Capítulo Oito
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- Já estava na hora de você voltar para casa. - disse, antes de beijá-la. Ela tinha o gosto de chuva e chá.
Hermione terminou o beijo.
- Concordo.
Ron a puxou para um beijo, erguendo-a do chão. Perdeu o equilíbrio e caiu de costas, Hermione pousando em seu peito. Ron deu de ombros mentalmente, e enrolou suas mãos no cabelo molhado de Hermione, e começou a compensar pelo tempo perdido.
Ron virou Hermione, ignorando o leve guincho de surpresa dela.
- Senti sua falta. – ela murmurou contra seus lábios.
- Também senti sua falta. – ele admitiu, ofegando quando as mãos dela deslizaram sob sua camiseta e se esgueiravam para dentro de sua calça. – Senti falta disso, também. – beijou a ponta de seu nariz.
Hermione sorriu e enrolou seus dedos no cabelo dele, puxando seu rosto para baixo.
- Eu também.
Ron se afastou para pegar ar.
- Você está com um cheiro diferente. – a informou.
- Um diferente ruim?
- Não. – Ron acariciou a pele sob o maxilar de Hermione. – Apenas diferente. – abaixou a cabeça para beijá-la novamente. – Está com um gosto diferente, também.
- Culpe o Percy. Foi ele que encheu o estoque da cozinha para nós. Comprou uma marca diferente de chá, mas a mamãe não quer jogar fora e comprar a de sempre.
- Vou falar com ele no almoço de amanhã. – prometeu, seus lábios roçando a pele da curva de seu pescoço, lhe dando um beijo forte na base do pescoço.
- Vocês vão entrar ou vão continuar se amassando aqui a noite toda? – uma voz divertida perguntou acima deles. Ron e Hermione ergueram os olhos culpados apenas para ver Harry parado ao seu lado, a varinha acessa.
- Erm... – mesmo com a fraca luz da varinha, era possível ver o corar de Ron.
Hermione ergueu uma mão e afastou o cabelo molhado dos olhos de Ron.
- Vamos entrar. – respondeu, sorrindo para Ron.
Ron se ergueu, ajudou Hermione a fazer o mesmo e pegou sua mochila.
Os três correram até a cozinha, a porta batendo atrás deles, e Hermione se virou, jogando os braços ao redor de Harry.
- Olá. – ela disse, antes de se afastar para que pudesse olhá-lo nos olhos. – Como você está?
- Melhor. – Harry deu de ombros. – Dias bons, dias ruins... – torceu a barra da camiseta para tirar o excesso de água. Lançando um olhar rápido a Ron, se inclinou e beijou a testa de Hermione.
- Ei! – Ron protestou com um brilho nos olhos.
- O quê? Não posso mais dar um beijo de boas vindas em minha irmã? – Harry perguntou de maneira brincalhona.
Hermione piscou para afastar as súbitas lágrimas.
- Mesmo? – murmurou.
Harry a olhou, antes de abraçá-la.
- Sim, mesmo.
- Por que vocês dois estão molhados? Vão colocar algo seco, antes que fiquem doentes. – Molly mandou, entrando na cozinha. Ela ainda não tinha visto Hermione. Ron e Harry estavam parados na frente dela, tirando-a do campo de visão de Molly.
- Nós ouvimos algo lá fora, mãe. – Ron respondeu.
- Fomos ver o que era. – Harry adicionou.
- Provavelmente apenas um pouco de trovão. – Molly comentou, mexendo na panela de assado no fogão.
- Trovão? Bem, talvez. Ela pode fazer bastante barulho quando quer. – Ron disse, dando um sorriso para Hermione por sobre o ombro.
- Ela? – Molly se virou, as mãos no quadril. – Do que vocês dois estão falando?
Ron esticou a mão e puxou Hermione para frente.
- Adivinha quem voltou. – disse alegremente.
