Beautiful Monster

Capítulo 8

Jared queria poder negar para si mesmo, mas estava se tornando um vício… Talvez fosse apenas a sua beleza física, ou o corpo atraente, que também era tão deliciosamente macio e gostoso de apertar e morder, e… sua boca, tão perfeita e beijável. Mas também tinha os sons que Jensen fazia durante o sexo que o deixavam louco, e a sua voz… O conjunto todo era tão tentador, que só fazia Jared querer mais e mais, e ainda tinha a forma como ele se entregava…

Merda! Jared estava totalmente ferrado, e isso não era nada bom.

Era bom demais sentir o calor apertado envolvendo seus dedos e o pau de Jensen bem fundo em sua garganta. A forma como ele se empurrava e se contorcia, seu gosto, os seus gemidos… Jared riu ao parar o que fazia e ouvir o loiro reclamar.

- Vire-se - Jensen obedeceu prontamente e colocou o travesseiro embaixo do próprio quadril, dando-lhe uma visão espetacular do seu traseiro, o que Jared apenas apreciou por um momento.

Era melhor assim… de costas. O olhar de Jensen às vezes podia ser tão intenso, que Jared tinha a impressão de que ele podia ler a sua alma. Se é que realmente tinha uma.

As costas de Jensen eram um verdadeiro convite ao pecado… Jared apertou, mordiscou e chupou a pele branquinha e sardenta, deixando marcas, de um jeito totalmente possessivo.

Jensen amava aquilo. Jared era um amante incrível e o fazia se sentir desejado… O olhar dele sobre o seu corpo, os beijos e os toques possessivos… Jensen só queria mais e mais. Não importava o dia de amanhã, e nem as consequências que aquele final de semana traria para o seu coração já tão quebrado...

O loiro agarrou os lençóis e apertou os olhos ao sentir as mãos grandes e macias afastarem sua nádegas. Jared o estava provocando, mas não iria reclamar. Sentiu primeiro sua respiração quente, tão próxima do seu local mais sensível. Então a língua apenas contornou suas pregas, muito sutilmente… Instintivamente, Jensen se empurrou para cima, desesperado por mais contato. Jared riu e deu a ele o que queria… penetrando com a língua o mais fundo que podia, fodendo-o com o músculo molhado e quente, fazendo Jensen gemer e arquear as costas, pelo prazer.

Jared gemeu enquanto vestia o preservativo e lubrificava o próprio membro, massageando-o. Ajoelhou-se entre as pernas do loiro e agarrou seu quadril com força, erguendo-o e metendo quase de uma só vez.

Tão deliciosamente apertado… A sensação de estar dentro dele era incrível. O encaixe perfeito quando seus corpos se chocavam, se fundindo um no outro. O suor e os gemidos se misturando… Nenhum dos dois durou muito… Jensen foi o primeiro a gozar, lambuzando a mão de Jared e os lençóis branquinhos, e o moreno veio logo em seguida, urrando e desabando sobre ele, ambos exauridos pelo prazer.

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Jared acordou de um pesadelo. Como sempre, não se lembrava do que se tratava, mas acordou suado e com suas mãos tremendo, o coração acelerado… Olhou para o lado, percebendo que o abajur do lado que Jensen dormia estava aceso, e o loiro ressonava baixinho, dormindo tranquilamente, com um braço envolvendo seu abdômen. Sentiu certa inveja, pois não se lembrava quando fora a última vez que tivera uma noite de sono tranquila.

Afastou o braço de Jensen lentamente e olhou no celular, vendo que eram 5:40 min. Sabia que não conseguiria voltar a dormir, então se levantou e tomou uma ducha rápida, pois ainda estava pegajoso da noite anterior. Vestiu uma bermuda e uma camiseta, amarrou a parte superior do seu cabelo em um pequeno rabo de cavalo e saiu para correr.

Jensen despertou e percebeu que estava sozinho na cama. Perguntou-se onde Jared estaria àquela hora da manhã. Se levantou, tomou banho e foi até a cozinha, a procura de café. Colocou a cafeteira para funcionar e perambulou pela casa… Era tudo de muito bom gosto, os móveis, a decoração… mas não havia nenhum porta retratos, nem nada que indicasse quem era o dono do lugar. De repente Jensen ficou curioso.

