Disclaimer: Harry Potter pertence à J.K. Rowling. Esta fanfic não possui fins lucrativos. A fanfic, porém, é minha, e não pode ser reproduzida ou copiada, parcial ou totalmente. Plágio é crime.

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Síndrome Malfoyniana
por J.K. Chan

– Capítulo 8 –

Desbravando terras sonserinas: parte I

Sabe, eu era um menino feliz. Sim, feliz. Apesar de Voldemort e toda aquela coisa de salvar o mundo, eu tinha um lugar cheio de coisas e pessoas pra amar. Hogwarts era minha casa. Eu tinha amigos que gostavam de mim de verdade. E pessoas que me odiavam. Oh, bons tempos.

Mas eu não era mais feliz. Porque tudo tinha sido virado do avesso e eu estava perdidamente apaixonado pelo Draco, alguém com quem eu realmente não deveria me envolver. E que não queria nada comigo, por razões óbvias.

Minha vontade era abrir um buraco no chão e enfiar a minha cabeça. Eu não tinha a menor força pra ver os meus amigos. Fui até o Três Vassouras e rapidamente os dispensei, dizendo que não estava muito bem e precisava ir dormir. Ron pareceu preocupado, mas Hermione, como sempre, entendeu de primeira e me ajudou.

E eu andei até ficar exausto, pensando em tudo e nada, até chegar à Dedosdemel, bem mais vazia. Era fim de tarde, quase noite. A moça do balcão me cumprimentou e eu disfarcei minha quase-entrada no porão olhando com interesse pros doces da prateleira.

Entrei escondido no túnel que me levaria de volta ao castelo e em alguns minutos estava em frente à sala do Dumbledore. A senha ainda era a mesma e eu subi rapidamente. Bati na porta e ouvi um sereno "Entre.". Respire fundo, Harry. Você consegue.

"Olá, Harry. O que posso fazer por você?" - ele falou, sorrindo.

"Hm... Diretor... Eu queria te pedir um favor."

"Se eu puder ajudar, ficarei mais que feliz." - ele ainda sorria, me olhando nos olhos.

"Malfoy me contou que você vai expulsá-lo por causa do jogo." - ele assentiu. Eu tremia.

"O que ele fez foi muito grave, Harry. Ele poderia ter causado uma tragédia." - ele sorria ainda mais - "Acabei de avisá-lo que amanhã é seu último dia em Hogwarts. Seus pais serão avisados ainda hoje."

"Mas, diretor... Eu gostaria que o senhor não o expulsasse."

Dumbledore parecia fascinado pelas minhas palavras.

"E por quê?"- ele perguntou, genuinamente curioso.

"Porque eu sei que lá no fundo ele não fez por mal. Ele costuma não pensar muito nas coisas... E eu não vou mais brigar com ele. Eu juro." - falei, nervoso.

"Ah, Harry... Você me pegou de surpresa. Não sei se é uma boa idéia." - mas algo em meus olhos o fez suavizar as feições. - "Está bem, ele pode ficar. Mas vai ter algumas detenções comigo durante o mês. E quero ver vocês dois bem amigos, hein. Da próxima vez, ele vai estar expulso antes de poder dizer quadribol." - eu agradeci e ele continuou falando - "Vou te pedir um favor... Não conte pra ele ainda. Achar que vai perder os amigos e tudo o que tem vai fazer com que ele aprenda uma lição valiosa."

Eu assenti e me retirei, feliz. Era incrível como as coisas tinham mudado. Minha vontade era ir correndo contar a ele o que aconteceu, mas tinha duas razões para não faze-lo: Dumbledore tinha me pedido e eu não sabia se já tinha a coragem necessária.

Por isso, voltei à Sala Comunal e me deparei com Hermione andando de um lado para o outro, muito nervosa. Quando me viu, sorriu de leve e veio cheia de perguntas.

"Harry! Os outros foram jantar. Me conte o que aconteceu! O que ele falou? Você contou pra ele? Ele gosta de você?" - ela parecia uma máquina.

