Yaoi. Lemon. Humor. Non-sense. Drama.
Squall x Zell, Seifer x Irvine
Beta-reader: Ryeko-Dono
Dias molhados
Por Vovô (gosto de comer e dormir, não necessariamente nessa mesma ordem)
Capítulo 8
De manhã cedo os rapazes arrumaram as suas coisas e disseram adeus à casa que serviu de lar por aqueles dias. Eles fizeram uma viagem da região de Deling City, capital do continente de Galbadia, seguindo para leste, na direção da região de Dollet. Seriam algumas horas de tortura enfrentando o calor da estrada e as cantorias de Irvine, que resolveu matar o tempo aprendendo a tocar seu violão.
No começo da tarde eles conseguiram alcançar a cidade de Dollet e pararam para comprar alguns mantimentos para os próximos dias. A cidade era diferente da movimentada Deling City. Suas ruas eram mais estreitas, cercadas por ruelas e galerias adornadas por pequenos cafés e charmosos restaurantes. A cidade era repleta de largas praças com chafarizes e esculturas. Havia muitos museus e exposições aconteciam a todo momento. Era a cidade dos artistas, dos pintores que criavam em seus ateliês com vista para o mar, poetas que passavam as noites em pubs esfumaçados.
Essa era Dollet.
- Odeio essa cidade – resmungou Seifer ao olhar para as ruas com desdém.
- Ah, exame SeeD, aquele que você reprovou e eu e o Squall passamos.
-...- gruniu o loiro. – Também por isso...
- Não entendo porque você odeia tanto esse lugar – disse Irvine olhando ao redor. Era uma das cidades mais bonitas que ele havia visitado e nunca tivera muito tempo para explorá-la.
-...Meu ex morava aqui. Mora aqui, não sei. Eu morei aqui.
- Eu não sabia que você morou aqui – perguntou Irvine com curiosidade.
- Por um tempo. Eu não quis ficar em Balamb há dois anos, então eu fiquei me mudando por um tempo... Timber não era um bom lugar... Deling, muito menos, então resolvi passar um tempo aqui porque era um lugar mais neutro... Tá, não foi por isso.
- Por que foi? – perguntou Zell com a curiosidade desperta.
Seifer estava pronto para lançar um ácido comentário sarcástico, quando se distraiu ao ver Irvine sair correndo.
- Meu deussssssssssssssssssssss!! Não acredito! – O rapaz ficou admirando a vitrine de uma loja por rápidos segundos, até entrar e tocar a caixa de um toy art da Square. – É o Vincent! Eu sempre quis ter ele!
- Que isso? Voltando à infância agora, Kinneas?
- Eu quero muito. E... – Seus olhos se voltaram para umas camisetas estampadas e logo suas mãos quiseram pegá-las e apalpá-las. – Do Dirge of Cerberus!! São lindas, eu quero todas.
Zell entrou na loja em seguida. – Olha, o Cloud.
Squall foi o último a entrar na loja e não pareceu muito interessado até encontrar um anel com um leão que parecia muito ser o Griever. Aquilo o deixou cismado.
- Você quer? – perguntou Zell.
- Não, só estou olhando.
- Tem certeza?
- O Griever já é suficiente.
- Nós temos mais dessa coleção – disse uma moça de cabelo verde e uma camiseta de estampa colorida de algum anime qualquer. - Temos pingentes, brincos, cintos...
- Cintos?
- Sim, nós temos alguns. Quer dar uma olhada?
- Quero. – Grande emoção, contida.
- Tá chegando bastante agora, porque a Square vai lançar um novo jogo.
- O quê? Outro Final Fantasy? – gritou Irvine do outro lado da loja ao escutar a conversa.
- É, o 8.
- Quando? – perguntou Irvine empolgado.
- Tá pra lançar mês que vem, mas já tem gente fazendo cosplay dos personagens e olha, você até que parece com um.
- Então ele é muito bonito! Já gostei dele!
