Dean dirigia o Impala silenciosamente, com o irmão ao seu lado. No banco de trás, Lillian observava as moradias de Ballwin pela janela do carro.

A garota não estava com vontade de falar, queria apenas ir para casa, a sua verdadeira casa, onde ela morara com Adriel, e então dormir e acordar no dia seguinte nos braços do anjo, descobrindo que tudo não passara de um pesadelo. Mas, infelizmente, ela devia explicações aos Winchester e sabia que eles não a deixariam simplesmente ir embora.

– Então... – Dean começou a falar, olhando para a garota pelo retrovisor – Pode nos dizer o que aconteceu?

Ela deu um suspiro cansado e olhou para ambos os irmãos.

– Eu... – a garota procurava por uma maneira de explicar tudo de uma maneira mais leve, mas decidiu que ir direto ao ponto seria melhor – Eu sou filha de um demônio e de um anjo

– O que? – perguntou Dean, surpreso

Sam virou-se no banco a fim de olhar para a garota. Suas sobrancelhas estavam levantadas, em sinal de surpresa.

Lillian olhou para o Winchester mais novo e, de certa forma, sentiu-se um pouco mais confiante para falar a verdade.

– Adriel fez um feitiço quando nasci, para me tornar humana. Mas agora que ele... – as palavras ficarem presas na garganta de Lillian, ela não conseguia dizer que seu namorado havia morrido – Bem... Quando... Vocês sabem... Quando aquilo aconteceu, o feitiço foi desfeito e agora eu sou meio-anjo, meio-demônio

– Filha de um anjo e de um demônio? – falou Dean – Wow, isso definitivamente não é algo que se vê todo dia

– Como isso é possível? – perguntou Sam – Quero dizer, como um anjo e um demônio podem ter filhos juntos?

– Está perguntando à pessoa errada – respondeu a garota – Não faço a mínima ideia. Esse negócio de anjo e demônio ainda é algo novo para mim

– O que quer dizer?
– Eu só descobri sobre meus pais um mês atrás e não sei muito sobre mim exatamente – Só que tenho poder suficiente para matar Rafael, pensou a garota – Nem sei o que posso fazer, quero dizer, eu sei que posso curar pessoas, porque curei vocês dois, e que também posso matar anjos

– Você provavelmente tem o poder de ambos: dos demônios e dos anjos

– É, acho que sim – no momento ela não estava muito preocupada com isso, se sentia exausta demais para se importar com qualquer coisa

– Você está bem? – perguntou o irmão mais novo

– Sim, estou bem. Eu apenas preciso descansar um pouco – ela deu outro suspiro cansado

– Ok

Sam virou-se para a frente do Impala. Estava com pena da garota, afinal, ele sabia muito bem como era perder alguém amado. Eles ainda tinham muito tempo de viagem, então o mais novo decidiu que podia deixá-la descansar um pouco e depois continuar as perguntas.

Lillian entendeu a deixa e encostou a cabeça no banco de trás para dormir um pouco.

xxx

Ela estava deitada na grama, em uma colina. Sua cabeça repousava na perna de Adriel e o anjo passava as mãos, carinhosamente, nos cabelos dela. Ele estava sentado, encostado em uma árvore. Ambos admiravam a paisagem em volta.

O sol se punha, deixando o céu com tons de laranja, rosa e vermelho.

– É lindo – disse a garota

Ela já tinha ido naquele lugar diversas vezes, mas nunca se cansava de ver o pôr do sol dali.

– Sim – concordou o anjo – Tudo o que meu Pai criou é lindo – sua voz era de um filho orgulhoso pelo trabalho do pai

Adriel havia a levado naquele lugar pela primeira vez pouco após eles começarem a namorar. Ele sempre gostara de ficar ali, admirando a beleza natural ao seu redor.

– Eu, obviamente, não fui uma exceção – continuou o anjo, com um sorriso no rosto

Lillian revirou os olhos e depois olhou para o Céu.

– Deus, como pude arranjar um namorado tão exibido? – falou ela, rindo

– O que? – ele fingiu estar ofendido – Eu não sou exibido

– Aham – disse Lillian, ironicamente – E eu sou Britney Spears

O anjo deu uma risada e voltou a olhar para o céu.

