"Emma, minha mãe vai ficar boa?" Como resposta teve a voz embargada de Emma pelo choro: "Não sei Henry, estamos fazendo o melhor para ela ficar boa." Emma tentou esboçar um sorriso para tranquilizar seu filho, mas Regina só viu dor. Dor que era queria longe do rosto de sua amada. Ela tinha que acordar!
Desde que havia sido sugada daquela estrada tortuosa uma leve sensação de tontura acompanhava Regina, afinal, ela saiu do caminho da morte em direção ao da vida novamente. Ela só não tinha certeza de como iria voltar ao seu corpo. A morena cerrava seus olhos e os abria novamente, só para ver se sua versão que estava inerte naquela cama iria acompanhá-la e acordar, mas nada aconteceu. O seu corpo continuava sem ter nenhum tipo de movimento. Ela reparou que as mãos de Emma nenhum momento largavam as suas. Será que Emma a amava realmente? Regina começou a reconsiderar essa possibilidade e seu coração doía por não estar ali perto de Emma e de Henry. Naquele momento somente que ela foi perceber a tristeza que causara a sua família.
– Eu amei você como eu nunca amei ninguém antes. E estou precisando que abra esta porta. Te implorando como se, de algum modo,pudesse mudar a situação. E me peça também, eu preciso tirar isto da minha cabeça.– Regina tentava conversar com Emma na esperança que a mesma escutasse suas palavras tão sinceras. Regina nunca pensou que pudesse amar novamente, mas a vida costuma sempre dar voltas e Emma era a responsável por devolver o sentimento de amar de volta ao seu coração.
Sem nenhum movimento, por mais que Regina tentasse seu corpo não se mexia e muito menos obedecia a seus comandos. Ela se sentiu um pouco perdida ao observar tudo o que acontecia ao seu redor. Regina só tinha certeza sobre uma coisa. Que ela queria acordar e sentir os lábios de Emma Swan juntos aos seus. Pela primeira vez em muito tempo em sua vida ela não se importava mais com o que os outros iam pensar, ela queria abrir seus olhos e dizer o quanto amava a xerife. Havia sido fraca e desistido de tudo, mas será que a vida poderia lhe dar uma segunda chance? Será que ela seria capaz de abrir seus olhos mais uma vez para a vida? Será que de sua boca ela poderia declarar todo o amor que sente por Emma? Ela não sabia a resposta de nada, o que deixava toda a jornada com um misto de esperança e medo. Mas, algo lhe dizia que seria capaz de sorrir novamente.
– Eu nunca pensei que estaria dizendo estas palavras. Eu nunca pensei que precisaria dizer que outro dia sozinho é mais do que eu posso suportar.– admitir que não queria ficar sozinha ainda era muito complicado para Regina, mas toda a situação que estava passando a fez repensar sobre muitas atitudes em sua vida. Ela não queria mais ter que passar um dia sozinha, e ela havia encontrado em Emma a solução para sua vida que sempre havia sido tão vazia.
Tomar consciência de tudo o que acontecia ao seu redor foi um grande choque para Regina. Ela se viu inconsciente deitada inerte em uma cama de hospital, e seu corpo repleto de fios que a ligavam a diversas máquinas que mantinham o seu coração em movimento. O mais triste para morena era que ela havia causado para mi mesma esses danos. Ela pensava que tentar se matar parecia ser mais fácil para se acabar com toda dor e sofrimento que existiam em sua vida. Mas, a dor continuava a mesma, quiçá até doía mais. Se ela pudesse voltar ao tempo ela não faria mais essa loucura. Mas, decisões erradas pareciam ser cobrar um pedágio sobre sua vida. Regina acompanhou com o olhar quando um Henry cabisbaixo saiu do quarto e observou Emma desabar sobre o seu abdômen.
– Regina, por favor, não me abandone. Quero que saiba que eu sempre estarei ao seu lado. Eu queria tanto poder salvá-la. - dizia Emma enquanto chorava.
– Você não vai me salvar? Salvação é o que eu preciso. Eu apenas quero estar ao seu lado. Você não vai me salvar? Eu não quero ficar apenas vagando sem rumo neste mar da vida.–Regina se aproximou de Emma e tentou tocá-la, mas sua mão passou sobre o corpo de sua amada. Será que nunca mais poderia sentir Emma novamente? Será que nunca mais poderia abraçá-la? As lágrimas caíam com uma enorme volúpia em seu rosto. - Queria que você pudesse me salvar. Como eu gostaria de estar ao seu lado novamente, beijar sua boca e te comigo para sempre. Eu não sei por que eu fiz isto, só agora percebo o enorme erro que cometi, será que ainda dá tempo para uma segunda chance?
