Disclaimer: Naruto pertence a Masashi Kishimoto, mas o enredo dessa história é minha

O Pergaminho

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Hinata piscou os olhos e fitou o local ao seu redor. Parecia um campo aberto como os de treinamento ninja, mas a lua vermelha alta e o céu em cores nada naturais apontavam que aquele local não passava de um genjutsu. Ela olhou ao redor e afogou um suspiro assustado.

Sasuke a fitava sentado no topo de um tronco de madeira escura. Ela podia reconhece-lo claramente, mas aquele não era ele. O homem à sua frente devia estar na casa dos trinta ou quarenta anos de idade. Seu olhar era rígido e cansado, sua postura era altiva e seus traços eram todos bem talhados. Um de seus braços parecia confundir-se com o local e desaparecia pouco antes do cotovelo, porém uma linha fraca desenhava sua continuação.

— Hinata.

— Quem é v-você?

— Sou o Sasuke. — ele disse com a voz apagada e rouca. — Não o Sasuke que você conhece, mas ainda assim sou o mesmo.

Ela o fitou confusa. Sua mente já estava perto de entrar em colapso novamente e aqui estava esse homem dizendo coisas absurdas.

— Você se lembra do dia que uma borboleta branca pousou na ponta do seu nariz e Itachi te ajudou a retira-la sem feri-la?

Ela piscou. Então lembrou-se. Lembrou- se que

( era verão e mais uma vez ela se encontrava no território sagrado dos Uchihas. Em casa seu pai havia esbravejado sobre a inutilidade de uma herdeira como Hinata por quase uma hora antes da avó resolver retirar a pequena dali e levá-la para a fortaleza secreta que era o templo. Hyuuga Mae era uma senhora de temperamento explosivo no qual a idade a tornara mais estável, porém assistir a neta ser desprezada de tal forma pelo homem Hyuuga a enfurecia, logo, sempre que avistava uma oportunidade de distanciar a pequena menina do pai o fazia com gosto. Foi assim que ambas acabaram naquele local antes do sol parar de se esconder atrás das árvores mais altas e se estabelecer no centro do céu.

Como de costume, a menina orou para cada um dos deuses cultuados pelos Uchihas e por ela do nodo que sua avó e as sacerdotisas haviam ensinado antes de finalmente poder ir encontrar com o único menino além de Neji que não a assustava. Correu por entre as belas árvores, os encantadores arbustos selvagens conservados e o mar de flores que brotavam sem se importarem onde. Logo avistou as costas do menino e o tão característico cabelo negro arrepiado semelhante à parte traseira de um pato. Ao lado dele um garoto maior e magrelo apontava algo no chão de pedrinhas polidas enquanto falava em voz baixa.

I- Itachi-chan, Sasuke-kun! ela chamou enquanto se esgueirava por entre dois carvalhos.

Itachi virou-se e sorriu gentil, segurando-a quando a menina tropeçou na barra do kimono e quase caiu. Sasuke sorriu abertamente mostrando seus dois dentes da frente ausentes.

Eu disse que a Nata-chan vinha hoje! o Uchiha mais novo declarou orgulhoso, o peito estufado e as bochechas rubras pelo calor.

Saíram brincando pelo local, pouco se importando com a lama no solo fértil que carregava as lembranças da chuva que caíra na madrugada, ou com os perigos de escalar árvores - mesmo que se mantivessem a menos de um metro e meio de distância do solo por medi de subir um pouco mais com os troncos escorregadios devido às chuvas e liquens. O musgo pouco lhes importava e assim seguiram pelo dia, parando apenas para comer ou ir ao banheiro.

Antes do pôr do sol encontraram uma parte da mata preservada e sagrada repleta de borboletas. Maravilhada, Hinata agachou-se e assistiu a dança que esses belos seres faziam no ar. Tão logo os seus dois fiéis companheiros chegaram, uma borboleta branca do tamanho da palma da mão da menina pousou em seu nariz. As manchas escarlates no inseto deixaram Itachi inseguro sobre deixar a borboleta partir sozinha ou retira-la o quanto antes de Hinata para que não houvesse um envenenamento acidental da Hyuuga Hime.

A vontade da garota de espirrar o fez agir rápido, mandando que ela ficasse quieta enquanto ele retirava o inseto. Porém Hinata murmurou baixinho um pedido envergonhado para que não a matasse. Então o menino não teve outra escolha além de retirar com a máxima delicadeza o inseto que logo abriu as asas e as bateu de forma graciosa porém mais violenta. Tal foi o susto que ambos levaram que o instinto de Itachi o fez curvar-se sobre Hinata ao jogá-la no chão.

Não era uma borboleta comum, o mais velho notou com estranheza.

Mas sua ação deixou Sasuke desprotegido e a borboleta foi direto na direção do menino que, assustado, se desequilibrou e escorregou.
Não houve tempo para gritos de alerta ou pedidos de socorro. Tudo se moveu em câmera lenta e com sinfonia própria:

Sasuke caindo; Itachi se levantando e correndo até o irmão; Hinata assustada começando a chorar com o rosto enfiado na terra; o barulho do corpo batendo na água; o som de outro corpo mergulhando; e o silêncio.