"Calma, Hermione. Eu... beijei ele." - ela arregalou os olhos - "Mas calma, não foi bem assim. Ele não aceitou o beijo, ele... foi embora. E me chamou de idiota."

"Ah, Harry... Mas ele pode estar confuso." - disse ela, esfregando as mãos - "Não sei se você está sabendo, mas na volta pra cá a Luna veio me contar que Draco foi expulso e que amanhã depois do jantar os sonserinos vão fazer uma festa de despedida pra ele. Você quer ir?"

"Ele não vai ser expulso. Eu falei com o diretor." - disse, sério. - "Mas não posso contar pra ele agora. Coisa do Dumbledore..." - falei, respondendo ao seu olhar indagador - "Então acho que podíamos ir até a festa e eu conto pra ele lá."

"É uma boa idéia. Você é uma pessoa maravilhosa, Harry. Lembre-se disso. Ele devia se sentir muito grato por tudo que você fez por ele." - talvez eu tenha me apaixonado pelo Malfoy porque ele é o único que não acha tudo que eu faço maravilhoso.

Eu estava exausto. Me despedi das poucas pessoas que chegavam na sala comunal e rumei para a minha cama de dossel. Dormi mais rápido do que imaginei. Essa história toda realmente me levou à exaustão mental.

No dia seguinte, acordei com uma tarefa difícil. Ir até uma festa na Sonserina dizer ao Draco que eu o impedi de ser expulso e ter que lidar com toda a humilhação que viria quando ele gritasse aos quatro ventos que o Menino de Ouro é frutinha e está apaixonado pelo inimigo.

Juro que preferia ter me apaixonado pela Luna, pelo Neville ou até (ó céus) pela Pansy. Mais simples e muito menos humilhante.

No café da manhã, todos os olhares estavam voltados para Draco Malfoy, que comia sua última tortinha de abóbora em Hogwarts. Era visível em seu rosto que ele estava deprimido com toda a situação. Queria tanto levantar e gritar que ele não ia embora, só pra ver um sorriso estampar aquele rosto. Mas não tive coragem.

Evitei olhar pra ele durante a refeição e ele parecia fazer o mesmo. Estava na cara que ele tinha ficado com ódio de mim. Talvez até nojo. Onde já se viu um garoto que você odeia te dar um beijo na boca de surpresa?

O dia passou muito devagar. Talvez porque era domingo e eu estava ansioso. Durante o jantar, todos observavam Draco comer sua última coxa de frango. Ele agora parecia furioso com tanta atenção. Se eu não o conhecesse melhor, teria me divertido vendo o feitiço virar contra o feiticeiro.

Ele pareceu perder o controle, se levantou e gritou: "O que foi, nunca me viram, não?" e saiu andando do Grande Salão, sendo seguido por seus cães de guarda, Crabbe e Goyle.

Todos deram risadinhas, fizeram comentários e voltaram a comer. Eu não tinha a menor fome. Hermione me observava e quando nossos olhos se encontraram, ela me tranquilizou apenas com o olhar. Era bom ter alguém pra confidenciar todo esse absurdo.

Finalmente era a hora. Iríamos adentrar terras sonserinas e torcer pelo melhor. Levantei da cama, quando verifiquei que todos os meus colegas dormiam (e roncavam) profundamente. Me vesti e encontrei Hermione na Sala Comunal. Ela parecia nervosa.

"Se formos pegos, você vai dizer que um calouro foi azarado e saiu correndo cheio de bolhas com pus no rosto. Estávamos indo encontrar Pomfrey e fomos achados primeiro. Certo?" - Acenei que sim. Que bom ter uma amiga genial de vez em quando.

