Cap 8 – Lua cheia
Sirius
Estava realmente puto da vida de não poder jogar hoje, o que não impediu as várias fãs da Gryffindor me desejarem boa sorte. Boa sorte no banco. Ridículo, eu sei, mas graças a isso já tinha alguém pra me entreter enquanto o meu time jogava sem mim.
Aquela estava sendo uma manhã irritavelmente tranqüila demais pro meu gosto.
- Sirius, por que você acordou tão cedo se nem vai jogar? – A pergunta do Peter conseguiu me deixar mais irritado do que a minha manhã irritante.
Eu nem me preocupei em responder ou em me sentar à mesa pra tomar café, peguei o prato de waffles da ruiva, que por incrível que pareça não reclamou e virei o suco do Prongs. Depois subi com o prato para o meu dormitório e dormi novamente depois de comer. Acordei quando a minha companhia pro jogo chegou.
- Excelente essa sua idéia de nos encontrarmos enquanto os seus amigos estão no jogo. Temos o quarto só pra nós. – Disse a morena da Hufflepuff subindo em mim com uma perna em cada lado da minha cintura.
- Acho que você gostou mais da parte em que o seu namorado também esta jogando e não pode nos pegar. – Eu disse enquanto a deitava na cama por baixo de mim. Sem esperar resposta eu comecei a beijá-la. Não estava muito a fim de conversa.
Não percebi quanto tempo havia se passado, quando ela se levantou e se vestiu pra sair. O namorado dela ia precisar de algum consolo já que o time dele ia perder. Mesmo sem jogar eu sabia que o Prongs não ia perder um jogo que a Lily estivesse assistindo. Levantei e fui tomar um banho e quando voltei para o quarto a Hufflepuff já havia saído.
Desci sem verificar que horas eram, os jogos geralmente levavam a tarde toda e sabendo que o James ia querer encurtar esse o máximo possível calculei que seriam umas 3 da tarde no máximo. Não agüentava mais descansar, precisava fazer alguma coisa antes de morrer de tédio então fui pra cozinha comer.
A cozinha de Hogwarts era enorme e tinha muitos elfos domésticos trabalhando lá, o que quer dizer que sempre tinha muita comida pronta e mesmo assim o lugar sempre estava muito limpo e organizado, então fiquei meio surpreso de ver um rato correndo de mim por uma porta lateral que levava a um corredor. Me irritei quando atravessei a porta e não o encontrei, era o Peter, mas por que ele não estava no jogo? E por que ele correu de mim? Isso ia ficar pra mais tarde, porque eu não precisava dar mais uma preocupação pro Remus ou pro James. Voltei para a cozinha e depois de alguns minutos vi a Dorcas e a Emmy entrando sorridente.
- Ganhamos! – Disse a Dorcas pra mim.
- Claro que sim. – Eu respondi sorrindo. – Vieram buscar comida pra festa?
- Isso. – Respondeu a Emmy. – A Lily e a Lene vão cuidar das bebidas. Vamos pro salão comunal?
- Pensei que não iam convidar. – Eu disse enquanto me ajeitava entre a duas com os braços sobre seus ombros. Como se elas fossem minha propriedade. Elas estavam felizes demais pra se importar com isso.
Eu tinha mesmo nascido achando que tudo me pertencia e aquela arrogância eu não ia perder tão cedo, mesmo admitindo pra mim mesmo que nem sempre eu podia ter tudo, não precisava admitir isso para o mundo. Graças a Merlim.
Lílian
Finalmente aquele jogo chato tinha acabado. Tenho certeza que todas aquelas acrobacias perigosas que o Potter fez eram desnecessária. Acho que havia algum olheiro ou coisa assim assistindo o jogo. Eu não tinha conseguido dormir nada na noite passada e estava acabada.
- As bebidas estão no dormitório dos garotos. Vamos pegá-las? – Perguntou a Lene indo em direção a escada. Eu subi logo atrás dela.
- Onde você acha que eles guardaram? – Eu perguntei sem interesse nenhum em procurar.
- Provavelmente em baixo da cama. Aposto. – Disse ela já olhando para o chão. – O que é isso? – Ela falou apontando.
