- Harry...

- Sim?

- Desculpa

O olhar que Harry lhe lançou o fez corar. Odiava o poder que ele tinha sobre si, o poder de deixá-lo bobo, entorpecido, aquela maldita atração, aquele maldito fenômeno e mistério chamado Harry Potter.

Draco sentiu a mão quente deixar seu rosto e teve vontade de protestar, mas apenas observou Harry encostar-se à parede e cruzar os braços, os olhos fixos em si.

O loiro suspirou e deixando Alfredo dentro da caixa, se sentou na cama fitando as mãos.

- Eu sei que não foi certo o que eu fiz. Por isso desculpa – fitou o gatinho na caixa que tentava escapar – Eu reconheço que você foi muito generoso comigo Harry... – Draco não percebeu o estremecimento do moreno quando pronunciou seu nome- Mas...eu estava me sentindo controlado, uma liberdade limitada...como se...eu estivesse na época da guerra, perdendo o controle da minha própria vida.

Draco suspirou e se jogou na cama, fitando o teto com uma expressão vazia.

- Eu sei que, você sabe como é isso. Não poder controlar sua própria vida, seus desejos e vontades e quando aparece a chance de fazer algo que você realmente queira, você corre o risco - franziu o cenho-...mesmo sendo por algo idiota – completou.

- Quando você me prendeu aqui..eu enlouqueci... como se..

Harry observava o loiro com atenção. Draco estava relembrando algo terrivelmente ruim, ele podia sentir a melancolia do outro. Desencostou-se da parede e sentou na cama. Inclinou-se sobre o loiro e se encararam por um tempo.

- Como se...? – incentivou o outro a continuar.

Draco se virou, dando as costas para o Harry e se encolheu abraçando as pernas.

- Você sabe o motivo pelo qual eu entrei na Ordem?

- Não exatamente – Harry franziu o cenho enquanto consultava sua memória – Snape havia me explicado que você não queria seguir um psicopata e suas causas idiotas. Por quê?

Draco se encolheu mais um pouco e engoliu em seco.

- Essa é só uma parte da verdade.

Harry se deitou na cama e abraçou Draco pro trás, por alguma razão sabia que era algo doloroso.

- Quando meu pai perdeu a profecia o Lord ficou furioso, mais ainda quando meu pai foii preso. Sabendo que a maneira mais eficaz de atingir Lucius era...usando a mim e minha mãe.

Harry rosou o nariz na nuca do outro, enquanto sua mão acariciava o braço de Draco docemente oferecendo apoio.

- Por isso o ele me deu aquela missão absurda de matar Dumbledore, que no final não deu certo... já que você me impediu. – a ultima frase saiu com um pouco de sarcasmo.

- Por isso ele...- Harry pode perceber que a voz saiu chorosa – Para que ele não fizesse nada com minha mãe eu me ofereci para..um ritual...onde ele assumiria meu corpo e minha alma. Eles me prenderam em um quarto sem janelas, só com uma cama e um banheiro, eu comia bem e não era torturado porque não podia estragar o futuro corpo do seu amado Lord mas...as torturas psicológicas eram as piores.

Draco estremeceu e se aconchegou mais em Harry, talvez nem percebendo o próprio movimento.

- Eles invadiam minha mente, criando imagens e situações fictícias enlouquecedoras... Eu matando minha mãe... eu sento violentado..espancado e torturado e tudo era tão ruim e dolorido como se fosse feito fisicamente.

Draco suspirou ruidosamente, tentando disfarçar um soluço.

- Eles me mantiveram lá por três meses. Três meses sendo torturado, sem ver ninguém alem de comensais disfarçados, sem ver a luz do sol, sem ter noticias de nada nem ninguém. Severus conseguiu me ajudar a fugir e então eu decidi me unir a Ordem.

Harry esfregou a testa na nuca do outro. Imaginando o inferno pelo qual Draco havia passado, entendendo porque ele ficara alterado quando o prendera naquele quarto. Por um momento se sentiu culpado por fazer o loiro se relembrar daquela situação.

- Entendo que tenha se sentido mal Draco – lutou para que sua voz saísse suave – Mas isso não justifica seu erro.

Draco se virou para ele e o encarou, seus olhos brilhantes.

- Não – admitiu – Mas bem que eu tentei... - ele disse esboçando um sorriso.

Harry riu e maneou a cabeça. Olhou para Draco com um misto de diversão e compreensão. Draco apenas revirou os olhos diante de mais uma mudança de humor do outro, se virando e deitando de costas na cama.

Harry aproveitou a movimentação do outro e sentou em cima de Draco, uma perna de cada lado e segurou os pulsos dele frouxamente, arrancando uma exclamação dele.

- Você é humano. Humanos erram – afirmou, seus olhos fixos nos de Draco.

- Você não é humano Harry. Isso significa que você não erra? – havia provocação na voz de Draco e seu olhar era questionador.

