.:: O ENIGMA DA SIRENE ::.

By Dama 9


Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation. Personagens como Laura, Ariel, Carite, Christian e Rafaelle são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Importante!

Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

Boa Leitura!


Capitulo 8: A Justiça e o Eremita.

Num movimento ágil recolheu as últimas quinze laminas. Embaralhou-as rapidamente e recolocou o monte sobre a mesa.

Respirou fundo, enquanto fitava-o com um olhar perdido. Uma pequena garoa caia do lado de fora e a noite seguia adiante, solitária e silenciosa.

Dividiu o monte em dois, antes de colocar a primeira camada de cartas sobre a segunda. Embaralhou-as novamente e dessa vez, com a mão direita, dividiu as cartas em três pequenos montes.

Em algum canto da cozinha, uma varetinha de incenso queimava as últimas fagulhas de essência.

Olhou atentamente para os montes, cada um deles tinha um significado. O primeiro da esquerda representa a sorte ou o infortuito do futuro, a do meio representava as ligações entre as pessoas, à forma como o destino manipula uns e outros para se encontrarem. A terceira, o imprevisto. Aquilo que não pode ser controlado nem alterado.

Entretanto, as cartas que tirava agora já haviam surgido em sua vida em outras oportunidades. Elas não eram mais novidade para si; ela pensou, virando a primeira do monte da esquerda.

Um fino sorriso formou-se em seus lábios ao fitar a lamina cuja imagem refletida era de uma mulher com túnica grega, uma espada em uma das mãos e uma balança na outra, seus olhos estavam vendados por uma tira fina de pano.

A Justiça! Apesar de ser bem especifica, ela possuía muitos significados, era abstrata, porque como muitas coisas na vida, ela era relativa ao ponto de vista. Entretanto, a força da Justiça representava o equilíbrio e a intervenção da razão e da verdade.

Virou a carta do segundo, que revelou-se como a forma de um homem, com roupas rústicas e um cajado nas mãos. O oposto da primeira.

O Eremita! A síntese da solidão e contemplação, mas também o representante da sabedoria que vem com a paciência e a espera. É a lamina da cautela, que guia o homem para o lado espiritual e emocional.

Recolheu as duas cartas e jogou-as no montinho que ficara de lado. Ainda restavam mais laminas, mas essas duas tinham muita história para contar; Laura pensou, enquanto se levantava e ia fazer mais café.

-x-

.:: A História Dentro da História – O Dom de Mudar ::.

Suspirou pesadamente, sentindo a mão de Rafaelle segurar cuidadosamente a sua, enquanto a outra detinha-se sobre sua cintura, impondo uma distancia respeitável entre os dois.

A musica começou e com ela os casais deslizavam pelo salão, deixou os orbes correrem por toda a parte, insistentemente recaindo sobre a jovem solitária. Ela ainda estava próxima à mesa de petiscos, os orbes castanhos estavam tristes voltados para a janela, parecia deslocada naquele ambiente, mas não a recriminava.

Qualquer um se sentiria enjoado diante de tanta hipocrisia e falsidade. Mal podia esperar para ir embora de Londres, simplesmente não suportava aquela nuvem negra de armações e desconfianças. Viver num lugar onde a vizinha mal podia esperar por um tropeço seu, era intolerável.

-Você parece tão longe, tem algo lhe aborrecendo? –Rafaelle perguntou gentilmente.

-Alguma vez você já desejou ser como as outras pessoas? –ela indagou num sussurro, baixando os olhos. –Já desejou viver em outro tempo, ser outra pessoa, menos você mesmo?

Observou-a atentamente, notando a palidez incomum da face acetinada. Deixou os orbes correrem pelo salão, buscando Carite. Ariel não parecia nada bem e pelo pouco que conhecia da jovem aquele tom tão amuado, não combinava com ela.

-O tempo todo; ele respondeu num sussurro, apenas para ela ouvir.

E essa era a maior de todas as verdades. Ao longo de seus vinte anos de idade, o que mais desejava era ser como qualquer outra pessoa, ou viver em outro tempo, onde a coroa que carregava sobre a cabeça desde o berço, não lhe pesasse tanto.

Embora fosse apenas o quarto na linha de sucessão, ainda era um príncipe coroado e um possível candidato a rei, se os outros três faltassem em algum momento de sua vida.

-Às vezes eu gostaria de estar em outro lugar, viver outra vida... Não ver tudo que eu vejo; ela falou de maneira enigmática. –Como coisas que eu não posso mudar, mas continuo vendo... Simples assim!

-Tem algo que eu possa fazer por você? –ele perguntou.

-...; ela negou com um aceno.

Era impossível mudar aquilo, não era algo que pudesse se livrar ou fingir que não estava ali. Já fazia tanto tempo que não as tinha, chegou a pensar que elas nunca mais surgiriam, mas agora elas estavam de volta; ela pensou agoniada.