Aquele lugar era o único lugar em que ele se sentia em paz. O único local onde ele relaxava sem se preocupar com os anjos que o procuravam.

Mas agora, Adriel não estava tão relaxado. Os ataques contra ele estavam aumentando e o anjo havia começado a se preocupar com Lillian. O que vai acontecer se eles chegarem até ela?, a pergunta não saía de sua cabeça.

Adriel já havia pensado em terminar com Lillian, para a própria proteção da garota, mas sempre acabava desistindo da ideia. Vai ser melhor se eu estiver por perto, eu posso protegê-la, ele dizia para si mesmo, mas sabia que isso era apenas uma desculpa, no fundo, ele só não queria deixá-la.

– No que você está pensando? – perguntou a garota, ao notar a expressão pensativa de Adriel

– No quanto eu tenho sorte de ter você comigo – respondeu o anjo, dando um sorriso a Lillian

Ela levantou-se e deu um beijo nele.

Lillian imaginava que não existia sensação melhor do que beijar um anjo. Além de tudo o que ela já sentia por estar apaixonada, havia ainda a sensação de pureza. Ela sempre se sentia mais leve e pura quando beijava o anjo.

Adriel interrompeu o beijo e ficou olhando para a garota à sua frente.

– Eu te amo – falou ele, com um sorriso no rosto

– Eu também te amo – respondeu a garota e o beijou novamente.

Depois de um tempo, ela voltou a deitar-se nas pernas dele e ambos ficaram em silêncio, admirando a paisagem ao redor.

...

Já era noite quando a barriga de Lillian começou a roncar.

– Acho que nós deveríamos ir jantar – falou o anjo, olhando para a garota

– Com certeza – disse ela, sentando-se – Aonde vamos hoje?

– Eu não sei. Aonde você quer ir?

– Hmm... – Lillian pensou por um instante – Comida japonesa, pode ser?

– Claro – Adriel deu de ombros, afinal, para ele todas as comidas tinham o mesmo gosto

A garota se levantou junto com o anjo, ela estava prestes a perguntar se Adriel preferia ir para o Zen ou Nikko, quando ele a segurou pelo pulso e a puxou para trás dele.

Ela o olhou confusa por um instante, mas logo viu três anjos os encarando ameaçadoramente.

– Droga – Adriel murmurou

Ele começou a pronunciar algumas palavras e os anjos foram jogados para trás.

Adriel virou-se para a garota e falou:

– Sinto muito, mas tenho que fazer isso. Eu prometo que vou voltar.

– O que? – ela perguntou, confusa – Do que você está falando?

Mas ele não respondeu, apenas começou a pronunciar mais palavras, olhando para ela.

A garota notou que os anjos aproximavam-se novamente.

– Adriel, o que você está fazendo? – Lillian começou a ficar preocupada, os anjos aproximavam-se cada vez mais – Adriel – ela o chamou, dessa vez, querendo alertá-lo sobre os outros anjos

Então no momento seguinte ela estava em um quarto.

Lillian olhou em volta.

Ela estava em seu quarto, na sua casa, em Twin Falls.

A garota ficou confusa por um momento. O que eu estava fazendo agora a pouco?, ela tentou se lembrar, mas sua mente estava em branco.

– Filha, vem jantar! – Lillian ouviu sua mãe a chamando no andar de baixo

– Estou indo – respondeu ela

A garota deu mais uma olhada no quarto, ela sabia que devia estar fazendo algo, mas não conseguia se lembrar o que.

Lillian desceu as escadas e foi até a cozinha, onde encontrou sua mãe e seu pai sentados, a esperando para comer. O cheiro da comida fez seu estômago roncar.

– Venha, sente-se – falou sua mãe – senão a comida vai esfriar

A garota sentou-se, ainda confusa. Por algum motivo, ela sentia que não deveria estar ali.

– Algum problema? – perguntou seu pai, levemente preocupado

– Não, não é nada – respondeu a garota e ele pareceu acreditar na resposta

Ela pegou seu prato e começou a comer, mas não conseguia se livrar da irritante sensação de que algo estava errado, de que algo estava faltando.