Eu me aproximei e corei. Era uma calcinha
- Você não anda fazendo hora extra aqui com o James né, Lily? – Ela só podia estar brincando
- Não seja ridícula. – Eu disse com um olhar cínico pra cima dela. – Isso pode ser do Sirius também. – Eu disse disfarçando um sorriso. Toquei na ferida.
- Provavelmente nunca saberemos. – Ela disse indo em direção a um armário meio aberto. Eles realmente não tinham cuidado nenhum, a bolsa com as bebidas estava bem ali jogada pra qualquer um que quisesse pegar. Por um minuto eu reconsiderei, ninguém entrava no quarto dos marotos sem autorização, mas depois me lembrei que acabávamos de fazer isso. - Vamos? – Ela disse abrindo a porta e dando de cara com o James.
- Estavam com tanta saudades que nem esperaram eu tomar banho? – Ele disse todo sorridente.
- Bonita a calcinha da sua namorada, James. – Disse a Lene enquanto passava pela porta, deixando ele muito curioso.
- O que? Que calcinha? Que namorada?
- Boa tentativa. – eu disse apontando para o chão e forçando um sorriso. Tentei sair também, mas ele me segurou pelo braço e fechou a porta.
- Lily, eu não sei de quem é...
- E isso é problema meu por que? – Eu o interrompi. Não era assunto meu e eu não queria mais saber sobre aquilo. Por algum motivo estava me incomodando muito.
De um dia para o outro aquele garoto começa a me perseguir dizendo que me ama e eu sempre soube que era mentira e que ele saia com todas as garotas do colégio e possivelmente fora dele também, mas ter a certeza me magoou.
Assim que desci para o salão ele já estava cheio, então fui para o meu quarto tomar banho antes da Marlene subir e começar a se arrumar também. Não pretendia ficar muito tempo na festa e, além disso, teria que fazer a ronda sozinha essa noite.
Vesti uma calça jeans e uma blusinha de alcinha, quando tivesse que sair para a ronda colocaria uma jaqueta. Sequei os cabelos e me maquiei sem miséria: lápis, rimel, delineador e uma sombra cinza escura. Sem batom.
Por incrível que pareça a Marlene também já estava pronta e descemos juntas. Por algum motivo ela também usava muita maquiagem e comecei uma teoria de que o nosso humor influi diretamente nisso.
Obviamente a primeira pessoa que veio falar comigo foi o Potter.
- Lily, precisamos mesmo conversar. – Ele disse me puxando para o canto.
Sirius
Quando entrei no salão a festa já havia começado. Ainda estava com uma menina em cada braço e o Remus me olhou feio e a idéia maldosa de perguntar por quem ele se importava passou pela minha cabeça, mas eu simplesmente as soltei sorrindo e fui ajudar a Marlene a deixar as bebidas no seu tamanho normal.
- A ruiva não deveria estar te ajudando? – Eu perguntei só pra puxar assunto. Não que eu precisasse disso. Geralmente.
- Acho que ela esta brigando com o James naquele canto. – Ela disse apontando, mas eu nem me preocupei em olhar, não conseguia tirar os olhos dela. Ela estava linda como sempre. Mas também estava brava, ultimamente ela estava sempre brava.
- Você está brava. – eu afirmei, mas ela não disse nada, apensas sorriu. – Então, por que eles estão brigando dessa vez?
- Por que a sua namorada esqueceu a calcinha no dormitório e o James está preocupado por acha que a Lily acha que é dele. – Ela disse sem dar nenhuma importância. Se fosse para qualquer outra garota eu negaria até a morte, mas era a Lene e eu nunca conseguia mentir pra ela.
- Eu já volto. – Disse rumando para o casal infeliz no canto do salão.
- A calcinha era de uma menina com quem eu transei durante o jogo. – Eu disse assim que cheguei perto deles. Não tinha porque manter segredo, principalmente nesse caso.
- Isso não é da minha conta. Eu não ligo pra vida sexual de vocês. – Disse a ruiva se afastando.
- Quando eu penso que não da pra ficar pior...- Disse o Prongs desanimado sentando na poltrona perto da janela
- Não tem o que fazer nesse caso. Por que você não sobe pra dormir um pouco? Eu dou um jeito por aqui.
- Não machuque ninguém. – Ele disse se levantando e indo para o dormitório.
Eu fui direto para a mesa de bebidas. Sabia que ela estaria por lá, alguma coisa na minha cabeça dizia que ela viraria uma alcoólatra.
