Capítulo 8 – Sem dor, sem ganho...
A entrevista da universidade era uma mera formalidade, afinal, eu já estava aprovado. Eu precisava apenas mostrar que era um jovem interessado em aprender para justificar a bolsa de estudos. E isso nunca foi realmente difícil para mim.
Eu só estranhei o fato da sala estar à meia-luz. Não podia ver direito o rosto da entrevistadora e isso era um pouco estranho. Ela perguntou, diretamente:
- Então, senhor Gohan, qual seu maior defeito?
- Bem, senhora... – de repente eu não sabia o que dizer. Nunca me ocorrera que essa seria uma pergunta para a entrevista da universidade. – eu creio que meu maior defeito é ser tímido.
- Ah... – ela deu um suspiro estranho. Eu me senti desconfortável. – É verdade que o senhor é virgem?
Eu senti meu rosto quente. Que espécie de pergunta era aquela?
- B-bem – gaguejei – se a senhora contar sexo virtual por skype como sexo, não. Se considerar bolinar a namorada até ela atingir o orgasmo... também não. Mas se considerar a definição ortodoxa de sexo apenas... sou.
- Mas que interessante – a voz dela soou mais rouca – pretende perder a virgindade aqui, no nosso campus?
- Bom... que espécie de entrevista é essa?
- Senhor Gohan... – a mulher desabotoou lentamente a sua blusa, botão por botão e sussurrou – gostaria de ver meus seios fartos, cheios e perfeitos e meus mamilos pequenos e rosados?
- Ahn – eu não conseguia articular nenhuma palavra inteligente enquanto a blusa dela deslizava pelos ombros e ela se preparava para desabotoar o sutiã branco de renda, libertando seus seios... que eram iguais aos de...
- Videl? – eu perguntei, e seu rosto veio para a luz. Mas ela estava mais maquiada do que de costume e usava óculos grandes, de aros finos quando sussurrou:
- Sou eu, Gohan... quero sentir esse seu membro grosso, ereto e pulsante dentro da minha delicada boca, quero te abocanhar com meus lábios finos e delicados...
- Você está me dizendo que vai pagar um boquete em mim aqui na sala de entrevistas?
Ela não respondeu, apenas desapareceu da minha frente e entrou debaixo da mesa enquanto eu sentia que alguém abria o zíper da minha calça e tirava meu... não vou dizer membro de novo porque acho essa palavra estranha... mas foi isso que ela pegou e levou à boca, enquanto ela mesma gemia debaixo da mesa.
- Ah, Videl – eu grunhi, sentindo aquele calor no meu pênis... – Videl... aah...
- Gohan... – eu a ouvi dizer, o que era estranho, porque ainda sentia sua boca ao redor do meu...
- GOHAN, ACORDE, VOCÊ VAI SE ATRASAR PARA A ENTREVISTA DA FACULDADE- Videl gritou, mas estranhamente foi a voz do meu pai que eu ouvi, vindo de um lugar que não era debaixo da mesa.
Então eu acordei. Fiquei olhando para o teto resignado, percebendo que o sonho havia feito com que eu acordasse com uma ereção do tamanho da minha frustração de virgem.
Meu poderoso Kami. Eu tinha tido mais um sonho erótico bizarro com enredo de filme pornô com historinha envolvendo eu e Videl. Cada dia eles se tornavam mais estranhos. No começo eu sonhava com a escola, mas naquela semana eu já tinha sonhado que transava com ela dentro de um carro esporte que eu nem sonhava em ter e também que eu tinha ido limpar a piscina do Mr Satan e a encontrava fazendo topless sobre uma espreguiçadeira flutuante.
- Preciso ajeitar a casinha do vovô Gohan – eu murmurei, pensando em coisas como macarrão sem molho ou a minha roupa de Super Sayaman para diminuir a minha ereção, o que não deu muito certo a partir do momento em que eu também já havia sonhado que transava com a Videl vestido de Sayaman.
Como a batalha estava perdida mesmo, eu corri para o banheiro e tranquei a porta, sem esquecer que eu não podia me atrasar para a entrevista da Universidade.
Mas correu tudo bem na entrevista, e claro que não fui entrevistado por uma versão tarada da Videl e sim por um senhor careca de bigodes que apertou minha mão todo feliz no final da entrevista dizendo que eles precisavam de cérebros como o meu.