Abriu algumas gavetas e, ao verificar alguns papéis, teve a confirmação: Thomas Welling.

Além de enciumado, ficou curioso de repente… que tipo de relacionamento Jared tinha com ele? Se Tom lhe dava acesso à casa de praia, talvez Jared não fosse apenas um prostituto de luxo… Pensar nisso lhe fazia sofrer, e essa não era a ideia. Jensen queria aproveitar o final de semana, e não ficar deprimido por algo que não podia mudar.

Por enquanto, tudo o que podia fazer era aproveitar o pouco que Jared lhe permitia.

Tomou uma xícara de café e voltou para o quarto, quando ouviu os passos pesados pela casa. A porta do quarto estava aberta e Jared entrou, vestindo uma bermuda cinza, com a camiseta pendurada sobre o ombro esquerdo, suado e ofegante.

- Então a bela adormecida já acordou? - Jared brincou, parando diante dele.

Jensen não disse nada, apenas passou a língua pelos lábios, e levou sua mão até o peitoral suado do moreno, escorregando-a até o abdômen.

- Eu vou tomar um banho - Jared fez menção de se afastar, mas Jensen o segurou, trazendo-o mais perto.

- Agora não - Abriu o botão e zíper da bermuda, deixando-a escorregar pelas pernas, e acariciou as coxas tonificadas, antes de apertar o volume sob o tecido da cueca, que crescia com o seu toque.

Jared ainda estava um pouco ofegante e seus olhos escureceram, observando o que Jensen fazia. Fechou os olhos e gemeu quando o loiro libertou sua ereção recém formada e segurou seu membro pela base, lambendo-o, provando o gosto salgado de suor.

Jensen tomou apenas a glande em sua boca, chupou-a e fez círculos com a língua. Brincou com a ponta da língua sobre a fenda, sentindo o gosto do pré gozo, antes de abocanhá-lo por completo. Jared agarrou seus cabelos curtos sugestivamente e Jensen relaxou a garganta, deixando-o assumir o controle.

Jared se perdeu completamente ao foder a boca pornográfica do loiro. Seus joelhos fraquejaram depois do gozo e Jared se deitou na cama, tentando recuperar não apenas o fôlego, mas a sua sanidade.

- Essa sua boca - Jared segurou o lábio inferior de Jensen entre os dentes, quando este o beijou. - Você podeia ficar rico com isso, sabia? - Jared brincou, rindo, e Jensen riu também.

No fundo, Jensen só conseguiu pensar no que Jared fazia para ter a vida que tem. Isso o lembrou de Thomas Welling, Jeffrey Morgan e sabe-se lá de quantos outros homens Jared havia se tornado amante por dinheiro. Maldito dinheiro.

- O que você pretende fazer o resto da manhã? Ou você prefere ficar só aqui dentro de casa fazendo sexo? Por mim tudo bem - O moreno deu um sorriso cínico, tirando Jensen dos seus devaneios.

- Não sei. O que você costuma fazer?

Aos sábados, quando não estava com Tom, Jared geralmente chegava da balada quase de manhã, então dormia, ou pelo menos tentava.

- É cedo ainda, vamos dar uma volta pela praia, depois podemos sair pra algum lugar - Jared se levantou e foi para o chuveiro.

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Durante o resto da manhã, apenas ficaram por ali, jogaram frescobol na areia, brincaram na beira da praia feito duas crianças, respingando água um no outro, assistiram alguns episódios de South Park e depois saíram.

Como Jared sabia que Jensen gostava de fotografar, dirigiu em direção ao Brooklyn, atravessaram a ponte e passearam pelo Brooklyn Bridge Park. Quando Jensen reclamou por ter em mãos apenas seu iphone e não ter trazido sua câmera, Jared o levou a uma loja para comprarem uma.

- Eu não posso aceitar isso, é uma câmera muito cara.

- É só uma câmera, Jensen - Jared deu de ombros.

- Não, eu não posso.

- Tudo bem, então você apenas a utiliza enquanto estivermos por aqui e depois eu fico com ela - Jared quis socar a cabeça de Jensen por ser tão teimoso, mas não ia entrar em uma discussão ali, dentro da loja.

O loiro provavelmente não estava acostumado com isso. Se ele fizesse ideia do quanto custava cada um dos relógios que Jared possuía e tinham sido presente de Jeffrey, provavelmente iria surtar.

