Estava em meu chalé esperando o almoço ficar pronto. Tinha deitado no meu beliche e fiquei pensando no que tinha acontecido enquanto quicava uma bolinha de borracha contra a parede que encostava na minha cama. Eu estava sozinha lá, a não ser pelo aparelho de som ligado tocando uma música que eu cantava junto.

Fiquei pensando no que acabara de acontecer. Queria que houvesse uma maneira de provar que não fora um sonho, por que se fosse eu ia me bater.

Mas depois daquilo ficou muito tenso. Não tinha o que fazer, tipo, ele deu um sorriso perfeito, como sempre, e eu fiquei encarando-o com uma cara rabujenta. Eusei, eu sei, eu poderia ter feito melhor, mas no momento eu simplesmente não sabia o que fazer! Tanto é que eu saí de lá e só fui me dar conta quando entrei no meu chalé e meu irmão Jude perguntou por que estava pasma. Não respondi, só deitei na minha cama. Agora estou aqui sem nada pra fazer e sozinha, graças aos deuses.

Ouvi a porta abrir-se e virei-me pro outro lado pra ver quem era. Tomara que seja Luke, tomara que seja Luke... Tomara, tomara, tomara!

- Ooiii! – Ah, é a Carol. – não vai me dizer oi? – ela fez um beicinho e sentou na beirada da cama.

- Oi – gemi enfiando a cabeça no travesseiro. Esse era o meu código para "alguma coisa superimportante aconteceu, mas eu não estou a fim de contar agora", e ela sabia.

- Ok, eu entendo – ela ficou passando a mão no meu cabelo por um tempo – Tá, eu não vou entender se você não me contar! – ela se levantou da cama e ficou andando de um lado pro outro.

- É, mas se tu não quiser me contar... – ela deu um pulo e se sentou no chão de frente pra mim na cama.

Assim que ela disse isso, saltei da cama com um sorriso e me atirei no chão.

- Tá, eu conto, eu conto! – Deitei de barriga pra baixo e fiquei mexendo minhas pernas no ar. – Eeeeeuuu...

- Tuuuu...? – ela pediu pra continuar.

- Fiiiiiz... – na hora de contar novidade sempre é assim.

- Feeez...

- Ãhh... Opa, verbo errado – me corrigi – Eeeeuu beeee...

- Beijou o Luke – ela disse entediada. Sim, sempre é assim quando eu conto novidade: eu me enrolo toda e ela adivinha antes.

- É! – rolei no chão pra ficar de barriga pra cima.

- E como foi? Conta tudo! – ela ficou super inquieta.

- Todos os detalhes? – arqueei a sobrancelha. Silêncio mortal.

-NÃO! – Dei um salto pra traz só de susto - Ah, desculpa. Não, não...

- Tá né... – então eu contei. Não com detalhes, já que ela tinha pedido.

Fui interrompida por alguém abrindo a porta...

- Garotas? O almoço está pronto – disse nosso irmão, Jude.

- Estamos indoooo! – respondemos em uníssono e saímos abraçadas em Jude. Ele é bem legal, mas é meio emo. Ok, muito emo. Nada contra, mas às vezes ele fica entediado com nosso jeito louquinho, e isso é o que faz ele divertido.

Chegamos no refeitório, e a primeira coisa que fiz foi procurar Luke, óbvio, mas ele não estava lá.

Vi o garoto da aula de arco e flecha. Ah, que droga, eu ia ter que mostrar o acampamento pra ele depois do almoço, tinha até esquecido.

Sentamos, comemos, bebemos, e fizemos tudo que se faz em um almoço comum no acampamento meio-sangue. Muito comum no acampamento meio-sangue...

Quando me levantei pra voltar pro chalé, vi Luke sentado na mesa dele, ele parecia em um extremo mal humor. Mas mesmo assim continuei andando, com um baita sorriso e de braços dados com Carol. Olhei pra ele, depois pra ela, depois pra ele de novo. E foi ai que meu sorriso foi ao chão: tropecei em uma maldita pedra que estava naquele maldito lugar por que meu maldito sistema nervoso foi devagar demais para alertar meu maldito cérebro a me fazer virar meus malditos olhos para aquela maldita pedra que estava... Tá, parei.

Carol me ajudou a levantar.

- Tá tudo bem? – ela perguntou.

- Tá tudo ótimo – Falei olhando para Luke de novo.