E novamente não poderia mudar o que iria acontecer. De que adiantava ter o poder de ver o futuro, se não tinha o direito de interferir com o destino?

-Eu não entendo bem qual é o seu problema; Rafaelle falou, puxando-a para mais perto de si, ignorando os protocolos sociais com isso, para estreitá-la em um abraço carinhoso. –Mas conte comigo para o que precisar... Ás vezes nós nos sentimentos sozinhos, mesmo estando entre uma multidão de pessoas. Desejamos desistir de tudo e não conseguimos ver uma razão para continuar;

-...; ela assentiu silenciosamente, sentindo um nó formar-se na garganta e temia falar e não suportar o peso das palavras.

-Nós precisamos lembrar que independente de tudo isso, existem pessoas que confiam em nós. Que torcem para que vençamos e mudemos os caminhos que nos foram impostos;

-Como? –Ariel perguntou voltando-se para ele.

-Minha nona costumava dizer que todos nós nascemos com um caminho traçado, como um plano pré-determinado, uma missão que devemos cumprir durante toda nossa vida. Seja ela longa ou curta; Rafaelle explicou. –Mas a nona também dizia que nem sempre nós podemos concordar com aquilo que nos é imposto. Porque nós temos o poder de mudar o futuro, seja por uma escolha feita sozinha ou em grupo;

-Uhn? –ela murmurou fitando-o confusa.

-As pessoas atribuem os acontecimentos da vida ao Destino, mas ele nada mais é do que o comodismo das pessoas, que não tem força de vontade o suficiente para lutarem por si mesmas; o jovem continuou. –Nós podemos mudar os caminhos de nossa vida e construir outros com nossa força e fé. Nós não estamos sozinhos no universo, existem muitas pessoas que torcem direta ou indiretamente por nós, que esperam que sejamos vencedores, mesmo quando as probabilidades são nulas;

-Compreendo; a jovem murmurou com um olhar vago. –Durante toda minha vida cresci ouvindo sobre os desígnios do destino, mas eles não foram nada bondosos comigo;

-As provas pelas quais passamos em nossas vidas, por mais duras que sejam, nos fortalecem. Como diria minha mãe, Deus jamais nos da um fardo, que não possamos carregar. Se você tem um caminho a seguir, nele não surgiram mais pedras ou percalços do que você possa contornar e seguir em frente; Rafaelle falou.

-Tem razão; Ariel murmurou pensativa. –Nunca pensei por esse lado, o comodismo das pessoas, tudo isso estagnado. São pelas próprias escolhas, não obra daquelas três sádicas; ela concluiu.

-Quem? –Rafaelle perguntou, arqueando a sobrancelha levemente.

-As... Ahn! As Deusas do Destino; ela falou com um fino sorriso. –Nós gregos, desde pequenos ouvimos sobre as lendas das três divindades conhecidas como Moiras, que regem o destino dos mortais. Tecendo, fiando e cortando o fio da vida; ela explicou.

-Mesmo que elas existissem; Rafaelle falou. –Elas não têm poder, a menos que você o atribua a elas... Ás vezes as responsabilidades que regem nossa vida pesam tanto que se tornam insuportáveis e ameaçam nos sufocar, mas não temos como fugir, podemos apenas enfrentar nossas pequenas batalhas. Perder não é uma opção;

-Você está certo; Ariel falou sorrindo de maneira radiante. –Eu...; ela começou, suspirando fundo. –Detesto admitir, mas ás vezes eu fico um pouco desanimada e perco a fé nas coisas;

-Não encare isso como uma fraqueza imperdoável, somos mortais, fadados a errar e ter uma nova chance para corrigir nossos erros. Seja nessa, ou em outra vida; ele falou sorrindo, enquanto apertava-lhe a mão de maneira carinhosa. –O importante não é como você começa, mas sim... Como vai terminar;

-Você é uma pessoa única, sabia? –ela falou sorrindo antes de afastarem-se e aplaudirem os músicos quando a dança chegou ao fim.

-Espero que isso seja algo bom; ele brincou, acompanhando-a de volta a mesa.

-É, tenha certeza que sim; ela falou de maneira enigmática, antes de lançar um rápido olhar para a mesa de petiscos.

Ela ainda estava lá. Ótimo! Como Rafaelle dissera, ela tinha o poder de mudar os caminhos, do contrario não veria coisas que os outros não poderiam ver. Se seu destino fosse apenas observar e deixar acontecer, seria como das outras pessoas, não o contrario.

Levara tempo demais para perceber quantas coisas poderiam ser mudadas, mas em vez de se arrepender e culpar-se pelas coisas que não podia concertar, iria se concentrar agora nas que podia mudar. Começando pelo caminho daquela jovem solitária, do outro lado do salão; ela pensou.