Eu voltei para casa, e como eu precisava do meu cérebro funcionando perfeitamente se quisesse ficar bem na universidade, decidi procurar pela tal cabana, aproveitando que as aulas haviam acabado na véspera e eu teria três dias para ajeitar tudo. No sábado teria o baile de formatura e domingo a Videl viria almoçar com minha família... seria o momento ideal para um passeio pela floresta durante a tarde.
Eu e Videl só nos veríamos na formatura, porque o Mr. Satan havia agendado uns compromissos e pretendia levá-la com ele já que as férias haviam chegado. Era a melhor hora para agir.
Me embreenhei no mato logo depois do almoço. Eu conhecia bem aquela floresta onde eu tinha me perdido várias vezes quando era criança. Lembrava bem onde era a cachoeira, mas tive que voar um bocado por cima da floresta até achar uma pequena casa que parecia com a nossa, mas era umas três vezes menor.
A péssima notícia era que a porta tinha caído. E a chaminé tinha desabado. E tinha umas cinquenta teias de aranha ali dentro, todas habitadas por aranhas gozando da mais perfeita saúde. Eu entrei na casa, pensando em quanto tempo eu ia precisar para limpar aquilo tudo. A casa só tinha três cômodos: um quarto que também era sala, um banheiro que não tinha água e uma cozinha minúscula.
Eu abri as duas janelas e observei o pequeno chalé, avaliando o estado da mobília, que não era dos mais animadores: a mesinha da cozinha estava rachada e o banco perdera uma perna, ou seja, estavam os dois imprestáveis. Mas o que interessava era a cama, que na verdade era um estrado largo com um velho futton puído nas beiradas. Cheguei mais perto para olhar e percebi que não era um futton, mas sim um ecossistema.
Moravam no futton do velho chalé do vovô Gohan uma variedade de insetos como baratas, besouros, larvas desconhecidas, sem falar dos escorpiões, aranhas e lacraias, que se alimentavam dos primeiros. Aquele futton NÃO PODIA ficar ali. Se eu tentasse trazer a Videl naquele lugar acho que ela nunca mais ia querer me ver.
Eu precisava de um bocado de coragem para pegar o colchão e tira-lo dali. Não sabia exatamente o que eu ia fazer com ele, mas certamente ele tinha que acabar pelo menos a uns cinco quilômetros da cabana. E se o colchão tinha todos esses bichos, a lareira tinha outros tantos, todos morando nos tijolos quebrados da chaminé desabada. Era bem desanimador.
Mas, como eu estava motivado pela grande vontade de ter um canto para transar em paz com a Videl, comecei meu plano de restauração-relâmpago. Passo 1: me livrar de toda mobília que não estivesse em bom estado.
A cadeira e a mesa foram quebradas para virar lenha. Tirei pacientemente os tijolos caídos da chaminé – chutando os escorpiões que insistiam em chegar perto de mim – e os empilhei do lado de fora. Talvez eu conseguisse aproveitá-los para reconstruir a chaminé.
Então era o momento mais complicado: eu deveria pegar o futton e levá-lo para bem longe do chalé. Eu me aproximei do estrado e puxei o futton. Automaticamente vários insetos subiram pelo meu braço, mas eu resisti. Carregando o futton sobre a cabeça, eu o levei até o lado de fora e saí voando.
Sentia coisas me pinicando e algumas ferroadas um pouco dolorosas. Aliás logo eram muitas ferroadas bastante dolorosas, afinal os habitantes do colchão não estavam gostando da mudança forçada. Voei até um lugar onde a mata era densa e fechada e atirei o futton por lá. Mas ainda sentia um monte de bichos em cima de mim. Por isso eu voei até a cachoeira e me meti embaixo dela para que a água carregasse os insetos que restavam.
Suspirei aliviado e voltei para a cabana. Percebi que ainda havia uma infinidade de insetos por lá e decidi que eu iria voltar no dia seguinte com uma vassoura e algumas latas de inseticida. Pelo menos o futton de filme de terror não estava lá.
Mas isso me levava a um novo problema: eu não tinha mais um futton. Não ia levar a Videl para transar comigo ali no chão duro. Suspirei resignado e decidi pedir um dinheiro para o meu pai para comprar o futton. Mas antes eu tinha que descobrir porque meu corpo todo estava coçando tanto.
Voltei voando para casa, mas minha cabeça estava doendo e eu acho que eu estava um pouco quente. Quando pousei no quintal, vi meu pai e acenei para ele. O estranho é que eu não estava conseguindo enxergar direito, parecia que meus olhos estavam se fechando sozinhos. Meu pai veio correndo até mim e disse:
- Gohan, meu filho, o que aconteceu com você?