Almoçaram e, ao voltarem ao parque, Jared se sentou na grama, aproveitando a sensação do sol em sua pele, enquanto Jensen fotografava o East River e a vista de Manhattan. Sem que o moreno percebesse, Jensen tirou também algumas fotos dele. Jared vestia uma calça jeans rasgada nos joelhos e uma camiseta cinza justa, que delineavam seus bíceps. Os óculos de sol estilo aviador realçavam o seu rosto bonito, e seus cabelos esvoaçavam com a brisa do início da tarde.

Jared gostava de observar Jensen com a câmera. O loiro realmente gostava do que fazia, e o sorriso em seu rosto era algo genuíno. Fotografava a paisagem, os pássaros, as crianças correndo pelo parque, e isso fazia Jared se questionar se algum dia tinha realmente feito algo assim, simplesmente porque gostava.

Provavelmente não. Quando adolescente, sempre gostara muito de esportes, mas não participava de campeonatos, ou do time da escola, porque tinha medo de ter que passar por um exame médico. Nem mesmo tirava a camisa, quando jogava futebol com os meninos do bairro, com medo de ter que explicar para alguém as marcas e chupões deixados em seu corpo.

Jensen sentou-se ao seu lado e Jared afastou aqueles pensamentos. Percebeu que quando estava com Jensen, tinha tendência a se lembrar do passado e isso não era nada bom. Algumas coisa deveriam simplesmente permanecer mortas.

- Está tudo bem? - Jensen perguntou, percebendo algo no semblante de Jared.

- Sim. Podemos ir, ou ainda tem algum pássaro que você não tenha fotografado?

- Cara… esse lugar é lindo. E tão próximo de casa, eu não acredito que não tenha vindo aqui antes. Você costuma vir muito aqui?

- Primeira vez, também - Jared admitiu. Costumava ir muito à praia, mas geralmente não frequentava pontos turísticos, não era o seu tipo de programa, afinal, mas imaginou que Jensen gostaria.

Também não sabia por que de repente sentia essa estranha necessidade de agradar a ele. Seria apenas um final de semana e cada um seguiria com sua vida, esse tinha sido o trato. Olhou mais uma vez para Jensen, que sorria ao tirar uma última foto de uma criança com com seu cachorro, e pensou que talvez, lá no fundo, gostasse da sensação de fazer Jensen sorrir. Pelo menos por alguns minutos, aquilo parecia preencher a sensação de vazio que tinha em sua alma, mas Jared não saberia dizer se aquilo era bom ou ruim.

- Eu ia bastante ao Central Park, logo que me mudei pra Nova York, mas ultimamente nem isso eu tenho feito - Jensen continuou falando, enquanto caminhavam. - A não ser quando algum cliente quer fazer um book por lá.

- O que você costuma fotografar?

- Eu geralmente trabalho só no estúdio. É onde eu me sinto à vontade - Jensen deu de ombros, ligeiramente sem graça. - Já fotografei casamentos, mas não tenho muita paciência com os convidados, então…

- Imagino - Jared riu.

- Eu gosto de fazer o making off. É mais natural do que uma cerimônia de casamento, e muitos fazem isso na praia. Gosto do resultado das fotos, de escolher o ângulo certo, da naturalidade…

- Você realmente ama o que faz.

- Sim. Eu amo. E você?

- Oh, eu amo ser corretor de seguros, e… - Jared interrompeu a frase, se levantando, enquanto acendia um cigarro. - Vamos?

Jared quis aproveitar a tarde para conhecer a Brooklyn Brewery. Fizeram um tour e degustaram vários tipos de cerveja. Já estava anoitecendo e Jared já estava um pouco bêbado quando saíram de lá, então Jensen dirigiu seu carro de volta para a casa.

- Uma cervejaria, ou algo relacionado a vinhos - Jared falou ao se atirar no sofá da sala, pegando um pedaço da pizza que tinham acabado de comprar no caminho para a casa.

- O quê? - Jensen sentou-se ao seu lado, sem entender nada.

- Algo que eu gostaria de fazer um dia. Abrir uma cervejaria ou uma importadora de vinhos… Talvez.

- É algo que eu posso imaginar - Jensen sorriu. Sabia que Jared só estava falando aquilo porque tinha bebido demais, mas ainda assim era algo novo. Queria saber mais sobre ele.