-x-

.I.

Remexeu-se inquieto no acento, tentando encontrar uma posição em que pudesse se acomodar e dormir. Manteve os olhos fechados, enquanto ao longe ouvia o som das turbinas do avião se movimentando.

Estavam á uma hora no ar, até onde pudera entender do que o piloto dissera, levariam quatro horas de viagem. Ainda não fazia idéia de onde estavam indo, mas saberia quando chegassem, obviamente; ele pensou franzindo o cenho.

-Você está tenso demais; Laura falou virando-se de lado em seu acento e observando-o remexer-se aborrecido em seu lugar. –Quando chegarmos vou lhe apresentar uma pessoa que vai fazer um verdadeiro milagre com essa sua tensão acumulada; ela falou fechando os olhos.

-Puff! –ele resmungou.

Não queria essas futilidades, haviam combinado de treinar naqueles dois anos e não lhe agradava em nada alguém mandando em sua vida, ainda mais alguém em quem não confiava.

-Uhn! Acho melhor dar um jeito nisso; Laura murmurou abrindo os olhos e afastando a coberta que tinha sobre si.

Não iria conseguir cochilar com ele se revirando daquele jeito do seu lado e se ele não ficasse quieto, iria realmente se irritar; ela pensou quando um brilho azulado cruzou as íris rosadas.

-Vire-se; ela mandou acenando para ele, enquanto se sentava no banco.

-Pensei que já tivesse dormido; ele falou sarcástico.

-Ande logo, que temos mais três horas de viagem e eu realmente estou tentada a te jogar para fora do avião sem pára-quedas; ela falou impaciente.

Ainda bem que aquele era um vôo fretado, porque do contrario ele estaria ainda mais chato; ela pensou, imaginando-o rodeado de pessoas de diferentes lugares, falando, ou dormindo e roncando. Abafou o riso diante da cena que se projetou em sua mente. Talvez devesse ter optado por esse tipo de vôo, poderia ter sido interessante no final.

Sentou-se no banco e virou-se de lado, de forma que ficasse de costas para a jovem.

-E agora? –Mú perguntou, ouvindo-a puxar de seus pés uma pequena frasqueira que ela levava consigo. Ouviu o zíper abrindo-se e ela tirou um pequeno frasquinho lá de dentro. –O que é isso? –ele indagou olhado de soslaio.

-Tire a camisa; Laura mandou.

-O que? –ele quase gritou, sentindo a face enrubescer.

-Vamos logo, deixe de falsos pudores e tire logo essa camisa; ela falou impaciente.

-Não vou fazer isso; o cavaleiro reclamou, ameaçando se afastar, mas sentiu-a puxá-lo de volta ao lugar pelo colarinho da camisa.

-Lembre-se, quem da às cartas agora sou eu; Laura falou num sussurro sedutor em seu ouvido, fazendo-o paralisar. –Então, seja um bom garoto e tire essa camisa; a jovem completou, sendo obedecida prontamente. –Viu, não foi tão difícil; ela completou sorrindo vitoriosa, quando viu-o abrir os últimos botões.

-Precisamos esclarecer umas coisas aqui; o ariano falou em meio a uma serie de resmungos. –Não sei como você faz isso, mas é melhor parar; ele falou colocando a camisa de lado.

-Isso o que? –Laura perguntou inocentemente, enquanto abria o vidrinho de óleo e colocava uma pequena quantidade sob a palma da mão.

-Isso que você faz com a voz; ele falou gesticulando.

-Eu não precisaria apelar, se você não fosse tão teimoso; ela falou calmamente, enquanto pousava as mãos suavemente sobre os ombros dele.

Sentiu-o retesar-se imediatamente, mas não se deteve por isso, passou o óleo lentamente sob os ombros e pela costa dele, sentindo os músculos tensos por onde suas mãos passavam.

Não era a toa que ele estava tão inquieto. Com a ponta dos dedos, afastou os longos fios lilases do meio das costas, jogando-os sobre um dos ombros dele.

-Respire fundo; Laura mandou fazendo uma leve pressão nos ombros, onde a tensão maior se acumulava. Massageou o local lentamente, descendo pela clavícula com movimentos suaves. –Espire; ela sussurrou.

Pouco a pouco a tensão foi desaparecendo, enquanto a essência suave de camomila inebriava seus sentidos, fechou os olhos deixando espaçar um baixo gemido dos lábios, sentia-se completamente entregue, enquanto os polegares da jovem faziam uma leve pressão em movimentos circulares sobre a nuca.

-Relaxe, esqueça tudo que estiver pensando agora; Laura sussurrou, descendo a mãos para a base da coluna.

-Isso é bom; ele murmurou, estremecendo quando o ar gelado do ar condicionado entrou em contato com a pele aquecida pelo óleo, arrepiando-a.