- Hermione. – Molly murmurou. – Arthur! Arthur! Ela voltou! – Molly chamou, antes de engolfar Hermione em um abraço. – Oh, querida. Por que está toda molhada? E como, diabo, acabou com folhas no cabelo? – antes que Hermione pudesse responder, Molly a estava puxando até as escadas. – Vá para o quarto de Ginny, querida, e vista algo seco. – olhou para Ron e Harry, ambos molhando o chão de sua cozinha. – Vocês dois também. E não demorem. O jantar estará pronto logo.
Harry correu levemente até o quarto de Ron, enquanto ele e Hermione seguiam mais lentamente.
- Então, eu trouxe meu diário. – Hermione comentou.
- Trocamos mais tarde?
- Tudo bem.
- Meu quarto. Depois de todos terem ido dormir. – Ron segurou a cabeça de Hermione com uma mão, enquanto a beijava suave e docemente.
- Mmmm-hmmmm. – ela concordou, a cabeça girando.
Eles se separaram quando ouviram alguém pigarrear as escadas.
- Continuem assim, e não vão precisar de roupas secas. – Harry comentou secamente, parando no patamar do quarto de Ginny. – Oh, e enquanto estou aqui... – deu um soco leve no ombro de Ron. – Isso é por apalpar minha irmã. E se você a machucar... – Harry pausou ameaçadoramente. – Eu conheço alguém que pode me ensinar um bom feitiço de melecas. – olhou para Hermione, que estava corando tanto quanto qualquer Weasley. – Já estava na hora de você voltar. – Harry disse, voltando a descer as escadas. – Ele estava começando a murchar como um lírio velho ou algo assim.
Ron olhou para Hermione. Ela o estava estudando.
- O quê? – perguntou.
- Nada. – sorriu. – Vá se vestir. – disse, tirando sua mochila das mãos dele. Fechou a porta lentamente e se apoiou nela, pegando um momento para acalmar sua respiração. Hermione abriu a mochila e rapidamente pegou uma calça e suéter secos. Tirou a roupa molhada e se vestiu, deixando sua roupa molhada sobre a cadeira da escrivaninha de Ginny, para que pudesse secá-las com um feitiço. Penteou e secou o cabelo, antes de colocar meias nos pés e caminhar até a cozinha.
Ron estava ajudando Molly com o jantar. A visão fez Hermione parar.
- Quem é você? – perguntou, a boca aberta.
- Eu sei cozinhar, sabe. – ele disse.
- Na verdade, não. Não sei.
- Desenvolvimento recente. – George disse de seu lugar à mesa, soltando os dedos gordinhos de Teddy de seu cabelo. – Ele ainda não matou ninguém.
- Ele não é ruim. – Harry disse, tirando Teddy de George, desviando das tentativas de Teddy de pegar seus óculos.
Ron colocou uma cesta de pão na mesa.
- Obrigado pelo apoio, caras.
- Quando quiser. – George sorriu, mas o sorriso ainda tinha uma pitada de tristeza.
Arthur saiu da sala de estar, o nariz enfiado em um manual de uma geladeira.
- Molly, quem você disse que tinha chegado?
- Olá, senhor Wea... Arthur. – Hermione acenou de sua cadeira.
Arthur sorriu.
- Oh, Hermione! – ele lhe deu um beijo no alto da cabeça. – É bom vê-la, querida. – ele virou uma página no manual. – Como essas coisas funcionam?
- É como um feitiço de refrigeração, mas com eletricidade. – ela respondeu.
- Oh, eletrocidade. – Arthur disse, assentindo alegremente.
Ron colocou uma tigela de assado em frente a Hermione, e se sentou ao lado dela. Ela misturou algumas vezes com a colher, e Ron girou os olhos e se inclinou para murmurar em seu ouvido.
- Está tudo bem. Não coloquei nada ruim aí.
Os olhos surpresos de Hermione se ergueram para encontrar os divertidos de Ron.
- Você quem fez?
- A maior parte.
Ela experimentou cuidadosamente o que estava em sua própria colher.
- Está gostoso. Realmente bom.
