Desculpem pela demora de postar.... obrigada pelos comentarios... adoro le-los.....
bjus
Quando Snape chegou à Ala Hospitalar carregando Harry, encontrou o diretor já esperando ao lado de Madame Pomfrey.
- Coloque-o aqui Severus – Disse a enfermeira indicando uma cama ao lado.
Nem Dumbledore nem Madame Pomfrey perceberam quando Snape colocou Harry com delicadeza e afastou os cabelos de sua testa antes de se afastar.
- O que aconteceu Severus? – Perguntou a enfermeira já examinando o aluno.
- Potter tentou suicidar-se. Cortou os pulsos. Eu fechei o ferimento e o curei antes que acabasse morrendo, mas ele perdeu muito sangue.
- Por Merlin – Exclamou Madame Pomfrey antes de sair em busca das poções necessárias.
- Posso falar com você Severus? – Perguntou o diretor indo em direção a porta – ele ficará bem – Disse ao ver que Snape não se movera e continuava olhando para Harry – Deixe-o descansar por hora.
Snape virou-se e acompanhou Dumbledore ate seu escritório. Caminharam em silencio ouvindo apenas o eco de seus sapatos batendo no chão conforme os passos dados.
A gárgula saltou para o lado ao ouvir a voz do diretor dizendo a senha, sua voz só foi ouvida novamente quando já estava sentado atrás de sua mesa olhando para Snape que estava sentado na cadeira a sua frente.
- O que houve?
- Eu não sei ao certo – Respondeu Snape baixinho – Estava passando pelo corredor, quando vi Potter ser atingido por Weasley. Não interferi a principio, fiquei apenas ouvindo. Weasley estava completamente fora de si, não que isso não seja normal da parte dele. Acontece que percebi, tarde demais, o que estava acontecendo.
- Não se culpe Severus, se não tivesse agido logo, Harry estaria morto a essa hora.
Snape estava inquieto enquanto olhava para o diretor. Ainda pensava em o que acontecia ao menino para agir daquela forma.
- Antes que pergunte, eu não sei o que aconteceu para ele agir assim.
- Severus, alem de Voldemort, você é a única pessoa que teve a honra de ler a mente de Harry e saber sobre a vida pessoal dele.
-Eu já lhe disse que por incrível que pareça, Potter consegue manter uma parte de sua mente onde não tenho acesso, o restante é uma vida normal como qualquer outra tirando somente o fato dele ser grifinório.
- Então sabemos o que você deve fazer – Disse Dumbledore ignorando a ofensa aos grifinórios.
- Sim, eu sei o que devo fazer.
- Sei que não gosta disso Severus, mas é importante e você é o mais experiente nesse feitiço por...
- fazê-los em minhas vitimas, eu já sei disso. Com licença.
Snape levantou e foi para a porta lentamente, seus pensamentos borbulhavam em sua mente. O cheiro do sangue jovem ainda impregnava suas roupas.
- Severus – Chamou o diretor antes do mestre sair – Logo ele saberá a verdade – Snape não olhou para trás antes de fechar a porta.
A escada em espiral parecia não terminar, parecia levá-lo direto para o inferno onde queimaria os pecados que trazia em cada cicatriz, em cada veia, em cada gota de sangue que corria em seu corpo.
POV Severus.
Se eu tinha algum motivo para duvidar da sanidade mental de Potter agora não me restava nenhuma ponta solta em que eu pudesse duvidar.
Durante esses dias de aula de oclumência cheguei a pedir para parar com as aulas já que aquele menino era tão inútil que me entediava tentar ensiná-lo alguma coisa, meu auto-controle não é de ferro como muitos pensam, principalmente quando tento ler a mente inútil daquele menino e não consigo
Ainda me pergunto o que está guardado naquele canto que ele protege com sua própria alma, é algo que pretendo descobrir de uma maneira ou outra.
As últimas palavras que ele disse me pegaram de surpresa. Nunca imaginei que meus cabelos arrepiariam-se ao vê-lo daquela forma. Jogado, sangrando, a imagem perfeita de um anjo caído, derrotado, morto.