-Agora feche os olhos e descanse. Não se preocupe com o desembarque, se você dormir eu lhe acordo quando chegarmos; ela falou terminando a massagem.

Guardou o frasquinho de volta na frasqueira e observou-o acomodar-se numa única posição na cadeira e se aquietar.

-Obrigado; ele murmurou antes de pegar no sono.

Balançou a cabeça levemente para os lados, porque os homens tinham de ser tão teimosos? Provavelmente deveria ser um erro coletivo da mãe natureza, porque todos os que já conhecera ao longo da vida jamais davam o braço a torcer. Bem... Um ou outro, mas eram raridade; ela pensou sorrindo.

Voltou-se para ele vendo-o dormir serenamente, aquela semana, apesar de tê-lo mantido ocupado com as visitas a museus e pontos históricos de Londres, deixando-o tão cansado que ele deveria colocar a cabeça no travesseiro e desmaiar, ocorrera o contrario, a cada noite ouvia os passos inquietos dele sob o assoalho.

Mú não conseguira dormir direito em nenhum daqueles dias, ele estava agitado demais e nem mesmo o cansaço físico, foi capaz de minar o cansaço psicológico e fazê-lo dormir.

Não duvidava que tudo aquilo que acontecera nos últimos meses na vida dele, se tornassem um verdadeiro pandemônio na mente do cavaleiro quando ele tinha tempo de pensar. Ou melhor, usava o tempo que tinha para dormir, fazendo isso.

Observou-o por alguns segundos, afastou alguns fiozinhos lilases que caiam sobre seus olhos e ouviu o baixo suspiro que escapou dos lábios entreabertos.

Iriam começar uma nova vida longe de Londres agora. Logo poderiam ver o mar através das janelas e onde antes era noite iria se tornar dia. Mostrando o quão distantes estavam da antiga vida agora.

Como ele, ela começava uma nova etapa de sua vida, já perdera a conta dos anos que passara pelas mesmas coisas. Entretanto agora sentia que tudo ganhara uma perspectiva imprevisível. Até mesmo com relação ao seu novo amigo.

Com cuidado para não acordá-lo, levantou-se para esticar um pouco as pernas. Iria aproveitar para tomar um café, antes que a comissária de bordo aparecesse e pudesse acordá-lo; ela pensou dirigindo-se para um outro compartimento do jatinho.

.:: A Historia Dentro da História – O Primeiro Passo::.

Retornaram a mesa bem a tempo de Carite se aproximar, a tia parecia um pouco preocupada e lançou-lhe um olhar indagador, mas apenas assentiu, como se dissesse que logo ela saberia.

-Com licença milady, volto logo; Rafaelle falou, antes de curvar-se numa rápida mesura e afastar-se.

-Agora que o cão de guarda de afastou, acredito que possamos dançar, não? –a voz de Christian soou atrás de si, fazendo seu coração dar um salto.

-Isso foi um convite? –ela indagou, arqueando a sobrancelha quando ele deu a volta na mesa, postando-se a seu lado.

-Mas é claro q-...;

-Sinto desapontá-lo milorde, mas estou cansada agora... Entretanto, acredito que qualquer outra dama, ou até mesmo nossa anfitriã, não se importaria em acompanhá-lo; Ariel completou friamente, embora ironia e escárnio brilhassem nos orbes rosados, sempre tão doces.

-Ariel; ele murmurou surpreso.

-Com licença; ela limitou-se a responder, antes de se afastar.

Pensou em reter-lhe o caminho e exigir-lhe a atenção, onde já se viu? Como ela ousava falar assim com ele, quando sua única intenção era convidá-la para dançar, embora não houvesse realmente soado como um convite e sim, como um intimação; ele teve de concordar.

Mas antes que pudesse ceder a tal impulso, notou o olhar de algumas mexeriqueiras sobre si, provavelmente alguma delas andara soltando que ele e a anfitriã tinham algum envolvimento, quando não era verdade.

Embora não fosse assim tão cheio de escrúpulos, jamais se envolveria com uma mulher casada, tampouco uma víbora peçonhenta como ela. Mas Ariel não tinha como saber disso; ele pensou aborrecido.

-Boa noite meu querido amigo, Dampier; a voz de John soou atrás de si.

-Não pensei que você ainda fosse convidado para esse tipo de evento, Rochester; Christian comentou um pouco surpreso com a presença dele ali.

-Oras, acha mesmo que alguém fecharia as portas ao notório Rochester? – o conde indagou petulante.

-Você não tem jeito; ele murmurou.

-Convenhamos, caro amigo... Não é como se nossa adorável anfitriã tivesse mesmo alguma reserva de pudor com a minha presença aqui. Nós bem sabemos que ela adora chamar atenção para si e ter-me aqui, nada mais é do que uma forma bastante conveniente de publicidade; ele completou, referindo-se provavelmente aos comentários lançados no almanaque do Almacks que sairia no dia seguinte comentando sobre cada um dos convidados presentes naquele evento.