- Caralho, 8 – disse Seifer. – Isso não vai ter fim nunca? Logo chega no 23, 35, 102. Isso aí é coisa pra ficar tirando dinheiro dos otários. Depois ficam lançando um monte de outro jogo com os personagens, estragando ainda mais o que já era ruim.
- Ah, não é pra tanto, Seifer – disse Zell. – Eu gostaria que tivesse um jogo de luta com os personagens de cada Final Fantasy.
- Eu ia muito jogar. – Irvine estava pegando tudo que via pela frente relacionado ao Vincent.
- A gente não pode demorar – disse Squall olhando fixamente para o cinto.
- Olha, Squall, achei um brinco que parece com o Griever. Acho que ficaria bem em você...
O moreno olhou por um momento para o objeto prateado com a cabeça de um leão.
- É... legal.
- Eu vou levar esse – disse o loiro para atendente.
- Zell...
- Não, eu queria muito dar uma coisa para você.
- E ainda não deu?? – gritou Seifer.
- Não, eu vou dar agora. – Na inocência.
- Aqui no meio da loja???
- Obrigado, Zell.
O olhar do Squall fez o loiro esquecer de xingar a criatura folgada.
Quando saíram, estavam todos carregando alguma compra. Até Seifer foi obrigado a carregar algumas das coisas que Irvine havia comprado, xingando muito no meio do caminho.
- Tô com fome – disse Zell.
- Tem uma lanchonete aqui perto que é muito boa. Eles servem umas tortas especiais e... eu só estou dizendo isso porque também estou com fome, não que eu me importe com você ou algo assim.
Não, Seifer, claro que não.
Era um lugar muito confortável, como a maioria dos estabelecimentos em Dollet, com uma decoração bem pensada e agradável, com quadros de artistas da cidade na parede. Eles pegaram uma das mesas do lado de fora, que proporcionavam uma visão melhor da rua com seus outros estabelecimentos: sorveterias, docerias, cafés, alguns mercados especializados e quitandas.
A primeira coisa que Squall pediu foi um café. Zell procurou hot-dogs na lista, mas não encontrou.
- Aqui não vendem essas coisas, Chicken. A maioria dos lugares daqui são especializados em algum tipo de comida. Esse aqui é conhecido pelas tortas. Eu aconselharia a de frango para você.
- É boa?
- É, mas tem uma especial com cogumelos e algumas ervas da região que é maravilhosa.
- Eu vou querer uma dessas – disse Irvine.
- Eu também – disse Squall esperando ansiosamente seu café. Seus olhos brilharam quando a xícara veio se aproximando. A fumacinha dizendo olá para ele à distância. As tortas também não demoraram a chegar.
- Rápido aqui! Ahhhhhhhhhhh! – disse Zell ao se queimar com a temperatura da comida.
- É... – disse Seifer olhando para o local onde Irvine estava sentado.
- Por que tá olhando tanto? – perguntou o rapaz ao perceber o olhar.
- Nada... Só... Ele costumava sentar nesse mesmo lugar.
- Aqui? – perguntou Irvine com a boca cheia de torta.
- É. – Seifer desviou o olhar para algum ponto na rua.
- Eu não consigo imaginar você saindo com ele, vindo comer torta...
- O quê? Você acha que era só sexo? É só nisso que você pensa?
- Normalmente sim. E ah... Como ele era.
- Mas que bisbilhotagem é essa da minha vida??
- Você que começou falando!
- Ele era... lindo. Alto, magro, mas tinha um corpo bom. Ele tinha cabelo preto, na altura do ombro, olhos azuis. E dava pra achar ele em qualquer lugar, era só olhar na direção que as pessoas olhavam. Ele chamava muita atenção, mas ele costumava ser discreto. Não era muito de ficar fazendo escândalo por aí, só que ele tinha um gênio muito forte, não tinha quem pudesse parar uma briga nossa.
- Você ainda gosta dele.
- Não.
- Vai mentir pra outro.
- Tá, gosto, mas não do mesmo jeito. Ele... não se importava com o passado que eu tive. Só com o que ele via na frente dele, naquele momento. Só que eu... Nunca fui uma pessoa muito fácil de se lidar.
