Onomatopeia: figura de linguagem na qual se reproduz um som com um fonema ou palavra, como os sons exagerados de beijos em filmes românticos e risadas caninas atribuidas ao Sirius.

Eu, quando criança, costumava perguntar para mamãe que sons estranhos eram aqueles que eu ouvia à noite, ou que barulhos esquisitos faziam os gatos e os cachorros quando olhavam para a gente como que pedindo brincadeira. A resposta dela foi curta e complicada para a compreensão de gente da minha idade –'Onomatopéia, filha'.

Palavra incompreensível para mim. Por isso, fechei a cara, corri escada acima e peguei o dicionário, meu indicador pequenininho percorrendo cada palavrinha da página em que ficava a tal onomatopéia antes de, finalmente, achá-la. O significado era até bonitinho mas, como eu não entendera de imediato e como a palavra era feia para caramba, nem liguei muito e passei a odiar totalmente a palavra e a descartar qualquer som como que insignificante.

Agora, eu percebia que não era. Porque, mesmo ainda odiando a palavra e mesmo ainda sem gostar muito da sua sonoridade, a única coisa que eu conseguia pensar era sobre como eu estava muito bem ali, na noite silenciosa não fossem os sons de nossos beijos, de nossas respirações e de nossas risadas quando conversávamos.

Era a melhor noite da minha vida, e todos esses sons só serviram para torná-la ainda melhor.

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Só nos separávamos algum tempo depois de sentirmos a tal necessidade por ar – e eu digo assim porque, antes, eu não sentira exatamente falta dele – e sorríamos contra os lábios um do outro enquanto nossas respirações se normalizavam. Às vezes, conversávamos, e toda vez que nossas bocas se moviam encostavam na do outro, e cada segundo que esse encostar era leve demais nos dava a intenção de recomeçar.

Mas a gente sabia esperar, pelo visto. Eu apoiava minha testa na dela, e ela baixava o rosto e fechava os olhos enquanto sua mão acariciava ou minha nuca ou minha cintura por debaixo da blusa. Ela voltava a levantar o olhar, e eu me pegava sorrindo com ele antes que eu mesmo pudesse perceber essa reação.

Então, recomeçávamos. Às vezes eu, às vezes ela. Eu só tinha mesmo consciência do afagar leve de Lily em meu cabelo, de sua boca em meu maxilar como que um pedido para abaixar o rosto e beijá-la de novo. Só tinha consciência de que eu beijava sua testa quente por sobre seus fios ruivos, e que eu acariciava seu rosto e o percorria com os lábios antes de voltar a beijá-la.

A noite era silenciosa. Era fácil demais ouvir os sons de nossos suspiros, do misturar de roupas e de nossos lábios tocando uns aos outros. Era delicioso ouvir não o que eu, não o que ela fazíamos separados, mas o que nós dois conseguimos fazer juntos.

Eu poderia muito bem me acostumar com isso.

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O sol se erguia atrás das montanhas, mas eu não estava com sono e, embora minha barriga reclamasse de fome, eu também não estava com a mínima vontade de sair dali em direção ao café da manhã que se aproximava.

Com certeza, James era muito melhor.

Estávamos sentados no chão, abraçados ao corpo um do outro, ele com uma perna esticada e a outra dobrada enquanto eu, dentre elas, tinha sua cintura firme entre meus joelhos. Eu apoiava minha cabeça em seu tórax, meus olhos fechados, minha respiração se acalmando enquanto ele remexia preguiçosamente nos fios de minha nuca e apoiava o queixo no topo de minha cabeça, a respiração às vezes tocando minha testa.

"O que você acha de 'nascer do sol'?" ele me perguntou, risonho, e eu senti como se pudesse ouvir mais do som daquele tom de voz que nunca, nunca mesmo, ia me acostumar com ele "Eu continuo com a minha opinião"

Eu ri.

"Acho que vou pegá-la para mim também, obrigada" abri meus olhos e levantei minha cabeça, fazendo-o desistir do apoio em minha cabeça e, com um quê de riso no rosto, olhar para mim. Os tracinhos verdes de seus olhos brilhavam na nova luz que aparecia e seus lábios se curvavam naquele meio sorriso de canto antes dele se inclinar e me dar um selinho "Você não se importa?"

