Capítulo 8 – Festejando

Não foi nada encantador a chegada na festa da turma. Estava realmente cheia e me parecia que estavam todos da turma lá. E é por isso que eu fiquei constrangida. Assim que adentramos pela porta da frente todos se viraram para nos olhar. Até parecia cena de cinema. A música parou, e assim que abrimos a porta todos se viraram e olharam pra nós! Constrangimento a mil.

Passado esse instante, nós quatro nos dividimos em duplas. O que já parecia bem óbvio. A hora em que contei pra Brenda que levaria Chelsea comigo percebi na hora que a felicidade se foi. Entramos no carro e nem houve cumprimento em relação a Chelsea. Nessa hora percebi que a noite prometia.

Agora estávamos nós duas no canto pegando algo para beber, quando uma mão me cutucou no ombro. Na hora senti um frio na barriga. Porque no ombro, gente? As lembranças vieram na hora e não tive como manter a calma. Respirei e virei. Pra minha surpresa não era ninguém em especial.

- Por favor, me passa um copo?

- Ah tá, tudo bem. Toma.

Entreguei o copo e meu estômago parecia formigar. Dor. Não me sentia nada bem.

-Leah, você está se sentindo mal? – Perguntou Chelsea

- Poderia estar melhor.

-Bebe alguma coisa. Vamos sentar ali ó.- Disse apontando um sofá

-Obrigada

Sentamos-nos e fiquei ali de olhos fechados. A música alta parecia me acalmar. Não era meu habitual ficar assim, mas a falta repentina de Alex me deixava muito nervosa. Imagina se eu perco o controle e me transformo no meio da festa! Babau faculdade.

Fiquei olhando a festa prostrada na poltrona. Assim que deu uns minutinhos virei pra Chelsea e falei:

- Pode me deixar aqui sozinha. Eu já estou melhor. Vai dar uma volta.

- Posso mesmo?

- Pode.

- Que bom. Tava morrendo de vontade de ir, mas não queria deixá-la jogada no canto.

-Há, há. Pode ir sem medo amiga. Se eu morrer eu te aviso.

Ela se ajeitou e deu uma olhada no espelho preso atrás de nós. O telefone celular vibrou. Olhei pra a tela era o Jacob. Como eu pressenti, a noite estava bombando.

- Alô? Oi Jake!

- Nossa que barulheira!

- Estou numa festa com o pessoal da faculdade. Espera um minuto que eu vou pra fora. – Fui para um jardim de inverno que avistei – Pronto, agora podemos falar melhor. Consegue me ouvir bem?

- Muito melhor. Estou te ligando pra saber de você. Porque você não manda notícias e como percebi que tem se transformado em lobo. Pela distância não consigo ler seus pensamentos. Coisas de lobo alfa.

Na hora eu fiquei sem querer falar nada, mas seria bobagem não falar. Só poderia contar com ele mesmo. Desencanei.

- Jake. –Pausa- Eu conheci um cara. Nós estávamos nos conhecendo. Até fomos a um jantar.

- Interessante. - respondeu meio que interessado

-Estava tudo indo bem, até que numa noite dessas, eu e ele estávamos conversando no quarto e eu decidi ir ao banheiro. Quando eu voltei, ele tinha desaparecido. Virou fumaça. Eu estava gostando dele. Afeiçoei-me a ele, Jake. O primeiro depois do Sam.

- Calma Leah. Ele sumiu como?

- Simplesmente desapareceu. Não tinha nada. E o pior é que o celular ficou pra trás. Não senti cheiro de nada. Nenhuma pista, nada. Estou cismada.

- Nossa que estranho. Mas realmente não deu pra você conseguir nem um mínimo rastro?

- Eu fiz de tudo e não percebi nada. Detalhe: na semana seguinte do sumiço dele, apareceu um bilhete preso na minha porta dizendo que ele estava bem e que não era para me preocupar. Me ajude Jake, não sei o que fazer. Gosto muito dele. Não gostaria que acontecesse algo com ele.

- Espera Leah, tive uma idéia.

Ele desligou o telefone. Eu não achei estranho, mas Jake tem esses impulsos inexplicáveis. Passados alguns segundos o celular vibrou novamente.

- Fala Jake, o que aconteceu?

- Estamos no viva-voz. Agora conte o que aconteceu novamente.

Fiz como ele mandou. Uma voz familiar respondeu do outro lado.

- Leah, aqui quem fala é o Jasper. Lembra-se de mim?

- Sim, claro.

- Pelo que percebi você não conseguiu notar nem um mínimo vestígio do ocorrido.

- Nada.

- você chegou a se transformar em loba dentro do seu quarto?

- Não. O quarto não é muito grande, poderia estragar alguma coisa, ou alguém entrar. Achei melhor confiar em mim mesma.

- Talvez tenha alguma coisa que somente um olho mais preciso pudesse enxergar...

- Você pode ter razão. Só que agora minha parceira de quarto que tinha ido embora retornou. Sem chance de transformação lá dentro agora e além do mais, estou entrando em período de provas, não estou com clima para investigações. Não posso contar com ninguém.

- Creio que uma viagem para Filadélfia seria muito satisfatória.

