Bom... depois de tomar um pau lascado na prova de Direito Civil (terminei o ano com DUAS notas vermelhas nessa matéria! Mas mesmo assim consegui manter a média e passar sem exame), mudar de emprego, ir ao chá de bebê da minha prima e entrar de férias... – como a vida da gente muda em algumas semanas, né não? – vou postar mais um capítulo. Já estava escrito há algum tempo, mas não deu para postar antes. Bom... agradeço as reviews aqui, mais uma vez, e tenho a dizer para a nininha que: as cenas slash nessa versão serão bem mais leves do que na outra, justamente porque o público que lê LOTR não está tão acostumado com isso, como quem lê Cavaleiros do Zodíaco e é bombardeado com slash (yaoi) há muito tempo. Não se preocupe... não vou fazer você vomitar seu 'precioso' almoço, OK? Aqyui a abordagem será MUITO mais suave.
Mais um aviso inicial: na minha opinião de autora, este capítulo está PODRE! Já disse algumas vezes que não sei escrever cenas de romance, e este aqui veio apenas para confirmar minha teoria. Não gostei da cena, mesmo! Mas...
CAP. VIII – E lá vamos nós... mais uma vez!
Boromir estava estranhando o comportamento de Legolas. Mais introvertido do que o habitual. Podia ouví-lo reclamando e implorando para que Arwen convencesse Hannah a atender seus telefonemas, mas sem resultado algum. Conseguia perceber o quanto ele a amava e esse 'gelo' estava magoando seus sentimentos.
Estava quieto. Era seu dia de folga e mal tinha saído do quarto, mas quando saiu ficou quase 15 minutos no banheiro. Legolas estava ficando chateado com o comportamento de Hannah, e preocupado com o seu próprio, pensando que todos a sua volta já haviam percebido essa mudança. Logo não teria mais como ocultar seus deslizes, e por mais que lutasse, o maior de seus pecados seria descoberto por aqueles a quem ele amava. O motivo maior de seus pesadelos, que podia afastá-los para sempre de si, abandonando-o a um mundo cruel repleto de solidão.
Olhou-se no espelho, tentando figurar quem era aquela imagem que via diante si. Não era o filho de seu pai, nem arquiteto, nem alguém a quem seus amigos conheciam. Ele próprio não sabia até onde podia chegar. Há meses estranhava suas atitudes, mas não procuraria seu terapeuta até ter certeza de que estava realmente 'estranho'.
Boromir entrou no banheiro, fazendo-o fechar rapidamente a gaveta que abrira inconscientemente.
"Não aprendeu a bater?" – perguntou, ainda ríspido, como estava tratando o outro desde a briga no bar durante o aniversário de Marina.
"Tudo bem com você?" – Boromir perguntou com toda a singeleza que podia, sabia que Legolas estava muito sensível a qualquer coisa, com os nervos a flor da pele. Sabia que ele escondia alguma coisa. Se fizesse idéia de quantas! Só queria ajudar, com a melhor das intenções, mas Legolas não queria alguém interferindo em sua vida, estava sendo uma relação difícil entre eles, um clima estranho.
"Tudo bem. Só estou com dor de cabeça." – respondeu ele pegando a escova de dentes. – "Dá licença?" – perguntou apontando para fora do banheiro sem a menor educação.
"Tá. Ahn... a Arwen ligou, queria saber se você estava bem." – respondeu Boromir, dando o recado, mas sendo um pouco seco.
"Depois eu falo com ela. A Hannah não vai atender mesmo." – disse ele, embora a segunda frase tenha sido mais para si mesmo do que para o outro.
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Arwen não estava gostando daquela situação. Há dias Hannah ignorava o namorado e ela e o tal Éomer, a quem teve o 'des' prazer de conhecer, saíam juntos o tempo todo, ou ficavam horas no telefone. Não que fosse má coisa ela ter amizade com um rapaz, mas aquele cheirava problema.
Arwen preocupou-se em manter Aragorn um pouco a distância para evitar um possível confronto entre ele e Éomer, mas o pior de tudo era o comportamento de Hannah... como se nada tivesse acontecido, ignorando Legolas como se nada do que ele sentisse importasse. Mas era ela, Arwen, quem conversava com ele, e pela voz sabia que ele sofria. Era diferente do tom de 'sofrimento' de Haldir no telefone na semana anterior; Legolas falava baixinho, parecia cansado, fazendo longos intervalos de silêncio ou suspiros, vez ou outra a voz ficava embargada.
