OS PERSONAGENS PERTENCEM A STEPHANIE MEYER E A TRAMA A ROSEMARY ROGERS, A MIM, APENAS A LOUCURA DE ADAPTAR UM DOS MEUS ROMANCES PREDILETOS.
O senador Swan reservara uma sala de jantar privativa naquela noite, para sua família e seus hospedes pudessem jantar a sós. O hotel em que estavam hospedados dispunha de um chefe de cozinha francês, e os vinhos que regaram o seu jantar aquela noite também procediam da França.
Seria fácil imaginar que, naquela noite, estavam jantando num dos mais finos restaurantes do leste. A mesa senhorial estava coberta por uma toalha de linho impecavelmente branca, e a porcelana era finíssima, bem como os talheres de prata. Os garçons eram bem treinados, e praticamente não se sentia a sua presença.
Era impressionante, pensava Bella, o que se podia conseguir com bastante dinheiro e suficiente influencia, criar um oásis de civilização numa terra selvagem era apenas uma amostra disso. Sentindo-se culpada achava que não devia pensar assim. Haviam lhe dito, por exemplo, que San Francisco não perdia nada para qualquer grande cidade européia. No entanto, era quase inacreditável que ainda estivesse em San Antonio, Texas, onde numa rua de terra, sem calçamento, um homem acabava de ser morto diante de testemunhas.
Bella tomou um gole do seu vinho, esforçando-se por esquecer o que acontecera naquela tarde e as cenas que presenciara. Um homem morrera de forma violenta – teria que se acostumar com isso. Estava convencida de que coisas piores poderiam acontecer na longa jornada de diligencia até a Califórnia.
Seu pai lhe dissera carinhosamente que ela deveria esperar riscos na jornada que empreenderiam. Dissera-lhe que provavelmente encontrariam índios e alguns homens brancos que seriam piores que os índios, pois se haviam tornado renegados. Sua voz estava seria quando lhe falou, e ela sentiu que ele estava preocupado e um pouco intranqüilo com o fato de sua mulher e sua filha terem que viajar sozinhas para a Califórnia. No entanto, era também um homem pratico. Confessara, com toda honestidade, que seria um grande trunfo político para ele o fato de sua mulher e sua filha terem empreendido a longa e árdua jornada por diligencia, o transporte habitual dos emigrantes que chagavam ao Estado do ouro. Havia outro fator a ser considerado, e esse era a segurança do ouro – fator mais importante de sua missão. Ninguém iria suspeitar que Charlie Swan pretendia enviar ajuda aos franceses no México, ou que serio confiada a duas mulheres uma empreitada de tamanha importância. Se os motivos de Swan se tornassem suspeitos (e ele também admitira que havia quem alimentasse essas suspeitas), jamais julgariam que sua mulher e filha pudessem estar a par de seus planos. Os homens do oeste costumavam colocar as mulheres "boas" num pedestal – Rosalie e Bella seriam muito elogiadas e admiradas por sua coragem de empreender uma jornada tão longa e cheia de perigos, sem proteção imediata do senador, e o ouro e as armas chegariam as mãos certas, sem despertar suspeitas nos lugares errados.
Meu pai é um homem inteligente, pensou Bela com orgulho. Levantou os olhos e encontrou o seu olhar, que pousou nela por alguns instantes.
Nessa noite, em homenagem aos hospedes do senador, Bella e Rosalie haviam vestido trajes comprados em Paris, mas tudo indicava, logo após haverem descido as escadas, que aquela moda ainda não havia chegado ali. Havia mais cinco mulheres presentes, esposas dos ricos rancheiros que eram hospedes de Swan , e elas usavam saias-balão, de tecido escuro, e blusas de gola alta, apesar do calor opressivo. Bella sentiu os olhares desaprovadores dessas damas mais velhas e convencionais, embora estivesse resolvida a não demonstrar embaraço, era difícil se sentir propriamente a vontade! Estava contente por estar sentada perto de Eric Yorkie, o jovem capataz de seu pai, e mais feliz ainda por ter ouvido que Sr Yorkie as acompanharia até a Califórnia.
Eric Yorkie era um jovem extremamente bem apessoado, de cabelos escuros que brilhavam a luz das velas, e um pequeno e bem cuidado bigode que fazia sobressair sua boa aparência. Ele era, conforme Bella descobriu, filho mais novo de um fazendeiro que acabara de perder a fortuna, pensava em tentar a sorte na Califórnia.