- Besteira - Jared se levantou e abriu uma garrafa de vinho, servindo a ambos, enquanto comiam a pizza. - Eu não faço planos pro futuro.

- Por que não?

Jared gargalhou. - Olha bem pra mim. Você acha mesmo que eu tenho um futuro? - Apesar da risada, havia um tom de amargura quando Jared perguntou aquilo, e não passou despercebido por Jensen. Jared tentava se mostrar forte e seguro de si o tempo todo, mas Jensen sabia que muitas vezes ele apenas interpretava um personagem. Provavelmente seria um ótimo ator, se escolhesse a carreira.

- Eu acho. E acho que os seus sonhos não são nada impossíveis. Você só precisa de… planejamento.

- E muito dinheiro.

Jensen deu de ombros - Isso também. - Não fazia ideia do quanto aquilo podia custar, mas sabia que era muito.

O assunto morreu por ali e o loiro ligou a TV, zapeando os canais, e parou em um filme do Capitão América.

- Você gosta de super heróis? - Jared zombou.

- Não - Jensen respondeu e olhou para as próprias mãos, com uma pontada de tristeza.

- Wow! - Jared percebeu que tinha tocado em um nervo. Apesar de estar confuso, porque estavam falando de super heróis, qual poderia ser o problema?

- Quando eu era moleque, era apaixonado por eles. Apaixonado mesmo, sabe, eu lia todos os HQs, relia um milhão de vezes e ficava apenas sonhando… Era como… Eu me sentia protegido, sentia como se no mundo deles, nada de mau pudesse me acontecer, e… Mas então eu fui crescendo, e percebi que… Que eles nunca estavam lá pra me salvar, quando eu precisava. Nem uma maldita vez e então a minha paixão foi se transformando em decepção, uma após a outra, e…

- Bom, uma hora você teria que perceber que super heróis não existem, não é? - Jared sabia que estava sendo cruel, mas tinha medo de saber onde aquela história iria acabar. Não estava pronto para descobrir por que Jensen precisava ser salvo, ou de quem. Não. Não queria saber e não era problema seu.

- Eles existem - Jensen encarou Jared, tentando segurar suas emoções e não colocar tudo a perder. - Eles apenas não usam capas e não tem super poderes, mas eles existem, e quando você menos espera, eles estão lá pra te salvar.

- Se você quer acreditar nisso - Jared riu e se levantou, bebendo o restante da sua taça de vinho. - Você quer foder ou quer ir dormir? - Perguntou, esperando que Jensen o seguisse para o quarto.

Jensen ficou feliz que o quarto de hóspedes sequer tinha sido usado, apenas para guardar a sua mala de roupas.

- Podemos fazer os dois?

- Soa como um plano - Jared riu e esperou por Jensen, beijando-o no corredor de acesso aos quartos.

Já estavam nus ao chegarem na cama, onde Jared empurrou o loiro de bruços, beijando e mordendo cada centímetro da sua pele, antes de fodê-lo e ambos se deitarem, exaustos e abraçados, feito um casal de namorados.

Jensen pensou que Jared já estava dormindo, quando o abraçou mais forte e beijou seu rosto, de um jeito carinhoso.

- Eu te amo - sussurrou em seus cabelos e adormeceu, com um sorriso no rosto.

Mas Jared não estava dormindo. Aquelas palavras martelavam em sua cabeça, trazendo lembranças das quais queria fugir.

"Jared, abra essa maldita porta ou eu vou derrubá-la." Então o garoto assustado de 13 anos se encolhia debaixo das cobertas, tapando os ouvidos e esperando pelo estrondo. Não sabia quantas vezes aquela fechadura havia sido trocada.

"Você sabe que não adianta fugir de mim" A mão tocava seus cabelos e a sua face, de um jeito tão carinhoso, que fazia Jared querer vomitar.

"Basta você abrir a boca e ser gentil. Eu te amo. Você sabe que eu jamais irei machucá-lo".

"Eu te amo".

Jared se levantou da cama em um pulo e correu para o banheiro, vomitando tudo o que havia em seu estômago.

Ainda nu, acendeu um cigarro e foi para fora. Não aguentava mais ficar ali, sentia que iria sufocar a qualquer momento. Sentiu o ar fresco da noite arrepiar sua pele, mas nada daquilo importava.

