Capítulo Sete
A Message
"My song is love
Love to the loveless shown
And it goes up
You don't have to be alone"
Toc, toc, toc.
Faltando cinco minutos para o término da aula de Aritmancia, na qual Corvinal e Grifinória dividiam a sala, os únicos sons ouvidos na sala de aula eram a voz da professora e o batuque insistente dos dedos de Rose Weasley tamborilando na mesa.
Toc, toc, toc - ela prosseguia, cada vez mais rápido.
Sabia que talvez estivesse incomodando quem estava em volta, mas o impulso de fazer aquilo era maior que ela, especialmente em momentos como aquele, em que se sentia nervosa.
De repente, uma mão cheia de unhas cor-de-rosa pousou suavemente sobre a sua, fazendo-a parar o que estivera fazendo pelos últimos cinco minutos.
- Rose, desculpe a grosseria, mas você está me irritando.
A ruiva se virou para Maeve Corner, que estivera sentada ao seu lado durante aquela aula, com um sorriso constrangido.
- Sinto muito – desculpe-se ela, cruzando os braços como forma de prender as mãos. – Ando meio nervosa ultimamente.
- Percebi. Você não prestou um minuto de atenção durante a aula inteira.
Com um remorso crescente em seu peito, Rose meneou a cabeça, concordando. Nas três últimas aulas do dia, sentiu-se tão agitada o tempo inteiro, que mal se lembrava qual fora o assunto das aulas de História da Magia, Transfiguração e, agora, Aritmancia.
A verdade era que estava cansada por estar estudando até tarde da noite para os N.I.E.M's. Estava cansada de Albus ainda ignorando-a após três semanas de aula e de ter que esconder de sua família o fato de estar namorando Scorpius, coisa que já se tornara notícia velha pelos corredores da escola. E, além disso, Lily estava cada vez mais encantada um delinqüente juvenil três anos mais velho que ela, e se esforçava para deixar Rose cada vez mais fora do assunto, após perceber que não teria o apoio da prima.
Por isso e por muitos outros motivos, Rose olhava fixamente para o relógio pregado logo acima do quadro negro, rezando para que aquele um minuto restante da última aula do dia passasse logo e ela pudesse cuidar logo de suas obrigações.
Quando o sinal bateu, jogou rapidamente seus materiais na mochila e foi se levantando. Sem perceber a pressa dela, porém, Maeve ainda parou-a a maio caminho da porta.
- Que matérias nós vamos estudar hoje à noite? – perguntou a menina, que também mostrava profundas olheiras de cansaço. – Não quero ter que levar todos os livros, é uma dificuldade carregar tudo aquilo de volta depois.
- Hum... – Rose refletiu por alguns instantes, mas tudo o que passava por sua cabeça era sair logo dali, antes que o pouco tempo que tinha disponível se esgotasse. – Pergunte ao Scorpius, certo? Eu sinceramente já não faço a mínima idéia.
Deixou a sala atropelando quem estivesse em seu caminho e desceu as escadas correndo.
O pôr-do-sol era sempre mais lindo na primavera, mas ela não tinha tempo de parar para admirar o céu àquela hora. Precisava chegar à cabana de Hagrid.
Seu gigantesco amigo estava trabalhando em sua horta quando Rose chegou. Dawn, a cadela que Harry dera a ele após a morte de Canino, corria atrás de uma borboleta azul pelos arredores da cabana. Quando percebeu a chegada de sua velha conhecida, porém, correu para a menina abanando o rabo e ficou sobre as duas patas traseiras, chegando à altura da cintura dela.
- Olá, Dawn – disse Rose, acariciando o topo da cabeça da labrador. – Que saudades, não?
- Rosie! – gritou Hagrid, ao vê-la. O gigante veio ao seu encontro, apressado, mas com o andar debilitado pela idade. Hagrid já não era o mesmo das fotos que os pais e tios de Rose tinham em seus porta-retratos. A velhice chegara para ele, como chega para todos um dia.
- Hagrid! – Rose abraçou a cintura do homem, pois era o máximo que conseguia alcançar. – Como vai você?
- Vivendo – respondeu ele. Era sempre a mesma resposta, desde que Rose o conhecia. – Mas é incrível como vocês crescem rápido. Parece que até ontem mal alcançavam meus joelhos e, agora, olha só!
Rose riu.
- Pois é, o tempo passa – falou a menina, sentando-se numa poltrona ao canto da pequena sala. Dawn deitou-se aos seus pés, querendo carinho. – Os outros têm vindo aqui?
- Bem, Hugo já veio várias vezes e Albus deu uma passada rápida anteontem. Sei que o sétimo ano é muito complicado para vocês e que o tempo é curto. – Hagrid colocou alguns biscoitos de chocolate sobre a mesa e Rose abocanhou dois de uma vez, dando-se conta de como estava faminta. – Só estou estranhando que vocês não venham mais todos juntos, como sempre.
Rose ficou calada, ainda mastigando os biscoitos, porém Hagrid percebeu sua apreensão.
