os Hyuuga.
Enquanto elas trabalhavam, Sakura preparava chocolate quente na cozinha. Hinata tinha razão, aquilo tudo teria sido bem menos confortável do lado de fora. Novembro estava caprichando nas baixas temperaturas.
Acomodaram-se no quarto de Hinata quando todo o trabalho estava pronto.
Sakura sentou-se no chão, encostada a cama, com Naruto a seu lado, apoiando as costas nas pernas de Hinata. Ino e Tenten dividiam o puff com Neji ao lado, num colchão. Seria uma cena comum, algum tempo atrás. Madrugada, chocolate quente e amigos... Mas, agora, parecia estranha e errada. O silêncio era pesado e incômodo, e perdurou por mais alguns minutos antes de Naruto, como sempre, quebrá-lo:
- Ahn, por onde devemos começar? – Inquiriu sem direcionar a pergunta a alguém em particular.
- Pelo começo seria bom, não acha? – Sakura respondeu com ironia, e logo depois baixou a cabeça, para acrescentar, sussurrando: – Por quê?
- Vingança – Neji disse simplesmente.
- Vingança? – Ino ergueu uma sobrancelha, descrente.
- Bem... é... difícil explicar... – Naruto começou, coçando a cabeça.
- E mais ainda entender – Sakura o interrompeu e o silêncio se instaurou novamente.
Neji pigarreou alguns segundos depois, e toda a atenção (e a tensão) se voltou para ele.
- Vocês já sabem... dos poderes, não é?
- Achamos que sim: fogo, Sasuke – Ino enumerou –; terra, Gaara; Raio x pra você e raiozinhos pro Naruto.
- "Raiozinhos"? – Naruto sibilou. – Tá doida Yamanaka? Tem que respeitar, poxa!
- Relaxa, Naruto. Não é pessoal... Ino nunca foi boa com nomes complicados... Ou com respeito – Sakura riu. – Pirocinese, geocinese, visão de raio x e eletrocinese, respectivamente, Sasuke, Gaara, Neji e você, Naruto. Satisfeito?
- Muito – ele cruzou os braços sobre o peito, com um sorriso gigante no rosto. – E vocês... Hm, Hinata telepatia e, ahn... enfim, continue Neji.
- Só sei o básico sobre vocês. Hinata, telepatia e telecinese. Sakura, superforça e regeneração celular. Tenten magnetismo, e Ino, você controla mentes. Certo?
- Yeep! Legal né? – A loira sorriu.
- É, Ino, muito – Tenten respondeu. – Mas estamos fugindo do foco principal da conversa.
Neji suspirou. Tenten estava certa. Havia muito a ser dito.
- Sasuke foi o primeiro de nós a descobrir os poderes. Ele tinha acabado de fazer treze anos, mas manteve segredo até que Naruto também descobriu os seus, alguns meses depois. Eu só soube dos meus com pouco mais de 14.
- Não tínhamos plano nenhum – Naruto continuou. – Nada de ajudar pessoas, muito menos usar isso de um jeito ruim. Só curtíamos a sensação de poder, sabe? Íamos para a casa de Sasuke e meio treinávamos, meio brincávamos com tudo isso. Itachi estava... viajando... na época então podíamos aproveitar.
Naruto e Neji trocaram um olhar significativo, mas não continuaram.
- Bom, e aí? – Tenten perguntou, impaciente.
- Precisamos ir bem ao início disso – Neji suspirou outra vez.
- Tudo bem, desde que início pra vocês não seja "no princípio, Deus criou os céus e a terra".
- Não... Não tão início assim Ino. – Naruto respondeu, sorrindo.
Com o clima um pouco mais leve, Neji retomou a palavra.
- Sakura... não é um assunto que gostemos de discutir, mas... Pode nos dizer o que sabe sobre os pais de Sasuke?
- Eu, ahn... – Pega completamente de surpresa, Sakura piscou duas vezes e mordeu o lábio inferior antes de responder. De fato, não era um assunto agradável, mesmo para ela. – Bem, Fugaku era advogado, como Itachi, e Mikoto deixou as salas de aula para ficar com a família quando casou. Eles morreram, há muitos anos atrás.
- Você sabe como?
- Hm, acidente de carro, não foi? Sasuke e Itachi eram bem novos na época. Mas qual a relação disso com vocês?
- Você vai entender, logo – Naruto prometeu, segurando a mão de Sakura. – Vá em frente, Neji.
- Bem, indo direto ao ponto: tudo isso é mentira, não foi assim que aconteceu – Neji franziu o cenho, incomodado em contar um segredo que não era seu, mas prosseguiu. – Fugaku, na verdade, era um agente do FBI que estava investigando o Mercado Negro. O Senhor do Crime, na época, fazia parte de uma organização chamada Akatsuki. Além do contrabando de armas, a Akatsuki, secretamente, estudava também as mutações genéticas, e estavam atrás de pessoas com poderes. Pessoas como nós. Eles eram muito bem organizados, e tinham um poder de fogo incrível e até alguns meta-humanos, mas Fugaku era um gênio. Através de sua investigação, alguns membros da Akatsuki foram presos. Mas isso, obviamente, teve um preço. Fugaku e Mikoto foram assassinados, na Mansão Uchiha, a mando do Senhor do Crime.
- Sasuke era muito jovem, tinha acabado de fazer sete anos... Ele não soube de nada. Mas os agentes do FBI contaram tudo a Itachi, que acabou se tornando o agente mais novo da história do FBI.
- Não brinca, Naruto! Itachi é do FBI? – Ino exclamou, boquiaberta.
- Não só isso. Hoje Itachi é Capitão da SWAT. Mas isso é, literalmente, segredo de Estado, Ino. – Neji advertiu e Ino fingiu trancar a boca e jogar a chave fora.
- Itachi também é um gênio e seguiu os passos do pai – Naruto continuou. – Ele entrou na Akatsuki, investigando-os internamente. Lá ele descobriu que o Senhor do Crime havia desertado, logo após a morte de Fugaku, e que, fora da Akatsuki, ele conseguiu o domínio de Manhattan, tendo grande influência em NYC. Foi aí que ele se tornou, oficialmente, o auto proclamado Senhor do Crime.
- Infelizmente, ser agente duplo é muito arriscado, e Itachi foi descoberto. Escapou por um triz de uma emboscada da Akatsuki. Os superiores lhe mandaram sair da cidade por um tempo, e ele acabou indo pra Europa.
- Opa, opa... Tempo! – Tenten pediu, fazendo um T com as mãos. – Isso tudo é confidencial demais... como vocês podem saber disso?
- A viagem de Itachi foi muito repentina. Ele disse a Sasuke que precisava estar presente em uma transição de uma empresa para a qual seu escritório de advocacia trabalha... – Neji queria prosseguir a explicação, mas Naruto o interrompeu:
- Só para constar – disse em um cômico tom de conspiração –, esse escritório nem existe de verdade. Itachi nunca foi advogado!
- Oh, obrigado, Naruto, pela informação tão óbvia que você dividiu conosco. – Neji revirou os olhos, mas o loiro sorriu satisfeito. Como se, de fato, tivesse acrescentado algo valioso. – Continuando... Sasuke não acreditou muito na versão de Itachi. Isso era na época em que íamos para a Mansão Uchiha treinar-barra-brincar e dissemos a ele que era paranóia. Mas, como sempre, Sasuke foi um cabeça dura e acabou hackeando o notebook do irmão. De alguma forma, ele conseguiu acesso aos arquivos do FBI... Sobre seus pais, o Senhor do Crime e todo o resto.
- Own, Sakura! Vocês têm muito em comum, vê? Mais do que imaginávamos – Hinata disse com uma voz falsamente fofa. – Os dois são cabeças duras e enxeridos que invadem computadores alheios – acusou.
Sakura, ainda de costas para a Hyuuga que ria maldosamente, atirou uma almofada, acertando-lhe a cabeça e murmurou um "explico depois" com descaso para Naruto e Neji que a olhavam curiosos.
- Certo... Ahn, então, Sasuke contou tudo a mim, e depois a Neji, e nos pediu que o ajudássemos a dar um jeito no Senhor do Crime. Sem um plano exato... Sem nada. Só a coragem e os poderes. Até eu sabia que era loucura, mas... Sasuke me convenceu, momentaneamente.
- Como? – Hinata perguntou.
