Chapter 8:
… Sem saber muito bem que impulsiono seguir, se o que lhe pensou que o bebesse ou o que pensou que fizesse o contrário, pôs em seus lábios o frio vidro, e com um ultimo olhar ao homem, cerro os olhos e engoliu fortemente o liquido espesso. Depois de uns instantes, se começou a sentir mareado, com um asqueroso gosto posterior na boca, mas a dor de seu braço diminuiu consideravelmente, ainda que sua cabeça se emboto. De repente, as fortes mãos de seu pai passaram embaixo de suas axilas, e em poucos segundos viu-se em seus braços, enquanto o homem começava a caminhar para a saída com passo firme. O garoto loiro seguiu lhe, ainda um pouco pálido, e suas miradas se cruzaram de novo, desta vez Draco curvou suavemente os lábios em um sorriso, tentando infundir-lhe forças para continuar, enquanto o moreno recargava sua cabeça contra o ombro de seu progenitor, demasiado cansado como para realizar esse esforço…
Harry abriu os olhos lentamente; sua cabeça lhe doía tanto que pensava que ia a estalar. Olho a seu ao redor tentando decifrar o que havia ocorrido desde que saísse em braços de seu pai dessa sala. Lembrava-se da dor tão aguda em seu braço, da estranha poção que havia tomado, e finalmente, do cômodo que era o ombro do comensal. Por um momento se sentiu agoniado, e movendo-se rápido, destapo seu antebraço esquerdo: a flamante Marca tenebrosa encontrava-se ali, gravada a fogo em sua pele. A serpente, de uma cor negra, bordeava a caveira e, entre as mandíbulas desta ultima, sacava a língua, sibilando zombadora. Fechou os olhos ao notar como as quatro paredes começavam a girar em torno de si, e esperou a que viesse seu pai.
Não obstante, não passou muito momento até que James abriu a porta com cuidado para olhar como estava seu filho, e os olhos verdes de Harry cruzaram sua mirada com os castanhos de seu progenitor. A mirada caramelada do maior se dirigiu rapidamente a seu antebraço, que se encontrava sujeito entre as delgadas mãos do pequeno, sem apertar. Mas bem parecia o agarrar como se esperasse que se dissolvesse a Marca tenebrosa, seguramente incrédulo ainda.
E James também não o creia. Por mas que havia calado todas suas dúvidas, seu filho não parecia estar preparado para destruir sua alma de semelhante maneira. Era algo que, ao lhe ver em pessoa, havia deduzido por sua mirada: ainda que bastante sombria para um garoto de sua idade, seguia tendo em seu interior a inocência de um menino. Às vezes, quando lhe olhava aos olhos, podia distinguir a mirada de seu amante neles; o brilho cansado de suas órbitas esmeraldas fizeram pensar que, apesar de ser alguém relativamente jovem, havia passado por muitas penúrias em sua curta vida. Não obstante, assim que sua mirada posava-se sobre ele, alumiava lhe o rosto e um sorriso aparecia em seus lábios. Justo como Severus.
James entrou com cuidado de não fazer ruído no dormitório de seu filho, e sorrindo com indulgência, se sentou no borde da cama. Harry, não obstante, se mostrou pensativo: Agora que ele, o Eleito, se havia unido a Lord Voldemort, significava que já haviam ganhado? Por que sua cicatriz já não lhe doía ao estar ao lado do homem? As dúvidas sobre si mesmo lhe corroíam, sem contar as que tinha para outras pessoas, como por exemplo, o que passava entre seus pais e o Lord: Até para escassos meses, eram inimigos acérrimos, arqui-inimigos, e, no entanto, o Amo lhe havia aceitado no seio de sua família demasiado cedo, Como podia ser? Durante uns minutos, a paz instalou-se na habitação, até que Harry, sabendo que o melhor era perguntar diretamente, disse:
- Por que não me dói a cicatriz quando estou a seu lado, papa? - o homem limitou-se a sorrir, mirando-lhe com um brilho de diversão em seus olhos melados.
- Porque quando estava dormindo, Severus te deu uma poção para isso. - o sorriso do pai aumentou consideravelmente ao ver a seu filho abrir os olhos em sua maior amplitude, assombrado pelas palavras de sua progenitor.
- Vá… é… raro. - admitiu Harry olhando a colcha escura que recobria sua cama. - Em poucos dias tem passado de ser meu odiado professor de poções a ser meu pai…
- Acostumará, que não te caiba a menor dúvida. - a mão do castanho revolveu seu cabelo de forma carinhosa, e o moreno sorriu, tomando a mão de seu pai.