- Sempre enfrentando os seus problemas com álcool, você vai virar uma alcoólatra.
- Eu não tenho problemas. – Ela disse enquanto preparava um drink de whisky com coca. Eu nunca tinha mistura whisky com nada.
- Eu quero um. – Eu disse olhando para o copo, quando percebi que ela estava me olhando com curiosidade eu sorri. – Por favor.
Assim que ela me serviu tentei voltar para o assunto.
- Não tem motivos pra você ficar brava Lily, já disse que não foi culpa dele.
- Eu não estou brava, já disse que isso não é um problema meu. Eu não ligo!
- Mas ele liga. Você poderia ser mais sensível aos sentimentos dos outros.
- Nossa, vindo de você essa doeu. – Ela disse tentando fazer graça, mas eu estava serio e não ia perder o foco.
- No fundo você sabe que ele gosta de você de verdade e nunca faria isso.
- Faz me rir. – Ia ser difícil. Ruiva chata!
- Bom, pelo menos dessa vez não foi ele! Agora vá se desculpar por ter sido grossa. Eu disse enquanto a empurrava para as escadas do dormitório.
Lílian
Eu estava mesmo sendo injusta e também havia sido grossa, mas ainda não entendia porque eu tinha que levar isso tão a serio se nem era um problema de verdade, pelo menos pra mim. Decidi ser 'sensível aos sentimentos dos outros' como o Black havia tão diretamente me recomendado.
Assim que entrei no dormitório, fui diretamente para a cama dele, queria acabar com aquilo o mais rápido possível. Sabia que ele não estava dormindo ainda, mesmo com o jogo e tudo mais. Ele estava deitado com a barriga pra cima e sem camisa, segurando a cabeça com os braços e com os olhos fechados. Estava com fones no ouvido, então percebi um Ipod sob a cama. Não sabia que ele gostava de coisas de trouxas. Ele nem percebeu quando eu peguei o aparelho pra ver qual música estava tocando, era uma banda bruxa que eu não conhecia.
- James. – Eu disse, mas ele não me ouviu, a música estava realmente muito alta. Eu estava com muita vergonha de chamar a atenção dele, eu deveria tocar onde? Nos braços musculosos ou na barriga definida? Lutei fortemente com uma tentação que eu desconhecia, sentando de frete pra ele na cama. Ele abriu os olhos chocado tirou os fones, enquanto se sentava.
- Olha Lily, eu sei que você ta brava, mas...
- Você não precisa explicar, eu não estou brava, juro. Acredito mesmo que aquela calcinha era de uma das conquistas do Black.
- Acredita também que eu gosto de você e nunca faria isso? – Será que eles tinham combinado histórias?
- Não realmente. – Eu disse sincera. – Mas vim por outro motivo. – Eu disse antes que ele me interrompesse pra tentar me convencer de seus sentimentos. Mais uma vez.
- Outro motivo? – Ele perguntou confuso.
- Sim, eu fui grossa com você. E mesmo não querendo saber da vida sexual de vocês eu acho que poderia ter te tratado um pouco melhor.
- Acho que você não conseguiu me tratar melhor porque estava com ciúmes. – Ele me disse sorrindo.
- Não viaja. – Eu disse inultimente, porque ele já estava viajando. Nem me escutava mais. – Ok, pense o que quiser, eu tenho que descer.
- Mas já? Por que? – Ele perguntou me segurando pela cintura. Até o momento consegui lidar com o fato de que ele estava parcialmente exibindo o seu corpo perfeito, mas com a recente proximidade não pude evitar ficar sem graça.
- Ronda!
- O que?
- Eu tenho que fazer ronda e como o Remus não vai comigo hoje eu quero ir mais cedo.
- Lily, ainda é muito cedo. – Ele estava certo ainda faltava muito.
- Então acho que vou aproveitar um pouco mais da festa lá embaixo. – Eu disse levantando – Você pode se trocar e vir junto.
- Na verdade, acho melhor eu descasar um pouco. – Ele disse desanimado. – Por causa do jogo sabe? – Ele tentou explicar.
Então eu me deitei ao seu lado na cama, mas com a barriga para baixo olhando para a cabeceira enquanto eu pegava o seu Ipod para me distrair, ele não disse nada apenas deitou novamente e ficou me olhando com aquele sorriso bobo até dormir, o que não demorou muito considerando o frasco vazio de poção do sono que eu achei no seu criado mudo.