- Te disse. – Ron disse arrogantemente.
-x-
Hermione estava sentada na cama de Ginny, enrolada em seu roupão, o diário em suas mãos. Normalmente, Molly e Arthur iam se deitar as dez e meia. Harry tinha se deitado quando Teddy dormira. George ainda estava acordado. Ele estava à mesa, discutindo algumas ideias para a loja.
Ela ainda não conseguia acreditar que Ron estava trabalhando na loja com George. Não que ela se importasse, depois de ter visto Fred e George em ação há dois, mas ela não achara que George envolveria Ron.
Hermione olhou para o relógio e começou a caminhar ao redor do pequeno tapete em frente a cama de Ginny. Ficou parada quando ouviu as escadas estalarem levemente, e os murmúrios de Ron e George. Hermione viu a hora. Vou dar dez minutos para ele, pensou. Sentou-se nervosamente na ponta da cama, e abriu o diário. Escrevera quase todos os dias em que estivera na Austrália.
O tiquetaquear de seu relógio parecia anormalmente alto no pequeno quarto.
Hermione olhou pela janela, depois de olhar para seu relógio pelo que pareceu a centésima vez nos últimos dois minutos.
Ainda estava chovendo.
Finalmente, os dez minutos passaram, e Hermione subiu silenciosamente as escadas até o último andar. Até Ron.
Abriu a porta e a fechou atrás de si. Ron estava sentado com as pernas cruzadas no meio de sua cama, usando apenas um par de boxers. Ele ergueu os olhos do próprio diário.
- Olá. – ele disse suavemente, um sorriso aparecendo em seu rosto.
- Oi. – respondeu.
Ron saiu da cama, e pegou a mão de Hermione. Puxou-a para mais perto, e franziu o cenho para seu roupão. As mãos de Ron pousaram sobre o cinto, silenciosamente pedindo permissão para abri-lo. Ela assentiu em concordância, e Ron lentamente desfez o nó, suas mãos escorregando até os ombros de Hermione, fazendo o roupão ir ao chão, os olhos nunca se desviando dos dela. Ela deixou cair o diário com um barulho.
Ele olhou para baixo, distraído pelo barulho. Piscou algumas vezes.
- Isso é o que eu penso que é?
- Sim. – Hermione riu. – Eu vim aqui depois do jantar naquele dia, e a coloquei na minha bolsa.
- Você a levou para a Austrália? – Ron perguntou maravilhado.
- Sim. Dormi com ela. Quase todas as noites. – confessou.
- Por que faria algo do tipo, mulher maluca?
- Tinha seu cheiro. Pelos primeiros dias, de todo modo. Ela me lembrava de você. E depois de dormir com você pelo último ano, foi estranho dormir sem você.
Ron puxou Hermione até a cama e a puxou com ele, acomodando-a de modo que as costas dela estivessem apoiadas em seu peito.
- Eu procurei essa maldita camiseta em todos os lugares. – comentou.
- Desculpe.
- Não tem problema. – os dedos de Ron dedilharam a pernas de Hermione, indo até o começo de sua calcinha. Merlin, Ron, o que está tentando fazer? Ela acabou de voltar para casa. Ron começou a tentar fazer um catálogo mental de tudo que podiam enviar a Hogwarts com segurança.
Hermione estremeceu. Conseguia sentir o calor do corpo de Ron através do fino algodão da camiseta. Olhou para baixo. Não seria difícil colocar uma mão dentro da boxer dele... Fechou os olhos. Você acabou de voltar, Granger. Dê um tempo para que ele se acostume com você de novo!
- Mione?
- Hmmm?
- Você quer trocar os diários agora? – Ron tentou evitar que sua voz falhasse sob a tensão de tentar não tirar a camiseta do corpo de Hermione. Suas mãos correram pelos contornos dela, como ele fizera frequentemente em seus sonhos.
- Não particularmente. – ela disse roucamente.
- O que quer fazer?
- Erm... – Hermione corou, sua mão deslizando por baixo da perna da boxer dele.
