Os servos de Zeus:
Estamos à frente de uma caverna, o quão profunda ela seria, não sabíamos. Alguns seres estranhos guardavam a entrada, torsos de homens, corpos de cavalos, olhares bravios, mal humorados, aparentavam uma grande força bruta.
-- Centauros... – diz Shaka, mais para si.
-- Era só o que faltava. – ironiza Ikki.
-- Não tem como evitá-los? – pergunto.
-- Se preferir escalar... – diz Aquiles – Mas é bom lembrar que não está mais no plano dos homens. O pico some nas nuvens, e você nunca o alcançará.
-- Como é que a gente via os templos, então?
-- Que parte do "não está mais no plano dos homens" você não entendeu?
-- Você é sempre "delicado" assim? – disse com uma sobrancelha arqueada e sorrindo, numa expressão irônica.
-- Só com quem fala demais.
-- Mal educado como sempre, Aquiles? – profere uma voz desconhecida, às nossas costas.
-- Mais uma pra me encher...
-- Bom dia, Íris! – cumprimenta Pátroclo amigavelmente.
-- Boa tarde, né, mocinho... O sol já começa a baixar.
-- Putz! – torna Ikki – Tamo perdendo tempo demais nessa joça.
-- E a senhorita, quem seria? – pergunta Shiryu, educado como sempre.
Fênix faz um olhar extremamente irônico para o amigo, cruza os braços, arqueia uma sobrancelha, sorri e o alfineta.
-- Ta interessado, é?
Ao que o dragão responde, com um olhar entediado e inexpressivo.
-- Do que você está falando...?
-- Ikki, você está pior do que o normal hoje... – censura o irmão.
A moça não consegue se conter, e acaba rindo com o resto do grupo, até Aquiles deixa de lado a cara emburrada por um instante, e Shaka deixa escapar um discreto sorriso. Outros dois desconhecidos aparecem, jovens, belos e imponentes. Íris aproveita para apresentar a todos. Ela era mensageira dos Deuses, especialmente de Zeus, bela, sorridente, os cabelos longos e lisos eram de um rosa muito vivo e os olhos tinham a mesma cor, adorava os humanos e nos tratava com grande simpatia. Os dois rapazes, altos, de cabelos negros e revoltados e olhos verdes como safiras, muito parecidos, porém não idênticos, eram os gêmeos Castor e Pólux, que deram nome à constelação e ao terceiro signo do zodíaco. Eram todos nossos aliados, servos de Zeus.
-- Depois da caverna há um desfiladeiro – explica Castor – e depois o caminho se divide. A partir daí, as coisas se complicarão para vocês.
-- Poupem forças por enquanto – diz Pólux – nós cuidaremos destes sentinelas.
-- Vocês têm certeza? – pergunta Shun, preocupado.
-- Não se preocupe... Nós dois temos uma dívida muito grande com vocês, Cavaleiros.
-- Dívida?
-- Quem conhece a lenda de Castor e Pólux sabe que tínhamos de passar metade de nossas existências no Submundo... Mas com a queda de Hades pelos Cavaleiros de Atena todas as vezes que ele tentava reencarnar, nossas almas puderam ficar livres, e vivemos sempre ao lado de Zeus, como seus servos.
-- Bom... – interfere Íris – Histórias à parte meninos, vamos acabar logo com esses grandalhões...
Invadimos a área à frente da caverna, os centauros avançam com grande instinto assassino. Os servos de Zeus se colocam de frente com os inimigos, seis entes mitológicos de pura brutalidade e pouca inteligência. Íris era veloz, podia confundi-los, atingi-los e vencê-los assim. Castor era um grande domador de cavalos, sabia bem como restringir seus movimentos. E Pólux, um grande guerreiro, não teria dificuldades em enfrentar brutamontes de muito músculo e pouco cérebro.
-- Vão, vocês! – mandou Íris – Ganhem tempo!
Corremos caverna adentro, deixando os Centauros a encargo dos três, que logo venceram o combate e voltaram para junto de Zeus.
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