- Mas isso logo se vê! – disse Zell se intrometendo na conversa.
- Haha, Chicken.
- Mas e aí, e depois? – Irvine olhava na expectativa.
- Daí terminou. Fim. Ninguém matou ninguém. Mas eu não quero mais olhar na cara dele.
- Porque ele terminou com você.
- É. Ele foi embora. E eu também fui. Eu voltei pra Balamb e implorei de joelhos pra me aceitarem de volta! Feliz agora, Kinneas?
Squall olhava silenciosamente enquanto tomava seu café e comia a torta, mais tomava café do que comia a torta. Ele nunca soube como Seifer havia vivido antes de voltar. Na verdade, ele soube de bastante coisa. Mas não daquela parte da história.
E o silêncio imperou por mais um tempo até Zell, após comer a quinta torta, pensar na sobremesa.
- Pede a torta de banana, Chicken. Leonhart vai pegar a de capuccino. Cowboy vai pedir a de frutas silvestres.
- Como você sabe?
- Porque eu sei. Você gosta dessas coisas cheias de frescura com frutinhas vermelhas.
- E você?
- Eu vou pedir a de maçã com canela.
- Ahahaha e sou eu que gosto dessas coisas cheias de frescura com frutas.
- Tá, Kinneas – Seifer respondeu sem olhar para o rapaz à frente.
Quando terminaram, os quatro se encaminharam para um mercado para comprar comida para abastecer o local onde eles se hospedariam. Não ficava dentro da cidade, mas era bem próximo, assim, se faltasse alguma coisa, eles poderiam ir a Dollet e conseguir com facilidade.
- Você tá chateado comigo? – perguntou Irvine quando se viu a sós com o loiro na seção de bebidas do mercado.
- Eu? Com você, Kinneas? – Ele pegou alguns engradados de cerveja e colocou no carrinho. – E vale a pena?
- Nossa... Fico feliz pela minha opinião valer tão pouco para você.
- Não é isso... – Seifer suspirou e encarou Irvine. – Eu sei como você é. Você é como eu, não consegue segurar as palavras. E não adianta, a gente vai discutir toda hora.
- Então é melhor a gente ficar longe um do outro.
- É, seria. Mas eu sou muito teimoso e você é muito burro pra que isso aconteça.
- Muito engraçado. Mas, ah... você me perdoa?
- E eu lá sou padre pra perdoar? Sou deus?
- Putaquepariu, Seifer, eu tô falando sério. Eu odeio brigar com as pessoas.
- Nós não brigamos!
- Agora estamos!
- É... estamos.
- Eu sei que eu posso ofender alguém com o jeito que eu sou, mas eu odeio magoar as pessoas. Eu nunca faço isso por querer.
- Mas você faz muito isso.
- Eu sei.
- Irvine, eu não estou chateado com você.
- Então você me perdoa?
- Se você quer colocar assim, aham.
- É? – Irvine sorriu.
- É. – Seifer sorriu. – Mas não se acostume com isso.
xxx
Eram as últimas horas da tarde, mas o sol ainda estava brilhando, sem a mesma intensidade do meio-dia, gentilmente, como se estivesse sorrindo. O carro estacionou ao lado de uma casa com paredes brancas, perto de uma praia. Embora eles estivessem a centenas de quilômetros do orfanato da Edea, a atmosfera era bem parecida. A areia, diferentemente da maioria das praias da região de Dollet, eram mais claras, de um amarelo vivo. O local era um pouco afastado da cidade, aparentemente deserto. Não era uma praia muito famosa e seu acesso não era tão fácil, apenas uma estrada estreita ligava a região com o resto do continente.
Squall saiu do veículo e sentiu a brisa tocar seu rosto e balançar seus cabelos. Um momento tranqüilo para contemplar a paisagem, as poucas nuvens navegando lentamente no céu; o suave balançar das ondas; a areia dançando no ar, levantada pelos passos apressados; gritos, palavras obscenas e duas figuras correndo atrás de Zell.