-Se você diz...; Christian deu de ombros.

-Mas diga-me amigo, aquela bela jovem de vestido azul seria lady De Siren? –ele indagou, vendo a jovem flutuar pelo salão.

-A própria; Christian respondeu emburrado.

-Você não me parece muito contente, alias, vem agindo muito estranho desde esta tarde; Rochester falou lançando-lhe um olhar perscrutador. –O que esta acontecendo amigo? Desde que você me deixou no parque para acompanhar milady até em casa, vem agindo de maneira muito esquiva;

-Não é nada; ele respondeu.

Por mais que John fosse seu amigo, não tinha como lhe contar sobre as coisas que lhe perturbavam, ainda mais depois das revelações que surgiram nos últimos dias. Entre elas, a de que Ariel era nada mais nada menos do que a filha de Sorento, que muitos desconheciam a existência.

Suspirou pesadamente, ainda havia outro problema, a presença de Afrodite que havia sentido, carregada de ódio e hostilidade. A divindade provavelmente estava armando algo e ele não sabia ao certo como proceder. Ariel era independente demais para pedir ajuda ou depender de alguém.

Em momentos como esse tinha ímpetos de trancá-la dentro de algum calabouço até que esses problemas chegassem ao fim, mas sabia que isso seria impossível. Ariel lutaria, gritaria e provavelmente tentaria lhe retalhar no fim, se ousasse fazer isso.

Ela era um verdadeiro contraste sobre tudo que conhecera e vira ao longo de seus quase trinta anos de idade.

-Não vou insistir se não quiser falar, mas um conselho amigo; o conde falou, aproximando-se de forma a lhe confidenciar um segredo. –Aquele rapazote italiano iria conquistá-la se você continuar a agir como um dement; ele completou puxando um forçado sotaque francês.

-Obrigado pelo conselho; Christian resmungou sombrio.

Como se não soubesse disso. Alias, já providenciara para que alguém de confiança lhe conseguisse algumas informações sobre aquele garoto. Mesmo que Rafaelle fosse um humano comum, havia alguma coisa nele que não lhe inspirava confiança e não conseguia entender também, porque Ariel parecia toda derretida ao falar com ele, como se fossem conhecidos de longa data? –ele pensou, serrando os punhos nervosamente.

-Fico feliz em ajudar; Rochester completou com um sorriso matreiro, dando-lhe um tapinha nas costas, de maneira conciliadora, antes de se afastar e perder-se no meio da multidão que aglomerava-se no salão.

-x-

.II.

Sentiu o primeiro tranco, quando as rodas tocaram o chão, levantou-se em um pulo, surpreso por ter dormido tanto. Voltou-se para o lado e encontrou Laura lendo distraidamente um livro.

-Parece que já chegamos; ela falou, marcando a página do livro e fechando-o em seguida.

-Onde estamos? – Mú perguntou, tentando olhar pela janela, mas notou que as cortinas haviam sido fechadas, provavelmente pela comissária de bordo.

-Bem...;

-Com licença; a jovem comissária falou atravessando o corredor. –Espero que tenham feito uma boa viagem, acabamos de ser informados que uma limusine espera por vocês na saída do hangar e as bagagens já estão sendo descarregadas.

-Obrigada; Laura agradeceu, soltando o cinto e levantando-se.

-Então? –Mú impacientou-se.

-Quando descermos você vai ver; ela falou dando de ombros, pegando a frasqueira que trouxera e levando-a consigo.

Suspirou aborrecido, enquanto a acompanhava para fora do avião. Mal seus pés tocaram a terra firme e notou o aeroporto imenso, tão grande quanto aquele que haviam embarcado.

Seguiu com Laura até o hangar que a comissária lhes indicara e viu primeiramente a limusine preta lhes esperando, mas junto com o chofer, notou uma outra pessoa recostada no carro.

Um homem já de certa idade, provavelmente beirando a casa dos sessenta, encostado no capo, levemente apoiado em uma bengala de madeira polida. Ele os fitava com curiosidade e uma leve pontada de ansiedade.

-Finalmente vocês chegaram, estava começando a me preocupar, cara mia; o senhor falou desencostando-se do carro e vindo na direção deles.

-Ciao bello; ela falou sorrindo amorosamente, ao abraçar o grande amigo.

-Então, esse bello ragazzo é aquele que me falou? –ele indagou, voltando-se para o cavaleiro, que recuou um passo instintivamente, diante do olhar perscrutador.

