NOTAS IMPORTANTES:Naruto não pertence a mim, pertence ao Masashi - Kishimoto, essa história é somente para o divertimento dos fãs alucinados por histórias de amor e drama.
LEGENDA:
Os primeiros raios de sol da manhã incendiavam a rua por pouco escura =Narração normal.
- = Mudança de espaço ou de tempo, vocês entendem.
"Não vivíamos para morrer, vivíamos para matar, porque o gosto do sangue nos lábios e nas mãos era muito convidativo." =Citação de algum personagem, no caso de Pain.
- A tarefa foi cumprida? = Fala ao telefone
QUANDO A LETRA FOR MAIÚSCULA NA HISTÓRIA SIGNIFICA QUE ELA É IMPORTANTE.
Antes do Amanhecer
Por Yuuki ai
Capítulo VIII – O amor não se escolhe
"O amor existe para nos tornar melhor do que um dia fomos." Konan
Porta trancada. Janelas fechadas. Lábios inchados. Cabelos bagunçados. Respirações ofegantes. Roupas amassadas. Corpos próximos. Sussurros apaixonados.
Olhava-a com ternura. Por quanto tempo mais ele teria que dividir seu coração? Quanto tempo mais demoraria a ela perceber que ele era o melhor? Faziam mais de dois meses que Pain a visitara, e deixara um novo rastro de amor em seu coração. Um amor que parecia estar sendo cada vez mais alimentado e fortificado pela esperança que ela mantinha no peito com os batimentos.
- Quer mesmo fazer isso Konan? – Indagou incerto de sua resposta. Talvez ele estivesse precipitando as coisas, mas por algum motivo, aquele ato parecia o certo a ser feito.
- Nagato.. Se eu não quisesse não estaria aqui agora. – Murmurou tentando não parecer seca.
O peso masculino estava sobre o corpo de Konan, exercendo uma pressão para baixo. As roupas estavam um pouco amassadas pela posição, no entanto permaneciam intactas, nenhuma peça fora do lugar. Não tinham certeza de como tinham ido parar no quarto. Talvez tivesse começado quando Konan precisou do reforço de química, ou quando Nagato não resistiu a beijar uma de suas mãos que estava sobre a mesa segurando um lápis nervosamente.
Mas talvez tivesse mesmo começado a partir do momento que se olharam nos olhos quando os lábios deixaram a pele macia da mão para continuar a trilhar seu caminho de beijos até o pescoço desnudo, foi como se instantaneamente, eles precisassem daquele contato, como se fosse destino, inevitável.
Encarou os orbes azulados e franziu um pouco as sobrancelhas quando Konan afastou um pouco da farta franja dos olhos lilás sorrindo divertidamente querendo observar aqueles olhos incomuns e bonitos.
- Só queria.. Que enquanto isso, você tivesse apenas a mim em sua mente. – Confidenciou largando o peso sobre o corpo sinuoso enquanto encaixava-se a curva do pescoço cheiroso da garota.
Sorriu com o medo do rapaz. Não era difícil pensar somente em Nagato. Mas também não era nada difícil pensar em Pain. Não sabia direito o que pensar. Estava realmente confusa. A cada vez que Pain aparecia seu coração disparava como uma criança, a cada vez que pensava nele isso ocorria. Mas quando pensava no seu outro ruivo, o que a consumia era ternura, carinho, proteção. Tinha vontade de proteger Nagato de qualquer mal naquele mundo. Ele era tão puro!
Pain não precisava de proteção. Ao contrário, quando estava com o líder, ela era a garotinha indefesa que precisava de proteção! E por mais que quisesse, era realmente impossível negar a sensação gostosa de carinho implícito que o Akatsuki passava.
- Sabe que quando estou com você Nagato-kun, penso apenas em você. – Chamou-o com uma voz fofa que o fez soltar uma risadinha baixa de satisfação. O ruivo voltou-se para cima e olhou diretamente nos orbes oceânicos fazendo Konan corar.
- Sim, eu sei.
Aproximou-se devagar roçando seus lábios com os da garota e logo tomou-os para um beijo apaixonado. Sentia-se acolhido perto de Konan, como se tudo fosse simples e bonito, mesmo sabendo que os meios que estava tomando para conseguir afeto dela fossem totalmente errados.
Acariciou a cintura fina emoldurada pela camisete da escola e começou a abrir os botões delicadamente para que Konan não achasse ruim, ou que estava indo rápido demais. Sua intenção era faze-la aproveitar, aproveitar como se fosse Pain em seu lugar.
Queria que a jovem o amasse assim como sabia que ela amava o líder da organização. Quando falava dele, até o modo de dizer seu nome era diferente, era como se sonhasse acordada com tudo que imaginasse. Isso fazia o monstro dentro de Nagato que nem o mesmo conhecia rugir ferozmente implorando pela morte de Pain.
Uma das mãos passeou pelas coxas firmes apertando algumas vezes até que encontrou o zíper da saia puxando-o para baixo retirando aquela vestimenta que não permitia uma aproximação maior, o que não era bom.
Konan gemia baixinho enquanto sentia as carícias do ruivo, e por um segundo sua mente pensou ser Pain sobre si, não Nagato. Mas quando voltou a abrir os orbes oceânicos encarou os olhos lilás muito perto, perto o bastante para fazê-la se sentir um pouco estranha.
Passou os braços pelo pescoço do rapaz e o puxou ainda para mais perto. Nagato desceu trilhando uma linha de beijos até a clavícula emoldurada pela pele alva e com ambas as mãos começou a abrir os botões da camisete, deixando a mostra o sutiã preto que a garota usava.
Explorou calmamente com a boca a região entre os seios, e logo já havia se livrado da peça íntima e apreciava pela primeira vez a tez de um dos seios da azulada, e a outra mão massageava o outro mamilo deixando-o rígido. Konan inconscientemente enterrou ambas as mãos nos fios avermelhados puxando-os para mais perto.
O rapaz retirou a própria camisa deixando que Konan arranhasse felinamente o peito desnudo e não muito malhado de Nagato. Em seu interior Konan fez uma comparação mental entre os dois homens, mas decidiu não se focar muito nisso, caso contrário o ruivo perceberia que havia algo errado no modo que ela o olhava.
Voltaram a beijar-se enquanto o jovem descia as mãos para a última peça de roupa que o impedia de juntar-se a garota de todas as formas. Deixou os lábios rosados de lado alguns instantes e observou a pequena peça emoldurando a feminilidade da jovem. Konan sorriu timidamente quando Nagato devagar escorregava a peça por suas pernas.
Ele era tão diferente de Pain. Apesar de o líder ser apático, muitas vezes falar calmamente, e também ser ruivo, quando fizeram sexo a terceira vez, ele havia sido mais urgente, como se necessitasse dela, não fora como da primeira vez que ele tivera um pouco mais de cuidado. Pain correu contra seu próprio corpo quando possuíra a segunda vez, não deixando quase nenhum espaço para que desse tempo de Konan refugar.