Ligeiramente tonto pela combinação do vinho e da beleza de Bella, confidenciou-lhe que pretendia aprender tudo o que pudesse sobre gado. Disse-lhe que não tencionava a passar a vida procurando ouro, pois achava que havia uma fortuna muito mais estável a ser feita com aterra e com o gado. Pretendia comprar uma fazenda, quando juntasse o dinheiro necessário, criaria gado para abate e para laticínios… Interrompeu-se, encabulado, ao pensar no efeito que seu entusiasmo desmedido poderia ter sobre a deslumbrante e sofisticada jovem a seu lado.
- Continue – disse-lhe Bella suavemente, com um brilho nos olhos de esmeralda. _ Não estou nem um pouco entediada, se é isso que o preocupa. Quero saber tudo sobre a Califórnia e como vivem as pessoas lá.
Seu vestido de veludo verde combinava com seus olhos, e quando se curvava para frente, como estava fazendo agora, Eric divisava, com certo desconforto, a curva arredondada de seus seios, revelados elo decote extremamente generoso que ela usava. Seus ombros estavam nus e cintilavam como o marfim. Um apanhado de flores prendia o vestido nos ombros, usava longas luvas que lhe chegavam até os cotovelos. Enquanto isso, Eric pensava consigo mesmo que as outras damas presentes não deviam estar gostando de seu vestido. Ele gostava, embora estivesse fazendo todo o possível para se interessar pela sua conversa. Se essa era a ultima moda, pensava, ficava-lhe muito bem, e não havia ninguém mais indicada para usá-la! De repente viu-se pensando ansiosamente na viagem para a Califórnia, embora no começo não tivesse se entusiasmado com a idéia de que duas mulheres os acompanhariam nessa jornada.
Nascido no sul, Eric Yorkie possuía encanto e boas maneiras, embora nunca tivesse achado necessário adquirir mais do que uma educação elementar. Livros e línguas estrangeiras nunca lhe haviam interessado, ele tinha outras coisas em que ocupar o tempo e a mente. Quando voltou para casa após a guerra e encontrou um oficial de justiça designado a leiloar as propriedades da família a fim de pagar os impostos atrasados. Eric se aborreceu tanto que tomou a atitude filosófica de voltar as costas a tudo e seguir para o oeste. Ajudou-o o fato de seu pai ser um velho conhecido de Charlie Swan e ter-lhe escrito sobre ele. Swan confiara nele e tinha planos que o incluíam, não só na aventura, mas também nos lucros.
Embora nunca lhe faltassem palavras ou comprimentos quando se achava perto de mulheres bonitas, Eric se sentia inibido e quase mudo ao lado de Bella Swan. Nunca havia visto uma mulher exatamente como ela – combinando o gracioso encanto de uma jovem com inteligência e a sofisticação de uma mulher. Ela parecia se interessar por ele, deixando-o sem ação.
O que Eric não percebera era que Bella estava enfadada, pois ela disfarçava bem, e quando se sentia assim, falava mais do que de costume – uma conversa leve e frívola.
Será que os homens dali não tinham mais em que falar senão no comercio de gado? Não teriam as mulheres outro assunto além de sua casa e seus filhos? Pensando bem, naquela terra vasta e semi-deserta, o que mais poderia haver para falar?
Já estavam no terceiro prato, e Bella permitiu que enchessem novamente seu cálice, sorrindo ao encontrar o olhar de Rose. Ela já notara que a maioria das mulheres ali não tomava vinho algum ou, quando muito, sorvia delicadamente pequenos goles. Era mais uma coisa que percebia desaprovarem nela, mas não se importava. Sem duvida iriam para casa naquela noite comentando que a filha do senador bebia vinho demais e era excessivamente desenvolta. O pensamento fez-la rir novamente, e Eric, que pensava que seus sorrisos eram para ele, sentiu seu coração bater mais forte.
Seu pai estava conversando com o Sr Cage, a sua direita, como ele estava com a testa franzida, o que não era comum. Bella resolveu prestar atenção as suas palavras.