Era de manhã quando ligou para o apartamento deles e Boromir atendeu, dizendo que ele estava no banheiro há um bom tempo, que estava mais calado do que o habitual, isolado. Pensava com seus botões, enquanto esperava a hora que combinou com Aragorn para saírem quando ouviu um som nas escadas.
"Já acordou?" – Perguntou Arwen, estranhando a prima levantar tão cedo num Sábado, mas não houve resposta. Ela virou o corredor e se deparou com Éomer, que vinha descendo o último degrau. No susto Arwen derrubou a xícara que trazia, espatifando-se em vários caquinhos afiados de porcelana pelo chão.
"Desculpe." – disse ele da forma mais polida, como se fosse um verdadeiro Lorde. Queria passar uma boa impressão, mas ela sempre parecia ignorá-lo.
"Tudo bem." - Disse ela com um sorriso fingido, que custou a surgir, abaixando-se e começando a pegar os cacos maiores, levando-os para a cozinha, sem dar a ele a chance de dizer mais nada. 'Ele dormiu aqui!' – pensou ela. Era muito cedo para alguém já estar na casa. A porta ainda estava trancada. Arregalou os olhos com sua 'descoberta', e ficou feliz por ele não poder ver sua surpresa.
Vários outros pensamentos vinham em sua mente: 'ele já estava aqui quando eu liguei para o Legolas!'; 'Será que eles terminaram?'; 'Será que o Legolas sabe disso?'; 'Hannah estava traindo ou não?'. Muitas dúvidas, nenhuma resposta aceitável. Correu até o telefone na cozinha, mudando de cômodo e pedindo licença a Éomer, que a olhou curioso. Ligaria para Aragorn. Não queria que ele chegasse lá e encontrasse com esse cara àquela hora da manhã.
"Alô." – respondeu a voz bem disposta de Aragorn. Como era bom ouvir a voz dele.
"Oi, sou eu." – Disse ela, carinhosamente.
"Oi, Arwen, já estava saindo para te buscar, algum problema?" – Perguntou ele preocupado. Ela andava mais distante esses dias.
"Pois é, não vai dar para eu sair agora de manhã. Desculpe." – disse ela. Não queria que ele fizesse mais perguntas pois não desejava ter de inventar uma mentira.
"Tudo bem aí?"
"Tudo."- foi só o que conseguiu responder. Se dissesse que Éomer estava lá, talvez ele viesse correndo, e só pioraria as coisas.
"Tá acontecendo alguma coisa." – Foi uma afirmação e não uma pergunta, que ele fez estranhando o fato dela falar tão baixo.
"Nada de grave" – 'eu espero' pensou ela –" eu te ligo depois." – Arwen estava tentando evitar esse encontro. Pelo menos por hora.
"Tem certeza de que não quer que eu vá aí?"
"Tenho. Tudo bem." – Dizendo isso ela desligou. Não queria Éomer soubesse com quem ela falava. Tinha um estranho pressentimento de que essa era a melhor atitude a ser tomada num momento como esse. Manteria um longe do outro por hora, até que a coisa com Legolas se resolvesse, sem que os amigos precisassem tomar as dores dele. Imaginou se Hannah comentou com Éomer que ela e Aragorn estavam saindo...
Quando olhou novamente o visitante já estava com a jaqueta na mão e saindo porta afora sorrateiramente. Nem disse nada. Não era problema seu, pelo menos agora; sentou-se à mesa da cozinha chocada com as centenas de pensamentos que iam e vinham de sua mente, como se fossem ácido sulfúrico, corroendo cada parte da engrenagem, enquanto tentava resolver esse caso.
Pouco depois Hannah descia as escadas.
"Éomer?" – perguntou ela, ao ouvir o som na cozinha.
"Ele já foi embora." – Arwen não sabia mais o que dizer. Mas ... 'Oi, bom dia, o cara que dormiu com você se mandou sem dizer nada!' – passou pela cabeça dela.