- Nos arquivos do FBI, Sasuke encontrou um relato sobre a morte de meus pais. Vocês sabem que meu pai era detetive no Departamento de Polícia de Nova York, e minha mãe era investigadora. Mas eu nunca soube exatamente como eles morreram – Naruto engoliu em seco, e Hinata apertou seu ombro tentando confortá-lo. Ele olhou para cima, lançando-lhe um sorriso triste e aconchegou-se mais entre as pernas da Hyuuga. – Nos relatos da missão em que se infiltrou, Itachi dizia que, quando deixou a Akatsuki, o Senhor do Crime levou consigo parte dos experimentos. Em outro arquivo, pouco depois da morte de Fugaku e Mikoto, encontramos um relato sobre a morte de um detetive e uma investigadora, que foram surpreendidos por – Naruto indicou as aspas – "uma criatura monstruosa e desconhecida" quando chegavam em casa.
"Cruzando com as informações de Itachi descobrimos que era um experimento do Senhor do Crime que deu errado. O Senhor do Crime alterou alguém geneticamente, tentando criar um meta-humano, e o mandou atrás de meu pai, que trabalhou com a equipe de Fugaku em uma das missões para pegar a Akatsuki. Ainda era só um teste, e a mutação foi demais... a coisa acabou perdendo o controle. Eu estava dentro de casa, e meus pais deram a vida para que o monstro não fosse atrás de mim, ou machucasse outras pessoas."
- É compreensível que na hora Naruto tenha tido ódio do Senhor do Crime, e assim Sasuke o convenceu... E eu não poderia deixá-los sozinhos, mesmo achando absurdamente perigoso e estúpido.
- Mas se vocês queriam pegar o Senhor do Crime, porque trabalhar pra ele? – Ino perguntou – E, aliás, onde Gaara entra nisso tudo?
- É exatamente aí que Gaara entra. – Naruto respondeu, deixando Ino e as garotas mais confusas ainda.
- Mais uma vez, precisamos ir bem ao início disso – Neji tomou a palavra. – Gaara nasceu no Japão, sua mãe morreu ao dar-lhe a luz, e seu pai era um cientista brilhante.
- Era? – Tenten interrompeu. – Gaara também é órfão?
- Sim. – Ino respondeu, encarando o chão. – Ele comentou comigo sobre a família. Falou da morte da mãe e de seus irmãos, mas, claro, não me disse o que houve com o pai.
- É difícil pra ele – Neji explicou, num tom de quem se desculpa. – Acontece que o pai de Gaara trabalhou diretamente para o Senhor do Crime que, na época, pelas nossas contas, ainda estava na Akatsuki. E por isso, eles vieram pra América.
- Obviamente ele não sabia no que estava se metendo, coitado – Naruto maneou a cabeça. – Aparentemente, era tudo muito simples: mudar-se para cá, ganhar seu próprio laboratório, já equipado, e ainda ter a chance de fazer história, se tudo desse certo. O Senhor do Crime queria que ele estudasse os meta-humanos, e achasse uma forma de criar esses superpoderes. Ele fez vários testes em animas, que falharam. Até que, secretamente, ele modificou algo na fórmula, não sei o que ou porque, e decidiu usar Gaara como cobaia.
- Meu Deus! Isso é... É tão... tão cruel.
- É, Ino. Mas... Vejam bem, o Senhor do Crime não é a pessoa mais paciente do mundo. Não que eu concorde com o que o pai de Gaara fez – Neji esclareceu, erguendo as mãos. – Ele estava desesperado. O Senhor do Crime já havia esperado quase um ano e não teve nenhum resultado. Bem, não até Gaara.
- E o aconteceu a ele? O pai de Gaara, quero dizer – Hinata perguntou.
- Assim como nos testes anteriores, Gaara não dava resultados. O Senhor do Crime já estava completamente sem paciência, tanto com o pai de Gaara quanto com o FBI e o NYPD na cola da Akatsuki, e foi aí que ele mandou matar Fugaku, e logo depois deixou o grupo. Por conta própria e tendo alguns dos estudos da Akatsuki, ele achou que o Sabaku era dispensável, então ele foi até seu laboratório, pegou as pesquisas e o matou, fazendo parecer um acidente... uma explosão.
- Mas, o Senhor do Crime não contava com Temari, a irmã mais velha de Gaara. Ela ajudava o pai no laboratório e viu tudo o que aconteceu.
- E ele também não sabia que Gaara seria o primeiro experimento bem sucedido. Mas Temari sabia. Ela cuidou de Gaara e Kankuro, e quando Gaara era mais velho o ajudou com os poderes, e contou tudo a ele. Hoje, é uma das pessoas que mais entende sobre mutações genéticas, e segundo Gaara, até está trabalhando num antídoto.
- Mas... Ainda não entendi. Como foi que Gaara, de fato, se juntou a vocês? – Ino quis saber, a voz meio triste, talvez, pela parte mais triste da história de Gaara, que ela nem sabia existir.
- Hm, ele... – Naruto suspirou, olhando pra baixo, procurando as palavras. – Gaara não conseguiu lidar com tudo tão bem quanto Temari. Ela usou a raiva como uma injeção de ânimo para continuar os estudos do pai. Já Gaara remoeu essa raiva do Senhor do Crime, por tudo que passou quando era criança e procurava, desesperadamente, por vingança.
- No ano passado, no dia em que decidimos ir atrás do Senhor do Crime, nós conversamos na escola, tentando pensar em algum plano para encontrá-lo, e Gaara nos ouviu.
- Gaara não veio pra escola esse ano? – Ino perguntou.
- Não. Ele veio para o Konoha esse ano, morar com seu irmão Kankuro, mas já era do colégio antes.
- E como é que eu nunca o notei antes?
- É que antes ele era um cara de muita sorte, Ino – Sakura zombou e Ino mostrou língua.
- Então... É só ignorar elas e continuar, por favor – Tenten pediu.
- Certo... – Naruto disse no meio de uma risada. – Ah, sim! Uma coisa que precisam saber sobre Gaara: os poderes dele são magníficos. Além de poder atacar com a terra, como, ahn, vocês bem sabem... – ele sorriu sem graça e Tenten, que mais sofreu com o esmagador poder do ruivo, mordeu o lábio inferior e engoliu em seco. – Hun, ele pode também sentir as coisas, se estiver bem concentrado.
- Sentir? – Sakura arqueou a sobrancelha – Como assim?
- É chamado sentido sísmico... É como um cego, se orientando pelo tato. Ele pode sentir as pessoas que estão ao seu redor, quando estão sobre a superfície. Não como um rastreador, mas como um radar, entendem? Gaara diz que a "resposta" que cada pessoa tem com a terra é um pouco diferente, mas a maior diferença mesmo é entre humanos e meta-humanos; Gaara sente melhor os mutantes. E ele acha que também pode ouvir através da terra... Tem treinado muito nisso, mas ainda não pegou o jeito. Não exatamente.
- Isso o deixa exausto, mas é super legal – Naruto finalizou.
- Ele sentiu nossos poderes, nos espionou, e assim nos ouviu planejar. Gaara nos seguiu quando estávamos indo atrás do Senhor do Crime. Ele contou sua história, e disse que o melhor a fazer era trabalhar com o Senhor do Crime e acabar com ele por dentro. Sasuke acabou concordando e depois disso Gaara passou meses tentando achar uma brecha para chegarmos ao Senhor do Crime – o que não é nada fácil. Mas, a brecha veio quando vocês começaram a detonar e prender os bandidos dele. Algum tempo depois, localizamos um de seus esconderijos, batemos em seus capangas, e isso o deixou impressionado. Seu assistente pessoal, K, marcou uma "reunião" com o Senhor do Crime e fomos, hm, "contratados".
- Que fique bem claro que Neji e eu éramos contra. Eu já tinha percebido que todos nós tivemos pais heróis, que morreram, injustamente, é claro, mas por algo que acreditavam. Tínhamos que fazer as coisas do jeito certo, nós... devemos isso aos nossos pais. Mas... Sasuke é nosso amigo desde sempre, e Gaara passou a ser um de nós, de verdade. Não podíamos deixá-los sozinhos nisso, definitivamente não podíamos.
- Eu acho que... bem, de certa forma é compreensível. – Sakura disse, sorrindo. – Mas vocês não fizeram nada ao Senhor do Crime, não é? Por quê?
- Sasuke e Gaara... mudaram um pouco. Eles ainda dizem querer vingança, mas... Quando estamos perto do Senhor do Crime, eles quase parecem... gostar de tudo. Não sei o que deu neles! Mas sei que agora, nós seis devemos nos unir e dar um jeito nisso. No Senhor do Crime, em tudo.
- Considerem um reagrupamento – Naruto sorriu abertamente, puxando a mão de Hinata para depositar ali um beijo e logo depois entrelaçar seus dedos.
- Estão de acordo?
- É acho que sim – Ino sorriu também.
