Capítulo 07: As conseqüências de uma bebedeira

Café, beijo e atração

Chegar em casa com Malfoy cambaleando de um lado para o outro foi extremamente difícil. Ela não podia simplesmente aparatar, então eles foram de noitibus. E o que foi que acontece com todo aquele balanço do ônibus? Draco vomitou, o que já era de se esperar. Péssima idéia!

E agora ele estava largado no sofá dela, a cabeça apoiada na parte de cima e olhos fechados.

- Se você se atrever a vomitar no meu sofá, Malfoy, pode ter certeza que você não sai vivo dessa casa.

- Fica tranqüila, Weasley. Tudo o que tinha para vomitar já foi naquela coisa roxa ambulante. Que tipo de bruxo anda naquilo? Weasley, claro.

Achou melhor ignorá-lo. Seria uma perda de tempo ficar discutindo com um semi-bêbado.

- Ei! – chamou, fazendo com que Draco abrisse os olhos. – Você já consegue lembrar onde mora? Pode aparatar ou usar a lareira?

- Sei que não sou bem vindo aqui, mas eu não vou embora. Estou enjoado, e das duas formas que voltar para casa vou acabar passando mal novamente.

- E o que você quer? Passar a noite aqui?

- É uma opção – sorriu de olhos fechados.

Ginny o olhou incrédula. Aquele Malfoy só podia ter um neurônio a menos, ou afetado demais pelo álcool. Completamente encharcado! Pobre mielina de Malfoy.

- Você acha de beber a noite toda e agora quer ficar na minha casa?

- Shiiii, Weasley, fala baixinho que eu quero dormir – pediu e logo em seguida deitou no sofá com a cabeça em uma das almofadas e jogando as outras no sofá do lado. Como ele era folgado!

Ela abriu a boca para dizer algo, mas se calou ao vê-lo fechar os olhos. Do que iria adiantar? E ele parecia inofensivo, já trabalhavam juntos mesmo, e até agora ele não tinha mostrado nenhum índice de que fosse um tarado, psicopata ou serial killer. Não tinha muito com o que se preocupar. Há não ser com a vontade irresistível de passar as mãos pelos fios de cabelos que caiam pelo rosto dele, mas isso ela daria um jeito de controlar até a manhã seguinte. Saiu da sala, indo tomar um banho frio e se deitar.


Alguns minutos depois, Ginny voltou do quarto, usando uma calça folgada e uma blusa de alça azul clara. Não conseguia dormir direito e resolveu fazer um copo de leite. Trazia na mão um lençol e um cobertor para Malfoy que deveria estar com frio. Aproximou-se do sofá, vendo-o desconfortável para dormir e os olhos abertos.

- Caso sinta frio – deixou o lençol e cobertor com ele e seguiu para a cozinha.

Draco a observou ir até a cozinha. A cabeça latejando, nem sabia mais se estava bêbado ou não. Sentou-se no sofá apoiando o cotovelo nos joelhos e a cabeça nas mãos. O ouvido zunia e ainda podia ouvir o barulho da música. Seu estômago revirava e lá vinha a 'adoravel' Weasley com duas xícaras rosa na mão.

Ginny se sentou no sofá em frente a ele e passou uma das xícaras. Draco fez careta ao olhar o conteúdo. Café? Detestava café.

- Não tem chá ai, não?

- Tem, mas café é melhor pra ressaca.

- Urg. Eu não tomo café.

- Acho melhor tomar. Eu podia te dar chá de boldo pra você vomitar e jogar fora parte do álcool, mas não precisa, você já fez isso sozinho. Acho que o ideal agora é amenizar a ressaca.

- Blerg! – fez uma careta e tomou um gole do café, a contragosto. Afinal ela estava certa – Por que está sendo gentil, Weasley? – sorriu com escárnio.

Ginny pareceu pensar em uma resposta

- Só estou retribuindo o favor que você me fez me livrando da garota lá na boate – disse perdendo a paciência com ele. Aquele sorriso debochado acabava com ela.

Draco saiu do sofá em que estava e se sentou ao lado de Ginny, assustando-a um pouco com essa aproximação. O loiro pareceu não notar esse pequeno detalhe. Nem sabia mais sobre que efeito estava.

- Você pode ser agradável... as vezes... Weasley – pronunciou o nome um pouco arrastado.