-...
O loiro tentou correr o máximo que pôde, mas ele sentiu peso em suas costas e se desequilibrou quando Seifer caiu em cima dele. O gosto da areia salgada o fez engasgar e seu fôlego se tornou mais curto ao sentir mais um peso se sobrepor ao que já estava sobre ele.
- Isso não tem graça! – disse Zell ao tentar se desvencilhar.
- Tem sim! – disse Seifer segurando-o ao chão.
Com esforço, Zell conseguiu se virar e olhou raivosamente para o loiro acima. – É melhor você me soltar...
- Ou senão, Chicken? – O olhar verde incitava o desafio.
Zell deu um soco no rosto de Seifer, que fez um barulho de ossos se batendo ser escutado. A cabeça do loiro virou dolorosamente com o impacto do golpe e sua visão se tornou turva. Ninguém podia com um golpe de Zell. Derrotado, Seifer tentou sair daquela confusão de corpos, mas o peso de Irvine continuava em cima dele.
- Você tá bem, Seifer?
- Sai de cima, Kinneas!
- Tá! Não precisa gritar comigo!
- Seifer, você tá bem? – perguntou Zell com preocupação, às vezes ele não conseguia medir a sua força.
O rapaz colocou a mão sobre o rosto que ardia e se levantou cambaleante.
Zell se aproximou e tocou o ombro do mais alto. – Eu não queria... quer dizer, eu sempre quis te socar, mas não exatamente agora...
Então Seifer se virou e encarou... e abaixou a cabeça para encarar o mais novo. – Tudo bem. – Ele colocou o braço ao redor dos ombros dele e praticamente o obrigou a acompanhá-lo enquanto deram alguns passos. Ele desviou o olhar brevemente para os de Irvine antes de voltar a falar. – Você vai ver só, Chicken...
Logo Squall se viu em uma situação complicada. Ele não sabia se ajudava Zell, que no momento havia sido atirado ao mar, completamente sem roupas, ou se ignorava e ia tomar café.
A casa era um pouco maior que a anterior, com decoração e móveis de bom gosto, com um ar mais contemporâneo. As paredes possuíam cores claras que junto com as largas janelas, criavam um ambiente de luminosidade. A residência possuía todas as comodidades necessárias para um grupo em férias, mas claro que não era o caso do grupo de SeeDs, afinal, eles estavam em uma missão importante para desabilitar organizações criminosas. Havia uma piscina, churrasqueira...
Enquanto dois loiros e um aprendiz de cowboy corriam feito crianças pela praia, Squall guardou alguns alimentos no refrigerador e preparou seu café. Quando ele estava pronto para averiguar uns detalhes para o próximo passo da missão, ele se lembrou do brinco que ganhara e resolveu experimentar.
- Ficou bom – disse um Zell sem camisa, molhando o chão com a água que escorria do seu banho forçado no mar. – Eu tinha certeza que ficaria, você... ah... gostou?
- Sim, muito. – O rapaz não sabia como expressar seus sentimentos. Como agradecer...?
Zell viu Squall em uma expressão de concentração, olhando para ele. – Er... Que bom. – Aquilo o deixava nervoso, porque ele não sabia que conflito estava se passando na cabeça de seu líder. Ele era tão difícil de se ler. O loiro não entendia como Seifer ou Quistis conseguiam prever as ações de Squall tão naturalmente, para ele parecia ser tão impossível e seu esforço era tão grande.
Ele então viu o moreno se aproximar lentamente, mas de uma maneira muito segura, então Zell sentiu sua cabeça ser levemente puxada para trás quando Squall se inclinou sobre ele, provando um pouco do sal do mar em sua boca. Os lábios e a língua pareciam tão quentes em contraste com sua pele, que ainda se lembrava do frio do das águas. Uma de suas mãos se pôs atrás do pescoço de Squall, fazendo-o se aproximar. Os dedos da outra mão deslizaram sobre a pele quente do rosto do moreno até alcançarem a orelha com o brinco e se entreterem com a região ao dançarem sobre a superfície metálica, sentindo o relevo do desenho e a textura da pele por baixo. O corpo de Zell se moldou ao da frente, fazendo a água molhar a camisa branca que o moreno usava naquele dia.