- E estamos perdoados? – Neji olhou diretamente para Tenten dessa vez.
- Só se você prometer que acabaram as mentiras e as possíveis tentativas de assassinato.
- Nunca mais.
- Então está perdoado... por enquanto.
Neji sorriu e abraçou Tenten, dando-lhe um selinho em seguida, ouvindo Naruto dizer que ia vomitar, numa péssima imitação da voz do Hyuuga.
- Meninos, eu tenho uma pergunta... Como Gaara nunca nos sentiu? Ou talvez tenha sentido e não tenha dito a vocês...?
- Acho difícil, Hi. Gaara raramente usa essa técnica porque ele fica realmente exausto. E ele nunca usou os poderes perto de vocês... Só quando vocês eram HIT'S... Entende?
- Então se ele usar os poderes perto de nós saberá que a "resposta" é a mesma das HIT'S, portanto, ele nos descobrirá... – Sakura deduziu. – Certo?
- Acredito que sim – Neji respondeu com uma cara pensativa.
- Hm, entendo. É quase como a telepatia. Tem de estar em uso. Ah! Outra coisa... vocês sabem quem protegia suas mentes? O Senhor do Crime é telepata?
- Não – Neji respondeu, o cenho franzido. – Não sabemos quais são os poderes exatos dele, mas quem nos protegia era uma subordinada. Nunca víamos o rosto dela.
- E como nunca conseguimos nos reconhecer através de nossas vozes? Quero dizer, nós nos conhecemos há anos, e ainda assim, conversávamos como inimigos sem nem saber... Era estranho – Hinata fez uma careta de desgosto.
- Ah, era um truquezinho do Senhor do Crime. Usávamos um aparelho que modificava um pouco nossas vozes... – Naruto parou para bocejar. – Mas acabávamos também ouvindo tudo diferente.
- Olha – foi a vez de Sakura se pronunciar –, eu sei que estão cansados. Nós também, acreditem... Tenho só mais algumas perguntas...
- Vá em frente.
- Porque Harvard? O que o Senhor do Crime tá planejando?
- Sinto muito, Sakura, mas não tenho ideia. Somos peões, sabe como é... Ele não nos dá essas informações.
- Precisamos descobrir – Ino sentenciou. – E impedi-lo, não importa como.
- E isso nos leva a ultima pergunta do dia, e a mais importante – Tenten esperou alguns segundos (para deixar um suspense, provavelmente) antes de completar: - O que diabos nós vamos fazer?
•••
Segunda-feira, 05h23min
Mansão Hyuuga.
Quarto da Hinata.
Sakura acordou num sobressalto.
Levando a mão ao peito, sentiu o coração bater acelerado; a respiração era superficial e ofegante. Outro pesadelo com Sasuke, claro.
Apertando seu pingente entre os dedos, como fazia logo depois de todo sonho ruim, pediu silenciosamente que aquilo nunca acontecesse.
Mas, diferentemente do que a Haruno tinha sonhando nos últimos dias, nesse sonho, Sasuke não a atacava com seus poderes. Suas palavras e seu olhar, por sua vez, eram capazes de queimá-la por dentro.
Por algum motivo, mesmo depois da longa conversa com Naruto e Neji, Sakura sentia que toda essa história seria muito pior para o seu relacionamento do que fora para os outros.
Balançou a cabeça, respirando fundo. Só podia ser paranóia sua. Olhando ao redor do quarto, que já recebia as primeiras luzes serenas da manhã, percebeu que em algum ponto da conversa que visava responder a inquietante pergunta que Tenten fizera, todos acabaram adormecendo. Estavam todos cansados, claro. Especialmente as garotas.
Sakura deu um pequeno sorriso ao perceber o quanto, como Hinata sempre (sabiamente) dizia, a mente humana era poderosa e perigosa. Ela e as amigas haviam se torturado tanto mentalmente, com todas as perguntas, suposições, medos e inseguranças, que os últimos dois ou três dias pareciam ter durado semanas.
E agora parecia que tudo ia ficar bem de novo. Na verdade, ao observar Neji deitado de lado em um dos colchões, com Tenten sob seu braço e Naruto estirado serenamente na cama, com Hinata sobre seu peito (todos os quatro com sorrisos bocós no rosto, como Sakura não pôde deixar de constatar) parecia que as coisas nunca tinham saído do eixo. Tudo ficaria bem, no fim das contas.
Agora mais confiante, a Haruno levantou-se aos tropeços, quase acordando Ino, que estava dividida entre o puff e seu colchão. Não seria justo acordar os amigos para ir à escola, principalmente sabendo que mais tarde começariam sua busca por mais respostas: iriam atrás de Temari, a irmã mais velha dos Sabaku, já que Neji achava que ela sabia mais do que havia dito. Também não era a hora de falar com Sasuke e Gaara, não ainda. Precisavam ter um plano pronto antes de contar a verdade a eles. A espera agora não era tão ruim, já que ela sabia que Sasuke não era mau de verdade.
Enrolada num robe de seda azul claro de Hinata, desceu as escadas de dois em dois degraus e foi direto a cozinha.
- Bom dia, Tia Maria! – abraçou a velha empregada por trás e deu-lhe um beijo estalado.
- Ora, bom dia, Sakura! De pé tão cedo? Minha menina te empurrou da cama, foi? – Elas riram.
- Na verdade, Tia, Hi está dormindo ainda. Profundamente. Acabamos dormindo um pouco tarde ontem – Sakura disse num tom de quem se desculpa. – De qualquer forma, não iremos à escola hoje, tudo bem? Então não se preocupe conosco... Assim que todos estiverem de pé, a gente vem e prepara o café.
- Hinata está bem? – A empregada perguntou. Sabia que nenhuma das meninas gostava de perder aula, a menos que fosse estritamente necessário.
- Ah, sim. Muito bem, até! – responde com um sorriso maroto no rosto, e Tia Maria ergueu uma sobrancelha. – Quero dizer, depois da pancada e tudo.
- Certo... E Neji e Naruto? Será que eles virão pro café agora? Acho que vou subir e perguntá-lo.
- NÃO! – a Haruno gritou, quase em pânico. Tia Maria era um amor, mas Sakura duvidava que ela reagisse bem se fosse procurar pelos garotos e os encontrasse dormindo com Tenten e Hinata.
O grito deteve a empregada, mas foi tão desesperado que Maria colocou as mãos na cintura num questionamento mudo. A garota se apressou em pensar em uma desculpa plausível. Ou, pelo menos, o mais plausível possível.
- Eu, ahn, encontrei Neji na... na... escada. É, na escada... vindo pra cá. Ele disse que ficaria em casa... Para nos fazer companhia, sabe como é. E, ahn, pediu para não ser... incomodado. É. Acho que ele e Naruto também não dormiram cedo.
Tia Maria estreitou os olhos, mas não disse nada e voltou a seus preparativos. Sakura soltou o ar e aproveitando a deixa, pegou o telefone, discando o número do Colégio Star Way. Não teve que esperar muito até falar com Sarutobi, o diretor, e explicou que ela e os amigos ficariam fazendo companhia a Hinata. Sarutobi perguntou a situação da Hyuuga e se prontificou a ajudar se fosse preciso. O velho diretor sempre fora uma excelente pessoa, sempre muito sábio e compreensível. Talvez por isso durasse tanto tempo na direção do colégio.
Sentindo o sono bater novamente, Sakura digitou rapidamente uma mensagem e a enviou a Sasuke, dizendo praticamente o mesmo que dissera a Sarutobi. Sasuke ainda era seu namorado, afinal de contas, e ela lhe devia, no mínimo, uma explicação. Um minuto depois, o celular vibrava com a resposta de Sasuke: "Tudo bem, manda um beijo pra Hi. Te espero amanhã. Saudades. Te amo.". Um sorriso bobo se fixou no rosto de Sakura, e não seria fácil tirá-lo.
Saiu da cozinha com pressa, ainda sorrindo, desejando o colchão macio que a esperava no segundo andar. Passou por Hiashi na sala, dando-lhe as mesmas explicações e garantias de que Hinata estava bem.
Subiu as escadas quase correndo, e encontrou Hanabi saindo de seu quarto e, fazendo o papel dos Hyuuga mais velhos, lhe disse para que se comportasse na escola e viesse direto pra casa. Depois deu um beijo estalado e bem humorado na pequena, que apenas riu e murmurou algo como "a doença da minha irmã pega.".
Já no quarto de Hinata, observou mais uma vez os amigos e sorriu novamente ao deitar-se sob os cobertores, desejando ter bons sonhos com Sasuke, e que esses, sim, se tornassem realidade.