Enquanto observava com lágrimas em seus olhos como Emma e Henry sofriam com seu estado. Ao mesmo tempo ela ainda era capaz de se recordar das múltiplas sensações que sentiu enquanto tomava os vários tipos de medicamentos na noite em que tentou se matar. Parecia que toda sua vida passava em sua frente, como um filme estranhamente real, tudo era verdadeiro e doloroso demais. Todos os seus erros e acertos eram expostos como se estivessem em uma prateleira de supermercado. E na prateleira da morena em sua maior parte havia apenas dor e solidão.
– Eu não quero que me abandone Emma. Eu preciso de você como eu nunca precisei em toda minha vida. Você não vai... Ouça, por favor, querida não saia pela porta. Estou de joelhos, tudo que estou vivendo é por você.– Regina havia se ajoelhado perto de Emma e apenas observava a sensação de estar tão perto da xerife. Estar ali tão perto dela e não poder a sentir era tão doloroso. Regina queria que Emma ficasse ao seu lado, mas sabia que um dia a loira precisaria viver, e um dia ela a abandonaria e retomaria sua vida. Será que ela seria lembrada por Emma? E Henry? Será que seu filho se lembraria dela com algum tipo de carinho?
Infelizmente Regina achou que a morte era a melhor solução para seus problemas. Por um mísero momento ela desejou a morte com todas suas forças, mas agora vendo o sofrimento de Emma e Henry ela percebeu que havia feito a escolha mais fácil. Desistir. Ela nunca poderia ter sucumbido à dor e desistir das pessoas que ela mais amava. Ela não podia desistir deles. Por mais difícil que fosse ela se agarraria àquele sopro de vida que permanecia em seu corpo. Para viver ela teria que acreditar que era possível. Enquanto Emma estava em um lado da cama, Regina se pôs do outro lado e ela ficou ali durante algum tempo apenas desfrutando do silêncio e desejando que tudo desse certo em sua vida pelo menos uma vez.
– Eu nunca pensei que estaria dizendo estas palavras. Nunca pensei que encontraria uma maneira. Outro dia sozinho é mais do que posso suportar.– E se Regina não quisesse mais essa vida de solidão? E se ela encontrou em Emma o que precisava para preencher o grande vazio de seu coração.
– Você não vai me salvar? Salvação é o que eu preciso. Eu apenas quero estar ao seu lado. Você não vai me salvar? Eu não quero ficar apenas vagando sem rumo neste mar da vida.– Regina tinha confiança de que seria salva por Emma. Sentia uma conexão diferente com a mãe biológica de seu filho.
Os dias passavam de uma forma absurdamente lenta, tanto para Regina quanto para Emma. A loira não desgrudava da morena em quase momento nenhum. Regina apenas ficava sozinha em seu quarto quando Emma precisava sair para se alimentar ou tomar um banho. Há uma semana que Regina queria voltar para Emma, mas não conseguia. Ela ficava sempre perto da loira, como pudesse mesmo distante dar toda a força que o amor de sua vida precisava. Como ela quisesse acreditar que Emma poderia trazê-la de volta.
– Regina... - disse Emma passando suas mãos pelos cabelos da morena. – Eu te amo tanto e quero que saiba disso onde quer que você esteja. - Que eu nunca irei desistir de você, eu sempre estarei ao seu lado. Eu queria poder salvar você. Todos os dias de minha vida poder estar ao seu lado. Eu queria poder dizer a você. Que eu não vou a nenhum lado. Eu queria que o meu amor fosse suficiente para salvar sua vida. Eu queria poder dizer a você. Que vai ficar tudo bem. Como eu queria que tudo isso fosse um sonho. Que vai ficar tudo bem. E que tudo ficasse bem.
– Repentinamente o céu está caindo. Poderia ser tarde demais para mim? Se eu nunca disse "Me perdoe". Eu não estou errada, sim eu estou errada. Então eu escuto meu espírito chamando. Imaginando se ela está ansiando por mim. E aí eu entendo que não consigo viver sem ela.– Regina não poderia mais viver sem Emma, não quando o amor se aproximava cada vez mais de seu coração endurecido pela vida. Não quando não conseguia mais ver sentido em mais nada, apenas querendo passar a vida inteira ao lado de Emma. Porque amor sem intensidade é apenas uma palavra jogada ao vento.