Squall parou por um momento para observar os fios que se moldavam desajeitadamente com o peso da água, cobrindo parcialmente a tatuagem. Seu dedo traçou o contorno do desenho, com uma vontade inesperada de reproduzi-lo em papel. Era como se as curvas tribais pedissem para que ele pegasse um grafite e o deslizasse nos mesmos ângulos.
- Nunca pensou em fazer uma? – perguntou Zell ainda sentindo o gosto amargo do café misturado ao sal, criando uma sensação inusitada.
- Essas coisas não são para mim. Mas eu gosto.
- Eu ainda vou fazer mais, só não sei o quê. Tem alguma ideia?
- Não.
- Ah... – Zell começou a brincar com os botões da camisa de Squall. Ele desabotoou alguns deles e sentiu seu companheiro encostar os lábios em seu pescoço, causando um arrepio momentâneo. O moreno começou a provar a pele molhada, ao deslizar sua boca por um ombro. Zell passou suas mãos por dentro da camisa, afastando o tecido molhado que havia se colado ao corpo. Uma das mãos deslizou até as costas e depois desceu para seus dedos brincarem com as finas correntes que decoravam um dos cintos. - Eu prometi uma coisa ontem.
- Hum... – disse Squall antes de morder uma parte superior ao mamilo.
- É... – E então Zell sentiu uma lambida, que fez sua corrente sanguínea trabalhar mais para baixo. – Ah... Você tá usando tantos cintos hoje... – Um preto com correntes que fazia efetivamente a sua função e dois que circulavam os quadris apenas para ficarem no caminho. – Você poderia tirar?
Squall se afastou e os cintos caíram um a um. Então Zell o puxou para a cama e o fez sentar, colocando-se em seguida ao lado. Squall viu que o loiro estava ficando excitado e o apalpou pela bermuda molhada. Zell tentou se concentrar na tarefa que tinha em mente, mas o moreno não estava ajudando (ou estava?) ao pressionar sua mão sobre ele. Concentrando-se, Zell cumpriu sua missão de expor Squall e deixá-lo ereto. Logo ele sentiu uma das mãos do outro rapaz se esgueirarem para dentro da sua roupa, provocando-o lentamente. Respirando fundo e tomando coragem, o loiro se inclinou sobre Squall e o sugou uma vez, afastando-se em seguida. Não parecia tão complicado, então ele continuou de maneira desajeitada, mas com muita empolgação.
- Zell... Calma.
- O que foi? É tão ruim assim?
- Não. – Squall se afastou e tirou as suas roupas, deitando-se sobre os lençóis brancos e encostando-se ao travesseiro. Zell aproveitou para fazer o mesmo e sentiu-se mais à vontade sem o tecido grudando no seu corpo. Ele subiu em cima da cama e se colocou entre as pernas do moreno, voltando a sugá-lo numa posição mais confortável. Mais uma vez ele fez o possível para se concentrar, mas ele achava que Squall estava em uma posição tão tentadora...
- Squall. – Zell levantou a cabeça por um momento. – A gente pode fazer aquilo de novo?
- Aquilo o quê? – Ah, ele sabia bem o que era.
- Ah... Sexo?
Squall deixou escapar um pequeno sorriso. Zell tinha uma expressão tão inocente e ao mesmo tempo ele pedia algo que não era. – Claro.
Não demorou muito para que Zell experimentasse novamente a sensação de se mover dentro de Squall. E rapidamente se tornou algo muito natural, como se todas as inseguranças do passado tivessem evaporado no calor dos corpos. Inclinando-se para frente, Zell buscou os lábios entreabertos em uma respiração acelerada. Squall fez um esforço e alcançou o loiro num beijo. Suas bocas se encontraram mais algumas vezes, até Zell se levantar novamente se concentrar em penetrar o corpo abaixo profundamente, forçando-se até o fim. E ele aproveitou cada momento naquele final de tarde dourado, aproveitou até se entregar ao momento de prazer mais intenso. E seu mundo de exaustão incluía a luz do sol que entrava pelo vidro, o suor e o calor de braços e pernas e tudo mais que se confundia num abraço de dois corpos.