Sakura não podia imaginar, porém, que seus pesadelos estavam muito mais próximos de se tornar reais.
•••
Segunda-feira, 14h17min
Mansão Hyuuga.
Quarto do Neji.
- Bom, e então... Como nós vamos achá-la?
O encontro com Temari daria início à grande busca pelo fim de toda a situação envolvera, de forma surpreendente, Naruto, Gaara, Sasuke, Neji, Ino, Tenten, Sakura e Hinata com um poderoso chefe do Crime Organizado.
Apesar de não imaginar como, Naruto e Neji sabiam que o clímax estava próximo: o Senhor do Crime agora jogava com todas suas cartas. Ele jogava pra ganhar.
Ver Temari Sabaku significaria encontrar mais respostas, já que os meninos afirmavam ter a certeza de que a garota sabia mais do que contara a Gaara. Se Hinata pudesse estar frente a frente com ela, em poucos segundos, saberia tudo que ela escondia.
Mas era exatamente aí que estava o problema: Neji e Naruto não faziam ideia de onde ela poderia estar.
- Gaara e Kankuro são os únicos que sabem onde ela está mantendo residência – Neji explicara enquanto tomavam o café-da-manhã (já na hora do almoço). – Sabem, ela não pode se expor de mais, já que o Senhor do Crime pode querer ir atrás dela, se souber que continuou o trabalho do pai.
Passaram um bom tempo procurando um alguma pista, um lugar, pelo menos, para começar, nas listas de telefone e endereço de Hiashi, mas nada deu resultado. Na internet só o que conseguiram foi uma matéria antiga sobre os três órfãos que perderam o pai numa explosão e um pequeno artigo sobre o ingresso da filha mais velha do falecido Sabaku na Universidade de Nova York.
Perder Temari era como perder o pontapé inicial, voltar à estaca zero... Ninguém estava feliz com isso.
- Hinata, você não pode rastreá-la? – Neji perguntou, num último fio de esperança. Hinata suspirou.
- Desculpe, mas não. Eu nunca a vi na vida. Seria impossível rastreá-la telepaticamente.
O desânimo agora era quase tangível. Sentados num circulo no tapete de Neji, era difícil decidir qual era o mais infeliz. Até que Naruto sorriu e estalou os dedos.
- SHIKAMARU! – gritou.
- É claro, Naruto! Como podemos nos esquecer dele? – Neji perguntou retoricamente, animado.
- Eu tô boiando – Sakura disse erguendo a mão.
- Shikamaru, o namorado da Temari – Naruto explicou, radiante. – Quando Gaara nos falou da irmã, disse que só ele, Kakuro e Shikamaru a visitavam. No momento em que ele mencionou o nome, Sasuke perguntou como ele era, e, coincidentemente, descobrimos que se tratava do nosso Shikamaru.
- Espera... Shikamaru Nara, aquele gênio que estudou com vocês? – Ino perguntou. – Eu não o vejo há séculos! O que houve com ele?
- Como você disse, ele é um gênio. Ele pulou algumas séries. Está na Universidade de Nova York agora, e conheceu Temari lá, segundo Gaara.
- Ê mundinho pequeno! – Tenten riu enquanto Neji fazia a ligação.
Naruto prosseguiu contando como Asuma, o professor de matemática, recomendara Shikamaru para a NYU, para que ele fizesse algumas provas. Shikamaru tinha gabaritado tudo, e acabou finalizando o ensino médio, já na universidade, em seis meses.
Era difícil manter contato, mas eles ainda se falavam de tempos em tempos.
Neji desligou o telefone, e seu rosto fez a alegria recém instaurada no quarto diminuir drasticamente.
- Não consegui resposta no celular, e na casa dele foi o senhor Shikaku que atendeu... Shikamaru agora mora na NYU, mas não está lá, no momento.
- Tudo bem – Tenten sorriu um pouco, tentando manter todos confiantes. – Podemos tentar amanhã...
- Não, não podemos – Ino mordeu o lábio inferior, fitando o chão. – Quanto mais demorarmos a encontrar Temari, mais teremos que fugir e mentir para Gaara e Sasuke.
- Ino tem razão... Droga! O que vamos fazer?
- Dã! Shikamaru – Naruto disse novamente. Neji e Sakura o fuzilaram com os olhos.
- Eu acabei de dizer...
- Eu te ouvi, Neji.
- Então do que você tá falando?
- Hinata conhece Shikamaru... Se não pode rastrear Temari, pode rastrear ele.
- E como sabe que eles estarão juntos?
- Onde mais ele estaria? Telefone desligado, não está na universidade... Ele está em algum lugar onde não quer ser encontrado.
- Tem razão, Naruto! Demais! – Ino fez um high five com o loiro.
- É... Pode até ser demais, mas eu não posso encontrá-lo. Foi mal.
- Por quê? – Sakura perguntou.
- Porque eu conheci antes da telepatia.
- E faz diferença? – Naruto ergueu a sobrancelha.
- Bom, nesse caso, faz, sim. Olha... A mente de uma pessoa é única. Cada um tem uma, hm, essência mental diferente - é quase como... um DNA. Pra conhecer a mente de uma pessoa eu tenho que ter tido acesso a ela, pra reconhecer sua essência, e só aí eu posso rastreá-la. No caso de Shikamaru, já não tínhamos contato quando comecei a desenvolver a telepatia, então a mente dele é desconhecida. E eu não posso rastrear algo que não conheço – Hinata explicou. – A não ser que... – ela mordeu o lábio inferior, em dúvida.
- O quê? – Ino perguntou, instigando Hinata a continuar.
- Não, não. Foi só uma ideia, seria muito difícil, e não vai dar certo, de qualquer forma.
- No que você pensou? – Sakura quis saber.
- Seria muito difícil, mas talvez eu pudesse encontrar Shikamaru se me concentrasse nele, na pessoa e não na mente, através de minhas lembranças. Não seria tão preciso, mas nos daria uma direção.
- E porque não vai dar certo?
- Pelo mesmo motivo que me impede de rastreá-lo, Tenten. Minhas lembranças de Shikamaru são de antes da telepatia. E, sim, tem diferença. A telepatia deixa tudo mais... nítido, por assim dizer, então seria menos complicado. Além disso, são lembranças bem antigas, e eu precisaria de algo mais, ahn, "fresco" para me apegar.
- Então, se você tivesse uma memória recente... Acha que poderia tentar? – Naruto perguntou, o cenho franzido de forma divertida.
- Bem... Poderia. Por quê?
- Porque eu vi Shikamaru há poucos dias...
- E...? – Ino ergueu a sobrancelha.
- E a Hinata pode se concentrar nas minhas lembranças, bem recentes, e tentar encontrá-lo – ele explicou, um sorriso gigante no rosto.
Todos olharam para Hinata cheios de expectativa. A Hyuuga suspirou, passando a mão pela testa.
- Okay. Eu posso tentar, mas não prometo nada. Vai ser muito, muito difícil, e vai exigir concentração total.
Hinata mordeu o lábio e respirou fundo. Precisaria de um esforço enorme para conseguir... Mas tinha que tentar. Era a única opção.
Seguiu até a cama de Neji e sentou-se, dobrando as pernas em frente ao corpo colocando um travesseiro sobre elas. Indicou o espaço a sua frente à Naruto, que sentou rapidamente, olhando-a, curioso.
- Vocês... – ela encarou Ino, Neji, Tenten e Sakura seriamente. – Preciso de silêncio, e se possível, deixem a mente vazia.
- Certo.
- E eu?
- Você vai deitar aqui, Naruto – Hinata apontou o travesseiro.
- Vai doer? – Naruto quis saber, parecendo uma criança. A Hyuuga riu.
- Vou fazer o possível para que não.
Naruto deitou, sorrindo enquanto Hinata tocava suas têmporas.
- Tudo bem, Naruto. Eu preciso que você relaxe. Talvez até sinta uma sonolência... não lute contra ela. Mas faça o possível para manter sua mente aberta a mim, aí será mais fácil.
- Como eu faço isso?
- Hun... Tente pensar em mim. Em nós. Como se me convidasse a entrar em sua cabeça.
- Ah, então vai ser moleza! Você está em cada canto da minha cachola – Naruto riu, esticando os braços para trás e abraçando as costas da Hyuuga.
Hinata inclinou-se, o cabelo formando uma cortina azulada que os isolavam dos resmungos indignados de Neji.
- Você tem toda razão – disse, dando um beijo na testa do loiro, que fechou os olhos. – Não vai ser difícil fazer uma ligação entre nós – Hinata encostou o nariz na testa de Naruto, desenhando um círculo ali, depois seguindo para os olhos e finalmente tocando seu nariz, onde parou. – Porque eu já estou ligada a você, de todas as formas possíveis.