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Lillian acordou com uma freada brusca do carro.

Ela abriu os olhos e viu Castiel segurando sua lâmina a poucos centímetros do pescoço dela. Sam e Dean olhavam para ele, surpresos e preocupados.

Lillian agora podia ver a verdadeira forma do anjo.

A luz dele era tão forte que quase a cegava. Mas era uma luz tão pura e confortante, que a garota quase se esqueceu da situação em que se encontrava. As asas dele estavam quebradas, mas ainda possuíam uma beleza estonteante. Lillian se perguntou se Adriel também se pareceria dessa maneira se ela o visse vivo agora.

Mas sua admiração pela verdadeira forma do Castiel só durou até ela perceber que o anjo a ameaçava. A garota focou-se na casca dele e a luz desapareceu, tornando o corpo humano visível novamente.

– Cas, o que está acontecendo? – perguntou Dean

Ele apenas encarou ameaçadoramente a garota, sem responder.

– Cas! – chamou Dean

– Ela deve morrer – o anjo olhou para o Winchester mais velho

– O que? Por quê?

– Ela é uma aberração – ele voltou a olhar para a garota – Fruto de um anjo caído e de um demônio. Uma criatura como essa é proibida pela lei dos céus.

Lillian sentiu a raiva queimando dentro de si novamente, mas dessa vez, ela se controlou.

– Cas, espera um pouco, ela está conosco – disse Dean

O anjo olhou para o Winchester mais velho novamente

– Você não entende o que ela é capaz de fazer – disse ele, friamente

– Mas ela não fez nada de errado, fez?

Cas e Dean se encararam intensamente por um momento.

Após alguns segundos, o anjo baixou sua arma, porém, sua expressão ainda era ameaçadora.

– Onde está Adriel? – perguntou Cas para os irmãos

Sam e Dean relaxaram um pouco, mas ainda ficaram em alerta.

– Ele morreu – respondeu o mais velho

Cas voltou-se para a garota.

– Como você pode sequer estar viva? Rafael te matou – falou o anjo

– Não sei o que Rafael te contou, mas eu nunca estive mais viva – a voz dela era desafiadora, mostrando que não estava com medo dele. Lillian achava que Cas parecia ser um anjo legal, mas se ele queria matá-la, ela não facilitaria.

– Do que você está falando? – perguntou Sam

– Quando Rafael matou Ariel e Leonard, ele também matou o filho deles – respondeu Cas

Uma risada sarcástica e seca saiu da boca de Lillian.

– Sinto muito por dizer isso, mas ele nunca me matou – ela deu um sorriso debochado – Parece que o seu amado líder é um mentiroso

– Mas isso é impossível – continuou Cas – Os anjos teriam sentido o seu poder se você ainda estivesse viva

– Adriel fez um feitiço em mim, para esconder meus poderes

Castiel a encarou em silêncio por alguns segundos, tentando decidir se acreditava ou não na garota, por último, ele voltou a olhar para os irmãos, parecendo ter acreditado.

– Vocês têm certeza de que querem confiar nela? – perguntou o anjo

– Não é uma questão de confiança, Cas. É uma questão de matar alguém que nunca machucou outra pessoa. Além do mais, ela nem sequer sabia sobre os seus pais até 1 mês atrás. Não podemos matá-la apenas por ela ter nascido dessa maneira – respondeu Dean

Cas pareceu desistir da ideia de matar a garota e relaxou, sua expressão deixando de ser ameaçadora e voltando ao normal.

Lillian também relaxou um pouco, mas ainda não acreditava que o anjo havia completamente desistido de matá-la.

– Como está o Céu, Cas? – perguntou Dean, tentando amenizar o clima tenso que havia se instalado no carro.

– Melhor. Com Rafael sendo o líder, o caos diminuiu. Agora pelo menos o Céu tem alguma ordem.

Lillian voltou a atenção para a paisagem fora do carro. Ela não estava com paciência para ouvir alguém elogiando Rafael.