- Squall... Eu estava pensando...
- O quê? – O moreno levantou um pouco a cabeça para olhar o rosto que repousava no seu peito.
- Você não quer fazer comigo o que eu fiz com você?
O moreno deslizou sua mão sobre o pescoço e desceu sobre as costas. – Quero.
Zell se levantou rapidamente. – Então... ah... o que eu tenho de fazer?
- Talvez não seja do jeito que você pensa. Pode incomodar você.
- Eu sei.
- Se você quer, eu não vou falar que não, mas... Eu não posso fazer você criar falsas expectativas ao meu respeito.
- Você nunca me decepcionaria.
- Não me deixe continuar se você não estiver gostando.
- Mas eu quero fazer isso, porque foi tão bom pra mim, e eu queria tanto que você se sentisse assim também.
- Você está fazendo isso só pra me agradar?
- Também, mas tem algo de muito erótico em ser dominado por você. Sabe, você é meu líder e isso é muito sexy. Comandante...
- Zell...
- Eu faço qualquer coisa que você me pedir.
- Pegue os cintos. – Squall se levantou da cama. – Depois vem aqui.
Rapidamente Zell fez como foi pedido, depois subiu sobre o colchão e entregou os cintos nas mãos do moreno.
- Coloque as mãos para trás.
- Você não me deixar tocar em você?
Olhar convincente. Zell colocou as mãos para trás e sentiu seus pulsos serem restringidos. Squall olhou diretamente para os olhos azuis e viu o loiro lamber seus lábios inconscientemente. O moreno sentou-se na beirada da cama e disse para Zell se ajoelhar na frente da cama. O loiro se colocou entre as pernas do seu amado líder e abaixou sua cabeça para chupar o órgão que se erguia à sua frente.
- Eu não disse que você podia...
Zell levantou seu límpido olhar azul. – Me desculpe. Você vai me castigar?
Squall escorregou um dos cintos sobre as costas do loiro, e sentiu um arrepio percorrer o seu corpo, mas o couro só ameaçou.
- Ainda não. – Squall passou uma das mãos algumas vezes por seu membro, observando um olhar que acompanhava atentamente os movimentos. Em dado momento, Zell se aproximou novamente e beijou os dedos que se moviam lentamente. Então o loiro sentiu uma dor na parte de trás da sua coxa e seus músculos ficaram tensos. – Eu dei alguma ordem?
- Não...
Squall poderia se acostumar com aquele papel. Ele deslizou seu órgão pelo rosto tatuado e posicionou seu membro à frente da boca, pressionando levemente. Ao olhar para baixo, ele pôde perceber que Zell estava atento, e que não tomaria alguma atitude por conta própria... naquele momento. Então lentamente ele se colocou para dentro, sentindo os lábios darem acesso a ele. Uma de suas mãos se colocou sobre a cabeça de Zell, os dedos se prendendo nos cabelos. Então ele continuou a entrar até onde sentia que Zell conseguiria agüentar e depois se retirou. Mais uma vez o movimento foi repetido e depois outra, até que Squall soltou os cabelos que estavam em suas mãos.
- Continue.
Zell se concentrou em fazer como foi pedido. Era ótimo ouvir como Squall deixava escapar alguns gemidos e ele adorava proporcionar prazer daquele jeito. Porém algo ainda lhe dizia para parar e ver o que aconteceria. Então ele se afastou e encarou o líder, até que seus olhos ardessem pela dor de sentir o cinto atingir em cheio uma de suas nádegas. E aquilo era ótimo.
- Não vai continuar?