Naruto deu um sorriso bobo.
- Eu te amo – murmurou sonolento.
Hinata acariciou seu rosto e o ergueu um pouco, o suficiente para dar um selinho rápido e carinhoso no Uzumaki adormecido.
Já sentia a mente de Naruto completamente entregue.
- Eu sei – sorriu –, e eu te amo também.
Uma onda de poder espiralou em torno de Naruto e Hinata, girando cada vez mais rápido enquanto, sem perceber, os dois erguiam-se alguns centímetros da cama.
Sentados no chão, Neji, Tenten, Sakura e Ino assistiam, boquiabertos e sem entender, as duas mentes que se fundiam.
•••
Segunda-feira, 15h09min
Mansão Hyuuga.
Quarto do Neji.
( Hinata's POV )
A mente de Naruto é interessante, ao seu modo. Não tão inteligente quanto meu primo ou Sakura, mas ainda assim, esperta. Determinada, corajosa, pura e alegre. Aconchegante.
Eu posso me ver por entre seus pensamentos, e a sensação é de que esse é o meu lugar. A ligação com ele é tamanha, que sinto como se Naruto fosse parte de mim – uma extensão da minha própria mente. No momento, somos um só.
Não deve ser difícil achar Shikamaru por aqui, já que tenho acesso a tudo. Tudo. Coisas que nem o próprio Naruto deve lembrar, memórias do subconsciente... Como as lembranças de seus pais (e, meu Deus, como eles eram lindos!) – talvez eu tente mostrar isso a ele, qualquer dia desses. Quando tudo se resolver. – Outras, no entanto, são recentes e ele passa muito tempo pensando nelas. Felizmente, estou em quase todas elas. Sorri.
Há uma outra lembrança, recente e muito relembrada: a conversa com meu pai. A curiosidade me corrói.
"Tivemos uma conversa interessantíssima ontem. Senhor Uzumaki e eu." – meu pai dissera.
Será que...? Não! Não devo bisbilhotar, não tenho tempo e não seria certo.
...
Mas, talvez, só uma olhadinha não seja errado.
Acessei a lembrança e a vastidão de pensamentos e memórias se dissolveu a minha volta, em tons de dourado e laranja.
Quando tudo se firmou novamente eu estava de pé no meio da sala de minha casa e pude ver Hanabi, minhas amigas e Gaara rodeando o sofá, Sakura era a mais próxima a mim, e Neji e Sasuke estavam na porta, conversando com um homem alto, loiro e muito bonito que eu reconheci como o Doutor Chase, meu médico.
Aproximei-me de minhas amigas, e um alívio estranho me inundou: deitada no sofá, com a expressão serena, estava eu. Meu corpo.
Fascinante.
Estou tão conectada a Naruto que não sou uma espectadora de suas recordações... Eu posso reviver qualquer lembrança dele pelo seu ponto de vista, sabendo exatamente como ele se sentiu – porque aqui eu sou ele. Isso é simplesmente incrível.
-... mas é melhor levar ela para o quarto – Sakura dizia, quando voltei a me concentrar na cena.
Neji fez menção de carregar (ela? eu?), mas a porta se abriu, e meu pai entrou.
- E então, o que houve? – ele perguntou, impassível.
- Um pequeno acidente na escola – Neji respondeu. – Ela está bem. Só precisa de descanso.
- E o Doutor Chase? Vocês o chamaram?
- Ele acabou de sair – Hanabi indicou a porta. – Se tivesse chegado dois minutos antes o senhor o encontraria.
- Eu vim o mais rápido que pude – meu pai explicou-se. – Estava numa reunião e...
- Claro que estava. – Naruto-barra-eu sussurrou sarcástico.
- Desculpe...?
Neji pediu que Sasuke me levasse para o quarto (Naruto sentindo uma pequena pontada de ciúme nessa parte) e pediu todos ficassem lá, me fazendo companhia, até que ele subisse.
Meu primo veio em direção a Naruto-barra-eu, com a expressão que dizia claramente "cuidado, seu maluco!", mas Naruto não prestou atenção. Ele sentia certo desapontamento, frustração e uma pitada de raiva, mas esperou até só restar Neji e Hiashi na sala para dizer, com a maior calma que pôde reunir:
- Olha, senhor Hiashi, eu o respeito muito, sério mesmo, mas eu definitivamente acho que o senhor precisa de dicas de como ser pai.
- Como é? – ele ergueu as sobrancelhas.
Naruto fechou as mãos em punho, controlando-se para não gritar.
- Eu não tenho meus pais, senhor Hiashi. Mas, se tivesse, eu gostaria que eles interrompessem qualquer reunião idiota para saber do meu estado de saúde; eu iria querer que eles se preocupassem. – senti Neji apertar o ombro de Naruto, e ele não precisou dizer nada para transmitir seu aviso de "Alerta Vermelho". Naruto o ignorou. – Hinata quer isso também, e ela já perdeu a mãe, então é com você.
Meu pai apertou os olhos, irradiando irritação, e murmurou entre dentes:
- Como você ousa? Você não sabe nada sobre essa família... Você não nos conhece, moleque!
- Não, mas eu conheço a Hinata. Eu sei que a cor favorita dela é lilás, ela adora olhar as estrelas, ama panquecas com mel, mas sem manteiga, antes de dormir ela sempre coloca Hanabi na cama, e da um beijo nela, como a mãe fazia. Ela dorme de meia e faz um biquinho fofo quando tá com raiva. Ela adora morangos e gosta de fazer desenhos com a comida. Além disso, eu sei muito mais, mas o mais importante é que eu sei que a Hinata tem um sonho, que nunca te disse, porque tem medo da sua reação. Mas ela não desiste, e tem fé que você vai reconhecê-la e se orgulhar dela, mesmo que ela não queira assumir a empresa.
- Você... como? Como sabe? – papai perguntou, atônito.
- Eu a amo, e me preocupo com ela.
- Não pode insinuar que eu não amo Hinata... ou Hanabi!
- Não, senhor Hiashi... Eu sei que ama. Seria impossível não amá-la – Naruto-barra-eu sorriu. – Mas ela precisa que o senhor demonstre isso, às vezes. Mesmo que ela sempre diga que entende e que está tudo bem, ela quer, sim, ter demonstração e reconhecimento. A Hinata é incrível, e o senhor sabe disso. Ela merece.
Naruto olhou ao redor, mas Neji já não estava na sala. Ele respirou fundo, sentindo um grande alívio.
Meu pai tinha um olhar perdido.
- Me desculpe, senhor... Eu só... Sabe, eu já perdi meus pais e... Se hoje tivesse acontecido alguma coisa mais séria com ela... – Naruto olhou para o chão, sentindo um aperto terrível no peito. – Eu me pergunto o que seria de mim se perdesse Hinata. O senhor devia se fazer a mesma pergunta.
Naruto lhe deu as costas e começou a subir as escadas.
- Senhor Uzumaki – meu pai chamou, a mesma voz impassível de sempre, mas seu olhar tinha um brilho diferente. Era um obrigado silencioso.
- Não por isso – Naruto sorriu, satisfeito.
Quando a conversa terminou, eu estava de volta ao centro da mente de Naruto, mas ainda não conseguia assimilar o que vi. Então é por isso que papai quis conversar comigo.
E, caramba, Naruto deu uma bronca no meu pai. Hiashi Hyuuga sendo colocado contra a parede.
Inacreditável.
Acho que com essa conversa interessantíssima Naruto conseguiu o respeito de meu pai. E, eu espero, a chance de um lugar na família Hyuuga.
•••
- "Naruto, concentre-se em minha voz... Pode me ouvir?"
- "Hinata?"
Naruto não conseguia enxergar nada devido à claridade excessiva, e a voz da Hyuuga era baixa e distante.
- "Concentre-se."
Uma silhueta se aproximava e o Uzumaki se esforçou para vê-la com clareza. Algum tempo depois – era difícil dizer quanto – Naruto focalizou Hinata e correu a seu encontro.
- "Hi! Onde estamos?"
- "Hm, é difícil dizer." – ela franziu o cenho. – "Não estamos em lugar algum, na verdade." – Hinata sorriu, olhando ao redor e Naruto a imitou.
Tudo o que via era nada. O lugar era igualmente iluminado em todos os cantos, não tinha limites ou fronteiras. Sem teto, sem céu, e assustadoramente, sem chão. Naruto encarou Hinata com os olhos arregalados, mas a Hyuuga parecia tranquila, fazendo força para não rir.