- Como lhe convenceu tão rápido de que me aceitasse entre suas filas? - perguntou inocentemente delineando as curvas da mão que havia tomado. O rosto de James tornou-se a uma expressão escura, enquanto o sorriso morria em seus lábios, presa da tristeza.
- Isso corre a cargo de Sev. - a mirada verde levantou-se até fixá-la na marrom de seu pai com curiosidade. - Não acho que queira que se inteire disso, Harry. Só te posso dizer que temos uma série de privilégios. - com essa afirmação misteriosa, o homem suspiro, deixando suas mãos no colo.
- Oh!... entendo. - sussurro desconforme o pequeno. - de todas formas, agora já não haverá nenhuma resistência ao domínio do Amo, não? Quero dizer, se eu sou o Menino-Que-Viveu, e estou de sua parte não teria porque ter concorrência.
- Suponho… mas não se renderam tão facilmente, me crê, Harry, são muito teimosos.
- E se ganhamos a guerra… Que passasse com todos os filhos de muggles? Suponho que os matassem… - sua voz se dissolvia lentamente, e James mal pôde distinguir as ultimas palavras do rapaz. Não obstante, sorriu com suficiência ao compreender a pergunta.
- Não… mas bem os escravizaremos. - a mirada horrorizada de seu filho fez-lhe ver que não estava preparado para os horrores que havia por trás das seguras portas de madeira. - Ao igual que Dumbledore e sua Ordem querem fazer. - acrescentou com desprezo, torcendo sua expressão. Os olhos esmeraldas de seu filho abriram-se desmesuradamente, exteriorizando sua surpresa, e James perguntou-se se o garoto saberia de que se tratava a guerra. - Sabe que é o que oferece a cada bando, não? - pergunto temeroso.
- Suponho…- respondeu o menino indeciso.
- Nesse caso deveria saber que Dumbledore e o Amo aspiram ao mesmo: controlar aos demais, aos mais débeis, aos muggles. Um o faz mostrando uma cara bonita e revestindo tudo de felicidade, e o outro te mostra tal qual é.
- Mas… o velho vai contra os ideais do Lord, é impossível… - balbuciou Harry, incrédulo. Ante tal tartamudeio, James sorriu insanamente: outra vez mas Dumbledore havia jogado com a mente de um inocente, a havia manipulado para vestir-se a se mesmo e a sua gloriosa Ordem da Fênix de ouro, para fazer-lhe achar que o lado dos bons era o seu. Não obstante, na guerra não há nunca bando bom nem bando mau, só diferentes ideologias.
- Bom, a cada qual pode pensar o que queira, mas se lhe entregássemos o poder a Dumbledore empezaria a criar leis para submeter aos muggles e acurtar nosso território; despediria aos infiltrados do Ministério, e mandaria ao Beijo do dementador a qualquer um que se opusesse a seu regime. - fez uma pausa para olhar-lhe fixamente aos olhos. - Um tirano sem escrúpulos. - sussurrou finalmente.
A pele de Harry empalideceu ao escutar as palavras de seu pai: em questão de minutos, havia sido capaz de retratar para o a faceta mas escura e perigosa desse homem. E isso lhe aterrorizava, o saber que durante cinco longos anos, cheios de felicidade ante a vitória sobre o Lord, cheios, agora que o veia com as cartas sobre a mesa, de falsa felicidade. E tudo fabricado pelas opiniões de um idoso, um magistral mestre da psicologia, que havia manipulado sua pessoa e seu poder a benefício próprio.
- Não se preocupe, Harry. - tento consolar-lhe, ao ver como a angústia começava a crescer no peito de seu filho. - Não é o primeiro, nem será o ultimo ao que tem enganado com seus truques baratos. Eu também fui um iluso ao cair em sua teia de aranha…- confessou James, em uma vadia tentativa de reconfortar a seu filho, o qual abriu a boca para contestar. Não obstante, a porta se abriu com força, revelando a figura de seu outro progenitor, que capturou toda a atenção de James.
- Olá. - disse lúgubre o de cabelos gordurosos, acercando-se.
- Tudo bom? Suspeita algo? - pergunto curioso, agarrando a mão de seu amante e atirando dela para que se sentasse.