Mas Nagato estava sendo paciente, talvez fosse pela falta de experiência, ou talvez fosse por estar tentando aproveitar ao máximo aquele momento como se fosse o último. E pensar nisso a deixava um pouco desconfortável, não queria sentir como se fosse a última vez, mas alguma coisa em seu interior a deixava um pouco angustiada pensando no dia de amanhã. Será que depois de se entregar a Nagato, as coisas continuariam a ser como eram?
Libertou-se de seus pensamentos quando sentiu algo molhado tocar-lhe na intimidade, e pode visualizar a língua ávida e lasciva adentrando a cavidade úmida explorando-a sem pressa alguma. Sentiu o interior de seu corpo explodir em fagulhas e jogou a cabeça para trás arqueando as costas num gesto de prazer.
O ruivo abandonou a feminilidade para conseguir abrir o botão da própria calça. O membro já estava machucando-o devido ao desejo que sentia, a pulsação estava forte fazendo algumas veias do mesmo ressaltarem-se. Aproximou-se da azulada fazendo com que Konan afastasse mais as pernas para recebe-lo ali.
Invadiu a garota enquanto a olhava nos olhos. Por um segundo pode vislumbrar um brilho triste naqueles orbes azuis que mais lhe agradavam no mundo. Mas logo o brilho desapareceu dando lugar a um sorriso que ela mostrava para ele querendo dizer que estava feliz, e feliz com ele, com a sensação de tê-lo ali com ela.
Era quase como uma dança ritmada. Os quadris se chocavam suavemente. Para Nagato era uma sensação totalmente nova, algo que jamais havia sequer imaginado, e na realidade era muito melhor do que apenas por sonhos. A cavidade úmida era apertada fazendo seu membro pulsar ainda mais e apertar-se querendo ir mais fundo.
Um ritmo mais acelerado tomou conta da ação e logo o ruivo também gemia descontroladamente enquanto uma das mãos se fechava sobre a carne dos seios macios, e a boca procurava de maneira desesperada os lábios rosados da jovem. Era quase como se estivesse explodindo em fogo e congelando-se em seu interior ali naquele momento, não queria deixa-lo ir.
Konan sentiu um espasmo brusco passar zunindo por seu corpo, estava em seu ponto máximo, e o grito antes preso na garganta, eclodiu em um suspiro alto o bastante para fazer Nagato sorrir internamente, e logo sentiu ficar mole, quase sem nenhuma energia. Apenas continuou o movimento até que o parceiro chegasse ao ponto máximo também, o que aconteceu alguns momentos depois.
Caiu sobre o corpo sinuoso abaixo de si suspirando pesadamente enquanto sentia os cabelos serem acariciados pela jovem que tinha a respiração um pouco alterada. Sentia o peito ir e vir e ambos mantinham-se em silencio. Cada qual com seus próprios pensamentos.
Konan estava em uma batalha interna entre suas partes, onde uma dizia que ela acabara de fazer sua pior escolha, e algo ruim aconteceria, e a outra parte que dizia que ela finalmente estava no caminho certo para se desvencilhar de uma vez de todas as memórias que mantinha do ruivo assombrando-a como sempre.
Queria realmente estar certa, mas porque não se sentia tão segura de sua escolha? Queria muito poder saber se havia tomado a decisão certa se aprofundando com Nagato. Mas como poderia saber como seriam as coisas dali para frente? Era quase impossível decidir qual das partes preferia apoiar, então preferiu abandonar ambas focando-se no momento.
- Konan.. – Sussurrou o jovem perto da curva do pescoço pálido.
- Sim?
- Eu te amo. – Pronunciou seguro daquelas palavras. Queria que Konan se sentisse da mesma forma, pois em sua mente, acabara de fazer amor com ela, jamais chamaria aquela experiência de apenas sexo.
Havia sido pega de surpresa. Tudo que rezara e mentalizara para que não acontecesse estava acontecendo naquele momento. Não sabia o que responder ao ruivo. Ou melhor, sabia mas não seria justo dar aquela resposta a ele, não era a resposta que ele esperava. Gostava de Nagato, era correto dizer assim. Gostava da maneira que ele a tratava, ou de como ele a fazia se sentir, de como seus beijos eram suaves, e de como a sua voz ficava doce quando chamava seu nome. Mas sabia que no fundo, amava somente uma pessoa, e não conseguiria deixar de amá-la, não importando quanto tempo passasse, ou quantas coisas ocorressem.
- N-Nagato.. Não sei a resposta. – Confidenciou com a voz um pouco tremida com medo da reação que o jovem teria. Sentiu os ombros masculinos se tornarem tensos por alguns segundos e logo depois relaxarem. Nagato suspirou e respondeu.
- Eu disse que te daria o tempo que fosse preciso, e não vou desistir de você Konan, principalmente depois de hoje. – Disse por fim. Levantou-se se desencostando da garota e olhou em seus olhos.
Lilás e azuis. Konan estava com medo de que ele lesse por dentro de sua alma, tamanha a intensidade que ele a observava, como se buscasse por tudo que ela não estava dizendo. Mas por fim apenas sorriu e acariciou sua bochecha levemente corada por toda a ação de minutos antes. A jovem sorriu de volta e colocou sua mão por cima da do rapaz sentindo seu calor.
- Obrigada por entender. – Desviou o olhar para sua cabeceira onde seu celular estava. Uma vontade de ligar naquele momento para falar com Madara a invadiu. Precisava muito falar com alguém com quem tivesse uma relação somente de amizade, precisava de algum conforto para saber se o que fazia era o certo.
Precisava que alguém lhe dissesse que caminho seguir, pois nem a mesma sabia mais qual era a escolha certa. E talvez não quisesse saber também.
- Vou deixar você sozinha um pouco, você deve ter muito no que pensar... – Levantou-se da cama juntando suas peças de roupas rapidamente enquanto tentava se vestir andando pelo quarto.
Konan observava o jovem tropeçar nas próprias calças e ria divertida quando ele perdia o equilíbrio. Por fim o mesmo conseguiu se vestir adequadamente e foi para a porta do quarto acenando para a garota que não havia se mexido um centímetro na cama. A azulada se limitou a acenar também, e soltou os ombros antes tensos quando percebeu estar sozinha no recinto.
Estava andando pelos corredores da escola sem rumo. Não queria ir para seu quarto e deitar-se pensando nas últimas palavras de Konan. Ela não sabia a resposta, depois de dez meses ela ainda não sabia a resposta sobre seus sentimentos. Não sabia mais o que fazer. Já imaginava ter feito de tudo ao seu alcance para conquistar os sentimentos da garota e até aquele momento ela só gostava dele..
Isso era a prova viva de que o amor não se escolhia, e que não era preciso um motivo para se gostar de alguém, pois se fossem pelos motivos, Konan jamais amaria Pain, não cultivaria por ele nenhum tipo de sentimento igual ela cultivava.