Hinata somente abriu os olhos quando ouviu a respiração sonora e abrupta de alguém rompendo a tensão da água. Seus olhos caíram na figura do pequeno Itachi segurando um garoto ainda menor nos braços.

Ela viu os lábios de Itachi se moverem formando palavras, mas não ouviu mais nada. Um som agudo e continuo havia se instaurado em seus ouvidos. Não sabia quando exatamente, mas sua avó a retirara do local, a banhara e arrumara com roupas de Sasuke que estavam limpas e secas. Também não lembrava-se exatamente como, mas sabia que Itachi havia expulsado a água nos pulmões de Sasuke e que agora o menino estava bem.

Para todos aquilo fora somente um acidente. Um susto em suas vidas, mas ela sabia melhor. Ela pôde ver o que os outros não conseguiam.
Ela pôde ouvir o que os outros nunca poderiam ouvir.

Não ouse contar para ninguém. Estamos entendidos, Hyuuga? a voz lhe perguntou antes de ir dormir. )

nunca estivera tão assustada em toda a sua infância como naquele dia.

— O que tem aquele dia?

A boca dela esta seca.

— Você viu e ouviu coisas, não foi?

— Onde você quer chegar?

O pânico se espalhava pelo corpo dela. Era um genjutsu forte demais para escapar no estado debilitado que se encontrava e isso a amedrontava.

— O que você ouviu... Era eu. Não consegui vir diretamente pra essa época, acabei vagando por algumas horas no passado, pulando de ano em ano desde o que nasci até aqui, então tive que deixar um aviso sobre a minha chegada. O que você viu e ouviu era meu chakra tentando tomar forma. Acabei usando isso para te alertar.

— O que...?

Sasuke fitou a garotinha confuso e decidiu ir direto ao ponto.

— Hinata, o futuro que te aguarda em nada é agradável. Eu preciso da sua ajuda. Preciso que coopere, ou tudo será em vão.

Hinata o encarou. Observou os cabelos negros volumosos arrastando nos ombros amplos de forma desleixada, o braço inexistente, as vestes simples e pretas e os pés descalços. Observou os traços do rosto dele.

— O que preciso fazer?

— Assinar um pergaminho. Um contrato, para ser mais exato.

— Um pergaminho?

— Hai.

Ela suspirou cansada. Esse dia não parava de ficar mais anormal.

— Sobre o quê?

— Digamos que é uma permissão. Uma autorização para mudarmos tudo. O único problema é que existe um preço para isso. Ele já foi assinado no futuro, mas como ao alterar a linha do tempo, ele se torna invalido de você não assiná-lo aqui e agora também.

Hinata suspirou. Colocou a mão sobre a cicatriz do local onde havia feito uma cirurgia após a luta contra Neji no Chuunin Shiken e se aproximou dele. Estava tudo tão pesado, tudo tão fora do comum. Tudo o que havia se forçado a esquecer batia a sua porta e ela sabia qual decisão devia ser tomada.

"— Você pode fugir pelo tempo que for, Hinata, mas nunca deixará de ser você. Sua linhagem vai te assombrar até o dia da sua morte. Lembre-se disso.", a voz arranhada de sua avó no leito de morte ecoou em sua mente.

— Onde ele está?

Sasuke a fitou.

— Você sempre pode negar, mas se aceitar lê-lo, não haverá volta. Se abri-lo, vai acatá-lo automaticamente.

Hinata suspirou novamente. Só queria que tudo acabasse de uma vez. Fitou o homem novamente. Era um estranho sem ser. Se perguntou se deveria confiar nele. Mas havia confiado em Kakashi não era? Um homem que julgava conhecer. E olha como estava seu corpo agora. Hinata piscou com seus pensamentos. Estava exausta de mais para analisar a decisão a fundo. Seguindo seu instinto, murmurou para o homem:

— Apenas me dê. Se você esta aqui, existe um motivo. Eu só quero que tudo isso acabe logo...

Sasuke estalou a língua e retirou o papiro de dentro de um bolso junto ao corpo. Estendeu para ela ainda um pouco hesitante, mas ao vê-la tomar o papiro nas mãos soube que já não havia volta. Sua missão havia sido cumprida.

Continua


Pronto!

Uchiha Himitsu, hehehe atiçar a curiosidade faz parte do meu trabalho! :3 O capitulo não é longo, mas gostei dele. Ficou bem na medida. Sasu-kun é Sasu-kun haha. Bem, até!

BarbaraGava aqui chegou mais! Pequeno mas eu gostei. Na mente da Hinata só tem ela e ela mesma, mas na do Itachi... Foca no SASUKE! Kakashi pode ou não se redimir. Vai depender da minha vibe na hora de escrever. Eu descobri que meu cursos onde vou fazer não tem TCC *-* Não é lindo isso? Beijos!