- Vocês só se separam quando brigam. De resto, parece até que nasceram grudados, nunca vi.
Quase não se via o sorriso de Hagrid em meio a toda aquela barba grisalha, mas era perceptível a felicidade em seus olhos. Ele amava aqueles cinco não só por serem os filhos de Harry, Ron e Hermione, mas também por serem sua única companhia além de Dawn.
- Pois é, as coisas não andam nada bem. – Rose pegou mais um biscoito. Quando começava a pensar em problemas, já sentia uma vontade automática de mastigar algo. - Acho que estamos em processo de divórcio, Hagrid.
O homem riu enquanto via Rose colocar um biscoito sobre o outro e dar uma mordida em dois de uma vez.
- Não acho que seja isso, criança – disse ele, despejando mais biscoitos da caixa no prato. – Acho que vocês precisam de um tempo um do outro. A vida é assim, mesmo. Vocês simplesmente cresceram e perceberam que, por mais que gostem de ficar juntos, independem um do outro.
Rose suspirou, concordando.
- Hagrid, eu quero um conselho.
- Diga.
- Como eu faço uma pessoa apaixonada perceber que a pessoa que ela ama não é maravilhosa como ela pensa sem ter que repetir isso pela milésima vez?
- Bem... – Hagrid mexeu na barba por alguns instantes e olhou para cima, pensativo. – Se você já avisou essa pessoa tantas vezes, como disse, talvez seja melhor deixar que ela descubra por si só que está cometendo um erro.
- Eu não posso deixar que isso aconteça – falou Rose, olhando o céu escurecer gradualmente, pela janela. – Ela vai sofrer demais.
- É assim que se aprende. Já te disseram alguma vez que o amor é cego?
Rose assentiu, desconsolada.
- É, já ouvi falar. Eu mesma sei como é uma frase verdadeira.
Hagrid riu.
- Pode crer que é.
- Hagrid, Lily veio aqui alguma vez desde que voltamos?
O homem balançou a cabeça, em negativa.
- Ainda não.
- Bem, eu sinto muito por isso. Não fique com raiva dela.
- Eu nunca fico com raiva de vocês.
Rose deu um sorriso agradecido. Hagrid era uma pessoa única.
- Obrigada.
- Lembre-a de aparecer, de qualquer forma. Já perdi o James e logo, logo você e Albus não vão aparecer mais, também.
- Pode deixar, vou lembrá-la. – Rose se levantou da poltrona, ao consultar o relógio de parede. – Queria ficar mais, Hagrid, mas realmente tenho que ir. Vou estudar com uns amigos, daqui a pouco.
- Entendo. Ah, mas como vai o James? Hugo e Albus me contaram o que aconteceu. Achei uma pena. Ele lutou tanto por isso.
Rose suspirou, em concordância.
- Lutou, sim. Mas ele vai ficar bem, sei que vai.
- É claro. Afinal, é o James.
Rose sorriu e foi indo em direção à porta, mas antes que saísse, Hagrid chamou-a novamente.
- Rosie, eu não devia falar nada, mas Albus sente sua falta. Lembre-se disso antes de ter raiva dele.
A menina assentiu, com um nó na garganta. Às vezes sentia que Albus fizera uma longa viagem e que não o encontrava havia anos. O que Lily lhe dissera sobre ela estar colocando um romance que talvez nem durasse muito antes da própria família continuava martelando em sua cabeça.
- Certo. É mesmo um alívio saber – respondeu ela.
Acenou para Hagrid mais uma vez e foi em direção do castelo, se apressando novamente.
~.~.~.~.~.~.~.~.
- Hugo, como você pode achar que Tricks é melhor que Weird Sisters? Weird Sisters é um clássico musical! As músicas deles são imortais, entendeu?
Lily e Hugo conversavam animadamente sobre bandas musicais, durante o jantar. Bridget passou por eles como um raio, mas a ruiva não deixou de vê-la.
- Brid, tem um lugar bem aqui! – avisou ela, apontando uma cadeira ao lado de Hugo.
Hugo sorriu para ela querendo dizer que gostaria que a menina ficasse, mas Bridget desviou o olhar. As coisas haviam sido assim nas últimas três semanas.
- Laureen guardou um lugar para mim – falou a morena, indicando a outra colega de quarto das duas. – Valeu, Lily.
A ruiva suspirou pesarosamente, enquanto observava sua amiga ir até o fim da mesa. Depois, olhou para Hugo, censurando-o.
- Você partiu o coração dela.
Hugo largou o garfo no prato, com violência. Todos os dias, ouvia Lily ou Rose dizerem aquilo naquele tom depreciativo, condenando-o por sua sinceridade.
- Do jeito que você fala, até parece que eu sou algum cafajeste – reclamou ele.
- Você apenas deu um fora muito mal dado. Esse foi seu erro. O primeiro deles, é claro.
- E qual foi o segundo?
- Dar um fora! – exclamou Lily, mais alto do que gostaria.
- É, fale bem alto, assim o colégio inteiro fica sabendo.