Ron respirou fundo.
- Você está brincando.
- Não.
- Mas... Eu pensei... Garotas... – Ron gaguejou. – Quero dizer, eu sei que eu penso bastante nisso, mas garotas... – ele gesticulou impotentemente.
- Pensamos.
- Oh.
Hermione se virou para encarar Ron.
- Não tem que ser nesse exato segundo.
- Certo. – o sangue estava saindo lentamente da cabeça de Ron. – Mas e se eu quiser?
Hermione suspirou em alívio.
- Graças a Deus, porque eu também quero. – quando Ron a olhou com uma sobrancelha erguida, ela bufou. – Uma garota tem necessidades, Ron.
Ron procurou algo na gaveta do seu criado mudo.
- Ainda bem que fui comprar isso, ontem. – disse, pegando uma camisinha. – Vigilância constante.
Hermione sorriu afetadamente para ele.
- Ron?
- Sim?
- Cale a boca e me beije logo.
-x-
Ron ergueu os olhos do diário de Hermione. O pé descalço dela estava apoiado em seu peito. Correu levemente o dedão pela sola do pé, que se contorceu. Ele o fez novamente.
- Isso faz cócegas. – ela disse, sem desviar os olhos de seu diário.
- Você tem cócegas?
- Um pouco. – Hermione admitiu timidamente. Os dedos de Ron dançaram pelo pé descansando em seu peito. Ela o olhou de seu lugar ao pé da cama. – Posso ir ler no quarto de Ginny. – ela disse simplesmente, puxando seu pé do aperto de Ron.
Ele a soltou, sorrindo.
- Não, está tudo bem.
- Você realmente começou a aprender a cozinhar.
- Sempre o tom de surpresa. – ele disse com um sorriso afetado. – Sim. Logo depois de você ir embora. Foi uma boa distração.
- Sabe fazer alguma coisa, além de assado?
- Claro que sei! – Ron disse com indignação. – Só tenho facilidade. – deu de ombros. – Como é fácil para Harry, ou ler é fácil para você.
- Eu nem pensei em usar o telefone. – Hermione disse tristemente, gesticulando para uma página no meio do diário de Ron.
Ron riu.
- Não é uma surpresa, considerando minha experiência. – ele virou a página pensativamente. – Você entreouviu a Ministra Australiana?
- Uh. Sim.
- O assistente dela não tentou nada, tentou? – Ron perguntou, os olhos cerrados.
- Não. – Hermione riu. – Depois de ela o avisar sobre mim, ele sequer me olhava. – perdeu a batalha e riu alto. – Ela está certo, entretanto. Eu teria arrancado as bolas dele com um feitiço.
A mão de Ron cobriu as próprias.
- Lembre-me de nunca zombar de você quando estiver brava.
- Bom conselho. – ela murmurou. Fechou o diário de Ron. – Quando ele parou de ter pesadelos?
- Quem disse que ele parou? – Ron girou a fita que mantinha o diário de Hermione fechado. – Só não os tem todas as noites.
Ela olhou ao redor do quarto. Não estava mais tão laranja quanto costumava ser.
- A cama de armar não estava aqui antes.
- Harry começou a dormir aqui antes do aniversário dele. Só está no quarto de Bill hoje por casa de Teddy.
Hermione se deitou de costas.
- Tantas coisas mudaram enquanto estive fora.
- E tantas coisas permaneceram as mesmas.
Hermione dedilhou o diário, pousado sobre seu estômago.
- Não acredito que ela o estapeou. – disse suavemente.
Ron não precisou perguntou sobre quem ela estava falando.
- Acho que ela também não. – ficou em silêncio por um momento. – Harry sabe. – disse subitamente.
Hermione o olhou.
- Sabe o quê?
- Isso. – Ron murmurou, gesticulando para os dois na cama dele.
- Oh. – Hermione corou. – Minha mãe também sabe. – disse para a capa do diário.
Ron se sentou, o lençol se embolando em seu quadril.