- Você parece indecisa – disse interrompendo meus devaneios.

- É que eu to mesmo – falei dando de ombros.

- A ta – ela respondeu tranquila do mesmo jeito – Já se decidiu? – disse em seguida.

- Não – olhei pra ela sarcástica.

- Então me avisa quando decidir.

- Ok – falei – temos treino de quê agora? – perguntei mudando de assunto.

- Canoagem, eu acho.

- Ah – gemi – Tá afim de matar?

- Tô muito afim – discretamente, mudamos de direção em sincronia. Fomos para a floresta. É pra lá que a gente vai quando não tem nada pra fazer. É divertido andar, conversar, surrar alguns monstros...

Entramos na floresta e andamos na mesma trilha de sempre.

- Quando é mesmo o próximo caça à bandeira? – perguntei quebrando o silêncio.

- Hoje, eu acho.

- A ta – o silencio predominou de novo.

- A gente tá aliado a quem? – perguntou Carol brincando com uma mecha de seu cabelo.

- Hã... Atena, Hefesto... E Afrodite. Demeter talvez. Não sei! – disse.

- Acho que é Dionísio, não Afrodite – Ela parou e me olhou.

- Tem certeza? Aposto que é Afrodite – Botei as mãos na cintura e encarei-a desafiadora.

- Os mini-gênios não se aliariam ao chalé de Afrodite! – mini-gênios é como ela chama os filhos de Atena. Aham, mas ela já nasceu esse parafuso, ela não perdeu ele.

- Se eles não se aliariam por que eles se aliaram? – Falei mais alto.

- É que eles não se aliaram, Katarine! – Eu simplesmente ODEIO quando me chamam pelo meu nome inteiro.

- Eu já disse pra não me chamar assim Carolina! – gritei com ela com raiva exalando dos meus olhos, mas ela ria. RIA!

Peguei minha espada de bronze celestial e apontei pra ela. Nesse exato momento ela parou de rir e pegou sua espada idêntica a minha. Rimos juntas. Sabíamos que era só uma brincadeirinha, ou briguinha, como você preferir...

Ela partiu pra cima de mim, defendi os golpes e ataquei, até acho que estava ganhando! Sem querer fiz um cortezinho no ombro dela, não muito profundo, mas estava sangrando. Ela ignorou, mas eu fiquei olhando o sangue escorrer por seu braço. Isso foi o suficiente para ela fazer o mesmo, só que na minha bochecha.

- Aiêee! – Gritei – Carol! Acho melhor pararmos...

- Eu também – rimos juntas.

- Vamos à enfermaria – falei – a gente pega um kit primeiros socorros.

- Mas e se o Quíron estiver lá? – perguntou. Estávamos voltando pela trilha andando rápido, quase correndo.

- Por isso que a gente só pega, daí nós vamos pro chalé, ok?

- Tá – começamos a correr, Ela com a mão no ombro, e eu com a mão na cara. Linda dupla. Ha ha.

Mesmo estando no horário dos treinos, alguns campistas andavam por aí. Eu estava torcendo para que Quíron estivesse dando alguma aula.

Entramos pé por pé na enfermaria e pegamos o kit. Estávamos saindo sorrateiramente, bem quietinhas...

- Katy? – Paramos juntas e eu fechei os olhos – Katy? – perguntou o garoto novamente.

- Acho que é com você – Carol sussurrou e saiu correndo com o kit. Que amiga!

Virei para trás com um sorriso amarelo e a mão ainda na bochecha.

- Sim? – disse.

- O que aconteceu aí? – Perguntou ele. Agora que eu notei que estava com a mão na bochecha errada. Sim, minha bochecha direita estava sangrando, estava ardendo, mas minha mão estava estancando o sangue da bochecha esquerda, ou seja, sangue

I-N-E-X-I-S-T-E-N-T-E!

- Jared? – Por sorte não era Quíron, eu já sabia só pela voz né, mas mesmo assim estava com medo de quem fosse.

- James – ele me corrigiu – Filho de Atena.

- Aaah... Eu sabia – disse – É pra você que eu tenho que mostrar o acampamento, certo?

- Aham.

- Só espera um instante que eu vou concertar isso aqui – apontei pra minha bochecha, que já não sangrava mais.

- Ok – ele disse.

Limpei meu rosto do sangue e o corte, depois peguei outro kit de primeiros socorros e passei uma gaze nele e botei um band-aid. É, eu não fica muito legal com um band-aid na cara, mas fazer o que?