O loiro continuava a encarar seu líder sem se mover. Então mais estalos foram ouvidos. E gemidos também. Zell se curvou um pouco mais e fechou os olhos para se concentrar no couro que o atingia repetidamente. Squall conseguia fazer a pressão certa para que o material não chegasse a causar algum ferimento, mas suficientemente forte para que trouxesse a agonia que o loiro tanto queria. No momento que Squall parou, Zell estava dolorosamente excitado, e ele também. Em seguida, o moreno se levantou e deixou o outro rapaz esperando impacientemente. Ao retornar, Zell foi obrigado a subir na cama e se inclinar. Quando a posição foi acertada, Squall não demorou para introduzir um dedo lubrificado. Zell sentia um grande prazer com o estímulo naquela região, Squall alcançava um ponto dentro dele que o fazia enlouquecer. Logo, mais um dedo foi adicionado e Zell gemeu alto quando recebeu um tapa no local sensível pela ação do cinto. Aquilo trouxe a sensação de dor outra vez. Mais tapas se seguiram e quanto mais fortes eles eram, mais prazer Zell sentia.
Squall não conseguiu prolongar mais aquele momento e se preparou para finalmente penetrar o loiro. Ele esfregou a extremidade contra Zell algumas vezes para servir de aviso e sem ouvir alguma reclamação, começou a entrar. O loiro sentiu um pouco de dor e desconforto, mas não achou que aquilo o impediria de aceitar o que estava acontecendo. Squall começou a se mover, criando um ritmo lento para que Zell pudesse se acostumar aos poucos. Aquilo era como nada que o rapaz havia experimentado antes. E ele não poderia prever como gostaria tanto daquilo após um momento de adaptação. Squall se esforçou para que Zell pudesse aproveitar aquele momento, penetrando-o como ele gostaria que fizessem com ele. Parecia que estava dando certo, porque o loiro gemia incontrolavelmente. Como um teste, Squall deu um único tapa novamente no local das cintadas e ele sentiu o corpo de Zell fazendo pressão ao redor dele. Então ele repetiu o movimento e mais uma vez aquela sensação. Zell sentia lágrimas no canto dos olhos por causa daquela dor e ele estava ficando desesperado para gozar. Ele começaria a implorar por mais se conseguisse falar com as fortes estocadas seguidas do contato da mão de Squall. Com intensidade ele espalhou seu sêmen pelo seu abdômen e sobre os lençóis, enquanto Squall fazia o mesmo sobre o loiro.
Aquela experiência havia deixado os dois ainda mais exaustos e demorou algum tempo para que Squall libertasse Zell do cinto que prendia os seus pulsos. Os dois se jogaram espalhados sobre a cama.
Após alguns minutos, o loiro redescobriu como se falava coerentemente: – Eu estava tendo umas ideias e...
Squall olhou para ele com surpresa. – Não é melhor a gente deixar para depois?
- Não, era sobre a tatuagem... Mas... A gente... Então, eu conto quando eu decidir.
- Eu vou tomar um banho e pegar alguma coisa pra comer, depois a gente pode falar sobre isso.
- Claro.
Zell observou a maneira de Squall andar, admirando o corpo nu do moreno, e ele sentiu que era a pessoa mais feliz no mundo.
xxx
- Você quer parar de molestar o boneco e começar a me molestar? – perguntou um Seifer entediado em cima da cama.
- Mas é perfeito. A capa, os olhos e... – Irvine deixou Vincent momentaneamente em sua caixa e sentou na cama, pegando a xícara da mão do loiro e dando um gole. – Pegando o vício do Squall?
- Ele deixou lá na cozinha, fui ver se era tão bom assim como ele faz parecer.
- Vocês ficaram juntos por quanto tempo? – Irvine perguntou abruptamente.
Então Seifer começou a gargalhar. – Eu e o Squall??? Você realmente imagina a gente tendo algum tipo de relacionamento? É mais provável que a gente se mate!
- Ah... você sabe que não é bem assim. Vocês se dão muito bem quando não brigam.