A garota notou que já estavam em outro lugar, mas não reconheceu o local. O Impala encontrava-se parado no acostamento de uma estrada vazia. As vozes dos irmãos e Cas ainda chegavam aos seus ouvidos, mas ela não prestava atenção à conversa.

Um carro os ultrapassou e Lillian prestou atenção nas pessoas dentro dele. Era uma família. O pai e a mãe conversavam alegremente na frente, atrás, duas garotas brincavam de boneca.

Lillian viu as luzes de cada um deles, finalmente percebendo que as luzes eram na verdade as almas das pessoas, mas, dessa vez, elas eram apenas uma luz branca, sem buraco preto no meio e sem coloração vermelha nas bordas.

A garota ficou confusa, lembrando-se das almas dos irmãos.

– Por que a deles é diferente? – ela perguntou a si mesma, mas após notar o silêncio dentro do carro, percebeu que havia falado em voz alta.

– O que é diferente? – perguntou Sam, olhando para a garota.

Lillian olhou para ele, tentando decidir se falava ou não. Talvez ele saiba explicar, pensou ela, finalmente.

– Eu posso ver as almas das pessoas se eu quiser. Basta apenas eu não me focar no corpo delas e eu consigo ver suas almas, mas as de vocês são diferentes – falou a garota

– Diferente como?

– Você tem um buraco preto e Dean... – ela olhou para o mais velho – ... tem uma coloração vermelha nas bordas, além de um símbolo estranho no coração

– Essa é a minha marca – disse Cas e todos olharam para ele – Esse é o meu símbolo, indicando que eu sou o anjo guardião do Dean. A coloração vermelha é por causa do tempo que ele passou no inferno. O buraco preto do Sam é por causa do sangue de demônio dentro dele.

– Sangue de demônio? – perguntou Lillian, surpresa

Ela olhou para o mais novo, esperando por uma explicação.

– Eu tenho algumas gotas de sangue de demônio em mim – Sam não estava muito confortável em tocar naquele assunto

– Então você também é filho de um demônio?

– Não, um demônio colocou essas gotas em mim quando eu tinha 6 meses

A garota o encarou, realmente surpresa.

– Por sinal, Cas... – continuou Sam, olhando para o anjo – Por que quando nós nos conhecemos ela não tinha a marca, se o anjo guardião dela ainda estava vivo?

– Provavelmente porque ela não é realmente humana, então um anjo guardião nunca a foi designado. Adriel deve ter decidido assumir esse cargo por conta própria.

Lillian sentiu seu coração apertando de novo. Adriel havia feito um feitiço nela quando ela era pequena, a fim de protegê-la dos anjos, ele sempre esteve por perto enquanto ela crescia, mesmo não visivelmente, e agora, ele havia morrido ainda se preocupando em mantê-la a salvo. A garota não se importava se o anjo havia sido designado oficialmente para protegê-la ou não, ela duvidava de que algum dia, alguém poderia a proteger mais do que ele a havia protegido.

– Sinto muito por seu namorado – falou Cas, parecendo ler o pensamento da garota

Lillian o olhou, surpresa. Ele não estava elogiando Rafael há apenas alguns minutos?, pensou.

– Obrigada – respondeu ela, um pouco desconfiada

– O que aconteceu? – Cas parecia realmente sincero

– Alguns anjos nos encontraram em Ballwin – falou Sam – Adriel tentou lutar contra eles, mas por algum motivo, os feitiços dele não estavam funcionando

– Os anjos estavam obedecendo ordens de Rafael – falou a garota, querendo saber qual seria a reação do anjo

A expressão dele manteve-se inalterada.

– Rafael não gosta dos anjos rebeldes. Com ele sendo líder, os poucos anjos caídos que estão por aí com certeza estão ameaçados – a garota imaginou se Cas também se sentia ameaçado pelo arcanjo

– Eu acho que vai além do fato dele ser um anjo caído – falou Lillian

Castiel a olhou, um pouco confuso.

– O que quer dizer?