Doía pensar no que ele estava fazendo por trás dos panos. O que Konan pensaria dele caso um dia ela descobrisse o que ele estava tramando juntamente com alguém muito misterioso? Ela o repudiaria para sempre caso passasse perto de imaginar que ele estava tendo qualquer tipo de envolvimento em algo que fosse contra Pain. Ela jamais o perdoaria.
Mas que escolha ele tinha a não ser tirar o jovem da face da terra para que ele pudesse ao menos ter uma chance mais digna contra ele? Sabia que enquanto Pain estivesse naquele mundo, sua batalha contra ele seria sempre desigual, por mais que ele não estivesse diretamente na batalha.
Imaginava quando o tal plano do homem com quem sempre falava no telefone seria concretizado, e como. Algumas vezes jurou estar sendo manipulado, mas naquela altura tinha medo de voltar atrás e aquela decisão acabar custando a sua vida. Então era melhor arriscar a vida do líder da organização do que a própria.
O celular começou a tocar insistentemente no bolso, e Nagato rezou para que não fosse o homem, poderia ser qualquer pessoa, menos ele. Não saberia o que dizer, ou como se portar. Aquele não era o melhor momento para conversar sobre a morte de outra pessoa.
Nagato olhou temeroso para a tela do telefone. Sabia que se não atendesse, a figura sombria ficaria furiosa por não ter resposta. Tremeu um pouco antes de agarrar o telefone e visualizar o número. Era ele. Atendeu com a voz estremecida e tentou soar convincente de que estava tudo bem.
- A-alo? – Vacilou já na primeira palavra gaguejando.
- Garoto, aconteceu alguma coisa? – A voz soou maliciosa, como se o homem sorrisse.
- Não, e-esta tudo bem! – Disse rapidamente enquanto uma das mãos afastava a franja dos olhos.
- Hm.. Queria te dizer que tudo esta correndo bem, e logo nosso plano de eliminar Pain dará certo. – Uma risada foi ouvida. – Logo Konan será inteiramente sua. E ela jamais saberá de nada!
- S-sim! – Disse o ruivo tentando parecer feliz por saber que logo Pain não estaria mais entre eles, mas algo ainda estava suspeito naquela história.
- Você não parece muito feliz.. – A voz pronunciou com desgosto. – Se estiver querendo sair agora, as conseqüências não serão muito boas, acredite. – O tom de ameaça causou um arrepio na coluna no jovem e um frio no estômago quase o fez se contorcer.
- Eu sei! – Concordou. – Tenho aula agora, preciso ir! – Não deixou nem que se despedisse e desligou o celular rapidamente guardando-o no bolso quase correndo para seu dormitório.
Naquele momento, havia percebido que alguma coisa estava errada, muito errada. Mas rezava para Konan jamais soubesse de nada.
Estavam reunidos na sala de estar da casa repassando os últimos detalhes da missão. Levariam alguns dias fora da casa, graças a missão que Kakashi os dera para irem a Taiwan completar o penúltimo estágio do Narcotráfico que estava sendo interceptado por outros contrabandistas subordinados do maldito Orochimaru que estavam roubando toda a carga que pertencia a Akatsuki.
Pain batia os dedos impaciente na mesa do telefone enquanto Madara ajeitava o rifle em um dos lados por dentro da capa. O resto da Akatsuki estava espalhada pela casa terminando de arrumar as próprias coisas. Não seria uma viagem muito longa, no máximo um dia ou dois, seriam coisas simples, nenhum dos subordinados de Orochimaru chegava sequer aos pés de qualquer um dos assassinos da Akatsuki.
- Pain, o que esta te incomodando? – Perguntou o moreno observando a impaciência do ruivo que agora o encarava apático.
- Nada. – Respondeu alguns segundos depois.
Estava considerando a idéia de haver alguma coisa errada com aquela missão. Era muito suspeito que do nada Kakashi dissesse que havia problemas com interceptação de carga. Aquele problema já deveria ter sido notado a muito tempo, afinal nada escapava dos olhos eficazes do líder da Yakuza.
Perguntava-se interiormente se Orochimaru tinha alguma coisa haver com qualquer coisa daquela missão, tirando seus subordinados que estavam interceptando a carga. Precisava descobrir rapidamente se aquele porco nojento estava planejando algo.
Precisava acabar com aquela inquietante agonia que estava instalada dentro de si. Jamais poderia dar-se ao luxo de imaginar que estaria em paz, e Konan inclusive enquanto aquele verme estivesse no mesmo mundo que ele. Temia apenas pela vida da garota, sua própria vida já havia visto a morte de perto várias vezes, derramamento de sangue era algo o qual ele estava acostumado, mas não queria ver o sangue carmim da garota escorrendo onde quer que seus olhos pudessem ver.
- Vamos, antes que eu mate algum de vocês. – Pronunciou frio andando para fora da casa. Teriam que ir até o aeroporto onde pegariam um dos jatos de Kakashi.
A formação se organizou e logo a casa estava sendo deixada para trás sem ninguém. Desaparecendo em meio a escuridão do fim daquele dia que anunciava a Lua brilhando sozinha e majestosa no céu.
Pain deu uma última olhada para o céu, e abaixou a cabeça quando a imagem de uma certa jovem dos cabelos mais azuis do que o céu noturno e com os olhos mais brilhantes que as estrelas tomou conta de sua mente. Negar tudo aquilo estava se tornando mais que impossível para ele do que parecia ser. Mas era a vida de Konan, a vida que tinha salvação, não a vida que seria desperdiçada ao lado de um demônio.
Konan estava deitada e sua cama em quanto observava o padrão da madeira que ia e vinha numa linha reta e constante. Estava pensando seriamente em tudo que acabara de acontecer, e em como se sentia estranha por ter compartilhado de um contato mais íntimo com alguém que não fosse Pain. Não parecia muito certo.
Mas ela precisava esquecer, precisava colocar na cabeça de uma vez que ela jamais teria Pain de volta, jamais o veria. Justamente porque ele não queria vê-la, não se importava em deixá-la sangrando por sua causa, ou desamparada. Ele simplesmente parecia não se importar.
Sentiu o telefone começar a vibrar no bolso da saia e logo o pegou vendo o número. Nunca o havia visto e a bina identificava que era um número de outro país. Pensou seriamente em não atender, mas por fim a curiosidade acabou vencendo.
Sentou-se na cama cruzando as pernas uma sobre a outra não se importando que apareceria sua calcinha, estava sozinha em seu quarto. Colocou o telefone em uma das orelhas e atendeu.
- Alô?
- Finalmente a oportunidade de falar com você. – Respondeu uma voz com um timbre rouco e malicioso do outro lado da linha.
- Quem fala? – Konan perguntou tentando saber quem era o homem com quem falava, não reconhecia a voz.
- Ainda não fomos apresentados devidamente, mas em breve seremos, acredite. – O homem deu uma risada baixa que ecoou por toda a mente da garota.
- Certo, quem quer que esteja fazendo essa brincadeira, que vá para o inferno! – Disse mal criada pronta para desligar o telefone na cara de quem quer que fosse.