"Achei que ele ainda estivesse aqui." – constatou ela decepcionada. Seu desapontamento era evidente até à mais cega das criaturas. Legolas sempre estava com ela no dia seguinte.
"Você e ele..." – Arwen temeu fazer essa pergunta, tinha dúvidas que queria mesmo uma resposta. A vida íntima de cada um é sagrada!
"NÃO! Ele dormiu aqui, mas foi só!" – Hannah apressou-se em dizer, vendo que a prima formulava teorias impróprias dos pensamentos de uma boa moça.
'Por que isso não é reconfortante de se ouvir?' –questionou-se Arwen, arqueando uma sobrancelha enquanto encarava outra xícara de café. – "E o Legolas?"
"O que tem?" – perguntou Hannah, sem dar atenção. Ainda estava chateada com ele.
"Ele sabe?" – Arwen, de uma hora para outra, havia se tornado a defensora perpétua dos interesses dele.
"Nós não estamos nos falando ultimamente, você sabe." – Hannah disse essas palavras com um tom de bronca, e não de resposta, ficou surpresa ao ver a prima enfrentando-a.
"Mas acha que isso é certo? Ele está sofrendo com isso."
"Ele podia ter vindo aqui." – respondeu ela, olhando a prima nos olhos, mas vendo que a outra não recuou.
"Mas e se ele quer te dar algum espaço? Não acho certo o que você faz com ele."
"Similar ao que você faz com o Haldir. Se tem tanta pena, cuide dele você! Mas nem do seu você cuidou!" – Má escolha de palavras. Arwen ficou uma fera com isso.
"É diferente. Haldir me traiu, você está traindo o Legolas por provocação!"
"E o que você faz saindo com o Aragorn não é! Pimenta nos olhos dos outros é colírio, sabia?" – Hannah se arrependia, lá no fundo, de ter dito essas palavras, usado os medos de Arwen – contados em confiança – contra ela, mas a verdade era que estava acostumada a viver sua própria vida sem ninguém por perto, e de repente, lá estava Arwen, observando tudo o que ela fazia.
A morena a olhava com mágoa. Não conseguia deixar de pensar no que Legolas estava sentindo, com ela se comportando assim. Quando Hannah estava no banho ligou para o apartamento dele.
"Alô." – Boromir atendeu o telefone depois de alguns toques.
"Boromir, é a Arwen. O Legolas está?"
"Tá dormindo. Quer que eu chame ou vai deixar recado?" – perguntou ele, voltando os olhos para a TV. Até desenho estava assistindo para espantar um pouco a solidão daquele ambiente.
"Não. Acho melhor falar com você, primeiro..."
Boromir ficou em alerta pelo tom de voz usado por Arwen. Ajeitou-se no sofá, desligou o aparelho e voltou toda a sua atenção a moça com quem falava. – "Tudo bem. O que foi?"
"Eu não sei, Boromir... hoje de manhã eu acordei e o tal Éomer tinha dormido aqui!"
"O que!" – Boromir deu um sussurro chiado, baixo, mas que em sua mente era um grito. Não queria acordar o outro, mas era difícil segurar seu espanto com aquela declaração. Seu amigo sofrendo e o outro se dando bem.
"Eu sei, é difícil de compreender. Será que o Legolas deve saber? Pode não ser nada, mas... ela está ignorando ele já há alguns dias e saindo com esse sujeito. Não acho certo, o Legolas é um cara tão legal..." – Arwen não sabia mais o que dizer. Apenas simpatizava com a dor do outro por saber o que ele sentia, ela sentiu o mesmo com Haldir. A raiva do início dando lugar ao vazio.
"O Aragorn não viu ele? Quer dizer, vocês não iam sair hoje?" – Perguntou Boromir alarmado com essa possibilidade.
"Eu liguei e disse para ele não vir. Por causa daquela coisa da briga, imaginei o que podia acontecer." – Arwen não deixou de esboçar um sorriso quando ouviu o suspiro aliviado que Boromir deu do outro lado.
"Fez bem." – foi o que ele disse, quando passou a prestar atenção na movimentação no quarto de Legolas.
"E quanto ao Legolas? Devo contar prá ele? Quer dizer... não quero te jogar na fogueira Boromir. Você é amigo dele. Só quero uma opinião."