Hugo olhou à volta, temendo as más línguas. Se alguém resolvesse espalhar um boato sobre aquilo, Bridget nunca o perdoaria.
Antes que Lily respondesse, Rose chegou e sentou-se na cadeira que sua prima indicara para Bridget anteriormente.
- Olá – disse ela, sem ânimo. Incrível como toda aquela quantidade de biscoito não acabara com seu apetite. Continuava morta de fome.
- Onde você estava? – perguntou Hugo. - Eu fui esperar por você na sala de Aritmancia depois que a aula terminou, mas Maeve disse que você saiu quase que correndo.
- Maeve? – indagou Lily, cruzando os braços. – Maeve, aquela vaca?
- Não – respondeu Hugo, virando-se para a prima novamente. – Maeve, aquela garota simpática que nunca nos fez nada.
- Tive que resolver alguns assuntos – respondeu Rose, colocando uma enorme colher de purê de batata em seu prato. – Mil desculpas, juro que espero por você amanhã.
- Sem problemas – falou Hugo, levantando-se da cadeira. – Aliás, seu namorado passou aqui e perguntou por você. Disse que tinha treino de quadribol e depois iria para a biblioteca. Ele nem jantou.
- Certo. Obrigada por avisar – respondeu Rose. Ouvir sobre Scorpius após Hagrid ter lhe dito que Albus sentia sua falta conferia a ela uma incômoda sensação de culpa, da qual pensava já ter se livrado.
Depois que Hugo saiu, formou-se um completo silêncio entre Rose e Lily, algo que raramente acontecia. Desde o incidente da biblioteca, porém, era frequente. Era como se houvesse um acordo silencioso entre ambas de que Rose não se meteria mais no assunto "Vincent" e Lily também não exigiria mais nada dela quanto a isso.
A única coisa que permanecia era o sigilo. As longas conversas sobre o rapaz, porém, acabaram.
Lily achava estranho estar ao lado de Rose e sentir-se totalmente sem assunto. Sua prima estava claramente evitando-a, também. Comia rápido e olhava somente para o prato, como se não houvesse mais nada ou ninguém a volta.
- Quando Hugo disse que você tinha sumido, eu achei que você e Scorpius estivessem dando uns amassos por aí, sabia? – arriscou a mais nova, com uma risada curta.
- Hum. – Rose emitiu um som indefinido sem sequer olhar para a prima. Lily revirou os olhos, irritada.
- O que você estava resolvendo, afinal? – insistiu ela, ainda se mantendo contidamente amigável.
- Coisas.
Lily passou as mãos pelos longos cabelos ruivos, nervosa.
- Você vai me dizer qual é o problema ou vai ficar agindo que nem uma idiota para o resto de nossas vidas, Rose?
- Você se deu ao trabalho de visitar o Hagrid, Lily? – alfinetou Rose, no mesmo tom de voz.
- Hagrid? – a mais nova pareceu desarmada por um momento.
- Sim, Hagrid. Aquele que ajudou os nossos pais nos momentos mais difíceis que eles viveram aqui, aquele que foi aos nossos batizados, que sempre nos manda presentes de Natal e nunca esquece um aniversário que seja. Está lembrada?
Lily abriu a boca diversas vezes, como um peixe fora d'água, mas parecia estar sem resposta.
- Eu ando meio esquecida.
Rose riu cínica.
- Não diga. Qual seria o motivo desses seus lapsos de memória?
A expressão de Lily se fechou novamente.
- Não me venha dizer que Vincent é má influência, de novo. Eu estou cansada de você achando o tempo todo que é minha mãe. – Lily se levantou e pegou sua mochila do chão. - Como se você não tivesse os seus próprios erros para consertar...
Rose sentiu os olhos umedecerem, mas segurou as lágrimas, vendo que a briga chamara atenção de algumas pessoas à volta. Odiava ser tão chorona.
- E você ainda pergunta qual é o problema? – indagou ela, antes que Lily saísse.
A mais nova parou por um instante, pensando que talvez tivesse exagerado. Continuou seu caminho dois segundos depois, erguendo o queixo.
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Albus e Patrick saíram juntos do castelo, em direção do campo de quadribol, ambos empunhando suas vassouras. Albus passara a gostar gradualmente de seu colega de quarto. Passados os primeiros contatos, ele se convencera de que o Patrick que conhecera no primeiro dia de aula era apenas um Patrick nem um dia ruim. Atualmente, aquele garoto outrora tão inconveniente era um de seus melhores amigos.
Albus tentava tirar a imagem morena e esbelta de Natalie de sua cabeça, mas quando a via passar se destacando na multidão, toda aquela vontade de beijá-la vinha novamente. E, logo ao seu lado, Patrick dava um suspiro apaixonado e dizia o quanto sentia a falta dela, fazendo com que Albus eliminasse qualquer possibilidade de se aproximar da menina.
- Então, cara – ele quebrou o silêncio, enquanto atravessavam juntos o jardim -, nenhuma garota em mente?
- Só a garota de sempre – respondeu seu amigo, sem pestanejar.
