Beta: TaXXTi

Perdas e Danos

Capítulo 8

4 anos depois...

- Eu já preciso ir, pessoal. Mas a próxima rodada ainda é por minha conta – Jared se despediu dos seus amigos, no barzinho próximo à universidade, onde tinham ido comemorar antecipadamente o seu aniversário, que seria no dia seguinte.

- Eu vou com você – Brandon Jones se levantou e acompanhou o moreno, que depois de acertar a conta, foi para a parte externa do bar.

- O que você quer, Brandon? – Jared encostou o loiro na parede e o beijou demoradamente. – Eu adoraria ficar e foder você a noite toda, mas - Falou próximo ao ouvido do outro - eu prometi pra minha família que passaria o meu aniversário com eles, e o meu ônibus sai em menos de uma hora.

- Me leva com você? – Brandon segurou o rosto de Jared, olhando bem dentro dos seus olhos.

- O quê? – O moreno sorriu, estranhando o pedido.

- É só o tempo de eu passar no meu dormitório e pegar a minha mochila, eu não demoro.

- Brandon... – suspirou. - Eu pensei que você já tivesse entendido que...

- Que você não quer um relacionamento sério, eu sei. Eu só estou querendo passar o dia do seu aniversário com você. Será que é pedir muito?

- Você sabe que sim. Eu trabalho lá, eles nem são minha família de verdade. Eu não posso aparecer lá com você, como se fosse...

- Como se eu fosse o seu namorado? Certo, eu já entendi - Brandon baixou os olhos e se afastou um pouco. – Posso te ligar, pelo menos?

- Claro. Eu te vejo na segunda?

- Eu estarei na mesma sala de aula que você, como sempre. - Deu de ombros.

- Okay – Jared percebeu o tom de amargura na voz do outro, mas não tinha nada que pudesse fazer para melhorar. Ou talvez simplesmente não quisesse – Deu um beijo breve nos lábios de Brandon e foi embora.

Levava uma hora e meia de viagem até o sítio. Jared colocou os fones de ouvido e reclinou o assento do ônibus, tentando relaxar um pouco enquanto ouvia música. Já era bem tarde quando chegou, mas Samantha ainda o esperava, acordada. Lhe abraçou, desejando feliz aniversário, já que passava da meia-noite e foram dormir.

Pela manhã, ao assoprar as velas do bolo, Jared não conseguiu deixar de pensar no primeiro ano em que estivera ali, naquela fazenda. Do primeiro aniversário que passara com Samantha e Jim, e do quanto a sua vida tinha mudado desde então.

Mais uma vez, agradeceu por tudo o que tinha lhe acontecido, pensando que aquele garoto magrelo e assustado que era, provavelmente nunca imaginou que chegaria onde chegou. Que estaria cursando a universidade de medicina veterinária, tendo muitos amigos e pessoas que lhe amavam ao seu redor.

Apesar da tristeza que estava esquecida lá no fundo do seu coração, não ousaria fazer outro pedido a não ser que tudo continuasse como estava. A vida tinha lhe dado algumas grandes desilusões, mas também tinha lhe compensado com coisas boas, como Samantha e Jim, a quem amava como se fossem sua família.

- Eu pensei que você fosse passar o final de semana em Austin, com o Brandon – Samantha comentou enquanto se servia de mais uma fatia de bolo.

- Bem que ele queria. Ou melhor, ele quis vir junto comigo pra cá – Jared fez uma careta.

- E por que não o trouxe? Eu adoraria conhecê-lo.

- É, eu sei que você adoraria – Jared riu. – O Brandon é um amorzinho, Samantha. Mas ele não vai ser meu namorado, você pode parar de sonhar com isso – Jared abraçou a mulher pelo ombro e beijou sua bochecha.

- Uma pena, não? – Samantha lhe deu um olhar de desaprovação, quando o moreno se afastou para colocar o prato na pia. - Só falei com ele por telefone, mas ele parece ser um doce de garoto. Assim como o outro também era.

- O Michael? - Jared riu.