"Eu não sei, é difícil dizer. Você já percebeu que ele não está muito bem." – Boromir pensava em uma possível recaída no vício. Era certo que por mais de três anos ele estava 'limpo', mas algo assim podia desestabilizar tudo o que ele conseguiu a duras penas. – "Deixa eu ver a quantas andamos, conforme for, eu conto."
"Não é justo com você Boromir." – respondeu ela, pensando que era muita coisa jogar isso nas costas dele, quando ele já tinha que lidar com Legolas diariamente.
"Tudo bem. Só eu sei como lidar com ele. Só não conta prá mais ninguém, tá... vai que de repente ele fica sabendo pela boca de outros, aí já viu."
"Posso falar para o Aragorn? Tenho certeza de que ele achou deveras estranho o nosso papo hoje de manhã. Prometi que ia contar prá ele depois."
"Ok. Mas só prá ele. O Legolas é esperto com essa coisa de saber quando alguém esconde algo dele." – Advertiu Boromir, pois conhecia muito bem o outro.
"Tá bom. Tchau, Boromir."
"Falou!" – dizendo essa 'amigável' saudação ele desligou.
Arwen desligava o telefone quando viu Hannah parada a porta, com um olhar de reprovação estampado e indisfarçável, as sobrancelhas arqueadas, quase juntas, mãos à cintura.
"O que você conversou com o Boromir?" – perguntou seca e direta. Sua prima estava fazendo as coisas pelas suas costas.
"Queria saber como o Legolas estava." – Arwen respondeu com toda a sinceridade, pouco se importando com o que a outra achava.
"Por que toda essa preocupação?" – dizia Hannah, enquanto cruzava os braços que até então estavam apoiados nos quadris.
"Eu gosto dele, sempre foi legal comigo..." – Arwen começou a responder, mas Hannah balançou a cabeça como quem aceita, mas não acredita em uma só palavra do que ouve, saindo de perto senão iam discutir outra vez. A pirralha estava dando em cima dele, deduziu ela.
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Aragorn soube da história toda e estava incrédulo com tudo isso. Sempre pensou que Legolas e Hannah fossem um casal perfeito, carinhosos um com o outro, Legolas era um sujeito compreensivo, educado. Já Éomer, por outro lado, era um sujeito que não prestava, tinha histórico de má conduta e o próprio velho Celeborn não gostava dele, mesmo sendo amicíssimo da família.
"Pobre velho Celeborn. Deve estar revirando no túmulo. Ele gostava tanto desse namoro da sua prima com o Legolas." – Aragorn comentava enquanto caminhavam em direção ao apartamento dos amigos. Tocando a campainha.
Boromir atendia a porta com ares de preocupação.
"E aí Boromir, como ele está?" Perguntava Aragorn enquanto dava um abraço no colega e entrava, dando espaço para Arwen cumprimentá-lo também, com um 'oi' tímido. Sentiu-se à vontade no apartamento deles. Nem grande nem pequeno, organizado... voltou a realidade ao ouvir Boromir dizendo que Legolas tinha ido para o estúdio.
No fundo Boromir se culpava: ele dormiu com a garota errada, isso causou a briga no bar, fez Hannah ficar com raiva, depois Legolas gritou com ela, e isso terminava na situação em que estavam agora.
"Não é culpa sua, Boromir." – dizia Arwen, compreensiva com os sentimentos do rapaz.
"Eu queria acreditar nisso, Arwen, queria mesmo. Mas minha maior preocupação é que o Legolas ligou para o pai dele ontem à noite. Ouvi sem querer, ele achou que eu já estava dormindo." – disse Boromir, preocupado. Parecia muitos anos mais velho, olheiras fundas que, na claridade, ficavam mais visíveis em sua pele bronzeada.
Aragorn parecia perturbado com essa afirmação. Tudo o que envolvia a presença de Thranduil era sério demais. O todo poderoso senador do parlamento inglês não era parte constante da vida do filho sem uma razão gigantesca.
"Ligou... ligou para o Thranduil?" – Arwen se sentiu arrepiar com aquele nome. Digno de respeito, mas se viu fazendo um pré juízo dele. Aragorn e Boromir se encaravam até que Boromir respondeu a pergunta do outro:
" Ligou. Não consegui escutar porque ele fala muito baixo quando quer, mas ouvi ele se despedir dizendo 'tchau pai.' Prá mim isso é o bastante." – Boromir parecia ter todo o respeito do mundo pela pessoa de Thranduil, mas também um certo temor, aos olhos de Arwen.