- Pain sofrerá as conseqüências caso desligue agora. – Chantagiou.
- C-como sabe de Pain? – Perguntou com a voz um pouco tremida. Uma das mãos se enroscou nos cabelos azulados enquanto a feição angelical mostrava uma preocupação evidente.
- Eu sei de tudo, muito mais do que você imagina. – Orochimaru revirou os olhos do outro lado da linha e passou a língua enorme pelos lábios molhando-os.
- Eu não acredito e-em você! – Tentou parecer segura do que dizia, mas no fundo um temos já se alastrava por todo seu corpo.
- Acredite se quiser, eu possuo o que mais te importa. – Anunciou entre dentes.
A jovem desligou o telefone rapidamente segurando-o em frente a seus olhos apoiado na boca. Não era possível, tinha que ser um trote, tinha. Pain não estava nas mãos de ninguém, ele estava na sede da Akatsuki em Tóquio, não tinha como.
A mente estava se apertando pensando nas possibilidades de ser possível que ele estivesse com outra pessoa como refém, ele era Pain, pelo amor de Deus, era o assassino mais frio e mais habilidoso que ela sequer poderia imaginar, ele não seria controlado por ninguém, ninguém!
O medo estava começando a tomar conta de sua mente quando por fim decidiu ligar para o celular do ruivo, precisava ter certeza de que tudo não passava de uma brincadeira horrível e que o jovem estava bem.
Começou a discar os números rapidamente e logo o telefone estava chamando. A cada chamada que ele demorava para atender, a cada segundo, se tornava desesperadora a situação. Sentia os orbes oceânicos se inundarem diante daquela possibilidade. O ar estava escapando como se não pudesse controlar a própria respiração e os batimentos estavam acelerados.
O telefone chamou até cair a ligação e a jovem respirou fundo tentando pensar. Onde ele poderia estar naquele momento? Poderia ter saído para alguma missão, ou o celular poderia estar longe dele, só podia ser! Decidiu ligar diretamente para a sede, onde qualquer um que atendesse saberia responder se Pain estava ou não bem.
O número já se encontrava na discagem rápida e foi apenas esperar para que começasse a chamar insistentemente. Um segundo, dois segundos, três segundos.. Trinta segundos e nada. Caiu na caixa postal, e a azulada achou melhor deixar uma mensagem para qualquer um ver.
- Pain? Pain é a Konan, você esta aí? – Soluçou engolindo a frase. – Por favor... Me liga quando ouvir isso! – A voz chorosa não parava de soluçar ao telefone. – Me diz que você esta bem!
Estava ofegando e sem ar a cada palavra que dizia, a cabeça rodava e o coração doía. Aquela possibilidade não existia! Ele não poderia ter sido seqüestrado por ninguém!
Sentou-se na beirada da cama tentando limpar as lágrimas que aquela altura já haviam transbordado e o rosto já se encontrava vermelho. Precisava de alguma informação, precisava naquele momento!
Os joelhos cederam atingindo o chão ferozmente, uma das mãos deu apoio para não tombar, enquanto a outra ainda permanecia apertada forte ao telefone, mesmo já tendo terminado de gravar a mensagem de voz.
- Não pode ser.. Não.. – A mão que antes segurava o telefone deixou-o atingir o chão com força enquanto se sentava e agarrava os joelhos enterrando o rosto no meio deles deixando que as lágrimas caíssem por sua saia manchando-a com dor.
O telefone tocou novamente e a azulada ergueu apenas os olhos vendo o número na tela. O mesmo número de alguns minutos antes. Pegou o telefone e gritou com toda a sua força.
- O que quer? O que quer para solta-lo? – Indagou furiosa erguendo-se enquanto sacudia as mãos no ar.
- Se não se acalmar, sinto em dizer que não terá nenhuma informação. – A voz continuava com o mesmo timbre perigoso e calmo de minutos antes. Mas agora parecia se divertir diante do desespero da azulada. – Vai ficar quietinha e me ouvir?
- Vou sim... – Rendeu-se ainda hesitante. Sentou-se na cama apoiando um dos cotovelos no joelho segurando a cabeça que estava tombada para frente. A outra mão segurava o aparelho novamente contra o ouvido ao ponto de quebra-lo se tivesse força o suficiente. – Vou ouvir.. – O corpo todo estava trêmulo, e a visão embaçada pelas lágrimas que caíam ferozmente pelo rosto alvo.
- Ótimo, sabia que seria uma garotinha inteligente. – Pausou um pouco rindo. – Vou dizer o que fazer. – Suspirou e voltou com uma voz mais séria. – Um subordinado meu irá ao encontro de vocês no seu colégio, ele assinará como um representante de seu tutor retirando-a do colégio. E caso te perguntem, você afirmará.
- Certo, mas.. Vocês quem? – Estava confusa, de quem aquele homem poderia estar falando?
- Ah sim, esqueci que você não sabia Konan. – Sussurrou risonho. – Você e seu namoradinho, Nagato.
- O que Nagato tem haver com isso? – Questionou com a voz aumentando um tom.
- Você saberá no tempo certo. Faça o que eu mando. – Respondeu impaciente de maneira grossa o que fez a adolescente se calar apenas ouvindo.
- S-sim..
- Logo mais finalmente nos conheceremos, famosa Konan.. – Cada sílaba do seu nome pronunciada por aquela voz a fez se enjoar e o estômago se contorcer em agonia.
Ao fim dessas palavras Konan percebeu que a ligação havia sido encerrada. Tirou o celular da orelha e o levou até a beirada da cama. Afastou-se sobre ela até estar encostada a parede. Subiu os joelhos segurando-os no peito e posição fetal e encostou a testa nos mesmos deixando que as lágrimas rolassem.
Como mesmo sua vida tinha decido do paraíso ao inferno em menos de vinte e quatro horas? Era injusto pensar em qualquer entidade divina naquele momento. Toda vez que sua felicidade parecia um pouco maior, algo sempre acontecia para estragar, primeiro com Pain, e agora com Nagato. O que Nagato teria haver com tudo aquilo? Era quase impossível de imaginar.
Ele era Nagato, umas das únicas pessoas – Retirando Madara – Que a entendia perfeitamente, que não julgava nenhuma das suas ações e sempre estava ali por ela quando ela precisasse. Não imaginava que ele fosse capaz de fazer mal a qualquer pessoa, não fazia parte da personalidade do ruivo ser rude, ou intimidador.
E Pain, onde estaria Pain naquele momento? Estaria ele em alguma vala maldita, ou em qualquer beco escuro sofrendo alguma tortura? Não queria nem imaginar que qualquer coisa de mal pudesse estar sendo feita contra ele. Só de pensar nisso o peito se contorcia em uma agonia profunda, como se estivessem a machucando também.
Precisava fazer alguma coisa, precisava ver Pain e ter certeza de que ele ficaria bem, e precisava ser naquele momento.