- Sim. Ele era um perfeito cavalheiro e tinha lindos olhos azuis. Mas você parece não querer manter as boas pessoas perto, por muito tempo.

- Eu só não quero nenhum compromisso. Sexo está ótimo pra mim. No mais, eu já tenho o trabalho e a faculdade pra me incomodar.

- Eu ainda espero que algum dia você consiga superar e abrir o seu coração para um novo amor – Samantha suspirou.

- Não tem o que superar, Sam. Pare de procurar problemas onde não existem – Jared deu um sorriso forçado e esperava que ela não insistisse no assunto.

- Ele se formou, no mês passado.

- Quem?

- Jensen. Foi uma cerimônia linda, o Pellegrino me falou.

- Deve ter sido mesmo – Jared tentou não demonstrar o quanto ficara abalado ao ouvir aquele nome. – Eu fico feliz por ele. Você sabe se o Nicholas está na casa dos pais, neste final de semana? – Tratou de mudar de assunto, rapidamente.

- Acho que não, ele estava por aqui na semana passada – Samantha achou melhor não insistir no assunto, tudo o que menos queria era ver o seu menino sofrendo novamente.

- De qualquer maneira, eu vou até a casa do professor Morgan. Quero ver como está o Bob – Jared pegou alguns biscoitos e foi saindo. – Vou pegar a camionete do Jim, acho que ele não vai se importar, né? – Sorriu de um jeito travesso, tentando esconder toda a agonia que estava sentindo.

Entrou no carro e dirigiu por um tempo, até parar a camionete na beira da estrada. Saiu de dentro dela e respirou fundo, sentindo o seu peito sufocar. Bastou Samantha mencionar o nome dele, pra que tudo viesse à tona novamente. Mesmo depois de quatro anos, ainda doía demais pensar nele.

Jensen tinha se formado. Jared se viu sorrindo de repente. Mesmo que pensar no loiro só o fizesse sentir tristeza, aquela notícia o deixara feliz. Queria ter podido estar lá, mesmo que fosse só para observá-lo de longe, sem que Jensen soubesse. Queria ver a felicidade estampada naquele rosto bonito, e o brilho em seus olhos, após uma conquista tão importante.

Sempre soube que Jensen iria muito longe. Ele era muito inteligente e determinado, sem dúvida alguma conseguiria realizar seu sonho de ser um promotor algum dia. Jared só conseguia sentir orgulho dele.

No fundo, não conseguiu deixar de pensar se Jensen também ficaria orgulhoso quando ele, Jared, se tornasse um veterinário. Na verdade, sabia que o loiro provavelmente sequer se lembrava da sua existência. Ou se lembrasse, seria como o empregadinho da fazenda, com o qual ele teve sua primeira experiência homossexual.

Jared sentiu raiva de si mesmo ao perceber o quanto aquilo ainda o afetava, mesmo depois de tantos anos. Entrou no carro novamente e ligou o rádio, tentando afastar aqueles pensamentos da sua mente.

Há alguns anos, depois de derramar todas as lágrimas possíveis e estar prestes a desistir e colocar o pé na estrada novamente, decidiu que esqueceria Jensen, pois o loiro não merecia o seu sofrimento. Decidiu que lutaria por si mesmo, pela sua independência financeira e, principalmente, não dependeria de mais ninguém para ser feliz.

Em partes, tinha conseguido seu intento. Faltava quase dois anos para se formar e se tornar veterinário, algo que tinha conseguido com seu próprio esforço. Dedicou-se e conseguiu uma bolsa de estudos. Estudava à noite e à tarde fazia estágio em uma clínica veterinária em Austin. O transporte e outras despesas da faculdade, conseguia pagar com o salário que recebia pelo estágio e por trabalhar na fazenda na parte da manhã e ainda, quando podia, fazia algum trabalho extra para ter algum dinheiro para se divertir. Era cansativo, mas sabia que o seu esforço valeria à pena.

Chegou à fazenda de Jeffrey Morgan e foi recebido com um caloroso abraço, além de felicitações pelo seu aniversário.

