FANGIRL-ILY


Sinopse: Lily Evans era completamente apaixonada pelas maravilhas da internet. Passava todo o tempo livre lendo teorias sobre suas séries favoritas, reblogando edições no tumblr, discutindo personagens no twitter, escrevendo fanfics de Star Wars anonimamente e assistindo aos vídeos de seu youtuber favorito no YouTube. Quando ela acredita que está vivendo mais sua vida virtual do que a real, o barulho da mudança de seu vizinho a traz de volta à realidade. E mais tarde naquele mesmo dia, seu youtuber favorito coincidentemente posta um vídeo anunciando sua mudança para Hogsmeade.

[JILY - UA]


Disclaimer: Personagens principais pertencentes a J.K. Rowling. A história passa em um Universo Alternativo, ou seja, não há nenhum bruxo.


NOTAS: Vai ter gente que não vai gostar do cap, vai ter gente que vai ficar indiferente e vai ter gente que vai amar. Infelizmente nem Fangirl-ily é dinheiro pra todo mundo gostar, né non? Rs'

Como o nome do capítulo já diz: Garotas gostam de garotas assim como os garotos. Eu disse que queria explorar assuntos polêmicos e sexualidade é um desses assuntos. Espero que entendam e aceitem e que, de alguma forma, as coisas expostas aqui na fanfic, possam acrescentar algo na vida de vocês. Seja algum questionamento, uma certeza, uma dúvida. Tudo é válido!

Boa leitura, amores :3


7. Girls like girls like boys do


[SEGUNDA-FEIRA - 04 DE JULHO, 2016]


— Eles vão ficar bravos com você por causa disso? — Ela perguntou, assim que James e Remus saíram do quarto azul, deixando com que Lily e Sirius encarassem apenas o lugar onde eles haviam estado. Como, por Vader, aquele tipo de coisa podia acontecer?

Quer dizer, deveria haver uma porcentagem, não devia? Do tanto de azar que uma pessoa poderia ter durante a vida inteira? Estaria o gráfico da sorte de Lily totalmente bagunçado? Quando a criou, será que a força havia esquecido de colocar algumas coisas boas por lá?

Bem, era o que parecia.

Suspirando, Sirius deu de ombros.

— É provável. Mas depois eu vou explicar e tudo vai ficar bem. — Ele disse, embora não parecesse muito convencido.

— Você não pode contar sobre...

— Relaxa, ruiva. — Sirius sorriu para ela, divertido, afastando as rugas de preocupação. — Não vou contar a eles sobre "A Culpa Não é Das Estrelas". — Citou a fanfic da garota, fazendo-a corar. Como sempre.

Lily expirou, sem conseguir definir como se sentia. Caminhou até a janela, puxando as cortinas de modo que ninguém mais pudesse vê-los, xingando-se por não ter feito aquilo antes de sair de casa – afinal de contas, talvez fosse melhor ela selar a janela, de modo que nunca mais precisasse se humilhar na frente de James Potter.

Não enquanto estivesse em seu quarto, pelo menos.

— Você escreve há muito tempo? — Sirius perguntou, interrompendo os devaneios dela, após alguns minutos em silêncio, no qual ele apenas a observava caminhar de um lado para o outro no quarto.

— Seis anos. — Lily murmurou, sabendo que de nada adiantaria mentir para ele. Afinal de contas, de todas as coisas constrangedoras que poderiam ter acontecido e das quais Sirius poderia saber, ler uma fanfic para maiores de dezoito anos dela era de longe a pior. E ele havia acabado de fazer aquilo. — Mas eu leio há quase oito.

Ele assentiu, interessado e abriu a boca para responder, mas antes que o fizesse, a porta do quarto foi aberta e, por ela, Helena Evans espiou.

— Está tudo bem por aqui? — Ela perguntou, simpática, encarando Sirius com um brilho estranho nos olhos. — Pensei ter ouvido gritos e... — Mas interrompeu-se, corando levemente. — Querem biscoitos?

— Mãe! — Lily reclamou, sentindo-se envergonhada diante da expressão curiosa demais no rosto de sua genitora.

— Eu adoraria biscoitos, Sra. Evans. — Sirius respondeu, sorrindo para a mãe dela, fazendo com que Lily o encarasse, furiosa.

Helena parecia prestes a derreter, um sorriso gigante despontando em seus lábios.

— Vou trazer para vocês. — E, lançando um olhar significativo para Lily, fechou a porta novamente.

Lily gemeu, frustrada.

— O quê? — Sirius perguntou, arqueando uma sobrancelha em indagação.

— Você não percebeu? — Ele negou. — É que... bem... — Respirou fundo, tentando se acalmar. — Fazia muito tempo desde que um garoto entrava no meu quarto. — Rolou os olhos. — Meu último relacionamento foi há três anos e, bem, durou menos do que uma linha do tempo intacta perto do Flash. Ela deve achar que você... — Mas recusou-se a continuar, se sentindo absurdamente irritada com tudo aquilo.