Levantou-se como um raio e nem se deu ao trabalho de colocar as meias ou os sapatos. Disparou porta a fora descalça e com o cabelo esvoaçando por todo o rosto. Tinha que encontrar Nagato rapidamente e saber o que tinha acontecido, se ele tinha idéia de alguma coisa, e se ele poderia ajudá-la. Zuniu por todos os corredores do colégio até chegar a ala dos dormitórios masculinos. Parou em frente a porta do ruivo e começou a esmurrá-la com força chamando pelo jovem.
- Nagato! – Bateu uma vez forte o bastante para que machucasse a mão um pouco. – Nagato preciso falar com você! – Ajoelhou e encostou a testa na porta esperando que o ruivo estivesse lá.
Dentro do quarto Nagato tentava decidir se era certo falar com Konan naquele momento. Sentia que algo ruim havia acontecido para a garota estar desesperada daquela forma, e não queria arriscar errar caso ela dissesse que sabia de algo. O que era quase impossível, uma vez que o homem misterioso havia prometido que ela jamais saberia... Certo?
- Nagato! Por favor... – Sentiu a voz feminina morrer aos poucos dando espaço aos soluços que pareciam cada vez mais alto.
Doía não saber o que fazer, queria muito falar com Konan, acalmá-la com o que fosse, mas estava com medo. Após alguns minutos ouviu os soluços cessarem, e uma dor profunda fez com que ele abrisse a porta devagar olhando para a jovem ajoelhada que se levantou rapidamente o encarando chorosa.
- Nagato! – Abraçou o jovem forte e continuou chorando na curva de seu pescoço molhando toda a camisa social do rapaz.
- Konan, o que houve? – Perguntou fechando a porta enquanto a puxava para que se sentasse na cama.
A adolescente o encarava com os olhos embaçados por causa do choro e a voz embargada estava presa em sua garganta e parecia ter morrido nela, não conseguia falar, a falta de ar em seus pulmões a estava fazendo soluçar alto, alto o bastante para preocupar o jovem a sua frente.
- Konan! – Segurou firme os ombros delicados e os sacudiu forte o bastante para balançar os cabelos azulados e fazer a jovem "despertar" de seu transe. – O que aconteceu?
- Pegaram ele Nagato! Pegaram! – Gritou colocando as mãos uma de cada lado da cabeça apertando os fios de cabelo em uma tentativa inútil de reprimir aqueles pensamentos que a estavam assombrando.
- Pegaram quem Konan? – Indagou um pouco certo da resposta. Esperava realmente que não fosse o que ele pensava, porque se fosse, estaria claro que Konan sabia de mais alguma coisa.
Rezou em seu interior para que não fosse nada daquilo, estava combinado que ela não deveria saber de nada até que o líder da Akatsuki já estivesse morto, ela não deveria saber de nada naquele momento.
- Pain, pegaram Pain! – Chorou. As sobrancelhas finas crisparam-se enquanto com as costas da mão ela tentava reprimir as lágrimas.
- Como assim? – Um relampejo de assombro zuniu por seu rosto e se instalou em seu estômago fazendo com que ele se revirasse como uma montanha russa.
- Eu não sei direito.. Não entendi, só sei que alguém me ligou.. – Respirou fundo contendo os soluços. – Me ligou e disse estar com ele, mandou me reunir com você, pois você tinha algo com isso, e que alguém nos levaria para o aeroporto!
Os olhos lilás arregalaram-se como pratos diante da confissão da garota. Então ele havia dito, havia dito a Konan sobre sua participação em tudo aquilo. Não conseguia acreditar. Não conseguia acreditar que ela sabia.
Baixou o olhar até encontrar o assoalho brilhante no chão, e levou as mãos as têmporas apertando-as levemente tentando pensar em qualquer coisa coerente para que pudesse dizer a ela. Mas nada parecia certo. Nada.
- Nagato, precisamos encontrar quem quer que seja para nos levar ao aeroporto, eu preciso vê-lo, preciso saber que ele esta bem! – Falou com a voz firme segurando o colarinho do jovem que aquela altura a olhava assustado.
- T-tudo bem Konan, nós vamos resolver isso juntos, pode ser? – Perguntou segurando uma das mãos que tremiam entre as suas.
- Pode sim, mas tem de ser rápido!
Nagato ia responder as palavras da azulada quando batidas foram ouvidas da porta. Konan enxugou os olhos pensando que pudesse ser o inspetor, mas quando o ruivo abriu a porta ainda um pouco receoso, pode observar uma figura de cabelos prateados e óculos que refletiam o brilho da luz que entrava pela janela. Kabuto.
- Kabuto, o que quer aqui? – Indagou furiosa levantando-se pronta para ir até o rapaz lhe dr um murro com toda a força que conseguisse.
- Calada garota.. – Suspirou arrumando os óculos enquanto encostava-se ao batente da porta. – Vocês não gostariam de ir ao aeroporto? – Indagou com um sorriso maldoso diretamente lançado para a jovem que teve nos olhos um brilho espantoso.
- C-como sabe disso..? – Perguntou depois de longos minutos apenas observando o rosto de Nagato que estava entre pavor e surpresa.
- Ainda não disse a ela Nagato? – Olhou de esguelha para o ruivo que teve as pernas trêmulas mal suportando seu peso.
- O que tem para me dizer Nagato? – Encarou os olhos lilás e percebeu que Konan agora tinha os olhos carregador de cólera por não saber o que estava acontecendo ali.
Era quase como se fizesse parte de um filme ou livro onde todos sabiam o que estava por vir, e todos os motivos de tudo aquilo estar acontecendo menos ela, a protagonista. Sentia a visão ficar embaçada pela vontade de chorar e gritar para que alguém a explicasse o que estava acontecendo, mas era quase impossível. Nagato continuava a encara-la sem dizer palavra alguma, e Kabuto sorria diante de seu desespero.
- Konan-chan, seu namoradinho vai te explicar tudo no caminho. Agora se quiser ver Pain de novo, sugiro que venha comigo nesse instante, meu senhor odeia ter de esperar. – Pronunciou dando as costas para o casal e rumando para fora do quarto. – Nagato, você deve vir também.
A jovem olhou para Nagato um último instante e correu porta a fora indo na direção do outro que já estava a muitos metros de distância. O ruivo pensou alguns instantes antes de se tocar que perdiam tempo e correu também parando no encalço de ambos que estavam chegando a sala da diretoria.
Kabuto adentrou a sala rapidamente trocando algumas palavras com a diretora e por fim saiu com um sorriso.
- O carro já nos espera em frente a escola. – Konan deu as costas para ambos e correu rapidamente em direção aos grandes portões da escola que já estavam abertos com um C3 preto na frente.
Entrou no carro batendo a porta com força. Encolheu as pernas sobre o banco e abraçou os joelhos. Só podia estar em um pesadelo. Era isso. Não conseguia imaginar nada daquilo acontecendo na vida real. Era quase como se o pesadelo estivesse se tornando real, algo que ela não queria ter que viver.