Qualquer coisa para diminuir a dor que sentia em seu peito. Caminhou em direção ao mar e sentiu a água fria lamber seus pés. Continuou entrando, sendo derrubado por algumas ondas. Era um bom nadador, mas sentia-se fraco, sem forças para lutar contra elas. Ou talvez simplesmente não quisesse…

Jensen despertou alguns minutos depois e estranhou o fato de Jared não estar ao seu lado. Levantou-se e notou que as roupas dele ainda estavam espalhadas pelo corredor. Vestiu uma bermuda e olhou no banheiro e nos outros cômodos da casa, tentando descobrir para onde ele podia ter ido, completamente nu.

Viu que a porta da sala estava aberta e correu para fora. Gritou o nome de Jared algumas vezes, sem resposta, mas como a lua estava cheia, podia ver um vulto nadando no mar, deduzindo que só poderia ser ele, porque a praia ali era privada. O que aquele maluco estaria fazendo?

- Jared! - Jensen gritou mais uma vez, caminhando em direção ao mar.

Mesmo que não gostasse muito da água salgada e muito menos da sua temperatura fria àquela hora, foi entrando. Seu instinto lhe dizia que havia algo muito errado.

Nadou alguns minutos e logo alcançou Jared.

- O que diabos você está fazendo? - Perguntou, bravo.

- Nadando. O que parece? - Jared riu. Mas não era a sua risada comum, ou de deboche. Tinha algo diferente. Desespero, talvez.

- Você vai acabar ficando doente, Jared. vamos voltar.

- Por que você está aqui?

- Porque eu pensei que… Eu pensei… - Jensen já estava cansado de nadar e lutar contra as ondas. O mar estava mais agitado que o normal.

- Pensou o quê? Que eu iria me matar?

Jensen não sabia o que havia pensado, apenas seguiu seus instintos, mas de repente um arrepio percorreu seu corpo, e não era o frio.

- Jared… - O loiro se aproximou. Arrastaria Jared para fora, nem que fosse à força.

- Você morreria comigo, Jensen?

- Só vamos pra fora, por favor.

- Você disse que me ama. Você morreria por mim? Tipo Romeu e Julieta? - Jared o agarrou pela cintura e Jensen sentiu seu corpo sendo puxado para o fundo.

Sua primeira reação foi o desespero. Se debateu e tentou se soltar, mas Jared era mais forte e parecia tranquilo, o que era uma vantagem sobre ele.

Então Jared o abraçou ainda mais, impedindo Jensen de mexer seus braços e o loiro acreditou que era o fim… Seus pulmões clamavam por ar e Jensen não tinha o que fazer. Abriu os olhos, tentando enxergar em meio à escuridão, e então, no instante seguinte, Jared o soltou e o empurrou para cima.

Uma brincadeira de mau gosto, Jensen pensou ao chegar à tona e finalmente poder respirar, mas o desespero voltou, quando percebeu que Jared não subiu com ele.

Gritou o nome dele mais uma vez, respirou fundo e voltou a mergulhar. Usou todas as suas forças para agarrar o moreno pelo tronco e o puxar consigo para cima.

Nadaram para a margem e depois de Jared tossir e cuspir a água salgada, ele teve um acesso de riso.

Jensen estava muito puto quando se aproximou. Jared ainda estava curvado para a frente, rindo histericamente, quando o loiro lhe acertou um soco no meio da cara.

Jared caiu sentado e Jensen segurou-o pelo queixo, fazendo-o olhar em seus olhos. A risada desapareceu e o olhar de Jared parecia assustado. Seu nariz sangrava, e havia um corte em seu lábio inferior, devido ao soco.

- Se isso foi uma piada, não teve graça alguma. E se você quer se matar, não faça enquanto eu estiver por perto. Idiota! - Jensen o empurrou e correu em direção à casa, disposto a ir embora naquele exato momento.

Tomou uma ducha, apenas para se livrar da água salgada, secou-se e se vestiu, então juntou suas roupas de volta na mala, querendo ir embora dali o mais rápido possível.

Ainda estava ofegante e com o seu coração prestes a sair do peito. Passou a mão pelo rosto e percebeu que estava banhado em lágrimas. Lágrimas que Jared sequer merecia.