Rumamos em direção às masmorras. Hermione parecia saber muito bem o caminho e só olhou o Mapa do Maroto uma vez, em uma bifurcação suspeita. Quando chegamos na entrada da Sonserina, ela guardou sua varinha e esperou no escuro. Em menos de 2 minutos, um aluno saiu e nós entramos. Não é como se nossa ida à festa fosse um segredo. Só queríamos entrar sem ter que pedir ajuda a um sonserino, que provavelmente riria da nossa cara.

Lá dentro, não demorou nada e fomos reconhecidos. Mas não éramos os únicos não-sonserinos ali. A Sala Comunal estava cheia de alunos de outras casas. Algo estava acontecendo de diferente. Será que Draco tinha tantos amigos assim? Talvez estivessem lá pelo espetáculo. Não sei.

"Draco, vem ver quem está aqui! É o Potter, acredita?" - disse Pansy, numa voz muito debochada. Ele apareceu atrás dela, carregando um olhar surpreso no rosto.

"O que você está fazendo aqui?" - ele perguntou, e não tinha raiva nem asco na voz. Estava vazia.

"É! Já não foi suficiente causar a expulsão do Draquinho?" - disse Parkinson, me fazendo desejar lançar ao menos duas imperdoáveis.

"Pants, já disse que eu me entreguei. Potter pode ter essa cara de babaca, mas não teve nada a ver com isso." - algumas pessoas riram, outras ficaram surpresas em saber dessa fofoca quentinha.

"Malfoy, preciso falar com você. É bem urgente..." - eu falei, sem saber como soaria.

"Potter quer dividir seus segredinhos com Draco?" - disse Nott, uma ponta de divertimento na voz.

"Chega, Nott. Está bem, Potter." - ele falou simplesmente e se virou em direção aos quartos. Eu o segui, em meio a olhares embasbacados.

Conforme nos afastávamos do barulho, meu coração parecia mais e mais descompassado. O que eu diria? Faria diferença? Eu ferraria ainda mais com tudo? Ele me odiaria ainda mais?

Entramos no dormitório masculino e ele fechou a porta, passando a tranca ("Malditos sonserinos enxeridos", ele falou).

"Então, Potter. Pode começar."

"Hm... Eu vim aqui pra... é que o..." - as palavras não saíam.

"Não tenho a noite toda. Se você se esqueceu, é a minha última." - ele falou, seco. Estava tudo acabado. Tomei coragem, respirei fundo e falei.

"Você não vai ser expulso."

"O quê? Como assim?" - ele arregalou os olhos.

"Eu decidi... decidi falar com o Dumbledore. Acho que você não merece uma punição tão severa, não foi nada demais. Ele concordou e falou que depois vê com você umas detenções, algo assim."

"Você acha que eu não mereço? Eu ia te matar ali, Potter. Mais uns minutos e nós dois teríamos morrido. Você sabe disso, né?" - assenti com a cabeça - "Então por que...?"

"Não sei. Não to afim de descobrir também. Só me desculpa por não ter contado logo, foram ordens do Dumbledore. Também me desculpa por ontem. Enfim, já vou indo, amanhã eu..." - ele me segurou pelo braço.

"Potter, você é um idiota. Por que não consegue obedecer uma simples recomendação de não se meter comigo?" - ele falou, olhando fundo nos meus olhos.

"Eu tentei bastante, só que…" - Que se dane se eu me humilhar e parecer um bobo apaixonado. Essa palhaçada acaba de vez. - "É melhor eu ir. Me solta."

Draco me olhava fundo, mas não dizia uma palavra. Depois do que pareceram horas de apenas olhares, ele falou:

"Obrigado por ter falado com o Dumbledore. Juro que não vou mais agir como criança. A partir de agora só vou tomar decisões adultas e sensatas." - e me estendeu a mão para um aperto. Aquele que não aconteceu há quase 7 anos atrás.

Fiquei surpreso. Esperava uma reação muito pior, não uma oferta de amizade. Aceitei o aperto.

Nossas mãos se tocaram e foi como se formiguinhas subissem pelo meu braço, passando em meu tórax, seguindo uma direção perigosa. Ficamos mais tempo que o necessário num aperto de mão meio esquisito, até que ele saiu porta afora, sem dizer uma palavra.