Pain, como ele estaria? Estava pedindo aos Deuses para que ele estivesse bem, para que nada de mal estivesse ocorrendo com ele. Era quase injusto pensar que mais uma vez ele estaria correndo perigo como já havia sido antes com Zabuza.
Nagato caminhava lado a lado com Kabuto pelo corredores da escola sem muita pressa de chegar até o carro. O jovem de cabelos prateados podia sentir a tensão no corpo do ruivo fazendo com que ele tremesse involuntariamente. Era quase tangível seu medo.
- O que tanto teme Nagato? – Perguntou despreocupado.
- Ele disse a ela, ele não podia ter dito que eu tinha algo haver com isso! – Vociferou enquanto passava as mãos pelos cabelos nervosamente.
- Você já devia saber que isso ocorreria mais cedo ou mais tarde, é muito inocente as vezes garoto.. O mundo esta cheio de pessoas que você não deve confiar. – Respondeu calo chegando aos portões da escola. – Meu senhor ficará feliz em finalmente conhecer Konan.
- Como finalmente? – Questionou olhando diretamente para o outro.
- Em breve saberá. – Deu de ombros e entrou no banco do carona fechando a porta.
O adolescente entrou no banco de trás ao lado da garota que ainda olhava para um ponto vazio a sua frente observando o movimento da rua.
- Está com pressa Konan-chan? – Riu a figura masculina sentada no banco do carona. – Essa pressa não te levará a nada. Apenas um estalo de dedos do meu senhor, e seu ruivo se vai como pó! – Adicionou ele estalando os dedos como escárnio.
Queria mandar que ele se calasse, mas tinha medo de que qualquer palavra errada provocasse qualquer coisa ruim a Pain. E no fim de tudo ele tinha razão. Pain sempre teve razão, ela era apenas um estorvo, alguém irritante que sempre o trazia inúmeros problemas, e esse de longe era o mas sério de todos.
Se jamais tivesse amado-o, se jamais tivesse feito de tudo para que ele se envolvesse ainda que minimamente com ela, naquele momento não estariam metidos naquele poço no qual caíam mais a cada segundo e ele se tornava ainda mais fundo, como se não tivesse volta.
Observou o carro costurar rapidamente entre o engarrafamento, e pouco tempo depois estavam parados em frente ao aeroporto. A azulada desceu parando ao lado de Kabuto que começou a rumar para a área de aviões particulares. O mesmo conversou algumas coisas com uma das balconistas que os encaminhou para a área de embarque.
Konan ficou um pouco para trás andando devagar com seu celular em mãos observando se ele tocava ou se alguma mensagem chegava dizendo que tudo aquilo era um pesadelo e estava prestes a acabar. Mas não. Kabuto fez com que Nagato segurasse o pulso da garota puxando-a para que andasse mais rápido. Estavam atrasados.
O ruivo murmurava sem parar para a garota pedidos de desculpas incoerentes. Konan queria muito saber o que Nagato tinha haver com tudo aquilo, mas só de imaginar já a fazia criar uma repulsa enorme dentro de sua mente. Não conseguia ver seu amigo e namorado se associando aquelas pessoas para pegar Pain.
Pararam em frente a um portão de embarque que os levava para o jato que esperava do outro lado do vidro. Konan estava a milhares de metros de distância dali em sua mente. Imaginava estar de volta a sede da Akatsuki com Pain sendo grosso com ela do mesmo jeito que ele sempre fora quando não passava de uma criança. Preferia aquele tempo do que aquele momento.
- Vamos. – Kabuto praticamente arrastou a garota para dentro do jato prendendo-a no cinto a seu lado. – Nagato va no banco a minha frente. – Murmurou desgostoso enquanto mexia dentro de uma mochila que retirara debaixo do acento.
A azulada observava de esguelha o que Kabuto fazia sem prestar muita atenção. Fechou os olhos tentando expulsar tudo de sua cabeça, nem mesmo sabia para onde estava indo, e nem queria saber, desde que o ruivo estivesse bem, iria até o inferno para garantir.
- Kabuto! – Foi a última coisa que ouviu de Nagato antes do rosto ser tapado por um pano com um líquido de cheiro forte que a fez beirar a inconsciência e desmaiar no colo do rapaz de cabelos prateados. – O que fez com ela? – Questionou Nagato com um timbre alto o bastante para que seu desespero fosse percebido.
- Apenas a coloquei para dormir, não seria nada bom que ela estivesse acordada me fazendo perguntas idiotas. – Revirou os olhos observando o avião decolar pronto para cruzar os céus.
Nagato encarou Konan adormecida. Ela ainda tinha marcas de lágrimas escorrendo pelo rosto. Uma culpa inimaginável o invadiu. Tudo, ele havia provocado, toda aquela situação. Se não fosse o amor que sentia por ela, isso jamais faria ela estar sofrendo naquele momento também, ele não havia conseguido o que queria, que era seu amor, como também não havia conseguido faze-la esquecer Pain.
Era quase como se os dois tivessem uma ligação tão forte, que era quase: Machuque um e machucará ao outro, cure um e curará ao outro. Não entendia que tipo de sentimento era aquele, e temia que não ficasse vivo por muito tempo para descobrir. Temia que Konan também perdesse sua vida e não poderia vê-la sorrir mais uma vez.
Se pudesse voltar no tempo teria feito tudo diferente. Jamais teria sequer falado com a garota, jamais teria se encantado por aqueles orbes azuis brilhantes, ou aquele sorriso caloroso capaz de iluminar a mais escura tormenta. Jamais teria tentando compreender que tipos de coisas passavam pela mente da jovem quando a vira chorando.
Seus motivos egoístas não estavam valendo o preço da dor que Konan estava sentindo naquele momento.
Terminava de limpar os resquícios de sangue que estavam em sua katana. Malditos subordinados burros que temiam tanto a morte. Fizeram com que ele perdesse tempo e ainda tivesse sido altamente irritado por insultos inúteis como "Demônio" "Filho do capeta" ou "Assassino de almas". Nada que já não tivesse ouvido antes.
Suspirou pensando nas palavras de um dos homens de quem torturaram para conseguir algum tipo de informação que lhes seria útil para encontrar Orochimaru, e nada o tirava da cabeça que aquele problema com as cargas havia sido apenas uma distração.
Flashback
"Encarava aqueles olhos negros como se eles o enterrassem em um mar de escuridão negra devorando toda a sua sanidade. Era o filho do demônio que estava ali lhe tirando a paz. Olhou em volta tentando encontrar alguma piedade no resto dos rostos presentes, como se ainda conseguisse poupar a sua vida.
Mais uma vez a katana foi enfiada em seu dorso longe de qualquer ponto vital. Precisava daquele infeliz que parecia ser o mais esperto de todos ali.
- Responda. – Pronunciou o líder frígido enquanto segurava os cabelos da nuca do homem e puxava sua cabeça para trás para que ele olhasse bem em seus olhos.
- E-eu não sei! – Tentou dizer. As lágrimas de medo escorriam pelo rosto já idoso e enrugado do homem.