-Você sabe alguma coisa sobre o homem que diz chamar-se Whittaker? Eu estava falando hoje com o chefe de policia, pedindo-lhe que me recomendasse alguém para acompanhar a diligencia, e ele me disse que esse homem conhece todas as trilhas entre o Texas e a Califórnia. É estranho, mas eu nunca ouvi falar nele.
Cage, um homem atarracado, de fisionomia alegre e barba cerrada, deu um sorriso significativo.
- O Chefe Taylor fica sempre meio nervoso quando há algum pistoleiro na cidade. E esse hombre de quem está falando atirou em Laurent Bluff, hoje a tarde… Laurent tinha a fama de ser o mais rápido por aqui, mas pelo o que ouvi dizer, nem chegou a tocar no coldre.
Instintivamente os dedos de Bella apertaram o pé do cálice de vinho. Sentiu o corpo inteiro retesar. Felizmente, os outros homens entraram na conversa, e sua súbita tensão passou despercebida.
- Ele é pistoleiro?
Nate Potter, que estava a direita de Bella, inclinou-se para frente para responder a seu pai.
- Claro. Um dos gatilhos mais rápido que existem. Ouvi dizer que ele trabalhou para Barlow, esteve no exercito e levou alguns rebanhos para Abilene.
- Ele vem do seu próprio Estado, senador – outro homem falou. – E seu nome verdadeiro também não é Whittaker. Chamasse Masen, Edward Masen.
Rosalie, que não era normalmente desajeitada, deixou cair bruscamente o leque de marfim, e Bella lhe dirigiu o olhar enquanto um dos cavalheiros gentilmente se curvava para apanhar e lhe devolver o leque. O rosto de Rose, em geral calmo e sereno, estava enrubescido, ela baixou as pálpebras, ao agradecer, para esconder seu embaraço.
Isso é demais, pensou Bella. Primeiro, gado, agora pistoleiros! Quase abriu a boca para dizer que assistira ao duelo a que se referiam, mas observando o rosto de Rosalie, extraordinariamente pálido, agora que o sangue lhe fugira, resolveu se calar. Talvez a idéia de um assassinato perturbasse Rose também.
Chegavam-lhe aos ouvidos trechos de conversa por entre o ruído abafado que os garçons faziam ao retirar os pratos da mesa e os cálices vazios. Até Eric Yorkie parecia mais interessado no plano de seu pai, de contratar um guia, do que nela. Estava inclinado para frente, com o cabelo preto brilhando na luz, quando Bella lhe atirou um olhar faceiro. Lembrou-se de um historia que lhe tinham contado certa vez sobre uma dama parisiense que soltara propositalmente a alça de seu vestido de noite, quando seu amado lhe parecera muito interessado numa rival. Inconscientemente os dedos de Bella tocaram o prendedor que segurava sua alça direita- estava solto-, e de repente se lembrou de pedir a Sue que concertasse antes de vir para o jantar. Mas… não, jamais daria certo! Essas mulheres de rosto de pedra e olhares desaprovadores iriam ficar horrorizadas! E Eric Yorkie, embora fosse bonito, não merecia tanto. De qualquer modo, só a idéia já serviu para diverti-la.
- Bella, minha querida… – a voz de Rosalie chamou-a a realidade. – Será que você poderia apanhar nossos xales? Está começando a esfriar.
Coitada de Rose! Pensou. Seu rosto estava extremamente pálido, e Bella parecia tê-la visto estremecer ligeiramente.
Consolando a madrasta com um sorriso, Bella pediu licença, feliz por poder escapar um pouco dali.
Um dos garçons mostrou-lhe a escada dos fundos, pois ela não tinha nenhum desejo de enfrentar os olhares masculinos que a tinham seguido atrevidamente quando ela e Rosalie haviam descido para jantar, acompanhadas pelo pai.
Segurando as amplas saias Bella subiu rapidamente a estréia escada que levava ao segundo andar. Sua passadeira maltratada lhe dava a impressão de ser essa a escada dos criados, pois ficava no fundo do corredor, no outro extremo onde estava o seu quarto.
Parando um pouco no topo da escada para descansar. Bella notou pela primeira vez como era mal iluminado aquele corredor a noite. Parecia-lhe deserto, e o vazio e o silencio reinantes quase a assustaram.
Isso é bobagem, pensou. Estou sendo tola, disse a si mesma firmemente. Primeiro vou achar o meu quarto, e depois Sue pode me ajudar a encontrar o xale de Rose.