- Que se suspeita algo?! - o homem franziu o cenho, atravessando ao de olhos amalucado com a mirada furibunda. - Sabe. - suspiro, tentando relaxar-se, e acrescentou. - Por suposto, disse-lhe que eu não tinha nem ideia sobre isso, e que também não lhe havia perguntado. - O cenho do castanho se franziu ao escutar as más notícias. - Não me deixou descansar em todo o dia…
Os braços de James passaram ao redor de sua cintura e apertaram-lhe contra seu corpo, infundindo-lhe calor. Esse dia, ao igual que levava ocorrendo durante toda a semana, nevava sem controle, e o comensal se encontrava molhado e gelado. Sua cabeça repouso tranquila sobre o ombro de seu companheiro, enquanto beijava seu pescoço pálido e morno, e o castanho não pôde reprimir um calafrio ao notar o contato com sua pele, para diversão de Severus.
- Vamos a jantar… - propôs Harry; imediatamente saltou da cama, desfazendo-se das mantas pesadas que cobriam seu corpo e deixando-o exposto ao frio. Apesar de levar o pijama escuro que havia vestido como roupa de dormir desde sua chegada, não era o suficientemente cálido como para lhe abrigar no dia invernal que para.
Os homens demoraram em reagir; olharam-lhe sair da habitação com olhos sonhador, suas mãos entrelaçadas no colo do moreno, até que este começou a se mover com lentidão. Em seguida endereçou-se e olhou a seu companheiro aos olhos com intensidade, e poucos segundos depois, na solidão do dormitório, seus lábios uniram-se em um tímido beijo, que cedo foi se fazendo mais apaixonado, à medida que suas línguas se tocavam e brincavam. A cabeça do menino fez que, rapidamente, o beijo fosse cortado, enquanto os adultos se levantavam.
O jantar passou silenciosa na lúgubre habitação destinada a isso: todos eles estavam cansados, e Harry em particular se encontrava embebido em seus próprios pensamentos. Ainda lhe assaltava a incredulidade ante as palavras de seu pai, que ressoavam em seus ouvidos cruelmente, recordando-lhe o idiota e iluso que havia sido ao confiar nesse idoso de aspecto venerável e mente perversa. Apesar de que já sábia de antemão que ao homem gostava de manipular aos demais, se havia surpreendido ante a declaração: não parecia o tipo de pessoa que enganaria e manipularia aos demais para conseguir seu objetivo. Isso havia sido desde sempre assunto de slytherins.
E não obstante, agora caia na conta. Desde dantes de ter entrado em Hogwarts já havia ouvido falar mau dos slytherins, taxando-lhes de traidores, covardes e milhares de adjetivos denigrir mais, e não se havia fixado em que, por trás das Casas, os colégios, as famílias, existiam pessoas, normais e correntes, como todo mundo. Desde tempos ancestrais os alunos haviam sido estereotipados ao selecionar para uma Casa, sem ter em conta que possuíam rasgos de outros fundadores, e slytherin, sem lugar a dúvidas, havia sido a que mais mau havia parado.
Encerrado em seus próprios pensamentos, a voz sussurrante de Severus saco-lhe de seus devaneios:
- Lucius disse-me que seu filho virá a te ver hoje. - informo-lhe, mirando-lhe com intensidade. Harry assentiu, sentindo-se mas animado por momentos, ao pensar que Draco virá, e um tímido sorriso nasceu em seus lábios. - Deveria resguardar-te do pai, Harry; não te fara nenhum bem te ver envolvido em situações que não pode controlar. - advertiu-lhe o comensal. O menino limitou-se a assentir energicamente a cabeça várias vezes, enquanto levantava-se, disposto a encontrar ao loiro.
- Vou procurar-me lhe… - disse. Seus pais, a suas costas, trocaram uma mirada de compreensão, e James disse:
- Decima quinta porta, seguindo o corredor a mão direita. - seu filho girou para eles, sem compreender, até que, com uma leve inclinação da cabeça, marchou a bom ritmo para seu destino.
Harry abriu a porta que dava ao escuro e lobrego corredor; e inspiro várias vezes. As duas únicas vezes que havia estado ali havia sido para ver a Lord Voldemort, e sempre ia acompanhado de algum dos dois amantes, que lhe guiavam a traves do tétrico e estreito labirinto. Tomando o caminho da direita, cerro a porta atrás de si com um sentimento de pressiono instalado no peito, e ficou estático no longo corredor por uns instantes.