- Então terei que fazer com que se lembre. – Respondeu o líder lhe lançando um sorriso sádico. – Kisame. – Chamou.
O Akatsuki com feições de tubarão se aproximou do homem sorrindo com os dentes pontiagudos. Encarou os orbes temerosos do senhor e tomou um dos braços em seus dentes deixando com que o sangue corresse livre pelo local onde antes havia a carne. O contrabandista gritou em agonia quando sentiu seu membro ser arrancado com força e o sangue jorrou. Kisame cuspiu os restos da carne do braço em um dos lados do chão e olhou para Pain.
- Ainda não se lembra? – Perguntou mais uma vez o líder observando a cena com um sorriso desumano no rosto. Era aquele tipo de coisas que amava, derramamento de sangue.
- Sr Orochimaru u-uma vez disse que precisava tirar do líder Akatsuki a única c-coisa que lhe era importante, que t-tinha medo de perder! ... – Os orbes já tinham as pupilas dilatas diante da enorme perda de sangue que o homem tinha.
Pain observou o homem a sua frente e sem piedade alguma proferiu.
- Mate esse infeliz, não precisamos mais dele.
Logo Kisame tomou a frente e arrancou um pedaço da jugular com os dentes. Aquele gosto de sangue fez a fera dentro de si se atiçar e pedir por mais. Pegou o resto do corpo do homem e se afastou dos outros querendo ter o prazer de devorar aquela carne, aquele sangue".
Olhou para o próprio reflexo na katana. E acidentalmente sua mente escorregou para uma imagem de olhos puros que parecia encará-lo buscando ler por trás de sua expressão. Aqueles orbes oceânicos eram a única coisa capaz de retirar dele um olhar menos carregado, um olhar próximo de leve.
Virou o rosto não querendo encarar as safiras escuras. Era demais estar pensando naquilo a todo momento. Sentia que a cada dia que pensava mais na garota, sua essência assassina estava sendo dominada e estava ficando mais escondida, tão profundamente que retira-la estava se tornando uma tarefa difícil.
Konan não o pertencia, jamais pertenceria, sendo um anjo caído. Mas mesmo sendo assim, ele precisava protegê-la, guarda-la antes que a coisa mais importante de sua vida lhe fosse tirada sem piedade alguma.
Sentiu os solavancos do avião sacudirem seu corpo antes dormente. Abriu os olhos encarando Nagato a sua frente que a olhava com uma expressão torturada, como se ele estivesse sofrendo. A cabeça estava girando um pouco e o corpo estava dolorido pela posição que se encontrava.
- Konan! – Chamou o nome da garota quando observara que ela havia aberto os olhos e que ainda estava um pouco confusa.
- Fique em seu lugar. Vamos pousar. – Anunciou Kabuto observando o céu da Colômbia um pouco fechado. Uma tempestade se aproximava rapidamente.
Konan levantou-se de onde estivera deitada e olhou em volta. Ainda estava no avião. Sentiu um baque quando a aeronave pousou em terra firme, e pouco tempo depois retirou seu cinto esperando para ver o que aconteceria. Encarou Kabuto ao seu lado que parecia impaciente por estar demorando tanto.
Os olhos azuis observaram o aeroporto abarrotado de pessoas que andavam para todos os lados em busca de seus vôos. Desceram do avião rapidamente indo para dentro do local. Konan se espremia entre as pessoas buscando passagem entre elas. Não queria se perder de Kabuto e Nagato.
- Onde estamos? – Perguntou curiosa ao jovem de óculos.
- Bogotá, Colômbia. – Anunciou apontando para uma placa onde estava escrito: "Bienvenidos a Bogotá"
Konan olhou em volta a suspirou. Era mais um país onde jamais imaginara que estaria. Tentou se acalmar pensando que em pouco tempo estaria com o ruivo dono de seu coração. Poderia toca-lo, abraça-lo e dizer o quanto estava com medo.
- Por aqui, - Indicou para a garota o caminho até a entrada do aeroporto onde um Alfa romeo prata estava estacionado.
Entraram no carro e o motorista deu a partida provocando um ronronar suave do motor. Logo o carro disparava uma velocidade um pouco alta para algum lugar que Konan não sabia identificar qual era.
Observava as estrelas brilhando em conjunto pela janela do carro e lembrou-se de quando perguntou a Pain se ele gostaria de ser uma estrela, e o mesmo respondeu que jamais poderia. Konan o imaginou tão frágil naquele momento, que qualquer estrela desejaria ser o ruivo.
O Buggati veyron parecia planar nas ruas sujas e aquela hora iluminadas pelo Sol do subúrbio. A missão tomara menos tempo do que imaginara, estavam de volta em menos de um dia a sede.
Dentro do carro dirigido pelo líder estavam Pain, Madara, Itachi e Deidara. O loiro estava reclamando que precisava de um novo suprimento de bombas pois as suas haviam se esgotado quando foram usadas para destruir o esconderijo onde aqueles contrabandistas amadores estavam escondendo as cargas roubadas. O líder já esta sem paciência alguma diante das reclamações infantis do loiro, e imaginou como Sasori um dia já havia agüentado todo aquele chilique.
Parou em frente a casa cantando os pneus deixando uma marca na rua asfaltada e logo desceu. O Sol estava a pino, e sua capa preta estava provocando um calor infernal, queria apenas entrar e tira-la rapidamente.
Queria ter alguns momentos para ficar sozinho enquanto pensava no próximo passo que mexeria por trás dos panos para conseguir qualquer informação adicional que ajudasse a formar um plano mental onde pudesse acabar com o desgraçado dos olhos de cobra.
Adentraram a casa, e Madara estancou perto da mesa do telefone onde a luz piscando dizendo que haviam novas mensagens estava acesa.
- Pain, mensagem. – Suspirou chamando o líder, provavelmente era Kakashi perguntando sobre a missão.
- Abra. – Ordenou o ruivo parando ao lado do moreno observando o telefone.
- Você tem uma nova mensagem. – A voz eletrônica soou dando som a sala ainda escura. – Primeira nova mensagem. – Um bipe foi ouvido. - Pain? Pain é a Konan, você esta aí? – Soluçou a voz da garota engolindo a frase. – Por favor... Me liga quando ouvir isso! – A voz chorosa não parava de soluçar ao telefone. – Me diz que você esta bem!
No mesmo momento o líder crispou as sobrancelhas e colocou a mensagem novamente.
- Pain? Pain é a Konan, você esta aí? – Soluçou a voz da garota engolindo a frase. – Por favor... Me liga quando ouvir isso! – A voz chorosa não parava de soluçar ao telefone. – Me diz que você esta bem!
Era a garota, só podia ser. Madara o olhou de esguelha preocupado. A expressão do líder continuava a mesma, mas a mesma pontada que já estava em sua mente de que algo estava errado voltou fazendo com que rapidamente tirasse o telefone do gancho e discasse o número da escola.
- Instituto IPA. – Soou a voz feminina do outro lado da linha.