Sua sensação de insegurança, porem, persistia, e ela começou a andar rapidamente e sem fazer barulho pelo longo corredor de paredes sombrias. Todas as portas lhe pareciam idênticas, e era impossível ler os números que haviam sido pintados nelas. Para piorar as coisas, quando chegou ao fim do corredor percebeu que um das lâmpadas se queimara e a escuridão era total.
- Oh…maldição. – murmurou irritada por nem mesmo saber onde ficava o seu quarto. – Merde! – murmurou novamente com ousadia, o som de sua voz fazendo-a sentir-se mais forte. De uma das portas saía um filete de luz, e ela curvou-se para tentar ver o numero quase apagado. Conseguiu distinguir um 2 e um 5 – 257… não era esse o numero de seu quarto? Sue sempre deixava a lâmpada acessa – talvez ela estivesse acordada.
Bella hesitou por um momento e depois bateu levemente a porta, esperando impacientemente que Sue a abrisse.
A porta se abriu rapidamente por dentro e, antes que ela pudesse emitir um som, seguram-lhe firmemente as mãos e a puxaram sem cerimônia para dentro do quarto.
Mal se dera conta de que a porta fora fechada novamente atrás de si. Por demais chocada para poder tomar qualquer atitude, Bella se viu frente a frente com o par de olhos mais azuis que já encontrara. Olhavam-na maliciosamente, através dos cílios longos que um homem poderia possuir.
O rosto bronzeado, com as sobrancelhas ligeiramente obliquas, contrastava com os olhos que se apertavam para examiná-la ousada e abertamente. Estava petrificada de medo e surpresa, e seus lábios se abriram, mas nenhum som saiu de sua garganta seca e contraída.
O homem sorriu de repente, deixando entrever uma fileira de dentes brancos, ela pode observar que, quando ria, duas covas se formavam em suas faces.
- Ora, ora! – disse devagar, enquanto seus olhos passeavam insolentemente por seu corpo. – Então você é Frenchy. Dessa vez, até que Lili soube escolher a mercadoria!
Suas mãos ainda seguravam as dela firmemente e, antes que conseguisse dizer uma palavra, Bella viu-se involuntariamente entre seus braços e, pior que isso, sentiu seus lábios sobre os dela, num beijo rude e possessivo.
Já fora beijada antes, mas nunca assim! Nem homem algum ousara segura-la tão perto de si, a ponto de senti todo o seu corpo contra o dela. Sua boca era dura e impiedosa. Ao invés de tocar seus lábios gentilmente, parecia queimar como uma chama e forçar seus lábios a se abrirem sob o impacto do beijo.
Segurava-a com uma das mãos pouco acima da cintura e a outra em volta de seus ombros, de modo que ela se sentia comprimida e totalmente sem ar, quando tentou mover a cabeça para escapar, sentiu que sua mão subia e segurava seu cabelo na nuca, prendendo-a. Bella sentiu a cabeça começar a rodar e cair para trás, abandonada, enquanto ondas de vertigem e calor a assaltavam. Para seu horror, sentiu a língua dele penetrando sua boca, fazendo que ela emitisse pequenos gemidos. Oh! Deus, Oh! Deus pensou sentindo-se fraca, será que os homens beijam mesmo assim? O que ele está fazendo comigo? O que mais irá fazer?
De repente, quando ela estava quase desmaiando, ele afrouxou um pouco o abraço e ergueu a cabaça ligeiramente para olhar para ela.
- Nunca pensei que uma mulher pudesse ser tão bonita, Frenchy – murmurou, seus olhos estavam duros e semicerrados, com uma espécie de desejo que ela pressentia, ma que não podia compreender. Forçou-se a respirar fundo e readquirir algum controle sobre seu corpo fraco e tremulo, mas ele se curvou novamente, e ela sentiu seus lábios queimando na curva do seu pescoço.
-Não! – Essa foi a única palavra que conseguiu dizer e que saiu como um suspiro desesperado. Sentiu as mãos dele tentando abrir o fecho do seu vestido, que tinha o feitio de uma rosa, e deu outro suspiro penoso. Quase sem sentir, falou em francês:
- Monsieur… non! O que… o que está fazendo?
O prendedor se soltou e ele riu.