- Ahn? – eu respondi e acho que desmaiei.
Acordei com alguma coisa sendo enfiada na minha boca e ouvi meu pai dizendo:
- Mastigue, Gohan.
Quando comecei a mastigar, tudo começou a voltar lentamente aos eixos: meu pai tinha colocado uma semente dos deuses na minha boca. Pisquei várias vezes os olhos, que agora eu conseguia abrir e olhei em volta. Eu estava no meu quarto e meu pai estava sentado na beira da cama.
- Agora me diga o que você foi fazer e como arrumou todas aquelas ferroadas de lacraia.
Eu cocei a cabeça e contei onde eu tinha ido e o que tinha feito. Meu pai disse consternado:
- A culpa é minha, então... não imaginava que tinha acontecido tudo isso com o chalé do vovô. Acho melhor você desistir e...
- O quê? Não! – eu sentei na minha cama, ereto e indignado. – Eu preciso ajeitar o chalé, papai! Esqueceu da minha situação?
- Filho, acho que você não entendeu a situação... você teve uma reação alérgica tão horrível que eu entrei no seu quarto contigo pela janela e me teletransportei para a torre do mestre Karim e peguei uma semente dos deuses com ele escondido da sua mãe porque ela ia dar um ataque se te visse daquele jeito. Eu não posso deixar você voltar lá.
- Mas eu tirei os insetos... agora só faltam algumas aranhas... pai, eu não posso mais esperar...
Meu pai me olhou, entendendo a situação, e me disse:
- Amanhã eu te ajudo com essa limpeza, então.
- E tem mais uma coisa, pai... preciso de um futton para a cama de lá.
Meu pai riu e disse:
- Ok, Gohan... eu consigo um futton para você.
Naquele dia eu não consegui falar com a Videl por Skype, ela estava numa viagem com o Mr. Satan. Mas dormi mais tranquilo, mesmo tendo sonhado que transava com a Videl na cachoeira onde eu tinha me jogado para me livrar dos insetos.
Meu pai cumpriu a promessa dele de me ajudar, ainda levou vassouras e me ensinou a usar a bomba de água manual que tirava água do poço e levava para a casa. Ele também ajeitou a chaminé e conseguiu uma mesinha para a cozinha e um futton. No fim do dia, quando aparafusamos a porta, já parecia outro lugar. E quando terminamos de pintar, parecia uma casa muito decente, embora pequena.
Eu mal podia esperar para levar a Videl para lá, mas tinha que esperar até o domingo. E ainda era quinta-feira.
Naquela noite eu estava me preparando para dormir quando o meu skype chamou e eu vi que era a Videl. Rapidamente tirei a camisa para atendê-la, esquecendo completamente que ela ainda não devia ter voltado para casa. Quando o rosto dela apareceu na minha tela eu fiz uma pose que eu imaginei que era bem sexy e disse:
- Oi, minha gatinha... por que você ainda está toda vestida?
Ela cobriu o rosto com uma das mãos e disse, toda sem graça:
- Gohan, eu estou numa lan house! Ainda estou viajando com meu pai, esqueceu?
Nunca dei tantas graças a Kami-sama por só ter tido tempo de ter tirado a camisa... ia ser bem chato se eu tivesse resolvido tirar tudo e ficar em pé diante da webcam com a Videl estando num lugar público e lotado...
Mas pelo menos agora eu sabia que a minha virgindade estava com os dias contados (assim eu esperava).
Notas:
1. Como se diz na gíria popular, eu trollei todo mundo começando o capítulo com um sonho erótico, hahahahahaha
2. Para quem não está habituado "pornô com historinha" era um tipo de filme que se via muito nos anos 80 em que uma coisa banal levava a uma maratona de posições sexuais bizarras. O homem podia ser o encanador, o bombeiro, ou ainda, o clássico: o limpador de piscina. Eventualmente podia ser um super herói, mas acho que o Sayaman não desperta a libido de absolutamente ninguém...
3. Como já disse para vocês, várias dessas situações que eu narro aqui me foram contadas por pessoas em algum momento. O caso do cara sem camisa querendo se exibir para uma menina que estava numa Lan House foi BEM PIOR do que o do Gohan. Mas eu já tinha zoado ele tanto no capítulo que fiquei com pena do pobrezinho.
4. Cenas dos próximos capítulos: alguém vai ser pego com a mão na massa e a boca na botija. Façam suas apostas.