Embora o homem fosse quase um idoso, seus olhos denotavam uma vivacidade contagiante. Os orbes eram de um dourado pálido, como o trigo no verão. Os cabelos, embora em sua maioria já grisalho, podia ver algumas mechas fartas de fios castanhos acobreados. A pele era levemente bronzeada e corada, mas o que mais lhe chamou a atenção foi um par de curiosos pontinhos castanhos sobre a testa, na altura dos olhos, entre as sobrancelhas finas e discretas.

-Este é o Mú; Laura falou, afastando-se para que os dois pudessem ficar frente a frente. –Mú, esse é um grande amigo meu, Axel... Axel Considini; ela completou com orgulho.

-É um prazer meu jovem; Axel falou estendendo-lhe a mão livre.

-Igualmente; ele murmurou ainda hesitante diante do olhar firme que tinha sobre si.

-Eu disse que não precisava se preocupar em vir nos buscar. Poderíamos ter ido de balsa; Laura continuou, ignorando a tensão premente de seu acompanhante.

-Não pude esperar, estava morrendo de saudade; Axel falou sorrindo. –Mas vamos logo, temos muito o que conversar e vocês tem de descansar também; ele completou, acenando para que eles entrassem consigo na limusine.

Viu Laura entrar rapidamente, mas ainda hesitou em acompanhá-los. Quem era aquele homem afinal? É porque ele tinha aquelas marquinhas na testa como ele e mestre Shion? –Mú se perguntou.

-Vamos? –Axel indagou, apoiando-se na porta, como se indicasse que ele deveria entrar primeiro.

Assentiu, decidido a seguir em frente. Mesmo que não soubesse quais eram as verdadeiras intenções de Laura, iria até o fim, prometera-lhe dois anos e iria honrar sua promessa.

.:: História Dentro da História – Uma dama nada convencional::.

Aproximou-se da mesa de bebidas e sorriu amigavelmente para a jovem solitária que ali se encontrava.

-Oi; Ariel falou hesitante.

-Oi; a jovem respondeu, lançando um rápido olhar para os lados, como se para confirmar se estavam sendo observadas ou não.

-Desculpe, mas acredito que não fomos apresentadas ainda; ela falou estendendo-lhe a mão. –Ariel De Siren;

-Penélope Harcor, mas prefiro que me chamem de Penny; ela respondeu, aceitando o cumprimento. –Faz muito tempo que esta em Londres, milady? –ela indagou.

-Apensar Ariel, por favor; ela pediu. –Mas sim, não mais que duas semanas;

-E o que esta achando da temporada? –Penny indagou curiosa.

-Sinceramente? –Ariel hesitou, vendo-a assentir. –Entediante, não gosto dessas badalações, alias, pretendo ficar em Londres apenas o necessário para resolver alguns negócios de família e depois, pretendo seguir para a Cornualha;

-Infelizmente as temporadas de Londres são frenéticas, principalmente para as debutantes; ela falou com pesar.

-Pensei que milady fosse uma debutante também, ainda é tão jovem; Ariel comentou casualmente.

-Eu já tenho um noivo; Penny respondeu sem nenhum entusiasmo.

-Verdade, e pra quando são as bodas? Desculpe perguntar; ela adiantou-se.

-Para daqui um mês; a jovem respondeu. –Meu noivo queria que o casamento fosse antes, mas os proclamas demoram a sair nessa época do ano, devido ao grande numero de pedidos; ela completou com escárnio.

-Perdão, mas você não me parece feliz; Ariel falou aproximando-se mais, para não ser ouvida.

-Não é isso, compreendo que esse foi um bom negócio para minha família, mas...;

-Como assim? –ela indagou confusa.

-Você sabe... Casamentos de conveniência; Penny falou gesticulando casualmente. –Meu pai andou fazendo alguns investimentos ruins e se não fosse a ajuda de Lorde Coultrain, nós perderíamos tudo; ela falou, sem saber ao certo porque se sentia tão em paz e a vontade para conversar com aquela estranha, sobre assuntos que ninguém mais sabia.

-Mas porque você tem que se casar com ele? –Ariel indagou.

Embora casamentos de conveniência não fosse uma grande novidade para si, era um pouco surpreendente saber que ali as coisas eram semelhantes. Na Grécia, as famílias pouco visavam da fortuna alheia e viam mais a linhagem, antes de tratarem dos casamentos, agora li, era o lucro que podiam acarretar. Como se fosse uma transação de negócios, não algo para a vida toda.

-Foi o trato, alem do mais, sou a filha mais velha... Se não me casar logo, acabarei tendo que ir para um convento. Se bem que, eu iria preferir mil vezes ser uma freira a viver com Coultrain; ela completou com pesar.

-E não existe ninguém... Bem, alguém que você...; Ariel parou, sem saber ao certo como tocar naquele assunto.

Não acreditava que a família de Penny pudesse estar fazendo algo tão friamente assim. Ela era tão jovem e cheia de vida, tinha de ter o direito de viver isso, de amar alguém escolhido por seu coração, não pelas vontades da família.