Albus sentiu sua esperança murchar novamente.
- Nenhuma nova? Nenhuma que te atraia? Nenhuma que te faça esquecer completamente quem é Natalie?
Patrick balançou a cabeça, negando.
- Nenhuma. Quero fazer as coisas darem certo entre mim e Natalie.
Albus suspirou. Às vezes, depois de fazer aquela mesma pergunta tantas vezes, preferia ter ficado calado.
Chegaram ao campo de quadribol, onde os sonserinos, que estiveram treinando antes dos grifinórios, guardavam as bolas e voltavam para o castelo. Inconscientemente, ele procurou Scorpius entre todos os uniformes verdes. Quando o achou, viu que o garoto também corria os olhos pelos colegas grifinórios, procurando-o. Desviou rápido o olhar, fingindo não tê-lo visto.
- Preciso falar com Duane – disse Patrick apontando para o amigo, que estava sentado na arquibancada. – Já volto.
Segundos após o rapaz estar a uma distância segura, uma mão tocou o ombro de Albus, fazendo-o pular de susto.
- Nunca tinha visto como você fica bonito de uniforme, sabia?
Era Natalie, com seus longos cabelos castanho-escuro presos num rabo de cavalo alto e um sorriso cínico estampado no rosto. Albus encarou-a por alguns instantes, sem entender o que ela fazia ali e por qual motivo estaria falando com ele.
- Não vai dizer nada? – perguntou a menina, ainda sorrindo. Albus abriu a boca diversas vezes, como se fosse responder, mas não emitiu nenhum som. – Eu vim ver você treinar – insistiu Natalie, do mesmo jeito atrevido.
- Olá, Natalie – falou ele, se recompondo ao perceber que Patrick podia vê-los a qualquer instante e pensar o que não devia. – Posso saber o que você está fazendo aqui, sozinha, a uma hora dessas?
Natalie suspirou pacientemente, como se Albus fosse uma criança a quem ela tinha que explicar a mesma coisa várias vezes.
- Já disse que vim ver você treinar.
Ao longe, podia-se ouvir a voz do capitão convocando o time a se juntar, mas Albus não conseguiu se mover tão imediatamente.
- Vá logo. – Natalie lhe empurrou levemente, pelo ombro e depois o apertou. – Deixe-me orgulhosa, hein?
A menina foi andando calmamente até a arquibancada, sem sequer olhar para trás. Albus foi para o centro do campo, logo depois, evitando o olhar de Patrick quando se prostrou ao lado dele.
- Cara, é inacreditável – falou o rapaz.
- Eu juro que não tive nada a ver com isso – defendeu-se Albus, olhando fixamente para o capitão, que falava algo sobre arrumar um novo batedor para o time.
- O quê?
Ele finalmente olhou para o amigo e tudo o que viu foi sua expressão confusa.
- Do que você está falando? – perguntou Patrick, rindo. – Eu estou falando da Natalie. Ela está bem ali, na arquibancada.
Natalie olhou na direção dos dois e acenou, com um meio-sorriso nos lábios. O ex-namorado acenou de volta, animado, mas Albus percebeu que ela claramente olhava para ele e não para o seu amigo.
- Ela veio me ver jogar, Albus! – exclamou Patrick. – Natalie não fazia isso quando éramos namorados.
Albus apenas sorriu, tentando parecer natural, alegre e, ao mesmo tempo, não fazer nenhum contato visual com a menina.
- Talvez ela também queira voltar – disse Patrick, mais em tom de pergunta do que de afirmação.
O outro balançou a cabeça afirmativamente diversas vezes, sem saber o que responder.
- Talvez sim, talvez não... – falou ele, hesitante. – Tudo é uma incógnita.
- Incógnita? – Patrick continuava olhando na direção da menina, com ares de deslumbramento. – Para mim, tudo parece bem óbvio. Acho que Nat percebeu que não existe ninguém melhor do que eu para ela.
- É, ninguém – disse Albus sentindo uma repentina vontade de sair correndo dali o mais rápido possível.
O capitão do time mandou que todos levantassem vôo e começassem o jogo.
- Com certeza vai ser o meu melhor desempenho – falou Patrick, antes de levantar vôo. Albus apenas sorriu.
- Com certeza vai ser o meu pior – disse para si mesmo, após voar para longe o bastante do amigo.
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James chegou em casa mais cedo naquele dia, porque Joy andava misteriosamente desaparecida. Havia três dias que ela não aparecia na Coffe Shop e não mandava notícias. Na verdade, ele não fazia idéia de onde sequer procurá-la. Até mesmo a garçonete perguntara do paradeiro da "loirinha sorridente que sempre pedia chá gelado" e tudo o que James pôde fazer foi dar de ombros e dizer que não fazia idéia.
- Oi, filho.
James foi até a cozinha, de onde viera a voz de sua mãe e recostou-se no vão da porta, desanimado.
- Olá, mãe – respondeu ele.