Sirius parecia surpreso com a informação, encarando-a como se tivesse três cabeças.

— Quê?

— Ela vai achar que estamos namorando. Ou aos amassos. Ou qualquer coisa próxima disso. — Ela resmungou a contragosto, voltando a sentar na cadeira em frente escrivaninha. Só para se erguer logo em seguida, ansiosa demais para conseguir ficar quieta.

O sorriso nos lábios de Sirius era malévolo.

— Talvez pudéssemos cooperar com a imaginação dela. — Disse, maroto.

Lily fechou a cara para ele, preferindo não responder à brincadeira. Ter sua mãe pensando que estava namorando com Sirius era o menor de seus problemas naquele momento. Tinha coisas mais importantes a aborrecendo. Pensando nisso, voltou a sentar, arrastando a cadeira de rodinhas até estar em frente ao garoto.

— Por que o Lupin me odeia? — Questionou, séria.

A expressão no rosto de Sirius murchou imediatamente, dando espaço para o desconforto.

— Ah... — Ele murmurou, mas interrompeu-se, sem saber o que dizer.

De todos os momentos nos quais Lily imaginara Sirius Black sem fala, aquele não era um deles.

— Vamos lá, Sirius.

— É... complicado. — Ele passou as mãos pelos cabelos, afastando-os dos olhos. Lily percebeu que ele havia deixado a barba crescer um pouco e que aquilo deixava o garoto com um ar ainda mais maroto.

— Sirius Black, você acabou de ler uma história pornográfica escrita por mim. — Sentiu as bochechas esquentarem. — Quero dizer, por Vader, não existe nada que possa ser tão ruim quanto isso.

Sem conseguir se controlar, Sirius sorriu levemente.

— Você tem um bom ponto.

Lily sorriu.

Naquele momento, Helena Evans voltou a entrar no quarto – ainda sem bater – soltando um sorrisinho nada discreto ao deparar-se com Lily e Sirius tão próximos. Lily não segurou o rolar de olhos impaciente que lançou para ela.

— Trouxe biscoitos e suco. — A mãe sorriu, depositando a bandeja sobre a escrivaninha. E então voltou a encará-los. — Divirtam-se! — E saiu.

Lily voltou a gemer.

— Pela força, parece que ela está sugerindo que façamos sexo selvagem. — Estremeceu com a ideia, surpreendendo-se ao perceber que não conseguia se imaginar fazendo tal coisa com Sirius. Meses atrás ela teria gritado por beijá-lo (na verdade, por qualquer um dos Marotos), mas, agora, tudo o que conseguia pensar ao encará-lo era que Sirius era por demais insuportável para que quisesse ter qualquer coisa com ele.

— Quando quiser, ruiva. — Ele piscou e ela esticou-se para dar um tapa em seu braço.

— Vamos, você tem coisas mais importantes a me dizer. — Lily disse, esticando-se para a escrivaninha e puxando a bandeja para perto deles. Sirius pegou um biscoito.

— Isso é maravilhoso. — O garoto disse, com a boca cheia.

Black...

— Certo, certo. — Suspirou, terminando de engolir o biscoito e encarando-a. — Remus e eu tivemos uma briga antes de eu vir para cá. — Ele disse, melancólico. — Não que isso seja novidade, afinal vivíamos brigando, só que dessa vez foidiferente.

Voltou a ficar em silêncio, pensando em suas palavras. Lily esperou, paciente, mordiscando um biscoito nervosamente enquanto ele se demorava.

— Nós sempre fomos amigos, eu, Remus, James e Peter. Morávamos perto, éramos colegas na escola. — Sorriu para Lily. — Você deve saber essa história, afinal é nossa stalker.

— Ei...

— Só que com Remus sempre foi esquisito. Ou, bem, para mim sempre foi esquisito. — Sirius estreitou os olhos, pensativo. — Quando você me perguntou sobre "a coisa" e eu dei a entender que eu sabia porque eu tenho essa "coisa"... É porque eu realmente tenho. — Ergueu os olhos para ela, sorrindo sem humor. — Eu sou bissexual. — Meneou a cabeça enquanto Lily absorvia a informação, sem reação, todas as palavras parecendo ter fugido de sua boca, deixando-a sem fala. — E, para mim, isso nunca foi um incômodo. Na verdade, James achava divertido...

— James é...?

— Não... Ele não é. Não precisa se preocupar com a concorrência masculina, ruiva. Até porque, comigo por perto, você teria perdido fácil. — Brincou, maldoso. — Mas ele nunca se importou e me ouvia falar de tudo como se fosse a coisa mais normal do mundo. Acho que por isso que nunca notei o desconforto de Remus.