- Esqueça a rosa idiota, eu lhe dou outra.
Seus lábios sufocaram seu grito de protesto, enquanto murmurava:
- Vou comprar outro vestido também para você, querida, pois este eu pretendo arrancar de seu corpo. Você sabe que eu a quero, e sou um homem impaciente.
Sua boca voltou a atacá-la, enquanto seu braço a segurava firmemente pela cintura, atraindo-a a si. Bella sentiu suas pernas enfraquecerem, de modo que oscilou a sua frente, sem querer, sentia-se apenas meio acordada, "isso é um pesadelo, não pode ser verdade", ia repetindo sua mente atordoada, sentiu-se possuída de um estranho langor, de uma apavorante aceitação, que nada tinham a ver com sua mente ou com sua vontade. Com uma sensação de desligamento sonâmbulo, Bella sentiu sua língua explorando-lhe a boca, enquanto descia a alça do vestido e lhe acaricia a curva do seio. Suas mãos estavam presas entre seus corpos, e o máximo que podia fazer era empurrar seu peito com o corpo, mas sua reação só servia para excitá-lo mais e fazer que aumentassem aquelas caricias loucas.
Impotente, ela sentiu os dedos dele apertarem o bico de seu seio, que se enrijeceu, e a sensação que teve de ondas elétricas percorrendo-lhe o corpo, o que a trouxe de volta a realidade. Agora ela lutava com todas as forças contra suas mãos e seus lábios, notando horrorizada, que a camisa dele estava aberta até a cintura e que seus seios, protegidos apenas pela combinação de seda, estavam sendo comprimidos contra seu peito nu e quente.
A pressão do corpo e calor animal que dele se desprendia, mais a violência de seus beijos, foram demais para ela. Com a cabeça girando, Bella se forçou a desfalecer em seus braços. Naturalmente vendo que ela desmaiara, ele não continuaria aquele… aquele ataque a seu corpo e a seus sentidos.
Ele a soltou tão bruscamente que ela caiu para trás, para erguer-se em seguida, ao sentir a pressão alarmante da beira da cama contra a parte posterior de suas coxas.
Com um grito de puro terror, as mãos de Bella se cruzaram involuntariamente sobre os seios, quando viu que ele vinha em sua direção com aquele passo felino de que se lembrava bem.
- Frenchy, quer parar de ser pudica e tirar esse vestido? Agora, ou vou arrancá-lo de você!
Viu seus braços se esticarem novamente para segura-la e, como um animal acuado, Bella levantou a mão e , com toda a força de que era capaz, fez a palma explodir em sua face.
O olhar de surpresa dele encheu-a de um prazer selvagem e, instintivamente, ergueu a outra mão, com a intenção de cravar-lhe as unhas. Dessa vez, porem, ele conseguiu se antecipar, segurando seu pulso, torceu-o cruelmente até que ela gritou de dor. Ficaram se fitando por alguns segundos, os olhos dele brilhando de ódio, e os dela marejados de lagrimas de dor e frustração. Teria lhe batido novamente, com a outra mão, mas ele a segurou firmemente entre as suas.
- Maldita puta francesa! – disse entre os dentes. – que espécie de jogo pensa que está fazendo?
O ódio frio em sua voz e o olhar perigoso de seus olhos teriam feito com que recuasse aterrorizada, se ela também não estivesse sob o impacto da raiva.
- seu… seu… monstro abominável! – sua voz tremia de ira – Como ousa me tratar dessa maneira? Como ousa me arrastar para dentro desse quarto e me atacar como se eu fosse uma… uma…
Sua indignação era tanta que as palavras lhe fugiram, e ela ficou de pé, ofegante, tentando libertar as mãos para continuar lhe batendo.
O olhar dele foi se transformando, de ódio passou a surpresa, e depois, a verdadeiro espanto.
Suas sobrancelhas negras se juntaram, e ele deu um passo para trás, continuando a segura-la um pouco afastada pra lhe estudar a fisionomia. Chorando de raiva e de humilhação, Bella se deu conta do estado em que se encontrava – o vestido caído dos ombros e os cabelos em desalinho a lhe descer pelas costas.
- Se você não é a jovem que Lili ficou de me mandar, então quem…
- quer fazer o favor de me soltar? Eu não sou a sujeita que você obviamente estava esperando. Será que não poderia perguntar antes de cair em cima de mim como um animal?
