Cap 8 - algo a se resgatar.

Um passo fora de sua barraca e Sasuke estava ali, a sua frente, segurando-a firme em seus braços, uma das mãos num nó agarrado aos seus cabelos e outra como um gancho atracado à sua cintura.

— Só mais um pouco... me espere mais um pouco...e eu não precisarei me indispor com o Hyuuga... Não precisarei matar mais ninguém...

E ele selou aquelas palavras com um beijo roubado, igual aos que ele dava na infância, mas com um tempero a mais... Mais possessivo do que nunca. Era óbvio. Aquilo era só uma ilusão. Um "ninjutsu" feito por um Uchiha, uma armadilha que prendeu Kikio assim que saiu de sua barraca.

Um dia após o acontecido na caverna e ela estava confusa. Não saberia dizer se estava bem ou nem como estavam suas convicções diante do que era "certo" ou "errado" a se fazer. Ela deveria mesmo se casar com Neji? Havia muitas dúvidas em sua mente e com tantas pendências com o homem que era seu ex-prometido... Como aquilo poderia ser possível?

Sentia-se desmotivada, muito mais com a suas duvidas do que com a ameaça que acabara de receber. Sabia que estava sendo tola, afinal não havia nada de errado nas explicações que seu pai tanto lhe dava sobre suas atitudes, mas mesmo ouvindo-a dez mil vezes algo não se encaixava na sua mente, talvez por serem lógicas e simples demais.

— Kikio-sama? hum... a caravana está esperando... Esqueceu algo?

— Não primo... – falou para um garotinho que veio chamá-la para partirem - espero que não...

A sua volta alguns parentes se despediam uns dos outros desejando boa viajem e chegada tranquila em konoha. Porém, eles não deixavam de fitá-la, de esguelha, enquanto ela era levada pela mão do garotinho. Kikio subiu em uma carroça e se acomodou ao lado dele e de mais uma menina. Odiava ser apontada, como se fosse algo extremamente anormal ou repulsivo e por isso, deu graças à Deus por está indo embora.

Era a primeira vez que ela saira da barraca desde que os pegaram, não tinha mais visto nenhum dos irmãos, nem o cunhado, e muito menos soubera de Sasuke. "Bom! Para que ele tenha deixado aquele pequeno recado para ela, não deveria estar tão mal como imaginara, talvez nem estivesse mais no acampamento."

E mais uma vez se sentiu aflita... As escolhas de Sasuke... Os caminhos que seguia... Os erros que cometia... Ah! Aquilo a enlouqueceria! Precisava parar com isso e pensar em si mesma e no que a esperava a alguns quilômetros dali! Não temia pelas ameaças de Sasuke! Ela não devia nada para ele. Que tolice pensar assim! Fizera por ele o que estava ao seu alcance.

Não poderia fazer mais nada com relação à cabeça dura que ele tinha! Não podia ir contra todos de seu clã, seu próprio sangue. Sasuke era uma pessoa motivada demais por seus sentimentos ruins... E o que era pior... Perdoar ou esquecer... Esses sentimentos que faziam os seres humanos viverem em harmonia e conviverem com os erros uns dos outros, nada disso tinha sido plantado nele. E agora ele arcaria com as conseqüências disso tudo. Kami era testemunha de tudo.

Mas, aquelas duas crianças exigiam sua atenção e lhe desviaram a linha de pensamento. Estavam brincando de casamento. A ideia era da menina, claro. O garoto estava emburrado, ela queria Kikio para celebrar a cerimônia.

— Mas se Kikio-sama fizer a cerimônia vai ser de verdade, não é?

Kikio revirou os olhos, alguém no mundo ainda achava que ela tinha alguma autoridade sobre alguma coisa.

— Se for qual é o problema? Nós estamos prometidos mesmo. Você vai ter que casar comigo de qualquer jeito. - falou a menina já injuriada.