— Eu não entendo...

— Remus nunca aceitou o que era. E, veja bem, ele não é bissexual. — Sirius interrompeu-a, frustrado. — Ele mentia para si mesmo, mente, tanto que quase nenhum de nós notava... até que algumas coisas saíram fora de controle dois anos atrás e, bem, ele se mudou para Londres. E ignorou completamente o que havia acontecido. — Mas não explicou o que era o tal "acontecido" e Lily percebeu que talvez fosse algo pessoal demais, portanto também não insistiu. Sirius suspirou. — Tudo tinha melhorado... até que decidimos passar as férias na casa dele e então o Peter viajou e o James veio para cá e as coisas ficaram estranhas entre nós dois. Eu... acabei falando o que não devia. Acho que ele não esperava que o pressionasse tanto... — Deu de ombros, como se estivesse se desfazendo do quanto as palavras pareciam machucá-lo.

— Ah... — Lily sentiu-se horrível por tê-lo feito falar sobre aquilo, imediatamente sentando-se ao lado do garoto na cama, colocando uma mão sobre seu ombro. — Me desculpe, Sirius, eu não sabia. Eu... por Vader, eu não fazia ideia... quero dizer, tudo bem, li algumas fanfics wolfstar, mas...

Wolfstar? — Sirius encarou-a, curioso. Ao perceber o que havia acabado de falar, Lily gargalhou.

— É o seu ship. Com o Remus. Wolf de lobo, porque o Lupin usa o apelido Moony e o símbolo do canal é um lobo. E Star porque o seu nome é o de uma constelação. Logo: wolfstar. — Gargalhou novamente, sentindo-se absolutamente ridícula por falar aquilo com Sirius Black, mas, ao mesmo tempo, estranhamente leve.

Era bom poder falar com alguém além de Marlene e Alice sobre aquelas coisas, para variar. Black, por outro lado, a encarava com a boca escancarada, como se nunca houvesse ouvido algo tão absurdo.

— Meu Deus, você é muito louca. — Ele disse, estupefato.

A ruiva gargalhou ainda mais.

— Você não diria isso se lesse as histórias que as outras fangirls escrevem sobre vocês.

— Eu... — Começou a dizer, mas interrompeu-se, balançando a cabeça como se quisesse afastar um pensamento. — Vou deixar isso para lá. Não faz o menor sentido.

— Vocês são um dos meus OTP's. MEU VADER! Você tem noção do quanto isso é incrível? — Lily sabia que deveria estar parecendo uma louca, mas não conseguia se controlar diante de tal descoberta. Até porque, por Vader, quando iria ter outra oportunidade de falar sobre o seu ship favorito com um dos integrantes do seu ship favorito? — Deus, quantos plots de fanfic eu poderia escrever com isso...

— Você não é louca a esse ponto... — Sirius estreitou os olhos, parecendo horrorizado.

Foi a vez de Lily sorrir, maldosa.

— Nunca duvide de uma fangirl. Parece que estamos quites, Sirius Black. — Sorriu ainda mais, mas então parou, suspirando. — Então vocês brigaram porquê... o Remus não quis assumir o que era?

— Ele tem vergonha, eu acho. Ou medo. Ou os dois. Eu sempre fui indiferente a opiniões, nunca dei muita atenção para o que os outros falam, mas Remus não tem esse filtro. Ele se comove demais, ele... se importa.

Então ele entrou em um silêncio melancólico, encarando o biscoito que tinha nas mãos como se quisesse desvendar os mistérios contidos naquele pedaço de farinha e chocolate.

Lily respirou fundo, sentindo que estava na hora de mudar de assunto. Era estranho o sentimento de proteção que despertou dentro dela ao ver Sirius – o risonho e insuportável Sirius – tão abalado.

— Sabe, eu não tenho certeza de que não tenho a "coisa" ainda. — Ela disse, meio à esmo, meio interessada. Sirius ergueu os olhos para ela, curioso. — Eu... não sei.

Mais uma vez, ficaram em silêncio, mastigando os biscoitos e servindo-se de suco enquanto estavam perdidos nos próprios pensamentos.

Sirius foi o primeiro a quebrar a quietude.

— Sabe, ruiva, o único jeito de saber se você tem a "coisa" é provando a "coisa". — E, sorrindo, ergueu-se da cama, espreguiçou-se e encaminhou-se para a porta. — Vou indo nessa. Tenho a terceira guerra mundial para amenizar.

— Oh, merda. — Lily xingou, percebendo a extensão dos problemas. Remus a odiava não porque achava que ela era uma aproveitadora, mas porque estava, possivelmente, com ciúmes. E depois da cena que havia presenciado, iria ser um inferno na terra dissuadi-lo das intenções totalmente inocentes de Lily para com Sirius. — Ugh. Ele vai me odiar ainda mais.