"Nem um pouco" disse, apertando meu nariz entre o indicador e o dedo médio. Eu ri mais uma vez e tirei sua mão dali, entrelaçando nossos dedos e deixando que ele os puxasse para si para brincar com eles "Viu? Eu sempre disse que tínhamos coisas em comum"

"Só demorou um tempinho para provar" eu concordei, sorrindo depois de receber mais um selinho. Voltei a fechar os olhos ao sentir que sua boca não se afastava da minha de jeito nenhum, deixando-me deliciar com a sensação que era ter seus lábios roçando nos meus daquele jeito "O que mais temos em comum, sabichão?"

Ele demorou um pouco "Não adianta, você odeia História da Magia. Por mais que consiga se manter acordada ali, você não suporta"

Eu tive que rir "Vai ter que fazer melhor que isso"

Ele riu também.

"Certo, então" disse, agora beliscando meu queixo. Suas mãos, depois, se acomodaram logo acima de meus joelhos, os polegares realizando movimentos disformes por cima da calça jeans "Você gosta do outono"

Eu sorri, concordando "E, pelo visto, nós temos boa memória"

"Porque você me contou isso no segundo ano"

"No mesmo dia que você me contou que adorava sorvetes trouxas"

"E que você me disse que tinha dois preferidos"

"O chocolate puro..."

"... e o de creme com gotinhas de chocolate amargo"

"Mas você só gostava do de chocolate" eu parei de falar quando ele me beijou, divertido, três selinhos um atrás do outro "E seu outro preferido era chocolate mesclado, e depois o com pedaços, e depois o de brigadeiro"

"Mas você deveria ser a mais entendedora dessas coisas, sendo nascida trouxa" ele disse, rindo "Eu tive que experimentar assim que cheguei em casa. Não tinha lá perto, mas eu fiz a Nessie fazer um só para mim"

"E gostou?"

"Não estávamos falando sobre coisas em comum?"

Eu ri, fazendo que sim.

"E eu posso tentar adivinhar mais uma?"

"Vá em frente"

"Estamos com fome"

"De sorvete?"

"De sorvete"

Ele sorriu depois, brincalhão, e me piscou o olho antes de fazer uma pressão gentil em meus joelhos e afastar minhas pernas para que pudesse levantar. Me ofereceu uma das mãos e eu, sem hesitar, a peguei, recomeçando imediatamente a andar quando senti que ele me puxava.

Eu não perguntei para onde a gente ia, e nem fazia muita questão de saber. Só me importava ele e nada mais.

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"Eu não sei com o que eu fico mais surpresa" Lily começou a falar, passando a língua pela colher de plástico do sorvete de uma maneira que me fez sorrir "Se é com o fato de você conseguir uma passagem secreta para Hogsmeade em cada canto de Hogwarts, de eu segui-lo ou de nós dois estarmos tomando sorvete no começo do inverno"

Eu ri, leve e breve, inclinando-me para lhe beijar a lateral da testa. Ela quase tremia sob meu braço, o corpo junto ao meu como que não agüentando o frio, mas as mãos firmes no ato de levar o sorvete à boca.

O dela de creme com gotinhas de chocolate amargo, o meu de chocolate puro.

"Achei que já tivesse se acostumado com minhas passagens secretas"

"Não até eu descobrir todas"

"Podemos tirar um dia para isso" eu concordei, minha mão com a colher indo na direção da boca dela. Lily chegou até a soltar uma risada abafada antes de abrir os lábios e pegar o sorvete, afastando-se apenas o suficiente de mim para isso "Se você me contar alguma coisa em troca"

"Desculpe, mas eu não tenho segredos mirabolantes"

"Eu não quero segredos mirabolantes, ruiva. Quero segredos comuns, do tipo 'Eu tinha medo de unicórnios quando pequena, porque o chifre...'"

"Mas eu tinha medo de unicórnios quando pequena" ela me interrompeu, sorrindo, saindo de perto de mim para, com uma corridinha, se colocar alguns passos à minha frente e andar de costas "E de centauros e de duendes"

Eu ri "E elfos?"