- "O que tá rolando?"
- "Em teoria, nós estamos na sua mente, Naruto. Mas a verdade mesmo é que estamos numa espécie de limbo: entre sua consciência e inconsciência."
- "Você me trouxe aqui? E eu ainda tô, tipo, dormindo?" – Hinata assentiu, sorrindo. – "Legaaal! E agora?"
- "Preciso de sua ajuda... Acha que consegue se concentrar naquela lembrança de Shikamaru? Eu não consigo concentrar na lembrança e na busca sozinha, mas se você se focar nele, talvez eu encontre uma direção."
- "Tranquilo!" – Naruto sorriu. – "Mas não podemos ficar aqui mais um pouco?" – pediu. Hinata riu e acariciou sua bochecha.
- "Posso te trazer aqui depois... mas agora precisamos encontrar Shikamaru e Temari. Nossos amigos estão contando com a gente."
- "Certo!" – Naruto ficou de frente para Hinata e entrelaçou suas mãos as dela, inclinando-se até tocar suas testas. – "Shikamaru, aqui vamos nós."
•••
Segunda-feira, 17h07min.
West 51st Street, Clinton.
Manhattan.
- Tem certeza que é aqui? – Tenten perguntou, enquanto esfregava as mãos enluvadas uma na outra, e Neji, com a cabeça apoiada em seu ombro e abraçando-a pela cintura, soltou uma risada curta.
Era incrível como a morena era impaciente.
- Não, Tenten – Hinata revirou os olhos. – Pela enésima terceira vez, eu não tenho certeza. Eu sei que Shikamaru está em algum lugar nessa região de Clinton, mas não sei se é aqui, exatamente.
Divididos em dois grupos (Neji, Tenten e Ino; Sakura, Naruto e Hinata), passaram a ultima hora procurando por Temari pelas ruas de Clinton, onde Hinata havia sentido a presença de Shikamaru. Há poucos minutos encontraram-se na West 51st Street, e esperavam na calçada em frente a vários estabelecimentos, enquanto Naruto estava em uma pequena lanchonete, o Cafe Forant, conversando com o velho atendente, buscando informações.
Hinata olhou quando ouviu o tilintar do sino, indicando que a porta havia sido aberta, e sorriu ainda fascinada com a maneira como suas mentes se misturaram mais cedo naquele dia. Naruto sorriu em resposta, enquanto recolocava a sua muito discreta touca cinzacom a cara de um gatinho.
- O tiozinho disse que é ali – ele apontou. – Ela não sai muito, mas o tio sempre vê Shikamaru chegando.
- Bem, vamos lá então – Sakura sorriu, encorajando os amigos, e seguiu com Ino, Tenten e Neji para o prédio onde o loiro indicara.
- Você conseguiu... Você encontrou Shikamaru! – Naruto abraçou Hinata.
- Nós conseguimos – ela respondeu, piscando, no momento em que se separavam.
- Aquela parada na minha cabeça foi, tipo... WOW!
- Não foi nada – Hinata sorriu humilde, corando, e olhou para os próprios pés. Ainda era difícil lidar com os frequentes elogios do loiro.
- Nada? Foi demais! – com o polegar, Naruto ergueu o rosto de Hinata para olhá-la nos olhos. – Você é incrível – murmurou, beijando um dos lados de seu rosto. – E linda – beijou o outro lado. – E muito, muito poderosa – um beijo na testa. – E gelada como um picolé de Hyuuga! – ele riu dando um selinho em Hinata e depois tirou a própria touca para colocar nela.
Enquanto Naruto tentava, desajeitadamente, arrumar os longos cabelos azulados de Hinata sob a touca, Ino apareceu do lado do loiro, bufando.
- Será que é pedir muito se eu disser a vocês que deixem a melação para depois?
- Hm, não é não, Ino. Nós já vamos – Naruto respondeu e voltou sua atenção para Hinata. – Pronto!
- Como estou?
- Uma gata! – Naruto deu uma piscadela e Hinata riu, corada.
- Sério, gente – Ino os puxou pela mão, revirando os olhos. – Salvar o mundo primeiro, namorar depois. A regra é essa agora.
- Salvar o mundo? – O Uzumaki perguntou sarcástico, quando eles alcançaram a entrada.
- Ino... Uma hipérbole ambulante – Sakura suspirou enquanto perguntava como eles saberiam qual era o apartamento de Temari.
Por sorte, um simpático morador saía nesse momento, e manteve a porta aberta para que eles entrassem, sem precisar tocar o interfone. Naruto perguntou, educadamente, qual era o apartamento da Sabaku, dizendo que eram todos amigos e que estavam fazendo uma visita surpresa. O homem não hesitou em dizer que era a primeira porta, à esquerda, depois de subir o primeiro lance de escada. O Uzumaki agradeceu ao homem, e Neji reclamou que era preciso, desesperadamente, dar uma aula de segurança aos moradores daquele prédio.
Esperaram alguns minutos até a porta ser aberta, mostrando uma loira de estatura média, olhos azul petróleo e cara de poucos amigos. Ela não se parecia muito com Gaara, e por um momento eles pensaram estar no lugar errado. Ino foi a primeira a se pronunciar:
- Temari Sabaku?
- Sim e eu não quero comprar nada, valeu.
Ino respirou aliviada.
- É realmente um prazer conhecê-la. Estamos procurando por você há séculos – a Yamanaka exagerou, como sempre.
- E você é...? – Temari ergueu a sobrancelha.
- Ino Yamanaka. Namorada do seu irmão – Ino apresentou sorrindo.
- O Gaara sabe disso? – Naruto murmurou, zombeteiro, para Neji.
- Esses são Neji e Tenten, Naruto e Hinata, e essa é Sakura... Amigos de Gaara, também. E, a propósito, também somos amigos do seu namorado – Ino sorriu mais ainda. – E você devia nos convidar a entrar. Tá muito frio aqui fora. Não tem aquecedor nos corredores não?
Temari ergueu a sobrancelha novamente, e, num gesto inconsciente, fechou um pouco mais a porta.
Sakura deu um tapa na boina vermelha que cobria os longos cabelos platinados da amiga e tomou a palavra, antes que Ino tomasse uma portada no nariz.
- Perdoe minha amiga aqui, senhorita Sabaku – ela olhou feio para Ino que ergueu as sobrancelhas como se perguntasse o que havia feito de errado.
- Só Temari.
- Tudo bem, Temari. Mas, hm... Realmente temos um assunto bastante sério para tratar – Sakura abaixou o tom de voz. – É sobre Gaara e o Senhor do Crime.
- Como vocês...? – Temari deixou a pergunta no ar, e Sakura olhou sugestivamente para o interior do duplex. A Sabaku estreitou os olhos, mas acabou suspirando e dando passagem aos seis adolescentes. – Fiquem a vontade, mas não muito – ela sorriu um pouco. – E desembuchem logo, o que tá rolando com meu irmão?
- Ele está bem, não se preocupe – Neji respondeu. – Mas...
- Ei, seus problemáticos! O que estão fazendo aqui? – Shikamaru sorria para os velhos amigos e se apressou a cumprimentá-los.
Depois do momento reconciliação, Shikamaru insistiu que Ino, Sakura, Tenten, Neji, Hinata e Naruto conhecessem a pesquisa de Temari (que não estava muito confortável ainda, mas acabou cedendo), da qual ele revelou também fazer parte, e os levou ao laboratório, no porão.
Lá Shikamaru e Temari explicaram tudo o que sabiam sobre os meta-humanos – Sakura ficando mais vidrada a cada minuto, enquanto Ino e Naruto não faziam a mínima questão de entender todos os termos científicos que eles usavam. Hinata ficou especialmente interessada na parte em que a Sabaku explicava seu experimento de cura da mutação, mas ninguém deu muita atenção a isso.
Quando a aula terminou, Neji e Naruto começaram a contar, resumidamente, a história que os levaram a procurar Temari. No fim do relato a Sabaku suspirou, fechando os olhos.
- Sabia que ele faria algo estúpido em algum momento, mas não pensei que seria tão estúpido.
- Isso é muito problemático – Shikamaru franziu as sobrancelhas – O que vocês vão fazer? – perguntou.
- Precisamos do máximo de informações possíveis, antes de dar o primeiro passo. Por isso estamos aqui – Tenten respondeu.
- Desculpe, mas não posso ajudar – Temari disse.
- Olha, Temari... Sei que ainda não confia em nós – Hinata disse calmamente –, mas eu sei que pode nos ajudar.
Temari olhou a Hyuuga nos olhos e depois bufou, irritada.
- Ah, ótimo, uma telepata. Já pegou tudo o que precisa? – ironizou.