Sirius meneou a cabeça.

— Vamos dar um jeito nisso. É bom que ele sinta alguma coisa, na verdade. — Disse, sorrindo marotamente. — Vocês vão ter de se dar bem. Aliás, vocês precisam disso. São como gêmeos. Nunca vi duas pessoas com tantos gostos em comum. — Acenou para ela. — Tchau, ruiva.

— Tchau, Sirius. — Lily sorriu em resposta. — Obrigada pela conversa.

— E, como sempre, o prazer é todo seu. — Piscou e saiu para o corredor, fechando a porta atrás de si, deixando-a sozinha com seus pensamentos.


[QUARTA-FEIRA - 06 DE JULHO, 2016]


— Me desculpe. — James disse, parecendo culpado. E era bom que estivesse. — É que pareceu...

— Pareceu que você estava aos amassos com a vizinha do Prongs. — Remus adicionou, muito mais agitado do que James parecia.

Sirius rolou os olhos.

— Eu já disse para vocês: ela estava tentando pegar o celular da minha mão, porque eu tinha gravado alguns snaps dela...

— E porque você teria feito uma coisa assim? — Remus parecia extremamente incomodado. Sirius não pode deixar de sorrir, afinal ali estava a prova de que precisava: Lupin se importava mais do que deveria com toda aquela situação. — De que serviria gravar snaps com ela?

Sentindo-se como se estivesse respondendo a mesma pergunta pela milésima vez – o que deveria ser – Sirius empertigou-se.

— Oras, por quê?! Porque as fãs do Prongs estão doidas atrás de quem é a tal da "ruiva do snap". Eu queria apenas ajudá-las. — Sorriu, sentindo-se levemente culpado por mentir para os amigos, mas, ao ver a expressão de desgosto no rosto de Remus e a de euforia no de James, soube que havia feito a coisa certa. Voltou-se para Prongs. — Inclusive, depois que você deixou escapar o nome da moça, ao pedi-la para olhar para os snaps, sabe... — Deu de ombros. — Já estão shippando vocês dois.

— Quê? — James parecia atordoado, como se não tivesse entendido lhufas do que Sirius dissera.

— É. Jily, o nome do ship. E, pelo que vi, é OTP.

OT o quê? — Remus interferiu e Sirius precisou se segurar para não cair no riso ao lembrar da explicação de Lily.

One True Pairing. Algo como o casal mais perfeito, o verdadeiro, o melhor. — Sirius sorriu ainda mais ao ver as bochechas coradas de James. Remus, por outro lado, parecia muito mais calmo. Moony, Moony, não diga que eu não avisei, Sirius pensou consigo mesmo. — Já estou até prevendo as fanfics "Jily – Um amor para recordar". Vai ser sucesso. — E gargalhou da expressão dos amigos.

— Isso é... ridículo. — Mas não parecia o que James queria dizer realmente. O garoto passou a mão pelos cabelos, pensativo. Então, meneando a cabeça, ergueu os olhos para Sirius. — Vou... levar a Odette para passear. — E murmurou mais alguma coisa antes de ir em direção à porta.

— Quê? — Sirius disse, fazendo-o estacar. — Você acha que, depois de toda essa cena que vocês dois fizeram, vou simplesmente aceitar as desculpas de vocês? Fácil assim?

James arqueou a sobrancelha enquanto Remus suspirava.

— O que você quer, Sirius?

Sorriu.

— Um desafio.

James sorriu em resposta.

— Aceito. Mas depois que eu voltar. E nada de coisas obscenas, Sirius. — Estreitou os olhos em aviso e então saiu deixando os outros dois na sala.

Remus, parecendo estranhamente consciente de que estavam sozinhos, também se afastou em direção à porta.

Sirius o chamou, sentindo-se absurdamente divertido.

— O quê? — O outro perguntou, incerto.

— Sabe, nossas fãs também têm outro OTP. — E, aumentando o sorriso de uma forma que fez seu rosto doer, disse: — Wolfstar.

Corando quase tanto quanto a vizinha ruiva, Remus saiu, apressado, deixando um Sirius muito satisfeito consigo mesmo.


— E é isso, Marauders! — Sirius disse, sorrindo para o celular. — Depois de levar a Odette para passear, como não temos mais nada para fazer da vida, decidimos jogar. — Piscou antes de trocar para a câmera traseira do celular. — Prongs, Moony, estão prontos?

James fez o sinal de positivo com a mão antes de se posicionar perto do balde cheio d'água. Remus fez o mesmo ao seu lado. Era um dia quente de verão e eles estavam no jardim da casa de James, próximos à piscina; haviam decidido gravar Snaps para as fãs. Depois de terem uma discussão de horas para qual desafio seria melhor, decidiram para a do pega-com-a-boca – que nada mais era do que enfiar a cabeça na água colorida e tentar pegar um objeto com a boca. Cada objeto dentro do balde tinha um valor. Quem somasse mais pontos no final de cinco minutos, vencia o desafio.