-Isso não importa, de qualquer forma, estarei casada daqui a um mês; ela falou conformada.

-Mas...;

-Lady Penélope, minha querida; uma voz masculina soou atrás das duas e viu imediatamente Penny empalidecer e tremer.

-Meu lorde; ela murmurou, baixando os olhos quando Coultrain postou-se ao lado dela, lançando um olhar arrogante sobre a jovem de melenas negras.

-Boa noite, milady; ele a cumprimentou.

-Milorde; Ariel falou com falsa docilidade.

-Esta é lady Ariel De Siren, chegou a pouco a Londres; Penny falou hesitante.

-Creio ter ouvido falar algo a respeito de milady; ele comentou, sem dar muita importância. –Se nos da licença agora, gostaria de falar com minha noiva em particular; ele completou, segurando Penny pelo braço e puxando-a pelo salão.

Serrou os punhos, sentindo o corpo tremer de raiva... Quem aquele bastardo pensava que era para tratar aquela menina, daquele jeito? Respirou fundo, mas nem isso foi o suficiente para aplacar o que sentia, quando viu-o arrastá-la para uma sacada vazia e desferir-lhe um tapa na face.

-Ariel; ouviu alguém lhe chamar, mas não deu importância, alias nada mais parecia ter importância naquele momento, quando seu único desejo era retalhar aquele bastardo.

-Lady Ariel, que bom revê-la; Rochester falou postando-se a sua frente, quando a avistou atravessar o salão, mas assustou-se quando a jovem voltou-se para ele, os orbes antes violeta, haviam se tornando rosados, quase vermelhos.

-Depois milorde, depois...; ela falou quase num sussurro, enquanto desviava dele e seguia para a sacada com passos decididos.

-Eu já não lhe disse pra não ficar por ai falando com estranhos; Coultrain vociferou, segurando a jovem tremula pelos braços.

-Perdão milorde, mas...;

-Não quero desculpas, você-...;

-Desculpe interromper; Ariel falou entrando na sacada.

-O que quer? –ele berrou, atraindo a atenção de algumas pessoas para si.

-Posso não ser inglesa, mas acredito que esses não sejam modos de se falar ou tratar uma dama; ela continuou sem se importar com o olhar dele.

-Oras, e quem você pensa que é? –ele rebateu, mas no momento seguinte um forte raio cortou os céus, fazendo as janelas temerem.

-Seu pior pesadelo; Ariel respondeu, antes de segurá-lo pela gola da camisa e arremessá-lo contra a parede de concreto.

-Mas o q-...;

-Se tem algo que eu odeio, mas do que um homem pervertido, é um bastardo estúpido que acha que pode intimidar uma mulher usando a força física; Ariel continuou, vendo-o se levantar, mas não lhe deu chance. O soco que desferiu-lhe na face, fê-lo cair novamente no chão e soltar uma golfada de sangue pelo nariz.

-Ariel; Carite falou, vindo correndo e gritou ao ver o homem ensangüentado.

-Eu deveria castrá-lo por isso; a jovem continuou com um olhar gelado. –Mas vou destruí-lo aonde mais dói; ela completou.

-Você não pode fazer nada contra mim; ele resmungou, tentando se levantar, enquanto uma horda de pessoas se agrupava em volta.

-Ah, posso sim, e é o que vai acontecer se você ousar se aproximar novamente dela; Ariel completou, indicando Penélope. –Agora vamos embora; ela falou voltando-se para a jovem, que tremia.

Estendeu-lhe a mão, vendo-a fitar-lhe grata, antes de lhe acompanhar.

-O que aconteceu? –a anfitriã exigiu saber, colocando-se em seu caminho.

-É melhor não se intrometer aonde não é chamada; Ariel avisou antes de seguir para fora, sendo prontamente acompanhada por Rafaelle e uma aturdida Carite.

-o-o-o-o-o-

Ajudou as damas a subirem na carruagem, mas antes que Ariel pudesse se afastar, segurou-a pelos ombros, fazendo-a virar-se para si.

-Você esta bem? –Rafaelle perguntou preocupado.

Ela limitou-se a assentir, ainda estava furiosa com o que presenciara e temia externar isso falando, nuvens negras começavam a fechar o céu e se não se controlasse, colocaria a cidade de baixo dágua, tamanha era sua fúria.

-Desculpe não ter estado perto para ajudar, não queria que se machucasse; ele murmurou, segurando suas mãos, vendo a marca avermelhada sobre um dos punhos.

Suspirou pesadamente, se ao menos Rafaelle soubesse quem realmente era, não se preocuparia á toa. Não era a flor frágil que ele e muitos outros pensava ser. Era uma General Marina. Uma amazona treinara para pulverizar estrelas apenas com um estalar de dedos. Mas ele não tinha como saber disso e talvez, uma parte sua, aquela que ainda gostava de construir castelos de areia, gostasse dessa preocupação de Rafaelle.