- Estou estranhando que você esteja chegando mais cedo – disse ela, distraída com o preparo do jantar. – Você não está mais vendo a... – ela estralou os dedos, tentando puxar o nome na memória - Joy? É esse o nome dela, não?
- É. E não, não a tenho visto mais – disse ele, pensativo.
- Vocês terminaram? – perguntou Ginny, olhando para o filho como se estivesse prestes a deitá-lo em seu colo.
- Nunca fomos namorados, na verdade – respondeu James, sentindo suas orelhas arderem. – Não sei o que aconteceu, mãe. Ela simplesmente parou de aparecer na cafeteria.
- Que coisa estranha. Nenhuma idéia de onde ela estaria?
- Nenhuma. – James sentia sua preocupação crescer novamente. Não sabia nem aonde procurá-la. – Bem, acho que vou tomar um banho.
Subiu as escadas e entrou em seu quarto, jogando sua jaqueta em cima de uma cadeira e caindo na cama, cansado. Estava realmente temeroso não apenas pelo fato de nunca mais voltar a ver Joy, mas também pela possibilidade de algo ruim ter acontecido a ela e ele nem sequer ter chegado a saber, já que não tinha o endereço dela e nem qualquer outra forma de entrar em contato além de cartas.
Quando virou a cabeça na direção da janela, viu uma pilha de cartas em cima de sua mesa e se levantou abruptamente, esperando que alguma delas fosse de sua amiga.
- Hugo, Albus, Lily, Rose... – Ele foi lendo os nomes um por um.
James acharia mais prático se os quatro houvessem escrito uma carta só juntos, mas dadas as circunstâncias, aquilo era de se esperar.
Havia outras, mas nenhuma era de Joy. Abriu a primeira da pilha, que era de sua prima.
James,
Como vai você? Já se passaram duas semanas e você não escreveu nenhuma carta, coisa que eu não esperava, visto que você prometeu mandar notícias. Eu não estou chateada, mas quero que você cumpra o que diz, CERTO?
Como vão a minha tia e o meu novo primo? E o trabalho na loja? Minha mãe me contou que você passou um dia trabalhando no Ministério. Que tal? Você acha que já está perto de se decidir? Eu espero que sim, porque eu odeio ver você sofrendo.
Eu estou morrendo de medo dos N.I.E.M's, sabe, e ainda não estou completamente decidida sobre ser medibruxa. A professora McGonagall diz que eu tenho potencial para essa profissão e, tenho que confessar, isso é muito bom para o meu ego. Porém, ainda estou indecisa. Queria ser médica, professora e celebridade internacional. Será que tem como? Preciso da sua opinião, porque o diálogo com o resto da família anda muito difícil por aqui.
Será que dá para me fazer um favor? Sabe aqueles alfajores que minha mãe sempre compra no Beco Diagonal? Então. Será que dá para comprar alguns para mim? Eu ando muito ansiosa e você sabe que eu associo nervosismo a comida.
Aliás, me faça um grande favor e mande a sua irmã tomar juízo!
Mande notícias e alfajores, estou com saudades.
Beijinhos,
Rose
James deixou a carta de lado, planejando respondê-la por último. Rose fazia um milhão de perguntas as quais ele não tinha certeza de como responder e nem estava com cabeça para tal.
Jay boy!
Estou com um problemão. Descobri que a ex- namorada do Patrick, meu colega de quarto, me interessa muito, mas ele ainda gosta dela e eu não sei o que fazer. Eu não quero trair a confiança dele (como, aliás, Rose e Scorpius fizeram comigo, mas enfim, essa não é a questão), mas também não quero deixar passar a chance.
Ainda não sei se ela gosta de mim, a gente só se olha no corredor, mas preciso de um conselho, porque pensar naqueles cabelos lisos e esvoaçantes e naquele corpo ME ATRAPALHA A ESTUDAR PARA OS N.I.E.M'S!
Como vão todos por aí?
Do melhor irmão do mundo,
Albus
- Me poupe, Albus – disse ele, deixando a carta do irmão de lado. Todo ano, seu irmão se apaixonava à primeira vista por alguém e duas semanas depois, descobria que fora tudo empolgação do momento.
James,
Em primeiro lugar, você está perdoado quanto ao incidente da festa. Na verdade, está faz um certo tempo, mas eu não tive chance de escrever porque estou estudando muito para os N.O.M's. Muito mesmo, porque acho que quero ser jornalista! Que tal?
Aposto como a Rose já escreveu pedindo os malditos alfajores dela, porque sempre que ela se sente nervosa arranja um pretexto para comer tudo o que vê à volta dela. Eu não gosto de ficar escrevendo e pedindo para você me comprar coisas, mas já que ela provavelmente fez isso, eu também quero alfajores.
Rose não está merecendo alfajores ultimamente, se você quer saber a minha opinião, porque tem sido um PÉ-NO-SACO comigo e eu já perdi a paciência com ela. Albus anda todo esnobe pelos corredores, fica olhando para o nada ou então fica virando a cabeça loucamente, como se estivesse procurando alguém, e não fala mais comigo direito. Tudo bem que nós meio que discutimos, mas foi o tipo de briga que se resolve rapidamente. Além do mais, eu só briguei com ele por causa da Rose, mas agora que ela não anda merecendo meu apoio, eu decidi que não tomo mais o lado de ninguém. O único lado que vale a pena apoiar é o "lado Lily da força", ou seja, sou eu por mim mesma.