"Nem tanto" ela fez um sinal de descaso com a mão, um sorriso no rosto "No mundo dos trouxas, a maioria das pessoas tomava os elfos como seres imortais, super-hiper-mega-poderosos e com a maior beleza que poderia existir em um ser vivo"

"Esses não eram os vampiros?"

"Eles são de mundos diferentes. Elfos coexistem com tudo isso daqui que a gente já falou, mas vampiros ficam bem longe disso" ela me respondeu, em seguida tomando mais um pouco do sorvete "Você não deve saber, mas é meio divertido chegar em um mundo que é impossível na sua vida anterior e descobrir que tudo o que os adultos esnobaram como inexistente é verdade. Você não tem noção de como eu senti vontade de apontar o dedo para minha prima mais velha que ria dos meus sonhos de criança e falar que eu estava certa afinal de contas"

Eu ri de novo, mas mais alto dessa vez. A imagem da Lily de onze anos, pequeninha, mais sardenta que hoje e decididamente com uma imagem de mais frágil apontando para uma prima – que eu imaginava alta, forte e com um sorrisinho estúpido de escárnio – e dizendo isso era mesmo engraçada.

Pelo visto, ela era decidida mesmo quando mais nova. Eu poderia muito bem imaginá-la com seis anos e roubando a boneca da irmã – que, Marlene me dissera uma vez, atualmente estava quase em pé de guerra com ela – e se escondendo dos pais para não ter que jantar e parar de brincar.

"Sua vez, James"

"Estou pensando em uma tão boa quanto a sua" eu retruquei, estendendo minha mão para que ela pegasse. Lily não o fez de imediato; levou mais duas vezes a colher a boca, me ofereceu uma terceira e jogou, com magia, o pote na lixeira mais próxima antes de pegar "Sei lá... quando eu brincava de pique esconde com papai, eu me escondia embaixo da mesa de vidro e me achava o máximo"

Ela riu, parecendo mesmo estar deliciada "E seu pai demorava a te encontrar?

"Demorava, mas eu acho que ele fingia"

"Ah, você acha?"

Eu lhe mandei a língua, quase rindo ao me deliciar com a ironia fina que tinha em sua voz. Me deliciei ainda mais quando ela se aproximou de mim e pegou minha língua entre os dentes, a mão saindo da minha para ir na direção de minha nuca.

Eu também não ia perder essa chance.

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Passamos a manhã inteira em Hogsmeade, e só voltamos para Hogwarts porque estávamos sem dinheiro no bolso e não poderíamos comer ali. James me reapresentou a cozinha – e ele parecia uma pessoa extremamente popular por lá, porque foi só ele pisar que uma quantidade considerável de elfos apareceu com muito mais comida do que nós dois seríamos capazes de suportare, depois dela, a orla da floresta proibida.

Me contou mil histórias sobre as travessuras dele com onze anos ali, sobre os desafios que ele e Sirius davam um ao outro e sobre como eles brincaram com Peter e fizeram um feitiço para assustá-lo – ele já havia me contado essa última, mas não a parte em que eles fizeram Peter tomar a poção Polissuco e se tornar o Severus – e ele saiu correndo para o castelo às duas da manhã e recebeu sua primeira detenção.

Me fez sorrir quando me disse que já se escondera de Filch na sala dele. Me fez rir em diversão quando me falou sobre despistar Madame Nor-r-r-a com feitiços de confusão. Me fez quase gargalhar quando me contou que, com quinze anos, participara de um desafio e tivera que acordar Dumbledore às três da manhã fingindo ter tido um pesadelo com lulas-gigantes – devo admitir, Sirius foi realmente um mestre nessa – graças à minha resposta.

Ele me divertiu até as onze da noite, quando finalmente minhas pálpebras pareceram vencer de vez a luta que travavam com minha mente e minha vontade de ouvir mais dele. Eu as fechei ainda no jardim, voltando a abri-las como que realizando o maior esforço do mundo quando ele riu, abafado, e falou que estava na hora de voltarmos. Voltei a fechá-las enquanto andávamos pelos corredores silenciosos com a proteção dos nossos distintivos de monitores, morrendo de sono, mas ainda sorrindo quando ele cantou, de brincadeira, uma canção de ninar no meu ouvido.