Eu tremia. Acho que amizade não seria o suficiente, nunca mais.

Resoluto em aceitar a realidade e ter apenas a trégua que Malfoy estava propondo, mesmo que estivesse quebrado por dentro, rumei de volta à Sala Comunal da Sonserina, onde havia música, álcool e felicidade (agora que Draco anunciou que não seria expulso) o suficiente pra deixar minha mente dormente.

Vários sonserinos foram me agradecer por ter salvado a pele do Malfoy, mesmo que fizessem isso do jeito deles. "Potter, finalmente fez alguma coisa certa, hein!" e "Valeu por quase destruir a vida do Draco e depois consertar a merda que fez!" foram algumas das frases que ouvi ao transitar pela sala.

Minha mente estava mais leve. Hermione sorriu pra mim ao se aproximar.

"E aí? Como ele reagiu?"

"Ah, Hermione… Ele ficou surpreso e depois disse que ia tentar ser mais adulto. Acho que estamos numa trégua agora."

"Mas isso é ótimo, né?" - ela disse, visivelmente mais relaxada.

"Sim, é." - e por que não parecia?

"Potter." - a voz de Draco interrompeu a conversa.

Me virei e ele me olhava profundamente. Perdi o fôlego. Nada disso estava certo, nada mesmo. Como eu posso ser amigo (ou o que quer que a gente fosse agora) se eu me derretia por ele com um simples olhar?

"Nós vamos jogar um drinking game agora e queríamos saber se você e Granger querem participar." - ele se virou para Hermione, que estava pasma - "Granger, você sabe transformar água em Firewhiskey, não sabe? Por que meus amigos são uns idiotas e não trouxeram álcool suficiente pra todo mundo."

Malfoy e Hermione estavam mesmo se falando? Isso estava acontecendo? Mesmo?

"Sei sim, Malfoy! Vamos sentar que eu faço isso num minuto!"

Assim que Draco começou a andar, ela me olhou com a mesma surpresa que eu sentia e sorriu.

"Acho que as coisas vão mudar muito, Harry."

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Duas horas e oito garrafas de água que viraram Firewhiskey depois, tudo que eu conseguia pensar era que o sofá em que eu estava sentado era muito macio e que o mundo estava girando à minha volta de um jeito agradável demais.

"Potter, sua vez!" - ouvi um gripo histérico que só podia vir da Pansy.

Estávamos jogando Verdade e Consequência há 15 minutos. Blaise Zabini tinha admitido que ele e Padma Patil se pegaram numa sala de aula há uns meses e Hermione finalmente falou que gostava de Ron. Porque ela tinha admitido isso pra um bando de sonserinos fugia ao meu conhecimento.

"Ok. Verdade."

Levantei meus olhos e vi que todos sorriam e se divertiam, mas Draco me olhava tenso. Não entendi o que aquilo significava. Ele já estava dando pra trás na nossa trégua?

"Potter, é verdade que você é gay?" - Pansy perguntou.

Ao menos metade da sala engasgou com sua bebida. Eu gelei completamente. Minhas opções eram: mentir e ser desmascarado pelo Draco ou falar a verdade e ser humilhado prlo Draco. Claro que nenhuma das duas saiu da minha boca.

"Eu… Hm… Não… Eu..."

"Vamos, Potter! Se está com tanto medo assim de responder, então troca pra Consequência. Já tenho algo especial planejado pra você!" - ela disso isso, sorrindo.

"Não, eu respondo." - respirei fundo e disse, com toda a minha força interior - "Sim."

Depois disso, só me lembro de sentir um enjôo muito forte e correr pro banheiro.

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N/A: Demorei um ano pra voltar, mas agora vou tentar manter o ritmo! Espero que tenham gostado do capítulo, apesar de não acontecer muita coisa nele.

Com amor, J.K.