Era como se tivesse novamente um propósito, alguém querido a quem proteger e amar, depois que perdera todas as pessoas importantes para si. Não queria que ele se preocupasse, mas sabia, que como amigo, isso era inevitável.

-Você já me ajudou bastante; Ariel murmurou, lembrando-o da conversa que haviam tido. –E a você, só tenho a agradecer; ela completou, antes de entrar na carruagem, sentando-se ao lado de Penny e segurando-lhe as mãos, para lhe confortar.

Havia decidido manter a jovem consigo, enquanto lhe fosse possível. Provavelmente o que acontecera no sarau, teria conseqüências desastrosas para a jovem, e a família não iria perdoá-la facilmente por destruir as chances deles de renderem com o casamento dela.

Entretanto, não permitira que a vida dela fosse desperdiçada com um bastardo daqueles. Seus caminhos haviam se cruzado por um bom motivo e como Rafaelle lhe dissera, se tinha o poder de mudar o destino, iria fazê-lo com suas próprias mãos, enquanto lhe fosse possível.

-x-

.IV.

A balsa atravessou o mar e as ilhas que do porto, pareciam pequenos pontinhos negros no meio da água, agora mostravam seus vastos bosques, com um verde intenso e maravilhoso.

-Todas essas ilhas que você esta vendo pertencem a Edimburgo; Axel explicou, parando a seu lado.

Haviam saído da limusine como todas as pessoas, e acompanhavam o trajeto da balsa, em pe, próximo ao guarde reio.

-Dizem as lendas antigas, que todos esses pedaços de terra pertenciam à costa de Edimburgo, mas um dia Thor se irritou com as provocações de Loki e bateu seu martelo sob o chão, o tremor foi tão grande, que causou fendas na terra, temendo que animais e pessoas caíssem nessa fendas, Njord fez o mar avançar pela costa, preenchendo com água as fendas. Com o passar dos anos, a terra se deslocou, sendo levada pelo mar para longe da encosta, criando assim essas ilhas que você vê; ele completou.

-Uma história interessante pra quem acredita no poder dos deuses; Mú respondeu vagamente.

-Mesmo vivendo numa Era Cristã, não podemos negar que ainda sofremos a influência das antigas divindades; o príncipe falou. –Mesmo porque, que mal há, em atribuir a ninfas e duendes a essência deliciosa das flores, ou as cores maravilhosas que vemos em cada desabrochar. Por que não podemos agradecer a Thor pelos trovões e pela chuva que lavam a terra, trazendo novas vidas e um ar mais puro para respirarmos?

-No fim, tudo depende do ponto de vista; ele completou distante.

-Não se preocupe Axel, Mú só precisa se acostumar conosco; ela falou, pousando a mão gentilmente sobre seu braço. –Ele vem de um povo cheio de mistérios e lendas também;

-Ele não me parece muito à vontade; Axel sussurrou para ela, vendo o cavaleiro desviar o olhar, voltando a fixá-los nas ilhas.

-De um tempo a ele, por favor; ela pediu.

-...; ele assentiu.

-Que lugar é aquele? –Mú perguntou, indicando uma ilha em especial.

-Aquela é La Rochelle; Axel falou com um largo sorriso. –Minha casa;

-La Rochelle; ele repetiu, sentindo as palavras vibrarem em si. Fechou os olhos por alguns instantes, sentindo a balsa deslizar pelas águas e o vento soprar seu rosto.

Conseguia sentir a energia emanada daquele lugar, o sol banhava os rochedos e o vento balançava as árvores, as cores intensas dançavam diante de seus olhos e ao abri-los, deu um suspiro aliviado. A ansiedade que sentia pouco a pouco se esvaiu.

Um alivio imenso apoderou-se de si e contrariando todas as possibilidades, sentiu-se bem vindo, em casa. Como se houvesse passado um longo tempo distante e só pudesse retornar agora.

O coração tornou-se mais leve e tranqüilo, o peso que carregava consigo desde que deixara o santuário não existia mais.

-É um belo nome, pra um lugar igualmente incrível; ele sussurrou.

-Seja bem vindo garoto, este já foi o lar de mais de vinte gerações de Considines. E aquele é Dream Village; Axel falou indicando as torres que erguiam-se no final das árvores.

Piscou aturdido enquanto a balsa ancorava, relanceou um olhar pra trás. Já não podia ver mais o porto de Edimburgo, mas agora aquilo pouco importava. Era como se finalmente estivesse em casa e uma nova etapa de sua vida estivesse finalmente começando...

Continua...

Depois de muita espera, enfim... Capitulo 8 pra vocês, espero sinceramente q tenham gostado. Até a próxima...

Já ne...

Dama 9