"O que tem de errado nisso?" – ela finalmente perguntou, querendo saber mais sobre o pai de Legolas.
"O pai do Legolas é um senador, Vive no Parlamento ombro a ombro com o Primeiro Ministro, e com os homens mais poderosos da política britânica, conhecido da família real. Um sujeito muito sério, e o Legolas só o procura quando está num beco sem saída." – esclareceu Boromir.
"Acha que ele pode ter voltado a tomar remédios outra vez?" - Perguntou Aragorn, cedo ou tarde Arwen ia descobrir.
"Eu procurei em todos os lugares, mas não encontrei, logo que ele saiu."
"Ahn... desculpa, mas..." – Fez Arwen, que não entendia nada.
"Ele foi viciado em anti depressivos e calmantes, além de outras drogas há alguns anos atrás, e depois de muito tempo em que ele ficou desaparecido, ele voltou do nada, e o pai internou ele." – Aragorn dizia isso com um enorme pesar na voz. Era uma das poucas testemunhas desse período negro da história do amigo, mas não sabia de tudo o que havia acontecido, apenas Boromir, Thranduil e o terapeuta. Ou assim eles pensavam.
"Puxa vida, não sabia disso. Nem fazia idéia. Ele é tão... tão..." – faltavam palavras à Arwen para definir o estado de espírito que Legolas demonstrava. Não parecia alguém que sofreu tanto, achava que ele era apenas mais reservado.
"Não sei nem se a Hannah sabe disso." – Disse Boromir, fazendo uma constatação mais para si do que para outras pessoas.
"Você disse que ele foi pro estúdio?" – perguntou Aragorn, curioso sobre essa atitude.
"É... passa os dias assim, quando não está dormindo está trabalhando feito louco prá esquecer."
"Melhor que enchendo a cara." – constatou Aragorn, fazendo um adendo ao comentário do colega.
"Eu queria que ele fosse na festa de comemoração de 20 anos do Bar onde eu trabalho, mas tenho medo de que eles se encontrem por lá, já que o sócio conhece o Théodred. Nem falei nada prá vocês... eu sou obrigado a ir, vocês não." – Disse Boromir, justificando seus atos, mas Aragorn se irritou com isso.
"E você acha que só por causa deles nós vamos deixar de ir em algum lugar? Ou pior, deixar você sozinho com eles lá? De jeito nenhum! Além do que, eles podem nem notar que estamos lá." – Disse ele, com convicção, que encheu os olhos de Boromir com lágrimas. Nunca, em lugar nenhum do mundo, ia achar amigos tão fiéis.
"Legolas não vai poder se esconder prá sempre, vai?" – completou ele, cheio de razão. Parou por um instante, quando seu cérebro processou as informações de Arwen e Bormir em conjunto. – "Peraí, eles terminaram mesmo?" – Perguntou atônito, sem importar se ia, ou não, parecer um idiota.
"É o que tudo indica..." – Arwen sentiu um nó na garganta ou ouvir tudo aquilo. Novamente se lembrava de Haldir. Cada vez que brigavam e terminavam, dias ignorando um ao outro...
Horas depois ela e Aragorn voltavam para casa. Ele estava se provando um grande amigo e companheiro, alguém em quem ela jamais se arrependeu de depositar sua confiança um segundo que fosse. Alguém por quem ela estava desenvolvendo um apreço sem igual, e algo lhe dizia que ele poderia ser mais do que amigo se ela quisesse, mas nesse aspecto não queria arriscar demais. Tinha medo de se envolver com alguém, por hora. Ainda com as palavras da prima martelando sua mente confusa.
Entrou em casa sem sequer chamar a atenção da prima que assistia TV. Não queria falar com ela tão cedo, ainda estava magoada com tudo o que aconteceu, e voltar para o Japão passou a ser uma possibilidade muito cogitável.
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A semana passou e o fim do relacionamento entre Legolas e Hannah foi decretado tacitamente, quando ela passou a beijar Éomer abertamente. Estava sendo agitado para ela, em especial depois de um telefonema de Haldir. Muita coisa havia mudado entre eles.
