VIII – 05D03M3021A
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Então Re-l percebeu que estava cansada. Cansada daquele nada que já estava ali quando ela acordava e que continuava durante horas intermináveis até que ela fosse dormir. Cansada de pensar sobre coisas que, por mais que tentasse e forçasse o cérebro ao máximo, não conseguia entender. Cansada de todas aquelas perguntas sem resposta. Cansada de esperar que algo acontecesse, que o vento voltasse os tirasse dali. Cansada de ser forte.
De ser tão Re-l Mayer.
E à noite, sentada na beira da cama enquanto observava Vincent fazendo a barba no pequeno espelho do banheiro, ela percebeu que também estava cansada de negar que aquele homem — Proxy, criatura divina ou demoníaca, seja lá o que ele fosse — a atraía mais do que ela gostaria. Cansada de afastá-lo. Cansada de fingir que não se importava, que não via como ela a olhava. Àquela altura, depois de tantos dias juntos naquele mundo que já não tinha mais nome, Re-l pensou que as aparências não importavam mais.
Então ela o chamou. Em silêncio.
Pelo reflexo no espelho, Vincent a viu — de roupa de dormir, a alça da blusa escorregando por um ombro, sua pele tão pálida destacada nas sombras da cabine e aqueles olhos firmes cravados nele — e percebeu que ela movia a boca, falando alguma coisa que ele não podia escutar. Uma única palavra que se parecia com
VENHA.
Com o barbeador ainda na mão, parado no ar, Vincent olhava para o reflexo dela a dizer sempre a mesma coisa, "venha", e se perguntava se aquilo estava mesmo acontecendo. Se era real. Não, não podia ser. Re-l o desprezava e havia o ameaçado com uma arma mais de uma vez. Ela era algo que ele jamais poderia alcançar.
Mas então ele ouviu.
— Venha.
E soube que deveria ir.
Vincent deixou o barbeador cair dentro da pia e, quando se virou para Re-l, não havia mais qualquer pingo de insegurança nele, apenas aquela vontade inumana de estar com ela. Ele se inclinou sobre ela e sentiu seu mundo ceder ao perceber que, pela primeira vez, ela o havia abraçado ao invés de empurrá-lo para longe.
Os braços de Re-l em volta de seu pescoço enquanto ele a beijava.
Ela não tinha gosto de nada e sua pele era quente ao ser tocada. Primeiro nas pernas, acima dos joelhos, e subindo devagar até as coxas que ele apertou com uma força que a fez gemer baixinho. Depois na cintura — a ponta de seu polegar deslizou sobre o umbigo dela — e então nos seios sob a blusa que ela mesma tirou. Seios que cabiam nas palmas de suas mãos. Re-l gemeu baixinho quando Vincent beijou-os.
Ele não sabia o que estava fazendo e tampouco tinha a capacidade de raciocinar sobre aquilo no momento, mas ao sentir o corpo dela debaixo do seu e a mão de Re-l afastando-lhe a calça para baixo, todo o resto desapareceu. Só havia ele e ela naquele mundo, e ele a amava. Então a fez sua.
Mais tarde, Vincent se lembraria de como ela cravou as unhas em suas costas e chamou seu nome num sussurro entrecortado quando ele afundou dentro dela. Se lembraria de seus seios brancos balançando enquanto seus corpos se moviam juntos. Se lembraria da dor de ter os cabelos puxados e do prazer de deslizar para dentro de Re-l, que era quente e macia. Se lembraria dos lábios molhados dela contra a pele de seu pescoço. Se lembraria do suor brotando do corpo e daquela onda violenta de prazer que explodiu num jato longo e intenso. Vincent se lembraria de sentir que nunca mais poderia se afastar daquela mulher.
Quando acabou, ele rolou para o lado e os cobriu com o cobertor embolado nos pés da cama. Re-l encolheu-se entre os braços dele. Assim tão perto, deitada junto ao seu peito, ela podia sentir as batidas do coração de Vincent, e então se deu conta de que precisava delas. Naquelas batidas estavam todas as respostas que Re-l procurava, tudo o que ela era.
— Vincent Law. — ela disse baixinho como se pensasse no nome.
Ele a olhou e ajeitou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. E a beijou com amor quando Re-l disse aquilo:
— Você é minha raison d'être*.
Porque eles estavam ligados por um laço que era impossível desfazer.
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* Razão de ser, no sentido de existir.