—Não é assim! Papai disse que eu não era obrigado a casar com ninguém se não quisesse!

— Você não quer se casar comigo? – A menina fez cara de choro.

— Não é isso... - o menino desviou o olhar envergonhado. - só estou dizendo que... - a menina de repente se ateve em algo e saiu cambaleando até suas coisas, tirou algo de lá escondendo nas costas e ainda soluçando, voltou até o menino.

— Fiz isso pra você. – disse num fio de voz e mostrou um emaranhado de fios e contas coloridas com uma pena da ponta.

— NÃO VAI ME COMPRAR COM ISSO!

— NÃO ESTOU COMPRANDO! - falou injuriada. — Eu entendo você... - ele a fitou com os olhos arregalados. – Eu também fiquei com medo... mas minha mãe disse que é normal. Daí eu me lembrei daquele pássaro que você tem medo, que bicou você quando subiu alto demais na árvore outro dia. Aquele pássaro foi corajoso em te atacar por que você é o menino mais corajoso que eu conheço! E achei que se eu conseguisse tirar as penas dele, eu seria corajosa também. Tenho certeza de que se você usar esse colar nunca mais vai sentir medo de nada em sua vida! - disse finalmente sorrindo.

Ela passou para as mãos do menino o colar e só então, Kikio notou os arranhões cicatrizados nas mãos e nos braços da menina. O menino olhou-a abismado e dando-lhe as costas, ele esfregou um pouco os olhos, pôs o colar e com a maior cara de macho, puxou a menina pelos ombros e falou olhando diretamente para Kikio.

— Pode nos casar agora! – Kiko sentiu vontade de rir mas se conteve.

Aquelas crianças a haviam lembrado de muito das coisas que havia deixado pra trás e que seriam importantes para ela agora. Para ser uma boa esposa, ela precisaria ser companheira e dedicada, ser aquela que apoiará seu marido em todos os momentos, e sem deixar que ele caia. Como ela resgataria isso?

— Tudo bem, mas você não vai poder levá-la pra casa ainda. Só daqui a alguns anos, quando um ancião casar vocês de verdade, entendeu?

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A chegada em Konoha, alguns dias depois da partida, foi algo extremamente festivo. chegaram como bons ciganos que sempre foram, com música e dança do ponto da estrada onde se podia ver a cidade até seu centro, as seis da manha quando a cidade ainda acordava. Todos saíram das suas casas e pontos comerciais para recepcioná-los. Alguns velhos amigos se aproximavam para saudá-los, como foi o caso do dono da floricultura que trouxe um grande buquê e distribuiu flores para as crianças e mulheres.

— Como vai Inoshi-sama! Que bom vê-lo novamente.

— Maiko Kikio, acho que estão te esperando no escritório da hokage. As coisas estão meio exaltadas por lá. Espero que seus reflexos estejam muito bons, você talvez precise.

Kikio suspirou, pelo visto não teria tempo nem de aproveitar os ares de Konoha com calma. Avisou que veria a hokage ao responsável da caravana e se foi.

Aquela cena mais parecia um dejavú, só que com as coisas um pouco invertidas. No caso, era ela que entrava na sala de Tsunade-sama e dava de cara com o prometido. Porém, aquilo não deveria surpreendê-la, por conta das palavras do pai.

Ela encarou Neji por instantes antes de ceder à força de sua própria desgraça. Aquilo lhe causou uma agonia horrível, como se tivesse perdido algo precioso de dentro dela mesmo, aquela pequena e frágil semente plantada e regada com tanto cuidado nos últimos dias, aquele suposto amor que tanto ansiava ver crescer, onde ele estava? Respirou fundo controlando suas próprias emoções, aquele não era o momento nem a hora. Não conseguiu mais encarar Neji e seu olhar que tudo decifra, estava temerosa quanto às palavras da hokage, com certeza ela e ele teriam dias constrangedores pela frente.