- Você contou para sua mãe? – ele perguntou em um murmúrio escandalizado. – Merlin, Hermione.
- Ela... – Hermione procurou pelas palavras certas. – Não está de acordo com isso, de verdade, mas ela entende. E desde que tenhamos cuidado...
Ron abriu o diário. Ele se lembrava de ser visto algo nesse sentido.
- Não acredito que contou para sua mãe. – murmurou quando encontrou a página certa do diário. Leu a página com cuidado. – Você falou sério? – sua voz quebrando o silêncio. – Ter uma vida comigo?
- Sim.
- Mesmo?
- Sim.
Ron olhou para as palavras a sua frente. Ele se permitiu pensar sobre o que ela quisera dizer com uma vida normal. Normal... Podemos nos casar; ter uns dois filhos... Ron também conseguia imaginar. Uma garotinha com os olhos castanhos de Hermione, algumas sardas sobre o nariz, e uma bagunça de cachos ruivos. Talvez em um futuro próximo, pensou, a ponta de um dedo correndo pelas palavras.
Ergueu os olhos. Hermione estava adormecida. Gentilmente, Ron tirou seu diário das mãos dela, e o colocou no criado mudo, colocando o dela em cima. Podiam terminar de ler amanhã. Saiu da cama e pegou o cobertor do chão. Ron o esticou sobre Hermione, antes de se deitar ao lado dela.
-x-
Um zumbido encheu os ouvidos de Hermione.
- Uhhhnnn. – gemeu, e tentou se afundar no cobertor aquecido.
- Mione, você tem que voltar ao quarto de Ginny. – a voz rouca de Ron estava abafada pelo travesseiro que colocara sobre a cabeça.
- Não quero. – choramingou, se arqueando contra Ron.
Ron deixou escapar um gemido estrangulado. Nenhum deles tinha vestido algo na noite anterior, antes de começarem a ler os diários.
- Mione, por favor, não faça isso de novo. – pediu. – Não se não quiser que sejamos pegos.
- Vou ficar em silêncio. – ela disse preguiçosamente. – Bem silenciosa.
- Não é com você que estou preocupado. – Ron rosnou.
- Que hora são?
- Cinco.
Hermione passou os braços ao redor da cintura de Ron.
- Eu gosto do Ron nu. – ronronou.
Ron piscou.
- Hermione! – murmurou. – Acorde!
Hermione franziu o cenho levemente.
- Estou acordada, Ronald.
- Eu não sei você, mulher, mas eu não quero estar aqui se mamãe nos encontrar, nus, na minha cama, obviamente tendo passado a noite fazendo o que fizemos. Ela vai pirar.
- Mais trinta minutos. – Hermione pediu.
Ron a olhou. Hermione ainda estava aquecida e dócil de sono, e seu cabelo estava esparramado por seu travesseiro.
- Não posso prometer que realmente vamos dormir. – avisou.
Mantendo sua palavra, Ron ajudou Hermione a vestir seu roupão, e a escoltou de volta até o quarto de Ginny. Conseguiram evitar que a escada estalasse.
- Por que não podemos colocar um feitiço silenciador na escada? – Hermione perguntou.
- Não dá. – Ron disse simplesmente. – Mamão e papai colocaram algum tipo de feitiço nela quando Bill tinha catorze anos. Não podemos fazer nada para que não faça barulho.
- Vamos ter de nos lembrar disso. – Hermione disse. Pararam em frente ao quarto de Ginny. – Te vejo daqui a pouco. – murmurou. Entrou no quarto de Ginny e fechou a porta. Hermione para o relógio e suspirou. Ainda tinha algumas horas para dormir.
Hermione vestiu seu pijama e se deitou. Não conseguiu dormir. Mesmo tão cansada quanto estava, estava inquieta. Hermione tinha dormido um pouco na noite anterior, mas ela e Ron tinham passado uma boa parte da noite acordado, fazendo várias outras coisas, que não incluíam dormir.