- Mikuyashi Konan. Gostaria de falar com a aluna Mikuyashi Konan. – Articulou rapidamente.
- Um momento, vou passar a ligação para a diretora. – Uma música de fundo foi deixada tocando alguns segundos até a voz da diretora ser ouvida. – Bom dia Sr..
- Pain.
- Sr. Pain, o que gostaria? – A voz tinha um timbre incrivelmente falso de bondade.
- Gostaria de falar com a aluna Mikuyashi Konan. – Falou mais uma vez perdendo o resquício de paciência que tinha.
- Como gostaria de falar com a senhorita Konan? Ontem de tarde um carro veio busca-la com a autorização de Takashi Pain. – A diretora disse por fim. – Não está lembrado?
- Como um carro foi buscá-la? Não mandei porra de autorização nenhuma para que a tirassem dessa merda de colégio! – Vociferou no telefone, e logo o bateu no gancho com uma força enorme.
Encarou Madara que por trás da máscara tinha um dos olhos preocupados esperando uma resposta. Assim como o resto da Akatsuki que estava parada na sala observando o líder perder a compostura.
A expressão estava próxima de estar torturada aquela altura. Onde estaria a jovem? Com quem? Jamais se perdoaria caso acontecesse algo com Konan por sua causa, era um fardo enorme para que a garota carregasse naqueles ombros, era um fardo que não a pertencia.
- Eu sabia que tinha algo errado, eu sabia! – Ponderou mais para si mesmo enquanto uma das mãos despenteava o cabelo antes alinhado.
- O que aconteceu?- Perguntou o Uchiha.
- Alguém fez uma autorização falsa e tirou Konan da escola, ontem de tarde. – Respondeu ao moreno depois de longos minutos em silêncio. – Levou uma das mãos as têmporas e as apertou tentando pensar em qualquer coisa coerente naquele momento.
Discava os números que lhe foram dados rapidamente enquanto esperava que chamasse. Ao longo de alguns segundos a voz perigosa foi ouvida do outro lado da linha.
- Já começou. – Falou a mulher com uma risada baixa e melodiosa.
- Então ele já esta pronto para a minha ligação. – Passou a língua pelos lábios e alargou o sorriso atroz imaginando que até aquele momento estava tudo certo.
Desligou o telefone sem nem ao menos se despedir e logo já discava outro número. Finalmente pegara o tão esperto líder da Akatsuki que se esqueceu de apenas um detalhe, cuidar de quem lhe era mais importante.
Olhava de um lado para o outro pronto para ligar para Kakashi, queria uma explicação, e queria naquele momento. Se Kakashi tivesse tirado a garota do colégio, ele deveria ter avisado. Mas nada tirava da cabeça do líder que Orochimaru tinha algo haver com aquilo.
Talvez fossem as cartas que ele mandara, talvez fosse aquela mente perigosa que aquela cobra possuía, mas qualquer que fosse o motivo, sentia que Konan corria perigo, e muito perigo.
Não poderia deixar nada acontecer com ela, nada. Não deixaria que mais um pedaço de sua vida lhe fosse arrancado como água escorrendo por seus dedos. Seu anjo sublime não poderia encontrar os castigos do demônio.
O telefone tocou novamente, e o líder não esperou que ele chamasse nem um segundo para atender.
- Pain-sama. – Os olhos pareceram se congelar diante da voz. Ele a conhecia. A voz que por tanto tempo assombrara seus sonhos agora estava ali, infiltrando-se em sua mente mais uma vez.
- Orochimaru. – Pronunciou entre dentes.
- Fico feliz que me reconheça... – O moreno parou alguns instantes e a única coisa ouvida pelo ruivo foi o barulho daquela língua nojenta estalando pelos lábios. – Estive pensando.. Ainda não fui apresentado a Konan devidamente. Muito mal criado de sua parte. – Riu maliciosamente.
- Konan não tem nada haver com isso, deixe-a em paz! O que você quer seu filho da puta? – Questionou um tom mais alto perigosamente.
- Não é óbvio? É claro que eu a quero. – Um suspiro. – Ou melhor, eu já a possuo.
O coração do líder parou por um segundo que pareceu ser uma eternidade, e logo o monstro dentro de si se agitou pronto para acabar com qualquer infeliz que aparecesse em sua mente. O coração estava acelerado e o ar parecia estar fugindo de sua respiração. A mão pressionava o telefone fortemente ao ponto de quebrá-lo.
- Você jamais terá Konan! Jamais. – Proferiu mortífero diante das palavras do moreno. Ele acabaria com a vida daquele desgraçado e o levaria para o inferno caso ousasse relar em um fio de cabelo da jovem. – Se ousar relar um dedo sequer nela, eu te caço até o inferno maldito!
- Jamais? Sinto muito Pain, mas você já errou, e ainda a entregou diretamente para mim.
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOIE GENTE *-*
Tudo bem que muitos devem estar querendo me matar aqui no ff, a própria Hisui disse que quase estava colocando placas de procura-se por mim, UAHSUAHSAUHSASUHAS senti saudades de escrever :/ Mas tudo desse primeiro semestre desse ano andou me consumindo mais do que deveria. Então devo desculpas a vocês!
Bom, vamos a fic. Nagato provou não ser a melhor pessoa do mundo, apesar de estar arrependido por ter feito todas aquelas coisas com a nossa Konan. E sim, Orochimaru é um crápula nojento que soube perfeitamente enganar primeiro Konan, e depois Pain, mente maligna!
E agora, o que vocês acham que Pain fará para recuperar Konan? Eu disse que as emoções iam começar a ferver a partir desse capitulo. Agora estamos entrando na reta final da fic :/ Faltam apenas alguns capítulos para acabar, e muitas coisas estão por vir ainda.. Os próximos capítulos posso adiantar que serão resumidos em ação. É claro que nosso herói caído Pain irá fazer de tudo para que nada de mal aconteça a Konan!
Devo adiantar também, que terão algumas coisas meio nojentas e de um rated maior que M, pelo menos ao meu ver. Algumas vezes até me senti meio enojada por estar escrevendo aquele tipo de coisa, mas como eu quero algo que dê fortes emoções foi preciso!
Enfim, o que acharam do capítulo? Eu particularmente não gostei muito desse, definitivamente não gosto do Nagato, só o coloquei na fic porque eu precisaria dele. Então a cena de hentai (que eu resolvi dar de presente) não ficou NADA do jeito que eu esperava, claro que com o Pain, ficou 1000 vezes melhor *-*
Creio eu que não demorará tanto para que eu poste o próximo capítulo, mas eu quero comentários poxa :/ E eu estava pensando em depois que eu terminar essa fic, coloca-la como SasuSaku também, para me render boas reviews, pois meu casal favorito, também é favorito da maioria aqui no ff, hehe
Bom, era isso, beeeeeeijos e até a próxima!
Yuuki ai.
P.S: Vou viajar amanhã gente, e só volto no dia 20, por isso resolvi dar de presente para vocês esse capítulo!