Arrastou sua mala e decidiu sair pela porta da varanda, quando o viu…

Jared ainda estava nu, sentado no chão da varanda, abraçando as próprias pernas e tremendo de frio.

A raiva o fez querer deixá-lo ali, mas simplesmente não conseguiria. Ao se aproximar, Jensen percebeu que ainda havia sangue em seu nariz e Jared parecia catatônico.

Largou sua mala ali mesmo e correu para pegar um roupão, que envolveu sobre os ombros do moreno e o ajudou a se levantar, levando-o para dentro.

Jared acompanhava seus passos, mas não tinha nenhuma reação. Jensen o colocou debaixo do chuveiro quente, e depois de secá-lo, o levou para a cama.

Estava preocupado e não dormiu a noite inteira, mas pelo menos Jared caiu num sono profundo. Teve pesadelos e se debateu por alguns minutos, mas não chegou a acordar. Jensen só conseguiu pensar no quão perturbado ele podia ser. Esses pensamentos, junto com o medo e o desespero, lhe corroíam a mente.

Ao despertar pela manhã, Jensen nem sabia quando tinha pegado no sono. Ficou desesperado ao ver que Jared não estava na cama e se levantou rapidamente, encontrando-o sentado na escada da varanda, com a própria mala feita ao seu lado e fumando tranquilamente.

- Podemos ir, ou você quer prolongar essa palhaçada por quanto tempo? - Jared perguntou, frio, sem sequer olhar nos olhos de Jensen.

- Você está bem? O que foi aquilo ontem à noite, Jared? - Jensen queria xingá-lo, mas sua voz saiu carregada de preocupação.

- Me avise quando estiver pronto, eu preciso trancar a casa e acionar o alarme - Jared pegou sua mala e caminhou em direção à garagem.

Jensen suspirou, cansado, voltou para o quarto para trocar de roupas e foram embora.

O caminho até o seu apartamento foi feito todo em silêncio. Jared dirigia, concentrado na estrada e Jensen concentrado em Jared.

Tudo tinha dado errado. Não era assim que deveria terminar seu final de semana romântico. Não era isso o que havia sonhado…

- Jared… - Falou quando o moreno parou o carro em frente ao seu prédio.

- Você teve o que queria, não teve? - Jared finalmente o encarou. - Agora siga a sua vida, e esqueça que eu existo. É o melhor pra nós dois.

Jensen respirou fundo, segurando a vontade de socar a cara do moreno mais uma vez. Como Jared podia ser tão teimoso? Por que ele não aceitava ajuda? Jensen já estava cansado de ser empurrado para longe e suas emoções estavam à flor da pele.

- Sem dúvida alguma, é o melhor - Jensen concordou, e saiu batendo a porta do carro com força, sem olhar para trás.

Jared ainda ficou alguns instantes ali, olhando até Jensen desaparecer na entrada do prédio. Socou o volante e dirigiu até seu próprio apartamento, onde largou sua mala, apanhou dois comprimidos do frasco no armário do banheiro e os engoliu com alguns goles de uísque. No momento, só queria poder dormir e esquecer quem era… esquecer o quanto a sua vida era inútil e vazia.

Continua…


N/A: Se eu tiver algum leitor que seja pai: Feliz dia dos papis!


Reviews sem login:

Guest: Tem muita coisa do passado de ambos pra ser mostrado ainda, e eu vou revelando aos pouquinhos porque gosto de torturar meus leitores… hahaha. O final de semana deles tem de tudo um pouco, e talvez não termine da maneira que muitos queriam. Obrigada por ler e comentar. Bjos!

Cleia: Agora fiquei me perguntando: O que será que eu pediria? Hahaha! Uma sessão de fotos seria divertida, mas Jensen aproveitou a oportunidade, né? Eles passam mais tempo juntos e assim podem se conhecer um pouco mais (o que eu não sei dizer se é bom ou ruim...kkk). Obrigada por ler e comentar! Bjos!

Claudia: Acho que Jared deixaria sim. Já deu pra perceber que ele é uma pessoa que não gosta de se sentir vulnerável, então acho que por isso ele prefere ser o ativo, mas não acho que seja encucado com isso, não. Aos pouquinhos você vai sabendo mais sobre eles. Agora eu tive que rir com o seu "E que o Jared não estrague tudo". Hahaha! Sorry! Obrigada por ler e comentar. Bjos!