- Finalmente, hein garoto! – Jeffrey o conduziu para dentro de casa. – Pensei que você tivesse perdido o nosso endereço – Brincou. – Hilarie foi fazer algumas compras, deve chegar daqui a pouco. Ontem mesmo ela me perguntou sobre você.

- Eu estive ocupado, me desculpe.

- É, eu sei. Vida corrida, a sua. Aliás, eu não entendo por que você volta pra fazenda todos os dias. Podia arranjar um emprego em Austin e ficar por lá, tornaria a sua vida um tanto mais fácil.

- Eu gosto daqui – Jared sabia que seria bem mais prático e menos exaustivo se morasse próximo à faculdade, mas a ideia de deixar a fazenda era algo que o assustava.

- Um dia você vai ter que deixar aqueles dois velhos rabugentos e seguir a sua vida, você sabe, não é? – Jeffrey brincou.

- É, eu sei. Mas ainda tem algum tempo. O professor Lukas é dono de uma rede de clínicas veterinárias, e disse que eu tenho um emprego garantido se eu quiser, depois que me formar.

- É um ótimo começo. Tenho certeza que muitas oportunidades ainda irão surgir. Eu sempre disse que você iria longe, não disse? – Jeffrey tinha o olhar cheio de orgulho.

- Sim, você disse – Jared sorriu. O professor Jeffrey tinha sido quem mais lhe incentivou a correr atrás daquilo que gostava de fazer e a tentar uma bolsa de estudos. Além de ter lhe dado aulas particulares de reforço, sem nunca cobrar nada por isso. Seria grato a ele por toda a sua vida.

- E o Pellegrino? Tem aparecido na fazenda? – Morgan perguntou.

- Dificilmente. Ele anda ocupado e deixou quase tudo nas mãos do Jim e da Samantha. O Nicholas vai aparecer aqui este final de semana?

- Não. Ele ficou na casa dos pais da namorada. Quase não para em casa, também – Jeffrey reclamou.

- A Jess é uma garota incrível, você não devia reclamar – Jared deu risadas.

- Ela é sim. E eles já estão namorando há mais de quatro anos. Eu devo ficar avô em breve – Brincou.

- Você já tem cabelos brancos, está na hora – Jared gargalhou pela cara feia que o professor fez. – Mas eu vim pra ver o Bob. Como ele está?

- Dormindo. É só o que ele faz. Está no quarto do Nicholas, venha comigo – Jeffrey levou Jared até o quarto do seu filho, onde o cão estava deitado confortavelmente na cama.

- Hey garotão! A cama do Nicholas deve estar confortável, né? Como é que está essa pata? – Jared se sentou na cama e observou com cuidado a tala colocada na pata quebrada do animal. Fez carinho em sua cabeça e o cão começou a abanar o rabo, todo animado. – Ele está se recuperando rápido. O Derek fez um ótimo trabalho – Jared se referia ao veterinário que cuidara de Bob, quando o cão fora atropelado há algumas semanas.

- Ele gosta de você. Ficou rosnando pro Derek o tempo todo quando ele esteve aqui – Jeffrey deu risadas.

Logo Hilarie chegou e Jared ainda ficou algum tempo ali, conversando com ambos antes de voltar para a fazenda. Os pais de Nicholas eram pessoas incríveis e os considerava como uma segunda família.

- x -

- Vir morar em Nova York foi uma das melhores coisas que eu fiz na minha vida, mas confesso que estou morrendo de saudades do Texas – Danneel falou, esparramada confortavelmente no sofá, enquanto Jensen estava sentado na outra poltrona e zapeava os canais, à procura de algo interessante para assistirem.

Fazia um ano que dividiam um apartamento em NY, o que foi um alívio para Jensen, que até então morava com o pai e a madrasta. Para todos os efeitos, Danneel era sua namorada. Pelo menos era o que sua mãe e seu pai pensavam, e isso evitava muitos aborrecimentos.

- Você é tão sentimental – Jensen reclamou, rolando os olhos.