Sirius
A ruiva não desceu mais, então restavam duas opções, ou ela se acertou de vez com o Prongs, ou ela o matou e estava tentando esconder o corpo. Mesmo considerando que a segunda opção era a mais provável eu permaneci na festa. Sem grandes palhaçadas, só conversando com algumas pessoas e bebendo muito pouco. O fato de o Peter não estar lá, não me passou despercebido. Decidi resolver um outro problema primeiro.
- Oi, de novo. – Eu disse me sentando ao lado da Marlene.
- Oi. – Ela me disse sorrindo. Adorava quando ela estava de bom humor. Passei o braço por seu ombro e a trouxe mais pra perto para dar um beijo demorado na sua bochecha. – Nossa, a que devo tanta honra?
- Obrigado por existir na minha vida. – Eu disse ingenuamente pensando que não precisaria explicar o meu comportamento. Mas eu estava com sorte porque ela apenas sorriu e me passou uma garrafa de cerveja amanteigada.
Ficamos ali conversando até a hora de subir. O Remus já estava na Casa do Gritos e logo a lua estaria num pico forte o bastante para afetá-lo.
Quando entrei no dormitório para acordar o James entrei em choque. Lílian Evans estava dormindo em sua cama, junto com ele. Tive que pensar muito se deveria acordá-lo ou não. Ironicamente ele estava vivendo um sonho. Dormindo.
Decidi que era melhor acordá-lo. Era uma coisa importante afinal. Ele também não acreditou quando viu a ruiva dormindo em sua cama, e a cara que ele fez de ter que levantar deu pena. Nos movimentamos com cuidado pelo quarto para não fazer barulho e antes de sair ele tirou os fones do ouvido dela e a cobriu. Aquele sorriso ia ficar no rosto dele por semanas.
- Eu não acredito. – ele disse enquanto descíamos as escadas para o salão comunal que ainda estava cheio. Eu sabia exatamente do que ele estava falando.
- Pois é, eu também não. Acho que vocês deveriam brigar mais vezes. – Ele não respondeu, apenas sorriu mais e mais.
Quando conseguimos atravessar o salão comunal e saímos pelo corredor, pegamos o mapa para ver se não tinha nenhum monitor intrometido para nos atrapalhar então localizamos o Peter na passagem que usávamos para ir para os jardins.
- Ele foi rápido. – Disse o James, eu não me preocupei em responder.
Assim que terminamos de atravessar o túnel que ficava embaixo do Salgueiro Lutador, já podíamos ouvi-lo. Os gritos se tornando uivos. A fera já estava se debatendo contra as paredes para tentar sair. Tive pena do Remus que ia sentir por isso amanha.
- Começou. – Disse o Prongs, subindo a escada para o segundo andar com o Peter logo atrás dele.
Antes de subir também eu dei uma olhada pela janela, dali dava para ver o castelo e a torre onde ficava a Gryffindor. Tive uma sensação ruim e isso sempre significava uma longa noite. Decidi parar de pensar antes de enlouquecer e me transformei no grande cão negro que correspondia aos meus poderes de animago e subi também.
Lílian
Acordei na cama do Potter, não tinha nada a dizer em relação a isso. Apenas acordei lá. Sabia que não tinha acontecido absolutamente nada, mas só o simples fato de ter dormido lá ia ter um impacto muito maior do que qualquer coisa que eu fizesse, então decidi tratar aquilo como uma não-grande coisa, mesmo sendo. Não grande, mas significante.
Felizmente o James não estava mais lá e eu não precisaria ter uma explicação imediata para isso, mas infelizmente ele havia acordado primeiro então obviamente ele me viu dormindo lá. Ele me cobriu. Eu não queria pensar nisso, mas era uma coisa que eu não podia evitar.
Pensar tanto havia me deixado lenta, então eu ainda estava no quarto, olhando para a cama. Lembrei da noite de hoje e olhei pela janela. Quando via a lua cheia desci correndo para o salão comunal, não tinha mais ninguém lá, já passava das 2 da manhã. Estava atrasada para a ronda. Peguei a minha jaqueta com o distintivo e sai pelo quadro da mulher gorda com a varinha em punho. Odiava andar sozinha pelo castelo de madrugada.