Regina observava Emma passando as mãos por seus cabelos. Com o cuidado sempre de cuidar dela em todos os momentos, mesmo que Emma não soubesse com exatidão onde que estava a consciência de Regina. Uma leve batida na porta e Regina reparou que a loira ignorou, não deixando nunca de olhar para ela. A morena reparava como aquela estadia no hospital estava afetando Emma. A loira andava cada vez mais cansada e esgotada. Por algumas vezes a xerife até achou que Regina mexia suas mãos. Regina sempre acompanhou com lágrimas nos olhos quando a dizia para Emma que não havia acontecido nenhuma mudança. Ela via o desespero nos olhos da mulher que amava e não podia fazer nada. Observou quando Mary Margareth entrou no quarto para falar com sua filha. Por um momento Regina queria que sua antiga inimiga tirasse Emma do quarto, dava-lhe um nó na garganta ao vê-la se deteriorando. Queria que ela tivesse uma boa noite de sono, que se alimentasse com algo que não fosse um desses sanduíches não nutritivos. Queria ser sua xerife bem.
– Emma, minha filha, está tudo bem com você? – disse Mary Margareth entrando no quarto de hospital, onde espera a resposta de sua filha que nada lhe fala. – Henry quer passar um tempo com sua mãe.
– Peça então que ele entre aqui. Regina com certeza gostará que seu filho a visite. - respondeu mecanicamente.
– Ele quer passar algum tempo a sós com ela Emma. E será melhor que você vá para casa um pouco. Aproveite para tomar um tomar um banho, descansar um pouco e aproveitar esse tempo para que possa dormir um pouco. Eu posso ficar aqui com ela para que você possa descansar. Eu estou preocupada com você Emma.
– Eu não estou indo a lugar nenhum Mary Margareth. Eu estou bem, e não sairei do lado de Regina. Eu prometi que eu ficaria ao seu lado e estou mantendo minha promessa. - Emma ignorou sua mãe e falava com Regina. – Vai ficar tudo bem, tudo bem.Regina não desista, por favor. Eu te amo! Vai ficar tudo bem, salvar você.Lute por sua vida, lute por Henry. Lute por mim.Vai ficar tudo bem, eu queria poder salvar você.
– Emma, olhe o seu estado. Você precisa descansar. Eu não quero que fique doente porque não anda dormindo o suficiente ou se alimentado mal.
– Era só isso que queria falar? Pode se retirar e, por favor, fale para Henry que ele pode entrar que eu e ele ficaremos juntos fazendo companhia a Regina.
– Você não vai me salvar? Salvação é o que eu preciso. Eu apenas quero estar ao seu lado. Você não vai me salvar? Eu não quero ficar apenas vagando sem rumo neste mar da vida.
Com lágrimas em seus olhos Regina nada pode fazer para que Emma saísse um pouco daquele quarto. Observou quando Mary Margareth não disse nada e saiu do quarto. Não havia nenhuma maneira de que convencesse Emma a sair daquele quarto de hospital. Regina observou quando Henry entrou no quarto timidamente. Seu olhar era triste ao mesmo tempo em que confiante. Aquela mesma confiança que ele tinha quando falava para todos que a maldição era real. Será que seu filho acreditava que ela poderia sobreviver?
– Emma, como está minha mãe? - perguntou Henry timidamente entrando no quarto de Regina.
– Ela teve uma melhora em seu quadro clínico, mas ela não acorda. Eu tenho fé que ela acorde. Eu tenho certeza que sua mãe está lutando pela sua vida, para voltar para nós. - disse Emma tentando confortar o filho.
– Eu sonhei com ela hoje Emma. Que ela queria voltar para nós! E eu acredito nisso. Emma, por que você não tenta beijá-la mais uma vez?
– Eu não sei garoto. Eu já tentei antes, mas nada aconteceu. Apenas não quero me decepcionar mais uma vez e ver que não terá resultado nenhum. - falou olhando para o chão, ela não queria encarar os olhos de seu filho.
– Quem sabe ela não estava pronta antes para voltar. Por favor, Emma! Tente por mim.
Henry, seu próprio filho, estava pedindo para que Emma a acordasse com um beijo. Será que funcionaria com ela? Ela tinha medo de dar alguma coisa errado. Onde já se viu a vilã ser acordada com um beijo de amor verdadeiro? Mas, ao ver todo o otimismo de seu filho, aquilo lhe reacendeu a esperança. Tinha que confiar primeiramente para poder ser salva. Observou Emma relutar por algum momento. Ela sabia que era por medo de que não tivesse efeito nenhum. Mas, logo reparou que Emma havia tomado uma decisão. Ela estava se preparando para beijá-la. A ansiedade tomou conta do corpo de Regina. Ela precisava sentir os lábios de Emma. Ela precisava dizer a xerife o quanto amava. Quando deu por si, sentiu os lábios de Emma tocando os seus.
Você não vai me salvar?
Você não vai me salvar?
Você não vai me salvar?