- Quando me convém. O que não é o caso agora.

- Tem certeza? – ele chegou mais perto, o ombro dela abaixo do seu. Escorregou um pouco no sofá até os dois ombros ficarem na mesma altura.

- Cla.. claro. O que você está fazendo, Malfoy? – tentou dizer, sem saber se pulava do sofá ou continuava ali.

- Sendo agradável – murmurou, com a voz meio aveludada, tentando atingir um ápice de sensualidade, pronto pra provocar Ginny, sem perceber a conseqüências que isso poderia ter mais tarde.

- Ô...ô, ô Malfoy, vai mais pra lá, vai.

Draco sorriu, virando o rosto para ela. Sem que Ginny percebesse ele já estava com a mão em sua nuca e os lábios muito próximos. Fechou os olhos antes que se perdesse nas orbes acinzentadas a sua frente. E o próximo passo foi sentir um toque gelado e macio em seus lábios. Somente isso!

Ele se afastou e ela abriu os olhos. Draco passou a língua sensualmente pelos lábios, provocando-a. Ginny corou no mesmo instante.

- Dane-se! – falou antes de atacá-lo. Porque depois de ter sentido os lábios gelados dele nos seus, aquilo não ia passar só disso.

Quando Draco se deu conta, Ginny já estava com as duas mãos segurando seu rosto e a boca colada na sua. Todos já sabem do fogo Weasley. Não tem que consiga a proeza de controlá-lo.

Draco se soltou dela, desesperadamente a procura de ar.

- Ouw! O que foi isso? – perguntou desnorteado.

Ginny deu um pulo e saiu do colo de Draco ("Quando eu fui parar no colo dele?"), voltando a se sentar. As faces mais vermelhas que seu cabelo, se isso era possível. E logo depois um sonoro tapa foi ouvido. Tudo isso muito rápido e com a ruiva tentando processar o que havia feito nos últimos dez segundos.

- Ai! Weasley, você endoidou de vez? – Draco acariciava a bochecha marcada com a mão.

- Você não devia ter me beijado, Malfoy – ela disse, exasperada e chocada demais com a situação.

- Mas foi você quem me beijou – retrucou, acariciando sua bochecha e sem entender o que ela havia feito.

- Foi você que começou.

- Foi só um selinho. Eu não pedi para que você atacasse meus lábios. O que você andou bebendo, hein?

- Estava implícito no selinho – Ginny se levantou do sofá, apavorada com o que tinha feito. – E quem andou bebendo aqui foi você. Vou reconsiderar essa sua atitude, você está afetado pela bebida.

Foi a vez de Draco se levantar, indignado. Weasley havia roubado um beijo seu. Ela conseguiu ser mais rápida do que ele, e agora vinha colocar a culpa nele.

- Quem parece estar afetada aqui é você.

- Ora, seu... – e voou pra cima dele, pronta pra acerta outro tapa.

Só que com Draco não muito estabilizado por conta da bebedeira, os dois acabaram caindo no sofá.

- Isso é excitante, sabe? – Draco murmurou malicioso, com a boca próxima ao ouvido dela e se controlando para não rir com toda àquela cena.

Ginny já não entendia mais nada. Malfoy agia como se não fosse gay. Aquilo era mais que estranho.

- Você tem quarto?

E outro tapa foi acertado na cara de Malfoy.

- Ai! Não dá pra dormir nesse sofá, é muito desconfortável.

- Sai já da minha casa! – começou a falar entre dentes. - Você já parece bastante sóbrio.

- Humpf. O lance do quarto foi só uma brincadeira – ele meio que fazia biquinho.

- SUMA DAQUI, MALFOY!

- Saia de cima de mim primeiro – pediu, sorrindo.

Ela se levantou desconcertada. Draco pegou a jaqueta, vestiu devagar, calçou os sapatos e deu uma ajeitada no cabelo. Felinamente caminho até Ginny e deu um leve beijo na bochecha dela, rapidamente, para não correr o risco de levar o terceiro tapa.

- Nos vemos no trabalho, Weasley – aparatou, deixando uma Ginny atordoada no meio da sala. O rosto queimando e os olhos de Draco gravados em sua mente.

Estava em uma baita encrenca. Olhos gravados em sua mente.