Como se não me bastasse avó preocupada + mãe hormonal + tia neurótica, eu ainda tenho que agüentar uma prima intrometida e mandona.
Já mandei cartas para o papai e para a mamãe perguntando como vão eles e a bebê Camille (sim, eu pensei em nomes!).
Como é o trabalho na loja? Parece chato quando o tio George descreve.
Beijos,
Lily
- "Parece chato"? – repetiu James exasperado, em voz alta. – Grande apoio.
James,
Eu tenho uma ótima idéia de trabalho para você: que tal inventar uma maldita máquina de teletransporte que possibilite que todos nós voltemos no tempo e consertemos tudo?
É sério, está muito difícil por aqui. Você acredita que há uns dias atrás, eu e Albus estávamos almoçando juntos e, quando a Rose chegou e se sentou ao meu lado, ele simplesmente se levantou e saiu? Albus mal tinha começado a comer e, já que fazer essa cena era tão necessário, ele podia ao menos ter pegado o prato e levado para mais longe, mas nããããão... Ele tinha que deixar praticamente todo o almoço no prato, assim a deixa seria mais dramática.
Como já era de se esperar, Rose começou a chorar, afinal quando é que ela não chora? E Lily, que por algum motivo que eu desconheço está brava com a minha irmã (você faz alguma idéia de qual foi a briga agora?), cutucou a ferida, dizendo que ela estava "colhendo os frutos da discórdia que ela mesma causara" – sim, nessas exatas palavras. Lily mal decidiu ser jornalista e já está falando um monte de besteiras.
Não agüento mais essas pessoas, mas tenho que ser tolerante, porque eu sou o único que ainda não se meteu numa encrenca qualquer e ficou danado da vida, achando que pode descontar tudo em todos, INCLUSIVE NO PRIMO QUE NÃO TEM NADA A VER COM A HISTÓRIA!
É como se nós quatro fôssemos um time de quadribol e eu fosse o capitão que tem que separar as brigas entre os meus piores jogadores o tempo inteiro.
Preciso de um conselho ou, sei lá, de qualquer coisa que você possa me oferecer como ajuda.
Saudades,
Hugo
James suspirou, enfadado. De repente, todos haviam resolvido jogar suas reclamações nele. Graças a Merlin estava bem longe daquela encrenca de proporções continentais que eles pareciam estar criando entre si. Até Rose e Lily?
Revirou o resto das cartas, querendo lê-las depois. Havia uma de seus avós, uma do tio Charlie e uma dos editores de uma revista de quadribol, querendo saber se ele renovaria a assinatura. Nada de Joy.
"Onde você se meteu, sua doida?", pensou ele, enquanto pegava uma toalha limpa no armário e ia até o banheiro.
~.~.~.~.~.~.~.~.~
Já era mais de nove da noite e Hugo continuava no Salão Comunal lutando para entender as diferenças entre três espécies de plantas que possuíam o mesmo princípio ativo na fabricação de um certo remédio. Estava quase indo até a biblioteca procurar Rose, mas não queria atrapalhá-la a estudar para os N.I.E.M's.
- Como pode ser tão complicado entender umas florzinhas? – disse ele, para si mesmo, enquanto construía uma tabela.
- Eu também tive bastante dificuldade nisso, quando estava no quarto ano.
Hugo, que estivera concentrado em seu dever, levantou os olhos e viu Zachary Hurst, um dos colegas de quarto de Albus, sentado na cadeira logo à sua frente, parecendo amigável pela primeira vez na vida.
- Hum... oi, Zachary – disse ele, sem conseguir esconder sua incompreensão.
- Olá – respondeu o setimanista. - Quer ajuda com isso aí?
- É... pode ser – disse Hugo, passando o livro de Herbologia para o rapaz à sua frente.
Zachary explicou por alto do que se tratava aquilo e Hugo continuava não entendendo nada. Ainda assim, concordou quando ele lhe perguntou se "estava claro".
- Obrigado, cara – disse Hugo, voltando à tabela. O rapaz, porém, não se mexeu.
- Então... aquela sua amiga Bridget, hein?
Ele deu uma risada fraca, como se quisesse se quisesse se fazer entender sem palavras. Foi então que o Weasley mais novo entendeu a razão pela qual Zachary fora tão simpático com ele.
- Vocês são muito amigos, não? – perguntou ele. Hugo assentiu lentamente, ameaçador.
- Ela tem namorado ou algo do tipo?
- Nem namorado e nem "algo do tipo" – respondeu o Weasley mais novo, ríspido.
- Isso é ótimo – falou Zachary, mais para si mesmo do que para o garoto. – Ela te escuta bastante, não? Você e a mini-Potter.