Ofegante, limpando as lagrimas, Bella o agredia ferozmente, enquanto a raiva a tornava corajosa.
- Você… você é pior que qualquer animal selvagem, seu assassino!
Ela viu seus olhos se transformarem em pedras de gelo por um instante, depois sua sobrancelha se arquear.
- Nunca matei uma mulher bonita… – disse pensativamente, depois num tom agressivo: – ainda!
Sempre segurando seus pulsos, ele a empurrou para trás antes de solta-la, e ela se viu sentada na cama.
-Oh! – exclamou, com os olhos arregalados devido ao medo e ao choque.
Viu o canto da boca se torcer, num riso de divertimento.
- Suponhamos que fique aí sentada por um momento e me diga rapidamente quem é a senhora, e por que veio bater na minha porta. Afinal de contas – disse sensatamente – eu, estava esperando uma visita feminina. Como eu poderia saber que não se tratava da senhora?
Apesar do tom razoável da voz, havia nele uma dureza de aço, e Bella resolveu lhe responder, amuada.
- Eu… eu tomei o seu quarto pelo meu, não havia luz no corredor e eu não consegui ver o numero na porta. Depois- dirigiu-lhe um olhar irado -, você me arrastou aqui para dentro, não me deixou dizer uma palavra,e … e…
- Ataquei você? – disse, como a ajudá-la.
A raiva tomou conta dela novamente, quando viu que ele estava calmamente sorrindo para ela. Quer dizer que ele estava achando tudo muito engraçado?
Ela se levantou, raivosa, esquecendo mais uma vez o medo, dessa vez, ele se afastou cautelosamente, embora seus olhos continuassem a caçoar dela.
- Agora, não vá a senhora atacar a mim!
Ele notou sua fúria controlada, e o brilho zombeteiro de seus olhos se acentuou. Um canto da boca se levantou num riso torto, e Bella, vendo-o, trincou os dentes.
- Você é o mais abjeto, o mais detestável…
- Foi realmente sua culpa, senhora. Foi sua beleza que me descontrolou. Não consegui acreditar na própria sorte quando a vi, tive o impulso irresistível de beijá-la e…
- quer fazer o favor de não zombar?
Ele estava caçoando dela e fazia-lhe a afronta de julgá-la uma menininha estúpida aquém se podia fazer esquecer, com meia dúzia de palavras tolas, sua justificada ira!
- não entendo como pode me confundir com o tipo de… de mulher que estava esperando – prosseguiu Bella friamente, tentando ignorar o riso torto em seu rosto. – Embora devo dizer que sinto pena de suas visitantes femininas, se é assim que costuma recebê-las, impondo seu afeto de maneira tão prepotente! Tem medo de que recusem suas caricias, se lhes der tempo para isso?
Seu olhar a percorreu dos pés a cabeça, fazendo-a corar involuntariamente. Nunca encontrara uma insolente tão rude e ostensiva em olhos de homem algum! Era como se a despisse inteiramente com os olhos.
- se me permite dizê-lo, senhora, nunca vi damas assim como a senhora está vestida, não nesta cidadezinha pelo menos. Não que eu esteja reclamando – acrescentou maliciosamente – Na verdade, fica muito mais desejável assim como está…
Bella pode sentir o rubor tomar conta de todo o seu corpo, ao perceber mais uma vez, entre infeliz e raivosa, o estado em que se encontrava naquele momento. Suas mãos puxaram o vestido para cima, sobre os seios seminus, e lagrimas de frustração lhe desceram pelo rosto.
- Você é o homem mais bruto, mais detestável que já conheci! – gritou-lhe, com a voz embargada. – quer fazer o favor de se afastar e me deixar sair? Não ficarei nem mais um minuto aqui!
Ele não fez qualquer movimento, no entanto, e ela viu que franzia a testa.
- Ou você me deixar sair, ou eu grito!
A voz de Bella soou aguda e histeria. Certamente, depois do que ele já fez, não vai querer…
- Você não pode sair assim. – Sua voz estava fria e impaciente. – quanto a gritar, não gritou antes, por que iria fazê-lo agora? Estou certo que é bastante inteligente para não querer fazer um escândalo.