Arwen ouvia incrédula cada pedido de desculpas, de perdão, promessas de mudanças, mas nada muito claro... e em cada palavra dele ela buscava reconhecer 10 que fosse do sofrimento e agonia que Legolas demonstrava por Hannah. Assim poderia saber que era sincero, mas sequer conseguia discernir algo que não fosse mera culpa. Estranhamente seus pensamentos estavam divididos entre Aragorn e Legolas, e isso ocupava o espaço deixado por Haldir.
Não sentiu tanta falta quanto pensou que iria, e nem sofreu com dúvidas cruéis, pensando se ele ainda tinha alguma consideração por ela. As fotos que Éowyn havia mandado eram o bastante para um enorme NÃO, como resposta. Melhor sofrer com uma certeza do que com uma dúvida. Na certeza você pensa no fim, na dúvida fica com o 'e se..." . Cada palavra que ele dizia soava estranha aos ouvidos dela. Era como se fosse apenas um grande amigo pedindo desculpas por algo que fez, só um amigo.
Evitava ficar ao alcance da visão de Éomer sempre que ele estava na casa. Tentou avisar Hannah sobre suas desconfianças acerca da pessoa dele, mas não recebeu ouvidos. Hannah achava que era porque ela era uma defensora de seu ex namorado, ou algo mais.
Boromir havia avisado que Legolas tinha concordado em ir na tal comemoração, e que estava ficando mais sociável, Arwen e ele se falavam com freqüência. Ele já sabia do que estava acontecendo, e por isso esse assunto era sempre evitado. Estava sendo uma longa semana, muitos acontecimentos .
Na Quinta feira Éowyn ligou, dizendo que tinha recebido a foto do vestido vermelho. Arwen não sabia que sentia tanta falta da amiga até ouvir toda aquela animação que a outra transbordava. Conversaram durante quase uma hora, Arwen contando cada detalhe dos últimos 15 dias, a festa, amigos que fez... e como era de se esperar, Éowyn incentivou-a a deixar Aragorn tomar mais espaço em sua vida.
"Como vai a vida aí no Japão? Os rapazes, se é que me entende?" – Perguntou Arwen, sabia que meio mês era tempo demais para que amiga ficasse dentro de casa.
"De mal a pior. O último que eu conheci era um galã ecológico: tinha o corpo do Tarzan, a voz de Jane e o cérebro da Chita!"
Incrível! De onde ela tirava essas comparações? Perguntava-se Arwen, enquanto ria dos comentários mau humorados de Éowyn.
Sábado novamente! Dezessete dias desde que deixara o Japão. Já sentia falta de olhar na rua e ver olhos puxados por todos os lados, cabelos negros e escorridos, além dos tipos mais punk's. Templos de arquitetura antiga em meio ao toda a modernidade, aquela mistura de novo e antigo, seriedade e rebeldia que a metrópole tem.
Sábado era um dia digno de temores. A tal comemoração, Éomer e sua turma no mesmo lugar que ela e seus amigos. Hannah tinha convidado Arwen para que ficasse junto com ela, mas por mais que tentasse, e não estava disposta a tanto, seria impossível fica à vontade junto deles, principalmente porque o clima entre ela e a prima ainda não era dos melhores. Antes só do que mal acompanhada.
Se arrumou para a festa, do jeito mais simples que pôde: saia bege com blusa preta e jaqueta e sapatos da mesma cor da saia. Aragorn a buscou em casa de carro, quando Hannah e Éomer já tinham saído. Incrível como um simples jeans azul escuro com camiseta preta faziam dele uma imagem inesquecível. Aquela barba sempre com cara de 'por fazer', os olhos muito verdes, o cabelo jogado para trás, aquele sorriso que exibia o teclado branco dos dentes dele...
Arwen passou por ele, cumprimentando-o com um beijo no rosto. Dirigiram num agradável silêncio até o bar aniversariante, Aragorn havia comentado que os colegas estariam no mezanino, pouco acima do palco.
Arwen observava o ambiente, avistara sua prima no andar de baixo com seus novos amigos, e naquele instante teve um pressentimento muito estranho, sua intuição lhe dizia que aquilo não ia terminar bem no instante em que passou os olhos pelas figuras dos acompanhantes de Éomer.