Aos poucos as risadas foram diminuindo e o loiro aparentou seriedade. – O que nós tivemos foi mais profundo que os relacionamentos convencionais. Eu não sei se existe uma definição. É algo só nosso. Mas... – Seifer pausou por um momento. - Por que estamos falando sobre ele quando nós deveríamos estar em algum tipo de atividade obscena?
- Não sei... Hum... Para fazer uma coisa a três??
Seifer encarou Irvine com um olhar de incredulidade. – É, por que não?
xxx
Squall estava comendo com Zell na cama, ambos vestidos, quando a porta do quarto fora abruptamente aberta.
- O que vocês estão fazendo aqui??? – O loiro derrubou o prato de amendoins com o susto.
- Nós viemos levar Squall para nos aproveitar dele! – Seifer segurou a gola da camisa do moreno e o puxou.
- Você concordou com ele, Irvine?? – Zell estava com olhar de cachorro chutado.
Então Irvine parou para pensar que era meio rude interromper os dois e teve uma ideia que ele considerou sensacional.
- Por que não fazemos uma orgia?
- Quê?? – Seifer gritou. – Eu não como frango!
- Do que você me chamou?? – Zell gritou ao tentar puxar Squall de volta.
O moreno olhou para os loiros de uma maneira que significava que se eles não parassem de ficar puxando, coisas iriam voar pelos ares e era mais provável que fossem os dois.
- Pra que tudo isso?! Somos todos civilizados aqui, por que a gente não pode simplesmente ficar bêbado e praticar sexo selvagem, como bons amigos fazem??
- Eu não sou amigo deles! – disse Seifer.
E Irvine quis estapear o loiro por estragar sua brilhante ideia.
xxx
O quarto estava cheio de garrafas vazias espalhadas por todos os cantos. Zell estava dormindo aos pés de Squall. O moreno suspirou de frustração. Ele estava vestido e o loiro havia desabado por causa do álcool. Por não beber, Squall estava completamente sóbrio, então ele resolveu sentar no sofá e estudar detalhes da missão. Enquanto ele estava lendo alguns documentos no seu notebook, uma presença quente invadiu seu espaço pessoal, encostando o corpo ao dele.
- O que você está fazendo aqui, Seifer? – Squall perguntou sem olhar para saber quem era.
O loiro colocou um braço em volta dos ombros do mais novo e suspirou com frustração. – Irvine está ocupado chamando o boneco que ele comprou para sair.
- Vincent... Por que está fazendo isso comigo? Por que não fala comigo? – perguntou o garoto em um estado muito embriagado, segurando a réplica do personagem da Square em uma das mãos, num canto do quarto.
- Boa ideia de vocês de ficarem bêbados e terem...
- A grande orgia... É, sabia que nunca daria certo. Não é como se estivéssemos em algum tipo de fantasia louca que a Selphie lê na Internet.
- Aposto que não.
Seifer encostou seu rosto no ombro de Squall. – Como tá indo com você e o galináceo? Já fodendo como animais?
- Não é da sua...
- Conta. – Seifer riu alto. – Você é tão previsível!
-...
E você tá parecendo a Quistis.
- Não, eu não fico tão bom de vestido, eu tenho que admitir – disse o loiro apenas por olhar a expressão de Squall. – Essas coisas pode deixar para o franguinho. Eu aposto que ele sempre sonhou em ser fodido em uma mini-saia rosa.
- Vá se fuder, Seifer – murmurou Zell no meio de um pesadelo.
- Mesmo nos seus sonhos você pensa em mim, né?
- Você pode parar de dar em cima do Squall... Squall é meu... – disse Zell ao abraçar a perna do moreno, acariciando a calça com seu rosto.
-...- Squall tentou prestar atenção no monitor, mas Seifer começou a brincar com o seu cabelo. – E você e Irvine?
- Morrendo de curiosidade, né? – O loiro abriu seu sorriso sardônico.
- Não...
x
x
x
x
Continua...
Obrigado a quem deixou review! Parulla Akatsuki e LyaraCR. Eu realmente cheguei a pensar que ninguém leria a história, mas vou continuar a postar para vocês! Espero que continuem gostando!