Já passei noites acordado tentando adivinhar, entender, procurar ou formar uma tese sobre quando eu comecei a me preocupar com Potter, quando comecei a reparar nele e a sonhar com seus olhos verdes.
Eu sei, é loucura. Eu sou Severus Snape, tenho que odiá-lo, tenho que deixá-lo o mais afastado possível de mim.
Agora só fico pensando nele deitado na cama desconfortável da ala hospitalar gelada, sozinho, sem uma companhia para fazê-lo esquecer do que ocorrera, solitário e machucado.
O vidro do copo quebrou na mão de Snape ao lembrar os efeitos que as palavras de Ronald Weasley causaram em Harry. Fechou os olhos e descansou a cabeça. Tinha que descobrir o que estava acontecendo, precisava saber o que ele escondia tão bem em sua mente.
Harry dormia tranquilamente no leito da enfermaria, não tinha sonhos e nem pesadelos que pudessem assustá-lo hoje. Respirou fundo e abriu os olhos, estava escuro e suas pálpebras pesavam, sua garganta estava seca ao ponto de irritar.
Ficou deitado sentindo o sono ir embora devagar, não era possível ver nada ao redor, mas já sabia onde estava. Aquele leito com suas cobertas finas já lhe eram muito familiar.
Duas mãos seguraram fortemente seus ombros quando tentou levantar.
- Me solta – A única coisa que Harry conseguiu proferir foi um som rouco.
- Calma – Disse uma voz que Harry conhecia e sentia saudades – Continue deitado.
Harry sentiu as mãos arrumarem os travesseiros deixando sua cabeça levemente inclinada, logo já estava com um copo de água na mão e levava ate a boca. Não podia vê-lo, mas sabia que ele estava em pé ao seu lado.
- Não consegue ficar um dia sem tentar se matar?
- Essa vontade me persegue – Respondeu Harry – E eu não consigo fugir.
- Por que fez aquilo?
Harry percebeu que a voz estava quebrada e baixa como se ele estivesse com medo de perguntar e mais ainda de saber a resposta.
- Porque dói demais viver assim. Você não tem idéia de como é ruim lembrar disso todos os dias, sentir como se estivesse acontecendo a todo momento. Não quero mais essa vida.
- Eu disse que iria ajudá-lo.
- Você não pode, não tem como, estou preso a isso.
Os dois ficaram em silencio ate Harry esticar a mão e o puxar pelo braço fazendo-o sentar-se na cama ao seu lado.
- Vejo que minha tentativa não deu muito certo – Disse ao sentir os dedos gelados passarem pelo seu pulso.
- Pelo que sou grato
Harry fechou os olhos ao sentir os lábios encostarem em sua pele dando-lhe um beijo molhado onde antes estava aberta a porta que o levaria para o mundo dos mortos. Os lábios, Harry percebeu, eram gelados como seus dedos e passavam uma sensação de corrente elétrica pelo seu corpo.
- Parece ser o único a se importar com isso.
-Seus olhos são tão lindos, pena que se fecham para as coisas mais obvias.
- O que quer dizer?
- Você saberá no momento certo.
-Tanto mistério, por que se esconde tanto?
- Porque as coisas mais belas vêm da magnitude do mistério.
Harry arriscou um contato maior e o abraçou. O movimento foi tão rápido que ele não teve tempo de impedir e apenas o abraçou forte sentindo o corpo frágil agarrado ao seu.
Depois de longos minutos onde apenas ficaram abraçados Harry falou com a voz chorosa.
- Escolhi o seu nome. É o mesmo que de uma pessoa importante para mim.
- Que nome?
- Sev. É um apelido apenas.
- Quem é essa pessoa.
- Por que quer saber?
- Apenas vontade de saber quem é o felizardo que tem seu coração.
- Os dois. Ele e você
- Você precisa descansar – Disse por fim deitando o grifinório mais uma vez.
- Não me disse se gostou do nome.
- É o mais bonito – Disse por fim dando um beijo em sua testa.
- Será que um dia saberei quem é você.
- Você já sabe quem sou, basta perceber que estou aqui. Agora durma.
Sev saiu antes que Harry pudesse impedi-lo. No escuro o mesmo só podia deitar e tentar dormir lembrando-se do pouco que conheceu do seu cavalheiro negro.