- Eu não entrei na sua mente, e não irei fazê-lo. A não ser que seja estritamente necessário – Hinata sorriu. – Você pode confiar na gente.
- Hinata está certa – Shikamaru disse, apertando a cintura da namorada entre os braços. – Eles estão em melhor posição para enfrentá-lo... Podem fazê-lo pagar por tudo, do jeito certo... E você não terá que se esconder.
Temari suspirou. Tinha aprendido bem cedo a não confiar em ninguém facilmente. No entanto, ter confiado no preguiçoso e problemático Nara nos primeiros dias de faculdade havia sido a melhor coisa que lhe acontecera. A Sabaku sorriu para o namorado.
- Tudo o que eu sei, que não disse a Gaara, é que, fora do âmbito criminal, ele é um empresário famoso e acima de qualquer suspeita. É formado em química, e tem vários laboratórios e redes de farmácias – tanto que é considerado um "grande homem" por doar remédios às famílias de baixa renda...
- Ah, não! – Sakura murmurou, de olhos arregalados.
- Você sabe quem é? – Naruto perguntou.
- Qualquer um que queira se formar em ciências químicas, médicas ou biológicas sabe quem ele é...
- Exatamente.
- Mas, Temari... Como?
- Eu o segui quando ele explodiu o laboratório de meu pai e vi ele entrar em seu escritório.
- Espera, de quem estamos falando? – Ino perguntou olhando de Sakura para Temari, confusa.
Ainda chocada, Sakura respondeu:
- Famoso químico de Nova York, professor renomado de Harvard, empresário filantropo e respeitado da indústria farmacêutica... – A Haruno fez uma pausa esperando que alguém adivinhasse, ou tentando aumentar o suspense. – Estamos falando de Orochimaru.
•••
Terça-feira, 07h13min
Colégio StarWay.
Pátio.
O plano agora era bem simples.
Shikamaru e Temari sugeriram enfaticamente que Ino, Sakura, Neji, Tenten, Naruto e Hinata ficassem longe do Senhor do Crime – pedindo que, se possível, também mantivessem Gaara afastado do perigo – e era exatamente o que iriam fazer. Agora que sabiam quem era o homem por trás do Senhor do Crime seria mais fácil monitorá-lo, sem entrar diretamente em seu caminho.
A ideia era estar sempre vigiando, até conseguirem provas suficientes para montar um dossiê, que provaria a identidade do Senhor do Crime e seria entregue as autoridades – sem justiça com as próprias mãos.
Mas se já é difícil encurralar um mestre do crime organizado, tentar pegar o senhor deles é quase impossível – ainda mais quando ele, na verdade, é um empresário de sucesso e acadêmico respeitado.
Sakura e Neji leram e releram todas as cópias dos arquivos de Fugaku e perceberam que por mais que o patriarca Uchiha tenha chegado perto do Senhor do Crime, ele nunca se aproximou de Orochimaru.
Houve apenas um detetive particular que, afirmando ter estado infiltrado numa reunião com o Senhor do Crime, mencionou o nome do empresário. Mas ele foi encontrado morto antes de entregar as provas ao FBI, e elas sumiram. Nenhuma investigação foi feita, e a conclusão tirada foi de armação contra a empresa de Orochimaru.
Para quem não soubesse da história, a ideia de Orochimaru ser o Senhor do Crime seria tão absurda que o tornava quase intocável. Ele tinha um disfarce perfeito.
Era uma missão digna de Tom Cruise.
E qualquer missão ficava ainda mais impossível quando os envolvidos tinham de ir à escola.
Tenten, Sakura, Hinata e Ino estavam em frente à fonte, no pátio do colégio, esperando que Naruto e Neji chegassem com alguns muffins e cappuccinos, já que não haviam tomado o café da manhã.
Ino e Sakura também aguardavam ansiosamente a chegada de Sasuke e Gaara. Na noite anterior, haviam decidido contar a eles toda a verdade.
- É o Gaara – Ino apontou o aparelho rosa em sua mão e leu a mensagem de texto, franzindo as sobrancelhas logo em seguida. – Hm, ele ainda tá se arrumando. Disse que vai se apressar e já vem. Saco. Odeio esperar.
- É, a gente tá sabendo – Tenten riu. – Relaxa aí, filha. Daqui a pouco ele chega.
Sakura esticava o pescoço a procura do Uchiha na entrada, mas quando olhou na direção das salas de aula, sorriu. Sasuke caminhava em direção ao pátio, com a expressão irritada. Não demorou muito até a Haruno entender o por quê.
- Ah, dai-me paciência.
- Que foi? – Hinata perguntou, e seguiu o olhar de Sakura. – Ah. Entendi.
Karin andava atrás do Uchiha, falando sem parar, causando a irritação dele.
- Ela não cansa não? – Ino revirou os olhos, observando atentamente a cena.
Sasuke se virou na direção da ruiva e falou algo que a deixou lívida e depois lhe deu as costas, voltando a caminhar, dessa vez mais rapidamente, em direção ao pátio. Sakura sorriu satisfeita.
Mas, subitamente, o Uchiha parou, a irritação sumiu de seu rosto, deixando-o vazio. Os olhos negros estavam fora de foco, sem brilho. Ele se virou novamente para Karin e deu alguns passos em sua direção.
- O que ele vai fazer? – Ino perguntou novamente.
Sakura deu um passo para frente, estreitando os olhos. Como se sentisse a irritação da Haruno, Karin a olhou por cima dos ombros de Sasuke e sorriu com deboche. No segundo seguinte, a ruiva atirou seus braços em volta do pescoço do Uchiha e o beijou.
- Ei, nós troux... – Naruto se interrompeu. – Caralho, o que o Sasuke tá fazendo?
Do outro lado do pátio, Sasuke correspondia despreocupadamente ao beijo de Karin.
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Capítulo 7: Fim.
Good Girls Like Bad Boys: Continua.
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Referências do Capítulo:
- Atena, a deusa grega da Sabedoria e das Estratégias e da Guerra. Nasceu dos pensamentos de Zeus, completamente vestida em uma armadura de prata. É uma das três deusas virgens, junto com Héstia e Ártemis, e seu símbolo é a coruja. Pra quem lê/leu a série Percy Jackson (que eu recomendo seriamente), Atena é mais conhecida como a mãe de Annabeth Chase.
- Mustang, é um carro da Ford. Para Naruto, eu me inspirei particularmente no modelo de 1967 (usado, se não me engano, em The Fast and the Furious – Tokyo Drift) que, apesar de antigo, é bem potente e, na minha opinião, um charme. Acho que é a cara de Naruto e, também, de Minato. É um clássico. Quem não conhecer é só jogar no Google, ou procurar pelos carros do filme. O motor ao qual Hinata tentou se referir era um Nissan Skyline RB26 (exatamente como o do filme).
- 10 de Outubro, acho que vocês sabem, mas, vale lembrar, é o aniversário de Naruto.
- Raio de Zeus, ou Raio Mestre de Zeus é a mais poderosa arma do Olimpo, e pertence, obviamente, a Zeus, o deus grego do Céu e Senhor Supremo do Monte Olimpo.
- FBI, Federal Bureau of Investigation ("Departamento Federal de Investigação") é a unidade do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que protege o país do terrorismo, espionagem, ciberguerras (ataques na net e crimes envolvendo alta tecnologia), combate o crime organizado, a corrupção e/ou crimes políticos, e defende os direitos civis. Uma curiosidade: o lema do FBI é "Fidelity, Bravery, Integrity" ("Fidelidade, Bravura, Integridade") correspondendo à sigla da unidade. Show né?
- SWAT, Special Weapons And Tactics (Armas e Táticas Especiais) é o nome dado a uma unidade de polícia altamente especializada nos departamentos das grandes cidades. As equipes da SWAT são formados por policiais voluntários, altamente treinados e bem disciplinados que são especialmente equipados e treinados para poderem reduzir o risco associado a uma situação de emergência.
- Mais uma vez, digo que as ruas, os bairros, e qualquer localidade citada na fic de fato pertencem à cidade de Nova York. Só o condomínio de Konoha e o colégio não são reais.
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Karen apanhando em 3... 2... 1...
CALMA AÊ! Não me espanquem. Não ainda.