A falta de luz; provocada pela ausência de janelas e a inutilidade das lamparinas de gás, fez que, por uns segundos, ficasse completamente cego. Desembainho a varinha e lançou vários lumos, sem resultado positivo; a luz se dissolvia na ponta de sua varinha. Sem arriscar-se a tatear pelas paredes sem rumo, espero até que as formas dos objetos e paredes a sua ao redor começaram a delinear-se mais claramente. Pôde ver um pedaço pequeno de corredor, já que a negrura engolia-se tudo em seu passo inexorável, e se sentiu repentinamente agoniado. Reviver uma vez mais a experiência dos sótãos seria para o um suplicio, e, ainda que não havia tido nenhum pesadelo nem se tinha remordimentos conscientemente, a lembrança lhe atormentava.
Harry, sem lugar a dúvidas, não se creia capaz de poder voltar a cheirar esse fedor a sangue que, à medida que avançavam, ia se fazendo mais persistente, viciando o ambiente. Ao que parece, em seu momento ninguém mais se havia dado conta, ou ao menos não o haviam exteriorizado, mas esse fedor insuportável lhe recordava vagamente às noites de verão. Certamente, o cheiro recordava-lhe às violações diárias de seu tio, ao persistente aroma que viciava o ar de seu dormitório pela habitual perdida de sangue. E rememorar bilhetes de sua vida que não desejava desenterrar do esquecimento lhe casava náuseas.
Tentando vencer o irracional medo que lhe havia assaltado, Harry se adentro na escuridão penetrante, apalpando com sua destra a parede fria e lisa, sem encontrar nenhum saliente que lhe indicasse que havia chegado a uma porta. Os únicos sons no longo e estreito corredor eram os ruídos rítmicos que produziam suas calcadas sobre a madeira desgastada. Pronto suas mãos se toparam com a primeira porta, e o garoto inspiro fundo, começando a acelerar o passo, impaciente e, porque não o dizer, angustiado ante a ideia de estar só no lobrego corredor.
Suas mãos tocaram a segunda, a terceira, a quarta, a quinta porta, e, repentinamente, se sentiu observado. Travou em seco, volvendo-se a ambos lados para descobrir a essa pessoa que lhe olhava com tanto ânsia, e sua mão direita tateou por sua bolso, até sacar torpemente a varinha, apontando à escuridão crescente. Por uns instantes ficou estático, agudizando seu ouvido em procura da presença, sabendo de antemão que escudrinhar a escuridão impenetrável não lhe serviria para nada.
Engolindo fortemente a saliva que se havia acumulado em sua boca, avanço vários passos mas lentamente, procurando à pessoa que lhe observava. Ainda que não veia nem ouvia a ninguém a seu ao redor, estava completamente seguro de que o voyeur, como havia decidido apodar-lhe, se encontrava ali. Sua mente começou a funcionar a grande velocidade; por lógica dedutiva tinha que ser um comensal ou um elfo domestico, ainda que nunca os havia visto pela mansão. Não obstante, não se escutava nem sequer uma respiração mau contida; nesse momento, chegou a sua retina a lembrança da caminhada pelos longos e estreitos corredores com o experimentado comensal. Nesse instante, recordava que só havia escutado sua própria respiração e a de Draco, ao igual que com as calcadas. O homem parecia uma espécie de fantasma, sem fazer nenhum ruído, o que lhe provoco um calafrio: era possível que fosse seu próprio pai o que lhe estivesse a vigiar tão estreitamente?
Sem saber que fazer ou dizer, se limitou a respirar fundo para se tranquilizar e seguir andando sem baixar a guarda em nenhum momento. No entanto, podia sentir os olhos invisíveis de alguém cravando em sua nuca, instalando em seu peito uma sensação de angústia que lhe impedia respirar corretamente. A sexta, a sétima, a oitava, a nona, a decima porta. Um ruído escutou-se a sua direita, e ato seguido, a varinha de Harry aponto para o lugar, o lado contrário do corredor. O som, suave como a seda, havia soado parecido ao roce de uma túnica contra o solo. Incapaz de pensar nada mais, o ruído grave de seus passos ao correr quebro definitivamente o silêncio que se havia instalado no misterioso e tétrico corredor.
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Nota tradutor:
Puxa vida que corredor escuro carai! Imagina isso num filme?! Humpf
Espero que gostem e comentem
Vejo vocês nos próximos capítulos
Ate breve