- Leah, eu falei com Jasper aqui ele se interessou na sua história. Ele a vampira espevitada queriam outra lua de mel. Estavam sem idéia para onde ir. Como romantismo não é muito a minha praia e deixar Nessie está fora de cogitação. Creio que ele seria uma ótima ajuda pra você.

- Jake, eu sei que agora todos estamos parecendo uma grande família, mas tem certeza que é uma boa idéia?

- Leah – falou Jasper - Estou de pleno acordo com você. Eu somente gostaria de rever os lugares do meu passado. Não se incomode em não aceitar a minha ajuda.

- Não é que eu não aceite é que pra mim essa história de trégua é muito estranha ainda.

- Acho que você não tem muito que escolher Leah. - Vociferou Jake

- Leah, agora quem fala é Carlisle. Também ouvi a conversa. Pelo o que pude perceber uma pessoa experiente em buscas e luta como Jasper será de grande ajuda pra você. Ele não está indo para te repreender. Nós sinceramente queremos a paz. Não dificulte a nossa integração.

- Jake, quem mais está ouvindo a conversa?

- Aqui na sala estamos somente eu, Jasper e Carlisle.

- Tudo bem. Não gostaria uma conferência sobre "O que Leah tá fazendo sozinha?"

- Seu irmão está com Emmet e Rosalie do lado de fora. Alice foi até a cidade comprar roupas para a viagem e carregou Esmee. Bella está com Renesmee e Edward em seu quarto. Foi por isso que te liguei. Estavam todos ocupados com suas vidas.

- Desculpe. É que já estou bastante nervosa. Não quis ser mal educada. Espero que não atrapalhe a sua lua de mel Jasper. Já que pelo visto, sou voto vencido.

- Isso são ordens do chefe da matilha Leah. Estou querendo o seu bem. Você vai conseguir reconstruir a sua vida.

- Eu não quero mais reconstruir a minha vida. Eu quero uma nova. Estou muito aliviada por conseguir ajuda. Obrigada mesmo Jake. Pra você também Jasper. Que dia vocês pretendem vir para cá?

- Não sei ao certo. Como não tínhamos decidido, mas gostaria de estar ai o quanto antes. Creio que no máximo uma semana estaremos chegando aí.

- Leah, darei instruções para meus filhos de como podem nos deixar a par da situação. Eu gostaria muito que realmente a união entre nossas famílias seja consolidada. Pode contar conosco.

- Obrigada a você também Carlisle. Desde a luta com os Volturi já não tenho tanto receio contra vocês. – Disse realmente querendo parecer sincera.

- Pode deixar que eu baterei um papinho com Jasper. Pode ficar despreocupada.

- Agora tenho que voltar, a festa está rolando e não gostaria de deixar a Chelsea sozinha. Até logo.

- Tchau Leah. – Respondeu Jake

Desliguei o celular e entrei novamente na sala. Olhei em volta para ver se localizava Chelsea. Para minha surpresa ela estava conversando com rapaz alto, forte, de cabelos longos. Ela conseguiu se enturmar. Não iria atrapalhar.

Como não vi mais nada de interessante dentro de casa fui até a varanda da casa. Quando cheguei percebi que havia uma namoradeira feita de metal no jardim. Ela estava colocada estrategicamente debaixo de um pinheiro frondoso. Resolvi sentar ali. O clima não estava tão frio apesar de ser inverno. Assim que me sentei, Mandy me avistou e veio em minha direção.

- Se divertindo, Leah?

- Não muito...

- Mas a festa está tão animada.

- O problema é comigo. Onde está Brenda.

- Ela encontrou um ex-namorado e eles estão discutindo. Preferi não ficar de ouvinte.

- E você não vai se divertir? – Fui incisiva

- Até gostaria. – Ela deu uma pausa, continuou a frase olhando para seus pés – Mas a pessoa que eu queria que estivesse aqui não veio.

- Só servia ele?

- Com certeza.

- Vamos ver se dá próxima vez ele vem... - tentei dar esperanças – Por quê você não liga pra ele?

- Eu não tenho o número. E ele nem deve saber que eu sou direito. Ele tá no 6° período. Não vai dar idéia para os calouros.

- Que pena. Você é tão bonita. Você vai arranjar outro.

- Eu não sou dessas que me apaixono fácil.

- Desculpe. Não quis ser hostil.

-Entendo.

-Que horas vocês vão embora?

- Pelo visto o assunto da Brenda não vai acabar tão cedo, então...

- Ah tá. Você se importa de me deixar sozinha por alguns instantes? – Querendo expulsá-la mesmo.

- Já estava indo ver como estava a situação da Brenda mesmo. Tchau. – Levantou-se e foi embora.

Não estava a fim de conversas com essas garotas. Queria mesmo era saber onde está Alex. Ficar sozinha era melhor que ouvir papinhos. A festa rolou até tarde. Assim que encontrei Chelsea novamente avisei a ela que estava indo embora. Fui em direção ao ponto de ônibus mais próximo e avistei um taxi. No caminho do dormitório pensei que agora só me resta uma esperança: a chegada do casal de vampiros. Será que isso dará certo?