E, claro, Sirius havia escolhido os melhores objetos para fazer tal pratica. Ele seria o juiz e Moony e Prongs os concorrentes. O vencedor ganharia um pote de sorvete. Certo, talvez parecesse idiotice, mas qualquer um que acompanhasse os Marauders saberia do amor que eles nutriam pela guloseima. Era um amor realmente forte.

Marauders. — Voltou para a câmera frontal. — Quero que saibam que os dois meninos ali estão participando deste jogo porque decidiram duvidar da minha integridade. — Sorriu, malvado, aguardando para os próximos dez segundos. — Devido a este triste fato, decidi que teria minha vingança e, por causa disso... — Esperou novamente. — Escolhi objetos maravilhosos para os meninos pegarem com a boca. Tenho certeza de que irão aguçar a imaginação de vocês. — Sorriu ainda mais.

— Anda com isso, Sirius! Apostei cinquenta libras que venceria esse jogo. — James resmungou. — E eu não tenho cinquenta libras.

— São cinquenta libras ou seus DVD's de Doctor Who. — Remus adicionou, sorridente. — É bom você ter suas libras até eu te vencer, James.

James bufou.

— Você sabe que isso não é nada justo. — Disse, irritado.

— A vida não é justa, meu amigo. — Remus retrucou, sorrindo, convencido.

Eles teriam continuado por dias a fio, portanto Sirius decidiu interrompê-los, mesmo sabendo que as fãs deles iriam amar continuar observando aquelas discussões. Aliás, o que elas não amavam neles?

— Preparar, três, dois... RUN, FOREST, RUN! — E, em seguida disso, tudo o que pode ver de James e Remus eram as costas arqueadas e a parte de trás da cabeça. Cronometrou no relógio de pulso, soltando uma longa gargalhada quando Remus ergueu o rosto de seu balde.

Cuspindo longe o que havia pego, encarou Sirius, furioso.

— É sério, Sirius? — Resmungou, irritado. — Vibradores?

— Achei que combinava com vocês. — Gargalhou mais um pouco. — E o James tinha uma caixa cheia deles. — Indicou o outro que havia acabado de emergir do balde, dois vibradores coloridos em sua boca. Cuspiu ao lado do balde.

— Você vai me pagar por isso, Sirius. — James reclamou, mas como o bom competidor que era, voltou a colocar o rosto dentro da água colorida. Sirius encarou Remus.

— É melhor você se apressar, James está na frente. Não esqueçam que os cor-de-rosa valem mais.

Sirius sabia que Remus estava prestes a pular em seu pescoço, mas James voltou a emergir, segurando um vibrador cor-de-rosa entre os dentes, fazendo com que ele fosse obrigado pelo seu lado competitivo a continuar.

Aproveitando a vista, Sirius sorriu, satisfeito. Ah, como era doce a vingança. E, no caso deles, particularmente colorida.


[QUINTA-FEIRA - 07 DE JULHO, 2016]


— Você o quê? — Marlene encarou-a, abismada.

— Vou ir em uma balada gay. — Lily disse novamente, levemente ofegante enquanto tentava manter o ritmo ao segurar a guia de Padfoot. Lançou um olhar sobre os ombros, com medo de que alguém a reconhecesse e a atacasse no meio da rua. — Com a Emme.

— Você... Meu Deus, Lily, você realmente está preocupada com isso! — Marlene parou de andar, apoiando-se em seus joelhos enquanto respirava, forte. — Esse seu cachorro... faça ele andar mais devagar.

Resignada, Lily puxou a guia com mais força, fazendo Pads parar.

Fica. — Disse autoritária para o cachorro. — E, sim, eu estou.

— Eu pensei que estivesse brincando. — Marlene disse, após recuperar o fôlego. — Não achei que...

— Pois é. — Lily suspirou, caminhando até um banco vazio que havia perto de onde estavam, sentando-se ali e ajeitando-se de forma que podia acariciar a cabeça de Padfoot confortavelmente.

— Bem... — Marlene sentou ao seu lado, sorrindo levemente. — Pelo menos com garotas eu posso ajudar. Tenho certeza de que meu gosto para elas é muito melhor do que para garotos. — Estremeceu, como se lembrasse de algo ruim. E, bem, levando em consideração o histórico amoroso de Marley, Lily entendia perfeitamente o que ela queria dizer. — Quero dizer, primeiro temos que observar as opções. Temos que encontrar uma bem maravilhosa, meio nerd, que goste de Star Wars... hm... — Colocou uma mão no queixo, pensativa. — Conheço algumas assim na aula de desenho, mas eu ficaria longe da Bulstrode se fosse você e... ah, talvez eu devesse te apresentar à Brown, embora ela seja meio velha para você e...