Balançou a cabeça tentando se livrar dos pensamentos e voltou para o quarto. Isso não podia estar acontecendo com ela. Não justo com ela, ainda mais em uma situação como aquela.


Alguns dias se passaram e Draco e Ginny vinham se evitando no atelier. A decoração da sala de Roger não era mais supervisionada por Ginny, como Roger insistia. A sala já havia sido pintada de branco, ao invés de alguma cor berrante. A proposta do competente decorador era que desse um ar mais futurista na sala e o leve tom de cinza no teto ajudava nisso. Draco e Roger já haviam comprado tudo que faria parte da nova decoração da sala e no fim de semana estaria terminado. As duas próximas semanas seriam inteiramente dedicadas para a decoração do desfile da nova coleção de Roger Piaf.

Desde o acontecimento na casa de Ginny que os dois não se falavam, há não ser com alguns cumprimentos de praxes e breves perguntas relacionadas ao trabalho.

Draco se olhou no espelho, ajeitava a elegante veste, quase pronto para ir ao casamento de Tonks. Quando finalizou tudo e checou se não tinha se esquecido de nada, ele saiu do quarto e foi até o quarto de hospedes, bateu na porta três vezes antes de ouvir reposta.

- Já to quase pronto – uma voz meio esganiçada e apressada saiu de dentro do quarto.

- Vai logo, Blaise, se demorar muito eu te deixo aqui e lembre-se que os convites estão comigo.

- Já to indo! – Blaise berrou aparentemente aflito com aquela pressa.

- Parece uma mulher demorando desse jeito. Olha, não é educado ficar mais bonito que a noiva.

Blaise abriu a porta, saindo do quarto com um enorme sorriso.

- Isso foi um elogio, Draquinho?

- Claro que não! – respondeu apático.

Mas Blaise não se alterou. Ainda animado, se enroscou no braço de Draco, que soltou um muxoxo antes de desceram, pronto para pegar a carruagem e rumarem para o casamento.


- Vamos, Ginny, respire fundo. Vai dar tudo certo nesse casamento e você não vai pegar o buquê em hipótese alguma – tentava se acalmar, não gostava muito de casamentos. Todos os seus irmãos já estavam casados, ate mesmo Fred e Jorge, menos ela.

Mas não podia faltar ao casamento de Tonks. Ela tinha sido uma grande amiga nos tempos de guerra. Sem contar que Remus foi um de seus professores preferidos. Apareceu na sala, com as mãos agitadas. Luna já estava ali, junto com Roger que tinha se oferecido para levá-las de carruagem.


Draco tinha chegado há uns cinco minutos e estava perto da entrada vendo onde poderia ficar com Blaise. Nesse meio tempo alguém que não lhe era muito agradável apareceu na sua frente o deixando visivelmente irritado. Só faltava aquele infeliz descobrir a sua nova falsa opção sexual.

Mas para seu alivio Rony Weasley não o viu. Os olhos do ruivo iam em direção as carruagens que chegavam. Draco acompanhou o olhar.

Viu Roger ajudando Ginny a sair da carruagem. Weasley foi até lá acompanhado de Potter, o que não foi notado por Draco, já que este tinha toda a sua atenção na ruiva sorridente que acaba de sair da carruagem. E ela estava... linda, se pegou admitindo. Usando um vestido cinza azulado, que amarrava no pescoço, deixando costas e ombros a mostra, um pouco solto na parte dos quadris indo até a altura dos joelhos. A cor do vestido o lembrava algo, ele só não sabia o que ainda. Nos pés uma sandália de salto médio, prateada e sem amarrar no tornozelo. O pescoço era ornamentado por um pingente que parecia um pequeno cristal, e o cabelo estava amarrado com algumas mechas caindo.

O que estava acontecendo com ele? Estava atraído por uma Weasley. E a sensação estranha no baixo ventre comprovava isso.


N.A: Acharam que eles iam se agarrar de vez só porque o Draco estava bêbado, né? Sorry, mas não pode ser assim não, meninas, tem que ser aos pouquinhos. E não fiquem bravas porque eu demorei para atualizar, fins de ano são sempre tão complicados... Mas agora eu volto ao ritmo normal de atualizações, ok.

Bjus e amo as reviews de vocês!

Próximo capítulo: O casamento