- Lily. E, sim, nós somos grandes amigos – respondeu ele, olhando para Zachary como se pudesse derretê-lo.
- Será que você pode me fazer um favor de amigo, Hugo? Amigo para amigo. Nós somos amigos, não?
Hugo ficou quieto e impassível, mas Zachary prosseguiu:
- Pergunte a ela o que acha de mim. Não tão diretamente, de um jeito mais... suave, sabe?
- Suave – repetiu Hugo, quase paralisado.
- Isso aí. Seria um favorzão. E, sem querer pressionar, será que isso pode ser antes da próxima visita a Hogsmead?
- Hogsmead – Hugo apertou com força a pena que estava em suas mãos.
- Muito obrigado, mesmo – disse Alfred, se levantando. – Você é um amigo e tanto.
- Amigo e tanto – Hugo, sentindo o rosto arder de raiva, seguiu com os olhos o trajeto de Zachary até as escadas que levavam ao dormitório.
Albus chegou instantes depois, carregando uma pilha de livros. Jogou-os sobre a mesa e olhou-os com imensa insatisfação. O barulho despertou Hugo de seu transe e ele voltou a fazer sua tabela, mal-humorado. Não estava animado a falar com mais ninguém.
- Vou virar a noite estudando aqui – anunciou Albus, com um bocejo. – Caramba, o treino de hoje acabou comigo. Haja café para me deixar acordado nas aulas de amanhã. Horário duplo de História da Magia, com aquele professor doido, nos dois primeiros tempos, acredita? Ninguém merece...
Hugo continuou concentrado em sua tabela.
- Ah, cara. Você não vai acreditar. Sabe aquela garota de quem eu falei, ex-namorada do...
- Não sei. Não sei, Albus! – exclamou Hugo, fechando o caderno com força. – Não sei, não sei!
Albus encarou-o, sem entender a reação do primo.
- Você andou tomando drogas? Parece que está meio surtado...
- Desisto disso. – Hugo se levantou e começou a recolher os materiais que estavam espalhados pela mesa. – Danem-se essas florzinhas.
Albus o fitou de olhos arregalados. Hugo nervoso? Não era algo que se via todos os dias.
Antes de sair, o garoto se virou novamente para o primo e gritou:
- E DANEM-SE VOCÊS! Maldita hora que escolheram para brigar uns com os outros...
O mais velho observou de cenho franzido, enquanto Hugo ia para seu dormitório a passos duros.
- Tia Hermione vai ficar doida quando descobrir que ele está se drogando com "florzinhas" – disse Albus, puxando o livro de Trato das Criaturas Mágicas do topo da pilha. Quando o abriu, por coincidência ou ironia do destino, a carta de Scorpius caiu de dentro dele.
Era estranho como aquela carta aparecia nos lugares mais improváveis. Ele sequer se lembrava de tê-la posto ali; ou embaixo de seu travesseiro, ou dentro da capa do disco do Weird Sisters ou no bolso de seu sobretudo.
Resolveu abri-la de uma vez por todas; assim, quem sabe, a carta pararia de persegui-lo.
Para a surpresa de Albus, porém, não era uma carta escrita por Scorpius apenas e nem continha um discurso sobre o quanto ele estava arrependido. Era um documento que ambos haviam escrito no primeiro ano, quando se tornaram amigos, chamado "10 Mandamentos dos Amigos Albus e Scorpius". Albus riu quando viu aquilo. Agora, seis anos depois, soava extremamente infantil, mas quando tinha onze anos, levaram tudo aquilo muito a sério.
10 Mandamentos dos Amigos Albus e Scorpius
1) Não brigarás por estarem em Casas diferentes;
2)Não ofenderás o time de quadribol do teu amigo;
3)Não cobiçarás a namorada que não for tua;
4)Não permitirás ofensas ao teu amigo;
5)Não negarás cola ao teu amigo durante as provas da profª McGonagall;
6)Não esconderás nada do teu amigo;
7)Não roubarás figurinhas dos Sapos de Chocolate do teu amigo;
8)Não deixarás teu amigo "na mão" quando ele precisar de ajuda;
9)Não zombarás do corte de cabelo do teu amigo;
10)Esforçar-se-á para perdoar o teu amigo, caso uma dos mandamentos acima seja desrespeitado.
Scorpius havia sublinhado o décimo mandamento e aquilo foi tudo o que Albus precisou para entender o que o rapaz queria lhe dizer.
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Querido Vince,
Eu preciso de uma garantia de que você realmente gosta de mim do jeito que eu gosto de você. Preciso disso, porque não posso esconder isso da minha família por muito mais tempo.
Beijos,
Lily
p.s: desculpe por não escrever mais, é que nunca encontro ocasião.
- Você está começando aquele artigo da aula de História? – perguntou Bridget, praticando o Levicorpus com seus materiais.
- É, sim, eu... estou rascunhando, sabe – respondeu Lily, guardando a carta dentro de um livro qualquer.
- Sei
O livro de Bridget levitou por alguns poucos instantes e caiu logo depois, com um baque na mesa. Na biblioteca estavam apenas elas duas e o grupo de estudos do sétimo ano.