- Desculpe se eu não estou em guerra com a minha família o tempo todo – A ruiva alfinetou. Jensen estava insuportável nos últimos dias. Mas no fundo, mesmo com toda a sua rabugisse, estava feliz em ver o progresso que Jensen tinha feito no último ano. Sabia que ele ainda tomava remédios para dormir, mas o médico tinha suspendido finalmente a medicação para depressão, com a qual ele convivia nos últimos anos.

- Como se você não conhecesse a minha mãe. E depois, só faltam duas semanas, Dan. Já que você conseguiu me convencer a ir pra Dallas no aniversário dela.

- Duas semanas que parecem demorar uma eternidade. Eu estou louca pra rever meus pais, meus amigos... E ainda por cima, eu terei que ver a sua mãe, também. Que ideia foi essa de dizer que nós estamos noivos?

- Foi mal, né? – Jensen tinha falado sem pensar, pra fazer a sua mãe calar a boca e parar de encher o seu saco, mas tinha se arrependido depois. – Eu vou desmentir tudo depois que voltarmos, eu prometo.

- Tudo bem, Jen. Eu não me importo, na verdade. Eu só espero que ela não esteja fazendo planos pro nosso casamento. – Danneel deu risadas. – Talvez ela queira me levar para escolher o vestido.

Jensen gargalhou – Acho que eu não consigo imaginar você em um vestido de noiva.

- Pois você vai quebrar a cara – Danneel fez um muxoxo. – Um dia eu ainda irei encontrar meu príncipe encantado, e eu farei questão de um casamento com todas as honras.

- O dia em que você parar de procurar defeitos em todos os caras que se interessam por você, até pode ser que isso aconteça – Jensen riu.

- Nem tudo é perfeito, né? – A ruiva fez uma careta. - Eu sou exigente, fazer o quê?

O celular de Jensen tocou e o loiro apenas olhou para o visor, ignorando a chamada.

- Quem era? – Danneel ficou curiosa.

- Adivinha? – Jensen deu um sorriso cínico.

- Nunca irei entender – Danneel se sentou e abraçou uma almofada. – O Osric é um cara incrível, lindo, fofo... O que há de errado com você?

- Ele é gostoso também – Jensen sorriu de um jeito safado. – Mas eu não estou procurando um namorado, Dan, e é isso o que ele quer - Bufou.

- Sim, você foge de relacionamentos como o diabo foge da cruz, eu sei. Mas não custava dar uma chance a ele. Vocês podiam namorar em segredo, aposto que ele não se importaria. Ele parece gostar muito de você.

- Ele gosta, esse é o problema. Eu estou focado na minha carreira agora, não quero me incomodar com outras coisas sem importância – Jensen fingiu estar prestando atenção na TV, não querendo mais falar sobre o assunto.

- Claro. Sempre a sua carreira. Sabe Jensen, você nunca me contou o que realmente aconteceu.

- O que aconteceu quando?

- Quando você largou tudo em Dallas e veio pra cá. Eu tenho certeza que não foi só por causa da briga com a sua mãe ou por que você queria estudar em NY. Algo aconteceu e desde então...

- E desde então o quê?

- Você se tornou mais frio - Danneel quis dizer infeliz, mas achou pesado demais. - Eu não sei, você não é mais o mesmo. E depois veio toda aquela depressão, e…

- A depressão foi por causa do meu trabalho, Dan. Você sabe que não é fácil lidar com o meu pai, e toda aquela pressão no escritório.

- Eu sei que o seu trabalho é estressante e o quanto o seu pai explora você, mas ainda acho que tem algo a ver com o seu passado, apesar de que não adianta eu insistir no assunto, né? - A ruiva suspirou, cansada.

- Você anda assistindo muitas comédias românticas, Dan. Eu avisei que isso ia te fazer mal – Jensen zoou. – Sinto muito te informar, mas este sou eu mesmo, o mesmo cara chato que você conheceu anos atrás. Agora vou lá tomar um banho e depois irei me encontrar com o Osric. Satisfeita? – Levantou-se do sofá, bufando.

Jensen foi para o chuveiro e fechou os olhos, deixando a água morna escorrer pelo seu rosto. Sem saber, Danneel tinha cutucado em uma ferida que continuava aberta, e que provavelmente jamais iria cicatrizar. Inclinou um pouco seu corpo, deixando a água cair sobre suas costas e encostou a testa na parede fria do box, sentindo seus olhos embaçarem.