- Ei, o que houve no seu braço? – perguntei olhando o gesso.

- Eu amassei o osso – disse – Caí em cima.

- Ah ta – assenti – Vamos começar nosso tour?

- Claro.

- Bom, acho que você já percebeu, mas aqui é a enfermaria – nós rimos – Tá, vamos lá fora.

Enquanto mostrava o acampamento pra ele, notei que ele não fala muito, o que deixou nossa "conversa" meio desconfortável, por que só eu falava. Eu ainda não tinha entendido por que ele tinha pedido pra eu mostrar o acampamento pra ele, não um de seus irmãos. Mas tudo bem né?

- É, eu acho que era isso que você tinha que saber – falei.

- Tinha algo que eu não deveria saber? – ele arqueou uma sobrancelha.

- Ahn? Não, acho que não. – falei confusa – Por que se tem ou se tivesse, eu também não saberia.

- Ou você sabe, mas não pode me contar – ele deu uma risadinha.

- Ah! Tanto faz! – me cansei de tentar remendar – Era isso que eu tinha que te mostrar, pronto.

- Então tá, obrigado – disse – Agora vou voltar pro meu treino – e foi-se.

Fiquei sozinha no meio dos chalés, então resolvi ir para o meu ver se a Carol ainda estava lá.

Enquanto estava caminhando, notei que os campistas começaram a sair de seus treinos, como se tivesse batido o sinal em uma escola. Entre os chalés começou a ficar bem movimentado. Pelo jeito alguns filhos de Ares já estavam se preparando para o caça a bandeira. Alguns estavam lutando, outros afiando facas e lanças e alguns polindo armaduras e escudos. Isso era uma cena realmente assustadora.

Mas não era somente os filhos de Ares, alguns de Hefesto forjavam espadas e artigos mágicos, os de Demeter enfeitavam suas armas com plantas (mesmo isso não fazendo diferença na hora da luta), os de Afrodite se embelezavam, como sempre, e meus irmãos, bem, estavam tomando banho de sol na varanda. É bem normal ver os filhos de Apolo olhando para o sol, ficando "esquentadinhos", suando de raiva, e até tomando banho de sol. Faz bem pra nós. Sério mesmo, é como passar a tarde inteira num SPA. É relaxante.

Estava andando em direção ao chalé 7 começar meu "tratamento". Avistei Luke (lindolindolindolindo) perto do meu chalé, dando um cascudo em garoto bem menor que ele, e loiro também. Um irmão, talvez. Só que Luke ficava muito lindo dando cascudos em um garoto loiro. Na verdade ele fica lindo de qualquer jeito. O menino loiro se soltou dos braços de Luke e fugiu correndo, mas Luke não se deu o trabalho de correr atrás dele. Ele virou a cabeça para frente, ou seja, pra mim. Desviei o olhar rapidamente e comecei a correr. Subi as escadas da varanda do chalé de cabeça baixa, ainda correndo.

- KATY! – Gritou Luke – A PORTA!

Levantei a cabeça, mas não parei de correr.

- AAH! – dei um gritinho histérico e cai pra traz. Tinha batido meu nariz na porta. Só me dei conta quando cai no chão.

- Katy, t-tudo bem? – gaguejou ele ajoelhado no meu lado. Algumas pessoas que estavam próximas vieram ver o que fora aquele barulhão. Provavelmente alguma cara sendo prensada contra uma porta – Como eu sou idiota, é claro que não está tudo bem!

Senti um líquido quente escorrer da minha cara, então levei minha mão ao nariz. Legal, meu nariz estava sangrando. Olhei para minha mão ensangüentada e comecei a passar mal. Não sei por que, já vi muito sangue e nunca me fez mal. As vezes fico na enfermaria cuidando dos campistas.

- Katy? Katy! – Luke me puxou pelos ombros e balançou. – Acorda!

A última coisa que vi foi a cara de Luke. Pelo menos foi alguma coisa bonita ué.

Aaah, desculpem a demora, eh uma longa historia:

primeiro: eu sabia oq tinha q escrever, mas nao dava vontade |:

dai, quando a inspiraçao veio, escrevi tudo mas nao salvei! (agora te entendo Bel Chase Jackson)

entao foi tudo abaixo e eu demorei um ano (quase néé) pra reescrever tudo :(

Mas o q importa é q ta ai.

por favor deixem revieeews :D