Partes do que ele tinha escrito em seu diário passou por sua mente.
Ele não queria ser Auror. Hermione sabia que isso era algo que ele quisera desde o quarto ano deles, e agora que lhe fora dada a chance de ser um, mesmo sem os N.I.E.M, ele rejeitara. Ela sabia por que tinha mandado um firme 'não' para Shacklebolt quando ele a convidara a se juntar aos Aurores, mas nunca imaginara que Ron se sentisse do mesmo modo.
Ir para a loja com George. Hermione não tinha certeza de como se sentia quanto a isso. Enquanto a quantidade de magia avançada que os gêmeos usavam em seus produtos era impressionante, ela não tinha certeza de que isso era o que Ron seria feliz fazendo. Ela fez uma nota mental de conversar com Ron sobre isso. Se ele pudesse garantir que estava na loja por seus próprios motivos, e não para tentar assumir o lugar de Fred, ela ficaria satisfeita.
Descobrir como Ron chorava quando criança. Hermione sorriu para o escuro. Isso era algo que ele jamais admitiria para ela, cara-a-cara.
O quão desconfortável ele ficava com a ideia de Harry e Ginny fazendo qualquer coisa além de uma sessão de amassos. Hermione riu suavemente. Era bastante hipócrita, realmente, considerando que tinham passado a maior parte da noite enroscados um no outro. Mas pelo que Ron tinha escrito no diário, Harry não estava realmente confortável com a ideia de ela e Ron fazerem algo que fosse além de um beijo.
- Garotos. – disse ironicamente.
Harry perceber que sua cicatriz não doía mais.
Percy e sua boxer de Martin Miggs, o Trouxa Maluco. Hermione sorriu. Nunca mais seria capaz de olhar seriamente para Percy.
George se lembrando de como rir. E que tinha sido Fred quem ajudara.
A frase que ela se lembrava claramente era da última vez que ele tinha escrito. Implorando para que ela voltasse, quase rezando para que não o houvesse esquecido.
Hermione ficou deitada, olhando para o teto, antes de desistir de tentar voltar a dormir e desceu para fazer chá. Parou na porta.
- Oh! – Ron já estava na pia, enchendo a chaleira. – Não consegui dormir. – confessou.
- Eu também não.
Ron disse para que ela se sentasse, e ela o observou fazer um bule de chá e um prato de torradas. Ele se sentou na cadeira ao lado da sua, levitando as xícaras, bule e prato de torrada até a mesa. Molly entrou na cozinha alguns minutos mais tarde. Nenhum dos dois percebeu.
Molly aproveitou o momento para estudá-los de perto, sem que eles percebessem. Havia algo diferente na maneira em que eles se sentavam perto um do outro, os corpos instintivamente se inclinando para se acomodar contra o outro. As mãos estavam descasando sobre a mesa, os dedos entrelaçados. Parecia bastante inocente, mas Molly viu a maneira que o dedão de Ron esfregava a parte de dentro do pulso de Hermione. A maneira que a cabeça de Hermione descansava no ombro de Ron, e como os lábios dele roçavam a têmpora dela.
Quando Ron saiu da cozinha para se trocar, Molly se inclinou sobre a mesa.
- Hermione?
- Sim?
- Eu não dei um toque de recolher a Harry e Ginny por eles ficarem juntos a noite toda. – Molly sussurrou conspiratoriamente.
- Oh? – as sobrancelhas de Hermione se ergueram.
- Eu o fiz por que eles ficaram do lado de fora a noite toda. – Molly se recostou na cadeira e tomou um gole de chá. – Não que eu esteja te dando permissão, veja bem. – encolheu os ombros. – Mas vocês dois são maiores de idade, e Merlin sabe que vocês foram feitos um para o outro.
- Oh. – Hermione murmurou.
- Apenas... – Molly hesitou. – Garanta-se de cuidar das coisas, Hermione. Arthur e eu somos novos demais para sermos avós.
Continua...
Tradução do título do capítulo: algo como "virando a página".