Harry soltou um sorriso diabólico, apertou mais os pulsos do loiro e os arrastou ate ficarem em cima da cabeça deste. Aproximou o rosto, encostando seu nariz no do outro, lhe lançando um olhar ameaçador e safado.

Em um movimento rápido Harry se acomodou entre as pernas de Draco e fricciono o quadril contra o dele.

- É errado fazer isso? – sussurrou, deixando seus lábios escorregarem para o pescoço alvo de Draco que sem perceber, havia virado o rosto para facilitar o acesso daquela boca diabólica.

Harry deixou suas mãos escorregarem pelo corpo do outro, passando pela curva da cintura e escorregando até as navegas firmes.

Draco quase gemeu quando sentiu Harry apertá-lo, e abriu os olhos para fitar o Demônio que tinha um sorriso safado no rosto.

- É errado? Hem? – provocou o moreno, impulsionando o corpo novamente contra o de Draco.

- É errado o que eu te faço sentir? – Harry impulsionou seu quadril novamente, aumentando a fricção, continuou o movimento, levando suas mãos até a cintura de Draco, fazendo força para aumentar o contato.

Draco se controlava ao maximo para não gemer, suas mãos agarravam o lençol com força. O membro rígido de Harry contra o seu, separados pelo pijama de pano mole e pela calça jeans que não escondia a excitação do outro.

O modo como Harry mordiscava sua orelha, lambia seu pescoço e gemia em seu ouvido. Aquele som que parecia um rosnado enviava ondas elétricas por seu corpo, o deixava quente, o corpo de Harry era quente.

A onde de prazer que crescia dentro de si era forte. Por Merlin e Harry mal o tocara.

É errado o que eu te faço sentir?

Sim era errado, absolutamente errado. Draco não queria. Não queria vez os olhos verdes escuros de desejo, a respiração quente contra sua boca, não queria desejar ter...Harry...dentro dele.

- Para...por favor – gemeu suplicante. De fato não queria que Harry parasse, queria desfrutar mais daquela sensação enlouquecedora.

Harry piscou surpreso quando sentiu os braços pálidos envolverem seus ombros e Draco enterrar o rosto em seu pescoço. Gemeu alto quando o sentiu movimentar os quadris de encontrou ao seu, aumentando ainda mais a fricção e ditando um novo ritmo, o loiro o enlouquecendo enquanto mordia e lambia seu pescoço.

Seus instintos gritavam para possuir Draco, o cheiro dele entorpecia sua mente, seus gemidos, sua respiração irregular, a batida de seu coração eram como uma musica doce sussurrada em seu ouvido.

Draco arqueou seu corpo para trás e soltou um grito rouco, apertando os ombros de Harry com força pode sentir seu gozo manchando suas calças e escorrendo por suas pernas, em seguida Harry soltou um gemido mais alto e se derramou, manchando a calça jeans.

Harry deixou seu corpo cair ao lado de Draco. Sua respiração tão irregular quanto a de Draco. Esfregou o rosto com as mãos. Merda, havia feito uma besteira sem tamanho.

Draco deixou demorou alguns minutos para voltar a realidade, seu corpo ainda tremia pelo orgasmo avassalador. Sua mente ainda estava nublada pelo prazer, mas aos poucos foi se dando conta do que ele e Harry haviam acabado de fazer. Aquilo era tão vergonhoso.

Abriu os olhos para ver o moreno sentado ao seu lado, Harry tinha os cotovelos apoiados na perna e o rosto enterrado nas mãos. Draco não conseguiu refrear o pensamento de que Harry estava arrependido. As ações seguintes dele confirmaram isso.

Harry se levantou, estava claramente nervoso, se virou para o loiro que o encarava apoiado nos cotovelos, a marca em seu pijama denunciava o que havia acabado de fazer. Passando a mão nervosamente pelos cabelos, Harry não o encarou enquanto falava.

-Desculpa eu...perdi o controle... – sussurrou e rumou em direção a porta – Vou sair pra comprar o almoço – e se foi.

Draco sufocou um grito de frustração, se sentia tão...tão usado. Claro que Harry havia se arrependido, ele tinha um parceiro e ficava fazendo isso com outra pessoa. Podia até ser pelo fato de estar carente, tanto tempo longe de seu amante e trancado com outra pessoa o fez tomar uma medida desesperada, aproveitando o que tinha disponível no momento.

Sentiu-se mais usado ainda, descartável, apenas alguém para saciar a vontade dos outros. O miado de Alfredo o despertou de seu devaneio. Preguiçosamente se levantou e andou em direção ao banheiro, tinha que tomar um banho gelado para espantar não so a letargia, mas também tentar ver se aquele aperto no seu coração aliviava um pouco.

É errado o que eu te faço sentir?

Sim. Era muito errado, tanto que o fazia seu coração se apertar todas as vezes, que se lembrava que, nunca poderia ficar com Harry, que não representava nada para ele. Hunf, que jeito estranho de se descobrir apaixonado.