— Marley. — Lily interrompeu-a, sentindo-se estranhamente feliz com a reação da amiga. — Está tudo bem. Eu ainda não sei o que eu quero. Isso vai ser só uma experiência. Não é como se eu fosse beijar alguém por lá. Eu só quero ver as pessoas, interagir com elas, tentar entender como me sinto, sabe? Aproveitar o momento e tudo o mais. É que... é simplesmente muito esquisito eu estar tão confusa agora, depois de já ter namorado meninos antes. Eu sempre pensei que gostasse de homens. Mas e se eu estiver procurando no lado errado? E se o meu lugar é no vale colorido? — Lily bufou. — Não é como se eu estivesse me deixando levar pela opinião dos outros, é que... eu quero saber. E eu percebi que essa minha dúvida já vem de algum tempo. Eu só percebi agora porque as pessoas começaram a comentar, mas... — Deu de ombros.

— Então você vai precisar de toda ajuda que puder conseguir, afinal você não acha mesmo que vai conseguir conquistar uma menina sem a minha ajuda, né? — Marlene rolou os olhos e bufou. — Pena que essa festa é na sexta, porque senão, juro, iria com você. Mas tenho que estudar para a prova de Artes. Meu professor de desenho está quase me fazendo querer arrancar meus dedos. Ugh, odeio aquele cara.

Sorrindo, Lily sentiu-se muito mais leve do que em dias.

— Faça ele se arrepender, Marley. Se ele visse suas HQ's e fanarts estaria chorando por não ter seu talento. Você devia mostrar para ele.

— Oh, ele choraria mesmo. Sou maravilhosa. Mas ainda não. Não quero que ninguém veja aquilo antes de estar pronto. — Então elas continuaram a conversa, vagando por assuntos mais amenos, rindo e se divertindo enquanto Lily contava, constrangida, sobre o que havia acontecido com Sirius. — Meu Deus! — Marlene exclamou, chorando de tanto gargalhar. — Ele leu os seus smuts? Lily, isso é-

— Horrível, perverso, insuportável.

— Na verdade eu ia dizer fofo. — A amiga disse, piscando. — É impressão minha ou está rolando um clima entre vocês dois?

Sentindo o rosto esquentar, Lily exclamou, aborrecida:

— É claro que não, Marley! Acabei de dizer que vou sair com a Emme, que muito gentilmente se ofereceu para me levar no show das Esquisitonas, uma banda de Rock feminino, na balada gay perto da casa dela. — Bufou. — Eu não sinto nada pelo Sirius além de um profundo desgosto.

Mais uma vez, Marlene rolou os olhos.

— Certo, Lily, você até pode não gostar dele desse jeito... na verdade, vocês dois parecem irmãos: um implicando com o outro. — E então gargalhou. — Eu pagava para ver a sua cara ao ver toda aquela gente te seguindo e perguntando sobre quem era a "ruiva do snap".

Gemendo, Lily ergueu-se do banco, olhando mais uma vez para os lados, cuidando para ver se encontrava alguém as observando. Por Vader, era realmente insuportável ter de fazer aquilo toda hora. Era como estar à espera de um ataque dos Sith e não saber de que lado eles viriam. Indagava-se sobre como Sirius, James, Peter e Remus conseguiam lidar com aquela sensação.

— Não me lembre disso, Marlene. Foram as piores horas da minha vida. Pensei que sofreria um infarto antes de excluir aquelas mentions e bloquear a minha conta. — Estremeceu. — Isso seria péssimo.

— Seu enterro seria péssimo, Lily. Pessoas descobrindo sua conta não é nada...

— Não é nada? Marley! Se o mundo descobrir que escrevo fanfics tendo quase vinte anos de idade... sofrerei bullying pelo resto da minha vida. Isso é sim alguma coisa, Marlene!

— Você é muito dramática.

— E você já disse isso milhares de vezes

— É que você nunca parece entender. — Deu de ombros, divertida. Seu olhar ficou maldoso. — Mas então e a Emme? Não lembro de vocês se darem tão bem assim para saírem juntas.

Como de praxe, o rosto de Lily esquentou, deixando-a mais vermelha do que um tomate.

— Bem, ela me ajudou com o negócio das menções no Twitter e acabou puxando assunto nas mensagens...

— E, como retribuição, vocês vão sair juntas? — O sorriso de Marlene era descaradamente cheio de segundas intenções.

— Que a força te carregue, Marlene! — Lily reclamou, sentindo-se, se era possível, ainda mais constrangida. — É só um favor. Ela precisava de alguém para ir com ela no show, já que a Barnow não iria poder... me ofereceu e eu aceitei. Nada mais do que isso.