A sala estava escura, silenciosa não fosse o crepitar da lareira. Nossos passos, nossos risinhos, a voz dele em meu ouvido cantando 'O centauro dorminhoco' enquanto eu completava alguns versos com uma voz meio bêbada de sono.

Ele me beijou de novo na hora de me deixar à beira da escada. De novo, ficou com as mãos ora firmes em minha cintura, ora passeantes por minhas costas e ora acarinhando meu rosto e afagando meu cabelo. Eu,de novo, torci sua blusa nos dedos e mexi em seus fios, meu corpo cedendo à pressão de seus braços e juntando-se ao dele.

Mas uma vez, me deliciei com o som quase imperceptível de nossos beijos.

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Eu jurei a mim mesma que ia postar de quinze em quinze dias. E aqui estou eu, 11h20 de domingo, cumprindo a minha promessa com todo o amor que tenho por vocês, leitores lindos e que me acompanham sempre, sempre, e sempre.

Nessa nota, tenho que fazer algumas considerações; primeiro, quero dizer que esse capítulo é dedicadíssimo à Dani Prongs, a cuja pessoa ainda devo algumas respostas de reviews e a quem peço dois dias para respondê-las e desculpas por eventuais erros. Meus olhos pesam XD, mas espero que os seus leiam com todo o carinho um capítulo especialmente romântico como você pediu implicitamente em uma das nossas conversas, e que me perdoe por demorar taaaaaanto assim, no limite do limite do meu prazo. Enjoy it, baby ;3 A segunda consideração é voltada para leitores anônimos ou que não têm conta aqui no fanfiction; já tive meus tempos de leitora-sem-conta, e sei como me sentia frustrada por não receber de volta nenhuma resposta do autor. Então, vou abrir um pedacinho da minha nota apra vocês. Lá vai:

1 - Nathália - é, então, a sua pergunta sobre quando eles vão namorar é meio difícil. Como eu não consigo imaginar o James fazendo um pedido sério de namoro, creio que eles vão começar a namorar e ele só vai fazer brincadeiras divertidas e safadas e marotas e tudo-de-bom com isso XD Obrigada pelas reviews de sempre!

2- Nathália - sim, é incrível pensar que a autora tem exatamente o mesmo nome de duas leitoras. Não que seja raro, mas mesmo assim é uma coincidência. Bom, para você eu tenho que dizer o seguinte; o final do capítulo passado foi um beijo, continuado nesse início daqui XD Espero que tenha gostado!

3 - Samantha - Hmm, obrigada pelo elogio. Nem sei responder a isso sem me denegrir de um modo ou de outro.

4 - Anii Evans - Estou aqui quando deveria estar dormindo para postar o quanto antes XD Promessas feitas a leitoras antigas e queridas, e que pretendo cumprir com as novas também ;D Obrigada pelos elogios - 'amar' é um verbo adorável - e pro concordar que o James é apaixonante. Você queria ou não que ele fosse de verdade? ;3

Bom, às não anônimas, sei que ainda devo a algumas a resposta via e-mail. De qualquer jeito, espero que me digam se preferem que eu coloque as respostas aqui, junto com todo mundo, ou que eu mande pelo fanfiction. O que for melhor para vocês é melhor para mim *-* Beijos, beijos, beijos e agradecimentos também à Little I - eu disse na resposta que adorei seu nome? - Cuca Malfoy - com tão poucas palavras me deixando alegre , Mimsy Porpington - nossa, divertidíssima. A-do-rei - Sophie Ev. Potter - oiiiiii de novo! - Flah' - hmmm, sei que já te respondi. Aguardo esse também XD - Faniicat - eu também já respondi você. Mas mais beijos e agradecimentos não faz mal a ninguém - Flor Cordeiro - oiiiii, menina. Você é outra que me deixa feliz com pouquíssimas palavras, e vem fazendo isso em todos os capítulos - Dani Prongs - fala aê, more mio. Gostou do capítulo? Ansiosa por minha resposta? - Justine Sunderson - sim, aposto que sim. Pois pode esperar, não digo a ninguém - E Sakura Diggory, que prometeu retornar e que está cumprindo a promessa. Já tava morrendo de saudades da minha uruguaia preferida ;D