Agora, ela a estava ameaçando, tentando fazer chantagem com ela! Bella o olhou com uma mistura de raiva e desdém, imaginando o que ele faria se ela resolvesse mesmo gritar.
Parecendo ler seu pensamento, ele franziu a testa novamente, abanando a cabeça impacientemente.
- olhe aqui, prometo que não… não vou tentar atacá-la outra vez! Mas, por favor, procure ser razoável. Você não pode de maneira alguma…
Interrompeu-se quando uma batida na porta assustou a ambos, e por um momento ficam os dois como dois conspiradores trocando olhares de apreensão.
Voltarem a bater, dessa vez mais insistentemente, e Bella levou as mãos a boca. Quem quer que seja, pensou em desespero, se me achar aqui com ele, minha reputação estará arruinada! Ninguém acreditaria, iriam querer saber por que eu não gritei. –Oh! Deus, o que vou fazer?
Uma voz de mulher, com um sotaque carregado, falou suavemente do lado de fora da porta.
- Étienne? Edward Masen? Pode abrir a porta, sou eu. Solange. Lili disse que você está me esperando… você está ai?
Bella teve que se controlar para conter um riso histérico, e alguma coisa deve ter transparecido em seu rosto, pois os dedos de Edward Masen apertaram os seus num gesto significativo.
- Essa eu imagino, é a sua Frenchy – murmurou Bella, dando a voz um tom sarcástico. – Você poderia soltar a minha mão e me dizer o que pretende fazer agora?
Notou, com satisfação, que pelo menos naquele momento ele estava tão perdido quanto ela, então a voz da mulher voltou a chamar o seu nome, dessa vez mais alto e em um tom petulante, o que fez que ele resolvesse tomar uma atitude.
- Só sei de uma coisa – disse rapidamente – Não posso deixá-la lá fora fazendo esse escândalo todo! Daqui a pouco o hotel inteiro estará aqui no quarto para saber o que esta havendo.
Soltou seu pulso e, depois, deixando-a parada no meio do quarto, alcançou a porta em passadas rápidas escancarando-a.
Uma mulher de uns vinte e cinco anos mais ou menos, bem feita, usando um vestido
arde cetim vermelho que destoava de seus cabelos ruivos, entrou no quarto rindo.
- Como você demorou! Pensei que não estivesse aqui, mas agora fico contente que esteja, pois você é muito bonito. Lili tinha razão!
Edward Masen estava trancando a porta, quando se voltou, a mulher atirou os braços em volta de seu pescoço, comprimindo o corpo voluptuoso contra o dele.
Admirada e fascinada, apesar da situação estranha em que se encontrava, Bella viu os lábios pintados da mulher se grudarem aos do homem, embora ele permanecesse rígido e hesitante.
Num momento, ela atirou a cabeça para trás para olhar seu rosto.
- O que é que há amor? Não gostou de mim?
Logo a seguir, viu, por cima dos ombros, o olhar frio dos olhos verdes de Bella, e os seus se arregalaram.
Sentindo-se ultrajada, Frenchy deixou cair os braços do pescoço de Masen e olhou para Bella, enquanto seus olhos negros e irados estudavam tudo a sua volta.
- Penso que estou começando a entender – falou com voz estridente. – quem é ela, e o que está fazendo aqui?
A mulher com o dedo erguido deu um passo a frente, mas Edward Masen a segurou rapidamente pela cintura.
- espere um pouco… o fato de ela estar aqui é um acidente…
- Ah! Um acidente é? E o vestido dela todo rasgado também é um acidente?
Fingindo uma calma que estava longe de sentir, Bella deu de ombros.
- Não, não foi! Parece que o Sr Masen me confundiu com você e, sem me dar tempo de explicar… mas por que não pergunta a ele? Tenho certeza que ele poderá esclarecer a situação melhor do que eu!
- Você está se saindo muito bem – disse Edward, mal humorado.
Ele tirou a mão da cintura Frenchy e olhou para ela com ar maroto.
- Sinto muito querida, mas ela tem razão. Ela bateu na porta, e eu pensei que fosse você. Acho que me deixei levar…
Expressões de ira, duvida, incredulidade e, finalmente, de divertimento se sucederam no rosto da francesa, e seus olhos iam de Masen a Bella e voltavam a Masen.