Marlene não parecia concordar com aquilo, contudo, evitou o assunto enquanto se afastavam do parque, embora um sorrisinho irritante estivesse brincando em seus lábios.


[SEXTA-FEIRA - 08 DE JULHO, 2016]


Eu vou te encontrar lá, com o Frank. Ele está curioso, nunca foi numa festa dessas. —Alice riu. — Que horas você vai ir?

— A Emme vai passar aqui às oito. — Lily respondeu, segurando o celular entre o ouvido e o ombro, enquanto terminava de se secar. Havia acabado de sair do banho e eram sete e meia. Ela estava quase atrasada. — Allie, vou desligar, acabei de sair do banho e preciso urgentemente me arrumar. Nos vemos em menos de uma hora.

Okay. Até mais, Lil'.

Desligando a ligação, Lily deixou o celular sobre a pia, preparando-se para secar o cabelo. Estava usando o banheiro do quarto de seus pais, porque era muito maior que o dela – e porque o espaço extra deixava mais fácil para ela fazer suas performances dançantes. Ah, se Beyonce visse ela dançando Single Ladies, Lily tinha certeza de que seria contratada para ser uma de suas bailarinas.

Assim que terminou de arrumar o cabelo – que por milagre estava em um bom dia – e de ter se vestido – depois de ter passado horas encarando o guarda-roupa sem saber o que usar, por fim optou por uma blusa um pouco mais justa (e que deixava mais coisas à mostra, embora não exageradamente) e um short jeans rasgado – correu até seu quarto, tendo esquecido dos sapatos.

— Lily. — Sua mãe apareceu na porta, encarando-a de cima a baixo. Sorriu. — Uma menina, Emmeline, está lá embaixo te esperando.

— Ah, certo. Ainda falta algumas coisas... diga para ela subir, mãe. — Respondeu, meio à esmo, sem dar muita atenção para ela. Somente quando estava indo experimentar outro sapato é que percebeu que ela ainda estava lá. — O que foi, mãe?

— Hm, bem... — E então desencostou-se da porta, fechando-a ao entrar no quarto. — Essa festa que você vai, o menino... Sirius Black, vai ir também?

Lily sentiu-se tencionar imediatamente. Cruzou os braços sobre o peito, encarando a mãe, séria.

— Não, ele não vai. — Disse, firme, contudo Helena sequer piscou. — Por quê?

— É que... bem, fico feliz por vocês dois. — Disse e sorriu ainda mais. — Quero dizer, seja lá o que vocês dois estiverem fazendo... se estiverem fazendo alguma coisa, obviamente, o que pode não estar acontecendo e- — Então calou-se, totalmente perdida no que estava falando. Por um momento, Lily reconheceu-se no jeito desajeitado de sua mãe e um sorrisinho escapou de seus lábios. Só para sumir logo em seguida, ao ver Helena Evans se aproximar e segurar suas mãos. E deixar um pacotinho prateado entre elas. — Só por... garantia.

— Meu Vader... — Lily começou a falar, mas a mãe já tinha ido embora. Baixou os olhos para o quadrado em suas mãos, sentindo-se mais constrangida do que jamais havia pensado ser possível (e ela já tivera vários motivos para sentir-se extremamente constrangida, principalmente nos últimos dias).

— Hey, Lily! — Novamente a porta do quarto foi aberta, mas daquela vez não era sua mãe. Com os cabelos loiros na altura dos cotovelos, uma calça jeans e um top, Emmeline sorria para ela. Lily sentiu alguma coisa no estômago e imaginou que deveria ser nervosismo. Tão avoada estava que se esqueceu do que estava segurando até que a garota baixou os olhos, arqueando uma sobrancelha para ela.

— Ah, oi, Emme. — Lily disse, o rosto corado enquanto colocava o preservativo de qualquer jeito dentro do bolso do short. — Estou quase pronta. — Sua voz saiu estranhamente aguda, então limpou a garganta. — Espera só um minuto. Pode sentar, se quiser... — Deu as costas para a garota, indo até onde estavam seus calçados.

— Certo. — Emmeline concordou, divertida, enquanto observava à sua volta. —Então você é realmente fanática por Star Wars. — Ela comentou, sem sentar-se, caminhando pelo quarto, observando os pôsteres. — Também gosto... embora não tanto assim. — Sorriu, divertida. Parecia estranhamente à vontade no quarto, o que fez com que Lily lembrasse quase imediatamente de Sirius. Sorriu para a garota que retribuiu.

— Meu amor por Star Wars é um pouco maior do que o normal. — Lily comentou, fazendo com que Emmeline sorrisse um pouco mais. Só para franzir o cenho logo em seguida.

— Hm, Lily... por que você aceitou sair comigo? — Emmeline indagou, por fim, dando vasão à curiosidade que a corroera por todo o tempo desde que Lily havia aceitado o convite impulsivo.