Chegou próxima de onde os amigos estavam, Legolas estava lá um tanto abatido, mas não deixou de sorrir ao vê-la. Aliás, todos sorriram quando viram ela e Aragorn entrando de mãos dadas. Sim, estava com os dedos entrelaçados aos dele e nem sequer se deu conta. Corou, mas sentiu-se feliz, o coração acelerou... 'quando isso aconteceu?', ela percebeu... que talvez no fundo ela quisesse aquilo.
A noite ia passando e o show havia começado reduzindo drasticamente as luzes do ambiente, ela e Aragorn estavam sentados um pouco mais afastados dos outros.
"Você está linda hoje, mais do que da primeira vez em que fomos apresentados de fato. Parece 'mais você' essa noite." – reparou ele, lembrando-se da primeira vez em que a viu com o tal vestido, e criou coragem em convidá-la para sair.
Arwen ficou rubra de vergonha, sentia o rosto ferver e ele só não viu isso porque estava em um canto mais escuro. Pensou que teria um ataque quando sentiu os dedos dele tirarem as mechas dos fios escuros que cobriam seu rosto, aproximando-se de seu ouvido... a respiração dele tão perto dela. Arwen estava com uma das mãos entrelaçada à dele, mas podia sentir sua palma suada, ligeiramente fria.
"Eu gosto tanto de você..." – Disse ele, num sussurro baixo. Aragorn sabia que estava arriscando demais nessa frase... e se tudo fosse só uma amizade? E se ela não correspondesse, se a assustasse e ela quisesse ir embora? Jamais saberia sem tentar, e agora estava lá, aguardando um sinal que parecia que nunca viria.
Ela virou-se ligeiramente na direção dele, sentia que queria algo mais dele além da amizade, e a confirmação dessa teoria veio com o frio na barriga tão conhecido. Ele tocou seu rosto ao perceber que ela lhe dera essa intimidade, encarando-a, como que na espera da autorização para ir mais longe, como quem quer uma aproximação maior, e ela veio na forma de um fechar de olhos encantado que ela lhe ofereceu e com o mais meigo sorriso à espera do beijo.
Arwen sentiu sua boca ser coberta delicadamente por aquele lábios macios, que a beijavam com suavidade, fazendo com que ela quisesse retribuir o carinho que recebia, abraçando-o inconscientemente, sentindo uma felicidade grandiosa a cada instante aproveitado.
Marina observava a cena com um sorriso bobo e de canto de olho para não estragar aquele momento. Claro que não conseguiu manter a boca fechada por muito tempo. Logo que os dois se afastaram ela comentou sobre acena 'cute' que ela tinha visto, com todo o açúcar do mundo.
Aragorn tinha chamado Arwen para dançar com ele, tudo parecia mágico naquele momento. Como era gostoso ficar com ele, sua companhia sabendo a hora de falar e de calar. Ela o olhou mais uma vez, insegura, ia falar alguma coisa mas ele a impediu, colocando dois dedos sobre seus lábios com suavidade, e sorrindo. Ficaram dançando abraçados por algum tempo, até que ela conseguiu reordenar seus pensamentos... o que quer que tivesse a dizer não era importante. Palavras não faziam falta naquele momento.
Apesar da apatia de Legolas todos concordavam que a noite estava sendo ótima. Ficaram sentados conversando muito tempo, mas ninguém se atreveu a abordar o 'beijo' mais falado de todos os tempos. Era um momento dos dois e de mais ninguém, mas a felicidade estampada naqueles rostos não passara despercebida por nenhum deles. Arwen e Aragorn bem o sabiam, mas não comentaram nada. Não era preciso, só o sorriso bobo e doce que Marina lhe deu quando voltaram para a mesa já era suficiente para perceber que tinham visto e comentado na ausência deles.
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Na saída, enquanto esperavam os carros serem trazidos pelos manobristas viram Éomer e seus comparsas serem trazidos para fora pelos seguranças de uma maneira... não muito gentil. A julgar pela vermelhidão no rosto de Éomer ele estava bêbado, exaltado, e sendo escorado por Théodred, enquanto Hannah tentava fazê-lo parar de gritar com alguém que estava do lado de dentro, mas sem sucesso.