Sempre tentara não pensar no passado, mas ele ainda machucava tanto... Sentia como se uma parte de si mesmo tivesse ficado para trás, e que era impossível recuperá-la. Provavelmente a melhor parte.

Por mais que tivesse ficado com outros homens, era Jared quem estava sempre em seus sonhos. Às vezes se flagrava pensando no que teria sido do moreno, depois que o deixara. Teria ele voltado para as ruas, ou seguido com sua vida? Teria ele encontrado alguém que realmente merecesse o seu amor? Jared deveria odiá-lo com todas as suas forças, ou talvez nem mais se lembrasse de Jensen.

Todas as vezes que Jensen fora para Dallas, muito rapidamente, nunca tivera coragem de perguntar sobre o paradeiro do moreno. E como ninguém em sua casa jamais mencionara o nome dele, Jensen imaginava que ele já não estava mais na fazenda. Deveria ter seguido com sua vida.

Jensen respirou fundo, terminou seu banho e ligou para Osric Chau, o garoto com quem estava saindo há algum tempo. O loiro nunca conseguira manter um relacionamento por mais tempo, porque não queria se envolver.

Osric, assim como outros que estiveram em sua cama anteriormente, eram interessantes no início, mas logo acabava o encanto e Jensen seguia adiante.

Encontraram-se em um bar e seguiram para o apartamento do mais novo.

Mal a porta do apartamento se fechou, Osric se agarrou ao pescoço de Jensen e deu um impulso, envolvendo as pernas ao redor da sua cintura. O fato de ser um tanto menor que ele loiro facilitava as coisas.

Jensen o segurou pelas coxas e o encostou na parede, beijando sua boca e seu pescoço enquanto sua virilha era pressionada entre as pernas do outro, o movimento de fricção deixando ambos excitados.

- Melhor irmos pra cama – Jensen sussurrou no ouvido do outro, que saiu da posição em que estava e segurou a mão do loiro, o conduzindo para o quarto.

Tiraram suas roupas rapidamente e Jensen derrubou o menor sobre a cama macia, se deitando sobre ele.

Retomaram o beijo e as mãos de ambos tocavam o corpo um do outro; já se conheciam o suficiente para saber o que o outro gostava. Os gemidos contidos de Osric incentivavam Jensen a continuar quando percorria o corpo do menor com sua língua quente e úmida, explorando, marcando...

Abocanhou o membro do seu parceiro, lambendo e chupando-o com perícia enquanto o preparava com seus dedos. Depois de colocar o preservativo, dobrou os joelhos de Osric para trás e o penetrou com cuidado, acelerando os movimentos assim que o sentiu relaxar um pouco mais.

Osric se agarrou às costas do loiro, os dedos marcando a pele branca e sardenta do local, o suor e os gemidos de ambos se misturando até atingirem o ápice.

Jensen deixou seu corpo desabar sobre o moreno e ficaram por um momento assim, abraçados até recuperarem o fôlego. Depois disso, o loiro rolou seu corpo para o lado, deixou o outro se aninhar em seu peito, e ficou acariciando os cabelos negros enquanto conversavam.

Gostava da companhia de Osric, gostava de tê-lo em seus braços, da maneira como o outro se entregava completamente. Mas por mais que quisesse e tentasse, não podia lhe dar o mesmo em troca. Não conseguia se sentir completo, talvez estivesse mesmo condenado a viver uma vida de solidão. Suas escolhas o tinham levado para este caminho e era cada vez mais difícil voltar atrás.

No dia em que permitiu que seus pais comandassem a sua vida, sabia que estava tudo perdido. Estava cada vez mais próximo de ter uma carreira de sucesso, mas o preço a pagar por ela era alto demais. Uma vida de mentiras, vazia e solitária, era tudo o que tinha. E o pior de tudo é que não podia culpar ninguém, a não ser a si mesmo pelo que havia se tornado.