— Ora, eu te devia um favor depois de você ter salvado a minha vida no Twitter aquele dia. — Lily disse, enquanto terminava de afivelar uma sandalinha. — Sem falar que achei que seria bacana sair com alguém diferente. — Ergueu os olhos para a garota. — E você é legal, Emme. Então, por que não?

Emme a encarou, perscrutadora, como se a avaliasse.

— Eu já tinha te chamado para sair outras vezes. Você não aceitou.

Erguendo-se da posição desconfortável na qual estivera para arrumar o sapato, Lily estreitou os olhos antes de suspirar, vencida.

— É... — Ela começou e então limpou a garganta, sentindo-se levemente desconfortável por falar sobre aquele assunto. Mas, pensou, Emmeline talvez a entendesse. — Eu estou confusa, Emme. Não vou mentir para você, porque você sempre foi legal comigo. Não sei o que quero, entende? — Franziu o cenho, buscando palavras para explicar. — E, quem sabe se eu sair com você e ver pessoas diferentes, em lugares diferentes, eu possa me encontrar.

— Você acha que é lésbica? — A pergunta foi tão direta que pegou Lily desprevenida. — Guga me disse que talvez você gostasse de ir comigo na festa, mas nunca pensei que-

Sendo tão direta quanto ela, Lily a interrompeu:

— É. Na verdade, todo mundo acha. E agora eu estou achando que possa ser e- ah, Vader, é tão complicado. — Encarou a loira. — Eu só quero saber... quem eu sou.

Emmeline assentiu, pensativa.

— Quando eu descobri do que eu gostava, foi difícil. Mas agora é bem normal e um alívio também. — Disse, sincera. Lily sorriu para ela. — Fico feliz em poder ajudar. — Baixou os olhos para o relógio em seu pulso. — Está pronta? — Indagou, no que Lily assentiu. — Então é melhor irmos para não perdermos nem um minuto da festa.

Lily concordou e caminhou até a cama para pegar sua bolsa. Verificou o celular e o dinheiro, guardando-os cuidadosamente ali dentro. E então voltou-se para sair do quarto, mas deparou-se com Emmeline a encarando de forma perscrutadora.

— O quê...? — Lily começou, mas não conseguiu terminar, porque a menina estava se aproximando cada vez mais, de modo que suas respirações se cruzaram.

Lily sentiu o coração pular em seu peito, sua inspiração tornar-se ofegante, suas mãos começaram a suar... só não sabia dizer se era nervosismo ou expectativa.

Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, sabendo que se não agisse logo acabaria perdendo a coragem, terminou com o espaço que havia entre elas, puxando Emmeline para perto e grudando seus lábios nos dela.

A sensação que a tomou foi... diferente. Não sabia dizer exatamente o que estava sentindo, somente que o beijo era estranhamente bom. Parou de prestar atenção nas coisas ao seu redor, deixando-se levar pelas emoções que a tomavam, todos os sons exceto as batidas de seu coração pareceram sumir ao seu redor, todas as coisas desapareceram e restavam somente ela, Emmeline e toda a confusão que jorrava dentro do seu peito.

O que estava fazendo?

Mas Emme aprofundou ainda mais o beijo, apagando as perguntas em sua mente, fazendo com que ela ignorasse até mesmo a brisa fresca que entrava pela janela aberta e que fazia com que se arrepiasse.

Fazendo com que ignorasse o fato de que, através da janela aberta, estava sendo atentamente observada.

James não sabia o que pensar da cena que presenciava, exceto que havia algo borbulhando dentro de si, fazendo com que ele sentisse vontade de ir até lá e... o quê?

— Céus, James, controle-se! — Resmungou consigo mesmo, mas, ainda assim, não conseguia desgrudar os olhos da janela de sua vizinha. — Ela não tem nada com você.


N/A: Parece que a concorrência do James aumentou, afinal rsrs

E aí, amores, o que acharam do capítulo? Espero que tenham gostado! Estou tendo dias felizes e inspirados para FGLY e espero continuar assim. E só eu melhorar da minha LER (lesão do esforço repetitivo), que volto a escrever. Pelo menos, tenho alguns capítulos prontos até lá hehe

Vou tentar postá-los de dois em dois dias, o que acham?

Por favor, me contem o que estão achando, certo? Sempre fico muito feliz de vê-los por aqui


Comentários [estou postando os capítulos prontos pelo aplicativo do celular, pois meu computador decidiu bugar completamente e agora está no técnico. Por conta disso não consegui responder aos reviews do capítulo anterior, mas espero que me perdoem, ok?]

Obrigada a laisevero, Amanda Reis, Mylle Malfoy P. W, Lillie Prongs, Elyon, thai souzaro, juju black, Marismylle, Juliete Chiarelli e gbrll pelos comentários lindões! Fazem meus dias mais felizes *-*