Finalmente para surpresa dos dois, começou a rir, jogando a cabeça para trás.
- Ah! Mas essa é a maior piada que já ouvi! Quer dizer… ele nos confundiu e não quis esperar, humm? Bien, você é bonita, Chérie – admitiu generosamente. – Como culpá-lo? Os homens são muito impacientes as vezes!
- "Impaciente" não é bem a palavra que eu usaria para descrever o Sr Masen. – replicou Bella com um ar malicioso.
Edward Masen, com a fisionomia agora inescrutável, encaminhou-se para a mesa apoiada contra a parede e se serviu de uma garrafa de Bourbon que deixara pelo meio.
- Sou da opinião que devemos tomar um drinque e discutir como vamos conseguir que a senhorita… – ergueu a sobrancelha e olhou para Bella, que lhe devolveu o olhar de cenho carregado e com os lábios comprimidos -, que essa senhorita, volte em segurança para o local de onde veio, com seu vestido intacto.
Suas palavras lembraram subitamente a Bella o que fora fazer naquela andar e o fato de que Rosalie já devia estar a sua procura. Teve uma sensação de angustia.
- Deus meu! – disse. – se meu pai descobrir onde estou ou o que aconteceu, ele o matara, e eu estarei arruinada! O que vou fazer meu Deus?
- Sim, é bom pensar em alguma coisa – retrucou Solange, com os olhinhos pretos brilhando, divertidos. – você não vai querer que um papa zangado venha encontrar a sua filhinha aqui, vai Ed, chéri?
- Isso, acredite-me, é uma coisa que não desejo! – falou de cara amarrada, batendo o copo na mesa.
Bella percebeu que ele a olhava, e enrubesceu, mas ele continuou a fazê-lo, sem se importar com seu desconforto.
- Graças a Deus que pelo menos, você não está histérica. Talvez você pudesse voltar a seu quarto e… costurar a alça do vestido. Eu só arranquei aquela rosinha idiota do seu ombro… ela deve estar por aqui em algum lugar…
- Só! Você fez uma porção de coisas e agora vem me dizer que só…
- Espere um pouco!
Solange olhou para Masen pensativamente e se virou para Bella.
-Ele está certo, é só dar um pontinho aqui no ombro, vê? Eu sempre carrego agulha e linha comigo. Pronto, eu arrumo isso. E você, mal hombre, você procura a rosinha para nós, oui?
Com a cabeça girando, numa mistura de raiva, frustração e humilhação, Bella se forçou a ficar de pé, quieta, enquanto Frenchy manejava a agulha com surpreendente habilidade, tagarelando todo o tempo em francês. Ficara encantada ao descobrir que Bella falava a sua língua, e as perguntas que fazia sobre a França e sobre a moda eram patéticas e demonstravam o quanto sentia saudades de sua terra. Apesar do fato de Solange ser, sem duvida, uma moça de má fé, Bella não podia deixar de gostar dela – havia nela qualquer coisa de tão simpático, honesto e franco, que era impossível não ter pena dela, naturalmente, já havia contado que um homem a levara a profissão que exercia agora.
Homens! Os homens era sempre a raiz de todos os problemas, pensou Bella. Era só ver os problemas que esse detestável Sr Masen lhe causara!
Ela lhe dirigiu um rápido olhar, por entre os cílios semicerrados, e viu que ele também a olhava. Dessa vez, porem, seus olhos azuis estavam sombrios e como que apreensivos. Em que estaria pensando? Que espécie de homem era? Deu a si mesma a resposta. Um pistoleiro. Um homem para quem a vida humana não tinha, obviamente, o menor valor. Um homem que tomava para si tudo o que queria, sem escrúpulos, ainda que a vitima fosse uma indefesa mulher! Desviou o olhar, mas não conseguia esquecer o modo como ele a mantivera aprisionada em seus braços e os beijos brutais que tivera de aceitar. Não pode evitar um arrepio e Solange lhe perguntou, solicitamente se estava com frio.
- Terminarei num minuto, e depois você pode ir apanhar o xale e voltar para seu papai. Que tal dizer a ela que não está se sentindo bem? Hein?
Por mais que detestasse mentir a seu pai e a Rosalie, Bella concordou em que talvez fosse essa a melhor desculpa que poderia arranjar. Afinal bebera mesmo muito vinho no jantar.