Acabaram pegando no sono e quando Jensen despertou, já era madrugada. Levantou-se e estava vestindo suas roupas quando Osric acordou.

- Que horas são? – O mais novo perguntou, com a voz sonolenta.

- Já passa das três – Jensen se sentou na beirada da cama para calçar seus sapatos.

- E por que você não volta pra cama? – Osric o abraçou por trás, dando um beijo suave no pescoço do loiro.

- Eu preciso ir – Jensen soou mais seco do que gostaria.

- Pensei que você fosse passar o final de semana comigo – Havia decepção em sua voz.

- Osric, eu... – Jensen suspirou, sem saber como dizer o que precisava. – Eu não irei voltar.

- Não...? O que você quer dizer com isso?

- Que acabou. Terminamos aqui – Jensen se virou para olhar em seus olhos.

- Então... simplesmente acabou? Assim, sem um motivo sequer? - De certa forma, Osric já esperava por isso, mas no fundo, nutria uma esperança de que pudesse dar certo. Não conseguia entender Jensen, não conseguia ler o que se passava na cabeça dele.

- Osric... – O olhar do moreno fazia Jensen se sentir a pior das criaturas. Talvez realmente fosse a pior de todas.

- Eu pensei que estivesse rolando algo especial entre nós. Eu fiz algo de errado?

- Não, você não fez nada de errado – Jensen passou a mão pelos cabelos, incomodado com a situação. – Você foi perfeito, você é perfeito. O problema é que eu não...

- Não quer se envolver. É, você me disse isso na primeira semana que saímos, mas... Eu pensei que pudesse fazê-lo mudar de ideia. Que idiota eu sou, não?

- Não, você não é. Eu é que não...

- Só vá embora, Jensen. – Osric voltou a se enfiar debaixo das cobertas. – Só vá embora - Deixar Jensen partir doía como o inferno. Osric sabia que estava se apaixonando pelo loiro, mas não podia forçá-lo a ficar. A cada dia constatava que o advogado tinha criado uma espécie de armadura em volta de si mesmo. Jensen sabia ser amável e gentil, mas não dava nenhuma abertura para que alguém se aproximasse de verdade, para que tocasse o seu coração.

Jensen o olhou mais uma vez, pegou suas chaves no criado mudo e foi. Não podia enganar Osric, assim como não tentava enganar a si mesmo. Não podia se apaixonar, porque já não tinha um coração. Talvez essa fosse a parte que tivesse ficado para trás, No Texas. Mas isso já não importava mais.

Continua...


** Se alguém não conhece, Brandon Jones é o ator gatinho que interpretou Michael Wheeler no episódio 8.04 "Bitten" de Supernatural. E Osric Chau é o ator que interpretou o profeta Kevin, em vários episódios.

Resposta às reviews sem login:

Luluzinha: Pois é, Jensen pisou na bola, né? Mas ele tem só 19 anos e é totalmente dependente da mãe, não sei se ele teria muita opção. Claro que seria mais digno se ele tivesse pelo menos terminado tudo com Jared. Mas sabe-se lá o que se passa no coração de um adolescente apaixonado, né? Rsrs. Obrigada por comentar! Abraços!

Lana ly: Obrigada! Fico muito feliz em ouvir/ler isso. Abraços!

Lalky: Sim, Jensen deu bobeira mesmo e a megera da mãe dele destilou todo o seu veneno... tadinho! A legenda "alguns anos depois" está aí... rsrs. Obrigada por comentar! Abraços!

Eve: Rindo a vida com seu review... kkkkk. Acho que no fundo as mães sempre sabem, não é? Mesmo que não queiram admitir. Jensen não teve mesmo muita opção e sim, ele também está sofrendo muito com a separação, tadinho! Claro que seria mais digno se ele tivesse abrido o jogo com o Jared, ou pelo menos terminado tudo antes de ir embora, mas ele é só um menino de 19 anos, sob pressão, não dá pra julgá-lo. Poxa, depois desse seu fetiche com os Js de terno, um promotor e o outro advogado de defesa, estou achando o meu final da fanfic tão sem graça... kkkk. Obrigada pelo comentário! Beijos!