Foi quando ele se virou para Aragorn e os outros.
"Ora, ora, quem está aqui! Se bem me lembro, devo uma surra em vocês!" – disse em alta a clara provocação, olhando para Boromir, Aragorn e Legolas.
"Pára Éomer!" – Hannah falava, interpondo-se no caminho, mas não foi capaz de detê-lo. Ele a puxou pelo braço, dando-lhe um beijo forçado, exibicionista.
"E aí, meu! É assim que eu trato a tua mina!" – disse ele, encarando Legolas, que não respondeu, estava fazendo o que podia para ser indiferente àquela cena, indisposto a se envolver em outra briga. Apenas olhou para Hannah, que não sabia mais o que fazer, se é que soube alguma vez desde que começou a sair com Éomer. Novamente ela tentava parar as provocações, com nenhum resultado. Legolas tinha o olhar triste dirigido à ela, e foi quando a moça percebeu que havia perdido em sua vida.
Arwen olhava para Éomer com igual desprezo de daria a uma barata, novamente sentia o tal 'calo' ser pisado. Sua prima tinha feito uma péssima troca. Mas algo ali lhe dizia que deveriam ir embora o mais rápido que pudessem, o pressentimento que tivera no começo da noite voltava com mais intensidade.
Boromir, que se mantivera calado a noite toda observava o sofrimento do amigo ao ver o tratamento que a sua namorada recebia daquele outro homem. Nada dizia, não queria que Éomer ficasse ainda mais exaltado, mas nada seria suficiente para impedir o folgado. Éomer se virou para Aragorn, com ar debochado e um hálito fedorento, chegando bem perto do outro e disse:
"Ahn... é você que está saindo com a priminha querida?" – disse entre risos, acompanhando de toda a sua corja. Arwen apenas resmungou um 'nojento' baixo entre dentes, mas foi o suficiente. Mal viu de onde veio o tapa que lhe acertou em cheio o rosto. Quando seu deu conta estava sendo amparada pela prima que correu até ela, e a tempo de ver Aragorn avançar sobre Éomer, que foi empurrado, enquanto Legolas tentava puxar o amigo de volta. Por algum motivo, nessa noite, Théodred e os outros não se preocuparam em partir para a agressão, e sim em segurar o líder descontrolado.
Éomer fez menção de estar calmo, enquanto Legolas acalmava o colega, ajudado por Boromir e Arwen, que dizia para eles irem embora já em meio às lágrimas. Legolas concordava prontamente, abrindo a porta do carro do amigo.
Tudo parecia calmo quando Aragorn fora surpreendido por Éomer que puxava um pistola da cintura.
Todos ouviram o estouro e o clarão no momento em que a arma foi disparada uma única vez. Éomer e sua turma, ao perceberem a burrada de que tomaram parte, desapareceram correndo rua abaixo, mas uma viatura já ia em seu encalço com a sirene ligada.
Todos voltavam a se levantar, enquanto Arwen começava a gritar freneticamente. Aragorn estava deitado no chão sobre uma poça crescente de sangue. Marina e Hannah, mesmo chocadas tentavam tirar Arwen de perto, para que o rapaz ferido conseguisse respirar. Legolas chamava um ambulância, enquanto Boromir checava o pulso do colega.
Faramir conversava com os policiais de uma outra viatura que acabava de chegar ao local, dando o relato de tudo o que tinha acontecido. Foram os cinco minutos mais longos da história até que a ambulância chegou, e Aragorn, depois de ser imobilizado pelos paramédicos, foi levado para o hospital, Arwen com ele, enquanto os outros pegavam os carros e seguiam o veículo de resgate. Apenas Faramir ficaria para trás, terminando de dar as informações, e os seguiria depois, assim como a polícia, que iria tomar os depoimentos iniciais.
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Acham que eu sou má? Que foi um golpe baixo? Me contem...
Cenas de romance água com açúcar não são meu forte mas faço o que posso. Não fiquem com raiva de mim no fim do capítulo! Foi quase um parto escrever aquela cena! Esse capítulo foi podre e ingênuo... desde o dia em que eu o escrevi no caderno, há uns três meses atrás, não consegui melhorá-lo de jeito nenhum.
Beijo K's
Kika-sama :)