Draco arregalou os olhos, os fechando novamente por causa da água, ficou fitando o chão com o cenho franzido, como se o piso escondesse um mistério enquanto ensaboava o corpo. Mecanicamente se enxugou e vestiu uma calça de moletom e uma camisa de manga cumprida. Fitou-se no espelho, em seu pescoço as marcas que denunciavam os atos pecaminosos feitos minutos antes.

Voltou para o quarto, pegou Alfredo de dentro da caixa e o livrou do laço em seu pescoço. O bichano ronronou diante dos carinhos, se esfregando em Draco. Se deitando na cama, ajeitou o gato ao seu lado, passou a mão no edredom, onde Harry havia deitado minutos antes. Desejou que aquela historia terminasse logo, assim nunca mais veria o moreno e quem sabe aquela paixão idiota acabasse. Tolice.

Harry colocou os pacotes no banco do carona e tirou a neve do casaco. Colocou as mãos no volante e suspirou, deixando a cabeça bater no volante pesadamente.

Droga. Droga. Droga. Droga.

Era a única coisa na qual podia pensar. Aquilo estava passando dos limites, não conseguia mais frear seus instintos. Lembrou-se do corpo quente contra o seu, dos gemidos, do sabor daquela pele, o prazer que percorria seu corpo.

Mexeu-se agitado no banco, seu corpo já respondia diante das lembranças de Draco. Balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos e deu a partida. As ruas estavam tomadas pela neve, mesmo com os caminhões que passavam para removê-la da rua, dirigir havia se tornado um processo lento, já que sair a pé era quase impossível.

Passou na casa dos vizinhos antes, para desejar um feliz natal e tomar algumas providencias.

Assim que entrou em casa deixou as sacolas na cozinha e subiu para tomar banho. Harry quase perdeu o ar quando viu a porta de Draco aberta. Havia se esquecido de fechá-la? Não duvidava muito que não, já que havia quase corrido para fora do quarto. Agora, onde estaria Draco? Será que havia fugido?

Antes de deixar os piores pensamentos rondarem sua cabeça, Harry se tranqüilizou e deixou seus instintos o guiarem. Concentrou-se nos sons. O barulho do vento batendo nos vidros da casa conseguiu ouvir uma batida acelerada de um coração, bombeando o sangue rapidamente, aquela batida só podia vir de Alfredo, perto desse som, quase se confundindo, podia ouvir outra batida, mais ritmada. Respirou aliviado sabendo que Draco ainda estava dentro de casa.

Descendo as escadas, virou no pequeno corredor que dava para os fundos da casa e pode ver Draco, parado em frente à porta de vidro que dava para os jardins, envolto em uma manta, com o gato aninhado em seus braços. Harry ficou parado um tempo, admirando o loiro, os cabelos mais cumpridos balançando pelo vento que vinha pela fresta da porta, o corpo esbelto. Merlin, Harry suspirou,estava tão terrivelmente apaixonado.

Se aproximou com cuidado.

- Draco, assim vai pegar um resfriado – disse suavemente parando ao lado dele.

- A porta estava aberta e eu não resisti... Esticar um pouco as pernas – o loiro respondeu, sem fita-lo diretamente.

- Sobre o que aconteceu..- Harry começou a se explicar, mas foi interrompido por dedos macios que pousaram em seus lábios.

- Não precisa se explicar – Draco falou encarando os olhos verdes – Eu entendo, você estava carente longe do seu parceiro, eu estava aqui disponível... Acontece – ele deu de ombros elegantemente de um jeito conformado, torcendo os lábios em pesar.

Observou Draco se agachar e deixar Alfredo no chão, que saiu andando lentamente, explorando a casa.

- Draco...- Harry segurou o braço do menor, o fazendo voltar-se para si, colando os corpos – Você não entende...eu não..você é..

Draco observava o conflito que Harry travava dentro de si. Ele abria e fechava a boca varias vezes e franzia o cenho. Deixou seus olhos pousarem sobre a porção de pele que aparecia entre os botões abertos da camisa pólo, o peito musculoso que subiu e descia lentamente. Harry era vários centímetros mais alto que ele, e maior também. Colocou a mão sob o peito do moreno, podendo sentir o coração acelerado do outro, o aperto em seu braço suavizando. Quando falou, não ergueu a cabeça.

- Tudo bem Harry, está tudo bem – se virou e subiu as escadas rapidamente, quase batendo a porta de seu quarto.

Harry socou a parede, se sentia tão estúpido. Um miado chamou sua atenção e pegou o minúsculo animal, Alfredo miou e começou a brincar com a gola de sua camisa tentando arrancar os botões.

Parou em frente a escada e olhou para cima, pensando em Draco, prepararia o almoço para ele primeiro, depois veria como ficariam as coisas.