Quando me aproximei do corredor leste do primeiro andar percebi vários passarinhos empoleirados do Salgueiro Lutador. Ele não estava se mexendo.
- Está enfeitiçado. – Eu disse num sussurro.
- O que disse? – Eu quase gritei de susto.
- Marlene! Você me assustou, o que está fazendo aqui?
- Te encontrei no dormitório dos garotos dormindo na cama do James e não quis te acordar. Mas vi quando você desceu pra fazer a ronda, eu estava no salão, mas você passou tão rápido que nem me viu. Não gosta de fazer isso sozinha né?
- Não. – Eu disse extremamente grata de ter a Lene comigo agora.
- Então, por que enfeitiçaram o Salgueiro Lutador? – Eu podia imaginar as razões, mas jamais poderia dizer. – Vamos lá fora ver.
- Não! – Eu praticamente gritei, mas foi inútil, pois ela já estava passando pela porta em direção aos jardins. Então eu apenas a segui. Precisava tirar ela dali o mais rápido possível.
Quando chegamos ao Salgueiro Lutador, ela não parou, facilmente encontrou a passagem secreta e desceu por ela, eu fui logo atrás. Nunca tinha passado por ali, mas sabia exatamente onde ia dar. Já dentro da Casa dos Gritos pudemos ouvir em alto e bom som os uivos que vinham do segundo andar.
- Então é um lobo que tem aqui? Em plena lua cheia, na Casa dos Gritos! – Ela estava juntando as peças e eu estava começando a suar frio. – Lily, é um lobisomem! – Eu a puxei pelo braço, com uma força que eu não sabia que tinha de volta para a passagem e quando saímos pelo Salgueiro ainda imóvel nos sentamos e ela começou a observara lua.
- Precisamos avisar ao diretor Lily, um lobisomem é muito perigoso e pode machucar algum dos alunos. – Eu não conseguia olhar pra cima e contar a verdade, mas tinha que fazer ou ela poderia comprometer o segredo do Remus. Eu só precisava esperar o momento certo, mas quando ela se levantou eu percebi que não existia momento certo para contar uma coisa dessas.
- Ele já sabe Lene. – Eu disse com um sorriso triste.
- Ele sabe? Você sabia? – Ela estava em choque. – Você sabe quem é..? – E no segundo seguinte ela também sabia.
Sirius
Eu nunca tinha gostado tanto de ver o sol nascer como estava gostando agora. Deixamos o Remus dormindo na Casa dos Gritos, logo a Poppy Pomfrey viria buscá-lo.
O Prongs não conseguiu disfarçar a decepção de não ver uma linda ruiva deitada em sua cama, mas mesmo assim deitou e dormiu. Nem ligou para os ferimentos que tinha distribuídos por toda as costas. Eu também não estava muito na vibe de fazer curativos então fechei as cortinas para tampar o sol e possivelmente tirar um cochilo também, mas antes de chegar na minha cama alguém bate na porta. Só pode ser brincadeira, essa hora?
- Quem é? – Eu perguntei mal humorado.
- Lílian e Marlene. – Respondeu a ruiva. E é claro que só de ouvir o nome e o som da voz da Lily o James levantou e se sentou na cama. Eu abri a porta.
- No que podemos ajudar? – Eu disse tentando parecer indiferente com a minha roupa toda suja e rasgada, meu cabelo despenteado e com alguns ferimentos a mostra. Elas não pareceram surpresa e entraram no quarto com uma maleta de poções de primeiros socorros.
- Tire a camisa. – Disse a Lene pra mim.
- Você acha que é assim tudo bagunçado? Tem que me conquistar primeiro. – Eu disse dando um sorriso que desapareceu da minha cara no momento que vi a Lily passando uma poção nas costas do James, que obviamente estava estático.
- Sem perguntas? – Eu perguntei bem alto para as duas.
- Sem perguntas. – Elas responderam juntas. E quando eu abri a minha boca a Lene se antecipou. – De nenhuma das partes.
Se elas sabiam que estávamos machucados, também sabia onde teríamos arrumado os ferimentos, mas era impossível que soubessem sobre o Remus. Ele jamais contaria para ninguém, e nem nós é claro.
A única explicação obvia seria uma briga, elas deveriam pensar isso, que havíamos brigado. Teríamos que ser mais cuidadosos da próxima vez.