Por um momento, Rose olhou na direção das duas, inconscientemente atraída pelo barulho. O olhar de Lily se cruzou com o dela e as duas se encararam por um momento.
Lily não viu mágoa nem censura no olhar de Rose, mas conhecia aquele olhar como ninguém. Ela a olhara daquele mesmo jeito de quando as duas tinham cinco e sete anos e Lily decidiu que iria voar sozinha. Sem vassouras, sem asas, sem capas de super-heróis trouxas; ela apenas subiria no topo do guarda-roupa de sua mãe e alçaria vôo com o poder de sua mente.
- Hugo já tentou fazer isso, lá em casa. Ele se espatifou no chão, Lily. Doeu muito – avisou a pequena Rose pela enésima vez, tentando inutilmente puxar a prima mais nova pela perna, enquanto esta pisava nos puxadores do armário, tentando alcançar o topo.
- Mas eu vou dar um jeito, Rose. Já vi fazerem isso num filme trouxa – insistiu Lily, irredutível. As duas meninas se olharam e Rose a encarou da mesma forma que a encararia naquela biblioteca, dez anos depois. A mais velha soltou a perna da outra e deixou que ela terminasse de subir.
Quando Ginny voltou do mercado, encontrou sua filha espatifada no chão de seu quarto com o nariz sangrando e deitada, aos prantos, no colo da prima mais velha.
- Eu tentei, titia – falou Rose, com os olhinhos azuis marejados.
Lily não soube naquele momento, se Rose ainda se lembrava daquele episódio com a mesma nitidez que ela. Porém, sabia que ela e Rose, de alguma forma sempre seriam daquele jeito: ela tentava se jogar dos lugares mais altos e Rose sempre tentaria impedi-la, até não ver mais maneira de fazer isso.
- Rose sempre foi esperta – disse Lily, ainda olhando para a prima, enquanto esta abaixava a cabeça e voltava à leitura.
- O quê? – indagou Bridget, concentrada em transfigurar um pergaminho em uma taça.
- Nada, não. – Lily consultou o relógio. Já passava das onze horas. - Brid, vou subindo. Preciso achar o meu irmão.
- Certo – respondeu Bridget, embora não parecesse ter prestado muita atenção no que a amiga dissera. – Daqui a pouco eu vou, também, só tenho que...
Antes de ouvir o resto da frase, a ruiva já estava longe. Subiu correndo até a torre da Grifinória, ignorando a pergunta inconveniente do monitor-chefe da Lufa-Lufa, que a indagou se "já não passava da hora de ir para a cama".
Havia poucas pessoas no salão comunal da Grfinória, mas Albus era uma delas. Estava quase dormindo em cima de seu livro de Poções, quando Lily se aproximou.
- Você precisa parar com isso.
Albus ergueu a cabeça, seus olhos sonolentos encontrando os da irmã.
- Preciso mesmo. Estudar até tarde não tem me levado a lugar nenhum, no dia seguinte eu...
- Albus, escute – interferiu Lily. – Rose está sozinha, no momento.
O rapaz continuou encarando-a, sem entender.
- Rose não tem ninguém por ela – insistiu a menina.
- Ela tem o Scorpius – respondeu ele. Mas ao contrário das outras vezes em que tocava naquele assunto, já não havia tom ressentido de outrora. Sua irmã, porém, não reparou nisso.
- É diferente. Você é a família. Isso sempre teve um significado forte para nós todos, Albus, e você está deixando que ele se perca.
O garoto fitou-a impassível. Não sabia se era o sono, mas simplesmente não sabia como responder àquilo.
- Você está escutando? – perguntou Lily, impaciente.
- Escutei, mas...
Ele parou no meio da frase e permaneceu calado. Lily levantou as sobrancelhas, incrédula e impaciente.
- Eu agradeceria se, amanhã, depois que você se sentir acordado, você levantasse daí e tomasse uma atitude.
Sentindo-se exausta, a ruiva subiu as escadas que levavam ao dormitório. E embora estivesse dolorida e com sono, uma sensação repentina de alívio lhe invadiu, quando deitou a cabeça no travesseiro.
"And I'm nothing on my own
Got to get that message home"
N/A: Oi, meninos e meninas! Passei um tempão sem postar de novo e nem sei como justificar… afinal nem faço mais cursinho. Acho que essa emoção toda de ser caloura e estar num lugar novo me fez esquecer totalmente do resto, mil desculpas! Além disso, eu ando meio bloqueada. Eu sinto que o Hugo está ficando sem história e Rose/Scorpius esfriaram muito depois do frisson inicial. Prometo que tentarei consertar isso.
Nem sei o que dizer pra vocês, reviewrs… Como sempre, uns fofos. Muito obrigada pelas reviews, eu leio elas todas, sim. Além de fofos são bonzinhos, pois sempre passam batido pelos meus erros (e eu sei que ainda tenho muitos). Espero contar sempre com vocês, inclusive com sugestões ;D
Victória