– Adriel viveu junto a mim, sendo meu anjo guardião por 15 anos, até que ele precisou aparecer para mim, porque um anjo preparou uma armadilha para ele. Pelo que Sam me contou sobre essa guerra, ela começou, aproximadamente, uns 2 meses antes de eu conhecer Adriel. Ou seja, Adriel conseguiu viver comigo por 15 anos, sem problema algum, mas desde que essa guerra começou, ele sofreu inúmeros ataques.

– Mas é por causa dos poderes dele, não? – perguntou Sam – Quero dizer, ele é um grande feiticeiro e se ele decidisse se juntar aos demônios, isso seria um grande problema para os anjos

– Mas os anjos que o mataram sabiam como neutralizar os feitiços e eles disseram que foi Rafael que os ensinou. Por que Rafael se preocuparia com Adriel se juntando aos demônios, se ele pode neutralizá-lo tão facilmente?

Os irmãos se entreolharam.

– Ele estava atrás de você – falou Cas, percebendo o raciocínio da garota – Ele não tinha como te achar por causa do feitiço de Adriel, mas Rafael também não podia dizer aos anjos que ele estava atrás de você, porque todo mundo acredita que você está morta, então ele decidiu ir atrás de Adriel. No momento que Adriel fosse morto, o feitiço estaria desfeito e Rafael poderia te achar facilmente.

É por isso que Adriel não queria desfazer o feitiço?, pensou Lillian. Ele sabia desde o início que desfazer o feitiço era exatamente o que Rafael queria?

– Mas como desfazer o feitiço iria ajudar Rafael em alguma coisa? – perguntou Dean – Não seria mais fácil matá-la enquanto ela é humana?

– Talvez matá-la enquanto ela fosse humana seria mais fácil, mas achá-la com Adriel ao seu lado seria impossível. Agora que ele está morto, os anjos podem localizá-la facilmente, graças ao imenso poder dela

– Então nós precisamos levá-la para um lugar seguro – disse Dean, já ligando o carro e voltando para a estrada, em direção ao bunker.

– Eu não quero me esconder – falou a garota – eu quero lutar

– Você sequer sabe usar seus poderes?

Lillian calou-se, percebendo que não fazia a mínima ideia de como usá-los.

– É o que pensei – continuou o mais velho

A garota soltou um suspiro, admitindo que Dean estava certo. Se aquilo tudo fazia parte do plano de Rafael, provavelmente o arcanjo tinha algo para lutar contra ela, e se ela quisesse ganhar, então deveria aprender a usar seus poderes.

– Você sabe de algum plano do Rafael para me atacar? – perguntou a garota ao Cas. Seria ótimo se Castiel pudesse espiar o arcanjo e me dizer os planos dele, pensou ela

– Não, Rafael não confia em mim – respondeu o anjo

Lillian percebeu que também não fazia a menor ideia de como acharia o arcanjo. Castiel irá me ajudar a achá-lo?, a garota se perguntou, ou ele está do lado de Rafael?

– Quantos anjos vocês encontraram? – perguntou Cas

– 5 – respondeu a garota

– E o que aconteceu depois? Eles partiram depois que mataram Adriel?

Todos ficaram em silêncio.

– Eu os matei – falou Lillian, após um tempo

– Você matou meus irmãos? – o anjo pareceu não gostar da resposta

– Sim. Eles mataram meu namorado, então eu os matei – a garota o olhou com uma expressão de desafio novamente. Se o anjo fosse ficar contra ela, então ela também o enfrentaria

Cas a encarou em silêncio por alguns segundos e depois se virou para os irmãos.

– Preciso voltar para o Céu – disse ele, indiferente

– Espera, Cas, nós... – Dean começou a falar, mas o anjo desapareceu.

O mais velho bufou.

Sam deu um olhar de reprovação para a garota, Dean também a olhou do mesmo jeito, mas pelo retrovisor do carro.

– Por que vocês estão olhando para mim desse jeito? – perguntou Lillian, ao notar o olhar deles – Não vou me desculpar por isso. Eles mataram meu namorado, tenho mais do que motivos para querer todos eles mortos

Os irmãos apenas se entreolharam, em silêncio. Por fim, voltaram à atenção para a estrada.

Ok, pensou Lillian, se ninguém vai ficar do meu lado, então eu lutarei sozinha.