Eu estava semi acordado quando a Lene me fez sentar pra tomar café da manha.
- Boa tática, nenhuma garota me trouxe café da manha na cama antes. – Eu disse sorrindo descaradamente para ela. Será que ela consideraria uma cantada?
- Você nunca tinha conhecido uma garota como eu antes. – Ela me disse sorrindo também. Estava ela me cantando também?
- Você me ganhou. – Eu disse fazendo com que ela se sentasse ao meu lado para comer também.
Olhei para o James que dormia enquanto a ruiva limpava o sangue do seu rosto impecavelmente curado. As poções dela eram mesmo incríveis.
- Hora de descermos para vocês se arrumarem. Vocês têm 10 minutos, acorde o James. – Disse a Lílian que terminava de guardar todos os frasquinhos de poção na maleta.
- Obrigado. – Eu disse com a boca cheia, enquanto elas saiam.
Fui até a cama do James e conjurei um balde de água gelada pra jogar nele. Eu sei que é desumano, mas ele precisava acordar. Enquanto ele comia, eu tomava banho.
Foi um record, nunca nos arrumamos tão rápido, apenas 42 minutos depois já estávamos no salão comunal com duas garotas extremante bravas olhando para cada movimento nosso sem piscar.
Lílian
Só podia ser brincadeira. Quase 1 horas! Era um absurdo! Já havíamos perdido a primeira aula, que era dupla, então não poderíamos entrar na segunda. Eu já ia muito bem em transfiguração para ficar faltando né?
- Desculpa o atraso, mas o Sirius não saia do banheiro pra eu tomar banho, tive que invadir. Acreditem.
- Nem precisa falar nada, já estamos atrasadas mesmo. – Disse a Lene tentando ser paciente.
- Vamos nos comportar na aula de Poções, eu juro.- Disse o Potter olhando pra mim.
- Acho bom, pois temos prova. – eu disse sorrindo, era maldade não dizer que a prova era em dupla, mas eu precisava de uma vingancinha simples de qualquer forma.
Eles não ficaram aflitos como eu planejei durante a uma hora que faltava para o inicio da próxima aula e isso me decepcionou.
Aula de Poções
A prova de poções era teórica, então cada dupla recebia um pergaminho com várias perguntas. Eu e a Lene tínhamos um sistema único e infalível de cola. Na verdade enfeitiçamos duas penas e quando eu terminava a minha prova, eu ativava a pena que trocava os pergaminhos, assim enquanto as penas estiverem encostadas no papel poderíamos trocar as provas quantas vezes quiséssemos. Não que isso fosse muito necessário, mas eu fiz a minha prova com o Sirius e em seguida trocamos os pergaminhos e eu terminei a da Lene com o Potter. A Lene me ajudava nas provas teóricas de transfiguração e feitiços e eu a ajudava em todas as outras. Nossa media seria absurdamente alta se não tivéssemos problemas com as provas práticas, eu com transfiguração e ela em poções.
Os marotos ficaram surpresos no começo, nem imaginavam o que fazíamos. Aposto que eles não tinham uma idéia assim.
- Na verdade a gente faz o que dá e entrega assim mesmo. – Disse o Sirius quando eu perguntei.
Acho que eles não se preocupavam muito em ter que tirar boas notas nas provas teóricas, já que iam tão me nas práticas. Estavam tão cansados que assim que entregamos as provas eles subiram para o dormitório para dormir durante o horário de almoço e tentar assisti as aulas da tarde.
Eu aproveitei para visitar o Remus na Ala Hospitalar. Quando cheguei lá, ele estava dormindo. Não pude evitar sentir pena, ele estava todo machucado, mas o orgulho ainda era maior. Era difícil acreditar que ele agüentava tudo aquilo e ainda era o melhor aluno de Hogwarts.
Deixei alguns frascos de poções para dor, para dormir e energética também, ao lado da cama dele. Como eu sempre fazia. Minhas poções era mais fortes do que as da Poppy Pomfrey, porque eu usava ingredientes mais concentrados. Assim ele se recuperava mais rápido, tanto os seus ferimentos quanto a sua disposição. Nunca tinha admitido, mas havia pesquisado aprendido a fazer aquelas poções fortes só por causa dele. Me custaram noites na sessão restrita da biblioteca, mas valia a pena. Ele podia sentir o resultado.