KKKKKKKKKKKKKK estranho, eu sempre começo sabendo que mereço apanhar, e dessa vez, tô pedindo pra não me baterem... Eu posso explicar... Na verdade, eu não vou. Mas poderia. HSUAHUHUSHAUHUS #mechinela
Eu sei que vocês querem me matar depois desse final, tão, hm, inusitado. Eu sei, eu sei. Mas, sejamos razoáveis, e vamos olhar o lado positivo: eu nem demorei taaaaaanto assim, né? o/
E, bem, nem adianta querer me bater porque isso é pro bem maior da fic. É. Arrã. KPOSKPAPOKS Além disso, pras Sasuketes maníacas de plantão que já encomendaram minha morte ( SIM, PAULINHA, EU TÔ FALANDO COM VOCÊ u_u ) saibam que a Pah Uchiha-chan– minha mana-beta-linda – já deve ter me matado virtualmente umas cinco vezes a essa altura. Digno.
Mas, relaxem aê, que tudo tem um motivo maior. Nada é coincidência #Housefellings *-* hahaha Mas, sério, realmente precisava disso. Perdão. É.
Fora o fim do mal, vocês gostaram desse cap? Muitas revelações, hun? Tentei colocar um pouco de humor e romance, pra não ficar tããão tenso... Espero que tenham curtido.
Hinata tem uma dupla personalidade, viram né? Ela explode e depois fica boazinha e "Hinata" de novo KKKKKKKK é que eu precisava de uma emoção a mais o/
Os meninos contaram a versão deles da história, e eu tentei, juro que tentei, fazer algumas ligações com anime, mas é difícil. Ainda assim, eu tentei aproximar algumas coisas... E quem aí achou o Neji e o Naruto uns fofoqueiros? KKKKKKKKKKKKKKK
Temari e Shikamaru fizeram uma aparição especial – nada de mais, eu sei. Mas, sei lá, era só pra não deixá-los de fora. Além do mais, tinha gente pedindo pra eles entrarem na fic (quem foi? Não me lembro D: por favor, avise na review quem pediu ShikaTema USHUAHUS) então.. aí está. É. Tudo pra agradar. (Sim, estou bajulando vocês e não quero apanhar. Amém.) Não sei se eles aparecerão novamente, mas como vocês viram... tudo pode acontecer!
E o Orochi sendo o famigerado Senhor do Crime, quem sabia? Tá, eu sei, tava na cara e vocês são espertalhões, mas enfim né...
Então, sobre o fim não tenho muitas explicações pra dar não... Quero dizer, não agora. Sorry. Mas nos próximos capítulos vocês entenderão ;D posso adiantar uma coisa: vai ter troco. Em grande estilo.
Hm, o que mais? Sei lá velho, o medo de morrer ao postar o capítulo tá crescendo. Sim, sou cagona e CLARO, tô tensa. KOPSKPOAKPOSKOKAPKOSOKAOP
AHHHHH é, parabéns pra mim que fiz 18 anos agora em abril. YEEY, já posso ser presa :B HSUHAUUSUAUHSUA sei lá, queria contar u_u
Huum, até tinha mais coisas pra falar, mas to sentindo cheiro de batata frita vindo da cozinha... KKKKKKKKK So, sem mais delongas, reviews time *-*
Pah Uchiha-chan: siiiiim maninha, fostes a primeira *-* caralho, não fala palavrão ow ù.ú HUSHUAHUSHUA brigada linda, e eu te quero mais, e você é diva e eu te amo. É. s2
Tsuki Moonlight: Bien Venida, leitora-nova-não-tão-nova! *o* pois é, nada de destruir a Mansão Hyuuga, não ainda, kkkkkkkk espero que tenha gostado e super beijos!
Fipa-chan: Fipa-linda-chan *-* vá lá com o botãozinho, vá, ele te ama e teve saudades HSUAHUSHAUHS que bom que gostou, fico muuuuito feliz! Espero que tenha gostado desse cap também. Super beijo e hug mais apertado ainda! ;*
Pisck: Puta que pariu, te deixei na curiosidade novamente ;x HSUAHUSUA não morra okay? Respira, inspira! Kkkkkkkk fico muito feliz que tenha gostado, de verdade! Tô torcendo para que goste desse também *-* beijos!
Rashomon: bem-vindo, também! E, sim, foi sua primeira review haha fico muito feliz que esteja gostando, e peço mil desculpas pelos atrasos, tava complicado de escrever (bem, ainda está, mas não tanto). Muito obrigada, e, por favor, mate minha curiosidade: "Rashomon" é em homenagem ao filme? Beijo!
Ane Momsen: Ei, bem-vinda! Neji e Naruto explicaram tudo bem direitinho... gostou? Deu pra perdoá-los? Kkkk espero que tenha gostado, beijos!
Uchiha Ayu: fico muito feliz em saber que está gostando... espero que também goste desse capítulo, beijo e até mais!
Little Lady Black: oooi, bem-vinda moça! Devo dizer, logo de cara, que você merece um beijo diretamente do... hm... Malfoy (pode ser? kkkkk) por ter lido tudo em tão pouco tempo, ainda mais sendo universitária. Virei. Tua. Fã. HUSAHUS *-* então, as meninas sofrem um pouco na minha mão, mas depois tudo da certo, kkkkkkk muito, muito obrigada mesmo! Fico feliz que tenha gostado e espero que também goste desse aqui! Super beijo!
Antes de finalizar, queria deixar um grande: FELIZ DIA DAS MÃES pras mamães de quem lê aqui, é *-* e... mommy, love you s2
Bem, é isso... vou indo comer batata, estão servidos? :B HUSAUSUAUSUHUAUS
Espero que continuem acompanhando a fic, e na moral, MUITO OBRIGADA por me aturarem até aqui *-* vou dizer de novo, e sempre: vocês são fodas s2
Não se esqueçam de lavar atrás da orelha (what?) e de deixar review, okay? Esse botãozinho lindo quer ser apertado ;9 kkkkkkkkkkkkkkkk
Beijos, queijos, anexos & pedidos de socorro com sabor de batata frita com catupiry (#nham) ;*
Kaah Hyuuga.
N/b: Olá pessoas da terra!
Em primeiro lugar gostaria de deixar uma coisa bem clara: Eu não matei a Kaah 5 vezes (virtualmente). MATEI UMAS CEM MESMO! EU SOU BETA E NEM EU TAVA ESPERANDO POR ESSE FINAL! PODE ISSO PRODUÇÃO?
Momento Gimenez off, vamos ao que interessa. Eu já sei que tudo que rolar por aqui é para um bem maior. E pode parecer a maior loucura o que o Sasuke fez (E É! ALGUÉM MATA ELE E A KARIN! MENTIRA, MATA SÓ A KARIN, PQ O SASUKE É HOT! AI QUE LOUCURA, AI QUE DELICIA, AI QUE[Eike] BATISTA! HELLO PROCÊS!) (ignorem o surto psicótico a la Narcisa-barra-Val.), mas, inspirando-se em House, tudo acontece por um motivo.
E por falar em séries, alguém ai ta vendo Once Upon a Time? Quem estiver, vem dizer pra gente o que ta achando, oks? (Kaah diz: vem mesmo, galera... Paah e eu AMAMOS essa série *-*) Adoramos terceiras opiniões. #ficaadicaparaterreviews
E voltando à fic. Eu sei que todos queremos bater e dar chineladas na Kaah, ainda mais as Sasuketes fanáticas d(e) plantão q(u)e tão morrendo por ai, mas vamos esperar e ver o que acontece, beleza?
E vamos Admitir: O CAP FICOU FOFO DEMAIS SENHOR! Acho que a conexão NaruHina foi tão perfeita que me deu vontade de chorar. Ou foi isso ou foi não comer a batatinha frita que a Kaah me deixou com vontade. Mentira, foi a conexão dos dois. Achei linda, sério msm.
E, além disso, a Temari, mesmo numa fic que se passa em um mundo completamente diferente do mundo ninja, ficou SUPER fiel à personagem primária dela. Sério. Durona, meio fria e que suspeita de todos... Achei divo.
Enfim... Pra completar, obrigada a todos que estão acompanhando a fic. Muuuuito obrigada mesmo por continuarem lendo e conto com as reviews de vcs.
Beijos nas nádegas!
Pah-Uchiha-chan. (PUC. Virei uma faculdade, que lindo. – Me ignorem. 2bj)
N/A: Galera, DE NOVO, o FF zuou com a minha cara... Sério, o cap não queria postar, olha que lindo -'- Acho que provavelmente a configuração vai ficar zoada como no cap passado, então, sorry ):
E, só mais uma coisinha que esqueci de dizer: pretendo re-upar (isso existe?) os primeiros capítulos de GGLBB, só pra corrigir alguns erros e tal... Não vai mudar nada, juro. Mas, se você não quiserem, eu deixo como está... Me digam na review, POR FAVOR.
É só isso mesmo... Obrigada por chegar até aqui. Super Beijos ;*
